Brasil: projeto usa histórias infantis para ensinar educação financeira a crianças

Fevereiro 4, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 14 de janeiro de 2019.

“Em Busca do Tesouro” é apoiado pelo Pnud Brasil e leva para escolas brasileiras histórias da Turma da Mônica; fase de testes aconteceu no final de 2018.

Um projeto apoiado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, no Brasil, usa histórias infantis para ensinar educação financeira às crianças.

O projeto “Em Busca do Tesouro” foi implementado pela Secretaria do Tesouro Nacional, STN, do Ministério da Economia brasileiro, em parceria com o Instituto Maurício de Sousa, com apoio de outros parceiros.

Turma da Mônica

Segundo o Pnud, acompanhar a gestão do dinheiro de todos é um direito que deve ser estimulado ainda na infância.

De forma lúdica e com linguagem acessível, as crianças aprendem sobre o tema em sala de aula, com o apoio das histórias da Turma da Mônica produzidos especialmente para o projeto.

A receptividade de alunos e professores em relação ao conteúdo, contextualizado por histórias vividas por Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão e turma, foi avaliado de maneira positiva pelos executores do projeto.

Fase de Testes

A fase de testes aconteceu no final de 2018, em sete escolas públicas e uma privada no estado de Goiás. Cerca de 732 estudantes participaram da iniciativa que foi considerada bem-sucedida.

Agora, o passo a ser dado em 2019 é uma avaliação de impacto que ampliará o público-alvo para até 30 mil meninos e meninas de escolas da capital do país.

Resultados esperados

De acordo com agência, a ideia é sensibilizar a população sobre o tema, além de disseminar conceitos como equilíbrio e transparência fiscais.

Outro resultado esperado é promover educação fiscal e financeira por meio de informações sobre a função social dos tributos e o controle cidadão dos gastos públicos.

O Pnud acredita que para isso é essencial investir na formação de pequenos cidadãos e cidadãs para que entendam não apenas o funcionamento do governo, mas também a necessidade de ter comportamentos financeiros saudáveis e conhecer a a importância da gestão de finanças públicas e pessoais.

Aprendizado

Para a analista de projeto do Pnud Brasil Luciana Medeiros Brant, “os projetos assinados entre a STN e o Pnud tem como finalidade apoiar o Tesouro com estudos e ações que visem melhorar a qualidade das políticas públicas.

Brant destaca ainda que esse projeto em especial “visa ensinar as crianças e adolescentes sobre a importância da gestão dos recursos, a atuação do governo e a responsabilidade de cada um para que tenhamos um país melhor e mais produtivo”.

 

Ensinar as crianças a gerir o seu dinheiro? Quanto mais cedo melhor

Outubro 8, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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thumbs.web.sapo.io

Notícia do Lifestylesapo

Nesta época de regresso às aulas não é fácil gerir um orçamento familiar. Muitas são as despesas com bens essenciais – material escolar, livros e roupa – para que o ano letivo seja produtivo.

É habitual um pai ou mãe ouvir os mais novos da família a interpelarem “compras-me isto?”. Só que, muitas das vezes, esse pedido implica o dispêndio de quantias que se situam muito acima do que é possível suportar no orçamento familiar. Como contrapor com o seu filho e explicar que tal despesa não cabe no orçamento? Será que ele tem noção do que isso poderá implicar no dia a dia financeiro da família?

Pois bem. Esta é uma situação, entre muitas, de conflitos que surgem em contexto familiar quando se discute acerca do dinheiro. É que falar sobre este tema nunca é fácil, principalmente, com crianças e jovens.

Por isso, é boa ideia começar logo cedo a implementar algumas ideias no que toca às finanças lá de casa. Lembre-se que a gestão financeira não é uma competência inata, por isso deve ser ensinada e treinada, tal como atar os atacadores ou ver as horas.

De acordo com um estudo desenvolvido pela Universidade do Wisconsin, as crianças a partir dos três anos já compreendem conceitos tais como o valor e a troca. Também a Universidade de Cambridge indica que a partir dos sete anos, deve começar-se a adquirir os hábitos e comportamentos financeiros que perdurarão ao longo de toda a vida.

Proporcionar uma educação financeira aos filhos é não só produtivo, por evitar alguns dos conflitos financeiros lá de casa, como também ensina-os a serem consumidores mais conscienciosos no futuro.

