Estas crianças não param! Errado, estas crianças não se mexem

Julho 1, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de José Morgado publicado na Visão de 19 de junho de 2018.

Ao abrigo de um equívoco designado por Escola a Tempo Inteiro e apesar de boas práticas que existem, muitas crianças passam horas sem fim sentados ou, quase, paradas. Em casa, o cenário é do mesmo tipo só que em frente de um ecrã.

Recentemente foram divulgados pelo Instituto de Avaliação Educativa os resultados das provas de aferição realizadas em 2017. A imprensa deu particular relevo a alguns indicadores mostrados pelos alunos do 2º ano do 1º ciclo na área da Actividade Física.

Como exemplo destes indicadores podemos referir que 46% das crianças não conseguiu saltar à corda, 40% não conseguiu executar uma cambalhota para a frente ou que 31% não realizou adequadamente o jogo infantil ajustado à sua idade.

As reacções foram múltiplas procurando encontrar explicações e responsabilidades.

Algumas notas.

Mais do que um olhar sobre as especificidades das tarefas referidas o que me parece mais crítico e merecer atenção é o nível global de realização de actividades físicas por parte de muitas crianças.

Recordo que já em Fevereiro deste ano o Conselho Nacional das Associações de Professores e de Profissionais de Educação Física alertava para que boa parte dos alunos do 1º ciclo, por razões de natureza diversa e apesar de algumas boas práticas e iniciativas, não realizam regularmente actividades de Educação Física.

No entanto, quando em diferentes contextos se abordam questões relativas ao mundo da infância, uma das mais frequentes afirmações dirigidas ao comportamento das crianças e adolescentes é “Estas crianças não param” ou algo no mesmo sentido. Contudo, apesar da frequência com que ouvimos expressões deste teor, elas parecem desajustadas pois, de facto, as crianças não se mexem e também por isso provavelmente… “não param”.

Segundo o Relatório “Health at a Glance: Europe 2016” da OCDE, em Portugal, mais de uma em cada quatro crianças tem excesso de peso. Nas raparigas ultrapassa os 30% e nos rapazes temos 25%.

Acresce que no que respeita à actividade física e considerando a recomendação da OMS de uma hora diária de actividade física aos 11 anos só 16% das raparigas e 26% dos rapazes a cumprem e aos 15 anos temos 5% das raparigas e 18% dos rapazes.

É ainda de referir que estudos realizados em Portugal mostram que a obesidade infantil, um dos valores mais altos da UE, é já um problema de saúde pública associado, por exemplo, ao disparar de casos de diabetes tipo II em crianças. Parece, pois, evidente a importância que deve merecer a questão dos hábitos alimentares e o combate ao sedentarismo, sobretudo nos mais novos.

Ainda no que respeita à actividade física, um trabalho da Universidade de Coimbra divulgado em 2013 sublinhava de novo o impacto que o sedentarismo tem na saúde das crianças. Este estudo envolveu 17424 crianças entre os 3 e os 11 anos e mostrou uma relação significativa entre hábitos fortemente sedentários, ver televisão por tempo excessivo por exemplo, e problemas na saúde e bem-estar dos miúdos.

Um outro trabalho de 2012 da Faculdade de Motricidade Humana envolvendo cerca de 3000 alunos evidenciava o efeito positivo da actividade física no rendimento escolar para além dos evidentes benefícios para a saúde.

De facto, o quotidiano de crianças e adolescentes está excessivamente preenchido com actividades que solicitam pouca actividade física. Ao abrigo de um equívoco designado por Escola a Tempo Inteiro e apesar de boas práticas que existem, muitas crianças passam horas sem fim sentados ou, quase, paradas. Em casa, o cenário é do mesmo tipo só que em frente de um ecrã.

Parece estar adquirido que a generalidade dos estudos comprovam que o nível de actividade física de crianças e adolescentes está francamente abaixo do desejável. Por outro lado, este é o equívoco a que me referia, instalou-se a “ideia” de que as crianças e adolescentes não param, são muito activas, algumas até mesmo “hiperactivas” pelo que os desejos de muitos pais e professores é que estejam mais “calmas”, mais “sossegadas” e não tão “activas”, às vezes até são medicadas para que se aquietem.

