Jogos de crianças. A violência não faz falta nesta lição

Janeiro 30, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Para o pediatra Mário Cordeiro, os jogos com que as crianças têm contacto moldam a forma como elas vão olhar para a realidade que as rodeia.

O desafio não se apresenta fácil: levar uma criança a trocar a consola e os jogos de sangue por actividades educativas. Os pais estão mais atentos na escolha daquilo que apresentam aos filhos, diz a psicóloga clínica Marta Costa, e essa escolha tem mesmo de ser “consciente” porque traz consequências graves – como a fobia social e o abandono escolar.“Se, num jogo, cortar cabeças vale mais pontos, como vamos explicar que os jihadistas não andam a vencer o campeonato?”, questiona-se o pediatra Mário Cordeiro.

O contacto com jogos de cariz violento até pode ser positivo para as crianças – permite-lhes treinar o raciocínio e a destreza, aprender a trabalhar em equipa e a tomar decisões. Há benefícios, portanto. Mas a questão é que essas capacidades podem ser adquiridas noutras actividades que não obriguem ao contacto dos mais novos com a violência.

As experiências de vida influenciam a formação do carácter da criança ao longo do seu desenvolvimento até chegarem à vida adulta. E isso é válido para o contexto familiar, escolar e, claro, também para o lúdico. “Quando estão expostas a um teor mais violento, as crianças tendem a repetir esses comportamentos”, refere a psicóloga escolar Marta Costa. O pormenor está mesmo no contexto familiar. “Uma criança que lide diariamente com episódios de violência e que prolongue esse contacto para os momentos de diversão tenderá a replicar esses comportamentos”, explica. Pelo contrário, uma criança com uma “estrutura normal” até pode passar por episódios de “desequilíbrio”, mas “tem todo o outro lado que compensa” esse deslize.

Não é que as crianças vão imitar em absoluto aquilo que observaram, até porque os sinais chegam de outra forma. “Nomeadamente na resolução de conflitos.Em vez de lidarem com essas situações de forma construtiva, as crianças adquirem esses comportamentos mais agressivos”, diz Marta Costa. Torna-se “um problema social” quando a criança não consegue ouvir um não, quando não obedece às orientações do professor. “A banalização da violência é sempre má”, resume o pediatra Mário Cordeiro.E a factura a pagar é cara.

Não, porque… Ao gabinete de Pedro Huber começaram a chegar pacientes cada vez mais novos. As pessoas com mais de 50 anos e vício de jogo em casino foram dando a lugar a miúdos com 18 anos com graves problemas de fobia e ansiedade social, instabilidades de humor, tendência para a depressão e, em última análise, abandono escolar. Tudo por causa de um vício em jogos de computador que começou a formar-se a partir dos 11, 12 anos de idade.

À permissividade dos pais, o psicólogo, especialista em adição ao jogo, junta o factor “desconhecimento”, sobretudo entre os casais acima dos 30 anos.

“A tecnologia é formidável, mas foi desenvolvida, desde sempre, pelo ser humano com três objectivos: tornar a vida mais prática e confortável, exigir menos esforço físico e dar mais tempo para outras actividades”, refere Mário Cordeiro. Para o pediatra, a opção é clara: entre os computadores e os jogos didácticos longe do ecrã, os últimos saem a ganhar. “A inteligência emocional e o espírito prático adquirem-se com esse tipo de jogos e não com jogos ou actividades monocórdicas, repetitivas ou em que tudo já está feito e o ser humano é um simples andróide que carrega em botões.”

É notório que a escolha e a última palavra passam sempre pelos pais. Mas como é que se consegue criar na criança o gosto por jogos e brincadeiras que não obriguem a um contacto com cenas de violência, violações e roubos? Dizendo simplesmente que não? Mais ou menos, dizem os especialistas ouvidos pelo i.

O ideal é começar desde cedo a “educar para a escolha”, defende Marta Costa. Negar o acesso das crianças a certo tipo de conteúdos resolve a questão dentro de casa, mas isso só gera “mais curiosidade por aquilo que não se conhece”. Tão importante como dizer que “não”, explica a psicóloga, é “explicar, numa linguagem que esteja de acordo com a idade da criança, as razões por que se opta por outras ofertas”. Isso não significa que, fora de casa, a criança não venha a experimentar o jogo, “mas experimenta por curiosidade e fica por aí”.