Assim, ficam aqui algumas dicas de como conduzir os seus filhos de forma eficaz nessa “viagem” ao mundo financeiro:

  1. Remeter a criança para a escolha: “Qual preferes, a caixa dos carrinhos coloridos ou o camião dos Bombeiros?”. Proporciona-lhe a oportunidade de autonomia da escolha, com base no conceito do valor das coisas;
  2. Atribua uma semanada ou mesada (consoante a idade) para estimular uma gestão financeira dos seus recursos;
  3. Não pague pelas tarefas de casa para que ele perceba que todos devem fazer a sua parte. Mas pode atribuir um valor a alguma tarefa que tenha mais impacto, de modo a que ele consiga um rendimento extra e a fim de valorizar o seu esforço;
  4. Ensine-o a trabalhar com cartões. Atribuía-lhe um de débito. Mas, atenção, tem que monitorizar os seus gastos. Envolva-o sempre em todo o processo para que saiba os prós e contras;
  5. Comparar preços. Explique-lhe que o mesmo produto pode ter diversos preços e que, por isso, antes de comprar deve consultar várias lojas. Use a Internet, como exemplo, para comparar preços de diversos produtos e serviços;
  6. Não decida por ele: isto vai ensiná-lo a lidar com um orçamento. Mesmo que cometa algum excesso aprenderá que numa próxima ocasião não o poderá fazer com o risco de ter que lidar com a frustração;
  7. Ajude-o mas não empreste ou adiante dinheiro. Caso contrário, ele vão ficar com a ideia que os empréstimos não implicam nada em troca. É importante definir bem as regras. Em caso de necessidade é preferível ajudar no sentido de ensinar estratégias de poupança ou de aquisição de rendimentos alternativos;
  8. Tenha atenção ao que diz em relação ao dinheiro. Não passe ao seu filho a noção de que a importância da pessoa varia consoante a quantidade de dinheiro que tem;
  9. Seja um exemplo. Não gaste demasiado ou inconscientemente, pois o seu filho aprende observando.

Se as épocas de crise são oportunidades para mudar comportamentos, também devem servir para introduzir melhorias na nossa qualidade de vida. Então, porque não incluir os mais novos nessas mudanças? Para que, mais tarde, eles próprios sejam consumidores mais conscienciosos e tomem decisões financeiras mais coerentes e menos arriscadas.

Os pais são os melhores modelos e os principais orientadores dos filhos, portanto, são eles quem devem fazer a diferença neste contexto.

Margarida Rogeiro / Psicóloga e Psicoterapeuta

© PsicoAjuda – Psicoterapia certa para si, Leiria

 

Crianças aprendem a lidar com dinheiro e isso faz bem às famílias

Dezembro 20, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Adriano Miranda

Notícia do https://www.publico.pt/ de 9 de dezembro de 2017.

Estudo da Universidade do Porto mostra que projecto de Educação Financeira que a Fundação António Cupertino de Miranda leva a 300 turmas do Norte do país lhes permite perceber quando os pais dizem que não a um pedido.

Samuel Silva

No quadro da sala de aula, Tiago Barros desenha duas colunas. De um lado escreve “Necessidades”, do outro “Desejos”. Pede aos alunos que o ajudem a completar a lista: uma máquina de lavar roupa vai para a primeira coluna, um tablet para a segunda. “E um desejo que me apeteça agora mesmo?”, questiona o professor da Escola Básica de S. Martinho do Campo, em Santo Tirso. Todos os alunos levantam o dedo prontamente. “Chocolate”, atira uma rapariga.

A aula é do 1.º ciclo mas o tema que os alunos debatem com o professor não consta do programa oficial. As “necessidades e desejos” são um dos conteúdos do projecto No poupar estar o ganho, com o qual a Fundação António Cupertino de Miranda (FACM) tem levado a Educação Financeira a dezenas de escolas em todo o Litoral Norte do país.

Na aula, o professor Tiago Barros associa “desejo” ao conceito de “coisas supérfluas” que tinha explorado na semana anterior. “Nem todos os desejos são coisas supérfluas, mas é nestes desejos que estão as coisas supérfluas”, explica. As crianças acenam, sinal que parece indicar que entenderam.

O “problema é quando os pais não dão”

Mas no início do ano lectivo estavam longe de ter o mesmo à-vontade para entender questões como esta. “Eles chegam aqui com a noção de que podem comprar tudo aquilo que quiserem”, explica o docente, que há dois anos dá aulas na escola de Santo Tirso. “Normalmente, eles pedem e os pais dão”. O “problema”, diz, “é quando os pais não dão”.

