Medidas de apoio à família são cruciais para aumentar taxas de amamentação

Setembro 24, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 1 de agosto de 2019.

Semana Mundial da Amamentação acontece entre 1 e 7 de agosto; apenas 4 em cada 10 bebês são exclusivamente amamentados nos primeiros seis meses de vida, conforme recomendado; somente 12% dos países oferecem uma licença de maternidade remunerada adequada.

Políticas que apoiam a amamentação, como licença parental paga e intervalos para amamentação, ainda não estão disponíveis para a maioria das mães em todo o mundo.

A afirmação é do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, no início da Semana Mundial da Amamentação, que decorre entre 1 e 7 de agosto.

Importância

Em nota, a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, disse que “os benefícios de saúde, sociais e econômicos da amamentação, para mãe e filho, são bem conhecidos e aceitos em todo o mundo.” Apesar disso, “quase 60% das crianças do mundo estão perdendo os seis meses recomendados de amamentação exclusiva.”

Amamentar apoia o desenvolvimento saudável do cérebro em bebês e crianças pequenas, protege contra infecções, diminui o risco de obesidade e doenças, reduz custos de saúde e protege as mães de câncer de ovário e câncer de mama.

Fore disse que, apesar desses benefícios, “locais de trabalho de todo o mundo estão negando apoio muito necessário às mães.” Para ela, é preciso “investir muito mais em licença parental remunerada e apoio à amamentação em todos os locais de trabalho para aumentar as taxas de amamentação globais.”

Dados

Apenas quatro em cada 10 bebês são exclusivamente amamentados nos primeiros seis meses de vida, conforme recomendado. Nos países menos desenvolvidos, essas taxas sobem para mais da metade, 50,8%.

Os países de renda média-alta têm as menores taxas de amamentação, 23,9%, o que representa uma descida dos valores de 2012, quando eram 28,7%.

Segundo o Unicef, as mulheres que trabalham não recebem apoio suficiente para continuar a amamentar. Em todo o mundo, apenas 40% das mulheres com recém-nascidos têm os benefícios básicos de maternidade em seu local de trabalho. Em África, apenas 15% tem algum benefício para continuar.

Apenas 12% dos países do mundo oferecem uma licença de maternidade remunerada adequada. O Unicef recomenda pelo menos seis meses de licença remunerada para todos os pais, dos quais 18 semanas devem ser reservadas para as mães.

Segundo um estudo recente, mulheres com seis meses ou mais de licença maternidade tinham pelo menos 30% mais chances de manter qualquer amamentação pelo menos nos primeiros seis meses.

Benefícios

A ONU afirma que o aumento do aleitamento materno pode evitar 823 mil mortes anuais em crianças menores de cinco anos e 20 mil mortes anuais por câncer de mama.

Em 2018, apenas 43% dos bebês foram amamentados na primeira hora de vida. O contato imediato da pele com a pele e o início precoce da amamentação mantêm o bebê aquecido, constroem seu sistema imunológico, promovem a união, aumentam a oferta de leite materno e aumentam as chances de que ela continue amamentando exclusivamente.

O Unicef diz que se os números ideias de amamentação forem alcançados em todo o mundo, haverá uma redução estimada nos custos globais de saúde de US$ 300 bilhões.

Semana Mundial

A Semana Mundial da Amamentação começa esta quinta-feira, 1 de agosto, e termina a 7 de agosto. O objetivo é destacar a importância crítica da amamentação para crianças em todo o mundo. O tema deste ano é “Capacitar os pais, possibilitar a amamentação”.

Em nota conjunta, Henrietta Fore e o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Ghebreyesus, pedem aos governos e empregadores de todo o mundo que adotem políticas favoráveis a esta prática.

Os dois representantes afirmam que “as provas deixam claro que, durante a primeira infância, a nutrição ideal fornecida pela amamentação pode fortalecer o desenvolvimento do cérebro das crianças com impactos que perduram ao longo da vida.”

Mais informações no site da Unicef:

https://www.unicef.org/breastfeeding/

À frente da Suíca, Canadá e EUA. Portugal é um bom sítio para ser mãe

Maio 20, 2011 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 5 de Maio de 2011.

O relatório mencionado é o seguinte:

State of the World’s Mothers 2011

por Sílvia Caneco,

Em território norte-americano, a probabilidade de morrer devido a complicações decorrentes da gravidez é muito maior que por cá.

Mais de 30% das mulheres portuguesas têm apenas um filho mas afinal Portugal até é um bom país para ser mãe. Subiu cinco lugares no ranking e é agora o 14.o melhor país do mundo para ter filhos, de acordo com um relatório da Save the Children. Na lista liderada pela Noruega, Portugal surge à frente de países como a Suíça, a Irlanda, o Canadá, a Itália, o Japão ou os Estados Unidos.

A organização não governamental de defesa dos direitos das crianças baseia–se em critérios como políticas sociais de apoio à natalidade e cuidados de saúde infantil e materna para ordenar a lista de 164 países. No ranking são analisados e comparados dados como a percentagem de mulheres que usam contracepção, o número médio de anos de escolaridade, a esperança média de vida das mulheres, a taxa de mortalidade infantil e a percentagem de crianças que frequentam o ensino pré-escolar.

Em Portugal, só uma em cada 9800 mulheres corre o risco de morrer devido a complicações decorrentes da gravidez. Essa probabilidade sobe drasticamente nos Estados Unidos, onde uma em cada 2100 mulheres morre durante o parto ou durante o período de gestação. Uma criança também tem o dobro das probabilidades de morrer antes dos cinco anos nos Estados Unidos que em Portugal, onde apenas 4 em mil crianças morrem nos primeiros cinco anos de vida.