Por isso e de uma vez por todas, que crianças e adolescentes não parem, que as não envolvam e incentivem a actividade sedentária tantas horas por dia e que ajudemos todos os pais e comunidades a construir alternativas que sejam atractivas para os tempos dos mais novos.

É uma questão de saúde, física e mental, para crianças e adolescentes e, também, para os adultos que lidam com eles.

No trabalho com pais refiro com frequência a importância que também têm as actividades ao ar livre que deveriam ser uma rotina e não uma excepção na educação formal e não formal dos mais novos.

Somos dos países da Europa em que adultos e crianças menos desenvolvem actividades no exterior contrariamente, por exemplo ao que se verifica nos países nórdicos apesar das diferenças de clima.

O que me preocupa seriamente é que o brincar da infância vai-se encurtando, algum dia os miúdos vão nascer crescidos para já não precisarem de brincar.

Ainda no caso mais particular mas também essencial do brincar no exterior, as questões da segurança e, sobretudo dos estilos de vida e a mudança verificada nos valores e nos equipamentos, brinquedos e actividades dos miúdos, têm levado a que brincar na rua começa a ser raro.

Embora consciente das variáveis risco, segurança e estilos de vida das famílias, creio que seria possível alguma oportunidade de “devolver” aos miúdos o circular e brincar na rua, talvez com a supervisão de velhos que estão sozinhos as comunidades e as famílias conseguissem alguns tempos e formas de ter as crianças por algum tempo fora das paredes de uma casa, escola, centro comercial, automóvel ou ecrã.

No imperdível “O MUNDO o mundo é a rua da tua infância”, Juan José Millás recorda-nos como a rua, a nossa rua foi o princípio do nosso mundo e nos marca. Quantas histórias e experiências muitos de nós carregam vindas do brincar e andar na rua e que contribuíram de formas diferentes para aquilo que somos e de que gostamos.

Como muitas vezes tenho escrito e afirmado, o eixo central da acção educativa, escolar ou familiar, é a autonomia, a auto-regulação, a capacidade e a competência para “tomar conta de si”. A rua, a abertura, o espaço, o risco (controlado obviamente), os desafios, os limites, as experiências, são ferramentas fortíssimas de desenvolvimento e promoção dessa autonomia.

Talvez, devagarinho e com os riscos controlados, valesse a pena trazer os miúdos para a rua, mesmo que por pouco tempo e não todos os dias. Eles iriam gostar e far-lhes-ia bem.

Saberiam dar cambalhotas, saltar à corda ou realizar jogos infantis de grupo.

(Texto escrito de acordo com a antiga ortografia)

Doutorado em Estudos da Criança. Professor no Departamento de Psicologia da Educação do ISPA – Instituto Universitário. Membro do Centro de Investigação em Educação do ISPA – Instituto Universitário. Colaborador e consultor regular de Programas de Formação de Professores e de Projectos de Investigação e Intervenção. Colaborador regular em Programas de Orientação Educativa para Pais. Autor de diversas publicações nas áreas da qualidade e educação inclusiva, diferenciação pedagógica, etc.

Blogue – http://atentainquietude.blogspot.com

 

 

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Workshop – Jogo em Saúde Mental – 24 abril em Coimbra

Abril 16, 2018 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.facebook.com/events/451519248596563/

V Conferências em Jogo e Motricidade na Infância, 16-17 março em Coimbra – Com a participação de Ana Lourenço e Marta Rosa do IAC

Março 11, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Drª Ana Lourenço e a Drª Marta Rosa do Sector da Actividade Lúdica do Instituto de Apoio à Criança, irão participar na conferência no dia 17 de março com a comunicação “O Sector da Actividade Lúdica na defesa do direito de Brincar”.

mais informações no link:

https://www.esec.pt/eventos/v-conferencias-em-jogo-e-motricidade-na-infancia

 

A brincar, a brincar também se aprende a ler

Dezembro 24, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 12 de dezembro de 2017.

