Legumes e frutas sempre e para todos

Outubro 1, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Paula Veloso publicado no site Educare de 18 de julho de 2018.

Os vegetais ou frutas em conserva ou congelados podem ter-se de reserva para quando o tempo não chegou para os comprar frescos. É, sem dúvida, preferível consumi-los desta forma do que não os comer.

Os legumes e as frutas são alimentos muito atraentes pelas suas cores, formas, cheiros e sabores. No entanto, muitas crianças, jovens e até adultos não têm hábito de os consumir apesar das inúmeras campanhas que aconselham a que comam estes alimentos todos os dias. Na prática, idealmente devem ingerir duas peças de fruta e 300 g de legumes ou três peças de fruta e 200 g de legumes todos os dias, tendo o cuidado de os variar.

A vida apressada que cada vez mais somos obrigados a viver deixa-nos pouco tempo para os comprar frescos e para a sua preparação, substituindo-os muitas vezes por produtos prontos a comer (“de pacote”) cujo consumo é largamente estimulado por uma publicidade cada vez mais apelativa.

Há alternativas?
Os vegetais ou frutas em conserva ou congelados podem ter-se de reserva para quando o tempo não chegou para os comprar frescos. É, sem dúvida, preferível consumi-los desta forma do que não os comer.

Entre os vegetais conservados, os congelados são os que preservam mais as suas características nutricionais desde que sejam respeitadas todas as regras de congelação (geralmente não necessitam de descongelação prévia). Quanto aos produtos em lata ou frasco, normalmente já cozidos, podem conter teores de sódio ou açúcar razoáveis, o que deverá ser tido em atenção nomeadamente por quem sofre de hipertensão arterial ou diabetes.
Cebola ou alho picados, bróclos, couve-flor, feijão-verde, milho, cogumelos, espinafres, ervilhas, favas, alho-francês ou castanhas são alguns exemplos de alimentos congelados que permitem confecionar uma infinidade de pratos em tempo recorde. Também as leguminosas (grão, feijão, favas, ervilhas) e os frutos enlatados, desidratados ou secos deverão estar sempre presentes na nossa despensa. Nos frutos enlatados deverá desperdiçar-se a calda em que vêm mergulhados.

Como convencer as crianças e os jovens a comê-los?
Uma boa forma de consumir vegetais é em sopas. Mas atenção, os pais têm de dar o exemplo!
As crianças são especialmente atraídas pela cor. Para obter pratos coloridos, cortam-se os legumes miudinhos e misturam-se em massas, arroz ou picados ou ainda dissimulados num molho de pizza, por exemplo. A pizza não é necessariamente um mau alimento, sobretudo quando preparada em casa com massa de pão e usando alimentos com pouca gordura na sua preparação. Os frutos podem ser ingeridos em simultâneo com o prato principal, em sumos, batidos de leite ou incorporados num iogurte como sobremesa.

Qual a importância deste grupo de alimentos?
O grupo dos frutos e produtos hortícolas é, na roda dos alimentos, o grande fornecedor de vitaminas e sais minerais. São alimentos de baixo teor calórico e, por serem ricos em fibras, contribuem para a saciedade, sendo por isso muito importantes na prevenção e combate à obesidade. As vitaminas, embora não forneçam energia, intervêm no seu fabrico bem como na maior parte dos processos metabólicos. Apesar de o organismo necessitar de pequenas quantidades destas substâncias, elas são vitais. Uma alimentação deficiente nestes nutrientes pode conduzir a um mau funcionamento de diversos órgãos ou tecidos, em que se incluem, entre muitos outros, pele, unhas ou olhos. A ingestão aumentada destas substâncias deve fazer-se através de um maior consumo de frutos e legumes e não através de medicamentos uma vez que o seu consumo excessivo pode também ser prejudicial.

Na era da globalização é hoje possível comer morangos em dezembro, laranjas em junho, frutas ou legumes das paragens mais distantes… Há alguma vantagem em consumir as frutas da época?
Continuo a achar que é preferível consumir alimentos da época e de preferência produzidos localmente. Isso implica maior garantia das suas qualidades nutricionais, menor recurso a processos artificiais de conservação e, normalmente, um preço mais baixo. No entanto, também é importante variar e acima de tudo comê-los diariamente!

Paula Veloso Nutricionista e autora de Dietas sem DietaDieta sem Castigo e Peso, uma questão de peso.

