Governo lança novo programa para combater abandono escolar precoce e exclusão social

Setembro 3, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 6 de agosto de 2019.

Chama-se Segunda Oportunidade (Programa 2O) e é destinado a jovens com mais de 15 anos em risco de exclusão social, que não trabalham e não concluíram a escolaridade obrigatória

O Ministério da Educação lançou um novo programa de combate ao abandono escolar, denominado Segunda Oportunidade (Programa 2O), para jovens com mais de 15 anos em risco de exclusão social que não trabalham e não concluíram a escolaridade obrigatória.

Num despacho publicado esta terça-feira em Diário da República, assinado pelo secretário de Estado da Educação, João Costa, o Ministério da Educação (ME) afirma “que Portugal ainda apresenta um número significativo de alunos que abandona a escola sem concluir a escolaridade obrigatória” e apresenta o Programa 2O como uma solução para “responder a estes jovens, em regra, sinalizados no âmbito das comissões de proteção de crianças e jovens, pelas equipas multidisciplinares de apoio aos tribunais e por instituições de acolhimento de crianças e jovens”.

“O Ministério entende intervir através de uma resposta socioeducativa articulando iniciativas de entidades e instituições de natureza diversa. Na procura da reintegração escolar e socioprofissional deste público é reconhecida a estratégia e o trabalho desenvolvido pelas Escolas de Segunda Oportunidade (Second Chance Schools), através da adoção de um modelo pedagógico próprio e em articulação com a Rede Europeia de Escolas de Segunda Oportunidade (European Association of Cities, Institutions and Second Chance Schools)”, lê-se no despacho.

Numa nota divulgada pelo gabinete de imprensa do ME, a tutela refere algumas entidades, “como sejam a ‘Escola de Segunda Oportunidade’ em Matosinhos (vencedora do Prémio Manuel António da Mota), o Projeto ‘Arco Maior’, no Porto, e a Rede Europeia de Escolas de Segunda”, como exemplos de escolas com “experiências já desenvolvidas” e nas quais o ME se apoiou para desenvolver o programa que entra em vigor já no ano letivo de 2019-2020.

O programa parte da escola pública, que concebe os programas de formação e educação dos jovens que venham a integrar o Segunda Oportunidade, mas admite protocolos com entidades externas para “combater o abandono escolar de jovens sem emprego nem qualificação, proporcionando-lhes formação qualificada dirigida às suas necessidades, expetativas e interesses específicos, em alinhamento com o mercado laboral local”.

“O Ministério da Educação está empenhado em assegurar que, para além de outros programas e respostas existentes, há a possibilidade, no âmbito da escola pública, de acolher e de construir respostas ajustadas para este público, para quem as vivências em grupo ou turma se revelam propiciadoras de maior eficácia na sua formação escolar e socioprofissional”, lê-se no despacho.

Os jovens integrados em turma podem frequentar um programa integrado de educação e formação (PIEF) ou um curso de educação e formação para adultos (EFA), sendo que para todos é obrigatória a matrícula numa escola pública.

O diploma hoje publicado prevê ainda “a elaboração de plano individual de formação (PIF), de acordo com os interesses e a participação de cada jovem”.

Para todos os inscritos no Programa 2O está prevista a obrigatoriedade de acompanhamento “até dois anos após saída” do pograma.

“O presente despacho visa estabelecer as linhas orientadoras que presidem a um programa de intervenção junto de jovens, que abandonaram o sistema educativo e em risco de exclusão social, proporcionando-lhes formação qualificada dirigida às suas necessidades, expetativas e interesses específicos, em alinhamento com o mercado laboral local, beneficiando ainda de um acompanhamento de forma próxima ao desenvolvimento da sua autonomia e integração socioprofissional”, sintetiza o diploma.

Portugal comprometeu-se com a União Europeia a cumprir a meta de redução do abandono escolar precoce para 10% até 2020.

Atualmente a taxa fixa-se nos 11,8% e foi recentemente apresentada pelo Governo como a consequência da introdução do Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar (PNPSE), na mesma altura em que foi anunciada a prorrogação por mais dois anos letivos do mandato da Estrutura de Missão para a Promoção do Sucesso Escolar

A Estrutura de Missão para a Promoção do Sucesso Escolar foi criada em 2016 no âmbito do programa nacional que o Governo lançou para tentar combater o insucesso escolar.

12% dos jovens portugueses não estudam nem trabalham

Julho 11, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Eco Sapo de 27 de junho de 2019.

