Número de alunos com maus resultados está a descer em Portugal. Na UE a situação está a piorar

Novembro 23, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 9 de novembro de 2017.

Comissão Europeia alerta que a UE se está a afastar do que foi estabelecido como meta para 2020 no que toca à redução dos fracos desempenhos na literacia em leitura, matemática e ciências.

Clara Viana

Portugal está em contraciclo com a União Europeia (UE) no que respeita à evolução da percentagem de alunos com 15 anos que têm fracos desempenhos em leitura, matemática e ciência, segundo mostram os dados coligidos para a edição de 2017 do Monitor da Educação e Formação, divulgado nesta quinta-feira pela Comissão Europeia (CE).

Com base nos resultados das edições de 2012 e 2015 dos testes PISA (Programme for International Student Assessment), realizados de três em três anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, o relatório da CE mostra que a percentagem de alunos com fracos resultados decresceu em Portugal, sendo que na média da UE se registou um acréscimo.

Na literacia em leitura, 17,2% dos alunos portugueses mostraram em 2015 que não possuem os conhecimentos básicos neste domínio, contra uma média de 19,7% na União Europeia. Em 2012, os valores registados foram respectivamente de 18,8% e 17,8%. Na literacia em matemática, Portugal desceu neste indicador de 24,9% para 23,8%, enquanto a média da UE subiu de 22,1% para 22,2%.

Já em ciências, a evolução portuguesa foi de 19% para 17,4%, enquanto na UE se registou uma subida de quatro pontos percentuais no contingente de alunos com fracos desempenhos, que passou de 16,6% para 20,6%.

Este resultado na literacia em ciências é destacado pela CE. “Um dos objectivos da União Europeia para 2020 é reduzir para 15% a percentagem de estudantes de 15 anos que obtêm resultados negativos em leitura, matemática e ciências. Não só a UE está longe de alcançar esta meta, como ainda se afastou mais dela, em particular nas ciências”, frisa-se no comunicado divulgado a propósito da nova edição do Monitor da Educação e Formação.

Desafio: ter 40% da população com ensino superior

Quanto às outras principais metas para 2020, a Comissão Europeia alerta que Portugal está ainda longe de conseguir ter 40% da população entre os 30 e os 34 anos com o ensino superior completo. Vai constituir um “desafio” alcançar este objectivo no prazo que resta, afirma. Em 2016 esta percentagem era em Portugal de 34,6%, enquanto na UE já estava nos 39,1%.

Sobre a situação em Portugal, a CE indica a propósito que existem “várias medidas a ser aplicadas para ajudar a agilizar a rede de oferta do ensino superior”. Nos documentos já divulgados não se especifica quais são. No anterior Governo PSD/CDS foram criados os chamados cursos técnicos superiores profissionais, com o objectivo precisamente de alcançar a meta para 2020. No ano lectivo passado estes cursos de dois anos, leccionados apenas nos institutos politécnicos, já eram frequentados por quase 12 mil alunos. O actual Governo pretende que dentro de três anos existam 20 mil alunos formados por ano nestes cursos.

No Monitor da Educação e Formação destaca-se também que Portugal tem feito progressos na redução da taxa de abandono escolar precoce, que dá conta da percentagem de jovens entre os 18 e os 24 anos que abandonaram os estudos sem concluírem o ensino secundário. A meta para 2020 é de reduzir esta proporção para 10% ou menos, mas em 2016 Portugal estava ainda nos 14% (três anos antes esta percentagem era de 18,9%), enquanto a média na UE era de 10,7%.

Desigualdades persistentes

Segundo a CE, os dados agora coligidos confirmam que “o nível de escolaridade atingido pelos estudantes depende, em grande medida, das suas origens socioeconómicas”. E aponta as pessoas nascidas fora da União Europeia como sendo “particularmente vulneráveis”. “Em 2016, 33,9% das pessoas entre os 30 e os 34 anos residentes na UE, mas nascidas em países terceiros, eram pouco qualificadas (concluíram o 3.º ciclo do ensino básico ou menos) em comparação com apenas 14,8% dos seus pares nascidos na UE.”

“É demasiado frequente os nossos sistemas de ensino perpetuarem as desigualdades”, alertou o comissário europeu responsável pela Educação, Tibor Navracsics, acrescentando que  isto acontece “quando não se adequam às pessoas dos meios socioeconómicos mais desfavorecidos e quando o estatuto social dos pais determina os resultados escolares, mantendo a pobreza e as oportunidades reduzidas no mercado de trabalho de uma geração para a seguinte”.

 

 

 

Literacia 3D: o desafio continua

Janeiro 27, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://www.educare.pt/ de 3 de janeiro de 2017.

educare

Conhecimentos na área da Leitura, Matemática e Ciência voltam à competição na segunda fase do concurso Literacia 3D.

