Vídeo da participação de Dulce Rocha do IAC no programa “Política Mesmo” TVI 24 sobre o homicídio do jovem em Portimão

Março 3, 2016 às 4:02 pm | Publicado em O IAC na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Vídeo da participação da Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança no programa “Política Mesmo” TVI 24 de 2 de março de 2016.

Visualizar o vídeo no link em baixo a partir do minuto 24,15 m

http://tviplayer.iol.pt/programa/politica-mesmo/53c6b3923004dc006243d13d/episodio/t3e11

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Mais de dois terços dos jovens em centros educativos têm processos de protecção

Janeiro 31, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt de 27 de janeiro de 2016.

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Ana Dias Cordeiro

Dos 186 jovens, 105 têm processo de promoção e protecção e 39 vêm de instituições de acolhimento. Relatório da Comissão de Acompanhamento e Fiscalização dos Centros Educativos já foi entregue na Assembleia da República.

São na grande maioria rapazes, mas também há raparigas nos seis centros educativos do país – 24 num total de 186. Uma das raparigas tem com ela um filho, bebé. Contas feitas, os jovens a cumprir medidas têm uma idade média de 17 anos. E para quase todos, o percurso delinquente iniciado surge depois de uma situação de perigo sinalizada no sistema de protecção. O tema não é novo: académicos, magistrados e responsáveis ou profissionais do sector, várias vezes, têm alertado para essa ligação entre as situações de perigo em criança e a delinquência juvenil.

Agora, os números do relatório deste ano da Comissão de Acompanhamento e Fiscalização dos Centros Educativos confirmam-no: dos 186 jovens que, em Fevereiro de 2015, cumpriam medidas tutelares educativas, decididas por um juiz, 144 estavam sinalizados por processos de promoção e protecção (em 105 casos) ou estavam acolhidos em instituições (em 39 casos).

“Este número tão elevado de jovens sinalizados revela claramente a predominância de contextos de risco nas suas vidas e também da necessária articulação entre estes dois sectores da administração”, lê-se no relatório consultado pelo PÚBLICO. Na secção relativa às “Relações com a Segurança Social”, o documento aponta falhas à “intervenção preventiva” que “deveria ter ocorrido” – no casos das crianças sinalizadas – e que “aparentemente” não conseguiu atingir esses objectivos “já que o percurso de vida destes jovens acabou por vir a impor medidas de internamento em centro educativo”.

Também sobre o número de jovens vindos de instituições de acolhimento, a comissão considera que o modelo de acolhimento “não foi competente para travar trajectórias de risco e desviantes” e qualifica de “urgente” a necessidade de reflectir e rever os actuais modelos de acolhimento das crianças em risco, mas também do “projecto educativo proporcionado a estas crianças”. Considera a comissão que a estas crianças e jovens devem ser oferecidas “uma alternativa educativa” e “uma proposta que contrarie rotas de vida desviantes”. E isso não está a acontecer.

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Preocupante, para a comissão, é também o facto de muitos dos jovens em centro educativo apresentarem “patologias psicológicas ou psiquiátricas”: são 82 casos no total de 186. Sobre esse ponto, o relatório recomenda a definição de uma estratégia que passe por “promover, em todos os centros, um sistema integrado e continuado de apoio psicológico aos jovens” – o que apenas acontece no centro educativo do Porto.  

A Comissão de Acompanhamento e Fiscalização dos Centros Educativos existe desde que a Lei Tutelar Educativa entrou em vigor em 1999 e o seu mais recente relatório datava de 2012. É composta por magistrados e profissionais de organizações não governamentais (ONG) da área da protecção de crianças, deputadas, uma do PS e uma do PSD, e um representante do Governo, designado pelo titular da pasta da Justiça, e coordenada pela procuradora-geral adjunta do Tribunal da Relação de Lisboa, Maria do Carmo Peralta.

