Instituto de Apoio à Criança recebe 10 pedidos de ajuda diária

Maio 24, 2017 às 11:00 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 24 de maio de 2017.

A notícia contém declarações do  Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

Manuel Coutinho, psicólogo clínico e secretário-geral do IAC – Instituto de Apoio à Criança
| Orlando Almeida / Global Imagens

Todos os dias chegam ao Instituto de Apoio à Criança (IAC), em média, cerca de 10 apelos relacionadas com situações de perigo, muitos deles feitos por crianças que se sentem desamparadas e fragilizadas emocionalmente.

“As crianças utilizam a linha para apresentar situações que as preocupam, que lhes causam dúvidas existenciais” e o “SOS-Criança é um dos poucos serviços que lhes dá voz na primeira pessoa”, disse em entrevista à agência Lusa o secretário-geral do IAC, Manuel Coutinho.

Do outro lado da linha há uma equipa de psicólogos que diariamente ouve as suas preocupações e trabalha com elas a sua autoestima.

Só em 2016, o IAC recebeu 2.392 pedidos de ajuda feitos por crianças, pais, familiares ou vizinhos, mais 525 do que no ano anterior.

Segundo Manuel Coutinho, “as problemáticas” mais preocupantes são “as situações das crianças em perigo, em risco, e abusadas sexualmente, mas também das crianças que precisam só de falar com alguém”.

“Hoje em dia, quando aparecem situações preocupantes de desafios ‘online’ completamente perigosos e que fazem até algum terrorismo na vida das crianças temos de perceber que estes ‘jogos’ aparecem porque as crianças estão muito instáveis emocionalmente”, frisou.

Para o coordenador do SOS-Criança, é preciso “dar um suporte efetivo às crianças”, conversar com elas, “fazer-lhes entender os perigos que existem no mundo e levá-las a que tenham uma boa autoestima”, para que possam ter “uma boa saúde mental”.

“Se viverem equilibradas, se tiverem um bom autoconceito, se se sentirem amadas (…) se conseguirem partilhar os seus medos e as suas angústias, as crianças, mesmo as mais curiosas, podem ir ver estes desafios ‘online’, mas não se deixam seduzir pela prática desses perigosos desafios”, frisou.

Além de conversarem com os filhos, os pais devem também ajudá-los a procurar apoio e “a saberem encontrar respostas por si só para os problemas que vão surgindo no quotidiano” e prepará-los para “os ‘não’ da vida”.

Em relação às problemáticas que chegaram ao SOS Crianças no ano passado, Manuel Coutinho apontou a negligência, ou seja, “o mau trato não intencional”, como a questão mais relevante.

Por vezes, as crises económicas e sociais levam os pais a negligenciar o filho, mas “não podemos permitir que as crianças sejam o elo mais fraco de toda esta situação”, disse Manuel Coutinho, adiantando que estas situações têm sido aquelas que o IAC “mais tem conseguido reparar”.

Mas, além desta questão e da “situação do falar com alguém”, há também “um elevado número de situações que se prendem com os comportamentos de crianças em risco/perigo”, muitos delas associadas a situações de regulação parental.

“Os pais têm de perceber, de uma vez por todas, (…) que o casal parental é para sempre” e que “têm o dever de cuidar dos filhos mesmo quando se separam”.

Mas isso nem sempre acontece, “o que leva a que haja muitas crianças e muitos jovens que, angustiados e complemente ‘ensanduichados'” nesta guerra, “telefonem para o SOS Criança” a pedir ajuda.

Na totalidade dos apelos recebidos em 2016 na linha SOS-Criança (116.111), foram identificadas 1.148 crianças, 41% das quais com idades entre os sete e os 13 anos e 28% dos zero aos seis anos.

Apesar de haver apelos provenientes de todos os distritos de Portugal, a grande maioria das crianças é residente no distrito de Lisboa (32%), Setúbal (11%) e no Porto (10%).

