Diabetes gestacional pode aumentar risco de autismo

Abril 28, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 19 de abril de 2015.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Association of Maternal Diabetes With Autism in Offspring

Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association conclui que sofrer de diabetes gestacional até às 26 semanas de gestação pode aumentar o risco de autismo

A investigação baseia-se na análise dos casos de mais de 320 mil crianças nascidas no estado da Califórnia do Sul (EUA)  entre 1995 e 2009. Destas, cerca de 8% das crianças eram filhas de mães que tiveram diabetes gestacional, e 2 % eram filhas de mães com diabetes tipo 2.

Do total de crianças que participaram da investigação e que foram acompanhadas durante 5 anos e meio, cerca de 3400 foram diagnosticadas com uma Perturbação do Espectro do Autismo (PEA), que inclui condições como o síndrome de Asperger, que causa problemas de comunicação, sociais e comportamentais.

Segundo os investigadores, sofrer de diabetes gestacional até à 26ª semana de gestação aumenta em 42% o risco da criança vir a sofrer de autismo, em comparação com o risco em relação a crianças cujas mães não têm diabetes gestacional.

Mesmo considerando outros fatores que podem influenciar as probabilidades de uma criança desenvolver autismo (tais como a idade da mãe, as gestações anteriores, ou o sexo da criança, pois autismo é cinco vezes mais comum em meninos do que em meninas) a relação com a diabetes gestacional ainda se manteve.

Segundo Anny Xiang, co-autora do estudo, a razão exata para esta relação ainda não é clara, porque esta é especialmente significativa se a diabetes gestacional acontecer até às 26 semanas. Os filhos de mulheres que desenvolvem diabetes mais tarde na gravidez não apresentam um risco tão elevado. Assim como os filhos de mulheres que já sabiam ser diabéticas de tipo 2 antes da gravidez.

Os primeiros meses de gravidez são um período crítico para o desenvolvimento do cérebro. E se um feto em desenvolvimento está exposto a níveis elevados de açúcar no sangue durante este importante período de desenvolvimento do cérebro, isso pode ter alguma relação com as mudanças comportamentais observadas no autismo após o nascimento, explicou Xiang ao Live Science.

Regra geral, o exame para diagnosticar a diabetes gestacional é feito entre as 24 e as 28 semanas (no caso de mulheres que não têm fatores de risco para diabetes) e por isso a condição pode passar despercebida durante o início da gravidez.

No entanto, a investigadora reforça que em termos globais o autismo é uma condição rara. E, apesar da relação encontrada, a hipótese de desenvolver autismo (mesmo no caso exposição à  diabetes gestacional até às 26 semanas), continua a ser reduzida: sete crianças em cada mil grávidas que tiveram diabetes gestacional até às 26 semanas.

 

 

 

 

Exercício na adolescência previne problemas cardiovasculares – Estudo internacional conclui que maior parte dos jovens faz pouca actividade física

Março 15, 2012 às 9:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site Ciência Hoje de 12 de Março de 2012.

Apenas um em cada cinco jovens, dos 10 aos 18 anos, faz uma hora diária de exercício físico. Esta hora pode reduzir o risco futuro de doenças cardiovasculares, defende estudo.

As conclusões do trabalho chamam a atenção para a necessidade de “se prestar mais atenção ao envolvimento dos jovens para fazerem um pouco mais de actividade física moderada e intensa e reduzirem o tempo sedentário”, como aquele passado em frente à televisão ou ao computador, avançou à Agência Lusa o director do Laboratório de Exercício e Saúde da Faculdade de Motricidade Humana, da Universidade Técnica de Lisboa.

Esta entidade colaborou no estudo, o primeiro de abrangência global que avaliou o impacto da prática de actividade física moderada e intensa e do comportamento sedentário na saúde cardiometabólica de crianças e adolescentes. Em Portugal, participaram mil jovens.

Publicado no «Journal of the American Medical Association» (JAMA), o estudo revela que, entre os jovens que “faziam um pouco mais de exercício e tinham menos tempo sedentário, havia uma diferença aproximada de cinco centímetros no perímetro abdominal”, explicou Luís Bettencourt Sardinha.

Se esta diferença permanecer na idade adulta pode concluir-se que estes jovens terão um risco de mortalidade cardiovascular na idade adulta muito inferior aos jovens que fazem menos actividade física”, acrescentou o especialista.

Para o responsável do Laboratório de Exercício e Saúde, é ainda relevante salientar “os ganhos de saúde e no sistema nacional de saúde, no futuro, se for alterado o actual paradigma e se se apostar mais na prevenção”, reduzindo os casos de doença cardiovascular.

Em Portugal, somente 20 por cento dos jovens dos 10 aos 18 anos cumprem as recomendações, ou seja, em termos médios entre os rapazes são 30 por cento e, entre as raparigas, somente 10 por cento”, especificou.

Aos dez anos este valor é superior e, à medida que a idade vai aumentando até aos 18 anos, a percentagem tem tendência a reduzir-se, quer nos rapazes, quer na raparigas, situação que também acontece nos outros países analisados.

 

 “O grande desafio será manter os níveis de actividade física que os jovens têm, por exemplo, aos 10 anos, quando a percentagem de rapazes e raparigas que cumprem estas orientações é muito superior, da ordem de 50 a 60 por cento”, frisou Luís Bettencourt Sardinha.

Os jovens que “têm mais tempo sedentário e menos tempo de actividade física têm valores mais elevados de triglicéridos, de insulina, e valores mais elevados do perímetro da cintura, mas de uma forma genérica são saudáveis”.

No entanto, “se estes valores mais elevados persistirem na idade adulta, o risco das doenças cardiovasculares sobe e há que incluir uma doença como a diabetes tipo-2, cuja incidência tem aumentado muito a nível mundial”, alertou o responsável do Laboratório.

A sugestão é que, durante o período da infância e da adolescência, se pratique diariamente 60 minutos de actividade física moderada, como andar rapidamente, ou vigorosa, prática de modalidades como voleibol, andebol ou futebol. O tempo que os jovens passam a ver televisão ou no computador não deve exceder as duas horas diárias.

O Estudo Global intitulado «Actividade Física Moderada e Intensa, Sedentarismo e Factores de Risco Cardiometabólicos em Crianças e Adolescentes» utilizou uma amostra de 20 871 crianças e adolescentes, entre os 4 e os 18 anos, agrupando 14 estudos realizados entre 1998 e 2009, na Austrália, Brasil, Europa e EUA.

 


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