É mais fácil ser pai na Islândia?

Julho 16, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Seathor, pai islandês ©Callie Lipkin

Texto do Público de 9 de julho de 2018.

A fotógrafa norte-americana Callie Lipkin sente-se 100% segura ao afirmar que “a Islândia é líder mundial no que concerne à qualidade da política de licença parental”. Mãe e pai têm direito a três meses de licença. Durante esse período, auferem 80% do vencimento e dispõem ainda de mais três meses de licença que podem ser distribuídos entre os progenitores, à medida das suas necessidades. “Estudos revelam que os pais que estão mais envolvidos no cuidado dos filhos desenvolvem, estatisticamente, uma parceria parental mais igualitária”, explicou ao P3, em entrevista. Callie também é mãe, motivo por que se interessou pelo tema. “Enquanto mãe, observar a forma como outras culturas abordam a educação das crianças ajuda-me a colocar a minha própria experiência em perspectiva.”

Ser pai na Islândia é mais fácil do que noutros países, diz a fotógrafa. No campo das vantagens, os pais referem o ambiente extremamente seguro que se vive na ilha. “Os índices de violência e crime são extremamente baixos, em comparação com os de outros países. Os pais afirmam que não existem más escolas no país e que podem escolher livremente a escola que os filhos frequentam, independentemente da região onde residem.” Mas também existem aspectos menos positivos. “As principais desvantagens prendem-se com o facto de a Islândia ser uma ilha isolada e pequena, onde o custo de vida é bastante elevado”, refere Callie. A localização geográfica da ilha também não é amiga dos pais islandeses, que se queixam da dificuldade em convencer os seus filhos a ir para a cama enquanto ainda há luz natural no exterior. “Apesar de tudo, as vantagens parecem suplantar os inconvenientes”, conclui.

Callie Lipkin (@clipkin, no Instagram) encontrou inspiração para o desenvolvimento do projecto Icelandic Dad Time após uma viagem à China, onde fez um trabalho fotográfico com o mesmo tema. A partir dos Estados Unidos, com recurso às redes sociais, a fotógrafa encontrou os pais islandeses que seriam retratados. Contactou-os e, com base em pequenas entrevistas, seleccionou os melhores casos. Meses mais tarde, quando Callie aterrou em Reiquejavique, já todas as sessões fotográficas estavam agendadas. O processo foi célere e eficaz.

“Este é o segundo capítulo internacional do projecto Dad Time”, explica. O primeiro foi desenvolvido na China e pode ser visto no seu site. “Adoro examinar como a cultura dos países influencia os diferentes estilos de educação que são implementados. A educação é uma construção social e não existe, nesta matéria, certo ou errado.

 

 

A Islândia travou o consumo excessivo de álcool e drogas entre os adolescentes, mas o resto do mundo não está a prestar atenção

Março 1, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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© Dave Imms

Texto do http://observador.pt/ de 27 de janeiro de 2018.

Ao longo dos últimos 20 anos, o consumo de tabaco, álcool e drogas entre os adolescentes diminuiu drasticamente na Islândia. Emma Young foi tentar perceber como e porque razão o modelo não é copiado.

Faltam poucos minutos para as três da tarde numa sexta-feira soalheira e o Parque Laugardalur, perto do centro de Reiquejavique, está praticamente vazio. Vê-se um ou outro adulto a empurrar um carrinho de bebé, mas há prédios e casas a toda a volta do parque, e já acabaram as aulas – onde andam os miúdos?

Neste passeio pelo parque acompanham-me o islandês Gudberg Jónsson, psicólogo, e o norte-americano Harvey Milkman, professor de psicologia, que durante uma parte do ano dá aulas na Universidade de Reiquejavique. Há vinte anos, diz Gudberg, os adolescentes islandeses eram dos que mais bebiam na Europa. “Não se podia andar na baixa de Reiquejavique às sextas à noite, era perigoso”, acrescenta Milkman. “Havia hordas de adolescentes a embebedar-se, ficavam violentos.”

Estamos a chegar a um grande edifício: “E aqui é o ringue coberto de patinagem”, diz Gudberg.

Há uns minutos, tínhamos passado por dois pavilhões dedicados ao badminton e ao pingue pongue. No mesmo parque há também uma pista de atletismo, uma piscina de água aquecida por energia geotérmica e – finalmente! – avistam-se uns poucos miúdos, entretidos a jogar futebol num campo com relva artificial.

Gudberg explica que a razão pela qual não vemos miúdos cá fora é porque estão a ter aulas nestes edifícios, ou em clubes dedicados à música, à dança ou às artes visuais. Ou porque foram sair com os pais.

Atualmente, a Islândia está no topo da tabela europeia no que diz respeito à percentagem de adolescentes com hábitos saudáveis. A percentagem de miúdos entre os 15 e os 16 anos que ficaram embriagados no mês anterior desceu a pique, de 42 por cento em 1998 para 5 por cento em 2016. Os que já experimentaram canábis passaram de 17 para 7 por cento. Os que fumam tabaco todos os dias passaram de 23 para apenas 3 por cento.

O método radical através do qual esta reviravolta foi alcançada baseou-se em dados concretos, mas também depende muito daquilo a que poderíamos chamar “senso comum forçado”. “Este é o estudo mais intenso e profundo do impacto do stress nas vidas dos adolescentes que alguma vez vi”, diz Milkman. “Fico muito impressionado pela eficácia que está a ter.”

Se fosse adotado noutros países, defende Milkman, o modelo islandês poderia contribuir para o bem-estar físico e psicológico de milhões de adolescentes, reduzir as despesas com cuidados de saúde dos estados e beneficiar a sociedade como um todo. Mas é um grande “se”.

“Estive no centro do furacão durante a revolução das drogas”, explica Milkman enquanto tomamos chá no seu apartamento em Reiquejavique. No início da década de 1970, quando estagiou no Hospital Psiquiátrico da Bellevue, em Nova Iorque, “o LSD já estava na moda, e muita gente fumava marijuana. E na altura havia muita curiosidade acerca das razões pelas quais as pessoas tomavam certas drogas.”