A socióloga Sofia Aboim Inglez entende que “a evolução gigantesca nos cuidados de saúde pré-natais e infantis” deu o principal contributo para que Portugal fosse catapultado para os primeiros lugares do ranking. “O nosso sistema de saúde é o 13.o melhor do mundo e a nossa taxa de mortalidade infantil diminuiu brutalmente”, afirma a doutorada em Sociologia da Família e da Vida Quotidiana. Porém, “as políticas sociais de apoio à natalidade – como a possibilidade de o pai gozar mais um mês de licença – e o investimento em equipamento público para crianças com menos de três anos” também não podem ser afastadas das estatísticas.

A probabilidade de uma portuguesa ter uma gravidez desejada é superior à das italianas ou das austríacas, com 63% das mulheres a usarem contracepção, contra os 41% de Itália ou os 47% da Áustria. A licença de maternidade em Portugal não é tão generosa como a da Noruega mas também não sai mal no retrato. As portuguesas têm direito a gozar uma licença de 120 dias depois de serem mães. Nos Estados Unidos o período desce para as 12 semanas (90 dias), na Noruega para as 46-56 semanas. Há países da lista em que a licença de maternidade é atribuída durante um ano, mas esse factor não os faz liderar a tabela dos lugares onde é melhor e mais fácil ser-se mãe.

Sofia Aboim Inglez explica que os países que investem nas licenças desinvestem muitas vezes no equipamento para crianças pequenas. “A saída das mulheres do mercado de trabalho para cuidar dos filhos não tem só pontos positivos, sobretudo se for durante um longo período e não for acompanhada de estruturas alternativas para a criança.”

Licença de maternidade: Parlamento Europeu aprova extensão para 20 semanas pagas a 100%

Novembro 1, 2010 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Comunicado de Imprensa do Parlamento Europeu de 20 de Outubro de 2010.

O Parlamento Europeu aprovou hoje a extensão do período de licença de maternidade na UE das actuais 14 para as 20 semanas (a Comissão propunha 18), pagas a 100%, em linha com a posição defendida pela eurodeputada portuguesa Edite Estrela. Os eurodeputados querem também que os Estados-Membros estabeleçam uma licença de paternidade de pelo menos duas semanas.

“Uma vez que o período de licença de maternidade de 18 semanas é já uma realidade em muitos Estados-Membros, o aumento de quatro semanas (das actuais 14 para as 18 propostas) traduz-se numa alteração modesta”, afirma Edite Estrela (S&D), cujo relatório foi aprovado por 390 votos a favor, 192 contra e 59 abstenções.

Para a eurodeputada portuguesa, 20 semanas é um período de tempo adequado para ajudar as mulheres a recuperar do parto, encorajar a amamentação e permitir o estabelecimento de laços sólidos entre a mãe e a criança. As 20 semanas foram aprovadas em plenário com 327 votos a favor, 320 contra e 30 abstenções.
“Eu sei que a actual conjuntura económica não favorece o aumento da despesa social, mas este é um bom investimento no nosso futuro colectivo e não tem os elevados custos que muitos andam a apregoar. O estudo de impacto financeiro conclui que os custos desta proposta “serão totalmente cobertos se esta contribuir para aumentar, em apenas 1%, a participação das mulheres no mercado de trabalho”, diz a relatora.

O Parlamento Europeu defende, em linha com o relatório de Edite Estrela, que seja paga a integralidade do salário às trabalhadoras em licença de maternidade e que prestação seja 100% do último salário mensal ou do salário mensal médio. A proposta inicial da Comissão Europeia previa o pagamento a 100% durante as primeiras seis semanas, mas apenas “recomendava” o pagamento integral nas restantes semanas (portanto, sem carácter vinculativo).
A duração mínima da licença pós-parto deve ser de seis semanas, a fim de encorajar as mulheres a amamentarem durante o máximo tempo possível.

Licença de paternidade de pelo menos duas semanas
O Parlamento quer que os Estados-Membros tomem as medidas necessárias para que os trabalhadores cuja parceira tenha recentemente dado à luz tenham direito a um período contínuo de licença de paternidade não transferível de, pelo menos, duas semanas, paga, em moldes equivalentes – salvo no que respeita à duração – aos da licença de maternidade, a gozar após o parto do seu cônjuge/parceira durante o período de licença de maternidade.
Proibição de despedimento

O despedimento deverá ser proibido desde o início da gravidez até, no mínimo, seis meses após o termo da licença de maternidade. Os eurodeputados insistem que deve ser assegurado à trabalhadora o direito de retomar o seu posto de trabalho ou um “posto de trabalho equivalente”, usufruindo da mesma remuneração e categoria profissional e com os mesmos deveres anteriores ao período da licença de maternidade.
Os eurodeputados acrescentam que as trabalhadoras não deverão ser obrigadas a efectuar trabalhos nocturnos nem horas extraordinárias “durante as 10 semanas anteriores à data prevista para o parto, durante o restante período de gravidez, se for necessário para a sua saúde ou para a do nascituro, e durante todo o tempo que durar a amamentação”.

Situação na UE e em Portugal
A duração da licença de maternidade nos 27 Estados-Membros varia entre as 14 e as 52 semanas e o pagamento da licença é também muito variado, sendo já paga a 100% em 13 países.

Em Portugal, a licença de maternidade é remunerada a 100% durante 120 dias.
O direito à licença de paternidade é já reconhecido em 19 Estados-Membros, remunerado em 80 ou 100%, mas ainda não é previsto na legislação europeia.

As alterações hoje aprovadas à proposta que revê uma directiva em vigor desde 1992 terão ainda de passar pelo crivo dos ministros da UE, reunidos no Conselho.


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