 

 

Relatório Estatístico do SOS-Criança 2016

Maio 17, 2017 às 5:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Descarregar o relatório no link:

http://www.iacrianca.pt/images/stories/noticias/SOS_Relatorio_Estatistico_2016.pdf

Baleia Azul. Coordenador da linha SOS Criança dá conselhos aos pais

Maio 2, 2017 às 2:21 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da http://rr.sapo.pt/ de 2 de maio de 2017 ao  Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

“Todos nós temos a nossa quota-parte de responsabilidade” na solução deste problema, diz Manuel Coutinho. Psicólogo clínico destaca importância da relação afectiva entre pais e filhos.

O desafio da “Baleia Azul”, que já fez duas vítimas em Portugal, está a deixar muitos pais preocupados, além de professores e as próprias autoridades. Mas o que fazer?

Manuel Coutinho, psicólogo clínico coordenador da Linha SOS Criança e secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança esteve no programa Carla Rocha – Manhã da Renascença e deixa alguns conselhos.

Como podemos distinguir o isolamento normal dos jovens de um isolamento indicador de que algo corre mal?

A pergunta é pertinente. Todos os jovens se isolam. Faz parte do crescimento. A partir de uma certa altura, fecham a porta à família e abrem-na aos amigos. E nem sempre se isolam do mundo.

A questão patológica é quando os jovens só vivem isolados, porque um jovem saudável isola-se durante um determinado período de tempo, mas na escola convive, com a família convive.

O que faz a diferença é a quantidade de tempo que o jovem está ou não isolado. Não é pelo facto de um jovem estar pontualmente com o que chamamos “um momento depressivo” que está com uma depressão. Porque um jovem que passa por um momento depressivo está num momento de crescimento, com dúvidas existenciais, está a reflectir, está a tentar perceber os seus próprios limites.

É completamente saudável e os pais não devem invadir. Nem os pais nem ninguém. A questão agora da “Baleia Azul” faz com que muitos pais comecem, de uma forma persecutória, a invadir o espaço íntimo do filho.

Estamos a exagerar nos receios, então?

É preciso haver serenidade. Os jovens estão muito mais aptos a lidar com a Internet do que os adultos; com estas redes sociais do que os adultos; com estes desafios perigosos online a que erradamente chamamos jogos. Os jovens já sabiam disto antes dos pais.

Os pais souberam agora e ficaram preocupados. E bem, mas devem estar mais preocupados com o relacionamento que têm com os seus filhos, com a relação afectiva profunda, de qualidade que estabelecem. Este deve ser o mote.

Não é como aqueles pais que só querem saber das notas dos filhos no final do ano. Têm de saber ao longo do ano e acompanhar. A questão da afectividade é uma questão para se tratar diariamente. Para se conversar, para se dialogar. Conversar sempre que é possível ter uma boa conversa. Para estar com os filhos.

Não temos de estar com os filhos só para criticar. Há pais que passam a vida a criticar negativamente os filhos e isto destrói a auto-estima.

Temos de dizer: “filho, tu és capaz, tu vais vencer”. Porque são estas as palavras mágicas que ajudam na boa construção da auto-estima, da auto-estima positiva, que fazem com que uma criança consiga ir em frente. Se uma criança tiver uma boa auto-estima, não se deixa influenciar por esta questão da “Baleia Azul”, ou outras baleias azuis que possam aparecer.

No tempo das nossas avós costumava-se dizer: “por aquela pessoa se atirar ao poço, tu vais-te atirar ao poço?” Claro que ninguém se atirava.

A maior parte dos jovens é saudável, prudente e não vai entrar nestas questões.

E como traçar a linha entre a vigilância e a privacidade do jovem?

Há o bom senso. E o bom senso ou se tem ou não se tem.

Há pais que já estão a limitar o acesso à internet

Isso não é positivo. Os pais devem controlar, mas não devem tornar-se o polícia mau da vida dos filhos. Devem conversar com os filhos, ver o que os filhos andam a fazer e devem confiar nos filhos, porque a confiança é extremamente importante nesta questão.