Aulas como esta “ajudam os alunos a pôr em perspectiva o uso do dinheiro”, contextualiza o professor da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), Rui Serôdio, que coordenou um estudo sobre os impactos do programa de Educação Financeira da FACM. “Quando entendem, as crianças atribuem um sentimento de justiça aos pais quando estes lhes dizem que não”, prossegue o especialista.

Uma das principais conclusões da avaliação dos impactos de No poupar está o ganho feita pela FPCEUP é que este projecto ajuda a “promover relações familiares mais empáticas”. “O dinheiro é um factor quase central na vida familiar e isso tem implicações na relação dos pais com as crianças”, acrescenta Rui Serôdio.

A medição de impacto social feita pela FPCEUP envolveu 2300 crianças, tendo sido constituído um grupo experimental e um grupo de controlo (grupo equivalente de crianças que não foram abrangidas pelo programa de Educação Financeira).

O estudo revela mais dois efeitos positivos do programa. Por um lado, as crianças que dele participaram tornaram-se mais capazes de identificar decisões adequadas em diferentes dilemas comuns na gestão quotidiana dos recursos financeiros. Por exemplo, abdicar da aquisição de um bem porque este é mais desejado do que necessário ou é de duração efémera.

Por outro, os pais – que também foram inquiridos – revelam ter percebido alterações no comportamento dos seus filhos. Após passarem pelo projecto de literacia financeira, as crianças mostram-se mais conscientes, preparadas, motivadas e curiosas relativamente à gestão quotidiana do dinheiro da família.

No poupar está o ganho tem por base um outro trabalho de investigação lançado pela FACM em 2008/2009, então em parceria com a Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O objectivo era perceber as necessidades das escolas vizinhas da fundação sediada na Avenida da Boavista, no Porto. Viva-se então o período inicial da crise e a conclusão foi clara: não havia dinheiro e as pessoas não sabiam como lidar com isso.

Em 2010, o primeiro Inquérito à Literacia Financeira do Banco de Portugal chegou às mesmas conclusões e sublinhou a necessidade sentida pela fundação de avançar com um projecto de Educação Financeira, que foi lançado, ainda nesse ano, num primeiro grupo de seis escolas.

“Todos temos que saber muito mais sobre a forma como lidamos com o dinheiro. Os próprios produtos financeiros ficaram muito complexos”, contextualiza a presidente da fundação, Maria Amélia Cupertino de Miranda. Para que isso aconteça é necessário “desenvolver competências, atitudes e comportamentos” que levem a uma “tomada de decisão informada e correcta”. E isso faz-se “de pequenino”, defende.

Projecto envolve 6000 alunos

Desde o seu lançamento, o projecto não tem parado de crescer. Em 2015, uma parceria com a Área Metropolitana do Porto colocou-o em todos os concelhos da região, aos quais se juntaram, neste ano lectivo, as Comunidades Intermunicipais do Tâmega, Cávado, Ave e Alto Minho. Ao todo são 6000 estudantes de 300 turmas em 35 municípios diferentes.

Na escola de Santo Tirso, não há nenhum pedaço da sala do professor Tiago Barros que não esteja colorido, seja pela decoração – há flores e borboletas feitas de papel autocolante colados nos vidros das janelas – ou pelos trabalhos das crianças. Presos no tecto, há pequenos aviões feitos de garrafas de plástico; uma série de vários desenhos à volta da mesma árvore num dos cantos da sala e muitos cartazes feitos pelas mãos daqueles 18 alunos.

À frente deles e atrás do professor, uma grande bandeira ocupa toda a parede do lado direito do quadro da sala. Desenhado nela está um super-herói que foi inventado ali mesmo em S. Martinho do Campo. É o Super Tostão.

A figura criada pelos alunos tem a missão de ajudar as famílias em questões financeiras. É a personagem central de um livro, lançado no ano passado pela turma de Tiago Barros, que foi o seu projecto transversal para o No poupar está o ganho. O trabalho dos alunos de S. Martinho do Campo valeu-lhes o Prémio Excelência atribuído pela FACM para premiar os melhores projectos anuais.

O professor decidiu partir de um apanhado de provérbios e ditos populares sobre dinheiro feito pelos alunos. No livro constam ainda adivinhas, trava-línguas e canções, cujas letras foram escritas pelos estudantes, bem como um abecedário de termos financeiros.