Portugal é o nono país da União Europeia com menos jovens “nem nem”. Há mais mulheres do que homens nesta situação, em Portugal.

Um em cada seis jovens da União Europeia (UE) não estudava nem trabalhava no ano passado, o correspondente a cerca de 15 milhões de pessoas, mas Portugal ficou abaixo desta média, sendo o nono país com menos “nem nem”.

Segundo dados divulgados esta quinta-feira pelo gabinete de estatísticas da UE, o Eurostat, cerca de 16,5% dos jovens europeus entre os 20 e os 34 anos não estudava, trabalhava ou estava em estágio no ano passado. Em Portugal, esta percentagem foi mais baixa, com os “nem nem” a representarem 11,9% dos jovens portugueses em 2018.

Portugal ocupou, por isso, o nono lugar dos países com menos jovens nessa situação. Havia, ainda assim, mais mulheres portuguesas (12,8%) do que homens (10,9%) nessa condição.

Ao nível da UE, as percentagens mais baixas foram registadas na Suécia (8%), Holanda (8,4%), Luxemburgo (9,9%) e Malta (10,1%). Em sentido inverso, no ano passado, havia mais jovens “nem nem” em Itália (28,9%), Grécia (26,8%), Bulgária (20,9%) e na Roménia.

mais informações na notícia do Eurostat:

1 in 6 young people not in employment or education

Jovens “nem-nem”: preguiça ou falta de oportunidades?

Julho 3, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Sábado de 20 de junho de 2018.

Os últimos dados acerca dos jovens que não estudam nem trabalham em Portugal indicam que 160 mil pessoas se encontram nesta situação. A maioria são mulheres (50,2%) e têm entre 20 e 24 anos (45%).

Os números foram revelados pelo Garantia Jovem, um programa europeu de resposta à inactividade e ao desemprego jovem coordenado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Foram revelados esta terça-feira no Instituto de Ciências Sociais (ICS).

Segundo Lia Pappámikail, investigadora no ICS e professora na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Santarém e na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Lisboa, os jovens nem-nem em Portugal contrastam com o resto da Europa: são compostos maioritariamente por jovens desempregados, em oposição aos inactivos.

“Um dos esforços a fazer é quebrar o estereótipo de que os jovens são inactivos porque querem ou não têm ambições. Isso corresponde a uma parte muito reduzida”, explica Pappámikail à SÁBADO. “Um jovem NEEF [que não está em emprego, educação ou formação] não é um preguiçoso. Temos que quebrar a carga moral do termo NEEF.”

A investigadora refere ainda números apresentados pelo LIFE Research Group do ICS, que traçam o perfil do jovem NEEF. A taxa NEEF é mais elevada entre os jovens dos 20 e os 24 anos (14,7%) e dos 25 e os 29 anos e os 30 aos 34 anos (ambos com 13%), afectando os jovens adultos desempregados. As pessoas com menores qualificações têm maior probabilidade de se tornarem jovens NEEF.

Pappámikail salienta ainda que “a inactividade esconde situações invisíveis, por exemplo, a de jovens que têm a seu cargo crianças ou responsabilidades familiares, que têm problemas relacionados com deficiência e saúde mental, ou que esperam uma nova formação ou curso. Aparentemente estão inactivos mas é uma situação transitória”.

“O conceito é definido pela negativa, mas nunca nos perguntámos o que está a fazer esse jovem. E muitos estão disponíveis para trabalhar, mas não encontram resposta no mercado”, frisa a investigadora. “É um grupo heterogéneo.”

Jovens “nem-nem” sofrem de uma sensação de vazio, afirma psicóloga
Bárbara Ramos Dias, psicóloga especializada em adolescentes, acompanha vários casos de jovens “nem-nem”. Por ano, chegam 20 jovens ao seu consultório à procura de ajuda. “Os casos que tenho acompanhado têm sempre ou uma depressão associada, ou grandes níveis de ansiedade. Sentem-se cada vez mais apáticos, com menos objectivos”, explica.

São pessoas que sentem que “não têm uma missão, não sabem o que querem, estão perdidos, isolam-se”. A maioria são jovens adultos que lutam com um emprego, desistem, e tentam outro, mas não se sentem motivados. “O que eu noto é que existe neles todos esta atitude depressiva, apatia, inércia pela vida”, lamenta.

