Aprender todas as disciplinas com um projeto e um ‘tablet’

Julho 10, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.dn.pt/ de 14 de junho de 2017.

Ana Bela Ferreira

Em Vendas Novas (Alentejo) está a nascer uma nova geração de escolas. No agrupamento desta cidade, duas turmas aprendem a matéria através de projetos interdisciplinares. Cumprem o programa mas de forma diferente. Estão no 5.º ano e começaram a trabalhar desta forma no 3.º. Fazem parte das Comunidades Escolares de Aprendizagem Gulbenkian XXI e entram na série de reportagens que o DN está a publicar até sábado sobre as escolas que se destacam no país

Daniel, de tablet na mão, apresenta os cuquedos dos colegas, desenhos expostos na parede da sala do 5.º D. Mas quando se aponta a câmara do aparelho para o medo, surge um vídeo com o poema que cada um fez sobre o que mais o assusta. A completar o trabalho há uma máquina – um aspirador com uma varinha mágica – que transforma os medos em cores. Noutra sala, a máquina é uma ventoinha, ligada a um telemóvel, uns fones e um funil, que põem os meninos a portarem-se bem, evitando que o professor se zangue. O processo é explicado num vídeo criado pelos alunos do grupo interdisciplinar.

Com este projeto, os alunos trabalharam o texto poético da disciplina de Português, as várias técnicas de desenho, pintura e recorte de Educação Visual, a construção de um objeto de Tecnológica, e usaram as várias aplicações do tablet – um patrocínio da Samsung – para os vídeos e slideshow, inseridas na disciplina de Programação. Noutra turma, os alunos já estavam a fazer um projeto que juntava Ciências e Educação Visual e Tecnológica.

 

 

 

 

Literacia 3D: o desafio continua

Janeiro 27, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://www.educare.pt/ de 3 de janeiro de 2017.

educare

Conhecimentos na área da Leitura, Matemática e Ciência voltam à competição na segunda fase do concurso Literacia 3D.

Andreia Lobo

Não se trata do PISA, mas as áreas em que os alunos são desafiados a mostrar o que sabem são idênticas. Leitura, Matemática e Ciência. O concurso Literacia 3D: O desafio pelo conhecimento junta criatividade e inovação.

A primeira fase testou as competências de 90 mil alunos do 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico ao nível da interpretação de textos, do cálculo e do conhecimento científico. Agora, os mais bem classificados avançam para as competições distritais. Os saberes voltam a ser testados em março.

Dois mil participantes estão apurados para a segunda fase do concurso nacional Literacia 3D. Um desafio lançado pela Porto Editora ao qual responderam escolas de norte a sul de Portugal e dos arquipélagos dos Açores e da Madeira. A iniciativa avalia as competências dos alunos na literacia da Leitura no 5.º ano, da Matemática no 6.º ano e da Ciência no 7.º ano. E voltará às escolas no segundo período, entre os dias 6 e 10 de março de 2017.

Nessa altura os alunos que obtiveram as melhores classificações vão poder representar o respetivo agrupamento escolar na fase distrital. O Literacia 3D vai apenas na segunda edição, mas já ganhou o entusiasmo da comunidade educativa.

Prova disso foi o aumento do número de participantes face à edição anterior que no ano letivo de 2016/2017 duplicou. No total participaram mais de 750 estabelecimentos de ensino da rede pública e privada. Na primeira fase, decorrida em novembro, estiveram envolvidos cerca de 90 mil jovens e mais de mil professores e pais em colaboração com centenas de diretores escolares e municípios.

As provas de Leitura, Matemática e Ciência inovam tanto no formato como no conteúdo. O papel e caneta estão dispensados. As questões são realizadas no computador através da plataforma da Escola Virtual. A matéria é a lecionada nos currículos, mas a prova remete os alunos para a necessidade de pôr em prática diferentes competências, levando-os à resolução de problemas colocados em situações reais.

Exemplos? Na primeira edição, a prova de literacia científica colocava aos alunos o desafio de perceberem o processo de tratamento de águas residuais e de antever as consequências da libertação do conteúdo de uma fossa séptica para o ambiente.

Relativamente à literacia da leitura, a prova apresentava um excerto de um texto sobre a postura de ovos das tartarugas, retirado de um guia turístico de São Tomé e Príncipe, sendo pedido aos alunos para responderem a perguntas sobre a informação apresentada.

A prova de literacia matemática, a disciplina mais temida, desafiava os participantes a usarem o cálculo para resolver problemas que requeriam a análise de estatísticas e de infografias. Em comum, todas as provas apresentam várias questões elaboradas em formato de escolha múltipla ou verdadeiro e falso.

A grande final do Literacia 3D está marcada para o dia 26 de maio. Nessa data serão conhecidos os campeões nacionais nas três áreas a concurso.

mais informações:

https://www.portoeditora.pt/literacia-3d

Há mais de 44 mil crianças a iniciarem-se na programação de computadores

Dezembro 19, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 11 de dezembro de 2016.

adriano-miranda

Há cada vez mais crianças portuguesas a aprenderem Programação Computacional logo no 1.º ciclo e até no pré-escolar. Por todo o país há projectos que ensinam o código de escrita de um computador. Fomos conhecer o que se faz em Santa Maria da Feira.

Alexandra Couto

Os tempos em que os primeiros anos da escolaridade básica se focavam apenas no ensino do abecedário e da aritmética já lá vão. O 1.º ciclo foi-se adaptando às exigências da sociedade moderna, ajustou os currículos e, depois de idiomas como o Inglês e o Mandarim, há outra linguagem que agora se afirma e chegou mesmo aos conteúdos do pré-escolar: a Programação Computacional — o código de escrita próprio para computadores.

O projecto-piloto de Iniciação à Programação foi lançado pelo Governo em 2015 e já abrange mais de 44 mil crianças do 1.º ciclo do ensino básico. Neste domingo, a iniciativa Movimento Código Portugal (uma campanha nacional para alertar para a importância da literacia digital), leva um programa diversificado de actividades ao Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Curiosos de todas as idades terão a oportunidade de criarem desde jogos e aplicações até microssatélites.

Em Santa Maria da Feira convivem projectos distintos com esse mesmo objectivo pedagógico: há escolas que arrancaram com a Iniciação à Programação no ensino básico por sua iniciativa, outras que aceitaram o desafio da tutela e há estruturas voluntárias, como a secção local do movimento internacional CoderDojo, que promovem aulas informais de computação com crianças e adultos em simultâneo.

“A programação é uma literacia nova”, defende António Alves, mentor do programa que nasceu em 2011, na Irlanda, e conta já com mais de 1100 secções em 63 países. Na da Feira acolhe 40 a 60 pessoas em cada aula. “Pôr os miúdos a analisar um problema obriga-os a pensar em soluções e fá-los estruturar os passos a seguir até que ele seja resolvido — e programação é isso”, explica. “Hoje, esta aula pode parecer coisa pouca, mas estes miúdos vão crescer com outro à-vontade tecnológico, porque sabem que a programação está presente em tudo, nos computadores, nos telemóveis, em qualquer máquina lá de casa.”

Fabiane Valente frequenta as aulas do CoderDojo com a filha de 7 anos e, apontando para o ecrã do computador, mostra o que ela aí vem aprendendo: “Já consegue criar jogos. Neste caso, o pássaro tem que se mexer para apanhar o ‘porco malvado’ e é preciso escrever as linhas de código que vão permitir executar as acções ‘virar à esquerda’ e ‘seguir em frente’, porque o computador só reage às teclas quando alguém o tiver programado para isso.”

Fabiane gosta de ver a filha entusiasmada, mas quer sobretudo assegurar-lhe opções. “Há falta de profissionais nestas áreas e estes empregos serão cada vez mais bem remunerados”, explica. “E como acredito que mais meninas vão enveredar por esses lugares, também estamos a tratar da afirmação do género feminino.”