O projecto transversal de onde saiu o Super Tostão é o grande instrumento agregador do trabalho feito ao longo do ano, em cada turma, no âmbito deste programa de formação financeira. Depois há desafios semanais – que a FACM envia às escolas – para serem resolvidos e vários materiais que são colocados numa plataforma e-learning do No poupar está o ganho que podem ser usados pelos docentes participantes.

Uma equipa da Faculdade de Economia do Porto apoia a concepção e validação de todos os conteúdos. A peça central do trabalho é um caderno de trabalho distribuído a todos os alunos, onde constam todos os conteúdos que devem ser trabalhados no âmbito do programa. As matérias incluem “Necessidades e Desejos”, “Planeamento e Gestão do Orçamento Familiar”, “Produtos Financeiros” ou “Ética nas instituições financeiras”. Além disso, a fundação envia, todos os meses, a cada uma das turmas envolvidas, um desafio que deve ser respondido em contexto de sala de aula.

Depois, cabe aos professores encontrarem tempo para trabalharem estas matérias. No 1.º ciclo, a Educação Financeira é trabalhada transversalmente nas aulas. Questões sobre orçamento familiar podem aparecer nos tempos lectivos reservados à Matemática; provérbios populares ou canções podem ser trabalhados nas horas do Português. E depois há uma hora semanal reservada para Cidadania e Desenvolvimento que pode ser canalizada para trabalhar neste projecto. É o que faz Tiago Barros na escola de Santo Tirso.

Formação financeira em todas as escolas

Será precisamente no âmbito da área curricular de Cidadania e Desenvolvimento que o Ministério da Educação pretende, a partir do próximo ano, leccionar a formação financeira em todas as escolas. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado da Educação, João Costa, que adiantava que estava em preparação a formação de professores para estes novos conteúdos.

“A área de literacia financeira está prevista como obrigatória para todos os ciclos, sendo a gestão dos tempos concretos responsabilidade de cada escola”, informa o Ministério da Educação.

A nova área de Cidadania e Desenvolvimento vai ter tempo lectivo atribuído dos 2.º e 3.º ciclos. No 1.º ciclo e no ensino secundário será desenvolvida de forma transversal. Esta área curricular está já em desenvolvimento nas 235 escolas que integram o projecto-piloto de flexibilidade curricular, que começou a ser implementado este ano e será generalizada quando a autonomia for estendida às restantes escolas.

 

mais informações no link:

http://www.facm.pt/facm/facm/pt/servico-educacao/educacao-financeira

 

 

Muitos adolescentes não conseguem entender o dinheiro”, diz a OCDE

Junho 15, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.educare.pt/ de 31 de maio de 2017.

O documento citado na notícia é o seguinte:

PISA 2015 Results (Volume IV): Students’ Financial Literacy

Estudo da OCDE sobre literacia financeira revela dados preocupantes sobre falta de conhecimentos nos jovens para lidar com problemas relacionados com o dinheiro no dia a dia.

Andreia Lobo

Muitos adolescentes são consumidores financeiros. Têm contas bancárias e cartões de débito. No entanto, cerca de um em cada quatro jovens não é capaz de tomar decisões simples, como quanto dinheiro gastar no seu dia a dia. A conclusão é de um novo relatório da série PISA 2015. Desta vez, foram testados os conhecimentos de literacia financeira de cerca de 48 mil estudantes de 15 anos de 25 países e regiões da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

É a segunda vez que o PISA é usado para avaliar a capacidade dos alunos para lidar com situações da vida real que envolvem resolver problemas e tomar decisões financeiras. Como, por exemplo, lidar com dinheiro e finanças pessoais, contas bancárias, cartões de débito ou entender as taxas de juros relativas a um empréstimo ou um plano de pagamento móvel.

Os primeiros resultados divulgados mostram o desempenho dos jovens da Austrália, Bélgica (Comunidade Flamenga), Brasil, Canadá (Colúmbia Britânica, Manitoba, Nova Brunswick, Terra Nova e Labrador, Nova Escócia, Ontário e Prince Edward Island), Chile, China (Pequim, Xangai, Jiangsu e Guangdong), Itália, Lituânia, Holanda, Peru, Polónia, Federação Russa, República Eslovaca, Espanha e Estados Unidos.

Durante a apresentação do relatório, em Paris, o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, lembrou porque considera a literacia financeira “uma competência vital essencial”: “O conhecimento financeiro estabelece as bases para muitas decisões importantes que todos os cidadãos enfrentam ao longo de suas vidas, seja ao avaliar um contrato de trabalho, comprar a primeira casa ou muito mais tarde, ao gerir a poupança para a reforma.”