Sentem-se muito sozinhos e os pais são muito críticos: não vêem ambição nos filhos. “Quanto mais críticos são, mais os miúdos se acham um zero a esquerda, torna-se um ciclo vicioso”, frisa a médica.

Os pais não são os culpados, mas têm um papel importante. “São pessoas que têm más notas, são criticadas e vão fazendo pior. Os pais, ao conseguirem reforçar o que fazem bem, fazem com que elas se sintam organizadas e consigam seguir em frente”, descreve. “Quando os pais criticam as crianças, peço-lhes que as valorizem. Os miúdos não têm que ser todos perfeitos. É engraçado que há pais que me dizem que eles é que precisavam de terapia, não os filhos.”

Por isso, Bárbara Ramos Dias trabalha a psicologia positiva e a valorização das pequenas coisas. “Temos que descobrir talentos escondidos numa tristeza enorme.”

“É preciso conseguir perceber o que gostam de fazer, quem eles são na realidade. Às vezes, estes jovens dizem outra coisa para agradar aos pais. Faz-se um trabalho no sentido de o que conseguem fazer bem, para se esquecer a ideia do ‘eu não sou ninguém, nunca vou conseguir fazer nada’”, clarifica a psicóloga.

 

 

Não estudam nem trabalham: mais de 160 mil jovens portugueses são “nem-nem”

Junho 28, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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CMS

Notícia do Jornal Económico de 19 de junho de 2018.

Dos jovens portugueses inscritos no serviço público de emprego, 59% são desempregados e 41% não se encontra registado nos serviços de emprego, educação e formação.

A população jovem que não estuda nem trabalha, os chamados jovens “nem-nem”, é já de 10% em Portugal, segundo dados do programa Garantia Jovem revelados esta terça-feira. São mais de 160 mil jovens portugueses não estudam nem trabalham, dos quais 50,2% pertencem ao género feminino, e 49,8% ao género masculino. No que diz respeito à idade, 45% tem entre os 20 e os 24 anos, 41% tem os 25 e 19 anos, e 14% equivale às restantes faixas etárias.

Outro dado revelado é que a baixa qualificação, isto é habilitações literárias, aumenta em quase três vezes a probabilidade de insucesso na procura de emprego. “A baixa qualificação aumenta, em cerca de 3 vezes, a probabilidade disto acontecer: 41% dos jovens têm apenas o 9º ano de escolaridade e 42% o nível do ensino secundário. Apenas 17% corresponde às restantes posições académicas”, lê-se num comunicado da Garantia Jovem.

Mais, dos jovens portugueses inscritos no serviço público de emprego, o IEFP, 59% são desempregados e 41% não se encontra registado nos serviços de emprego, educação e formação.

Estes dados foram divulgados esta manhã, durante um debate no Instituto de Ciências Sociais promovido pelo IEFP. Uma sessão que teve o objetivo de apresentar “as aprendizagens e desafios” da Garantia Jovem, em Portugal e na Europa, “bem como promover um debate em torno do tema empregabilidade jovem e do papel que as diferentes organizações podem ter”.

O mesmo evento, serviu para dar por encerrado o projeto “Make th future… Today!” que deu lugar a uma “partilhada das atividades desenvolvidas” entre Paulo Feliciano (IEFP), Cristina Carita (Fórum Estudante), Lia Pappámikail (ICS), Vitor Moura Pinheiro (IEFP), Diana Dias (jovem apoiada pela Garantia Jovem), Raquel Santos (Fertagus), Olga Fernandes (Associação ANIMAR) e Ana Rocha (Gabinete de Emprego e Inserção do Município de Cabeceiras de Basto).

A iniciativa “Make the Future… Today!” decorreu entre janeiro de 2017 e junho de 2018 e destinou-se a “acelerar o acesso à Garantia Jovem em Portugal, tendo em vista aumentar o número de jovens que não estudam nem trabalham registados no sistema e melhorar o trabalho em rede dos cerca de 1.500 parceiros de terreno”.

A iniciativa foi coordenada pelo IEFP e contou com o apoio da Comissão Europeia.

Mais informações no link:

https://liferesearchgroup.wordpress.com/2018/06/14/fazer-o-futuro-no-presente-jovens-em-condicao-neef-e-o-programa-garantia-jovem/

 

Pais recorrem à justiça para pôr o filho de 30 anos fora de casa – EUA

Junho 3, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 22 de maio de 2018.

Os progenitores alegavam que o filho não contribuía para o pagamento das despesas da casa nem ajudava nas tarefas domésticas. A justiça norte-americana deu-lhes razão.