“Os miúdos são autênticas esponjas”

Foi igualmente a pensar no futuro que o professor Pedro Silva começou em 2015 a ensinar Programação na Escola Básica do 1.º ciclo da Igreja de Lobão, na Feira. “Notámos que havia uma lacuna de conhecimentos porque os alunos só aprendem TIC [Tecnologias de Informação e Comunicação] no 7.º ano e, embora antes disso usem muito computadores, Internet e Facebook, não sabem rentabilizar o seu potencial”, recorda. A solução foi integrar as aulas de Código no programa lectivo: “Todos os pais aceitaram logo porque percebem a importância desta área e as aulas eram em horário escolar, o que ajudou.”

Hoje a disciplina chega a 200 crianças do Agrupamento de Escolas da Corga e começa por abordar noções básicas de informática, antes de passar às plataformas Kodu e Scratch, que ensinam a conceber jogos e sequências animadas interactivas. “O balanço é bastante positivo porque as crianças entusiasmam-se e assim aprendem melhor, com a vantagem de no 1.º ciclo ser mais fácil sensibilizá-las para questões de segurança na Internet”, diz Pedro Silva, que pretende “prolongar o programa até ao 9.º ano, para ele ter continuidade e não se desperdiçar”.

Tarefa facilitada a esse nível teve o director da Escola Global, que integra o Externato Paraíso dos Pequeninos e o Colégio das Terras de Santa Maria, ambos privados. De uma só vez, Nuno Moutinho incluiu a computação em todos os currículos do 1.º ao 12.º ano e não excluiu sequer o pré-escolar, pelo que os carrinhos e abelhas aparentemente vulgares com que meninos brincam no chão são afinal brinquedos já adaptados para o desenvolvimento de competências em programação. “Há dois anos decidimos trazer a tecnologia para a sala de aulas e ela agora está presente em todo o nosso projecto educativo”, explica. “Os nossos 650 alunos têm todos um tablet ou notebook desde a ‘pré’, os livros também são em formato digital e seguimos o método da Sala de Aula Invertida, em que os conteúdos são gravados em vídeo para se seguirem em casa.”

BeeBot, ProBot, Blockly e Python são algumas das linguagens a explorar “pelo menos até ao 8.º ano” e os pais “primeiro assustam-se, por associarem tecnologia só a brincadeira, mas depois percebem a vantagem desta aposta nas idades em que os miúdos são autênticas esponjas e absorvem tudo”.

Programar dragões

A principal dificuldade em toda essa estratégia é o recrutamento de profissionais habilitados, como reconhece também o presidente da Câmara da Feira. “Este ano desafiámos todas as escolas do concelho a incluírem a programação nos seus programas e aderiram ao projecto oito dos nossos nove agrupamentos, mas o recrutamento é sempre complicado e nem todos os professores têm bases para esta disciplina”, admite Emídio Sousa.

Ainda assim, o projecto já envolve 1173 crianças do 1.º ao 4.º ano e o objectivo é alargar essa abrangência. “A programação é a linguagem do futuro, das novas oportunidades e do emprego bem remunerado”, proclama o autarca. “O que para algumas gerações ainda é tabu passará a ser um conjunto de competências adaptadas ao mundo global e quem as tiver poderá trabalhar em qualquer sítio do mundo, seja em presença ou a partir de casa, sem necessidade de emigrar.”

Lucas Lima tem 9 anos e, quando lhe perguntam na aula de CoderDojo qual será a sua profissão quando crescer, preocupa-se menos com salários do que com o que um adulto definirá como realização profissional. “Queria fazer jogos de computador e trabalhar na fábrica do meu pai”, confessa, para satisfação do progenitor que assim vê assegurada a sucessão na sua empresa de moldes. António Alves não ouviu a conversa, mas, a avaliar pelo que dissera pouco antes, também confiaria no potencial do miúdo: “Ele já chegou aqui com soluções muito boas, que eu próprio nunca tinha imaginado.”

O desafio da aula era criar um postal electrónico de Boas Festas e Lucas escolheu para isso uma árvore de Natal e uma figura branca, peluda, que em loop atira presentes ao ar: “É um Yeti das montanhas e posso dar-lhe outra cor ou tirar a árvore e pôr lá outra coisa.” Mais assertivo à medida que se entusiasma com o tema, Lucas conta como também programou dragões para caçarem ratos e cuspirem fogo, e revela depois que assumiu uma missão idêntica à dos seus heróis. “Faço certas críticas aos jogos que conheço porque há coisas que estão mal e eu não gosto”, diz. “Uma é quando não me deixam escolher personagens ou só posso fazer o que eles obrigam. É chato. Os meus preferidos têm sempre uma história e depois dão para matar criaturas. Quero fazer um jogo assim. E tem que ser impossível haver críticas.”

 

 

 

 

Jovens usam bastante os media, mas faltam-lhes competências mediáticas

Novembro 30, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.educare.pt/ de 14 de novembro de 2016.

Mais informações no estudo:

Níveis de literacia mediática: Estudo exploratório com jovens do 12º ano

educare

Andreia Lobo

Os jovens estão cada vez mais “conectados” aos media. Têm acesso à televisão, ao computador com Internet, ao telemóvel ou smartphone e estão “sempre” ou “muitas vezes” online. Mas são pouco críticos quanto à informação que lhes chega através dos media.

O mais recente estudo sobre literacia mediática, organizado pela Universidade do Minho, o Gabinete para os Meios de Comunicação Social e a Rede de Bibliotecas Escolares, pode preocupar pais e professores. “Há um conjunto de competências que os jovens precisam para o seu dia a dia que não estão desenvolvidas”, explica ao EDUCARE Sara Pereira, investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade e uma das autoras do estudo. Chama-se “Competências de Literacia Mediática”, e vem ao encontro de uma diretiva da Comissão Europeia de 2012 que alerta os Estados-membros para a necessidade de avaliar os níveis de conhecimento dos media dos cidadãos.

Em Portugal, a avaliação foi feita entre jovens do 12.º ano, com idades entre os 17 e os 18 anos, a frequentarem o ensino público no ano letivo de 2013/2014. Participaram 679 estudantes, de 46 escolas em todo o território nacional. Os dados foram recolhidos através de um questionário aplicado online com perguntas sob a forma de exercícios destinados a simular a tomada de decisões, bem como a aplicação de saberes. O objetivo: identificar o acesso e os usos dos media pelos jovens, os seus conhecimentos sobre este campo, mas também as capacidades de análise, interpretação e produção mediática.

“Sempre” conectados  Seria de esperar, “os jovens inquiridos demostram ser um grupo conectado aos media”, lê-se no estudo, já que 99% têm acesso a televisão, 98% têm acesso a um computador com Internet, a telemóveis e a smartphones. Outras percentagens relativamente elevadas surgem no acesso a rádio (73%) e a consola de jogos (63%). Os números mostram uma geração que raramente está “offline”. Apenas 6% dizem usar o computador de secretária ou portátil, sem ligação à Internet. Ou seja, a esmagadora maioria acede com frequência e facilidade ao mundo virtual. E também usa bastante as redes sociais, sobretudo para se manter em contacto: 93% dos inquiridos dizem usar “sempre” ou “muitas vezes” a Internet, 75% dizem que usam as redes sociais para conversar com o amigos e família “sempre” ou “muitas vezes”.

Em casa abundam os equipamentos eletrónicos. Cada estudante tem em média acesso a três televisores e a dois aparelhos de rádio, a dois telemóveis, dois smartphones e dois portáteis com Internet. Relativamente aos serviços de televisão contratualizados pelas famílias, 83% dos inquiridos têm em casa canais pagos. Quanto à Internet, 92% tem acesso sem fios em casa.

Questionados sobre a frequência com que utilizam os media, recebem mais as respostas “sempre” ou “muitas vezes” o computador (90%), a Internet (83%), a televisão (77%) e o smartphone (63%). No extremo do uso, “raramente” ou “nunca” estão essencialmente os media tradicionais, como é o caso dos jornais (57%), das revistas (49%), da rádio (46%) e do cinema (41%). As consolas estão também em desuso, 56% dos inquiridos usam-nas raramente, ou simplesmente não usam.

