Como ouvir as necessidades de crianças surdas

Setembro 25, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Swissinfo.ch de 12 de setembro de 2018.

Por Isobel Leybold-Johnson

Na Suíça, muitos alunos surdos frequentam escolas regulares. Mas a Federação Suíça dos Surdos diz que muitos alunos têm dificuldade com essa abordagem. Ele quer um conceito mais bilíngue, com pesos iguais à língua de sinal e à língua falada.

É um dia nublado de final de verão na escola Hans Asper em Wollishofen, um subúrbio de Zurique. Mas isso não impede o jogo de futebol dos alunos. É uma cena que se repete mil vezes em toda a Suíça – exceto por uma diferença. Alguns dos alunos são surdos ou deficientes auditivos.

Eles freqüentam a SEK 3, uma escola secundária de necessidades especiais que está incorporada em um instituto “normal”.

“Os alunos têm a oportunidade, sejam eles deficientes auditivos ou surdos, quer precisem de língua de sinais ou não, para entrar em contato com a comunidade auditiva e toda a cultura jovem, simplesmente tudo o que é comum em uma escola pública regular” disse à swissinfo.ch Peter Bachmann, co-diretor da SEK3.

Linguagem de sinais 

Dependendo do nível de surdez, os alunos são parcialmente integrados em classes regulares, ou então podem frequentar o ensino secundário bilíngüe – língua de sinais com língua falada. Atualmente, há 37 alunos registrados com idades entre 13 e 15 anos.

Este vídeo dá uma ideia de como são as aulas:

https://www.swissinfo.ch/por/isabelle-cicala-_a-professora-bil%C3%ADngue-para-surdos/44379816

Os alunos da escola Hans Asper são por sua vez estimulados a aprender a língua de sinais

Uma terceira unidade da SEK3 compreende uma residência para alunos de fora de Zurique.

Todo o conceito incorporado e bilíngüe faz da SEK3 uma escola bastante singular, explica Bachmann. Existem apenas duas outras instituições que oferecem uma educação bilíngüe na Suíça de língua alemã.

Ensino normal

“Normalmente, as crianças com deficiências auditivas são integradas em uma turma tradicional e ensinadas apenas na língua falada”, diz Martina Raschle, da Federação Suíça de Surdos, por email.

Isso vai contra a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, assinada pela Suíça, que afirma que as crianças surdas devem ter acesso a lições bilíngues com linguagem de sinais, se necessário, acrescenta ela.

As crianças surdas muitas vezes têm muita dificuldade para seguir as aulas regulares; além disso, há também uma falta de professores de língua de sinais devidamente treinados. Muitos se sentem isolados como a única criança surda da turma.

A federação compartilha a visão científica de que aprender tanto a língua de sinais quanto a linguagem falada estimulam o desenvolvimento lingüístico de crianças surdas e melhoram suas chances educacionais, e gostaria de ver um conceito bilíngüe adequado em toda a Suíça. Isso poderia se dar pelo estabelecimento de uma escola como a SEK3 em cada cantão. Estas escolas seguiriam a atual abordagem integrativa para a educação especial, mas também dariam aos alunos surdos a oportunidade de se encontrar com outros colegas com o mesmo problema, o que é importante para sua identidade, diz Raschle.

A situação não é diferente nos países vizinhos, acrescenta Raschle. A exceção na Europa é a Escandinávia, que tem mais acesso à educação bilíngüe. Mas o país mais van4ado nesse sentido são os Estados Unidos, aponta ela. O Americans with Disability Act (Lei para Americanos com Deficiências) garante que as crianças surdas sejam integradas e ensinadas em linguagem de sinais. Os EUA também abrigam a única universidade para surdos do mundo, a Gallaudet University

Desafio universitário

Entrar na universidade continua sendo um desafio para muitos surdos. A presidente da federação, a médica Tatjana Binggeli, é apenas uma das duas pessoas surdas com doutorado na Suíça. Estudar requer a ajuda de um tradutor de língua de sinais e ainda enfrentar muita burocracia. “Isso exige uma vontade muito forte e um desempenho acadêmico muito alto”, diz Raschle.