No seminário Brincaleituras, as especialistas Dulce Gonçalves e Maria José Araújo vão explicar como é que a aprendizagem lúdica contribui para o sucesso escolar.

Bárbara Wong

Há letras espalhadas em cima das mesas, vogais e consoantes feitas de plástico. Numa sala de aula da secundária Brancaamp Freire, em Odivelas, ao final da tarde, uma dezena de professores do 1.º ciclo do agrupamento parece estar a brincar com as letras, mas não, está a aprender a usá-las para estimular a aprendizagem da leitura. Nesta terça-feira, na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa (FPUL), no seminário Brincaleituras, vai reflectir-se sobre “a sabedoria do jogar na leitura e no brincar”, ou seja, na possibilidade de os alunos aprenderem a partir de brincadeiras e de jogos.

Dulce Gonçalves, professora da FPUL e mentora do projecto IDEA – Investigação de Dificuldades para a Evolução na Aprendizagem, tem um saco cheio de letras na mão e vai fazendo propostas aos professores do 1.º ciclo de como utilizá-las em sala de aula. “A compreensão desenvolve-se e aprende-se a brincar. E a leitura também, a jogar e a interagir, a experimentar e a discutir, a ensaiar e a dramatizar”, defende a especialista.

As docentes da escola Melo Falcão, daquele agrupamento, contam ao PÚBLICO que um dia, em vez de pedirem aos alunos do 1.º ano que escrevessem as vogais, propuseram que as fizessem de uma maneira original, em casa. No dia combinado, havia “a” feitos em crochet, “e” em bolachas, “i” em plasticina, “o” em salame e “u” em cartolina. Este foi um TPC que envolveu pais, filhos e até avós. “E ao lanche comemos ditongos”, brinca uma das professoras, explicando que, já na escola, foi proposto aos alunos que juntassem as vogais para fazerem ditongos, antes de as comerem.

“Uma questão fundamental deste seminário é desmistificar o papel do jogo e do brincar. Muitas vezes se diz e ouve dizer: ‘A brincar também se aprende’. Mas isso não é verdade. As crianças só aprendem porque brincam, não brincam para aprender”, defende Maria José Araújo, professora na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, que marcará presença neste encontro em Lisboa, onde não se pretende “instrumentalizar o jogo e o brincar, pelo contrário, queremos mostrar a sua importância e dar pistas para que os educadores o possam valorizar, também na sala de aula”, acrescenta.

Na acção de formação na Brancaamp Freire, Dulce Gonçalves continua com o saco das letras na mão e dando pistas aos professores de como usá-lo. “Vamos pensar em jogos tradicionais e pô-los ao nosso serviço, de maneira a que os meninos olhem para as letras, as imaginem e as vejam por todo o lado”, convida. De imediato, um dos professores propõe fazer um bingo, tirando as letras, uma a uma, do saco, e levando os meninos a procurá-las no cartão que têm à sua frente.

Mudar de paradigma e de práticas pedagógicas

“O desenvolvimento da literacia, através do jogo e do brincar começa muito antes da criança entrar para a escola e, nesse sentido, essa experiência deve ser continuada e valorizada”, propõe Maria José Araújo. Para isso, é preciso “sair do esquema de aulas master dixit, do ‘temos de cumprir o programa’, do medo dos exames”, desafia Dulce Gonçalves.

É preciso mudar de paradigma e de práticas pedagógicas, acrescenta. É preciso ajudar os alunos a “entender o significado, a utilizar o que se lê a reagir emocionalmente àquilo que se lê”, continua. E isso começa desde o 1.º ano. O jogo é sinónimo de facilidade? “Dificultar não educa, mas amedronta, e no medo não se aprende. No entanto, há dificuldades que desafiam e os desafios fazem crescer, aprender e ser. São essas dificuldades que fazem a diferença, que se transformam em evolução”, responde Dulce Gonçalves.