Os pais de um homem de 30 anos levaram o filho a tribunal por este se recusar a sair de casa, na cidade de Syracuse, no estado norte-americano de Nova Iorque — e a justiça deu razão aos queixosos.

O processo de despejo, que dura há três meses, foi levado ao supremo tribunal estadual após terem sido enviadas cinco cartas a exigir que Michael Rotondo saísse de casa. Os pais, Christina e Mark Rotondo, acusam o filho de não contribuir para as despesas (incluindo o pagamento da renda) nem de ajudar nas tarefas domésticas, e de se recusar a abandonar a habitação, de acordo com documentos judiciais citados pela estação britânica BBC News.

Michael, por sua vez, alega não recebeu os devidos avisos de despejo, chegando a dizer que estas não indicavam o número do quarto em que residia, e argumentava que tinha direito a pelo menos mais seis meses em casa.

Numa primeira carta, datada de 2 de Fevereiro de 2018, Mark Rotondo avisa o filho: “Depois de uma discussão com a tua mãe, decidimos que deves abandonar esta casa imediatamente”. Uma vez que Michael ignorou este primeiro aviso, a sua mãe emitiu, com a ajuda do advogado, Anthony Adorante, um aviso formal de despejo, a 13 de Fevereiro. “Um procedimento legal será instituído imediatamente se não sair [de casa] até 15 de Março de 2018”, diz uma missiva exibida pelo The Post-Standard, um jornal local de Syracuse.

Posteriormente, o casal ofereceu-se para ajudar a procurar outro sítio para viver, prometendo dar-lhe 1100 dólares (935 euros). “Existem empregos disponíveis até mesmo para aqueles com pouca experiência de trabalho como tu. Arranja um – tens de trabalhar!”, lê-se numa das cartas. O último aviso foi enviado a 30 de Março e pedia que Michael retirasse o seu veículo, aparentemente avariado, da propriedade.

O caso terminou esta terça-feira no supremo tribunal estadual de Nova Iorque, com o juiz que conduziu a sessão a afirmar que Michael Rotondo não tem direito a um pré-aviso de seis meses e a sugerir que o homem de 30 anos pode recorrer ao Airbnb para encontrar alojamento rapidamente.

Michael Rotondo anunciou que irá recorrer da sentença — e que não irá sair de casa dos pais até haver decisão sobre o recurso.

Em Portugal, os filhos saem de casa aos 29 anos

Portugal é dos países da União Europeia onde os jovens vivem até mais tarde em casa dos pais. Em média, os jovens portugueses vivem com os progenitores até aos 29,2 anos de idade, de acordo com dados do Eurostat referentes a 2017.

Malta é o país comunitário onde os jovens “abandonam o ninho” mais tarde (aos 32,2 anos), seguindo-se a Croácia (31,9), a Eslováquia (30,8), a Itália (30,1), a Grécia (29,4), a Espanha (29,3) e, em sétimo lugar, Portugal (29,2). Por outro lado, nos países escandinavos os jovens deixam de viver com os pais mais cedo: na Suécia, em média, aos 21 anos; na Dinamarca aos 21,1 e na Finlândia aos 21,9 anos.

 

Jovens não empregados que não estão em educação ou formação – Estatística da OCDE

Maio 29, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Imagem retirada do Facebook da OECD Education and Skills

Across OECD countries, 14% of people between the ages of 15 and 29 are not in education, employment or training.

See how your country compares https://bit.ly/20GWtpC

Building the Future: Children and the Sustainable Development Goals in Rich Countries : Report Card 14 – novo relatório da Unicef

Julho 5, 2017 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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descarregar o relatório e mais informações no link:

https://www.unicef-irc.org/article/1620/

informações em português no link:

http://www.unicef.pt/Report-Card-14-Construir-o-futuro/

 

Unicef diz que Portugal lidera em “saúde de qualidade” e “bem-estar” das crianças

Junho 16, 2017 às 7:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 15 de junho de 2017.

No critério “erradicar a fome” entre as crianças o país sai-se mal. Mas aparece em primeiro lugar em matéria de saúde e “bem-estar”, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira.

Lusa

Portugal é o país que apresenta melhores índices de saúde de qualidade e bem-estar das crianças entre os Estados mais desenvolvidos, embora na classificação geral sobre situação das crianças apareça na 18.ª posição.