Estes números trazem boas notícias. “Atendendo aos índices de acesso e de uso dos media, à agilidade e ao à-vontade com que parecem usar as tecnologias disponíveis e os softwares adjacentes, podemos inferir bons níveis de literacia funcional”, escrevem Sara Pereira, Manuel Pinto e Pedro Moura, autores do estudo.

No entanto, ter mais acesso às tecnologias ou fazer mais uso delas não é sinónimo de ter mais competências nesta matéria. Por essa razão, os jovens estão a falhar naquilo que os investigadores designam por “literacia crítica”. Dito de outro modo, os inquiridos não são capazes de fazer uma análise ou uma compreensão crítica do que veem e leem na Internet.

Mas vamos por partes. No inquérito online, os investigadores perguntaram aos alunos se estavam familiarizados com o conceito de “publirreportagem”, um texto publicitário, portanto pago por uma marca ou entidade, publicado em forma de uma reportagem nos órgãos de comunicação. A resposta foi das mais erradas entre os estudantes com melhores pontuações no questionário.

Muito difícil foi também conseguir identificar a fonte de uma notícia. Pelo contrário, os jovens conseguiram facilmente sugerir quais os meios a usar, por exemplo, para divulgar uma campanha para a associação de estudantes.

Menos conhecedores das práticas do jornalismo, mais atentos à publicidade. Haverá alguma explicação? “A familiaridade pode ser uma boa pista para ler estes resultados”, argumentam os investigadores, pois “no segundo caso há um contacto próximo com a situação apresentada”.

Reconhecer um artigo de opinião ou um motor de busca não foi problema. Pior foi o momento em que os estudantes tiveram de expor as razões para a escolha de determinadas fontes bibliográficas, em detrimento de outras: 85% dos jovens não apresentam nenhuma justificação válida.

“O envolvimento dos alunos na produção e participação através dos meios não revelou grande sofisticação ou recorrência”, lê-se no estudo. O que andam os inquiridos a fazer na Internet? Coisas simples. Por exemplo, 43% disseram aos investigadores terem partilhado ou recomendado uma marca numa rede social ou comentado uma notícia, no último ano.

Nas “lojas” virtuais surgem cada vez mais ferramentas para criar podcast e vídeos, mas apenas 8% e 19% dos jovens se dedicam a este tipo de produção. No entanto, relativamente à criação de vídeos, “a complexidade técnica da produção apurada não foi particularmente elevada”, escrevem os investigadores. Apenas 37 alunos conseguiram detalhar quatro ou mais momentos da produção.

“A Internet é sobretudo usada como meio de comunicação e de interação com os outros”, constatam os investigadores. Ouvir música, conversar com os amigos e ver videoclipes, são as atividades que 86% e 85% dos jovens realizam na Internet “sempre” ou “muitas vezes”. Com a mesma frequência, 83% dos inquiridos fazem pesquisas, 64% downloads, 52% enviam emails, 31% jogam online.

Centremo-nos agora na televisão e nos programas preferidos dos jovens. Os filmes e as séries são os géneros mais vistos, por 78% e 77% dos inquiridos. Em segundo lugar aparece a informação: 61% dos jovens referem assistir “sempre” ou “muitas vezes” a programas deste género. Do outro lado da escala, na categoria vejo “raramente” ou “nunca” surgem os programas de entretenimento, como os talk shows (54%) e os reality shows (51%). Os programas de sociedade ocupam o terceiro lugar entre os menos vistos (47%). As telenovelas são vistas com pouca frequência por 48% dos inquiridos, ainda assim, 33% dizem ver “sempre” ou “muitas vezes”. O consumo deste género de programas está muito ligado ao “hábito familiar”, nota Sara Pereira, admitindo que o abandono “talvez esteja relacionado com um maior desenvolvimento crítico de gostar deste tipo de programas”.

De modo geral, as raparigas veem mais séries e filmes, telenovelas, concursos, reality shows, programas de música, de sociedade e de moda e de culinária do que os rapazes. Já os rapazes veem mais programas de desporto, de História e ciência do que as raparigas. Quanto aos canais que veem com mais frequência, a FOX, um canal por cabo de séries, e a TVI, um canal generalista de sinal aberto, ocupam as duas primeiras posições, com 41% e 37% das audiências entre os inquiridos.

Os canais públicos RTP1 e RTP2 são opção para apenas 11% e 5% dos inquiridos. No que concerne à imprensa, nomeadamente à leitura de jornais, “sobressai de imediato o pouco interesse que este meio suscita nos jovens”, escrevem os autores do estudo. Os jornais desportivos são os mais lidos, com 19% dos inquiridos a responderem que os leem “sempre” ou “muitas vezes”. Apenas 4% dizem ler “sempre” e 10% “muitas vezes” jornais diários.

O panorama da leitura de revistas é ligeiramente melhor, embora não muito diferente: 23% dos inquiridos leem “sempre” ou “muitas vezes” revistas femininas, 22% preferem as de moda e 22% leem as de informação ou atualidade.

mas pouco literados

Há muitas definições para o conceito de “literacia mediática”, mas é precisamente o que o estudo pretende medir. A Comissão Europeia (CE), atenta ao modo como os cidadãos utilizam os ambientes digitais, define-a como “a capacidade de aceder aos media, de compreender e avaliar de modo crítico os diferentes aspetos dos media e dos seus conteúdos e de criar comunicação em diversos contextos.” O objetivo da literacia mediática “é aumentar os conhecimentos das pessoas acerca das muitas formas de mensagens dos media que encontram no seu dia a dia”, lê-se na “Recomendação sobre Literacia Mediática” publicada pela CE em 2009.

Para traçar a radiografia das competências mediáticas, os investigadores construíram uma escala de 0 a 100 pontos, em que se avaliavam a preparação e o conhecimento dos jovens ao nível do acesso, análise, compreensão, avaliação e produção de meios e conteúdos mediáticos. Assumindo a classificação de 49,50% como o patamar mínimo para a positiva, os investigadores dividiram os estudantes em três grupos: nível 1, os que ficaram abaixo da média; nível 2, os que pontuaram entre a média e a positiva; e nível 3, os que alcançaram valores positivos. Segundo a escala elaborada para avaliar os níveis de literacia mediática, 52% dos inquiridos situam-se no nível 1 (baixo), 43% no nível 2 (intermédio), e 5% no nível 3 (bom).

As conclusões foram pouco animadoras. A média de literacia mediática de todos os inquiridos não foi além dos 29,01 valores. “É um resultado que não é de todo satisfatório. Tivemos pouquíssimos alunos com média positiva”, lamenta Sara Pereira, investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho. Dos 32 alunos com níveis positivos de literacia mediática, seis estudavam na Escola Secundária do Marco de Canaveses. Dado curioso que a equipa de investigadores gostaria de compreender melhor: “Perceber se na escola existe algum projeto ou algum tipo de clube que esteja a fazer a diferença…”

Voltando aos fracos resultados gerais, Sara Pereira esclarece que “têm a ver com a questão muito discutida de que não basta o acesso”. Entenda-se: “Os jovens usam, no seu quotidiano, de uma forma regular e frequente vários meios, mas tal não significa que tenham competências de uso, análise, compreensão e produção, que são as dimensões da literacia mediática.” Na Internet, os alunos portugueses mostram-se também mais consumidores do que produtores. O cenário inverte-se, garante a investigadora, “mas é preciso passar do acesso, para o desenvolvimento das competências que a grande maioria demonstra não ter.”

 

Que têm de aprender os nossos filhos para serem leitores competentes na Web?

Setembro 3, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto do blog https://jfborges.wordpress.com/ de 25 de junho de 2015.

Há muitas aprendizagens que os nossos filhos devem realizar desde pequenos para se irem formando como leitores dos textos digitais. Algumas delas podem começar logo, outras estão relacionados com atividades que realizarão mais tarde (por exemplo, pesquisa de documentação, trabalhos de investigação…).