Por isso, a professora da Universidade de Lisboa defende o jogo porque “é uma forma diferente de nos pôr a pensar e de nos desafiar a pensar para continuar a melhorar, a vencer e a perder até o medo de não ganhar”. “Nem mesmo o ter boas notas assegura que realmente se aprendeu, entendeu ou consolidou. É a jogar e a reutilizar o que se tentou aprender, a desafiar o que se julga saber perante novos problemas e novos desafios, é a investigar e a descobrir, que se ajuda a construir e a solidificar o edifício de saber”, conclui.

 

 

A brincar se seduz, manipula e convence. É a base da educação

Junho 28, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.dn.pt/ de 28 de maio de 2017.

Tony Dias/Global Imagens

Desde o primeiro momento que a ligação entre pais e filhos se faz pelo brincar, é a receita para a felicidade e já tem um dia mundial

Leonor é a médica e a sala de brincar o consultório. Este é o espaço que dá acesso ao mundo da fantasia, aquele onde tudo é possível. Leonor abre a mala de médico – oferecida pelo avô -, veste a bata branca e coloca o estetoscópio ao pescoço. “Foi a melhor prenda da vida dela”, diz a mãe, Margarida Cerveira. No consultório está tudo a postos para a doutora de cinco anos começar a cuidar da borbulha da irmã Sofia, de 1 ano e meio. Usa um pouco de creme, que, como explica ao DN, “é para tirar as dores”. Enquanto isso, Frederico, de 7 anos, o mais velho dos três irmãos, diverte-se a montar legos com o amigo David. Não há tempo a perder, a hora de almoço está quase a acabar.

Duas vezes por semana, Margarida, psicóloga, e o marido, Artur Figueiredo, agente cultural, unem esforços para passar a hora de almoço com os filhos. Uma forma de tentar contrariar a correria do dia-a-dia. E sempre que possível brincam. “A base da educação parental é o brincar. É a linguagem que as crianças melhor entendem”, diz–nos a mãe. Mudaram de casa há pouco tempo e ainda não há televisão. “Não temos uma cultura televisiva”, explica. Ao fim de semana, Frederico dedica meia hora por dia aos jogos de computador. Não há tablets, nem o vício de mexer nos smartphones dos pais, que não se consideram extremistas, mas ressalvam que os preocupa que “os miúdos fiquem muito dependentes das máquinas”.

É no quarto de brincar que os três irmãos se divertem, soltam a imaginação. Da estante de livros tiram as histórias que querem ouvir à noite. Sofia sabe onde estão os seus, na prateleira de baixo. As bonecas, os puzzles, os jogos, as peças da Playmobil convivem com alguns brinquedos do tempo dos pais. A ideia é deixá-los brincar. E, sempre que possível, ao ar livre, no quintal, num parque ou na quinta dos avós. “A profissão deles é brincar”, frisa Margarida. “E gostam que brinquemos com eles”, acrescenta Artur. Para o casal, “devia ser obrigatório ter meia hora por dia para brincar com as crianças”.

A ideia de que as brincadeiras estão na base da educação é partilhada por Beatriz Pereira, investigadora do Centro de Investigação em Estudos da Criança, da Universidade do Minho, que falou com o DN a propósito do Dia Mundial do Brincar, que hoje se comemora: “É absolutamente indispensável que os pais brinquem com os filhos. Todas as famílias com crianças pequenas deviam ter acesso a condições que lhes permitissem fazê-lo, porque é preciso tempo.” Os primeiros contactos com o bebé e as formas de comunicação são lúdicas. “É através do jogo que são feitas as aprendizagens de cooperação, partilha, das regras”, prossegue a investigadora. Mesmo antes de nascer, o bebé já brinca. “Brinca na barriga da mãe e sabe-se, por registos ecográficos e outros estudos, que se entretém. Brinca e utiliza o seu próprio corpo para isso”, explica o pediatra Mário Cordeiro. Além de ouvirem, “os bebés veem desde muito cedo e apercebem-se de alguma luminosidade que chega através da parede abdominal da mãe”. Se calhar, “veem sombras chinesas e devem divertir-se a vê-las”, argumenta.

O pediatra diz: “O brincar com o seu corpo, com o dos pais e com os brinquedos ou com qualquer coisa que passe ou que esteja ao seu alcance é importante e uma brincadeira.” Só que os adultos estão tão ocupados que, por vezes, nem reparam em “como magníficas são as crianças a brincar… e a manipular, seduzir e convencer”.