Andreia Lobo

Não se trata do PISA, mas as áreas em que os alunos são desafiados a mostrar o que sabem são idênticas. Leitura, Matemática e Ciência. O concurso Literacia 3D: O desafio pelo conhecimento junta criatividade e inovação.

A primeira fase testou as competências de 90 mil alunos do 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico ao nível da interpretação de textos, do cálculo e do conhecimento científico. Agora, os mais bem classificados avançam para as competições distritais. Os saberes voltam a ser testados em março.

Dois mil participantes estão apurados para a segunda fase do concurso nacional Literacia 3D. Um desafio lançado pela Porto Editora ao qual responderam escolas de norte a sul de Portugal e dos arquipélagos dos Açores e da Madeira. A iniciativa avalia as competências dos alunos na literacia da Leitura no 5.º ano, da Matemática no 6.º ano e da Ciência no 7.º ano. E voltará às escolas no segundo período, entre os dias 6 e 10 de março de 2017.

Nessa altura os alunos que obtiveram as melhores classificações vão poder representar o respetivo agrupamento escolar na fase distrital. O Literacia 3D vai apenas na segunda edição, mas já ganhou o entusiasmo da comunidade educativa.

Prova disso foi o aumento do número de participantes face à edição anterior que no ano letivo de 2016/2017 duplicou. No total participaram mais de 750 estabelecimentos de ensino da rede pública e privada. Na primeira fase, decorrida em novembro, estiveram envolvidos cerca de 90 mil jovens e mais de mil professores e pais em colaboração com centenas de diretores escolares e municípios.

As provas de Leitura, Matemática e Ciência inovam tanto no formato como no conteúdo. O papel e caneta estão dispensados. As questões são realizadas no computador através da plataforma da Escola Virtual. A matéria é a lecionada nos currículos, mas a prova remete os alunos para a necessidade de pôr em prática diferentes competências, levando-os à resolução de problemas colocados em situações reais.

Exemplos? Na primeira edição, a prova de literacia científica colocava aos alunos o desafio de perceberem o processo de tratamento de águas residuais e de antever as consequências da libertação do conteúdo de uma fossa séptica para o ambiente.

Relativamente à literacia da leitura, a prova apresentava um excerto de um texto sobre a postura de ovos das tartarugas, retirado de um guia turístico de São Tomé e Príncipe, sendo pedido aos alunos para responderem a perguntas sobre a informação apresentada.

A prova de literacia matemática, a disciplina mais temida, desafiava os participantes a usarem o cálculo para resolver problemas que requeriam a análise de estatísticas e de infografias. Em comum, todas as provas apresentam várias questões elaboradas em formato de escolha múltipla ou verdadeiro e falso.

A grande final do Literacia 3D está marcada para o dia 26 de maio. Nessa data serão conhecidos os campeões nacionais nas três áreas a concurso.

mais informações:

https://www.portoeditora.pt/literacia-3d

Exercícios simples não chegam para aprender Matemática

Julho 12, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site Educare de 23 de junho de 2016.

descarregar o relatório citado na notícia no link:

Equations and Inequalities : Making Mathematics Accessible to All

pisa

Andreia Lobo

OCDE diz que a literacia matemática é fundamental no trabalho e na vida dos alunos. E alerta: os exercícios rotineiros dados aos alunos na sala de aula não são suficientes para melhorar os resultados.

É inegável a importância da Matemática na formação dos jovens. Dominar conceitos matemáticos, pensar quantitativa e analiticamente e comunicar usando a matemática “são competências fundamentais para enfrentar os problemas que surgem no trabalho e na vida para além da sala de aula”, lembra a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Um novo relatório elaborado com base nos resultados do PISA 2012 analisa a forma como os currículos de Matemática, os professores e as escolas podem ajudar os alunos, especialmente os mais desfavorecidos, a melhorarem os seus resultados.

Uma das conclusões dessa análise mostra que “na realidade muitos alunos não estão familiarizados com os conceitos básicos de matemática”. Exemplo: menos de 30% dos alunos de 15 anos que realizaram os testes de Matemática do PISA 2012 mostraram saber o que é uma média aritmética.

Os investigadores perceberam ainda que, “na escola, a prática de exercícios simples, por si só, não é suficiente para que os alunos melhorem a sua capacidade de pensar quantitativamente e resolver problemas complexos, na vida real”.

Como inverter este cenário?  A OCDE responde que é preciso assegurar que todos os estudantes estejam mais tempo “envolvidos” na aprendizagem dos conceitos-base e a resolver exercícios ou problemas desafiadores.