Qualquer leitor competente na Web tem que poder mover-se em situações muito diversas, como as que se descrevem:

  • Aprender a marcar objetivos de leitura concretos e ter a curiosidade para explorar caminhos diversos que permitam resolvê-los.
  • Estar consciente da natureza fragmentária e desestruturada da informação.
  • Eleger a estratégia de leitura mais conveniente para cada situação (leitura profunda e completa do texto; leitura rápida e superficial…).
  • Saber interpretar os formatos e os códigos próprios dos textos digitais (as opções dos menus, o distinto valor das ligações…).
  • Fazer um uso apropriado das ferramentas para explorar os textos (por exemplo, as pesquisas dentro do texto, os mapas ou os índices…).
  • Estar familiarizado com os textos multimédia que integram distintas linguagens (texto escrito, vídeo, áudio…), com os seus códigos e as suas características.
  • Ser capaz de manejar textos formados por combinações de distintos textos (por exemplo, um texto de informação, uma entrevista a um especialista, um glossário de termos…).
  • Poder avaliar a fiabilidade da informação; perguntar-se pela origem do conteúdo e saber como localizá-lo.
  • Realizar com facilidade as operações implicadas na navegação.
  • Ter consciência do processo que cada um segue, ou pode seguir, nos distintos passos de acesso à informação (pesquisar, selecionar, avaliar, processar, reelaborar…) e ser capaz de aplicá-lo e melhorá-lo em outras situações.
  • Ter uma disposição favorável para participar e cooperar em projetos colaborativos.
  • Seguir as normas habituais de “boa educação” na Internet (a que se chama netiqueta).

Parte destas aprendizagens começam muito cedo, mas muitas delas prolongam-se ao longo de toda a escolaridade dos nossos filhos. Porque só se forem capazes de aplicar com segurança este conjunto de competências, a leitura será um processo ativo, crítico e controlado por eles.

Fonte.

Controlar os filhos online pode ser uma má ideia para a relação parental

Maio 11, 2016 às 2:50 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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notícia do lifestyle.sapo.pt/ de 11 de maio de 2016.

o relatório citado na notícia é o seguinte:

Parental controls: advice for parents, researchers and industry  

Nuno Noronha  SAPO com Lusa

Um estudo sobre controlos parentais online alerta que, apesar das “boas intenções”, o uso destas aplicações pode limitar as oportunidades digitais das crianças, e ameaçar a relação entre pais e filhos.

“As ferramentas não devem ser concebidas como ‘aplicações-helicóptero’, para pais que gostariam de ‘sobrevoar’ o seu filho, vigiando-o todo o tempo e a qualquer custo”, alerta o estudo “Controlos parentais: Conselhos para pais, investigadores e indústria”, o mais recente relatório da rede europeia EU Kids Online.

O estudo, hoje divulgado, adverte que “é essencial manter uma postura crítica em relação a controlos parentais, já que as suas funcionalidades têm efeitos contraditórios”.

“Apesar das boas intenções, o uso de controlos parentais tem repercussões nas oportunidades digitais dos mais novos, e pode ameaçar a própria relação entre pais e filhos”, justifica.

Segundo as autoras do relatório, Bieke Zaman e Marije Nouwen, da Universidade Católica de Lovaina, Bélgica, a maioria dos atuais controlos parentais é de “tipo preventivo, visando evitar riscos e restringir comportamentos”.

A partir do levantamento de estudos realizados sobre o tema, as investigadoras destacam que “as práticas parentais de ‘(sobre)controlo’ e de ‘(sobre)proteção’ podem ter a consequência não desejada de limitar as oportunidades ‘online’ das crianças” e pode ser prejudicial para os seus direitos e o seu bem-estar.

“Não permitir atividades ‘online’ pode, por exemplo, impedir o direito de procurarem informação do seu interesse, de se relacionarem, de se divertirem, etc.”, sublinham.

O efeito das restrições sem explicação

Advertem ainda que, quando o pai ou mãe colocam restrições aos filhos, a partir de uma determinada idade, sem qualquer explicação, “é provável que venham a piorar a dinâmica familiar”.

O comportamento de “espiar, à Big Brother”, através de controlos parentais, pode também envolver o risco de revelar informação sobre os amigos da criança ou jovem, ou de outros sujeitos.

O estudo alerta que “o potencial dos controlos parentais está além de funções meramente preventivas e protetoras”, defendendo que “as medidas protetoras podem e devem incluir soluções que ajudem as crianças a construir mais resiliência para lidar com o risco e dano que possam encontrar”.

Após analisarem o estudo sobre a eficácia destas ferramentas, as investigadoras concluíram que “ainda se desconhece a [sua] real eficácia” para reduzir os riscos ‘online’ para os menores.

O estudo deixa recomendações aos pais, como “evitar uma parentalidade sobreprotetora” e “não conceber os controlos parentais”, como forma de “‘sobrevoar’ os filhos, de modo consciente ou inconsciente, a qualquer custo”.

Os pais devem também estar conscientes de que castigos, como proibir os filhos adolescentes de usar redes sociais, “não lhes ensinam valores ou normas, e aumentam a probabilidade de quebrarem o castigo em segredo”.

Devem ainda discutir as definições dos controlos parentais com a criança e ter presente “as consequências éticas” que o uso desta ferramenta pode acarretar.

Já a indústria deve promover literacia digital nas famílias com filhos, e integrar os controlos parentais com as iniciativas educativas existentes.

 

Los niños de edad preescolar se alfabetizan mejor con libros electrónicos

Abril 19, 2015 às 6:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.infotecarios.com  26 de março de 2015.

Mater purissima

By Fernando Gabriel Gutiérrez

Cada día que pasa me asombro más por el ambiente saturado de medios digitales en la cual los niños crecen. Ya desde bebé ellos reciben una exposición diaria de tecnologías digitales que de alguna manera tendrá efectos en su aprendizaje y su futuro. Ese futuro dependerá de alguna medida como esa persona se vaya relacionando con la tecnología. A parte no podrá dejar de desarrollar competencias digitales que necesitará todavía más para desenvolverse en ese mundo que todavía es incierto. Pero lo cierto es que el manejo de la cultura digital será más importante dentro de los años que vienen.

Una de esas tecnologías que los niños deberían estar expuestos son los libros electrónicos, no solamente con libros impresos tradicionales. Puesto que con los electrónicos de calidad la mayoría de los infantes tienen oportunidades de observar, explorar y jugar a través de estos entornos en forma interactiva con el contenido multimedia que ofrecen. No me refiero a los contenidos digitalizados en pdf de forma tradicional.

Todas esta reflexiones que me hago vienen a través de la lectura de una interesante investigación sobre el efecto de los libros electrónicos en el mejor desarrollo de habilidades de alfabetización emergente para niños en edad preescolar de Jordania. Además, el autor proporciona sugerencias sobre cómo aprovechar el mejor desarrollo del alfabetismo de preescolares cuando utilizan actividades con libros electrónicos. También en el mismo estudio se investigó para averiguar si existen diferencias de género significativas entre niños y niñas en relación a las habilidades de alfabetización emergente con la utilización de libros electrónicos.

Antes de continuar quiero explicar brevemente a grandes rasgos que es la alfabetización emergente. Segón Elba Navarro (2000) se entiende como un enfoque que considera que todas las manifestaciones de las conductas relacionadas con la lectura y la escritura son previas al logro de la alfabetización convencional. Según esta perspectiva, “los niños saben bastante acerca de la lectura y la escritura mucho antes de manejar convencionalmente dichos procesos. Por eso la importancia de un nutrido ambiente letrado que brinde oportunidades. Esta postura resalta la importancia de un nutrido ambiente letrado que brinda variedad de oportunidades de interacción con la lectura y la escritura (Sulzby, 1989)”.

RESULTADOS

Estos fueron los resultados principales de la investigación:

Los niños que utilizaron el libro electrónico se desempeñaron significativamente mejor en desarrollar habilidades de alfabetización emergente que los niños del grupo que lo hicieron con los libros impresos tradicionales.