Mas o que o PISA descobriu está longe de ser o cenário ideal. Apenas um em cada dez consegue entender questões complexas, como os impostos sobre os rendimentos. E muitos estudantes – pelo menos um em cada cinco – não alcançaram um nível básico de proficiência, mesmo em países e economias da OCDE de alto e médio desempenho.

Assim, enquanto quase 60% desses alunos possuem uma conta bancária e mais de 60% ganham dinheiro com algum tipo de atividade laboral, muitos não conseguem reconhecer o valor de um orçamento simples, e muito menos entender um extrato bancário ou um recibo de pagamento.

Gurría considerou as descobertas “chocantes” e “preocupantes: “Os jovens enfrentam escolhas financeiras mais desafiadoras e perspetivas económicas e de emprego mais incertas, no entanto, muitas vezes não possuem a educação para tomar decisões informadas sobre questões que afetam seu bem-estar financeiro”, sublinhou.

China lidera em matéria de finanças

Entre os países e regiões cujos dados foram apresentados – Portugal integrará um segundo grupo de países – a China (regiões de Beijing, Xangai, Jiangsu e Guangdong) apresentou a maior pontuação média. Em segundo lugar surge a comunidade flamenga da Bélgica, seguida pelas províncias canadianas participantes (Colúmbia Britânica, Manitoba, New Brunswick, Newfoundland e Labrador, Nova Escócia, Ontário e Prince Edward Island), a Federação Russa, os Países Baixos e a Austrália.

Os peritos da OCDE defendem que os alunos com bons resultados nos testes de literacia financeira provavelmente terão um bom desempenho na avaliação de leitura e matemática do PISA. Os que tiverem piores desempenhos vão fracassar nas restantes áreas avaliadas. No entanto, em média, em 10 países e economias participantes da OCDE, cerca de 38% da pontuação obtida nos testes de literacia financeira reflete fatores que não são abrangidos pelas avaliações de leitura e matemática do PISA e, portanto, são únicos nas competências financeiras.

A diferença de género na literacia financeira é muito menor do que em leitura ou matemática, mostra o relatório. Apenas na Itália, os rapazes são melhores do que as raparigas. Elas pontuam melhor do que eles na Austrália, Lituânia, República Eslovaca e Espanha.

Os resultados também mostram algumas estatísticas alarmantes em matéria de inclusão. Os alunos desfavorecidos obtêm 89 pontos menos do que os estudantes favorecidos – o equivalente a mais de um nível de proficiência PISA em alfabetização financeira.

Os estudantes nativos também apresentaram melhores resultados do que os estudantes imigrantes, com igual estatuto económico, particularmente na comunidade flamenga da Bélgica, Itália, Holanda e Espanha. Assim, os alunos imigrantes obtêm, em média, menos 26 pontos em literacia financeira, do que os estudantes nativos com o mesmo nível socioeconómico.

A forte relação entre o nível socioeconómico e o desempenho revela que o apoio parental não é suficiente, diz a OCDE, alertando que “as instituições educacionais desempenham um papel importante para garantir condições equitativas”.

Outros dados do relatório ditam que em média, 64% dos alunos dos países e economias parceiras da OCDE que integraram o estudo ganham dinheiro com alguma atividade formal ou informal, como trabalhar fora do horário escolar ou ter empregos ocasionais informais. Cerca de 59% dos alunos recebem mesada ou dinheiro de bolso.

A pesquisa também revelou que, em média, 56% dos alunos possuem uma conta bancária, mas quase dois em cada três estudantes não têm capacidade para gerir uma conta e não conseguem interpretar um extrato bancário.

Em média, em 10 países e economias participantes da OCDE, 22% dos estudantes – ou mais de 1,2 milhões de estudantes de 15 anos – pontuam abaixo do nível básico de proficiência em literacia financeira (Nível 2). Dito de outro modo, os alunos cujos conhecimentos estão neste nível podem, “na melhor das hipóteses”, diz a OCDE, “reconhecer a diferença entre necessidades e desejos, tomar decisões simples sobre gastos diários e reconhecer a finalidade de documentos financeiros diários, como uma fatura”.