 

Distribuição de leite, fruta e legumes recomeça nas escolas da UE

Setembro 9, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 3 de setembro de 2018.

O orçamento total deste programa é de 150 milhões de euros para a fruta e os legumes e 100 milhões de euros para o leite e outros produtos lácteos em cada ano lectivo.
Lusa
O programa de distribuição de fruta, legumes e leite nas escolas da União Europeia (UE) recomeça este mês, a par do início do ano lectivo 2018/2019 nos 28 Estados-membros, divulgou esta segunda-feira a Comissão Europeia.
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O orçamento total deste programa é de 150 milhões de euros para a fruta e os legumes e 100 milhões de euros para o leite e outros produtos lácteos em cada ano lectivo.
Este programa, no qual participam todos os Estados-membros, visa encorajar hábitos alimentares saudáveis junto das crianças e inclui a distribuição de fruta, legumes e produtos lácteos, bem como programas educativos específicos para sensibilizar os alunos para a importância de uma boa nutrição e explicar-lhes como os alimentos são produzidos.

Escolas passam a disponibilizar “leite vegetal” e fruta chega a mais crianças Fruta em vez de bolachas e pausas para alongamentos. São algumas das dicas da OMS para reuniões saudáveis
Autarquias devem dar fruta ao lanche às crianças todos os dias, defendem os nutricionistas.

Até 2023, Portugal por receber, anualmente, um máximo de 6,73 euros por aluno do primeiro ciclo para a distribuição de fruta e legumes e quatro euros para leite e produtos lácteos.

No ano lectivo 2017/2018, graças ao aumento do número de escolas participantes, mais de 30 milhões de crianças em toda a UE puderam beneficiar desta iniciativa em favor de uma alimentação saudável.

Como a ciência explica a aversão das crianças a legumes e verduras

Fevereiro 1, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.bbc.com/portuguese/ de 10 de janeiro de 2017.

Na Pré-história, os filhotes dos primeiros hominídeos corriam sérios perigo ao começarem a andar sozinhos e ganharem mais autonomia – tornarem-se presa de animais maiores ou comer alguma coisa desconhecida que pudesse matá-los. Em geral, as plantas tóxicas e desconhecidas tinham uma característica principal em comum: eram verdes e um tanto amargas.

De acordo com cientistas, a aversão aos vegetais que muitas crianças demonstram, especialmente a partir de 1 ano e meio de idade, pode ser ainda um resquício da “regra evolutiva” que visava protegê-los: é verde e desconhecido? Melhor não comer.

“De certo modo, é como se os vegetais não quisessem ser comidos”, disse à BBC a psicóloga Jacqueline Blisset, professora da Universidade de Aston, na Inglaterra, e especialista em comportamento alimentar de crianças nos primeiros anos de vida.

“Eles costumam ter gosto relativamente amargo que, durante a nossa evolução, associamos a toxinas. E também estamos predispostos a comer coisas que têm mais gordura ou açúcar porque são uma boa fonte de calorias, e os vegetais não são.”

Por outro lado, diz Blisset, a resistência a provar novos alimentos, especialmente legumes e verduras, acaba funcionando, nos dias de hoje, mais como um desserviço do que como uma salvaguarda.

“Especialmente no Ocidente, o principal problema atual da dieta é a insuficiência de vegetais e o excesso de açúcar e gordura. Mas o fato de comermos menos vegetais não é algo que nos impede de reproduzir, por exemplo. Então não há pressão evolutiva para que isso mude com as gerações”, afirmou à BBC Brasil.

De um modo geral, crianças até os 18 meses se mostram mais dispostas a provar alimentos novos, desde que oferecidos por um adulto em que elas confiam, segundo a especialista.

A partir desta idade, no entanto, essa disposição diminui, e algumas se tornam mais resistentes a consumir verduras, legumes e, às vezes, frutas.

“Vemos muita rejeição aos verdes. Verde é uma cor que pode indicar a presença de toxinas e geralmente têm o gosto mais amargo. Já as cores amarela, laranja e vermelha tendem a indicar níveis mais altos de açúcar e de gosto doce. Por isso, costumam ser mais bem aceitas”, explica.

Intensidade

As crianças também têm uma experiência de gosto mais intensa do que os adultos, segundo diversos estudos. Por isso, ao provar algumas verduras pela primeira vez, as percebem como mais amargas.