Se encontraron diferencias significativas en función del sexo, ya que las niñas exhiben habilidades emergentes de alfabetización superiores a los hijos varones.

En cuanto a las diferentes habilidades de alfabetización emergente, los niños del grupo que utilizó libros electrónicos lograron mejoras  en el desarrollo del vocabulario y reconocimiento de caracteres entre otras áreas investigadas con respecto a los que no.

CONCLUSIONES

  • Los libros electrónicos tienen el potencial para promover habilidad de alfabetización emergente. Esto implica que las autoridades y especialistas educativos y los Ministerios de Educación tendrían que tener en cuenta para implementar este tipo de tecnologías desde el preescolar.
  • Las/los maestras/os de preescolar deberían aprender a desarrollar habilidades para crear, editar y gestionar libros electrónicos para su utilización en el acto preescolar.
  • Las editoriales se podrían animar a promover textos digitales de altísima calidad tanto de ficción como de no ficción.
  • La investigación manifiesta que obviamente los libros electrónicos solamente no son buenos para la educación, sino también los excelentes libros impresos y tradicionales que existen en el mercado y en las bibliotecas. Pero convengamos que el libro impreso por sí solo parece que no es suficiente.

REFLEXIONES

Aunque este trabajo refiere a un país y en un contexto educativo con un idioma particular me pregunto qué efectos pueden tener los libros electrónicos en los niños de preescolar en nuestros países. Habría que encontrar y promover investigaciones de este tipo en nuestros contextos latinoamericanos que todavía no he encontrado.

Acuerdo con el autor de la investigación considerando que la tecnología digital en los primeros años de la educación inicial de las personas (para mí en todas las edades) no puede seguir considerándose un lujo, ya que es una herramienta importante en el aprendizaje de los alumnos de hoy y mañana.

FUENTES:

Ihmeideh, Fathi M. (2014), “The effect of electronic books on enhancing emergent literacy skills of pre-school children“, Computers & Education, Volume 79, 40-48, http://dx.doi.org/10.1016/j.compedu.2014.07.008.

Navarro, Elba Beatriz. (2000). “Alfabetización Emergente y Metacognición“. Revista signos, Volume 33(47), 111-121.

Sulzby E., Teale W. H., Kamberlis G. (1989) “Emergent writing in the classroom: Home and school connections” en D. Strickland & L. Morrow (Eds), Emerging Literacy: Young children learn to read and write. Newark: International Reading Association.

 

Fernando Gabriel Gutiérrez

Bibliotecario at Sistema de Bibliotecas Universidad Nacional de Luján

Co-fundador y director de Aprender3C. Máster en Redes Sociales y Aprendizaje Digital (UNED), Especialista en Educación y Nuevas Tecnologías (FLACSO), Bibliotecólogo (Instituto Mignone), Bibliotecario de Instituciones educativas (Instituto Ciudad de Mercedes), licenciado en Ciencias de la Comunicación (UBA). Trabaja como bibliotecario en la Biblioteca Central de la Universidad Nacional de Luján. Docente en la carrera de Tecnicatura Superior de Bibliotecología en el Instituto Mignone de Luján. Formador de formadores bibliotecarios latinoamericanos en el programa “Taller de Bibliotecas en el mundo digital” de la subdirección de Bibliotecas del Ministerio de Cultura de España e IFLA/LAC.

 

 

 

A geração da net está sem rede

Abril 8, 2015 às 8:21 am | Publicado em A criança na comunicação social, Campanhas em Defesa dos Direitos da Criabnça | Deixe um comentário
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Reportagem do Público de 5 de abril de 2015.

Nuno Ferreira Santos

Paulo Moura (texto), Nuno Ferreira Santos (fotografia) e Vera Moutinho (video)

Num mundo onde tudo o que fazemos online é registado e vigiado, uma geração totalmente digital será particularmente vulnerável. Em Portugal, onde o hiato entre a literacia informática entre pais e filhos é dos maiores da Europa, a “geração Magalhães” está entregue a si própria.

Marta Gonzaga, 14 anos, 9.º ano, Funchal. Nem precisa de sair da cama. Basta estender um braço para enviar à melhor amiga, por Snapchat, uma imagem sua a acordar, mas só por um segundo, talvez dois, para que a amiga não se fixe nos pormenores. Pode ver um vídeo de cinco segundos de alguém conhecido a lavar os dentes, actualizar fotos de alguns desconhecidos que adicionou no Instagram, congelar num screenshot um momento banal registado do outro lado do mundo. Selfies no Instagram, acha feio. E chat no Facebook é pouco autêntico. “Já ninguém usa o Facebook. Há um ano, sim, mas agora…” A competição pelo número de “likes” é uma infantilidade do passado. Uma obsessão inútil por “ser ou não ser muito popular”. Que importância tem isso? “Tudo é falso no Facebook. Os verdadeiros amigos estão no Twitter. É um ambiente diferente.”

Tudo o que escreve no Twitter tem destinatário: os elementos da banda One Direction. Nunca responderam, mas “só de escrever as frases uma pessoa já se sente melhor”. Tal como formular desejos na Fandom da banda ou despejar milhares de caracteres de histórias inventadas com o One Direction Harry contracenando com outras celebridades, no site para jovens escritores Wattpad. As fics (fanfiction) de Marta são de leitura proibida a amigos e família, fintados com nicknames e passwords, embora já tenham ultrapassado as 27.840 visualizações, todas de leitores desconhecidos. Cada um dos 1700 seguidores recebe uma notificação sempre que Marta “lança ao mundo” um novo capítulo, tal como ela (e outros mil milhões de seguidores) foi notificada de cada um dos 300 capítulos da série After, que a americana Anna Todd foi publicando na Biblioteca Virtual, antes de os ler na íntegra no ecrã do telemóvel. E de ter respondido com comentários, sugestões e desabafos, no Wattpad, Fandom, WhatsApp, Instagram, Snapchat ou Twitter, em forma de emojis, abreviaturas ou onomatopaicos, sobre a vida social ou íntima dos One Direction, das amigas ou de si própria.

“Vou de férias mpts (meus putos)” e “Naqueles momentos em que a mãe grita contigo e tu finges que não ouves” são exemplos das frases que Marta lança no Twitter, para depois contar os retweets que provoca, as reacções do género “ahahah”, ou 🙂 (smile), ou mesmo as reaction picture (selfies que as amigas fizeram com a cara com que reagiram ao tweet).

Tudo isto sem sair da cama, no seu quarto, onde é notório que a secretária nunca é usada, enquanto André Nunes, 12 anos, 7.º ano, Parede, Cascais, faz vigílias madrugada fora com dois monitores abertos ao mesmo tempo, um com o jogo multiplayer online League of Legends, ou Minecraft, ou Watchdog, outro com o Skype dividido em cinco chamadas simultâneas onde vai comentando o jogo com os amigos, e talvez ainda um vídeo no YouTube com explicações sobre o jogo, além do Facebook, as sms do telemóvel e provavelmente a PlayStation. Por vezes fica online seis ou sete horas seguidas, com a mãe no quarto ao lado a ameaçar desligar o router e a irmã a queixar-se da sobrecarga da rede que a torna lenta quando ela quer ver um filme no Wareztuga.pt, falar com as amigas no Facebook e constituir família no jogo Sims.

Mafalda Nunes, 13 anos, 8.º ano. Todas as suas conversas importantes decorrem online. Tem uma amiga com quem fala todos os dias no Facebook. Foi ela que colocou na rede social fotografias dos cadernos e dos apontamentos, quando Mafalda faltou às aulas por ter estado doente. Não há nada que não possa ser feito online, excepto ler livros, que Mafalda prefere em papel. Em tudo o resto, a Net é preferível à realidade. Nem a praia consegue competir. Não há tanta vontade de sair, ou de namorar, como, com a mesma idade, acontecia com a geração anterior. Comprar roupas de marca também já não é importante. Ter um iPhone, sim. Não é o mesmo que usar um qualquer smartphone de marca branca. Desculpa: a velocidade.

