As crianças podem mesmo beber leite?

Março 27, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia e imagem do Expresso de 10 de março de 2019.

Joana Nunes Mateus

Controvérsia. São tantas as informações contraditórias sobre os malefícios e benefícios do leite que os pais já não sabem se devem dar laticínios aos filhos.

Quem nunca se perguntou se os iogurtes, o leite ou o queijo não desaparecem demasiado depressa do frigorífico quando os filhos chegam a casa esfomeados depois das aulas? E quantos pais não estarão perdidos perante o fogo cruzado de opiniões contraditórias sobre os benefícios e os malefícios do leite? Afinal, devemos ou não incentivar as crianças e os jovens a consumir laticínios?

Para esclarecer todas estas questões, o Expresso começou por bater à porta da Comissão de Nutrição da Sociedade Portuguesa de Pediatria. Esta defende que “o leite é um excelente alimento, não sendo aceitáveis campanhas contra a sua utilização tendo por base argumentos não fundamentados cientificamente”.

Em causa está um alimento completo, rico em proteínas de alto valor biológico, hidratos de carbono, lípidos, vitaminas e minerais, particularmente cálcio, “sendo por isso de grande importância nutricional ao longo de todo o ciclo de vida e muito particularmente ao longo dos períodos de aceleração de crescimento a partir da idade pré-escolar, com destaque para o período da adolescência, fase da vida em que aumentam as necessidades em todos os nutrientes”.

Leitinho à noite é que não

Por parte da Ordem dos Médicos Dentistas, o presidente da mesa do conselho geral e professor universitário, Paulo Ribeiro de Melo, acrescenta que não é só o leite materno a ter várias propriedades antibacterianas. “Sem dúvida que o leite de vaca protege e não faz mal à saúde oral. O efeito protetor do leite para evitar o aparecimento de cárie dentária é muito importante nas crianças e nos jovens, principalmente para os dentes de ‘leite’ e para os dentes permanentes que nascem até aos 12-14 anos”.

“Falamos de osteoporose após os 50, mas, em boa verdade, a massa óssea constrói-se até aos 18 a 20 anos. A adolescência é um período muito importante uma vez que se regista um incremento de 60% do seu valor. O que não for feito até essa idade… nunca mais será!”, alerta Carla Rêgo, coordenadora do Estudo do Padrão Alimentar e de Crescimento Infantil e presidente do Grupo Nacional de Estudo e Investigação em Obesidade Pediátrica.

Esta pediatra explica que as crianças podem consumir até 400 a 500 mililitros de produtos lácteos por dia e os adolescentes 500 a 600 mililitros. Mas atenção: o leite é um alimento e não deve ser usado como uma bebida. Deve ser fracionado em snacks duas a três vezes por dia. Por exemplo, um copo de 125 mililitros de leite, um iogurte ou uma fatia de queijo de cada vez.

“Não se consegue ir buscar cálcio e vitamina D a mais nenhum outro alimento na concentração que existe no leite e derivados. É por isso que a sua eliminação da dieta poderá comprometer irreversivelmente a massa óssea. Os vegetais têm cálcio, mas para obter a concentração de um iogurte, teriam de se ingerir 600 gramas de brócolos já que o cálcio dos vegetais é menos biodisponível do que o do leite”, explica a pediatra.
Daí que esta professora das Faculdades de Medicina da Universidade do Porto e da Universidade Católica Portuguesa considere não haver qualquer problema quando o leite tem algum cacau ou cevada para convencer a criança a ingeri-lo: “Modere-se a quantidade de leite oferecido e regrem-se os outros hábitos!”. É o caso dos sumos, refrigerantes, doces, sobremesas…

Tal como os outros alimentos, os laticínios devem é ser consumidos com conta, peso e medida. “A ingestão de volumes demasiado elevados de leite (superiores a 500 mililitros/dia) ou a persistência do biberão da noite (o leitinho à ida para a cama), a partir dos 12 meses, são dois fatores associados ao maior risco de obesidade em idade pediátrica”. Aliás, “é devido a este efeito anabólico do leite que os atletas de competição o usam como refeição ‘pós-treino’, sendo uma excelente fonte de proteína de alto valor biológico”.

Alternativas vegetais

E quanto às crescentes bebidas de arroz, aveia, soja, etc.? A pediatra Carla Rêgo diz não haver qualquer problema para uma criança se ela gostar, ocasionalmente, de beber bebidas vegetais. Mas esclarece: não se trata de leites, mas de “sumos” vegetais. Neste contexto, há três regras a cumprir no seu consumo pelos mais novos. “Primeiro, nunca se deve usar bebidas vegetais abaixo dos três anos de idade. Segundo, não se deve assumir que elas substituem o leite. Terceiro, não se deve esquecer que têm elevado teor de açúcar e baixo valor energético e proteico, podendo comprometer o crescimento”.

A Comissão de Nutrição da Sociedade Portuguesa de Pediatria acrescenta que a dieta deve ser equilibrada e variada, respeitando a roda dos alimentos que inclui o leite e derivados: “Estes não devem ser substituídos na alimentação por bebidas vegetais, em geral desequilibradas e nutricionalmente mais pobres, nem por sumos habitualmente muito ricos em açúcares”.

Carla Rêgo deixa ainda um alerta aos jovens vegetarianos, sobretudo vegans: “A alimentação deve ser variada, incluindo alimentos de todos os grupos. A exclusão de alimentos de um grupo, como por exemplo o dos laticínios, pode implicar um compromisso nutricional para a vida, sobretudo em fase de crescimento e desenvolvimento, que nem sempre é compensado pelos suplementos de vitaminas e minerais”.