E perceber se os filhos têm comportamentos autolesivos – embora possam ter. Tenho na minha consulta, diariamente, um número de jovens com comportamentos autolesivos porque estão depressivos. Não pela questão da “Baleia Azul”. A dor psíquica é situada na pele. Eles cortam-se porque não aguentam. A dor psíquica é vaga e eles cortam os pulsos, muitas vezes, porque estão tristes, é uma forma de libertação daquela dor.

Como é que se trata um caso assim?

São situações que precisam de apoio de um psicólogo clínico, de um psiquiatra da adolescência e também da família.

Há respostas estatais para os jovens e para as famílias?

O Estado somos todos nós e as pessoas só se suicidam porque não encontram bons amigos. Todos nós temos uma função social, não podemos pôr tudo no Estado.

O Estado tem centros de saúde, tem hospitais, mas não sei se a resposta que é dada pelo Estado, contínua e continuada, é imediata. Mas posso dizer que, desde 1988, o Instituto de Apoio à Criança tem uma linha telefónica gratuita, para onde centenas de milhares de crianças já ligaram para falar destas e doutras situações.

O número é o 116 111.

São muitas as crianças e os jovens que, sem os pais saberem, telefonam, põem as suas dúvidas existenciais, os seus problemas, porque apresentam ideação suicida, e são os psicólogos da equipa que servem de suporte. E hoje muitos ainda estarão vivos, porque tiveram aquele apoio. Sendo que se trata de uma organização da sociedade civil.

Por isso, o Estado, as organizações da sociedade civil e todos nós – os professores, pais e amigos – temos a nossa quota-parte de responsabilidade.

Ouça aqui a entrevista a Manuel Coutinho

O “Baleia Azul” consiste na atribuição de 50 tarefas, entre as quais cortar “o braço com uma lâmina” ou furar “a mão com uma agulha”.

Os administradores do jogo enviam ainda filmes e músicas que os jovens têm de ouvir. Depois, levam a que estes avancem para a automutilação. A última tarefa é o suicídio. As vítimas são normalmente menores fragilizados a quem são feitas ameaças, pessoais e à família, em caso de abandono do jogo.

Se precisa de ajuda ou tem dúvidas sobre este tipo de problemas, contacte um médico especialista ou um dos vários serviços e linhas de apoio (gratuitas), como a Saúde 24 (808 24 24 24), o SOS Criança (116 111), a Linha Jovem (800 208 020) ou o S.O.S. Adolescente (800 202 484).

 

 

 

 

Instagram do SOS-Criança do IAC

Janeiro 31, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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https://www.instagram.com/iacsoscrianca/

 

Como as crianças sentem os crimes – Reportagem do Observador com declarações de Manuel Coutinho do IAC

Janeiro 17, 2017 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 15 de janeiro de 2017.

O texto contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

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Sónia Simões

Para as crianças, testemunhar um crime pode ser tão ou mais traumático do que ser vítima. Os psicólogos alertam: “Em Portugal dá-se o apoio penso rápido”.

O som da bomba a rebentar foi demasiado forte para se esquecer dele. Júlia (nome fictício), 13 anos, estava a dormir e, num pulo, acordou. Ao lado, a mãe acabara também de acordar sobressaltada, mas sem se ter apercebido do estrondo. A criança, ainda ensonada, não teve dúvidas: era uma bomba. A mãe acreditava mais num tremor de terra ou numa trovoada. As dúvidas dissiparam-se quando perceberam que tinha sido mesmo detonado um engenho explosivo durante um assalto.

O crime foi tão rápido que a Polícia Judiciária acredita estar perante profissionais. Era madrugada. Horas depois, já com o sol bem alto, a criança teimava em não dormir mais. Também recusava ficar sozinha em casa. Tinha medo. Em casos mais graves, este medo poderá não passar com o tempo, garantem especialistas ao Observador.