Mafalda vem à porta do quarto. “Quem está a usar a Net? Está tão lenta. O pior que há é a lentidão.” A mãe manda André para a cama.  Desculpa dele: “É frustrante sair a meio de um jogo. Porque tem de se recomeçar. Nos jogos online os jogadores têm penalizações se interromperem a partida a meio. Podem ficar impedidos de jogar por uma semana.”

Sofia prefere viajar. Sofia Lucas, 12 anos, 7.º ano, Braga. O Google Earth é o seu site favorito. Foi lá que conheceu Paris, Nova Iorque, Roma, Washington, Londres, lugares que quer visitar na realidade.

Também gosta de jogos, e conversa com as amigas no Facebook, onde também começou a namorar. Foi um caso que começou e acabou por via digital. O primeiro contacto aconteceu na realidade, mas aí o rapaz não se declarou. Admitiu mais tarde: “No primeiro dia em que te vi, achei que irias ser minha namorada.” Mas guardou a conjectura para si. Só no Facebook a inclinação ganhou realidade. Foi lá que se declarou, no Dia dos Namorados, e foi por sms que pôs termo a uma relação de 111 dias e mais de 5 mil mensagens (uma média de 50 por dia). Fê-lo movido pelo pragmatismo, quando Sofia mudou de escola: “Não te vou ligar mais, arranjei outra.”

A 400 quilómetros de distância, Duarte podia ter assistido a tudo isto, se usasse as suas técnicas hackerianas preferidas de Man in the Middle. Mas ele prefere usar as suas armas para o Bem. Duarte Marques, 14 anos, 9.º ano, Carnaxide, Oeiras. Aprendeu muito cedo a usar computadores, porque o pai tinha uma empresa de informática. Começou por um Magalhães, que lhe foi atribuído na escola. Um “Gamalhães”, diz ele, com que conseguia “gamar” música, software, ou tudo o que quisesse. Agora, sente que sabe mais do que a maioria, o que é uma forma de poder e uma responsabilidade. É contra a pirataria, mas a favor da total liberdade na Web.

É Anonymous. Tem a máscara de Guy Fawkes, que encomendou pela Net, em três versões — normal, dourada e prateada. Tenciona usar a Internet para mudar o mundo, que vê dominado pela corrupção, o crime e a injustiça. “O que pretendo é mudar o sistema político, do mundo em geral.” Através de sites de hactivismo, e da rede do Anonymous, imagina-se a praticar acções de rebeldia com consequências significativas, embora planeie vir a trabalhar numa grande empresa, como consultor de segurança informática. “Leio muitos artigos sobre Internet e informática. O conhecimento é gratuito e é poder. Quanto mais conhecimento reunirmos, mais poder temos.”

Ainda não lançou nenhum grande ataque, e nunca o fará de forma gratuita. Apenas umas habilidades, para treinar. “Com o Skype, consigo desligar o router de outra pessoa”, diz Duarte. “E posso interceptar comunicações no Skype, que não são encriptadas.” E inserir intempestivos scripts ou pop-ups quando as pessoas estão a navegar por um site qualquer. E aquelas imagens esquisitas, por exemplo um cavalo a galopar só com duas pernas, que apareceram no meio da projecção powerpoint da professora? Foi ele, confessa. “Tive pena. Por vezes as professoras querem o nosso bem, não são demoníacas.” É alterar as notas ou as faltas, que a professora introduz no portal da escola? “Esses sistemas são muito vulneráveis. Era muito mais difícil dantes ver o caderno onde os professores registavam as notas. Os professores ainda guardam algumas notas num caderno. Essas são as mais difíceis de ver.” Entrar no site para mudar uma nota ou uma falta é portanto fácil. Se Duarte o fez ou não, é informação secreta. Que o pode fazer, isso sim, gosta que se saiba.

Um dos objectivos de todas as acções dos Anonymous “é serem levados a sério”. Não cometem “actos ilegais que não façam sentido”, mas acham importante fazer sentir o seu poder. “Anonymous é uma comunidade. Não é um grupo para onde se entre ou a que se pertença. Quem quiser ser Anonymous é. Basta ter esta atitude, de resistir contra o sistema. Estamos atentos ao que acontece. Vemos tudo. Estamos em todo o lado. Somos o teu vizinho, o teu amigo, o teu professor.”

Atirar sites abaixo pode ser um aviso, uma demonstração de poder e revolta. Quanto mais importantes e mais supostamente invulneráveis forem os sites, melhor. O do PÚBLICO, por exemplo. Duarte pode fazê-lo colapsar, se quiser. “Fácil. Basta um telemóvel e a ajuda de uns tantos amigos. Posso experimentar? Só como teste, para ver até que ponto o site é vulnerável ou não? Mas depois pode levar semanas até que se consiga trazê-lo de novo à vida.” No dia da publicação da reportagem, hoje, domingo, 5 de Abril, o PÚBLICO sofreria um eclipse. Ficou no ar a possibilidade. Não serias capaz de o fazer, Duarte!

A Internet tem mais de 20 anos, mas nos últimos cinco transformou-se qualitativamente. Não só multiplicou as possibilidades, com aplicações que permitem fazer quase tudo de forma virtual, mas também se tornou ubíqua. Até há pouco tempo, ia-se à, ou usava-se a Internet. Agora estamos na Net em permanência, através dos portáteis ou dos smartphones, por redes wifi ou 4G.

Já se tinha identificado uma geração de “nativos digitais”, ou de “millennials”, mas só muito recentemente surgiram entre nós os primeiros seres totalmente conectados de nascença. Há quem lhes chame “hyperconnected” ou “cyberkids”, mas a verdade é que ainda não há nome para a nova espécie, e pouco se sabe sobre o que são ou virão a ser.

Para eles, escrever à mão num papel é uma actividade arcaica apenas obrigatória pela teimosia jarreta de alguns professores ou pais. Comunicar é algo natural, que não implica deslocações nem gastos, o conhecimento está disponível em quantidades ilimitadas, a informação brota de todo o lado, sem filtros nem critérios de validação, não há distâncias nem obstáculos, o consumo de arte e cultura é fácil e gratuito para todos, e a sua produção também, o que é real e virtual confundem-se, a liberdade é uma evidência e uma vertigem, a privacidade uma noção cada vez mais longínqua.

Que oportunidades e que perigos esperam os jovens que têm agora 12, 13 ou 14 anos? Serão donos de poderes nunca vistos ou estarão a posicionar-se para serem escravos? Servirá a sua fabulosa vida online apenas para os colocar à mercê de eventuais ditaduras do futuro?

Muitos dos perigos da vida online têm sido estudados e objecto de campanhas de informação dirigidas aos adolescentes e aos pais, hoje conscientes dos riscos relacionados com a pedofilia e vários tipos de crimes. Cuidados como o de não colocar fotografias de menores nas redes sociais, não divulgar moradas ou números de telefone, não aceitar desconhecidos como “amigos” são já mais ou menos habituais, segundo os conselhos divulgados pela polícia nas escolas.

As práticas de cyberbullying, ostracismo ou violência também têm sido alvo de alguma atenção. O mesmo com o vício e uso excessivo da Internet, e com os problemas da imagem e da reputação, sob o ponto de vista da aceitação social e da obtenção e manutenção de emprego. Mas ninguém está a informar os jovens sobre a vulnerabilidade global e irreversível que vem com a imersão no mundo digital.

Todos os nossos gestos digitais deixam uma pegada e podem ser gravados, descodificados, processados. Sabe-se que empresas usam dados fornecidos por redes sociais para conhecer os padrões de consumo dos utilizadores e orientarem as suas campanhas de vendas. Sabe-se também que agências de informação de governos acedem aos nossos telefonemas, mensagens, emails, conversas no Facebook, Twitter ou Skype, além de registos de despesas com cartões de crédito, levantamentos multibanco, sinais de localização de redes móveis e de GPS, imagens de câmaras de vigilância, etc.