A tese de doutoramento de Milkman concluía que as pessoas escolhiam a heroína ou as anfetaminas dependendo da maneira como preferiam lidar com o stress e a ansiedade. Quem procurava a heroína queria adormecer os sentidos; os que recorriam às anfetaminas queriam enfrentar o que os atormentava. Após a publicação deste trabalho, Milkman fez parte de um grupo de investigadores recrutados pelo Instituto Nacional da Toxicodependência dos EUA cuja função era responder a perguntas como: porque é que as pessoas começam a recorrer às drogas? O que as faz continuar? Quando é que passam o limiar da dependência? O que as faz parar? E em que circunstâncias têm recaídas?

“Qualquer estudante universitário nos saberia dizer: porque é que começam? Bem, porque as drogas estão disponíveis, porque as pessoas gostam de correr riscos, porque querem alhear-se, se calhar porque estão um bocado deprimidas”, afirma. “Mas porque é que continuam? Quando me debrucei sobre o limiar da dependência fez-se luz – foi a minha pequena epifania: é possível passar o limiar da dependência mesmo antes de se experimentar qualquer droga, porque aquilo de que as pessoas realmente abusam é da sua maneira de lidar com os problemas.”

Na Universidade Estadual Metropolitana de Denver, Milkman foi um dos grandes impulsionadores da ideia de que as pessoas estavam a ficar viciadas nas alterações químicas do cérebro. Os miúdos que procuravam o confronto queriam emoções fortes – e conseguiam-nas ao roubar jantes de automóveis, autorrádios e, mais tarde, carros, ou através de drogas estimulantes. O álcool também provoca alterações químicas no cérebro. É um sedativo cujo efeito começa por se fazer sentir no controlo cerebral, podendo assim retrair inibições e, em doses limitadas, reduzir a ansiedade.

“As pessoas podem ficar viciadas em álcool, carros, dinheiro, sexo, calorias, cocaína – seja o que for”, diz Milkman. “A ideia de dependência comportamental tornou-se a nossa imagem de marca.”

Esta ideia deu origem a outra: “Porque não desenvolver um movimento social em torno das ‘pedradas naturais’, da ideia de que é possível atingir esse estado alterado através da química cerebral de cada um – já que me parece evidente que as pessoas querem alterar a sua consciência – sem os efeitos nefastos das drogas?”

Em 1992 a equipa de Milkman em Denver obteve uma bolsa de 1,2 milhões de dólares do governo dos EUA para desenvolver o Projeto Autodescoberta, que propunha alternativas de “pedradas naturais” aos adolescentes, que não implicavam consumir drogas nem cometer crimes. Os participantes eram-lhes indicados por professores, enfermeiros e psicólogos escolares, adolescentes a partir dos 14 anos que não sentiam precisar de tratamento, mas que tinham tido problemas com drogas ou cometido delitos de pouca gravidade.

“Não os chamávamos para virem receber tratamento. O que lhes dizíamos era, podemos ensinar-vos qualquer coisa que queiram aprender: música, dança, hip hop ou artes marciais.” A ideia era que estas aulas diferentes podiam provocar alterações na química cerebral dos miúdos, e dar-lhes aquilo de que precisavam para estar melhor no mundo: alguns podiam estar à procura de maneiras de reduzir a ansiedade, outros de emoções fortes.

Ao mesmo tempo, os participantes aprendiam ferramentas fundamentais para a vida, com o intuito de melhorar a forma como se viam a si próprios, e a sua interação com os outros. “Baseámo-nos no princípio básico de que a educação contra a droga não funciona porque ninguém lhe presta a mínima atenção. Aquilo de que os adolescentes precisam é de ferramentas para lidar com essa informação”, diz Milkman. Foi dito aos miúdos que se tratava de um programa de três meses. Alguns acabaram por ficar durante cinco anos.

Em 1991, Milkman foi convidado a ir à Islândia para falar sobre este trabalho, e sobre as suas descobertas e ideias. Tornou-se consultor do primeiro centro de tratamento residencial para adolescentes na Islândia, em Tindar. “O centro foi desenvolvido a partir da ideia de propor alternativas melhores aos miúdos”, explica. Foi aí que conheceu Gudberg, que na altura era estudante de psicologia e voluntário em Tindar. São grandes amigos desde então.

Milkman começou a vir regularmente à Islândia para dar palestras. Estas palestras, assim como o centro de Tindar, chamaram a atenção de uma jovem investigadora da Universidade da Islândia, Inga Dóra Sigfúsdóttir. Perguntava-se: e se pudéssemos usar estas alternativas saudáveis às drogas e ao álcool como parte de um programa que, em vez de ser direcionado aos miúdos com problemas, tivesse o objetivo de fazer com que os miúdos não chegassem a beber ou a experimentar drogas?

Já alguma vez bebeste álcool? Se sim, quando foi a última vez que bebeste um copo? Já alguma vez ficaste bêbado? Já fumaste tabaco? Se sim, com que frequência fumas? Quanto tempo passas com os teus pais? Tens uma boa relação com os teus pais? Em que atividades participas?

Em 1992, os adolescentes de 14, 15 e 16 anos de todas as escolas da Islândia preencheram um questionário com perguntas como estas. O processo foi repetido em 1995 e 1997.

Os resultados destes inquéritos revelaram-se preocupantes. A nível nacional, quase 25 por cento dos adolescentes fumavam todos os dias, e mais de 40 por cento tinham ficado embriagados no mês anterior. Mas ao estudar os dados ao pormenor, a equipa percebeu quais eram as escolas que tinham os problemas mais graves – e as que tinham menos. A sua análise revelou a existência de diferenças muito claras entre as vidas dos miúdos que começavam a beber, a fumar e a tomar drogas e as daqueles que não o faziam. Alguns fatores mostraram ser determinantes na proteção dos adolescentes: participarem em atividades organizadas – sobretudo desporto – três ou quatro vezes por semana, passarem um número significativo de horas com os pais durante a semana, serem bem tratados na escola e não saírem de casa durante a noite.

“À época, havia uma série de programas de prevenção da dependência, e faziam-se muitos esforços nesse sentido”, diz Inga Dóra, que trabalhou como investigadora auxiliar nos inquéritos. “Baseavam-se sobretudo na educação.” Os miúdos eram avisados acerca dos perigos do álcool e das drogas, mas, tal como Milkman tinha constatado nos EUA, estes programas não eram eficazes. “Queríamos desenvolver uma abordagem nova.”