“Uma criança é um ser frágil que absorve tudo, é como uma câmara de filmar. Significa que basta a criança assistir a um crime ou um ato violento para que indiretamente seja vítima desse crime e dessa violência. Perante um facto destes, uma criança é sempre vítima de um crime, mesmo quando é testemunha”, explica o secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança (IAC), Manuel Coutinho. O psicólogo da Associação de Apoio à Vítima (APAV), Daniel Cotrim, concorda. “Uma criança que testemunha um crime sofre tanto ou mais do que uma criança que é vítima, porque é mais complicado perceber as sequelas que ficam e tratá-las”, explica.

Realmente, Júlia lembra-se de tudo: “Eu estava a dormir quando ouvi um grande estrondo que identifiquei como uma bomba. O que me passou pela cabeça naquele momento foi que fosse um atentado terrorista. Estava a dormir com a minha mãe e disse-lhe: ‘Mãe, o que é que foi isto? Que barulho foi este?’, mas ela tinha acordado já no final e não percebeu muito bem o que era. Mais tarde disse que lhe passou tudo pela cabeça: tremor de terra, trovoada, vento. Depois da explosão ouviam-se imensos gritos, parecia que estava alguém na cozinha a assaltar a casa, mas ao mesmo tempo, como tenho uma gata, deixei essa ideia de parte porque pensei que ela miava se alguém estivesse em nossa casa e ao mesmo tempo deixaram de se ouvir os gritos. A minha mãe foi perguntar ao meu pai se ele tinha ouvido e eles foram os dois à janela da cozinha ver o que se passava, mas sem acender a luz, com medo que fosse um assalto ou algo do género e ainda lá estivessem. O meu pai vestiu-se e foi ver o que se passava. Eu e a minha mãe vestimo-nos também e descemos. Enquanto estávamos no elevador pensei imediatamente num vizinho nosso que tem muitos problemas de coração e está sempre no hospital. Pensei que ele tivesse tido um enfarte com o susto. Tive medo que ele morresse (afinal está tudo bem com ele). Foi uma noite assustadora. Nunca pensei que isto acontecesse.”

Já Freud, lembra a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos ao Observador, assim o defendia. Dizia que “às vezes é pior observar violência de alguém que gostamos do que sofrermos essa violência”. E que isso “pode causar memórias traumáticas terríveis”. A pedopsiquiatra refere que uma criança que assista a um assalto pode ficar cheia de medo e passar a pensar sempre naquela situação e nas suas consequências. E dá um exemplo: se a criança for testemunha da mãe a ser assaltada no metro, poderá vir a sentir medo de andar de metro e associar aquele local ao que viveu. “A criança fica com os mecanismos hipervigilantes”, diz Ana Vasconcelos.

Não existem dados estatísticos sobre quantas crianças testemunham crimes e quantas são afetadas por eles ao ponto de necessitarem de acompanhamento, mas, para o psicólogo responsável do IAC, Manuel Coutinho, “também é importante pôr a lupa neste tipo de situações”. Ao IAC, através do SOS-Criança, e também à APAV, chegam muitas vezes casos de menores que são testemunhas de crimes dentro das suas próprias casas e num contexto familiar. “Aqui a criança está exposta à dor, ao sofrimento, ao stresse, à angústia e à ansiedade”, relata o responsável. Por vezes, tempo demais. Manuel Coutinho lembra-se do caso de uma criança, a quem chama “super-homem” ou “super-mulher”, cujo corpo servia, muitas vezes, de barreira entre o pai e a mãe para evitar uma nova agressão. A pedopsiquiatra Ana Vasconcelos tem entre os pacientes um menino com “um comportamento completamente alienado” em relação ao pai — porque o viu bater na mãe. Estas crianças assumem muitas vezes uma postura com a mãe e outra com o pai e vivem em dois mundos completamente diferentes.

Daniel Cotrim lembra também que estas crianças se culpabilizam sobre o que está a acontecer à sua volta. “As crianças são apanhadas frequentemente no meio da turbulência das separações. Muitas vezes os adultos fazem disto um período de grande violência, a criança é jogada pela mãe ou pelo pai neste jogo de separação”.