Brincar pode parecer simples, mas é uma das atividades mais elaboradas. Mário Cordeiro diz que “desenvolve a criatividade, o imaginário, a imaginação, a alternância, o sentido figurativo e representativo, e a organização dos gestos, das falas e dos cenários”. E não exige brinquedos. “Os bebés servem-se do próprio corpo e brincam com as mãos e com os pés. Os mais velhos agarram em dois ou três objetos e fazem deles o que querem, inventam histórias e ações.”

Brincar, a receita da felicidade

Beatriz Pereira avisa que “uma criança que não brinca é infeliz”. “A vida das crianças estará em risco se não tiverem espaço e tempo para brincar.” A investigadora defende que “é absolutamente necessário que, até aos 6 anos, as crianças tenham grandes períodos para brincar livremente, sem orientação dos professores, e se possível ao ar livre”. Além de estar associado a estilos de vida ativos e saudáveis, brincar é “essencial para o desenvolvimento integral, onde se destaca o desenvolvimento motor, social, emocional e cognitivo”.

Quanto mais pequenas são as crianças, maior a necessidade de brincar. “É preciso que não tenham a agenda muito preenchida com atividades.” Outro entrave são, muitas vezes, as tecnologias. “Aparecem muitas vezes para dar lugar à falta de tempo dos pais para levar as crianças para espaços ao ar livre”, lamenta a investigadora da Universidade do Minho. Não se pode impedir que tenham contacto com a tecnologia, “mas é essencial brincar ao ar livre, o brincar espontâneo, sujar-se, esmurrar-se”. Para aprender os limites, a criança tem de saber até onde pode ir.

Cultura do “quero tudo, já”

Brincar é também aprender a lidar com sentimentos menos bons. “As brincadeiras reais, fantasistas, permitem à criança, desde muito cedo, sublimar algumas frustrações e aprender a gerir o stress e a contrariedade, o que é fundamental nos nossos dias, já que, na nossa sociedade, gravitamos muito à volta do “quero tudo, já!”, e qualquer obstáculo ou dificuldade é sentida como uma agressão do outro, levando a sentimentos de raiva, violência ou vitimização”, afirma Mário Cordeiro. Muitas vezes, a própria brincadeira serve para “ar- quitetar situações em que a criança pretende, afinal, exprimir as suas angústias, revelar o que vai na alma e dar sinal dos problemas que a atormentam”.

Através da brincadeira, defende o pediatra, “devemos fazer que se promova, nos nossos pequenos ecossistemas, culturas de segurança, de afetos, de gestão pacífica de conflitos e, antes de mais, uma cultura lúdica, de prazer e de brincadeira”. Dentro do Homo sapiens é preciso recuperar “o Homo ludens, ou seja, durante toda a vida, é preciso manter a parte da brincadeira e da criatividade (e de expressão de sentimentos) para que a vida seja mais longa, mais tranquila e com mais momentos de felicidade”.

 

 

Conferência “International Meeting On Gambling Behaviours Among Adolescents And Young Adults: A new problem? Possible interventions” 7 Outubro no ISCTE

Outubro 1, 2016 às 7:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrição obrigatória até 5 de outubro via gambling.conference.iscte@gmail.com

Programa:

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Seminário Jogo e Motricidade no Desenvolvimento da Criança – 1 de junho na FMH

Maio 31, 2016 às 12:15 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Contatos: Tel. 21 414 91 04 e-mail  cursosbreves@fmh.ulisboa.pt

 

Psicólogas portuguesas criam jogo para prevenir abusos sexuais de crianças

Maio 5, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Três psicólogas portuguesas criaram um jogo de tabuleiro para ajudar crianças e adultos a identificarem uma situação de abuso sexual e pedir ajuda o mais cedo possível.

Em declarações à agência Lusa, a investigadora principal, do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, explicou que o jogo de tabuleiro vai estar à venda a partir de quinta-feira, em livrarias, com um preço que poderá rondar os 40 euros.