Adultos tendem a ter menos sensibilidade para os diferentes gostos. Por isso, é comum que verduras, legumes ou frutas odiados na infância passem a ser apreciados mais adiante.

Mas como os cientistas conseguem medir exatamente o gosto que verduras e legumes têm para cada um?

“Não conseguimos ter uma medida direta de gosto, só inferir coisas a partir do comportamento das crianças, que mostram mudanças nas preferências. Também fazemos alguns tipos de teste que mostram que elas precisam de menos sal numa solução com água, por exemplo, para perceber a diferença de gosto entre essa solução e a água pura”, explica Blisset.

“Mas é difícil determinar o quanto disso é da evolução humana e o quanto são fatores ambientais e até mesmo genéticos”, afirma.

Isso quer dizer que não só o perigo pré-histórico, mas também a influência da sociedade atual – o comportamento de pais e dos colegas em relação à alimentação, por exemplo – podem tornar as crianças mais ou menos resistentes em relação ao que comem durante os primeiros anos de vida.

Um estudo feito por pesquisadores da University College London (UCL), do Reino Unido, em 2016 concluiu que a genética é responsável por até 50% da disposição da criança (ou falta dela) em experimentar novos sabores, texturas e cores.

A pesquisa foi feita usando dados do maior estudo feito com gêmeos no mundo – são 1.921 famílias que têm bebês gêmeos de 1 ano e meio de idade.

Mesmo assim, a fase é vista como uma etapa normal da evolução do paladar da criança, e, de acordo com Jacqueline Blisset, costuma passar por volta dos sete anos. Por isso, pais não devem entrar em pânico com a possibilidade de seus filhos não consumirem leguminosas.

“Há muitos fabricantes de alimentos envolvidos na seleção desses alimentos para torná-los menos amargos e fazer com que as crianças os aceitem melhor. Mas quando você remove esses gostos, muitas vezes remove também nutrientes que são muito bons para nós”, alerta a especialista.

O que fazer?

Persistência – e uma boa dose de calma – são as chaves para conduzir as crianças pela fase de rejeição a alimentos novos e vencer sua resistência a legumes e verduras.

“Mesmo as crianças que têm predisposição genética a acharem algumas verduras e legumes mais amargos podem aprender a comê-los se forem expostas e na medida em que ficam mais velhas”, diz a psicóloga.

“Os pais costumam desistir muito cedo de dar alguns desses alimentos às crianças porque elas não gostam deles. Você pode começar com os legumes mais doces no começo, como cenoura e tomate, para expandir a dieta delas, e deixar os verdes para quando elas estiverem um pouco maiores e seus gostos mudarem.”

Também vale ser criativo ao expor a criança às verduras, como retirar esses alimentos do contexto da refeição e deixar que o garoto ou garota comece simplesmente brincando com eles.

“Se a criança for muito resistente, é bom deixá-la tocar, cheirar e até inventar desenhos com a verdura ou legume. Além disso, é importante que elas vejam os pais consumindo esse alimento, é claro.”

Outra estratégia que funciona nos casos mais dramáticos, segundo Blisset, é oferecer pequenas recompensas, como adesivos, quando a criança experimentar algo novo. Mas atenção: a prática não deve ser frequente demais e a recompensa não deve ser doce ou sobremesa.

“As crianças aprendem rápido as regras que criamos sobre comer. Há alguns estudos que mostram o entendimento que as crianças têm de ganhar uma sobremesa se comerem os vegetais. Eles entendem que a comida que precisam comer primeiro sempre terá um gosto ruim, mas que a outra é boa. Então é preciso tomar cuidado”, afirma.

“O mais importante, no fim das contas, é diminuir a pressão. Não se preocupe demais com isso, não transforme a hora do almoço em um campo de batalha, não pressione demais seu filho a experimentar.”

*Colaborou Camilla Costa, da BBC Brasil em São Paulo.

 

 

 

Estudo revela que 6 em cada 10 crianças portuguesas não ingerem fruta e legumes

Outubro 8, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.dnoticias.pt/ de 25 de setembro de 2017.