Dificuldade de concentração é um dos sinais

Manuel Coutinho defende que uma criança absorve tudo, mas também pode ser vista como um espelho que pode refletir o seu estado psicológico através de alguns sinais. O psicólogo lembra que, sempre que uma criança está exposta, direta ou indiretamente, a situações de crime, de abuso ou a situações de violência, pode apresentar dificuldades de concentração, como défice de atenção. A criança pode tornar-se “mais agressiva ou mais agitada, ou também apresentar baixa de autoestima ou estados depressivos, fechando-se sobre si mesma”.

A pedopsiquiatra Ana Vasconcelos afirma que podem ser sinais de alerta os comportamentos que a criança apresenta. Por exemplo, em situações em que era suposto estar tranquila, mostra sinais de medo, pânico, ansiedade. Não quer ficar sozinha ou tem medo de dormir, pergunta muitas vezes quando os pais a vão buscar à escola. “São sinais de insegurança anormal ao que é habitual”, refere. Por vezes o problema revela-se fisicamente. “Estão sempre a fazer xixi, são sinais de ansiedade ou de pânico”, alerta. Estes comportamentos podem também aparecer apenas em situações que a possam fazer lembrar a “memória traumática” que sofreu. “É uma coisa que ela não domina, em determinadas alturas, mesmo numa situação que nada tenha a ver com aquela, essa memória pode aparecer”.

“Em Portugal dá-se o tratamento ‘penso rápido’”

Daniel Cotrim diz que se estes sinais “forem detetados de forma precoce, tudo é reparado”. Uma reparação mais fácil do que num adulto. “Falamos de estruturas cognitivas que rapidamente conseguem ultrapassar traumas, mais do que os adultos. Como a recuperação de partir uma perna é mais rápida numa criança do que num adulto”. Mas não é raro aparecerem crianças com traumatismos graves “que necessitam de muito acompanhamento psicológico e até psiquiátrico”, alerta. “Crianças com depressões, que já passaram a fase da tristeza, crianças com tendências suicidas”, exemplifica.

Na perspetiva de Manuel Coutinho, é fundamental que a criança seja “apoiada pelos pais e pelos professores”. Depois de uma criança ter testemunhado um crime, não se deve mentir-lhe. Deve falar-se com elas claramente “para que elas entendam”. Há que perceber qual o receio da criança e tentar desmontá-lo até ela voltar a sentir-se segura. “Vamos dando corda para a criança pôr cá fora a sua dor e as suas preocupações. Vamos tentando construir um diálogo ao nível da criança envolvida. Apazigua muitíssimo deitar fora a sua dor, as suas angústias.”

Este é um trabalho que a APAV e o IAC tentam fazer, mas para Daniel Cotrim devia ser feito por mais técnicos em mais instituições — como nas polícias e nos tribunais. “O sistema que trabalha com estas crianças tem que estar dotado de técnicos na área da Psicologia e Psiquiatria. Há crianças que testemunham o homicídio da mãe ou do pai e que não fazem o luto. Há crianças que assistem à morte da mãe e veem o pai ir preso e ficam órfãs. “É uma situação extrema, mas temos que pensar nisto. O apoio às crianças e aos jovens ainda depende muito do bom senso dos profissionais que estas pessoas procuram para ter ajuda, porque não há outro tipo de apoio. A saúde mental em Portugal é o parente pobre da saúde e quando se fala de crianças e jovens, mais pobre ainda”, denuncia.

É que, adverte Daniel Cotrim, uma criança com um problema de saúde mental por resolver pode “desenvolver comportamentos mais aditivos, mais agressivos, ser autor de bullying na escola, ser violenta no namoro, automutilar-se”. “Em Portugal dá-se o apoio penso rápido, para estancar, e depois não se continua o tratamento”, diz. E a falta de tratamento pode trazer consequências graves aos jovens. “Isto vai transparecer, vai ter custos sociais muito grandes. Porque não ensinaram a estas vítimas a perceber que a violência e o mau trato não é uma forma de relacionamento.”

