Há muita coisa a influenciar quem classifica os exames. Até a letra dos alunos

Julho 6, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ a Leonor Santos no dia 24 de junho de 2017.

 

A especialista em avaliação, Leonor Santos, considera que os exames não contribuem para as aprendizagens e também que não garantem a equidade. Por isso é contra este tipo de provas tal como elas são feitas em Portugal.

Clara Viana

Trabalhos de grupo, com uma componente oral, ou projectos de investigação prolongados no tempo podem ser uma alternativa aos exames de Matemática que conhecemos. Quem o diz é Leonor Santos, especialista em avaliação das aprendizagens, responsável pelo mestrado em Educação da Matemática, do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

Leonor Santos deixa ainda um aviso: o programa da disciplina, em vigor no ensino básico, é “um crime” e deve ser alterado quanto antes.

Os exames são um instrumento útil da avaliação das aprendizagens a Matemática?

Não há evidência de que a existência de um exame contribua para as aprendizagens. A investigação, e a nossa própria experiência pessoal, mostram, aliás, que o estudo intensivo que se faz nas vésperas de exame traz alguma aprendizagem, mas que esta é de curta duração. Não creio que seja essa a razão principal para existirem exames. Podemos ter argumentos de natureza social, por exemplo, o dos exames serem uma prestação de contas ou de fornecerem elementos que identifiquem a qualidade ou não do sistema educativo.

Mas do meu ponto de vista esse objectivo não se alcança através de exames, mas sim de provas de aferição que, aliás, voltaram, o que vejo com muito agrado. São instrumentos importantes para revelar o próprio sistema educativo, servem para identificar as dificuldades principais dos alunos e permitem, inclusivamente, que se façam alterações fundamentadas nos currículos.

Mas os exames também não permitem que tal se faça?

Não é esse o seu objectivo. Os exames, o que pretendem é certificar as aprendizagens realizadas e ver quais os alunos que são capazes de ter um desempenho satisfatório ou bom e quais aqueles que não capazes de ter. Só que, na minha perspectiva, o sucesso escolar não é igual a aprendizagem. O sucesso escolar é ter bom aproveitamento, mas nem sempre um aluno que aprendeu tem necessariamente um bom desempenho numa prova que é limitada no tempo e que tem algumas características particulares, como acontece com os exames.

A diferença entre as provas de aferição e os exames é que as primeiras não contam para a nota.

A diferença é enorme porque os propósitos destas provas são distintos. O exame é uma prova que tem por objectivo classificar e hierarquizar os alunos. Enquanto as provas de aferição têm como preocupação fornecer informação detalhada às escolas sobre o desempenho dos alunos, o que pode constituir mais um elemento sobre o que há a regular, sobre aspectos a que é preciso dar mais atenção, etc. E, portanto, existe a preocupação de se dar um contributo para melhorar o ensino e, consequentemente, as aprendizagens dos alunos. O que não acontece com os exames. Sabemos que o que sai no exame vai influenciar grandemente o trabalho do professor em sala de aula. A existência de exames tem o efeito de reduzir o currículo aos conteúdos que saem na prova. Portanto, traduz-se num ensino muito centrado na preparação para esta avaliação.

A professora é contra a existência de exames seja em que nível for, mesmo no ensino secundário?

Os exames não contribuem para as aprendizagens e também não garantem a equidade entre os alunos. Antes pelo contrário. Por isso não, não estou de acordo com a existência destas provas.

Mas o argumento de que os exames promovem a equidade é recorrentemente utilizado pelos defensores desta forma de avaliação

Pois é, mas eu acho o contrário. Penso que os exames aprofundam a desigualdade. E porquê? Até chegarem àquele momento do exame, os alunos têm experiências que foram muito distintas. Nem todos trabalharam os mesmos temas com o mesmo nível de profundidade. Tiveram professores distintos, ensinos distintos e chegam ali com um passado muito diferente. Não é o facto de existir uma prova única para todos, num mesmo momento, que garante a equidade.