O relatório, agora concluído, de 2015, foi entregue na Assembleia da República na semana passada e deverá ser apresentado na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. Descreve a situação encontrada nas várias visitas realizadas, em 2014 e nos primeiros dois meses de 2015, aos seis centros educativos em funcionamento: Bela Vista e Navarro de Paiva (em Lisboa), Padre António Oliveira (em Caxias), Mondego (na Guarda), Santo António (no Porto) e Olivais (em Coimbra). Dois centros foram encerrados: o da Madeira, em 2013, e o de Vila do Conde em 2014.  

Números “impressionantes”
“Estes miúdos vêm de meios sociais muito desfavorecidos. São vítimas da negligência, do abandono e da pobreza”, diz Maria do Carmo Peralta. “Isto começou a ser de tal maneira impressionante, que optámos por ir verificar os números. E quando verificámos os números, vimos que a proporção [dos jovens que vêm de situações de perigo] é muito grande.”

Os jovens em centro educativo têm em comum o facto de terem praticado um acto qualificado de crime quando tinham entre 12 e 16 anos. Abaixo da idade de responsabilização criminal dos 16 anos, cumprem medidas e não penas; vão para centros educativos e não prisões. Mas porque, nalguns casos, os processos demoram, quando chegam aos centros já têm mais de 16 anos. Podem ser-lhes aplicadas medidas em regime aberto, semiaberto ou fechado. E isso depende da idade do jovem e da gravidade do acto.

A medida de internamento em regime fechado só pode ser aplicada a jovens com mais de 14 anos, que tenham cometido um acto qualificado como crime a que corresponderia uma pena máxima acima dos cinco anos – podem ser, por exemplo, ofensas corporais graves, homicídio ou roubo. Em regime semiaberto, ficarão os jovens que cometeram factos qualificados como crime a que corresponda uma pena máxima não superior a três anos.

Clima pacífico e incumprimento
No documento de mais de 100 páginas, que inclui fotografias das instalações dos centros educativos, a comissão reconhece melhorias e “um esforço” para “humanizar” e “adequar os espaços aos programas desenvolvidos”. Também descreve “um clima geral pacífico” nos centros onde os jovens estão vestidos de forma adequada, bem alimentados e em boas condições de saúde. Mas o relatório também acusa o Estado de “não estar a cumprir a responsabilidade muito clara” de “acomodar estes jovens” havendo “muitas instalações a necessitar de intervenções físicas” de modo a poderem cumprir “os objectivos da Lei Tutelar Educativa” e respeitar “os direitos humanos”.

“Têm de existir espaços que façam com que estes miúdos os sintam como seus. E muitos destes espaços são frios”, do ponto de vista humano, diz Maria do Carmo Peralta. “Não chegámos a um ponto do que consideramos serem estas as estruturas necessárias para uma educação para o direito”, explica.

Já no relatório de 2012, e relativamente à avaliação do funcionamento dos centros educativos e da sua acção junto dos jovens, a comissão concluía que não era conhecida “a percentagem de sucesso que a educação para o direito, ministrada nos centros educativos, alcança”. Nesse ponto, o desconhecimento mantém-se.

“A educação para o direito é ensinar estes miúdos a viver em sociedade, a não fazerem asneiras sem caminhos de regresso. É fazer com que consigam, na sua igualdade ou na sua diferença, viver de acordo com a lei e com a ética”, conclui Maria do Carmo Peralta. E apesar de reconhecer “o trabalho positivo nesse sentido” feito por responsáveis e equipas dos centros, a magistrada não está absolutamente segura dos resultados: “Se me perguntam se poderia ser melhor? Podia.”

 

 

 

 

 

 

Enhancing the non-cognitive skills of disconnected youth

Dezembro 10, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do blog https://oecdskillsandwork.wordpress.com de 26 de novembro de 2015.

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By Glenda Quintini.

Youth who have disconnected from the education system and are not working or planning to return to training are at high risk of marginalisation. Some of these young people are homeless, have disabilities, have been in foster care and/or are known to the justice system. Efforts to create programmes that succeed in reconnecting these at-risk young people to education, the labour market and society more generally as early as possible are key. However, this is easier said than done. This group of highly-disadvantaged youth face multiple challenges in addition to lacking the skills and qualifications to reintegrate school or the labour market. Any intervention requires addressing all these needs in a comprehensive way.