O presidente da câmara de Reiquejavique também tinha vontade de experimentar outra abordagem, e muitos pais sentiam o mesmo, acrescenta Jón Sigfússon, colega e irmão de Inga Dóra. Jón tinha filhas adolescentes na altura e juntou-se ao novo Centro Islandês de Investigação Social a que a irmã pertencia quando foi fundado, em 1999. “A situação era preocupante”, afirma. “Era evidente que se tinha de fazer alguma coisa.”

Recorrendo aos dados obtidos através dos inquéritos e aos resultados de investigações anteriores, incluindo a de Milkman, foi implementado gradualmente um novo plano nacional. Chamava-se Juventude na Islândia.

Mudaram-se as leis. Passou a ser ilegal comprar tabaco aos menores de 18 anos e álcool aos menores de 20, e a publicidade ao tabaco e ao álcool foi proibida. A ligação entre as escolas e os pais foi reforçada através da criação obrigatória de associações de pais, assim como da inclusão de representantes dos pais nos conselhos escolares. Os pais eram incentivados a ir a palestras sobre a importância de passar uma quantidade significativa de tempo com os filhos, mais do que “tempo de qualidade” esporádico, de falar com os filhos sobre as suas vidas, de saber quem eram os amigos dos filhos e de fazer com que eles passassem as noites em casa.

Também foi promulgada uma lei que proibia as crianças entre os 13 e os 16 anos de idade de estarem fora de casa depois das dez da noite no inverno e da meia noite no verão. Ainda está em vigor.

O Casa e Escola, o programa nacional das associações de pais, propôs a criação de acordos que os pais deveriam assinar. O conteúdo dos acordos varia de acordo com a faixa etária, e cada associação pode decidir o que é contemplado. Para os miúdos com mais de 13 anos, os pais podem comprometer-se a seguir todas as recomendações assim como, por exemplo, a não permitir que os filhos façam festas sem a supervisão de adultos, a não comprar bebidas alcoólicas a menores e a estar atentos ao bem-estar das outras crianças.

Estes acordos educam os próprios pais, mas também ajudam a fortalecer a sua autoridade em casa, defende Hrefna Sigurjónsdóttir, diretora do Casa e Escola. “Assim torna-se difícil usar a desculpa mais velha do mundo: ‘Mas os outros pais deixam!’”

O estado aumentou o financiamento atribuído às atividades desportivas, às artes, à dança e a outros clubes, de forma a que os miúdos tivessem acesso a formas alternativas de pertencer a um grupo, e de se sentirem bem, sem recorrerem às drogas e ao álcool. As crianças provenientes de famílias de baixo rendimento receberam apoios para poderem participar. Em Reiquejavique, por exemplo, onde vive mais de um terço da população do país, o Cartão de Lazer atribui 35 mil coroas islandesas (280 euros) por ano às famílias para atividades recreativas.

Muito importante também é o facto de os inquéritos terem continuado a ser feitos. A cada ano, são preenchidos praticamente por todas as crianças que vivem na Islândia.

Entre 1997 e 2012, a percentagem de miúdos entre os 15 e os 16 anos que dizem passar todos ou quase todos os dias da semana com os pais duplicou – de 23 para 43 por cento – e a percentagem que participa em atividades desportivas organizadas pelo menos quatro vezes por semana aumentou de 24 para 42 por cento. Entretanto, o consumo de tabaco, bebidas alcoólicas e cannabis nesta faixa etária desceu a pique.

“Embora não possamos provar que existe uma relação de causa-efeito – o que é um bom exemplo das razões pelas quais é difícil convencer os cientistas de que estes métodos de prevenção primária são eficazes – a tendência é muito clara”, observa Álfgeir Kristjánsson, que tratou estes dados e que agora pertence à Escola de Saúde Pública da Universidade da Virgínia Ocidental, nos EUA. “Os fatores de proteção aumentaram, os fatores de risco diminuíram, e a dependência de drogas e álcool diminuiu – e de forma mais consistente na Islândia do que em qualquer outro país europeu.”

“Até a Suécia se ri de nós, chamam-lhe o recolher obrigatório infantil”

Jón Sigfússon pede desculpa por ter chegado dois minutos atrasado. “Tive de resolver uma crise por telefone!” Embora prefira não dizer ao certo com quem esteve a falar, a chamada foi para uma das cidades noutros países do mundo que adotaram, em parte, as ideias do programa Juventude na Islândia.

O programa Juventude na Europa, que Jón lidera, teve início em 2006, depois de os dados estatísticos já bastante admiráveis da Islândia terem sido apresentados numa reunião das Cidades Europeias Contra as Drogas onde, segundo se lembra, lhe perguntaram: “O que estão a fazer?”

A participação no Juventude na Europa é feita através de iniciativas municipais, e não dos governos de cada país. No primeiro ano, inscreveram-se oito municípios. Até à data, participaram 35, em 17 países, desde áreas onde existem poucas escolas até Tarragona, em Espanha, onde o programa implica 4200 estudantes de 15 anos. O método é sempre igual: Jón e a sua equipa falam com os responsáveis locais e desenvolvem um questionário baseado nas mesmas perguntas principais que são usadas na Islândia, às quais se acrescentam outras que variam conforme o local. Por exemplo, as apostas online estão a tornar-se num problema grave em determinados sítios, e os responsáveis locais querem saber até que ponto é que se relacionam com outros comportamentos de risco.

Passados apenas dois meses de os questionários serem devolvidos à Islândia, a equipa envia um relatório preliminar com os resultados, assim como uma análise comparativa baseada nas outras regiões que participam no programa. “Costumamos dizer que, tal como a fruta e os legumes, a informação tem de ser fresca”, diz Jón. “Se estas análises fossem apresentadas um ano depois, as pessoas diriam, ‘Pois, mas foi há muito tempo, e se calhar as coisas mudaram entretanto…” Para além de ser fresca, a informação tem de ser local, para que as escolas, os pais e os responsáveis políticos saibam exatamente que problemas existem numa determinada área.