Esta também é a experiência de Bachmann. Poucos alunos de sua escola vão para um ginásio acadêmico, a escola que prepara os alunos para a universidade. A maioria opta por um aprendizado. A escola tem como objetivo preparar seus alunos para a vida lá fora, explica ele. Por exemplo, o almoço é preparado com a ajuda de um aluno surdo que quer se tornar um chef.

Então, por que não há mais escolaridade bilíngue? Em parte, por causa da abordagem integrativa, diz Bachmann. Apesar da mudança de atitudes, que é lenta, “muitas vezes ainda há esse sentimento entre algumas pessoas de que a linguagem de sinais prejudica a linguagem falada”.

Necessidades especiais no ensino 

Romain Lanners é chefe do Centro de Educação Especial da Suíça, que supervisiona o ensino especial no país para as autoridades cantonais.

Nos últimos dez anos, cada cantão elaborou seu próprio conceito de necessidades de ensino especiais, disse ele. “O bem-estar da criança está sempre em primeiro plano ao avaliar suas necessidades de educação especial”, disse ele à swissinfo.ch por e-mail.

Não há estatísticas para crianças com deficiência auditiva na educação. Mas o número de alunos em escolas especiais caiu de 50.000 em 2004 para 31.000 em 2016, confirmando a mudança de escolas especiais para a escolaridade integrativa.

Potencial

Indagado por que há tão pouca educação bilíngue para crianças com deficiência auditiva, Lanners diz que é difícil responder, pois há falta de estatísticas. Além disso, existem diferenças entre os cantões sobre o assunto. “Alguns adotam abordagens inovadoras de ensino, mas elas não são aplicadas uniformemente em todos os lugares”, diz ele.

A melhoria na educação de alunos com deficiência auditiva poderia vir através de uma melhor cooperação entre os agentes nos níveis federal, cantonal e local, acrescenta Lanners. “Isso poderia aumentar a conscientização dos tomadores de decisão e impulsionar o treinamento de pessoal educacional em áreas como o bilinguismo, a transmissão de fala para texto, e tecnologias de apoio”.

Novos desenvolvimentos em serviços e ferramentas digitais têm um grande potencial para integração educacional, especialmente para aqueles com deficiência auditiva. “Este é um potencial que precisamos usar”, diz Lanners.

Estatísticas

Não há estatísticas oficiais na Suíça, mas a Federação Suíça de Surdos estima que haja cerca de 10 mil surdos no país, e outros 600 mil classificados como deficientes auditivos em uma população de oito milhões de pessoas.

Em todo o mundo, cerca de 9% dos surdos são crianças. Cerca de 90% das crianças surdas têm pais ouvintes.


Adaptação: Eduardo Simantob

 

 

Um baralho de cartas para crianças especiais

Março 20, 2016 às 5:49 pm | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt de 8 de março de 2016.

ekui

EKUI Cards é um baralho de cartas que ensina o alfabeto a crianças com e sem necessidades especiais, criando assim um mundo onde a inclusão social é uma realidade

Texto de Catarina Corte-Real

O alfabeto fonético, o convencional, a lingua gestual e o braille. E se todos conseguíssemos comunicar através destes códigos? É esse o objectivo das cartas EKUI, um projecto desenvolvido pela Associação Leque e criado por Celmira Macedo que idealizou um material didáctico com uma estratégia de alfabetização inclusiva, onde todas as pessoas podem comunicar de forma universal e que ensina as crianças a comunicar com todos, independentemente da sua limitação física ou cognitiva.

Estes cartões, explica Celmira Macedo, “podem ser dinamizados em contexto escolar, o que traz vantagens ao nível da aprendizagem das crianças no seu primeiro contacto com o alfabeto”. “Ajuda-as a memorizarem mais rápido as letras do alfabeto português, a clarificar e a evitar as confusões gráficas comuns. É também uma ferramenta intuitiva para os professores e melhora a aquisição de competências de crianças com necessidades especiais.”

Para além da componente didáctica, as cartas EKUI têm também uma forte componente lúdica, como por exemplo o dominó, no qual todos podem jogar independentemente das limitações ou incapacidades que tenham.