Like other programmes to facilitate school-to-work transitions, those targeted on disconnected youth focus on providing participants with strong cognitive skills. This includes both foundation skills – such as literacy, numeracy and problem solving – and job-specific skills – in many cases vocational or job-related skills that facilitate labour market entry at the end of the programme. Unlike other programmes, however, there is a strong focus on fostering the non-cognitive skills of participants such as motivation, resilience, trust, communication and team work skills.

The World Bank (Guerra, Modecki, Cunningham, 2014) has come up with the PRACTICE taxonomy to summarize key non-cognitive skills that are relevant to employers. The taxonomy is consistent with what has been studied in the non-cognitive skills literature, and was developed by identifying employer demanded skills and matching them to common indicators in the non-cognitive skills literature, such as Big Five and the Grit scale. Not only is this taxonomy useful to highlight the importance of non-cognitive skills in responding to employers’ skills needs but it also serves as guidance to identify non-cognitive skills commonly targeted by interventions for improving labour market outcomes.

Table 1. PRACTICE Skills, Sub-Skills, Big Five Traits, and Biological Foundations

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Source: Guerra, N., K. Modecki and W. Cunningham (2014), “Developing Social-Emotional Skills for the Labour Market: the PRACTICE Model”, World Bank Policy Research Discussion Paper No. 7123.

Having said this, not everybody buys into the relevance of non-cognitive skills as a policy tool to improve labour market outcomes. Critics believe that these skills are very difficult to “affect” or “influence”, at least beyond early childhood. So, is there evidence that non-cognitive skills can be fostered to facilitate re-integration in education or employment? Yes BUT successful programmes are long and costly.

Non-cognitive skills are normally “taught” in number of ways: through mentoring, whereby youth are associated to an adult who provides guidance and serves as a role model; the frequent use of one-to-one tutoring to foster learning through individualised support; work with the family to ensure/improve parental involvement; and/or a residential settings to take youth away from a disruptive family/social environment.

Because the fostering of non-cognitive skills is often a component, among others, of successful programmes for disconnected youth, evaluations of its effects on education and labour market outcomes are hard to single out. Participants in disconnected-youth programmes often cite mentoring as key to their success in acquiring qualifications or finding work at programme completion. This is the case of well-recognised programmes, with a track record of proved effectiveness for disconnected youth such as: Job Corps – a US residential programme for disconnected youth with a strong focus on education, employability and social development; Youth Build – a US programme replicated internationally, focusing on 16-24 year olds to provide academic credential and vocational training in the construction field; or the French EPIDE (Etablissments pour l’Insertion dans l’Emploi) – a residential re-employment programme for disconnected youth with a strong focus on social and civic education.

Evidence of the effectiveness of actions to foster non-cognitive skills also comes from initiatives exclusively focused on their development. Although many of these programmes have not been the object of rigorous evaluations – very few, for example, are tested using random assignment methods – some have yielded positive cost-benefit evaluations. Because non-cognitive skills can be fostered in a variety of environment, actions take place in several different contexts.

The international Big Brothers Big Sisters mentoring programme – an after-school programme for at-risk youth – has yielded positive long-term impacts of matching adult volunteer mentors with young people aged 6-18 to support them in reaching their potential over the course of a year. Outcomes include improved self-worth, better relationships with peers and parents, reduced substance misuse and improved academic outcomes. Some youth arts and sports interventions have also been found to significantly improve young people’s self-esteem, confidence, emotional control, organisation and leadership skills. Finally, some family based interventions have been successful in promoting positive parenting, enhancing child and adolescent social and emotional skills, reducing problem behaviours and improving academic performance and attachment to school (Incredible Years, Families and Schools Together, Strengthening Families Programme; Social Skills Group Intervention-Adolescent).

But action on non-cognitive skills does not come cheap. The programmes that have been most successful in enhancing participants’ employment and education outcomes are residential, last several months – close to a year, in most cases – and cost between 15000 and 25000 USD per participant. All in all, if the alternative is lifelong welfare dependency (with a high risk of intergenerational transmission) or a prison sentence (approximately 80000 per inmate per year in the United States) the cost may still be worth it.