Outra hipótese passa por um maior “controlo parental” das crianças. Pedro Huber fala nos casos de crianças com 12 anos que, na internet, facilmente chegam aos jogos que só deveriam conhecer depois dos 16. Menos radical na solução que Mário Cordeiro, o psicólogo considera que “os pais podem sentar-se com os filhos frente ao ecrã, jogar um pouco com eles e perceber como eles reagem a cada tipo de jogo”.

Missão: jogos educativos

Ouvir os professores

Ambiente escolar Os professores e os educadores de infância lidam diariamente com dezenas de crianças. Eles estão, por isso, entre os profissionais mais bem preparados para indicar aos pais os jogos educativos mais aconselhados para os seus filhos. Ou, pelo menos, a explicar onde esses jogos podem ser encontrados e que benefícios cada actividade pode trazer à criança.

O universo da internet

Buscas rápidas Pode sempre procurar sugestões na internet. O mais difícil talvez seja encontrar ideias de jogos que não passem pelo requisito de ter um tablet e fazer o download de uma qualquer aplicação. Se isso não for impedimento, o conselho dos especialistas é que conheça a aplicação antes de apresentá-la aos seus filhos. Para encontrá-las, é simples: busca rápida no Google.

Tirar a poeira dos livros

Biblioteca municipal Talvez não seja a primeira ideia a passar pela cabeça dos pais – pelo menos dos mais novos –, mas a biblioteca municipal ou a livraria do bairro também são uma opção. Na secção de educação poderá encontrar bons livros pedagógicos ou com sugestões de actividades. E vai levar o seu filho a conhecer uma realidade que parece estar em vias de extinção.

Apostar na criatividade

Gerador de brincadeiras A ideia não precisa de ser genial. Mas o facto de perder uns minutos – talvez alguns dias – a pensar em jogos para pôr em prática com os seus filhos poderá ser uma hipótese a experimentar. Sugestão? Simples: um cesto cheio de meias às cores, com os respectivos pares. Ajuda as crianças a aprender a contar, aprender as cores e a juntar objectos iguais.

Aprender fora de portas

Jogos ao fim da rua “No meu tempo, as crianças brincavam na rua umas com as outras.” Os saudosistas têm alguma razão. Fora de portas, há uma série de jogos e actividades que põem os mais novos – e os mais velhos – em movimento e levam a aprendizagem, ao mesmo tempo que as estimula a conhecer a outras realidades que não apenas a da sala fechada.

O dia-a-dia também vale

Aproveitar as rotinas Um dos tormentos para uma criança é ser arrastada para o supermercado enquanto os pais fazem as compras de casa. Mas a necessidade pode servir para aprender, tanto quanto a limpeza de casa, pôr a mesa e uma série de actividades banais do dia-a-dia. O importante é aproveitar o tempo passado com os filhos da forma mais pedagógica possível.
 

 

Serious Games: O ensino está em jogo

Outubro 13, 2014 às 6:01 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem da Euronews de 3 de outubro de 2014.

ver a reportagem aqui

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“Serious Games”: jogar ao sério

Será que os “Serious Games” ou “Jogos Sérios” podem mudar a forma como aprendemos? Serão as aulas mais envolventes desta forma? Será que um ensino baseado na brincadeira pode ser aplicado a todas as disciplinas. A escola de negócios de Grenoble, GEM, é uma instituição francesa de prestígio, pioneira nos jogos sérios ou “Serious Games”. Em apenas dois anos e meio, a escola tornou-se uma referência internacional em “brincadeiras sérias”. Até mesmo os especialistas do prestigiado Instituto de Tecnologia de Massachusetts quiseram ver de perto os resultados desta iniciativa.

“Sim Democracy”: crianças democráticas

Na Tailândia, questões relacionadas com a democracia têm chegado às manchetes ultimamente, mas este sempre foi um assunto complicado. Um projeto tem como objetivo ajudar os alunos a perceber a governação. As mudanças políticas provocaram dúvidas sobre o significado da democracia. Mas existem esforços para mudar a situação. Em Nonthaburi, perto de Bangkok na escola Pittayakom, um jogo de tabuleiro chamado “Sim Democracy” tem o ambicioso objetivo de ensinar as crianças a governar uma sociedade democrática.