A Madeira ocupa o terceiro lugar com 69,8% de crianças nesta situação

Sandra Ascensão Silva

Um estudo da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI) revela que 65% das crianças em Portugal, entre os 2 e os 10 anos, não cumpre a recomendação internacional da Organização Mundial de Saúde (OMS) para uma ingestão mínima de três porções de fruta e duas porções de legumes diárias. Esta é uma das principais conclusões do mais recente estudo divulgado pela (APCOI) que aponta o grupo etário dos 6 aos 7 anos o que registou um maior consumo de fruta e de legumes inferior às recomendações com uma percentagem de 68,2%. +

O estudo também observou as diferenças regionais relativamente à ingestão de fruta e legumes, tendo observado que a Região dos Açores apresentou a maior percentagem de crianças com consumo inferior às recomendações com 84,7%, seguindo-se a Região do Algarve com 78,2%, a Região da Madeira com 69,8%, a Região de Lisboa e Vale do Tejo com 66,8%, as Regiões do Norte e do Alentejo ambas com 63,4% e por fim a Região Centro com 62,5%.

Os investigadores concluíram que 85,8% dos alunos almoça diariamente no refeitório da escola e que mais de metade desses alunos (54,5%) que refere não incluir legumes no prato também não chega a atingir a recomendação da OMS para a ingestão de pelo menos 2 porções de legumes por dia.

Por outro lado, os dados demonstram também que as crianças obesas são as que menos legumes ingerem, com uma prevalência de 38,3% de consumo inferior às recomendações.

Mudanças nos hábitos dos alunos participantes no projecto ‘Heróis da Fruta’

A equipa de investigadores da APCOI, analisou os efeitos da implementação da 6ª edição do projecto ‘Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável’ nas alterações de hábitos alimentares dos alunos participantes.

Comparando os dados iniciais, com os recolhidos após as 12 semanas de participação no projecto ‘Heróis da Fruta’ observou-se que globalmente 41,9% das crianças aumentou o seu consumo diário de fruta.

Para além disso, observou-se que 43,3% das crianças terminaram a sua participação no projecto com um consumo de fruta de acordo com as recomendações, correspondendo a uma subida de 12,2% comparativamente com os hábitos de consumo que mantinham no momento inicial do projecto.

Todas as regiões verificaram um aumento da prevalência de crianças a reportarem consumir três ou mais porções de fruta após a implementação do projecto, tendo sido a Região do Algarve a registar a maior subida com uma percentagem de aumento de 17,3%. Seguindo-se a Madeira com um aumento de 15,4%, o Norte com 15%, Lisboa e Vale do Tejo com 12,4%, o Centro com 10,6%, os Açores com 10% e finalmente o Alentejo com 8,3%.

Metodologia do Estudo

Esta investigação da APCOI foi realizada junto dos alunos participantes na 6ª edição do projecto ‘Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável’ no ano lectivo 2016-2017. A recolha de dados, através da aplicação de um questionário antes e depois das 12 semanas de intervenção do projecto, foi reportada à APCOI pelos professores e decorreu entre os dias 16 de outubro de 2016 e 20 de janeiro de 2017. A amostra global deste estudo é composta por 17.698 crianças com idades compreendidas entre os 2 e os 10 anos de 388 estabelecimentos de ensino pertencentes a 139 concelhos dos 18 distritos continentais e das duas regiões autónomas: Açores e Madeira.

Inscrições abertas para a 7ª edição do projecto «Heróis da Fruta»

Depois do sucesso obtido no último ano lectivo, já estão a decorrer as inscrições para a 7ª edição do projecto «Heróis da Fruta – Lanche Escolar Saudável» que pretende continuar a melhorar os hábitos alimentares das crianças nas escolas.

“Comer legumes para aumentar os super poderes” é o tema do ano da 7ª edição do projecto, refere Mário Silva, presidente e fundador da APCOI e acrescenta que “tendo em conta as impressionantes estatísticas de sucesso obtidas nos anos lectivos anteriores em relação ao aumento do consumo de fruta nas crianças participantes, será muito interessante estender estes resultados positivos aos legumes e conseguir pôr as crianças portuguesas a comer mais saladas e vegetais no prato, ao almoço e ao jantar, todos os dias”.

A adesão à 7ª edição do projecto «Heróis da Fruta» é gratuita e está disponível para jardins de infância, escolas de 1º ciclo do ensino básico, bibliotecas escolares e ATL’s, públicos ou privados, sendo apenas necessária uma inscrição através do endereço http://www.heroisdafruta.com/ou do telefone 210 961 868 até ao dia 13 de Outubro de 2017.

 

 

Mais de uma em cada quatro crianças tem excesso de peso em Portugal

Janeiro 14, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.educare.pt/ de 27 de dezembro de 2016.