Quanto maior for a porção da nossa vida que decorre nos dispositivos digitais, maior é a nossa exposição. Em breve não será possível dar um passo sem ser controlado por alguém. Há inegáveis vantagens nesta realidade e podemos optar por aceitá-la. Mas será possível a opção contrária? Ou estabelecer limites?

Para Teresa Paula Marques, psicóloga e directora clínica da Academia de Psicologia da Criança e da Família, a concluir uma tese de doutoramento sobre Facebook, Riscos e Oportunidades, uma das noções a ter em conta é que já não há distinção entre mundo real e mundo virtual. Para os jovens, é o mesmo ter falado com um amigo pessoalmente ou através do Facebook. “São duas faces da mesma realidade.” Por isso, é de esperar comportamentos idênticos. “Os adolescentes gostam de ser vistos por todos, admirados pelos seus pares. As meninas pela beleza, os rapazes pelas façanhas. São muito populares o desafio da canela (em que se ingere canela até ao vómito), o desafio do desmaio, as fotografias em locais arriscados. No Facebook, o efeito que temos nos outros é mensurável imediatamente pela quantidade de ‘likes’. Estes têm um grande impacto na auto-estima. Se forem poucos, a tendência será para acentuar as acções. No caso das meninas, para usar biquínis mais ousados, no dos rapazes para fazerem coisas mais perigosas. É por isso que o comportamento no Facebook tende a ser excessivo.”

Pelo mesmo motivo, são geralmente mais intensas, nas redes sociais, as manifestações tanto de afecto como de agressividade. “Há páginas de ódio e perseguição, e é difícil descobrir quem está por trás. Há casos de assédio online, são enormes os riscos de cyberbullying e de sexting, em que os namorados divulgam na Net, após terminada a relação, as fotografias íntimas que a rapariga lhe enviou. Mas por outro lado é muito fácil ‘desamigar’ alguém. Mais do que na vida real. E os estudos mostram que ser ‘desamigado’ tem um impacto negativo fortíssimo nos jovens.”

Uma das consequências inevitáveis da vida na Net é a confusão entre os níveis de privacidade e de intimidade. Entre estes e o nível do que é público, os jovens são capazes de distinguir. Mas o que é íntimo passa facilmente para a esfera do que é meramente privado, explica Teresa Marques. “As pessoas expõem facilmente a sua orientação sexual, ou outras informações íntimas, o que as torna particularmente vulneráveis.” Fazem-no porque não têm a consciência da verdadeira dimensão das audiências que podem atingir, nem do carácter indelével das informações disponibilizadas nas redes sociais. “Tudo o que está no Facebook é eterno e pode vir a ser perigoso mais tarde.” Quanto à noção da existência de poderes superiores, de alguma entidade que venha a pretender ter poder sobre nós e de quem nos deveríamos proteger, os jovens não a conhecem. Não identificam ninguém que devessem temer ou de quem fosse prudente esconder alguma informação íntima ou confidencial. Apenas um ser representa para eles uma autoridade simbólica, uma entidade com quem há que ter mil cuidados, a quem não se pode mostrar tudo. Não, não é a NSA, nem a Administração americana, o Estado Islâmico, as grandes empresas multinacionais ou o Clube de Bilderberg. É a avó. Por ela se pratica a autocensura e se faz uma criteriosa regulação dos botões de privacidade do Facebook. “O que não gostarias que a tua avó visse” — este parece ser o único limite à liberdade dos jovens na Internet. A avó é a última fronteira.

Ana Jorge, investigadora da Universidade Nova de Lisboa, a realizar um pós-doutoramento sobre Culturas dos Media e Consumos Infanto-Juvenis, cita a investigadora americana de redes sociais Danah Boyd para explicar o conceito de “colapso dos contextos”. Os jovens “perderam a capacidade de seleccionar discursos diferentes para audiências diferentes. Não têm consciência de que o que dizem estará disponível para vários tipos de públicos”. E, se as campanhas educativas têm sido bem sucedidas no que respeita às práticas de prevenção da criminalidade através da Internet, falta toda uma educação para a cidadania no que respeita ao uso consciente da Rede. Por exemplo no que respeita à partilha de informação e ao uso de dados. “As redes sociais não são de graça. No Facebook estão a gerar valor para os anunciantes. Nós somos audiência.” Para Ana Jorge, é arriscado falar de características próprias de gerações, porque não se pode generalizar excessivamente. Os estudos mostram que há muitas diferenças e muitos ritmos no seio de uma mesma geração, clivada por grupos sociais, culturais ou regionais.

As camadas mais pobres, por exemplo, são mais vulneráveis aos riscos da Internet. Numa família onde os pais não dominam as tecnologias, é menos provável que os filhos lhes contem os problemas que encontram ou aceitem os seus conselhos. Não reconhecem autoridade a quem não domina os gadgets ou a terminologia que lhes está associada. Também as raparigas são mais vulneráveis do que os rapazes, e os jovens de alguns países mais do que os de outros.

Entre os países da União Europeia, Portugal é um dos que apresentam um hiato maior entre a literacia digital de pais e filhos. Há toda uma geração iniciada nos computadores com a campanha dos Magalhães nas escolas. Foi um factor de unificação dos jovens, mas não dos pais. “Devido ao Magalhães em 2008 e ao projecto E-Escola, Portugal é um dos países europeus onde é maior o número de famílias onde são os filhos que sabem mexer nos computadores”, diz Ana Jorge.

Em parte por este motivo, Portugal é também um dos países onde os jovens acedem mais à Internet sozinhos a partir do seu quarto. Os pais associam o uso dos computadores à realização dos trabalhos escolares, pelo que abdicam de vigiar as actividades dos filhos na Internet. Neste sentido, os adolescentes portugueses, em particular os provenientes de famílias com níveis educacionais mais baixos, são particularmente vulneráveis aos perigos do mundo digital.

Os pais de Sofia exercem um controlo disfarçado, mas firme sobre tudo o que ela faz na Net. A mãe, Vânia Mesquita Machado, que é médica pediatra, explica todas as regras que  Sofia deve respeitar, diferentes das dos irmãos mais novos. Só teve acesso ao Facebook aos dez anos e na condição de os pais conhecerem a password. Apenas pode colocar fotografias suas com óculos de sol e só aceitar amigos que conhece. Se surgem problemas, a mãe sabe que ajudar a filha passa por dominar os mesmos meios. Uma vez, uma amiga de Sofia começou a ter um comportamento reprovável. Enviou mensagens e fez comentários sobre ela com outras amigas, mexeu nas suas coisas no cacifo da escola. Vânia pediu-lhe amizade no Facebook. Quando ela aceitou, fê-la explicar o que se passava, a responsabilizar-se e a corrigir o comportamento. “Se eu tivesse ido falar com a mãe dela, não teria resultado. O Facebook foi a solução.”

Os pais de Mafalda e André sabem da sua vida escolar através da plataforma Inovar, onde os professores registam as notas, faltas, sumários e outras observações, além das despesas do cartão de refeições. Sofia Martins, a mãe, dá grande liberdade aos filhos nos contactos com amigos nas redes sociais, porque viveram oito anos em Oleiros, uma aldeia da região de Castelo Branco, e perderam o contacto com os colegas. Agora vivem na Parede mas falam com eles todos os dias. A mudança não foi tão traumática graças à Internet. “Falo sempre com a minha melhor amiga, que será sempre a minha melhor amiga”, diz Mafalda. Sem a Net, a vida seria muito diferente. Uma vez, lembram-se de que a electricidade falhou. “Estivemos assim cinco horas, não sabíamos o que fazer”, diz André. “Foi dramático.” Mafalda acrescenta: “Foi o fim do mundo.”