A equipa analisou 99 mil questionários oriundos de locais tão diferentes como as Ilhas Faroé, Malta e a Roménia – assim como da Coreia do Sul, e, muito recentemente, de Nairobi e da Guiné-Bissau. Em termos gerais, os resultados mostram que no que diz respeito ao abuso de determinadas substâncias por parte dos adolescentes, aplicam-se os mesmo fatores de risco e de proteção. No entanto, há algumas diferenças: num dos municípios (num país “do Báltico”), a participação em atividades desportivas organizadas revelou ser um fator de risco. Ao investigar este revés, descobriu-se que tal se devia ao facto de os clubes serem orientados por jovens ex-militares com propensão para o consumo de esteroides e anabolizantes comuns entre os culturistas, assim como para fumar e beber.

Embora Jón e a sua equipa apresentem todas as informações acerca do que mostrou ser eficaz na Islândia, cabe a cada uma das comunidades que participam decidir o que fazer face aos seus resultados. Em certas situações, decidem não fazer nada. Um país de maioria muçulmana (cuja identidade não nos revela) rejeitou os dados por considerar que revelavam um nível inaceitável de consumo de álcool. Noutras cidades – como aquela cuja crise Jón tentou resolver pelo telefone – apesar de haver abertura face aos dados e dinheiro para gastar, as equipas têm verificado que é muito mais difícil captar e manter financiamento para estratégias de prevenção de saúde do que para tratamentos.

Mais nenhum país fez mudanças à escala das que se verificam na Islândia. Quando lhe perguntamos se nalgum lugar foi copiada a lei que obriga as crianças a ficar em casa durante a noite, Jón sorri. “Até a Suécia se ri de nós, chamam-lhe o recolher obrigatório infantil.”

Em toda a Europa, as taxas de consumo de álcool e drogas por parte dos adolescentes têm vindo a reduzir-se longo dos últimos vinte anos, mas em nenhum país isso aconteceu de forma tão drástica como na Islândia. E as razões para estas melhorias não estão necessariamente ligadas a estratégias que promovem o bem-estar entre os adolescentes. No Reino Unido, por exemplo, o facto de os adolescentes passarem mais tempo em casa a comunicar online do que em pessoa é uma das principais razões que explica a descida no consumo de bebidas alcoólicas.

Mas Kaunas, na Lituânia, é um exemplo do que pode ser conseguido através de uma intervenção ativa. Desde 2006, a cidade distribuiu estes questionários cinco vezes, e as escolas, os pais, as organizações de cuidados de saúde, as igrejas, a polícia e os serviços sociais uniram-se para tentar melhorar o bem-estar das crianças e reduzir o uso de álcool e drogas. A título de exemplo, os pais têm direito a participar em oito ou nove sessões de aconselhamento parental por ano, e há um novo programa que encaminha apoios suplementares a instituições públicas e organizações não-governamentais da área da saúde mental. Em 2015, a cidade começou a oferecer atividades desportivas gratuitas às segundas, quartas e sextas, e está a ser planeado um serviço gratuito de transporte para as famílias de baixo rendimento, para que as crianças que vivem longe das instalações desportivas também possam participar.

Entre 2006 e 2014, o número de adolescentes entre os 15 e os 16 anos que referiram ter estado embriagados nos 30 dias anteriores desceu cerca de 25 por cento, e houve uma redução de mais de 30 por cento entre os que disseram fumar diariamente.

Atualmente, a participação no Juventude na Europa é bastante dispersa, e a equipa na Islândia é pequena. Jón gostaria que surgisse um organismo central com financiamento próprio dedicado à expansão do programa na Europa. “Embora estejamos a desenvolver este trabalho há dez anos, não é a nossa função principal, a tempo inteiro. Gostávamos muito que alguém copiasse este modelo e o implementasse em toda a Europa”, afirma. “E porquê nos havemos de limitar à Europa?”

Jón e Birgir, os futebolistas

Depois do passeio pelo Parque Laugardalur, Gudberg Jónsson convida-nos para irmos a sua casa. Cá fora, no jardim, os seus dois filhos mais velhos, Jón Konrád, de 21 anos, e Birgir Ísar, de 15, conversam comigo sobre beber e fumar. Jón bebe, mas Birgir diz que não conhece ninguém na escola que fume ou beba. Também falamos sobre os treinos de futebol: Birgir tem cinco ou seis treinos por semana; Jón, que está no primeiro ano da faculdade, num curso de gestão na Universidade da Islândia, treina cinco vezes por semana. Começaram ambos a treinar regularmente depois das aulas quando tinham seis anos.

“Temos imensos instrumentos musicais em casa”, tinha-me dito o pai dos rapazes. “Tentámos que se interessassem por isso. E já tivemos um cavalo. A minha mulher gosta muito de andar a cavalo. Mas não aconteceu. Acabaram por escolher o futebol.”

Alguma vez lhes pareceu demasiado? Sentiram pressão para ir aos treinos quando lhes apetecia fazer outra coisa qualquer? “Não, divertíamo-nos a jogar futebol”, diz Birgir. Jón acrescenta, “Experimentámos e habituámo-nos a jogar, por isso fomos continuando.”

E não é só isso que fazem. Embora Gudberg e a sua mulher, Thórunn, não planeiem meticulosamente passar um determinado número de horas por semana com os três filhos, acabam por levá-los muitas vezes ao cinema, ao teatro, a jantar fora, a fazer caminhadas, à pesca e até em expedições familiares de pastorícia, quando as ovelhas da Islândia são trazidas do cimo dos montes em setembro.

Jón e Birgir podem ser particularmente dedicados ao futebol, e particularmente talentosos (graças ao futebol, Jón recebeu uma bolsa de estudo da Universidade Estadual Metropolitana de Denver, e poucas semanas depois do nosso encontro, Birigir foi chamado para jogar na seleção nacional de sub-17). Mas será que o aumento significativo da percentagem de miúdos que fazem desporto quatro ou mais vezes por semana poderá conduzir a outros benefícios, para lá da saúde das crianças?

Será que, por exemplo, terá tido alguma coisa a ver com a vitória esmagadora da Islândia sobre a Inglaterra no Campeonato Europeu de Futebol de 2016? Quando lhe perguntamos isso mesmo, Inga Dóra Sigfúsdóttir sorri: “Também temos tido bastante sucesso na música, com os Of Monsters and Men [uma banda indie-folk de Reiquejavique], por exemplo. São jovens que foram incentivados a trabalhar em equipa. Já me agradeceram algumas vezes”, diz, piscando o olho.