 

Jovens dos países mais pobres mais vulneráveis ao tabaco

Dezembro 3, 2015 às 9:21 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 1 de dezembro de 2015.

Os jovens dos países mais pobres são mais vulneráveis à publicidade das empresas tabaqueiras e correm o perigo de serem fumadores prematuros, alerta hoje um estudo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em geral, as tabaqueiras expõem a população dos países com menos recursos económicos a uma publicidades mais intensa e agressiva que aos que vivem em países com um nível de vida superior, revela o relatório.

O estudo, que começou em 2005, é o primeiro a comparar os níveis de publicidade das tabaqueiras em 16 países.

A data de início do estudo coincide com a entrada em vigor da Convenção Marco sobre o Tabaco, que, entre outros aspetos, inclui estritos controlos à publicidade de cigarros.

Os dados mostram que apesar das proibições, a publicidade continuar a ser um aspeto chave da adesão de novos fumadores.

Os anúncios dirigem-se especialmente a jovens, já que está demonstrado que se forem submetidos a uma maior publicidade, começam a fumar antes e continuam a fazê-lo em adultos.

Uma maneira de atrair consumidores mais jovens é a forma como se vende o produto, já que segundo o relatório, nos países mais pobres mais de 64% das lojas selecionadas vendem cigarros a avulso, muito acima dos quase 03% de estabelecimentos que o fazem nos países desenvolvidos.

Esta fórmula de venda permite que as crianças e adolescentes os comprem por menos dinheiro, já que não têm de comprar um maço completo.

Por outro lado, o relatório destaca uma descida na venda de tabaco nos países desenvolvidos.

Entre 2009 e 2012, observou-se que as nações mais pobres têm 81 vezes mais publicidade nas ruas que as mais avançadas.

Os peritos da OMS alertam que a publicidade é uma “ameaça iminente”.

 

 

 

 

Formar para prevenir a exclusão de jovens e crianças – Notícia do JN com uma entrevista de Dulce Rocha do IAC

Outubro 20, 2015 às 2:39 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 18 de outubro de 2015.

A notícia contém uma entrevista da Drª Dulce Rocha, Vice-Presidente do Instituto de Apoio à Criança.

clicar na imagem

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Faz a diferença nas férias do/as jovens do Bairro do Zambujal

Julho 26, 2015 às 3:41 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.cesis.org/pt/noticia/307/faz-a-diferenca-nas-ferias-dos-as-jovens-do-bairro-do-zambujal/

 

Vídeo do programa “Repórter TVI” “Meninos Invisíveis” sobre o Projecto Rua do Instituto de Apoio à Criança

Junho 2, 2015 às 12:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Vídeo do programa “Repórter TVI” “Meninos Invisíveis”sobre o Projecto Rua do Instituto de Apoio à Criança, emitido no dia 1 de junho de 2015. A reportagem contou com a participação da Dra. Matilde Sirgado, Coordenadora do setor IAC- Projecto Rua e de vários técnicos do IAC- Projecto Rua.

o vídeo da reportagem pode ser visualizado no link:

http://www.tvi.iol.pt/programa/reporter-tvi/53c6b3483004dc006243bd77/videos/–/videos–reptvi/video/556cbfd00cf2c34b73cb6a00/1

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PSP identificou 18 jovens em “situação de risco” em operação na noite lisboeta

Maio 18, 2015 às 1:15 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 17 de maio de 2015.

Global Imagens

Operação conjunta com a comissão de proteção de menores visou detetar crianças a consumir álcool e drogas na via pública.

Dezoito jovens em “situação de risco” foram identificados pela PSP na madrugada de sábado, em Lisboa, numa operação conjunta com a comissão de proteção de menores que visou detetar crianças a consumir álcool e drogas na via pública.

Segundo a PSP foram identificadas 67 pessoas, tendo-se constatado que 18 jovens, menores de 16 anos, se encontravam na via pública, alguns deles a consumir bebidas alcoólicas, sem a supervisão de um adulto responsável, o que representa “uma situação de risco para o menor”.

Em todos os casos foram contactados os responsáveis legais dos menores e explicado o âmbito da intervenção policial, em conjunto com membros da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens – Lisboa Centro.