No extremo, cerca de 12% dos alunos obtêm no nível 5 – o nível mais alto de proficiência. As suas competências permitem tomar decisões financeiras complexas que serão relevantes para o seu futuro. Conseguem descrever os resultados potenciais das decisões financeiras e mostrar uma compreensão mais ampla do cenário financeiro, como entender a cobrança dos impostos sobre os rendimentos.

Experiência com dinheiro

Não é de estranhar que a maioria dos jovens de 15 anos teve já alguma experiência realcionada com o dinheiro. Mais de 80% dos estudantes em nove de 13 países e economias com dados disponíveis recebem dinheiro sob a forma de presentes. Cerca de 64% dos alunos, em média, nos países e economias da OCDE ganham dinheiro com alguma atividade de trabalho formal ou informal, como trabalhar fora do horário escolar, trabalhar numa empresa familiar ou ter empregos ocasionais informais. Cerca de 59% dos alunos recebem dinheiro de uma mesada ou dinheiro de bolso.

Os dados do PISA 2015 mostram que 56% dos alunos participantes possuem uma conta bancária. No entanto, esta média mascara diferenças significativas entre os países, alerta a OCDE, dando exemplos. Na Austrália, na comunidade flamenga da Bélgica, nas províncias canadianas participantes e na Holanda, mais de 70% dos estudantes de 15 anos possuem uma conta bancária.

Mas no Chile, Itália, Lituânia, Polónia e Federação Russa, são menos de 40% os alunos detentores de conta. Menos de 5% dos alunos em cada país e economia parceira responderam que não sabem o que é uma conta bancária. Não é de estranhar que os peritos da OCDE afimem que “a experiência com produtos financeiros básicos está relacionada com o desempenho dos alunos em literacia financeira”. Na Austrália, na Comunidade flamenga da Bélgica, nas províncias canadianas participantes, na Itália, nos Países Baixos, na Espanha e nos Estados Unidos, os alunos que têm uma conta bancária conseguem mais de 20 pontos nos testes financeiros que os colegas que não têm, tendo ambos o mesmo nível socioeconómico.

A diferença nos índices de literacia financeira associada à abertura de uma conta bancária, depois de contabilizar o estatuto socioeconómico, é maior (72 pontos) na Holanda. Mas os resultados do PISA também mostram que, em média, nos países e economias da OCDE, quase dois em cada três dos estudantes que têm uma conta bancária não têm capacidade para gerir essa conta e não podem interpretar um extrato bancário, ou seja, obtêm uma pontuação abaixo do nível 4.

A OCDE relembra a importância dos pais para ajudar os filhos a adquirirem e desenvolverem os valores, atitudes, hábitos, conhecimentos e comportamentos que contribuam para a sua independência e bem-estar financeiro.

Discutir questões de dinheiro com os pais, pelo menos às vezes, está associado a maior literacia financeira do que nunca discutir o assunto. Isto verifica-se em 10 de 13 países e economias com dados disponíveis. Do mesmo modo, a literacia financeira, por sua vez, está associada ao comportamento orientado para a poupança individual dos alunos e às suas aspirações para o futuro.

Por exemplo, em média, em todos os países da OCDE, os alunos que pontuam no nível 4 ou 5 em literacia financeira estão mais predispostos (têm três vezes mais probalidade) para poupar dinheiro para comprar um produto para o qual ainda não têm dinheiro suficiente, do que os alunos com a mesma capacidade ao nível da matemática e da leitura mas que pontuam em literacia financeira abaixo do nível 1.

Ou seja, os alunos de nível 4 ou 5 relatam mais do que os de nível 1 que preferem poupar e adiar a compra, até reunir o montante, a comprar o produto “de qualquer maneira”, seja pedindo dinheiro emprestado a amigos ou à família.

Um outro indicador mostra ainda que a probabilidade de os alunos com melhores resultados em literacia financeira completarem o Ensino Superior é duas vezes superior à dos alunos com piores resultados, ainda que os resultados a matemática e a leitura sejam semelhantes nos dois grupos.

As conclusões presentes neste relatório mostram aos responsáveis políticos dos países e economias da OCDE, segundo Gurría, como “se torna ainda mais importante intensificarmos os nossos esforços globais para ajudar a melhorar a habilidade vital essencial da alfabetização financeira”.