O relatório mencionado na notícia é o seguinte:

Health at a Glance: Europe 2016 State of Health in the EU Cycle

educare

O problema da obesidade infantil é que estas crianças poderão tornar-se adultos obesos, alerta relatório da OCDE.

Andreia Lobo

Entrava no supermercado e Miguel (nome fictício) ia direto à prateleira dos salgadinhos. Com 11 anos adorava os “cheetos”. Um aperitivo de farinha de milho com sabor a queijo. Devorava um pacote antes do jantar. A cena repetia-se diariamente. Até que, numa consulta de rotina, a pediatra ficou chocada com o seu peso. Hoje, Miguel tem 17 anos. Corre diariamente. Come cinco peças de fruta, por dia. E começa a refeição sempre com sopa, seja em casa ou na escola. Mostra uma vontade férrea em não voltar a ser o gorducho que foi até aos 14 anos. À mesa das famílias portuguesas continuam a faltar os legumes. Seja no prato, a acompanhar a carne e o peixe, ou na forma de sopa. As crianças portuguesas estão entre as que mais comem fruta, mas são das que menos comem vegetais. É o que diz o relatório “Health at a Glance: Europe 2016” sobre os hábitos de alimentação saudável nos 28 Estados-membros da União Europeia.

A obesidade das crianças portuguesas recebe uma chamada de atenção dos autores do relatório. Mas não são as únicas a dar motivos de preocupação. “Mais de uma em cada quatro crianças tem excesso de peso na Áustria, Hungria e Portugal e mais de uma em cada três na Grécia e Itália”, lê-se no relatório publicado em novembro pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Em média, 23% dos rapazes e 21% das raparigas dos 28 Estados-membros têm excesso de peso. A tendência é para os rapazes pesarem mais do que as raparigas. Em Portugal acontece o contrário: as raparigas têm mais peso que os rapazes, o valor da obesidade ultrapassa os 30% nelas e fica nos 25% neles. No Reino Unido, Irlanda, Suécia, Suíça e Turquia acontece o mesmo, elas são mais pesadas.

O relatório “Health Behaviour in School-based Children” mostra que entre as crianças e jovens europeus em idade escolar, 21% dos rapazes e 13% das raparigas tinham excesso de peso em 2013/2014. O peso da obesidade nesta faixa variava de 12% na Dinamarca para 30% em Malta. Mundialmente as balanças estão a mostrar valores cada vez mais altos: entre 2001/2002 e 2013/2014 a percentagem de jovens de 15 anos com excesso de peso aumentou de 11% para 18%, entre os países da União Europeia. O problema da obesidade infantil, lembra a OCDE, é que estas crianças poderão tornar-se adultos obesos.

Pouco exercício físico
Quer chova ou faça sol, Miguel não dispensa o exercício diário. Começou a correr aos 15 anos. Tem a sorte de morar junto a um parque público com bastantes subidas e descidas. E é com as corridas que mantém o peso certo.

Segundo o relatório da OCDE, a falta de exercício é também um problema sério. Nas crianças entre os 11 e os 15 anos, em todos os países europeus, a prática de exercício físico tem vindo a diminuir. Os autores deste relatório lembram que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda 60 minutos diários de “atividade física moderada a vigorosa” para as crianças. Poucas o farão. A OCDE alerta que nem sempre existem equipamentos ou espaços para a prática da educação física, mesmo ao nível dos currículos, que possibilitem o cumprimento desta recomendação.

Na UE uma em quatro crianças faz exercício “moderado a vigoroso” regularmente. Os melhores cenários surgem na Finlândia e na Irlanda onde 34% das raparigas e 45% dos rapazes com 11 anos fazem exercício diário pelo menos durante uma hora. Na Bulgária, Croácia, Roménia, República Checa e Espanha, cerca de 35% dos rapazes são fortes praticantes de exercício. Na faixa etária dos 15 anos, lideram os rapazes espanhóis, seguidos dos búlgaros, croatas, irlandeses, luxemburgueses, polacos e checos. As raparigas na Bulgária, República Checa, Finlândia, Letónia e República Eslovaca são as mais ativas.