Noutros países, as cidades que se juntaram ao Juventude na Europa têm dado conta de outros benefícios. Em Bucareste, por exemplo, a taxa de suicídios entre os adolescentes tem estado a decair, em paralelo com o consumo de álcool e drogas. Em Kaunas, o número de crianças que cometeram crimes desceu um terço entre 2014 e 2015.

Como diz Inga Dóra: “Através desta investigações, ficámos a saber que precisamos de criar as circunstâncias nas quais os miúdos possam viver de forma saudável, em que não sintam a necessidade de recorrer a substâncias como o álcool e as drogas, porque percebem que a vida é divertida e há muitas coisas para fazer – e sabem que têm o apoio dos pais, que passam bastante tempo com eles.”

Mas a Islândia é um país pequeno…

Trezentos e vinte e cinco milhões de habitantes contra trezentos e trinta mil. Trinta e três mil gangues contra praticamente nenhum. Cerca de um milhão e trezentos mil jovens sem abrigo contra meia dúzia.

Claramente, nos EUA há desafios que não existem na Islândia. Mas os dados recolhidos noutras zonas da Europa, incluindo cidades como Bucareste, onde existem problemas sociais graves e um grau considerável de pobreza, demonstram que o modelo islandês pode funcionar em culturas muito diferentes, defende Milkman. E a necessidade de um programa como este nos EUA é grande: cerca de 11 por cento do álcool a nível nacional é consumido por menores, e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas é responsável por mais de 4300 mortes por ano entre os menores de 21.

No entanto, é improvável que venha a ser implementado um programa semelhante ao islandês a nível nacional nos EUA. Um dos maiores impedimentos a uma tal iniciativa é que, ao contrário do que acontece na Islândia, onde se estabeleceu um compromisso a longo prazo face a este projeto nacional, nos Estados Unidos os programas de saúde dirigidos às comunidades são por norma apoiados por bolsas a curto prazo.

Milkman aprendeu a custo que nem os programas mais inovadores e elogiados nem sempre são alargados, ou mesmo mantidos. “Quando criámos o Projeto Autodescoberta, estávamos convencidos de que aquele era o melhor programa do mundo”, explica. “Fui convidado por duas vezes a ir à Casa Branca. O projeto ganhou prémios a nível nacional. Na altura pensei: este programa vai ser copiado e adotado em todas as cidades e aldeias. Mas não foi.”

Concluiu que isso se deve ao facto de não ser possível estabelecer um modelo genérico para todas as comunidades, uma vez que nem todas têm os mesmos recursos. Qualquer tentativa de apresentar aos miúdos nos EUA a oportunidade de participar nas atividades que se tornaram comuns na Islândia, e de os ajudar a não se iniciarem no consumo de álcool e drogas, terá de se apoiar nas estruturas que já existam. “É necessário recorrer aos recursos de cada comunidade“, explica.

Álfgeir Kristjánsson, colega de Milkman, está a apresentar as ideias islandesas no estado da Virgínia Ocidental. Estão a ser distribuídos inquéritos nalgumas escolas básicas e secundárias do estado, e há um coordenador local cujo papel é ajudar a divulgar os resultados junto dos pais e de quaisquer outras pessoas que os possam utilizar para ajudar os miúdos da zona. Mas admite que será difícil atingir os resultados que se verificam na Islândia.

Esta visão a curto prazo também impede o estabelecimento de estratégias eficazes de prevenção no Reino Unido, diz Michael O’Toole, diretor executivo da Mentor, uma instituição de caridade cujo objetivo é reduzir o uso de álcool e drogas entre as crianças e os adolescentes. Esse trabalho acaba por ficar nas mãos das autoridades locais ou das escolas, o que muitas vezes significa que os miúdos se limitam a receber informações sobre os riscos associados ao consumo de drogas e de álcool – estratégia que, reconhece, não tem dado provas de funcionar.

O’Toole está completamente rendido à política islandesa de sublinhar a importância de os pais, a escola e a comunidade trabalharem em conjunto para apoiar as crianças, e de chamar os pais e os encarregados de educação a ter um papel mais interventivo na vida dos adolescentes. Criar mais e melhores apoios para os miúdos é essencial, sublinha. Mesmo no que toca apenas ao álcool e ao tabaco, os dados indicam sem margem para dúvidas que quanto mais velha uma criança for quando fumar o primeiro cigarro ou beber a primeira bebida alcoólica, mais saudável será ao longo da vida.

Mas nem todas estas estratégias seriam aceitáveis no Reino Unido – a começar pelo recolher obrigatório das crianças, passando, muito provavelmente, pela ideia de os pais andarem pelos bairros a verificar se há crianças a quebrar as regras. E a experiência-piloto levada a cabo pela Mentor em Brighton, que implicava convidar os pais a aparecer nas escolas e participar em seminários, revelou que é muito difícil despertar o seu interesse.

A desconfiança do público em geral e a falta de vontade de participar de forma proativa no programa são os maiores desafios onde quer que se tente implementar os métodos islandeses, considera Milkman, porque dizem respeito a questões fundamentais como o equilíbrio da responsabilidade entre os cidadãos e os estados. “Até que ponto é que estão dispostos a deixar o estado controlar as atividades dos vossos filhos? Isto não será uma interferência demasiado grande do governo na vida das pessoas?“

Na Islândia, a relação que se estabeleceu entre os cidadãos e o estado tem permitido que um programa nacional eficaz reduza drasticamente a percentagem de miúdos que fumam e bebem demasiado – e, no mesmo movimento, tem aproximado as famílias e ajudado as crianças a tornar-se mais saudáveis, de todas as maneiras. Será que mais nenhum país está disposto a decidir que estes benefícios justificam os custos?

Tradução: Francisca Cortesão

Este texto foi originalmente publicado no site Mosaic Science

 

A Islândia sabe como acabar com as drogas entre adolescentes, mas o resto do mundo não escuta

Outubro 22, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do https://brasil.elpais.com/ de 8 de outubro de 2017.

 

Falta pouco para as 15h de uma ensolarada tarde de sexta-feira, e o parque de Laugardalur, perto do centro de Reykjavik, está praticamente deserto. De vez em quando, um adulto passa empurrando um carrinho de bebê. Mas, se os jardins estão rodeados de casas e edifícios residenciais, e os meninos já saíram do colégio, onde estão as crianças?