O baralho de cartas é produzido e embalado em Portugal. Esta linha de produção, chamada Oficina da Produtividade, foi concebida para incluir pessoas com necessidades especiais no mercado de trabalho. A poupança nos custos de produção e os lucros revertem a favor dos utentes da associação – quem trabalha a embalar as cartas não paga, por exemplo, as aulas de terapia da fala.

Até ao momento as cartas EKUI estão disponíveis em duas salas do pré-escolar em Alfândega da Fé e Vila Nova de Famalicão e em 32 escolas de Vila NOva de Gaia. Este produto não só está apenas desenhado para crianças como também para adultos em processo de reabilitação que, por exemplo , tenham sofrido um AVC.

 Cada unidade custa 13,99 euros e pode ser adquirida online.

 Com o apoio da Fundação EDP, da Montepio, da Missão Sorriso e do municípios de Alfandega da Fé, as cartas EKUI querem chegar a escolas de todo país e tornar a inclusão social uma realidade e não uma ideia utópica. 

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O menino que tinha medo do escuro – Vídeolivro, aplicação móvel, braille, relevo, língua Gestual Portuguesa

Fevereiro 27, 2015 às 6:00 am | Publicado em Divulgação, Livros | Deixe um comentário
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minino

descarregar a aplicação móvel e visualizar o vídeolivro no link:

http://omeninoquetinhamedodoescuro.com/

“O menino que tinha medo do escuro” é um apelo à criação de livros em formato alternativo e um exemplo de como um livro multiformato se pode “abrir” a novos leitores e a novas leituras.
Esta obra pretende tocar simultaneamente o lúdico e o didático, com conteúdos acessíveis a crianças com necessidades especiais.

Deste modo, o livro é “ traduzido” em diferentes formatos: braille, relevo, língua Gestual Portuguesa, aplicações para os novos media e Símbolos Pictográficos para a Comunicação. Esta adaptação tem como objetivo promover a participação ativa da criança através do manuseamento das diferentes versões da história.

O livro transforma-se num instrumento inclusivo essencial para desenvolver atividades de leitura para crianças em idade pré-escolar com ou sem necessidades educativas especiais.

 

 

Investigadores criam tradutor de língua gestual em aulas

Agosto 4, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do P3 do Público de 23 de julho de 2014.

Paulo Pimenta

Projecto Virtual Sign poderá fazer parte das suas salas de aula já no final do ano e ajudar alunos com problemas auditivos a acompanhar o que é dito

Texto de Lusa

Uma equipa de investigadores do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) está a desenvolver uma ferramenta de tradução bilateral da Língua Gestual Portuguesa que poderá fazer parte das salas de aula já no final do ano.

 O projecto, com o nome Virtual Sign, passa pelo desenvolvimento de “um tradutor bidireccional de língua gestual que permite a tradução de Língua Gestual Portuguesa de gesto para texto e de texto para gesto”, começou por explicar Paula Escudeiro, professora no ISEP e mentora da investigação.

 Três anos depois da sua aprovação, e de uma comparticipação de 100 mil euros pela Fundação Ciência e Tecnologia (FCT), o Virtual Sign conta com dois dispositivos externos — uma luva com sensores e uma câmara Kinect (câmara com sensor utilizada em consolas de jogos) — que permitem identificar os gestos, movimentos corporais e faciais e “traduzi-los para texto” que é então “transmitido para um computador”.

 “Na outra direcção, escrevendo um texto, por exemplo num computador, permite que um ‘avatar’ [representação gráfica de uma pessoa] identifique o texto que está a ser escrito e o transforme em gesto. É esta a tradução bidireccional”, acrescentou a investigadora.

 A ideia surgiu depois de a equipa de investigadores, também professores, se ter deparado com situações em que alunos com deficiências auditivas manifestavam maiores dificuldades em acompanhar as aulas. “Começamos a pensar um pouco nisso e surgiu-nos a ideia de criar algo que permitisse ajudar esses alunos a estarem incluídos no nosso processo de ensino”, assinalou.

 Paralelamente, a equipa está também a criar “um jogo educativo que permita ensinar e aprender a língua gestual portuguesa”. O projecto está em fase de testes, já foi experimentado em contexto de sala de aula, com resultados “muito bons”, mas a sua fase de desenvolvimento “ainda não terminou”.

