Contacto com germes pode ajudar a prevenir cancro infantil

Junho 11, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da Euronews de 23 de maio de 2018.

Promover as interações físicas com os outros e com o ambiente circundante, não se preocupar excessivamente com a higiene de uma criança, nem tentar isolá-la de qualquer contacto com germes e bactérias, poderão ajudar a prevenir a leucemia linfoblástica aguda, a forma mais comum de cancro infantil.

Quem o diz é o professor Mel Greaves, do Instituto de Investigação do Cancro, no Reino Unido, um dos principais especialistas da matéria. Num estudo publicado na Nature Reviews Cancer, Greaves compila mais de três décadas de investigação, para sugerir que a tendência para um modo de vida cada vez mais asséptico – característico das sociedades mais desenvolvidas – pode facilitar o aparecimento da doença. Ao contrário, o contacto com determinados micróbios numa fase inicial da vida pode preparar melhor o sistema imunitário para lidar mais tarde contra as infeções.

 

 

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Fusão de cromossomas aumenta 2700 vezes o risco de subtipo de leucemia infantil

Abril 18, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 8 de abril de 2014.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Constitutional and somatic rearrangement of chromosome 21 in acute lymphoblastic leukaemia

clicar na imagem

Instituto Nacional de Investigação do genoma Humano EUA

Lusa

Equipa internacional com participação portuguesa descobriu que alteração cromossómica pode causar um cancro infantil.

Uma equipa internacional de investigadores descobriu que uma determinada alteração cromossómica aumenta em 2700 vezes o risco de um subtipo de leucemia linfoblástica aguda, o cancro infantil mais comum. O estudo, publicado recentemente na revista Nature, teve a participação do Serviço de Genética do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto.

A equipa internacional descobriu que os indivíduos que são portadores de uma fusão entre os cromossomas 15 e 21 têm uma predisposição 2700 vezes maior para aquele tipo de leucemia. O estudo descreve os mecanismos cromossómicos que estão subjacentes a este subtipo de leucemia aguda, que tem mau prognóstico.

“Este risco aumentado relaciona-se com o facto de aquele cromossoma alterado ter dois centrómeros, o que faz com que possa ser puxado simultaneamente para as duas células filhas durante a divisão celular. Este processo origina várias quebras cromossómicas que resultam em alterações genéticas mais complexas que depois originam a leucemia”, explicou Manuel Teixeira, director do Serviço de Genética do IPO/Porto.

Esta descoberta “ajuda a perceber que quem tem estas alterações cromossómicas, que são herdadas [dos pais], tem maior predisposição para este tipo de leucemia, permitindo, assim, que as pessoas fiquem mais atentas e possam fazer uma vigilância mais apertada”, disse Manuel Teixeira.

Os portadores dessa anomalia genética, “poderão fazer uma espécie de rastreio (uma análise ao sangue) regularmente para garantir que a doença é detectada o mais cedo possível, permitindo-lhes iniciar o tratamento precocemente”.

O investigador Manuel Teixeira salientou que “não é certo que todos os indivíduos com esta alteração cromossómica venham a sofrer de leucemia, embora o risco seja muito elevado”.

Este trabalho mostra ainda que as pessoas que não têm aquela alteração cromossómica podem também desenvolver leucemia linfoblástica aguda por um mecanismo cromossómico ligeiramente diferente, mas a probabilidade de tal ocorrer é muito inferior.

Este tipo de leucemia é o cancro mais comum em crianças e o subtipo de leucemia associada à fusão do cromossoma 15 com o 21 representa cerca de 2% dos casos.

A leucemia linfoblástica aguda mais comum em crianças está associada a outras alterações cromossómicas identificadas anteriormente e apresenta taxas de sobrevivência acima de 90%, mas o subgrupo estudado agora tem ainda um mau prognóstico.

Por não ser uma alteração muito comum, foi necessário reunir vários casos de países diferentes. Por isso, o trabalho envolveu a participação de laboratórios do Reino Unido, França, Bélgica, EUA e Portugal.

 

 

 

 

Descoberto calcanhar de Aquiles de algumas leucemias infantis

Setembro 14, 2011 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 4 de Setembro de 2011.

O artigo mencionado na notícia é o seguinte:

Oncogenic IL7R gain-of-function mutations in childhood T-cell acute lymphoblastic leukemia

Por Ana Gerschenfeld

Uma pesquisa liderada por investigadores portugueses permitiu perceber melhor o mecanismo de crescimento tumoral e travá-lo com medicamentos já testados contra outras doenças.

Não é possível imaginar pior pesadelo que uma criança com cancro. Mas nos casos de leucemia linfoblástica aguda infantil, um cancro do sangue, a doença é particularmente cruel, pois atinge sobretudo crianças entre os dois e os quatro anos de idade. Hoje em dia, segundo a American Cancer Society, graças à maior eficácia dos tratamentos, 80 por cento das crianças e adolescentes com leucemia linfoblástica aguda estão recuperados cinco anos após o diagnóstico, podendo ser considerados como “muito provavelmente” curados, mas é crucial continuar a enriquecer o arsenal terapêutico e encontrar o tratamento mais eficaz em cada caso. Agora, uma equipa internacional de cientistas, liderados por investigadores do Instituto de Medicina Molecular (IMM), em Lisboa, fez uma descoberta com potenciais aplicações médicas nalguns casos de leucemia linfoblástica aguda de células T, que se caracteriza por uma proliferação descontrolada dos linfócitos T, um tipo de glóbulos brancos que é um dos principais braços armados do sistema imunitário.

Sabe-se que o crescimento anormal destas células se deve a mutações genéticas, mas ainda não se conhecem todas as mutações responsáveis. Agora, a equipa de João Barata, do IMM, em colaboração, entre outros, com cientistas do Centro Infantil Boldrini, em Campinas (São Paulo, Brasil), e do National Cancer Institute, em Frederick (EUA), descobriu, em cerca de nove por cento dos doentes estudados, um conjunto inédito de mutações responsáveis por estas leucemias.

“Considerados no seu conjunto, os nossos resultados indicam que [estas mutações são] um evento oncogénico envolvido nas leucemias linfoblásticas agudas de células T”, escrevem os autores num artigo publicado hoje na edição online da revista Nature Genetics.

Os investigadores também obtiveram resultados preliminares que sugerem que medicamentos já testados contra doenças como a artrite reumatóide podem neutralizar os efeitos nefastos destas mutações, travando o crescimento dos tumores associados.

As mutações agora identificadas afectam um gene dos linfócitos T que comanda o fabrico, à superfície destas células imunitárias, de certos receptores — verdadeiras antenas moleculares que, ao captarem determinados sinais químicos vindos do exterior da célula, induzem a sua multiplicação. O sinal químico é, neste caso, uma molécula que circula na corrente sanguínea chamada interleucina 7. Quando esse receptor é atingido por uma das mutações agora identificadas, os linfócitos deixam de precisar do estímulo da interleucina 7 para crescerem e se dividirem.

“Descobrimos que, apesar de ser essencial para o desenvolvimento e funcionamento das células T, o receptor da interleucina 7 também pode ter um ‘lado obscuro’ e actuar como uma espécie de Mr. Hyde”, diz João Barata num comunicado do IMM. “Em particular, descobrimos que existem mutações que levam à activação permanente do receptor da interleucina 7 numa percentagem razoável de doentes com leucemia T pediátrica [e] identificámos o mecanismo que leva a que o receptor esteja sempre activado nestes doentes […]. Estas observações dão-nos a esperança de poder vir a aumentar ainda mais a eficácia e selectividade dos tratamentos actualmente existentes.”

 


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