Os pais deslocaram-se ao local da operação, “onde lhes foram entregues os seus filhos em segurança”, sublinha a PSP.

Para esta operação, que decorreu entre as 00:15 e as 05:00 de sábado no Bairro Alto e na Avenida Dom Carlos I, o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP contou com a colaboração de membros da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens Lisboa Centro e técnicos da Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens em Risco.

A PSP explica, em comunicado, que a operação teve como objetivo “a identificação de crianças (menores de 18 anos) que se encontrassem na via pública a consumir álcool e drogas, sem a supervisão de um adulto responsável, estando por isso sujeitos aos perigos de um crime ou de um acidente”.

No comunicado, o Comando Metropolitano de Lisboa anuncia que vai intensificar, nos próximos meses, o número destas operações conjuntas, alargando a sua área de intervenção a todo o espaço de diversão noturna da grande Lisboa.

 

 

Conferência Europeia ARPI : Actividades de Risco e Pedagogia Institucional – 17 de Março Biblioteca Municipal Palmela

Março 11, 2015 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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equil

confirmação de presença no evento através do mail questao.equilibrio@gmail.com    para contactos adicionais utilize 918203017/265522332.

programa

ARPI Newsletter Março 2015

mais informações no site:

http://www.arpiproject.org/

http://www.questaodeequilibrio.org/

 

Jovens de zonas problemáticas de Lisboa “satisfeitos com a sua forma de ser”

Fevereiro 8, 2015 às 7:13 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 29 de janeiro de 2015.

Público

ROMANA BORJA-SANTOS

Resultados do estudo sobre participantes no programa de intervenção Young Health Programme (YHP) – Like ME surpreende investigadores. Jovens mostram bons comportamentos em matéria de saúde e uma percepção positiva da sua auto-estima, assim como poucos episódios de violência.

Numa sala de actividades todos são convidados a escrever o seu maior medo num balão. Depois, ao acaso, trocam-se os balões entre os jovens presentes e cada um tem de falar sobre a palavra que lhe calhou e propor formas de ultrapassar o problema. De aranhas, ao receio de perder a mãe, ou até pedofilia – são vários os medos no grupo. O exercício faz parte do Young Health Programme (YHP) – Like ME, um programa de intervenção junto de mais de 100 jovens de bairros problemáticos de Lisboa, com idades entre os nove e os 13 anos, e que se foca na saúde mental. Um estudo, conhecido nesta quarta-feira, procurou perceber os comportamentos e atitudes destes participantes e os resultados surpreenderam os investigadores: os casos de violência, agressão e problemas de auto-estima contrariam os “pré-conceitos” existentes.

“À partida havia um pré-conceito de que iriamos encontrar dados problemáticos do ponto de vista de comportamentos de saúde, de aspectos comportamentais e de atitudes que estes jovens poderiam ter e que de certa forma estão estereotipados. Este estudo veio rebater isso completamente e mostrar que há aqui um manancial de terreno que se pode aproveitar visto que eles dão importância a muitos aspectos”, sintetizou ao PÚBLICO o investigador Manuel Luís Capelas, um dos coordenadores do estudo do Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa, feito em articulação com a organização não-governamental Médicos do Mundo. O trabalho envolveu 113 jovens.

Like ME, como lhe chamam, integrado no programa de responsabilidade social da farmacêutica AstraZeneca, foi lançado em Fevereiro de 2013, com o objectivo de trabalhar com os jovens problemas relacionados com a saúde mental. Todos eles eram já acompanhados, visto que estão também integrados no programa Escolhas – que está há mais de dez anos no terreno com o objectivo de promover a inclusão social de crianças e jovens provenientes de contextos socioeconómicos mais vulneráveis. As crianças vivem em bairros de Lisboa sinalizados.