O secretário-geral da OCDE recorda ainda as conclusões do relatório (Garantir a Educação Financeira e a Proteção ao Consumidor para Todos na Era Digital), para concluir que “a alfabetização financeira é também fundamental para a gestão das oportunidades e dos riscos de uma digitalização rápida que colocou os serviços financeiros, literalmente, ao nosso alcance

 

 

 

O dinheiro também exige educação

Fevereiro 24, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Expresso de 14 de fevereiro de 2016.

expresso

A noção de literacia financeira está cada vez mais presente na vida de pais e filhos, sendo a mesada o instrumento para a desenvolver. Quando e quanto dar? Uma coisa é certa: nenhuma abstração substitui a experiência de lidar com dinheiro

Luciana Leiderfarb  Texto

Carlos Esteves  Infografia

Eis, em geral, o que acontece: elas querem, nós damos; elas pedem, nós compramos. Ou não. Elas, as crianças, sabem ou pensam que sabem o que querem, e nós, os pais, sabemos se podemos ou não dar-lhes o que querem. Se os papéis parecem estar bem distribuídos — do lado de lá o desejo, do lado de cá o dinheiro —, se o binómio consumo e crianças parece ter sempre os adultos como intermediários, cada vez mais é pertinente — e urgente — falar de uma terceira via: aquela que coloca do lado de lá, do lado das crianças, tanto a vontade como os meios para a suprir. Os especialistas em educação financeira prescrevem-na como um remédio que permitirá formar adultos financeiramente responsáveis: a mesada ou a semanada, tanto dá, não tem tanto a ver com o ato de comprar mas mais com o processo de capacitar para a compra. Em suma, tem a ver com a passagem do abstrato — “eu quero aquilo e a mamã compra” — ao concreto — “eu quero aquilo e tenho de ter os meios para o adquirir”.

Claro que nada se faz sem regras claras e uma grande dose de indulgência. Afinal, trata-se de exercitar aspetos tão básicos como o adiamento da recompensa, a distinção entre querer e precisar e a necessidade de fazer escolhas. E nada disto, mostra um estudo da Universidade de Cambridge, se consegue sem ter “experiências económicas pessoais”. “As evidências indicam que transmitir conhecimentos ‘financeiros’ às crianças pequenas per se é ineficaz no que toca à formação ou à mudança dos seus comportamentos”, alerta o documento, recomendando uma abordagem que lhes permita “treinar” as suas funções executivas ainda em desenvolvimento. Por outro lado, se aos 5 anos as crianças “percebem que têm de pagar para obter mercadoria”, é aos 7 que “a maioria dos conceitos básicos relacionados com os futuros comportamentos financeiros se encontram desenvolvidos”.

O que leva à dupla pergunta: qual a melhor idade para se começar a atribuir semanada e qual o valor apropriado? “Normalmente, o início da escolaridade costuma ser um bom momento”, por volta dos 6 ou 7 anos, diz Susana Albuquerque, secretária-geral e coordenadora dos programas de educação financeira da Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC). De início com periodicidade semanal — e só a partir dos 10 anos mensal —, a quantia aconselhada é de um euro, dividido em 10 moedas de 10 cêntimos, acompanhada da introdução de três mealheiros com objetivos diferentes: gastar, poupar e doar. “O importante é a criança perceber que tem estas três escolhas e que tem autonomia para as gerir”, acrescenta. Essa autonomia não está isenta da monitorização dos pais e dos limites que estes entenderem colocar: “Sem os controlar em demasia, eles podem não admitir compras de alimentos com açúcar ou de outro tipo de artigos que considerem nocivos para os filhos.”

mw-10245

Carlos Esteves

No que toca à literacia financeira, cada idade apresenta objetivos bem diferenciados. Nos Estados Unidos, o projeto “Money as You Grow” — uma iniciativa do President’s Advisory Council on Financial Capability — mostra, por exemplo, que é entre os 3 e os 5 anos que as crianças se apercebem de onde vem o dinheiro e para que serve, além de aprenderem a esperar pelo que se quer (adiamento da gratificação). Dos 6 aos 10, o desafio será aprender a fazer escolhas e a comparar preços. Dos 11 aos 13, a ideia é compreender as regras da poupança e a noção dos objetivos a curto e a longo prazo.

Entre os 14 e os 18, os jovens têm de saber, entre outras coisas, o custo da própria educação e as normas de utilização dos cartões de crédito. Porém, o sucesso desta aprendizagem dependerá do exemplo dado pelos pais. “É verdade que as crianças aprendem com a sua própria experiência, mas não adianta incutir-lhes o cuidado pelo dinheiro se os pais se permitirem comportamentos compulsivos”, sublinha Susana Albuquerque.