Podem dizer que os exames servem para responder a uma necessidade, que a sociedade sente, de que haja uma prova e resultados com garantias de objectividade, já que as classificações são dadas por um grupo de avaliadores que seguem os mesmos critérios de correcção. Mas também isto é uma fantasia. Se assim fosse não havia recursos de exames, porque as pessoas não iam gastar dinheiro a pedir a revisão de provas se com esta se não houvesse mudanças nas classificações.

Na revisão das provas geralmente as classificações sobem.

E porquê? Isto acontece não porque os primeiros classificadores tenham agido de forma incorrecta, mas porque somos humanos e temos atitudes diferentes que podem influenciar o modo como se aplicam os critérios de avaliação. Há investigação que já demonstrou que a preocupação dos avaliadores que estão a classificar pela primeira vez é a de manter os mesmos critérios para todas as provas. Mas quando está a fazer uma revisão de prova, a sua atitude é completamente diferente: tenta aproveitar tudo o que for possível.

Isso não quer dizer que aplique critérios de correcção diferentes daqueles que constam do referencial, mas por mais pormenorizados que estes sejam existe uma grande margem de decisão do próprio avaliador e isso é incontornável.

Os investigadores que têm estudado estas questões chegaram à conclusão que um classificador é sujeito a dois efeitos enquanto está a classificar as provas, sejam elas de exame ou testes dos seus próprios alunos. São os efeitos de assimilação e o de contraste.

E isso quer dizer o quê?

Comecemos pelo efeito de contraste. Foi constatado que um classificador quando se depara com uma prova de qualidade elevada, acima da média, vai ser mais exigente com a prova que vai ver a seguir. E o efeito contrário também se dá: quando encontra uma prova de nível muito baixo, na seguinte é mais permissivo. E quando se diz mais exigente e mais permissivo não se está a dizer que não respeite os critérios de avaliação. As decisões que se tomam para além do que está definido é que são diferentes.

Quanto ao efeito de assimilação o que este põe em evidência é quando se olha para uma prova, mesmo que esta seja anónima como é o caso dos exames, se infere um conjunto de coisas sobre a pessoa que a fez. Por exemplo, se é uma prova toda rasurada, em que se escreveu tudo encavalitado, involuntariamente, e inconscientemente, pensa-se que esse aluno tem as ideias muito confusas. Se, pelo contrário, for uma prova muito direitinha, sem rasuras, com uma letra bem-feita, infere-se que deve ser um aluno com bom desempenho. E estas informações vão, uma vez mais, ter efeito sobre a maneira como se aplica os critérios de correcção. Se for um aluno que tem um desempenho elevado somos mais tolerantes do que para aqueles que achamos que têm desempenhos baixos.

Para além das provas de aferição, que outro tipo de avaliação é que pode ser mais útil no que respeita às aprendizagens a Matemática?

Há desafios na avaliação externa que, com o tempo, podemos procurar enfrentar. Não há nenhuma teoria que diga que um exame tem de ser uma prova escrita, feita em tempo limitado, individualmente. Pode ser de outra maneira. Pode ter uma componente de trabalho colectivo, pode ter uma componente de trabalho oral, pode ser uma tarefa que seja mais da natureza de trabalho de projecto ou uma tarefa de investigação — em Matemática, faz todo o sentido —, em que o tempo não é um elemento informativo da maior ou menor capacidade que o aluno tenha.

Por exemplo, na Suécia realizaram-se provas orais feitas por grupos de alunos, em que lhes era dada uma proposta de trabalho de natureza investigativa, que eles exploravam e depois tinham de explicar como tinham feito e porque tinham feito dessa maneira. Qual é a grande vantagem destas alternativas? A vantagem é que permite testar capacidades matemáticas que fazem parte do que é expectável o aluno desenvolver e que não são possíveis de serem consideradas numa prova escrita com tempo limitado. E, se assim for, o tal fenómeno, que referi há pouco, do exame contribuir para reduzir o currículo já não acontece da mesma forma. Se existir uma prova oral em que os alunos têm que evidenciar a sua capacidade de raciocínio matemático e comunicação matemática então o professor tem de se preocupar em desenvolver essas capacidades ao longo do ano.