 

 

 

 

 

Distribuição de leite, fruta e legumes recomeça nas escolas da UE

Setembro 9, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia do Público de 3 de setembro de 2018.

O orçamento total deste programa é de 150 milhões de euros para a fruta e os legumes e 100 milhões de euros para o leite e outros produtos lácteos em cada ano lectivo.
Lusa
O programa de distribuição de fruta, legumes e leite nas escolas da União Europeia (UE) recomeça este mês, a par do início do ano lectivo 2018/2019 nos 28 Estados-membros, divulgou esta segunda-feira a Comissão Europeia.
Mais populares

O orçamento total deste programa é de 150 milhões de euros para a fruta e os legumes e 100 milhões de euros para o leite e outros produtos lácteos em cada ano lectivo.
Este programa, no qual participam todos os Estados-membros, visa encorajar hábitos alimentares saudáveis junto das crianças e inclui a distribuição de fruta, legumes e produtos lácteos, bem como programas educativos específicos para sensibilizar os alunos para a importância de uma boa nutrição e explicar-lhes como os alimentos são produzidos.

Escolas passam a disponibilizar “leite vegetal” e fruta chega a mais crianças Fruta em vez de bolachas e pausas para alongamentos. São algumas das dicas da OMS para reuniões saudáveis
Autarquias devem dar fruta ao lanche às crianças todos os dias, defendem os nutricionistas.

Até 2023, Portugal por receber, anualmente, um máximo de 6,73 euros por aluno do primeiro ciclo para a distribuição de fruta e legumes e quatro euros para leite e produtos lácteos.

No ano lectivo 2017/2018, graças ao aumento do número de escolas participantes, mais de 30 milhões de crianças em toda a UE puderam beneficiar desta iniciativa em favor de uma alimentação saudável.

Leite de vaca é introduzido demasiado cedo na alimentação dos bebés

Junho 11, 2013 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do dnoticias.pt de 1 de Junho de 2013.

Indica o Estudo do Padrão de Alimentação e de Crescimento na Infância

Cerca de 20% das famílias portuguesas da zona norte introduzem o leite de vaca demasiado cedo na alimentação das crianças, ou seja, antes dos 12 meses, revela o Estudo do Padrão de Alimentação e de Crescimento na Infância (EPACI).

A pediatra e coordenadora do estudo, Carla Rêgo, explicou que o leite de vaca (pasteurizado e UHT) tem uma composição nutricional inadequada para esta idade, com um baixo teor de ferro e um elevado teor proteico, e nunca deve ser utilizado, pelo menos, no primeiro ano de vida.

O EPACI é um trabalho de âmbito nacional, que envolveu cerca de duas mil crianças, apoiado pela Direção Geral de Saúde, pelas Administrações Regionais de Saúde, pela Faculdade de Medicina do Porto e pela Universidade Católica.

Segundo Carla Rêgo, este é o maior estudo do género alguma vez feito em Portugal e tem como objetivo retirar conclusões sobre a obesidade na infância e gerar linhas de orientação para a comunidade médica.

É representativo do país, mas nos dados hoje divulgados no Porto só estão reportados os obtidos na região norte. Em setembro serão divulgados os dados globais.

Segundo a coordenadora do EPACI, “este trabalho foi realizado porque se sabe que a alimentação e a forma como se cresce nos primeiros anos de vida são determinantes para a saúde futura”.

“É sabido que quando existe um grande aumento de peso, por exemplo no primeiro ano de vida, ou quando se ultrapassa os 2/3 anos com excesso de peso muito marcado, a probabilidade de vir a ter tensão arterial elevada, de desenvolver obesidade ou doença cardiovascular é maior do que se isso não acontecer”, explicou.

O estudo revelou que há erros que é preciso corrigir, mas revelou também “há muita coisa bem feita em Portugal”, nomeadamente a idade da diversificação alimentar (introdução de outros alimentos) e o facto de essa diversificação se iniciar com a sopa.

“Quarenta e cinco por cento das nossas crianças iniciam pela sopa de vegetais. Outra coisa que se faz muito bem é o fracionamento das refeições, come-se cinco ou seis vezes ao dia. A introdução da carne também ocorre no período certo, ao sexto mês”, sustentou.

Um outro aspeto que se destacou pela positiva é relativo ao consumo de fruta, “92,5% das nossas crianças consomem fruta diariamente, o que é espetacular”, frisou a pediatra.

Pela negativa salientou a introdução dos vegetais no prato, que ocorre tardiamente, ao contrário do consumo de sumos, com ou sem gás, que é “extremamente elevado” e começa “demasiado cedo”.

Menos bom é também o “tempo de aleitamento materno”, que é de “apenas três meses e meio”, provavelmente devido à obrigatoriedade do regresso das mães ao trabalho. A Organização Mundial de saúde e o comité de nutrição europeu recomendam o leite materno em exclusivo até o mais próximo possível do sexto mês.

Os dados foram recolhidos através de entrevista e de avaliação de cada criança entre os 12 e os 36 meses. Os dados que reportam ao primeiro ano de vida são dados recolhidos do boletim infantil.

“No fundo, este estudo tem uma componente retrospetiva relativa ao primeiro ano de vida e tem uma componente de avaliação transversal relativa aos 12/36 meses. Todas as crianças foram pesadas, o inquérito alimentar foi feito a todas dos 12 aos 36”, explicou a médica.


Entries e comentários feeds.