Não se pense, porém, que as crianças são seres pouco ajuizados no que ao consumo diz respeito. Em 2013, Raquel Barbosa Ribeiro publicou um estudo que sustentava esta conclusão. Ao entrevistar 245 crianças dos 8 aos 12 anos, em duas escolas primárias de Lisboa e do Estoril, esta socióloga do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas notou que estas “têm uma voz ativa e influente no processo de consumo”, além de se mostrarem menos vulneráveis ou acríticas e mais realistas do que se tenderia a imaginar. Assim, mais de 70% sabiam que o dinheiro advém do emprego; 80% não acreditavam ser possível viver sem dinheiro; 90% recebiam dinheiro regular ou esporadicamente; e uma grande maioria (73% em Lisboa e 90% no Estoril) poupava o que recebia.

“Não há unanimidade sobre este assunto. O que se sabe é que a consciência está lá, independentemente da classe social. E que a iniciação no mundo do dinheiro é muito precoce”, diz a investigadora, que, não demonizando o consumo, também defende a importância da educação que as crianças recebem em casa.

Esta deve ser enquadrada na realidade social da família. “As mesadas e semanadas devem adequar-se aos rendimentos da família, e a criança tem de saber o que é que a família, com os seus rendimentos, pode e não pode comprar”, diz Susana Albuquerque. E como aferir se se está no caminho certo? “Quando a criança deixa de pedir por pedir e passa a perguntar: ‘Podemos comprar?’, é muito bom sinal.”

Números

7 anos é a idade em que “a maioria dos conceitos básicos relacionados com os futuros comportamentos financeiros se encontram desenvolvidos”

1 euro é a singela quantia, dividida em moedas de 10 cêntimos, com que a semanada pode ser introduzida, aos 6 anos ou no início da escolaridade

90 por cento das crianças, segundo um estudo publicado pela socióloga Raquel Barbosa Ribeiro, recebem dinheiro regular ou esporadicamente

 

 

 

InfoCEDI n.º 56 A Educação Financeira da Criança

Março 9, 2015 às 1:45 pm | Publicado em CEDI, Divulgação | Deixe um comentário
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infocedi

Já está disponível para consulta e download o nosso InfoCEDI n.º 56. Esta é uma compilação abrangente e actualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre A Educação Financeira da Criança.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line e pode aceder a eles directamente do InfoCEDI, Aqui

Adolescentes ‘não são capazes’ de poupar

Julho 27, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Sol de 15 de julho de 2014.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Literacia financeira: estudo aplicado aos alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico e Secundário

Os alunos do 3.º ciclo e do secundário “não são capazes de gerir as suas finanças, não possuem hábitos de poupança, nem estão familiarizados com a linguagem financeira”, conclui um estudo da Universidade Portucalense (UPT), hoje divulgado.

Em comunicado, a UPT afirma que o estudo, que analisou 136 alunos do 3.º ciclo e do secundário, no ano lectivo de 2012/2013, conclui que “os adolescentes são incapazes de gerir as duas finanças pessoais”.

Eugénia Ribeiro, autora deste estudo, defende que, “para se criar uma educação financeira eficaz, é necessário aproximar os pais da escola, pois são eles que transmitem aos jovens os valores e hábitos de compra que começam em casa, e é preciso que o papel da escola passe por disponibilizar conceitos, como custos, poupança, características de um bom empreendedor, entre outros”.

Para Eugénia Ribeiro, é necessário “investir neste tipo de educação, não só nos currículos escolares mas também nas rotinas familiares”.

O estudo foi realizado através de inquéritos, sendo a amostra constituída por 55% de estudantes raparigas.

Dos 136 alunos inquiridos, 17,6% pertenciam ao 7.º ano de escolaridade, 14,7% ao 8.º ano, 17,6% ao 9.º, 13,2% ao 10.º ano, 19,9% ao 11.º e 16,9% ao 12.º ano.

A autora do estudo entende ainda que os adolescentes têm de ser “formados para as questões económicas e financeiras, de forma a adquirirem uma relação saudável com o dinheiro, competências para poupar e planear as suas despesas, tomar decisões e fazer escolhas financeiras, sem grandes oscilações económicas ao longo das suas vidas”.

“Para que a educação vá em frente”, conclui, “é preciso torná-la obrigatória e a forma mais segura de garantir esse conhecimento seja transmitido é a sua inclusão no currículo escolar”.

Lusa/SOL

 

 


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