Mas este tipo de exames contam para avaliação?

Um exame conta sempre para a avaliação. Como já disse, é uma prova que tem por objectivo classificar e hierarquizar os alunos.

Que avaliação faz dos programas que estão em vigor?

O programa do ensino básico de Matemática foi mudado [pela anterior tutela] de forma radical em termos do que é que se entende que é saber matemática. De uma forma muito simplista, diria que uma grande orientação do programa de 2007 era a de que os alunos soubessem matemática com compreensão, percebendo o que estavam a fazer. Neste novo programa o que importa de facto é ter um grande domínio de cálculo e a compreensão virá mais tarde, quando o aluno for mais maduro. Tem coisas absolutamente desadequadas para o nível etário dos alunos. Estes memoriam, aprendem a fazer, mas de facto não compreendem. Isto não é saber matemática.

Defende a revisão do programa?

Defendo de uma forma absolutamente categórica que o programa devia ser quanto antes alterado. O que estamos a fazer é um crime relativamente aos alunos do ensino básico.

 

Sessão de Esclarecimento sobre Bullying com Leonor Santos do IAC

Maio 26, 2014 às 12:05 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Sessão de esclarecimento sobre bullying com a Dra. Leonor Santos Coordenadora do Sector da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança e do Sector da Actividade Lúdica do Instituto de Apoio à Criança na Junta de Freguesia de Alcântara. Entrada livre.

 

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Brincar na Universidade Sénior

Abril 1, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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Ação realizada pelo sector da Actividade Lúdica do Instituto de Apoio à Criança.

Participámos na Universidade Sénior da Junta de Freguesia de Alcântara a convite da Dra. Patrícia, coordenadora do módulo de Saúde, onde contámos com a participação de 30 alunos ao longo de duas sessões. Estas tiveram como mote “Brincar ao longo dos tempos” e como objetivo reforçar a importância do brincar e a intergeracionalidade da atividade lúdica.

Refletimos sobre o Brincar, como primeira atividade que a criança realiza com liberdade e prazer e sobre a participação cada vez maior que os avós têm na vida e educação das crianças.
Conversámos ainda sobre a aquisição de brinquedos e jogos para as diferentes faixas etárias e a sua qualidade e também sobre a seleção e os perigos das novas tecnologias, nomeadamente a internet e os videojogos. Neste ponto, abordou-se a necessidade de manter sempre uma atitude vigilante: mais do que controlar, é estar atento e envolver-se nos assuntos das crianças, saber do que trata cada site ou jogo.
Recordámos ainda como se brincava antigamente, de modo a perceber a evolução das brincadeiras nos dias de hoje e refletir sobre o universo lúdico atual das crianças. Partilhámos recordações de infância, criaram-se momentos de alegria e de prazer, nos quais se reviveram memórias e se contaram histórias!

“Quando eu era miúdo, nós é que fazíamos os brinquedos: a bola de trapos, a bilharda, o botão e aprendíamos a fazer, com as canas, cavalos, moinhos, cachimbos, gaiolas … e às vezes lá ganhávamos um boneco na loja.”   João dos Santos

Leonor Santos
Coordenadora da Actividade Lúdica

Veja o vídeo que preparámos sobre esta ação!

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Newsletter da ITLA – Outubro 2013

Dezembro 19, 2013 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A International Toy Library Association (ITLA) lançou a sua newsletter  de Outubro. Neste número pode encontrar diversos artigos sobre o movimento ludotecário internacional e um artigo especial sobre a época natalícia que se aproxima.

ITLA Newsletter

Agosto 7, 2013 às 8:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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A International Toy Library Association (ITLA) lançou a sua newsletter de Junho. Neste número pode encontrar diversos artigos sobre o movimento ludotecário internacional e mais informações sobre a reunião da Direção da ITLA, que teve lugar em Lisboa.