Segundo Rute Agulhas, este primeiro jogo destina-se a crianças entre os seis e os 10 anos e tem como objetivo a prevenção primária dos abusos sexuais de crianças.

Pode ser jogado por qualquer adulto, desde pais, psicólogos, professores, educadores de infância ou animadores socioculturais, com uma criança ou com um grupo de crianças, até um máximo de quatro.

“É uma lógica de aumentar conhecimento e promover competências: pedir ajuda, dizer não, o mais cedo possível”, sublinhou, acrescentando que o jogo também pretende aumentar os conhecimentos dos próprios adultos que jogam.

A psicóloga explicou que trabalha desde há 18 anos na área dos abusos sexuais, tanto com vítimas, famílias e agressores e que, por isso, já desde há muito tempo que sentia a necessidade de apostar na prevenção primária e não só no trabalho feito depois de o abuso ter acontecido, apontando que “em Portugal não há materiais específicos na área da prevenção”.

O jogo em causa é o primeiro de uma coleção que se chama “Vamos Prevenir” e foi decidido dar prioridade à faixa etária entre os seis e os 10 anos porque “é onde a incidência do abuso sexual é maior”.

“No próximo ano letivo vamos ter de abranger os 3 aos 6 anos e fazer materiais específicos para os mais pequenos e vamos fazer uma aplicação de telemóveis para os adolescentes”, adiantou.

Segundo explicou, trata-se de um jogo de tabuleiro, desenhado e estruturado à volta do tema do mar, com um menino chamado Búzio e uma menina chamada Coral, além de um livro de instruções, a Bússola, que tem as informações básicas que todos os adultos devem ler antes de começarem a jogar.

O jogo aborda vários temas, entre o corpo e o toque, o segredos, as emoções, pedir ajuda ou a internet e tem atividades que vão desde a mímica, desenho, cartas de expressões, onde é pedido às crianças que identifiquem as emoções associadas, ou cartas de segredos.

“Temos os cartões do corpo humano com o Búzio e a Coral todos despidos, de frente e de trás, exatamente para falar das partes privadas, desse conceito, quem pode mexer e quem não pode, o que fazer se mexe”, disse a psicóloga.

Rute Agulhas alertou que este é um material que serve para prevenção primária e não para trabalhar com crianças vítimas de abuso, não descartando a hipótese de poder servir como uma forma de facilitar a revelação.

“Uma criança que tenha sido efetivamente abusada ou esteja a ser abusada pode ser que encontre aqui uma oportunidade de falar sobre o tema porque aquilo que muitas vezes inibe que uma criança revele, além do medo, da vergonha, dos conflitos de lealdade ou a culpa, que também inibe bastante, é não haver uma oportunidade, é não se criar um contexto porque normalmente as famílias não falam sobre isto”, apontou.

Se por acaso isso acontecer, o adulto que estiver a jogar com a criança é orientado para saber o que dizer – “para a pessoa não ficar perdida com esta informação na mão” — e a quem ou onde pedir ajuda.

A psicóloga adiantou ainda que parte dos lucros da venda do jogo revertem para a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.

O jogo é recomendado pelo ISCTE, Centros de Estudos Judiciários e pela Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens em Risco.

Nos últimos cinco anos, a Polícia Judiciária investigou mais de 7 mil casos, o que dá uma média de quatro abusos por dia.

 

SIC Notícias em 27 de Abril de 2016

Apresentação do livro “O Problema do Jogo : o tratamento da dependência invisível : dos videojogos à mesa do casino” – 28 abril FNAC Colombo

Abril 20, 2016 às 11:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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convite

mais informações sobre o livro:

https://www.platanoeditora.pt/?q=C/BOOKSSHOW/o-problema-do-jogo

Lançamento do jogo “Vamos Prevenir! As Aventuras do Búzio e da Coral” jogo de prevenção primária do abuso sexual para crianças dos 6 aos 10 anos de idade – 28 abril no Teatro Thália

Abril 13, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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coral

mãos informações:

https://www.facebook.com/events/492893310903843/permalink/497468660446308/

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