Sou acompanhada em meu passeio por Gudberg Jónsson, um psicólogo islandês, e Harvey Milkman, professor de psicologia norte-americano que leciona na Universidade de Reykjavik durante uma parte do curso. Há 20 anos, conta Gudberg, os adolescentes islandeses estavam entre os que mais bebiam na Europa. “Nas noites de sexta, você não podia andar pelas ruas do centro de Reykjavik porque não se sentia seguro”, diz Milkman. “Havia uma multidão de adolescentes se embebedando diante de todos.” Chegamos perto de um grande edifício. “E aqui temos a pista de patinagem coberta”, informa Gudberg.

Minutos atrás, passamos por duas salas onde se joga badminton e tênis de mesa. No parque também há uma pista de atletismo, uma piscina com aquecimento geotérmico e, finalmente, um grupo de crianças jogando futebol com entusiasmo sobre grama sintética.

Não há jovens passando a tarde no parque neste momento, explica Gudberg, porque eles se encontram nas instalações fazendo atividades extra-escolares ou em clubes de música, dança e arte. Talvez também tenham saído com os pais.

A Islândia ocupa hoje o primeiro lugar no ranking europeu sobre adolescentes com um estilo de vida saudável. A taxa de meninos de 15 e 16 anos que consumiram grande quantidade de álcool no último mês caiu de 42% em 1998 para 5% em 2016. Já o índice dos que haviam consumido cannabis alguma vez passou de 17% para 7%, e o de fumantes diários de cigarro despencou de 23% para apenas 3%.

O país conseguiu mudar a tendência por uma via ao mesmo tempo radical e empírica, mas se baseou, em grande medida, no que se poderia denominar de “senso comum forçado”. “É o estudo mais extraordinariamente intenso e profundo que já vi sobre o estresse na vida dos adolescentes”, elogia Milkman. “Estou muito bem impressionado com seu funcionamento.” Se fosse adotado em outros países, diz ele, o modelo islandês poderia ser benéfico para o bem-estar psicológico e físico geral de milhões de jovens. Isso sem falar dos orçamentos dos organismos de saúde e da sociedade como um todo. Um argumento que não pode ser ignorado.

“Estive no olho do furacão da revolução das drogas”, diz Milkman, enquanto tomamos um chá em seu apartamento em Reykjavik. No início dos anos setenta, quando trabalhava como residente no Hospital Psiquiátrico Bellevue de Nova York, “o LSD já estava na moda, e muita gente fumava maconha. Havia um grande interesse em saber por que as pessoas consumiam certas drogas.”

Em sua tese de doutorado, Milkman concluiu que as pessoas escolhiam a heroína ou as anfetaminas dependendo de como queriam lidar com o estresse. Os consumidores de heroína preferiam se insensibilizar, enquanto os usuários de anfetaminas optavam por enfrentar o estresse ativamente. Quando o trabalho foi publicado, Milkman entrou para um grupo de pesquisadores recrutados pelo Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas dos EUA para que respondessem a determinadas perguntas. Entre elas, por que as pessoas começam a consumir drogas, por que continuam consumindo, quando atingem o limite do abuso, quando deixam de consumi-las e quando têm recaída. “Qualquer aluno da faculdade poderia responder à pergunta sobre por que começa: é que as drogas são fáceis de conseguir e os jovens gostam de riscos. Também é preciso levar em conta o isolamento e talvez a depressão”, afirma. “Mas, por que continuam consumindo? Por isso, passei à pergunta sobre o limite do abuso… e me iluminei. Vivi minha própria versão do ‘eureka!’. Os garotos podiam estar à beira da dependência inclusive antes de tomar a droga, pois o vício estava na maneira como enfrentavam seus problemas.”

Na Universidade Estatal Metropolitana de Denver, Milkman foi fundamental para o desenvolvimento da ideia de que a origem dos vícios estava na química cerebral. Os menores “combativos” procuravam ter “sensações intensas” e podiam consegui-las roubando calotas de carro, rádios e depois os próprios carros – ou através das drogas estimulantes. Claro que o álcool também altera a química cerebral. É um sedativo, mas primeiro seda o controle do cérebro, o que por sua vez pode suprimir as inibições e, em doses limitadas, reduzir a ansiedade.

“As pessoas podem se tornar dependentes de bebida, carro, dinheiro, sexo, calorias, cocaína… de qualquer coisa”, diz Milkman. “A ideia da dependência comportamental se transformou no traço que nos caracteriza.”

Dessa ideia nasceu outra. “Por que não organizar um movimento social baseado na embriaguez natural, em que as pessoas ‘sintam barato’ com a química de seu cérebro – porque me parece evidente que as pessoas desejam mudar seu estado de consciência – sem os efeitos prejudiciais das drogas?”

Em 1992, sua equipe de Denver obteve uma subvenção de 1,2 milhão de dólares (3,7 milhões de reais) do Governo para criar o Projeto Autodescoberta, que oferecia aos adolescentes maneiras naturais de se embriagar, alternativas aos entorpecentes e ao crime. Os cientistas pediram aos professores, assim como às enfermeiras e aos terapeutas de centros escolares, que lhes enviassem alunos. E incluíram no estudo meninos de 14 anos que não achavam que precisavam de tratamento, mas que tinham problemas com as drogas ou com crimes leves.

“Não lhes contamos que vinham para uma terapia, e sim que lhes ensinaríamos algo que quisessem aprender: música, arte, dança, hip hop ou artes marciais”, explica. A ideia era que as diferentes aulas pudessem provocar uma série de alterações em sua química cerebral e lhes proporcionassem o que necessitavam para enfrentar melhor a vida. Enquanto alguns talvez desejassem uma experiência para ajudar a reduzir a ansiedade, outros poderiam estar em busca de emoções fortes.

Ao mesmo tempo, os participantes receberam formação em capacidades para a vida, centrada em melhorar suas ideias sobre si mesmos, sua existência e sua maneira de interagir com os demais. “O princípio básico era que a educação sobre as drogas não funciona porque ninguém dá atenção a ela. Precisamos de capacidades básicas para levar essas informações à prática”, afirma Milkman. A equipe disse aos adolescentes que o programa duraria três meses. Alguns ficaram cinco anos.