Descarregar a ITLA Newsletter Aqui

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Brincar no Hospital – Hospital D. Estefânia

Julho 11, 2013 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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As crianças que estão doentes têm problemas, sofrem, mas têm também necessidade de rir, de sonhar, improvisar, imaginar, esquecer o tempo e o espaço brincando e jogando e utilizando a sua criatividade! No Dia Internacional do Brincar/Jogar estivemos no Hospital D. Estefânia!

A ida ao hospital é vivida pela criança como uma experiência impressionante durante a qual vai aprender a conhecer o meio hospitalar: os lugares, os cheiros, os sabores, o ritmo de vida, as pessoas desconhecidas, os objetos desconhecidos, as máquinas,…
A atividade lúdica é fundamental para o desenvolvimento equilibrado da criança pois permite-lhe restaurar a sua segurança.

Adaptar o hospital às necessidades das crianças traduz a vontade dos adultos em encontrá-las no seu espaço. É importante desenvolver um espírito de brincar no seio da instituição hospitalar de forma global. Por espírito de brincar, entende-se que toda a equipa do hospital considere o brincar como uma necessidade vital da criança, uma fonte de prazer que favorece a expressão pessoal. Na instituição, é necessário que o brincar faça parte integrante da terapêutica e do ambiente geral. Abrir a porta do hospital à atividade lúdica permite que a criança compreenda quase instantaneamente, o esforço feito pelo serviço para a acolher. É como se fosse um sinal intermitente “Aqui as crianças são bem-vindas!”.

Brincar “aos médicos”, aos ”doentes”, com as bonecas, os ursos, os companheiros de quarto, com batas, máscaras, estetoscópios, seringas, etc., a criança brinca e representa a sua própria condição de criança hospitalizada. Por este meio ela encontra mecanismos para enfrentar os seus medos e angústias. Estimular tais brincadeiras é auxiliá-la na sua recuperação.

No Dia Internacional do Brincar/Jogar estivemos no Hospital D. Estefânia! Veja o nosso vídeo em baixo!

Leonor Santos

 

 

Depoimentos de homenagem ao Dr. Coelho Antunes

Janeiro 15, 2013 às 5:36 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Dra. Leonor Santos, Coordenadora dos setores IAC- Humanização e IAC- Atividade Lúdica

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Dra. Matilde Sirgado, Coordenadora do setor IAC- Projecto Rua

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Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança)

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Dr. José Brito Soares, coordenador do Centro de Estudos, Documentação e Informação sobre a Criança (CEDI) do Instituto de Apoio à Criança

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Dra. Paula Duarte, coordenadora do Fórum Construir Juntos (FCJ) do Instituto de Apoio à Criança

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1º Seminário Brincar em Portugal

Novembro 6, 2012 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No mês de novembro vamos dar um pulo até Leiria e participar no I Seminário do “Brincar em Portugal”, do qual o Setor da Atividade Lúdica do Instituto de Apoio à Criança é parceiro. Não perca a nossa sessão de abertura para “Brincar com imaginação, despertando memórias” e descubra, ainda, connosco o “Porquê falar do brincar?”, “Momentos lúdicos em família” e “Dia Internacional do Brincar”.

Mais informações na página do Facebook dos Embaixadores do Brincar

Conversas com… 28 de Maio Dia Internacional do Brincar com Leonor Santos sobre as “Idades para Brincar”

Maio 24, 2012 às 9:00 pm | Publicado em Actividade Lúdica, Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações Aqui

Faleceu o Professor Doutor Jaime Salazar de Sousa

Março 29, 2012 às 2:45 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Pediatra, excelente profissional e defensor incondicional dos Direitos da Criança em Portugal.

Membro do Sector da Humanização desde 1996, integrou o Conselho Consultivo deste sector, participando activamente em todas as acções.

Relembro o Professor Jaime Salazar de Sousa como um homem generoso que dedicou grande parte da sua vida à Criança e aos seus direitos. Persistente, discreto e de uma entrega total e desinteressada.

Professor, tenho saudades das nossas conversas!

Leonor Santos Coordenadora do Sector da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança

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