A criação de oportunidades de aprendizagem da Matemática – seja pelo tempo que os alunos passam a aprender tópicos ou a fazer exercícios na escola – constitui um bom indicador do nível de literacia nesta área.  A forte exposição dos alunos a conteúdos matemáticos complexos é uma antevisão de bons desempenhos no PISA.

Por outro lado, “as diferenças na familiaridade dos alunos com os conceitos matemáticos explicam uma parte substancial das disparidades de desempenho no PISA entre estudantes socioeconomicamente favorecidos e desfavorecidos”, refere a OCDE. Reduzir estas desigualdades na educação e na sociedade em geral passaria, segundo a organização internacional, pelo alargamento do acesso a conteúdos de matemática, como forma de elevar os níveis médios de desempenho.

Minoria domina conceitos básicos
Apesar do reconhecimento da importância crescente das competências em literacia matemática no local de trabalho, os resultados do PISA 2012 mostram que apenas uma minoria dos alunos de 15 anos na maioria dos países é capaz de apreender e trabalhar com conceitos fundamentais de matemática.

Em média, menos de 30% dos estudantes nos países da OCDE entendem o conceito de uma média aritmética, enquanto que menos de 50% estão aptos a trabalhar com o conceito de um polígono.

Ao mesmo tempo, nota a OCDE, tem aumentado a carga horária à disciplina. Assim, em 2012, um aluno médio de 15 anos num país da OCDE passava cerca de três horas e 32 minutos, por semana, em aulas de Matemática regulares na escola; 13 minutos mais por semana do que em 2003.

O relatório “Equações e inequações: Tornar a Matemática acessível a todos” mostra que os alunos socioeconomicamente desfavorecidos passam quase o mesmo tempo em aulas de Matemática na escola que os seus pares favorecidos. No entanto, na escola, estão muito menos expostos a tarefas puras e a conceitos matemáticos (envolvendo equações ou funções, por exemplo), que tendem a estar mais associados a melhores resultados de aprendizagem.

Como resultado desta falta de exposição, muitos estudantes desfavorecidos têm apenas um pequeno conhecimento sobre os conceitos fundamentais de álgebra e geometria. Cerca de 65% dos alunos favorecidos dos países da OCDE dizem conhecer bem, ou ter ouvido falar muitas vezes, no conceito de função quadrática; apenas 43% dos seus pares mais desfavorecidos dizem o mesmo.

A diferença entre o desempenho dos alunos favorecidos e desfavorecidos, que relataram conhecer bem ou ter ouvido falar muitas vezes sobre o conceito de função quadrática, é superior a 30 pontos percentuais na Austrália, Áustria, Bélgica, França, Nova Zelândia, Portugal, República Eslovaca, do Reino Unido e Uruguai.

Outros dados mostram que os 20% de estudantes mais expostos a tarefas de matemática pura, como as equações, pontuam no teste de Matemática do PISA quase o equivalente a mais dois anos de escola do que os 20% de alunos menos expostos.

Em média, 19% da diferença encontrada nos resultados dos desempenhos entre alunos socioeconomicamente favorecidos e desfavorecidos podem ser atribuídas a diferenças na familiaridade com os conceitos de Matemática.

Na Áustria e na Coreia, mais de 30% das diferenças de desempenho entre estes dois grupos de estudantes estão relacionadas com as diferenças na familiaridade com a Matemática. Isto significa, garante a OCDE, que “há indicações claras de que os alunos desfavorecidos sistematicamente recebem uma instrução ao nível da Matemática de qualidade inferior à recebida pelos alunos favorecidos”.

O modo como os sistemas educativos estão estruturados, refere a OCDE, determina a diferença socioeconómica relativamente à exposição à Matemática. Nos países da OCDE, cerca de 54% das diferenças no impacto do estatuto socioeconómico na familiaridade dos alunos com a Matemática são explicadas pelas diferenças inerentes aos sistemas educativos no que concerne à idade em que os alunos são direcionados para cursos de ensino e formação profissional ou académica.

Além disso, acrescenta a OCDE, mais de 70% dos alunos frequentam escolas cujos diretores reportam aos investigadores que os estudantes são agrupados em classes em função das suas capacidades a Matemática.

No entanto, alertam os investigadores, este tipo de agrupamento (ou separação de alunos) por capacidade pode reduzir as oportunidades de aprendizagem dos alunos desfavorecidos tanto quanto a segregação entre escolas.

A OCDE termina dando algumas pistas sobre como os países podem atuar face às questões levantadas por este relatório. A resposta à desigualdade está num currículo mais focado e coerente. Mas também na redução das práticas de agrupamento por capacidades. Os alunos com maiores dificuldades devem receber mais apoio individual. Do mesmo modo, as escolas devem arranjar formas de prestar maior auxílio aos professores que dão aulas a alunos com capacidades diferentes.

 

 

 


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