Os números fazem parte do último relatório da Unicef sobre a situação das crianças nos 41 países considerados mais ricos, incluindo os da União Europeia e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Construir o Futuro: As crianças e os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável nos países ricos é o tema do relatório, o primeiro que avalia a situação das crianças nesses 41 países relativamente aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável identificados como os mais importantes para o bem-estar das crianças.

Na posição 18 em termos gerais, Portugal aparece quase sempre em posições de pouco destaque, sendo a posição 32 a mais baixa, no critério “erradicar a fome”. Já nos critérios “saúde de qualidade” e “bem-estar”, e ainda no critério “consumo e produção responsáveis” o país está em 1.º.

A posição cimeira é justificada por uma taxa de mortalidade neonatal baixa, uma taxa de suicídio de adolescentes também baixa e poucos casos de crianças entre 11 e 15 anos com problemas psicológicos.

E depois tem também das taxas mais baixas (a segunda mais baixa) de crianças que consomem álcool e uma taxa a baixar acentuadamente de casos de gravidez na adolescência.

Excesso de obesidade

De acordo com o documento, a 32.ª posição no critério “erradicar a fome e garantir uma alimentação de qualidade” indica que no país 18,2% das crianças menores de 15 anos vivem com um adulto que enfrenta insegurança alimentar. Portugal tem também a quinta taxa de obesidade infantil mais elevada.

No critério “erradicar a pobreza” o país aparece também baixo na tabela, com uma em cada quatro crianças a viver em pobreza de rendimentos relativa, diz-se no documento.

Na “produção e consumo sustentáveis” Portugal é também país de topo, sendo aquele entre os 41 em que há maior proporção de jovens de 15 anos familiarizados com pelo menos cinco ou mais problemas ambientais.

Sem liderar, o país tem também boa prestação em matérias como “igualdade do género” (6.ª percentagem mais baixa de mulheres jovens que dizem ter sofrido violência sexual), ou “cidades seguras e sustentáveis” (7.ª posição quanto à qualidade do ar).

Nem estudam, nem trabalham

Mas Portugal cai depois para meio da tabela no critério “educação”, avaliadas as competências em leitura, matemática e ciências, e na promoção de um “trabalho digno e crescimento económico” (26.º lugar), com 6,1% dos jovens entre 15-19 anos que não estudam nem trabalham.

Na “redução das desigualdades” o 27.º lugar indica grandes diferenças entre os salários mais altos e mais baixos do país, e na “promoção da paz, justiça e instituições eficazes” o mesmo lugar deve-se muito a actos de violência física ou psicológica.

Portugal tem uma boa classificação (12.º lugar) quanto à taxa de suicídio de crianças (das mais baixas, 0,25 por cada 100.000 habitantes), mas a taxa dos que dizem ser alvo de bullying é a oitava mais elevada.

Em termos gerais, e sempre sobre os países mais ricos, o relatório da Unicef mostra por exemplo que uma em cada cinco crianças vive em pobreza relativa e que uma em cada oito enfrenta insegurança alimentar. Ou que mesmo em países como Japão e Finlândia cerca de um quinto dos adolescentes com 15 anos não tem níveis mínimos de competências em leitura, matemática e ciências.

A tabela é positiva para os países nórdicos, a Alemanha e a Suíça, e menos positivos para os países mais pobres do grupo, como a Roménia, a Bulgária e o Chile.

Na lista dos 41 países os Estados Unidos ocupam o lugar 37.

mais informações no comunicado de imprensa da Unicef Portugal:

Nos países ricos, 1 cada 5 crianças vive em pobreza de rendimento relativa, 1 em cada 8 enfrenta insegurança alimentar – UNICEF

 

 

 

Há 300 mil jovens “nem-nem” — não estudam, nem têm trabalho

Novembro 26, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 10 de novembro de 2016.

O documento citado na notícia é o seguinte:

Estatísticas do Emprego 3.º trimestre de 2016 9 de novembro de 2016

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Número de jovens desempregados ou inactivos baixou face a 2015, mas aumentou na comparação entre trimestres este ano

Texto de Pedro Crisóstomo

O número de jovens que não estão empregados nem a estudar aumentou no terceiro trimestre deste ano em relação aos três meses anteriores, em contraciclo com a redução global do desemprego no mesmo período. Há 301,7 mil jovens “nem-nem”, pessoas da faixa etária dos 15 aos 34 anos que estão desempregados ou contabilizados nas estatísticas como inactivos.