Relativamente às crianças, Dinamarca, França, Grécia e Itália sãos os países onde menos se pratica exercício. Piores só mesmo os italianos. Tanto os rapazes como as raparigas ocupam as últimas posições, são os mais sedentários quer nos 11 quer nos 15 anos. Preocupante é a redução da prática de exercício verificada à medida que as crianças vão crescendo, ou seja, na passagem dos 11 aos 15 anos. Mais notória no sexo feminino. Em Portugal, na Áustria, Finlândia, Irlanda, Polónia e Eslovénia a percentagem de atividade física entre as raparigas cai em 60%.

Consumo de frutas e legumes
Comer mais fruta e legumes pode ser uma questão, simplesmente, de os ter mais à mão. A exposição a estes alimentos, em casa ou na escola, é um fator importante no aumento do seu consumo. E este é também um indicador de saúde alimentar, reconhecem os peritos da OCDE.

Os jovens de 15 anos surgem na décima posição na lista dos que mais fruta comem nos 28 Estados Membros da UE. Os maiores consumidores de fruta são os rapazes, na Dinamarca, Irlanda, Luxemburgo e Portugal e as raparigas na Áustria, Dinamarca, Irlanda e Itália. Pelo contrário, Grécia, Letónia e Suécia (rapazes e raparigas) e Finlândia (rapazes) são os menores consumidores de fruta, com rácios de uma em quatro para as raparigas e menos de um em cinco para os rapazes.

No que respeita ao consumo diário de legumes em 2013/2014, uma em cada três raparigas e um em cada quatro rapazes diziam-se consumidores diários, nos países da UE. Na Bélgica, 61% das raparigas comem legumes todos os dias, são seguidas pelas colegas da Dinamarca, Irlanda e Holanda, com percentagens de consumo a oscilarem entre os 45% e 50%. A Bélgica continua a liderar o ranking do consumo destes alimentos entre os rapazes (52%), seguida da Irlanda (41%) e da França (40%). Comer vegetais todos os dias é prática menos comum em Espanha, Estónia, Portugal (nas raparigas) e Finlândia e Alemanha (rapazes). As diferenças de consumo entre géneros são maiores na Finlândia, Alemanha e Itália.

Ainda assim, os europeus estão a comer cada vez mais legumes. Nos últimos 14 anos, o consumo médio diário aumentou, entre rapazes e raparigas. O maior aumento, acima dos 10%, foi registado na Dinamarca e na Estónia, em ambos os sexos. Lituânia (rapazes e raparigas), Áustria (raparigas) e Irlanda (rapazes) registaram aumentos na ordem dos 8 a 10%. Já o consumo de fruta registou um aumento de 2001 a 2009, mas começou a diminuir a partir de 2010 entre as raparigas. O consumo aumentou em mais de 10% na Áustria, Dinamarca, Estónia, Grécia, Hungria e Malta, também na Espanha e na Suécia (só entre as raparigas), mas diminuiu na Alemanha e na Polónia.

Face a estes números, a OCDE recomenda aos países que desenvolvam estratégias eficazes para assegurar que o consumo de frutas e vegetais, nas crianças e nos jovens, esteja conforme as diretivas mundiais na área da alimentação. O relatório destaca a atuação realizada no âmbito do programa europeu de consumo de fruta e vegetais na escola. No ano letivo de 2009/2010 o programa foi introduzido em 24 países da União Europeia. Os resultados permitem olhar o futuro com otimismo. “As intervenções ao nível da alimentação nas escolas têm um efeito forte e positivo no consumo de frutas e vegetais entre as crianças”, concluem os autores do relatório.

 

Campanha alarmante mostra que crianças não conhecem legumes

Junho 29, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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texto do site http://www.hypeness.com.br de junho de 2015.

Já pensou em pedir para seu priminho mais novo, sobrinho ou filho desenhar qual sua comida preferida? Para muitas crianças, a resposta certa inclui muita gordura e praticamente nenhuma fruta ou vegetal. Quer dizer… batata frita pode ser considerada vegetal?

O problema fica exposto em um vídeo criado pela Amil para conscientizar os pais sobre a obesidade infantil, que é um reflexo direto da má alimentação aprendida em casa. No vídeo, a nutricionista Ana Maria Roma alerta sobre a falta de conhecimento da crianças: “as crianças não conhecem a origem dos alimentos. A origem dos alimentos são os pacotes”.

E a prova disso é que, quando convidados a desenhar seus alimentos preferidos, os pequenos não têm dúvidas na hora de colocar pizzas, chocolates e batatas fritas no papel. Mas nenhuma delas parece saber exatamente o que é uma beterraba, uma rúcula ou um inhame. Olha só:

 


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