Lei equipara vítimas e testemunhas

Na perspetiva do jurista da APAV, Frederico Moyano Marques, a justiça tem feito um esforço cada vez maior para vitimaequiparar as vítimas de um crime às testemunhas — sejam crianças ou adultos. As crianças, por seu turno, integram já o estatuto de vítima especialmente vulnerável só pela sua idade. Mas aos olhos desse estatuto, uma criança que seja testemunha “é também uma vítima especialmente vulnerável”.

Este estatuto permite que estas vítimas, mesmo que “secundárias”, possam ser ouvidas em videoconferência, à porta fechada ou para “memória futura”, não tendo que prestar declarações e recordar o momento traumático ao longo das várias fases do processo penal, que pode prolongar-se durante anos. Mais. O mesmo estatuto prevê um conjunto de medidas que visam proteger estas vítimas evitando o contacto com os arguidos. “O ideal é que entrem por portas diferentes, tenham casas de banho diversas, não se tenham que cruzar na sala de audiências ou não tenham sequer que estar presentes nas salas, podendo ser ouvidas por sistema vídeo”. O Observador confirmou junto do Ministério da Justiça que, pelo menos no Tribunal de Loures, estão previstas obras para satisfazer estes requisitos.

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A lei, transposta de uma diretiva comunitária, prevê ainda que estas vítimas — quando estejam em causa crimes sexuais ou de violência doméstica — sejam ouvidas por pessoas do mesmo sexo. De fora da lei, critica o jurista, ficou uma regra da diretiva comunitária que estabelecia que estas vítimas têm que ser ouvidas por profissionais espacialmente qualificados na inquirição de crianças, de forma a não prejudicar a produção de prova. “Ou o magistrado ou o polícia tem formação nestas técnicas ou tem que recorrer a um técnico”, explica Frederico Marques. “Mas esta medida não entrou no nosso estatuto”, constata.

 

 

 

SOS Criança apela à denúncia de situações que possam pôr em risco as crianças

Dezembro 9, 2016 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.rtp.pt/noticias/ de 7 de dezembro de 2016.

A notícia contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

Lusa

O coordenador do SOS Criança apelou hoje a todos os que conheçam famílias em situação de “maior vulnerabilidade” que apresentem o caso às instituições para ajudar as crianças e evitar que passem por situações de risco e negligência.

Os maus tratos físicos e a negligência a crianças estão a aumentar com as dificuldades das famílias, que não conseguem assegurar necessidades básicas como alimentação, vestuário e uma casa digna, alertou Deolinda Barata, da Sociedade Portuguesa de Pediatria e coordenadora do núcleo de crianças e jovens em risco do Hospital D. Estefânia, onde tem assistido a situações que não surgiam na prática clínica “há 20 ou 30 anos”.

“Sempre que existe uma situação de crise num país ou sempre que a sociedade começa a ver os seus direitos postos em causa, as famílias são as primeiras a sofrer com essas dificuldades”, disse à agência Lusa o coordenador do SOS Criança, do Instituto de Apoio à Criança (IAC).

Como as dificuldades persistem durante um tempo superior à média, as famílias não conseguem suportar tanta pressão e passam essa pressão para cima das crianças que “são, normalmente, as que sofrem duplamente e as que sofrem mais”, explicou Manuel Coutinho.

“Sempre que existem situações de desorganização social e de privação dos bens económicos, as crianças acabam por ser vítimas diretas, porque também ficam privadas de muitas coisas, e indiretas porque os pais não conseguem aguentar tanta pressão” e acabam por as vitimar, sustentou.

Manuel Coutinho alertou que é importante que as famílias percebam o que está efetivamente a acontecer e não se desorganizem em relação às crianças e peçam ajudam.

Por outro lado, as pessoas que conheçam casos de “famílias com maior vulnerabilidade devem apresentar a situação, nomeadamente ao serviço SOS Criança, através do número gratuito 116111, para que os serviços em parceria com a rede de ação social ou com os outros parceiros possam encontrar uma reposta” para que essas crianças sejam ajudadas e “não passem por uma situação efetiva de risco e negligência”.