O aumento entre o segundo e o terceiro trimestre tem acontecido nos últimos anos e voltou a repetir-se em 2016, com um aumento de 11.700 mil pessoas, de 290 mil para 301,7 mil. É preciso ter em conta que os valores do INE não são ajustados de sazonalidade, estando em causa a comparação em cadeia entre o período que vai de Abril a Junho com os meses de Julho a Setembro, isto é, coincide com o período em que terminam os ciclos lectivos. Já quando se compara o número de jovens nesta situação com os valores de 2015, há uma descida, com menos 16.800 “nem-nem” do que no terceiro trimestre do ano passado.

O número de “nem-nem” aumentou nos jovens que completaram, no máximo, o 9.º ano (são 133 mil) ou o ensino secundário ou um curso de especialização tecnológica (109 mil). Já entre os jovens que acabaram o ensino superior, o número de “nem-nem” diminui (passando para 58,8 mil). Aliás, o maior aumento, detalha o INE, aconteceu entre os mais jovens, dos 15 aos 19 anos. Aqui, a taxa mais do que duplicou, “passando de 2,7% no segundo trimestre de 2016 para 5,9% no terceiro trimestre do mesmo ano”. O contrário aconteceu entre os jovens adultos dos 25 aos 34 anos que não tinham um emprego, nem estavam a estudar ou em formação. Aqui houve uma diminuição de 11,8 mil do segundo para o terceiro trimestre.

Os “nem-nem” representam 13,3% dos 2,2 milhões de jovens dos 15 aos 34 anos. Estatisticamente, são referidos pelo INE como os “jovens não empregados que não estão em educação ou formação” e referem-se às pessoas que em determinado período “não estavam empregados (isto é, estavam desempregados ou eram inactivos), nem frequentavam qualquer actividade de educação ou formação ao longo de um período específico (na semana de referência ou nas três semanas anteriores)”.

“Atendendo à importância” dos jovens nesta situação, o INE, ao divulgar os dados do desemprego do terceiro trimestre, deu a conhecer alguns números sobre esta realidade. O grupo de jovens “nem-nem” é composto “principalmente, por mulheres (52,6%; 158,6 mil), pessoas dos 25 aos 34 anos (58,8%; 177,3 mil), com um nível de escolaridade completo correspondente, no máximo, ao 3.º ciclo do ensino básico (44,1%; 133,1 mil) e desempregados (54,8%; 165,3 mil)”.

Mais 59 mil pessoas empregadas

Quanto aos dados globais do desemprego, os números do INE mostram uma redução da taxa trimestral para os 10,5%, depois de o desemprego ter descido para 10,8% nos meses de Abril a Junho. Do total de pessoas que se encontravam desempregadas entre Abril e Junho, “39,6% saíram dessa situação no terceiro trimestre de 2016: 22,9% tornaram-se empregados e 16,7% transitaram para a inactividade”.

O desemprego de longa duração também diminui, mas ainda há 347.200 cidadãos fora do mercado de trabalho há 12 meses ou mais tempo. Relativamente ao emprego, onde também se registou um aumento, o acréscimo em cadeia foi de 59 mil pessoas. E tanto aumentou o número de trabalhadores a tempo completo (são 4,1 milhões) como o de pessoas a trabalhar a tempo parcial (são 555.500).

As estatísticas do INE permitem ainda ver que, entre estes, há 213,1 mil subdesempregados. Este é o universo de cidadãos que, no inquérito do INE, declararam querer trabalhar mais horas e se mostraram disponíveis para isso no período de referência do inquérito ou nas duas semanas seguintes.

O subemprego de trabalhadores a tempo parcial diminuiu 3,1% em relação ao trimestre homólogo, o equivalente a 7000 indivíduos; em relação ao trimestre anterior diminuiu 5,3%, em 12.100 pessoas. Agora, “corresponde a 4,6% da população empregada total e a 38,4% da população empregada a tempo parcial (note-se que o número de trabalhadores a tempo parcial, no mesmo período, correspondia a 11,9% da população empregada total)”.

O INE explica que o aumento do emprego se deveu “tanto ao fluxo líquido positivo do emprego com a inactividade (o número de pessoas que transitaram do emprego para a inactividade foi inferior, em 20,3 mil, ao de pessoas que transitaram da inactividade para o emprego), como – e sobretudo – ao fluxo líquido positivo do emprego com o desemprego (38,7 mil)”.

 

 

 


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