Marta sonha com o dia em que um dos elementos dos One Direction lhe responda. Nunca chegou nenhum tweet deles, mas sim de um primo. Pelo menos de alguém que afirma ser seu primo. “Nesse dia foi uma emoção cá em casa”, diz Susana Gonzaga, mãe da Marta. Um primo respondeu. Mas como pode saber se é realmente primo? “Eu confirmei, fui ver os amigos e mensagens dele.” Marta mostra mensagens que trocou com o suposto primo. “Diz qualquer coisa sobre ti”, perguntou ela. A resposta: “I like feet” (gosto de pés).

O star system na Net é muito próximo da loucura. Há ídolos que nasceram no YouTube e nunca fizeram nada na vida real, os fandoms de bandas como os One Direction reúnem milhões de fãs que escrevem e lêem histórias inventadas, virtuais, sobre os rapazes da banda e se automutilam realmente quando um deles, Zayn Malik, abandona o grupo. “Eu sei que a música deles não é muito boa”, diz Marta. “Eu dantes gostava de Grunge, dos Red Hot Chilli Peppers, e não é a mesma coisa. Mas os One Direction são o meu guilty pleasure.” Apesar de toda a sua vida online, Marta gosta de ler livros em papel. E de capa dura. Anda a ler vários clássicos. Anna Karenina, Jane Eyre, todo sublinhado. Orgulho e Preconceito em inglês. Sabe passagens de cor. Diz sem hesitar: “If your feelings are still what they were last April, please tell me so at once…”

A mãe de Duarte, Ana Bastos, não lhe paga a Internet no telefone, mas ele “rouba” o sinal das redes que apanha por todo o lado. Conhecimento é poder. E a única saída para quem vai viver num mundo dominado pelo digital. “Hoje, os mais jovens são mais responsáveis”, diz ele. Porque já sentem na pele o que lhes vai acontecer.

Duarte vê o futuro com preocupação. “A tecnologia muda a personalidade das pessoas. A maioria vai ser como robôs. Mas alguns vão ser mais livres. Your ignorance is their power. Wake up!” Duarte imagina no futuro uma espécie de regresso da Idade Média. “Na época feudal, o povo era escravo, mas isso soava-lhes normal. A mente deles estava fechada. Não tinham capacidade para se revoltarem. Agora parece-me que essa realidade está a voltar. Na sua maioria, as pessoas são simples. Não vão reparar que estão a ser usadas.” Quem quiser resistir tem de fazê-lo dentro da Internet. De certa maneira, “a terceira guerra mundial já começou, é a guerra digital”. No futuro, Duarte imagina-se, se necessário, a ter duas vidas, uma normal, no emprego, seguindo as regras, outra como Anonymous. “A Internet não pode ser controlada. A Internet não é um país.”

mais fotografias e vídeo no link:

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/a-geracao-da-net-esta-sem-rede-1691262

 

Os alunos que iniciam o secundário não distinguem quais são as informações relevantes sobre a Internet

Março 17, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://tecnologia.elpais.com/tecnologia      de 26 de fevereiro de 2015.

mais informações nos links:

http://www.iea.nl/icils_2013.HTML

http://www.iea.nl/home.HTML

EFE

Los alumnos que empiezan secundaria no distinguen qué informaciones son relevantes en Internet

 

Un estudio internacional analiza las competencias digitales de los alumnos de 13 años en 21 países

Susana Pérez de Pablos

Aunque un niño cuya lengua materna sea el español viva en Alemania, no va a hablar alemán como los nativos, a no ser que se promueva que lo haga. Lo mismo pasa con el aprendizaje de la tecnología: una cosa es que los niños actuales hayan nacido ya en la era tecnológica (los llamados nativos digitales) y otra muy distinta es que –a pesar de que se manejen muy intuitivamente ante una tableta- sepan desenvolverse de forma adecuada en la escuela y el mundo laboral de esta era.

Este es el razonamiento que hace el jefe de la Unidad de Investigación y Análisis de la Asociación Internacional para la Evaluación del Rendimiento Educativo (IEA), Andrés Sandoval-Hernández para explicar el resultado de un estudio que analiza el uso hacen los estudiantes de la tecnología, realizado en 18 países del mundo más dos regiones de Argentina y Canadá entre 60.000 estudiantes de 13 años (los que empiezan la ESO o los estudios equivalentes en otras naciones), y cuyas conclusiones son extrapolables a todo el mundo desarrollado. Sandoval presentó ayer este informe en la XXIX Semana de la Educación de la Fundación Santillana, en la que también participaron el director de Políticas Públicas y Relaciones Institucionales de Google España y Portugal, Francisco Ruiz Antón, y César Molinas, experto de la consultora Multa Paucis.

Son pocos los estudiantes que a los 13 años se quedan en un primer nivel básico de competencias tecnológicas, el 17%. Se trata de los que únicamente saben hacer cosas básicas, como abrir un link, o, por ejemplo, identificar qué otras personas están recibiendo el mismo correo que ellos. Otro 23% se encuentran entre los que van un paso más allá, los que están familiarizados con las herramientas tecnológicas  -saben, por ejemplo, usar los programas de búsqueda con palabras clave o insertar la información que encuentren en una hoja de cálculo- , y un 38% más llegan a un tercer nivel de habilidades en el que saben además encontrar todo lo que quieren, aunque no lo vean mencionado explícitamente. Pero solo alrededor del 2% de los alumnos del mundo desarrollado llegan a saber seleccionar en Internet las informaciones relevantes de las que no lo son. Es decir, son los que demuestran tener pensamiento crítico. El país que tiene más alumnos en el nivel más alto es Corea del Sur (el 5%), seguido de Australia (4%) y la República Checa (3%). España participará en el próximo estudio de este organismo, anuncia Sandoval.

La IEA está integrada por 70 países, cada uno representado por una agencia de evaluación educativa y su objetivo es generar información que ayude a realizar políticas que ayuden a mejorar la calidad de la educación en los países. Estos miembros “han demandado a la asociación más estudios sobre lo que está pasando en el uso de las tecnologías por los estudiantes y si estos están siendo formados para desenvolverse de una manera efectiva en la sociedad del futuro”, explica Sandoval. De ahí este primer estudio presentado ayer sobre la competencia digital de los estudiantes y el contexto, escolar y familiar en el que la adquieren.

“Una cosa es que un niño sepa usar un soporte digital para jugar o meterse en Internet y otra muy distinta que tenga las competencias digitales necesarias para tanto manejarse debidamente como para sacarle partido a todo lo que le ofrece la tecnología”, prosigue este experto.

La radiografía que hace el informe de la situación revela que en el mundo hay, de media, en los colegios un ordenador para cada 18 niños. Pero mientras que en Noruega hay uno para cada dos alumnos, en Turquía hay un ordenador para cada 80 estudiantes. Respecto a la frecuencia en la que usan los ordenadores, el 54% de los niños de 13 años lo hacen en la escuela al menos una vez al mes y el 87% en casa al menos una vez a la semana. De estos, el 75% lo utilizan para meterse en redes sociales y el 52% para mandar mensajes. En la escuela, básicamente lo usan (el 45%) para escribir con un procesador de textos, como el Word, así como para hacer presentaciones con programas como el PowerPoint (44%).

“Uno de los resultados más importantes que hemos visto es precisamente que los profesores utilizan mucho más Word y PowerPoint en la clase que software especializado para la enseñanza de las asignaturas, a pesar de que hay algunos muy buenos disponible en el mercado. Y dicen que no las usan porque no se sienten cómodos haciéndolo”.

La conclusión principal es, según este experto, que “ahora sabemos para qué se están usando los ordenadores y no es para lo que creemos que se tendrían que utilizar si queremos que los estudiantes desarrollen el tipo de competencia que les van a servir en un futuro para desenvolverse adecuadamente en el colegio, el mundo laboral y la sociedad. Es necesario, además, diseñar políticas enfocadas a la capacitación de los maestros para que utilicen más estas herramientas, porque los niños no van a aprender solitos, tenemos que guiarlos”.

 

 

Prémio Inclusão e Literacia Digital

Novembro 13, 2014 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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premio

mais informações:

http://www.fct.pt/apoios/premios/literacia_digital/index.phtml.pt

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