Manuel Coutinho adiantou que “Portugal tem sido pioneiro e tem feito uma grande caminhada” no que respeita aos direitos das crianças.

Mas, neste momento, está “a viver um momento de grande tensão e devemos ser todos mais solidários uns com os outros”. Essa solidariedade passa por apresentar atempadamente os casos aos serviços: “Portugal tem recursos suficientes para que nenhuma criança venha a estar privada dos meios e direitos fundamentais, nomeadamente o direito à alimentação, educação e saúde”.

“São direitos que têm de prevalecer sempre. Portugal é um país solidário, responsável, que tem de estar organizado para que essas crianças não sejam duplamente vítimas de uma situação que está a atravessar o país”, frisou.

Atualmente existe a cultura de sensibilizar e denunciar os casos de maus tratos físicos e psicológicos, mas “as situações de maus tratos mais próximos da negligência e da pobreza também devem ser apresentados para que os serviços possam ajudar a socorrer estas crianças”.

Alertou ainda que as situações de pobreza e de negligência são sempre traumáticas para as crianças, que crescem com alguns receios e algumas dificuldades.

 

 

 

 

The Importance of Child Helplines for Child Protection in Europe

Outubro 29, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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descarregar o documento no link:

http://www.childhelplineinternational.org/resources/reports/the-importance-of-child-helplines-for-child-protection-in-europe/

Linha da Criança, do provedor de Justiça, recebeu 184 chamadas até maio

Maio 17, 2016 às 7:38 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.rtp.pt/ de 17 de maio de 2016.

A notícia contém referências ao SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança.

Lusa

A Linha da Criança do provedor de Justiça recebeu 184 chamadas durante os primeiros cinco meses de 2016, sendo esta uma das várias linhas telefónicas disponíveis especificamente para denunciar situações que envolvam os mais novos.

Hoje assinala-se o Dia Internacional das Linhas Telefónicas de Ajuda à Criança, sendo que em Portugal existem vários contactos telefónicos que podem ser usados para denunciar ou pedir ajuda quando estão em causa os direitos das crianças.

O provedor de Justiça é uma das entidades que tem uma linha específica para tratar assuntos relativos às crianças, inserida no Núcleo da Criança, do Idoso e da Pessoa com Deficiência (N-CID), que nos primeiros cincos meses de 2016 recebeu 184 contactos.

De acordo com dados do provedor de Justiça, a Linha recebeu 37 chamadas em janeiro, 45 em fevereiro, 50 em março, 40 em abril e 12 nos primeiros seis dias de maio.

As razões dos contactos prenderam-se, sobretudo, com o exercício de responsabilidades parentais, educação e problemas escolares, cuidados de saúde, negligência, prestações sociais, mas também maus tratos, carências económicas e familiares ou exposição a comportamentos desviantes.

A atuação da Segurança Social, das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens, as visitas aos avós ou casos de bullying também foram motivo para contactos junto da linha do provedor.

Já durante o ano passado, esta linha recebeu 671 contactos, depois de em 2014 terem sido feitas 701 chamadas, sendo que em 2015 perto de um terço dos telefonemas tinham como motivo questões relativas às responsabilidades parentais.

“Os maus-tratos e a negligência integram o segundo grupo de questões mais vezes suscitadas, com um total de 153 chamadas, tendo duplicado face ao ano de 2014 (76 chamadas) “, lê-se no relatório de atividades de 2015 do provedor de Justiça.

Outra linha telefónica existente em Portugal para ajudar os mais novos é a Linha SOS Criança, do Instituto de Apoio à Criança, que, no ano passado, recebeu 1.857 telefonemas, entre 1.638 através do número para crianças em risco e 49 através do contacto específico para casos de crianças desaparecidas.

Entre as pessoas que ligaram paras as linhas, a maioria eram adultos (1.675), mas houve também 182 casos em que foram as próprias crianças a telefonar para a linha.