 Paula Escudeiro espera que a sua utilização em salas de aula arranque “mal termine o período alocado para produção” do projecto, prevendo que o mesmo suceda “mais ou menos no final deste ano”.

 Para além das aulas no ISEP, os investigadores querem fazer chegar o Virtual Sign a outros contextos de formação, e até a “outros domínios do próprio dia-a-dia”, e estão também a preparar-se para concorrer a projectos de financiamento de nível internacional que permitam o alargamento a mais línguas.

 A equipa, coordenada pelo ISEP, inclui também investigadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, da Universidade Aberta e uma profissional em Língua Gestual Portuguesa.

 

 

 

Conta-me Histórias… Amélia quer um Cão (com interpretação em língua gestual)

Junho 6, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Workshop Gestos na Primeira Infância : Impacto no desenvolvimento da Interação, Comunicação e Linguagem

Novembro 1, 2012 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Quase Nada – Espectáculo bilingue (língua gestual portuguesa e língua portuguesa) na Casa da Música

Abril 1, 2012 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Casa da Música

 Terça | 3 Abril 2012
21:00, Sala 2
Quase Nada [Concertos para Todos]

As palavras de Eugénio de Andrade são interpretadas por corpos surdos, mas vibrantes e cheios de som, que enchem o espaço com o movimento, explorando a palavra em coreografias do gesto. Teatro, música, dança e poesia fundem-se em Quase Nada, espectáculo que promove uma intensa troca corporal, e onde vírgulas, tempos verbais, sentimentos e intenções são tocados num orgânico teclado de notas que vibram para além do rosto e se estendem ao corpo todo.
Apresentado pelo Grupo de Teatro de Surdos do Porto, Quase Nada é uma co-produção da PELE – Espaço de Contacto Social e Cultural, da Associação de Surdos do Porto e do Serviço Educativo da Casa da Música. Unidas num projecto com diferentes linguagens artísticas, as três instituições procuram estabelecer o diálogo através do teatro enquanto linguagem universal e, deste modo, contribuir para a inclusão de uma comunidade com pouco acesso à realização artística.

João Pedro Correia direcção artística
António Serginho direcção musical
Grupo de Teatro de Surdos do Porto interpretação

Co-Produção: Serviço Educativo da Casa da Música, Associação PELE e Associação de Surdos do Porto

Público Geral
Terça 3 + Quarta 4 Abr, 21:00

Sala 2

€ 5

Projecto “Som e Silêncio” pela inclusão e contra a discriminação de crianças com deficiência auditiva

Fevereiro 3, 2011 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Site do Governo Civil de Lisboa de 18 de Janeiro de 2011.

António Galamba participou hoje, dia 18 de Janeiro, no Ateneu Artístico Vilafranquense, na apresentação de “Som e Silêncio”, que pretende incutir nas crianças do ensino regular o interesse pela língua gestual. O projecto acústico, da autoria da cantora Paula Teixeira, é uma iniciativa da Associação Nova Frente Juvenil e conta com o apoio do Governo Civil de Lisboa e da UNICEF.

“Som e Silêncio”, que se assume como uma comunhão entre a Música e a Língua Gestual Portuguesa, visa, de acordo com presidente da Associação Nova Frente Juvenil, do Sobralinho, João Pedro Baião “fomentar nas escolas e nos alunos o interesse pela aprendizagem da língua gestual”. Através de um pequeno concerto é ensinado às crianças “o básico da língua gestual”, numa primeira fase, que posteriormente incluirá aulas mais formais e grupos de trabalho.

O projecto é ainda apoiado pelas cãmaras municipais de Vila Franca de Xira, Loures, Odivelas, Azambuja, Mafra e Lisboa, que levarão cerca de 500 crianças, do 1.° ao 9.° ano de escolaridade.

“O Som e Silêncio” está a chegar também a escolas secundárias, muitas vezes por solicitação no âmbito de projectos desenvolvidos pelos alunos em Área de Projecto. O objectivo é chegar aos alunos que não têm necessidades educativas especiais para lhes despertar interesse em aprender a linguagem utilizada por outras crianças, com problemas de surdez. O projecto pode ser desenvolvido em escolas, auditórios, salões, bibliotecas, museus ou locais ao ar livre.


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