Síndrome do bebê sacudido: crianças podem ser embaladas no colo, mas jamais chacoalhadas; entenda

Junho 4, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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texto do site http://www.lersaude.com.br/

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Os movimentos bruscos dão origem à chamada síndrome do bebê sacudido, que pode ter consequências muito sérias. Um chacoalhão em bebês é extremamente prejudicial para a saúde deles. Esse ato, também conhecido como a síndrome do bebê sacudido, em geral acontece em casos extremos, quando a criança sofre agressões num momento de descontrole de quem está cuidando dela e a balança com força pelos braços, num movimento para frente e para trás sem apoio da cabeça.

O nome “síndrome do bebê sacudido” parece inusitado e até engraçado para quem não conhece a patologia. No entanto, é um problema sério, que pode surgir em decorrência de brincadeiras inocentes, feitas por pais não orientados quanto aos riscos. Segundo Christian Muller, neuropediatra do Hospital Santa Lúcia e coordenador de Pediatria do Comportamento e Desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria do DF, a síndrome é caracterizada por sangramentos cerebrais, consequência de movimentos bruscos.

As hemorragias mais graves costumam ser observadas em casos extremos, quando o bebê é vítima de maus-tratos. Existem, contudo, as hemorragias desencadeadas quando os pais sacodem as crianças na tentativa de fazê-las parar de chorar. “Isso é comum, e as pessoas não entendem o quanto pode ser perigoso, assim como algumas brincadeiras”, completa o especialista.

Portanto, brincadeiras bruscas, como jogar a criança para o alto buscando diverti-la, estão fora de cogitação. Inclusive, os pediatras são orientados a fazer esse alerta em consultas de rotina. Até os 2 anos, o cérebro infantil não está totalmente formado e é muito sensível a lesões, que desencadearão quadros futuros de irritabilidade, alteração de memória e convulsões.

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Não é mito. A síndrome do bebê sacudido existe e ocorre quando a criança passa por movimentos abruptos quando sustentada pelasinf_bebes_160810 extremidades ou pelos ombros, que podem alterar a coluna com traumas na região cervical do bebê e causar sangramentos – tanto hemorragias retinianas (nos olhos), quanto cerebrais.

Em geral a síndrome é verificada em crianças abaixo dos 2 anos, principalmente em bebês menores, porém crianças de até 5 anos podem manifestar o distúrbio, segundo a pediatra Gislayne Castro e Souza de Nieto, chefe da UTI do Hospital Santa Brígida e presidente do Departamento de Neo­natologia da Sociedade Para­naense de Pediatria. “Não existe uma medida para a força que pode ser utilizada ao chacoalhar um bebê, mas se ele não tiver bom tônus (contração pequena do músculo quando está em repouso) isso pode causar traumas na região cervical”, diz ela, apontando que é importante não jogar a criança para cima ou erguê-la pelo braço em movimento de chicote. “Porém, na maioria das vezes isso não ocorre em brincadeiras, mas em episódios de violência familiar, quando os pais não aguentam o choro do bebê e o chacoalham”.

Em relação ao choro, muitas vezes pais que chacoalham seus filhos atribuem a isso o fato de conseguirem com que eles parem de chorar e durmam. “Mas muitas vezes elas ficam sonolentas não por causa do chacoalhão, mas por que desenvolveu-se um pequeno edema cerebral”, diz o perito criminal do Instituto Médico Legal de Santa Catarina e dermatologista Marcelo Francisco dos Santos. “Estima-se que de 100 mortos por violência, 13% sejam pela síndrome”, diz ele.

Como agir em situações de descontrole

Quando há bom vínculo pais-bebê, a criança é mais calma e segura. Seo bebê não se sentir amado e seguro, o choro, a irritabilidade e o sono agitado serão intensificado. Muitos pais precisam buscar apoio da família ampliada e da comunidade e exercitar o autocontrole da seguinte forma:

  • Pare, respire profundamente uma vez, respire mais algumas vezes e lembre-se que você é um adulto
  • Pressione os seus lábios e conte até 10, pelo menos 5 vezes
  • Retire-se da situação. Vá até seu quarto e reflita por que você está sentindo tanta impaciência
  • Deixe o bebê, mesmo chorando, em segurança e ligue a TV, ligue para um parente, um amigo ou para o pediatra…

São importantes as orientações prestadas por profissionais da saúde aos cuidadores (pais, babás, avós, tios, etc) quanto ao risco de se sacudir uma criança pequena. Nunca, nem por brincadeira, por castigo ou por qualquer motivo, um bebê deve ser sacudido.

Sintomas

Quando a criança sacudida chega ao médico, o profissional consegue verificar se existe a síndrome caso consiga observar se ela demonstra muita irritação, se há crises convulsivas eventuais, hemorragia retiniana, ou se há traumas, hematomas e fraturas inexplicáveis.

Nos Estados Unidos, o maior número de atingidos por esta agressão são meninos, abaixo de um ano de idade, sendo que até 30% têm chance de morte, segundo Gislayne. “Para os que sobrevivem, o trauma pode alterar o desenvolvimento cognitivo e intelectual, além de influenciar na capacidade visual, dependendo do grau, duração e do local da lesão”, diz ela.

O que os pais devem observar:

  • Irritabilidade extrema
  • Letargia (estado de sono profundo)
  • Inapetência
  • Problemas respiratórios
  • Convulsões
  • Vômito
  • Pele pálida e azulada (uma possível hemorragia interna).

Na presença de qualquer um dos quadros citados acima, o médico deve ser avisado.11_bebe_WEB

Por que acontece?