“A problemática referida nos apelos à linha do SOS Criança é essencialmente `falar com alguém`”, lê-se no relatório da instituição, que explica que aqui estão inseridos casos de adultos que precisam de apoio e suporte relativamente a saber lidar com os seus filhos ou familiares ou sobre questões relativas a crianças que precisam de apoio e ajuda.

Houve também pedidos de ajuda referentes a situações de negligência, seja em relação a cuidados básicos, falta de condições de segurança, alimentação inadequada, falta de higiene ou falta de acesso a cuidados de saúde.

Os maus tratos na família levaram 242 pessoas a ligarem para a linha, sendo que destes, 137 são referentes a maus-tratos físicos e 105 são maus-tratos emocionais ou psicológicos (como a chantagem psicológica e as discussões e agressões verbais).

Ao longo do ano de 2015 o SOS Criança encaminhou 341 novos casos e 22 processos de anos anteriores, totalizando assim 363 processos. O encaminhamento destas situações envolveu 1.213 contactos e referiu-se a 540 crianças.

 

Relatório Estatístico do SOS-Criança 2015

Abril 1, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação, Relatório | Deixe um comentário
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descarregar o relatório no link:

http://www.iacrianca.pt/images/stories/pdfs/sos/RELATORIO_SOS_2015.pdf

Maus tratos dominam denúncias à Linha SOS Criança

Março 22, 2016 às 4:07 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 21 de março de 2016.

Maus tratos físicos e psicológicos, na família ou em instituições, e menores em perigo de vida representaram quase metade das 1 857 denúncias feitas, em 2015, à linha telefónica de emergência do Instituto de Apoio à Criança. E foram reportados 61 desaparecimentos de crianças e jovens.

Plácido Júnior

No relatório preliminar dos dados da Linha SOS Criança referentes a 2015, a que a VISÃO teve acesso, verifica-se que o maior número de casos sinalizados, 272, se relacionam com negligência. Logo depois, com 198 casos reportados, surgem as situações em que a vida de menores se encontra mesmo em perigo. Já os maus tratos físicos na família ascendem a 137 denúncias.

Os maus tratos psicológicos na família contam 105 registos, enquanto os perpetrados por terceiros chegam aos dez alertas. Em crianças e jovens institucionalizados, a negligência é sinalizada em 14 casos, os maus tratos físicos em 15 e os maus tratos psicológicos em dez. Até aqui, temos 41% (ou 761 casos) das 1 857 denúncias feitas, em 2015, àquela linha telefónica de emergência.

Noutros segmentos, o bullying soma 38 sinalizações e o abuso sexual 36. Nestes e nos casos atrás mencionados, as vítimas têm idades entre nove e 14 anos.

CRIANÇAS E JOVENS DESAPARECIDOS

Foram reportados 61 desaparecimentos de crianças e jovens, maioritariamente com idades entre 14 e 16 anos. Mas existem também situações em que os desaparecidos têm entre 11 e 13 anos. São sobretudo fatores de risco associados a estes casos problemas familiares e de comportamento, a que acrescem, para lá dos maus tratos, a fuga com amigos e o desejo de aventura.

Em 2014, dos 62 casos reportados de crianças e jovens desaparecidos, 25 assim continuavam no final do ano. Quanto a 2015, o Instituto de Apoio à Criança (IAC) ainda desconhece esse dado.

As famílias monoparentais encontram-se no topo do grupo doméstico das crianças sinalizadas (359), seguidas de perto pelas famílias tradicionais (354). Há depois os agregados reconstruídos (164), os alargados (132) e os não identificados (340).

No ranking de quem denuncia, surgem, por ordem decrescente, a mãe (248 casos), a vizinhança (227), alguém da comunidade (143), a avó (135), o pai (122) e a própria criança (118).

O IAC trata e encaminha as situações para a PJ, PSP, GNR, Comissões de Proteção de Menores e Jovens em Risco e escolas.

 

 

 

 

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