Em 1991, Milkman foi convidado para falar sobre seu trabalho, suas descobertas e suas ideias na Islândia. Tornou-se assessor do primeiro centro residencial de tratamento de dependência de drogas para adolescentes do país, situado na cidade de Tindar. “A ideia [do centro] era oferecer aos meninos coisas melhores para fazer”, explica. Lá conheceu Gudberg, que na época estudava Psicologia e trabalhava como voluntário. Desde então, os dois são amigos íntimos.

No início, Milkman viajava regularmente à Islândia para dar conferências. Suas palestras e o centro de Tindar atraíram a atenção de Inga Dóra Sigfúsdóttir, uma jovem pesquisadora da Universidade da Islândia. Ela se perguntava o que aconteceria se fosse possível utilizar alternativas saudáveis às drogas e ao álcool dentro de um programa que não tivesse o objetivo de tratar jovens com problemas, mas, sobretudo, de conseguir que eles deixassem de beber e consumir drogas.

Você já experimentou álcool? Se a resposta for afirmativa, quando foi a última vez que bebeu? Ficou bêbado em alguma ocasião? Consumiu tabaco? Se sim, quanto você fuma? Quanto tempo passa com os seus pais? Tem uma relação estreita com eles? De que tipo de atividade você participa?

Em 1992, os meninos e meninas de 14, 15 e 16 anos de todos os centros de ensino da Islândia preencheram um questionário com perguntas como essas. O processo foi repetido em 1997 e 1997.

Os resultados da pesquisa foram alarmantes. Em todo o país, quase 25% dos jovens fumavam diariamente, e mais de 40% havia se embriagado no mês anterior. Mas quando a equipe se aprofundou nos dados, identificou com precisão quais centros tinham mais problemas e quais tinham menos. A análise expôs as claras diferenças entre as vidas dos garotos que bebiam, fumavam e consumiam outras drogas e as vidas daqueles que não utilizavam essas substâncias. Também revelou que havia diversos fatores com um efeito decididamente protetor: a participação, três ou quarto vezes por semana, em atividades organizadas – sobretudo esportivas; o tempo que passavam com os pais durante a semana; a sensação de que os professores do colégio se preocupavam com eles; e não sair de noite.

“Naquela época, houve inúmeras iniciativas e programas para a prevenção do consumo de drogas”, diz Inga Dóra, que foi pesquisadora ajudante nas pesquisas. “A maioria se baseava na educação.” As campanhas alertavam os meninos sobre os perigos da bebida e das drogas, mas, como Milkman observara nos EUA, os programas não davam resultado. “Queríamos propor um enfoque diferente.”

O prefeito de Reykjavik também estava interessado em testar algo novo, e muitos pais compartilhavam seu interesse, conta Jón Sigfússon, colega e irmão de Inga Dóra. As filhas de Jón eram pequenas na época, e ele entrou para o Centro Islandês de Pesquisa e Análise Social de Sigfúsdóttir em 1999, ano de sua fundação. “A situação estava ruim”, recorda. “Era evidente que precisávamos fazer alguma coisa.”

A partir dos dados da pesquisa e dos conhecimentos proporcionados por diversos estudos, entre eles o de Milkman, aos poucos foi introduzido um novo plano nacional, que recebeu o nome de Juventude na Islândia.

As leis mudaram. Penalizou-se a compra de tabaco por menores de 18 anos e a de álcool por menores de 20. Proibiu-se a publicidade das duas substâncias. Reforçaram-se os vínculos entre os pais e os centros de ensino, mediante organizações de mães e pais, que deviam ser criadas por lei em todos os centros, juntamente com conselhos escolares com representação dos pais. A estes também foi pedido que comparecessem às palestras sobre a importância de passar muito tempo com os filhos, em vez de dedicar a eles “tempo de qualidade” esporadicamente, assim como falar com eles de suas vidas, conhecer suas amizades e ressaltar a importância de ficar em casa de noite. Além disso, foi aprovada uma lei que proibia que os adolescentes de 13 a 16 anos saíssem depois das 22h no inverno e da meia-noite no verão. A norma continua vigente.

Casa e Escola, a entidade nacional que agrupa as organizações de mães e pais, estabeleceu acordos que os pais tinham de assinar. O conteúdo varia dependendo da faixa etária, e cada organização pode decidir o que deseja incluir. Para os meninos a partir de 13 anos, os responsáveis podem se comprometer a cumprir todas as recomendações e, por exemplo, a não permitir que seus filhos realizem festas sem a sua supervisão, a não comprar bebida alcoólica aos menores de idade e a estar atentos ao bem-estar dos garotos.

Esses acordos sensibilizam os pais e ajudam a reforçar sua autoridade em casa, afirma Hrefna Sigurjónsdóttir, diretora da Casa e Escola. “Desse modo, fica mais difícil para eles utilizar a velha desculpa de que os demais [garotos] têm permissão para fazer essas coisas.”

Também aumentou o financiamento estatal para clubes esportivos, musicais, artísticos, de dança e outras atividades para oferecer aos garotos maneiras alternativas de se sentirem bem fazendo parte de um grupo, sem terem que consumir álcool e drogas. Os filhos de famílias de baixa renda receberam ajuda para participar das atividades. Em Reykjavik, onde mora um terço da população do país, o chamado Cartão do Lazer dá direito a 35.000 coroas (cerca de 1.030 reais) anuais por filho para custear atividades recreativas.

Um fator decisivo é a continuidade das pesquisas. A cada ano, quase todos os garotos islandeses as preenchem. Isso significa que sempre há dados novos e confiáveis.

Entre 1997 e 2012, duplicou a proporção de adolescentes de 15 e 16 anos que declararam que “com frequência ou quase sempre” passavam tempo com os pais no fim de semana – a cifra passou de 23% para 46%. Já a dos que participavam de atividades esportivas organizadas pelo menos quatro vezes por semana subiu de 24% para 42%. Ao mesmo tempo, o consumo de cigarros, álcool e maconha nessa mesma faixa etária caiu drasticamente. “Embora não possamos apresentar esse fenômeno como uma relação causal – o que é um bom exemplo de por que às vezes é difícil vender aos cientistas os métodos de prevenção primária –, a tendência é muito clara”, observa

Kristjánsson, que trabalhou com os dados e hoje integra a Escola Universitária de Saúde Pública da Virgínia Ocidental, nos EUA. Os fatores de proteção aumentaram e os de risco diminuíram – assim como o consumo de entorpecentes. Além disso, na Islândia essas variações ocorreram de modo mais coerente que em qualquer outro país da Europa.”