Para Manuel Luís Capelas este acompanhamento prévio é fundamental para os resultados do estudo agora conhecido e cujos dados foram recolhidos antes de os jovens beneficiarem das actividades do Like ME. No final do programa, no segundo semestre deste ano, haverá uma continuação da investigação para analisar a evolução. “Estes jovens, que têm algumas dificuldades porque vêm de meios que não os ajudam a desenvolver as suas características e competências, com este tipo de apoios estão exactamente nas mesmas circunstâncias que os outros. De base atribuem a importância necessária aos diversos aspectos que merecem ser realçados”, acrescentou o investigador. Os dados apurados apontam para que “estes jovens estão satisfeitos com a sua forma de ser”, com mais de 45% dos jovens com um score máximo em termos de pontuação.

Esta é também a percepção de Rita Mendes, técnica da Médicos do Mundo a desenvolver o programa no terreno. “Os casos de conflito, de violência e de bullying entre estes jovens não têm a dimensão que se pensava. O conflito está ainda muito presente mas não se concretiza em actos mais graves, sendo o mais comum a observação de agressões do que a participação”, resume, reforçando que os actos são quase sempre entre colegas e não com professores.

A técnica acredita que os programas de que são alvo têm ajudado a mudar a realidade e dá exemplos de formas como ajudam os participantes a “colocarem-se na pele do outro”. Uma das actividades passa por estarem todos vendados e de mãos atadas, ao mesmo tempo que têm de tentar escrever um pedido de ajuda ou de fazer um laço. “A ideia é que percebam como é difícil pedir ajuda quando se é vítima ou como se sente uma vítima de bullying”, justificou.

As conclusões mostram que os jovens têm bons comportamentos em matéria de saúde, uma percepção positiva da sua auto-estima, imagem física, rendimento escolar ou actividade física, assim como dizem estar bem integrados na escola – uma perspectiva que foi corroborada pelos dinamizadores que também participaram no estudo. Aliás, uma das figuras que apontam em 20% como alguém a quem pedem ajuda é precisamente o professor. O primeiro lugar, com 54%, é ocupado pela mãe.

Em termos de armas de fogo ou armas brancas, a esmagadora maioria nunca teve nenhuma, nem nunca faltou à escola por motivos de insegurança. Da amostra de 113 jovens, 97 responderam a perguntas sobre actos de violência em que participaram no último ano. Um terço confirmou a existência destes momentos, quase sempre na escola, mas em nenhum caso resultaram lesões físicas a destacar.

Do lado negativo, mas tendo em atenção a idade, o trabalho salienta que mais de um terço dos jovens nunca tinha ouvido falar do VIH/sida. Porém, também só cinco já tinham começado a sua vida sexual e quatro não utilizaram preservativo da última vez que tiveram relações. Houve 5,4% de jovens que se magoaram propositadamente para lidar com alguma situação. O acesso da cuidados de saúde dentária é outro dos problemas identificados. Ainda no campo dos comportamentos, quase nenhum disse ter consumido alguma vez produtos como tabaco, álcool ou outras drogas. Em termos de segurança, mais de 73% nunca usaram capacete ao andar de bicicleta nos últimos 12 meses, mas ao andar de carro mais de 61% utilizaram cinto de segurança.

“Sinalizámos alguns aspectos que precisam de intervenção mas, no geral, a semente está lá, o terreno está lá, é só criar condições para que floresçam. É esta a grande conclusão que também nos surpreendeu a nós, pelo que o mais essencial é ajudar estes jovens a viverem nos meios mas tendo uma postura crítica. É um trabalho geracional para que quando cheguem aos 17 ou 18 anos não tenham o comportamento que os outros têm ou tiveram e que estereotipam o que se espera destes jovens”, resumiu Manuel Luís Capelas.

Quanto ao futuro, na segunda parte do estudo os investigadores esperam observar dados ainda mais positivos, já que o Like ME quer aumentar em 30% a auto-estima dos participantes e em 10% as suas capacidades na área da saúde mental. Por realizar estão ainda actividades como um campo de férias que terá lugar no Versão e durante o qual vão fazer uma produção de sete pequenos episódios para uma mini-série sobre os temas trabalhados nas oficinas temáticas.

 

mais informações:

http://www.medicosdomundo.pt/pt/agenda/detail/id/114

http://www.younghealthprogrammeyhp.com/country-programmes/Portugal

 

 

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