“Graphogames” na Zâmbia

No ranking oficial, a Zâmbia tem tido maus resultados relacionados com a alfabetização. As razões são salas de aula sobrelotadas e a falta de atenção individual. Mas agora, um jogo de vídeo-piloto desenvolvido na Finlândia, oferece uma nova forma de melhorar os resultados. Na escola primária Vera Chiluba em Lusaka, as crianças passam 20 minutos da aula absorvidas em letras, sílabas e palavras, com um professor digital particular. Seguem as instruções ouvidas através dos auriculares e ganham pontos pelas respostas corretas acumuladas durante o curso. Os graphogames são um complemento aos métodos convencionais de ensino, mas são uma forma de aprendizagem intensiva em apenas 20 minutos por dia.

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Graphogame chega a Portugal para ajudar crianças com dislexia

Julho 14, 2014 às 10:25 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do observador de 5 de julho de 2014.

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A versão portuguesa do jogo de vídeo finlandês foi desenvolvida pela Universidade do Minho e pelo Politécnico do Porto. O teste piloto vai decorrer no próximo ano letivo, em escolas da Invicta.

Ana Pimentel

O Graphogame chega este sábado a Portugal para ajudar as crianças com dislexia. O jogo de vídeo que nasceu na Finlândia foi adaptado para a realidade portuguesa pela Universidade do Minho e pelo Instituto Politécnico do Porto e vai ser testado em algumas escolas do distrito do Porto no ano-lectivo 2014/2015.

“É um treino divertido, intensivo, não cansa e não permite a frustração, pois adapta-se ao ritmo de cada um, como um tutor. A criança passa de nível pela rapidez e ao atingir pelo menos 80% de acertos”, explica Ana Sucena Santos, professora no Instituto Politécnico do Porto e membro do Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho.

O objetivo do Graphogame é que a criança associe o som e respetivas letras a objectos que caem do céu, de forma gradual, até conseguir relacioná-lo a sílabas ou palavras, sem se aperceber. O jogo, que foi desenvolvido num ano, vai decorrendo em cenários que envolvem piratas, desertos ou oceanos. Se os resultados forem positivos, as investigadoras ponderam levar o Graphogame ao ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato.

Para Ana Sucena Santos, o jogo de vídeo permite uma aprendizagem mais rápida e um maior envolvimento dos pais e docentes.

O teste piloto vai incluir crianças com e sem dificuldades de leitura, mas Ana Sucena Santos recomenda que o software seja utilizado de forma contínua e regular, idealmente entre a casa e a escola. “Este projeto está concebido como um jogo e isso motiva a criança, permitindo menos tensão, uma aprendizagem mais rápida e um maior envolvimento dos pais e docentes”, afirmou a responsável.

O Graphome já ajudou mais de 300 mil pessoas com dificuldades de leitura em idiomas como inglês, sueco, holandês e estoniano. Para Ana Sucena Santos, a correspondência entre letras e som é o processo fundamental da descodificação, habilidade de leitura e capacidade de consciência fonológica.

A versão portuguesa foi gravada nos estúdios da Rádio Renascença. Na Finlândia, o jogo que foi criado na Universidade de Jyväskylä, com a parceria do Instituto Niilo Mäki, foi adoptado nos currículos do Ministério da Educação do país.

 

Cientistas portugueses criam jogo para ajudar crianças autistas (vídeo)

Junho 14, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 9 de Junho de 2013.

Ouvir a reportagem Aqui

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O jogo visa ser uma ferramenta terapêutica para ensinar crianças autistas a reconhecer as emoções transmitidas pelas expressões faciais de um modo divertido e sem indução de stress.

O jogo de vídeo, chamado LIFEisGAME, foi desenvolvido com base em nova tecnologia a três dimensões e pretende ajudar as crianças com autismo a reconhecer emoções (ver vídeo de demonstração).

Em declarações à TSF, Verónica Orvalho, especialista argentina radicada em Portugal que lidera a equipa de investigadores da Universidade do Porto, explica que a ideia é que as crianças consigam aprender de um modo divertido e sem indução de stress a reconhecer as emoções transmitidas pelas expressões faciais.

O projeto da equipa multidisciplinar de investigadores em Ciências de Computadores e Ciências da Saúde da Universidade do Porto demorou três anos a ser desenvolvido.

Contou com o contributo de especialistas da Faculdade de Psicologia e de associações como a Criar, que ajudaram a equipa de investigadores a desenvolver esta tecnologia.

O protótipo do novo jogo representa um investimento superior a 230 mil euros, foi apoiado por várias instituições desde a Universidade do Porto, mas também pela Universidade do Texas e da Microsoft.

O jogo de vídeo conta já com 170 interessados em conhecer esta nova ferramenta de trabalho, que vai ser apresentada na próxima terça-feira no auditório da Faculdade de Ciências do Porto.

 


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