“O bebê pequeno tem a cabeça maior que o corpo, com o pescoço mole, sem a musculatura bem desenvolvida. Ao fazer movimentos bruscos, de extrema aceleração e desaceleração, podem ocorrer lesões cerebrais”, diz Márcia Sanae Kodaira, pediatra e coordenadora médica da unidade de emergência e internação do pronto atendimento infantil do Hospital Santa Catarina (SP).

Porém, em casos mais raros e sem a intenção dos cuidadores, isso pode acontecer. Um dos exemplos é de quando o bebê engasga e, no desespero, os pais o sacodem para que volte a respirar normalmente. Uma das maneiras para ajudar o bebê a soltar o leite que por acaso voltou é virá-lo de lado, nunca balançá-lo com força.

As sequelas podem ser transitórias ou definitivas. Segundo a especialista, muitas crianças podem ter retardo de desenvolvimento neuropsicomotor, surdez e até lesões oftalmológicas sem que nunca o diagnóstico seja relacionado às sacudidas bruscas. Em 30% dos casos, o bebê pode morrer.

Mas fique calma e não confunda! A síndrome do bebê sacudido não tem nada a ver com as brincadeiras que você faz com o seu filho, o embalar nos braços, num balancinho para bebês ou as chacoalhadas que o carrinho faz ao caminhar pelas ruas. O que faz mal é o movimento brusco, não o carinho que você dá para o seu filho.

Saiba Mais

Ossos também merecem atenção

Nem só o cérebro deve ser preservado. Os ossos também! Trata-se de uma lesão bastante comum na criança entre 18 meses e 04 anos de idade. Nesta faixa etária o cotovelo da criança não está ainda bem formado e apresenta muita frouxidão ligamentar. O cotovelo é uma dobradiça formada pelo encontro do osso do braço (úmero) encaixado em um osso do antebraço (ulna). No antebraço existe outro osso (rádio), localizado no lado do polegar, e no cotovelo ele interage com a ulna para realizar a rotação do antebraço (chamada de movimento de prono-supinação). A cabeça do rádio é presa na ulna por um ligamento que a envolve como um anel (ligamento anular). Se ocorre uma tração no rádio para longe do cotovelo ocorre lesão do ligamento anular (que é fino nesta faixa etária) e deslocamento da cabeça do rádio do encaixe no osso vizinho.

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Sintomas

A criança começa a chorar e mantém o braço parado ao lado do corpo com a palma da mão virada para trás. Recusa a levantar o braço acima da cintura que causa desconforto e não usa a mão deste lado (se tenta oferecer algo, por instinto ela apanhará com a outra mão). Tem dor quando tentamos “rodar”o antebraço. Ela até para de chorar mas mantém o braço imóvel ao longo do corpo para grande apreensão dos pais.

Causas

A causa da lesão pode ser óbvia, como quando os próprios pais puxaram a criança pelo braço, mas em algumas circunstâncias pode ser obscura; a criança não sabe contar aos pais o que ocorreu e a babá afirma que a criança caiu…
Muitas vezes é uma combinação do movimento da criança e de um adulto. A criança atira-se ao chão e um adulto tenta levantá-la pela mão (levanta-a segurando por baixo dos braços).

  • Evitar brincadeiras de balançar a criança segurando-a pelas mãos e girando-a.
  • Não deixes uma criança pequena passear um cão, pois ele pode puxá-la com força.
  • A criança está segura pelo braço quando sofre uma queda súbita.
  • Segurar a criança pela mão para ela não sair correndo, puxar a criança quando estamos andando de mãos dadas e estamos com pressa (lembrar que o passo da criança é menor).
  • Algumas dessas situações são possíveis de prevenir, outras não, mas o que importa é tentar sempre oferecer a segurança para nossos pequenos!

O que fazer?

Levar a criança para o hospital o mais rápido possível. Um médico Ortopedista irá determinar se não há fratura ou danos mais graves.
Em geral, não há dor à palpação do cotovelo e nem inchaço. A radiografia não é necessária se não há sinais de fratura no exame físico, pois na pronação dolorosa a radiografia aparece normal apesar do deslocamento do rádio.

Tratamento

Após acalmar a criança e os pais e estabelecer uma relação de confiança, o médico realiza uma manobra, chamada de redução , que é bastante simples, sendo realizada no consultório, sem necessidade de qualquer anestesia.
É realizada rodando o antebraço para colocar a mão virada para cima e depois flectindo o cotovelo enquanto segura o braço – pode sentir um click (isto pode causar um breve desconforto, mas em geral a criança recupera rapidamente a movimentação do braço). Pedimos para os pais aguardarem na recepção por uns 15 minutos e na reavaliação a criança já está utilizando normalmente a mão. Habitualmente não há necessidade de nenhum tipo de imobilização ou fisioterapia após a redução, porém algumas crianças permanecem com desconforto, mesmo após a redução, talvez pelo cotovelo ter sofrido o deslocamento e machucado o ligamento. Nestes casos imobilizamos com tala gessada, prescrevemos medicação para dor e reavaliamos em 03 dias. Algumas crianças têm maior predisposição a esta lesão e os episódios podem ser recorrentes. Isto não é motivo para preocupação, pois as lesões devem cessar com o crescimento da criança, não deixando nenhuma sequela.

Prevenção

Evita puxar a criança pelas mãos conforme explicado anteriormente, especialmente se esta já tem história de pronação dolorosa. Neste caso orienta também a educadora, os parentes e as outras pessoas que terão contato com a criança.

Assista ao vídeo abaixo para saber mais:

Fonte: por Ailim Cabral / Saúde / Revista do Correio / Revista Crescer

 

 


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