O caso europeu

Jón Sigfússon pede desculpa por chegar alguns minutos atrasado. “Recebi um telefonema por uma situação de crise.” Prefere não dizer onde, mas era uma entre as várias cidades do mundo inteiro que adotaram parcialmente as ideias do programa Juventude na Islândia.

O Juventude na Europa, dirigido por Jón, nasceu em 2006 após a apresentação dos já então extraordinários dados da Islândia numa das reuniões do Cidades Europeias contra as Drogas. “As pessoas nos perguntavam como conseguíamos”, recorda Sigfússon.

A participação no Juventude na Europa não se dá por iniciativa dos Governos nacionais; corresponde às Prefeituras. Oito municípios aderiram ao plano no primeiro ano. Hoje participam 35 cidades de 17 países. Em algumas, poucas escolas estão envolvidas; em outras, como Tarragona (Espanha), há 4.200 adolescentes de 15 anos engajados. O método é sempre igual. Jón e sua equipe falam com as autoridades locais e elaboram um questionário com as mesmas perguntas fundamentais utilizadas na Islândia, além de outras adaptadas ao lugar. Algumas cidades, por exemplo, têm registrado casos de problemas graves com as apostas pela internet, e as autoridades querem saber se isso está relacionado com outros comportamentos de risco.

Dois meses após a devolução do questionário à Islândia, a equipe já manda um relatório preliminar com os resultados, além de informações comparando-os com os de outras zonas participantes. “Sempre dizemos que, assim como as verduras, as informações têm que ser frescas”, brinca Jón. “Se você entregar os resultados depois de um ano, as pessoas te dirão que passou muito tempo e que as coisas talvez tenham mudado.” Além disso, os dados têm que ser locais para que os centros de ensino, os pais e as autoridades possam saber exatamente que problemas existem em quais regiões.

A equipe analisou 99.000 questionários de lugares tão distantes entre si como as ilhas Feroé, Malta e Romênia, assim como a Coreia do Sul e, mais recentemente, Nairóbi e Guiné-Bissau. Em linhas gerais, os resultados mostram que, no que se refere ao consumo de substâncias tóxicas entre os adolescentes, os mesmos fatores de proteção e de risco identificados na Islândia são válidos em todos os lugares. Mas há algumas diferenças. Em um lugar (um país “do Báltico”), a participação em esportes organizados foi um fator de risco. Uma pesquisa mais profunda revelou que isso acontecia porque os clubes eram dirigidos por jovens ex-militares viciados em anabolizantes, assim como em bebidas e cigarro. Neste caso, portanto, tratava-se de um problema concreto, imediato e local que deveria ser resolvido.

Jón e sua equipe oferecem assessoria e informações sobre as iniciativas que deram bons resultados na Islândia, mas cada comunidade decide o que fazer com base nos resultados. Algumas vezes, não fazem nada. Um país predominantemente muçulmano, que o pesquisador prefere não mencionar, rechaçou os dados porque revelavam um desagradável nível de consumo de álcool. Em outras cidades – como a que originou o telefonema de “crise” de Jón – estão abertas aos dados e têm dinheiro, mas Sigfússon observou que pode ser muito mais difícil assegurar e manter financiamento para as estratégias de prevenção de saúde do que para os tratamentos.

Nenhum outro país fez mudanças tão amplas quanto as da Islândia. Algum deles seguiu o exemplo da legislação para impedir que os adolescentes saiam de noite? Jón sorrie: “Até a Suécia ri dessa medida, chamando-a de ‘Toque de recolher’ infantil.”

Ao longo dos últimos 20 anos, as taxas de consumo de álcool e drogas entre os adolescentes melhorou em termos gerais, embora em nenhum lugar isso tenha acontecido de forma tão radical quanto na Islândia. E as causas dos avanços nem sempre têm a ver com as estratégias de fomento ao bem-estar dos jovens. No Reino Unido, por exemplo, o fato de eles passarem mais tempo em casa relacionando-se pela Internet, em vez de cara a cara, poderia ser um dos principais motivos da redução do consumo de álcool.

Mas Kaunas, na Lituânia, é um exemplo do que se pode conseguir por meio da intervenção ativa. Desde 2006, a cidade distribuiu os questionários em cinco ocasiões. E as escolas, pais, agências de saúde, igrejas, polícia e serviços sociais reuniram esforços para tentar melhorar a qualidade de vida dos meninos e frear o consumo de substâncias tóxicas. Por exemplo, os pais recebem entre oito e nove sessões gratuitas de orientação parental por ano. Um programa novo facilita um financiamento adicional às instituições públicas e ONGs que trabalham pela melhora da saúde mental e a gestão do estresse. Em 2015, a cidade começou a oferecer atividades esportivas gratuitas nas segundas, quartas e sextas-feiras. Agora planeja implementar um serviço de transporte também grátis para as famílias de baixa renda, a fim de contribuir para que os meninos que vivem longe dos estabelecimentos possam participar.

Entre 2006 e 2014, o número de jovens de 15 e 16 anos de Kaunas que declararam ter se embriagado nos 30 dias anteriores caiu cerca de 25%, e os dos que fumavam diariamente foi reduzido em mais de 30%.

No momento, a participação no Juventude na Europa não é sistemática, e a equipe da Islândia é pequena. Jón gostaria que existisse um organismo centralizado com seus próprios fundos específicos para promover a expansão do plano. “Embora nos dediquemos a isso há 10 anos, não é nossa principal ocupação. Gostaríamos que alguém imitasse e mantivesse a iniciativa em toda a Europa”, afirma. “E por que ficar restritos à Europa?”

Depois de nosso passeio pelo parque Laugardalur, Gudberg Jónsson nos convida a voltar para sua casa. Do lado de fora, no jardim, seus dois filhos mais velhos – Jón Konrád, de 21 anos, e Birgir Ísar, de 15 –, falam comigo sobre álcool e cigarro. Jón bebe álcool, mas Birgir diz não conhecer ninguém em seu colégio que beba ou fume. Também falamos das aulas de futebol. Birgir treina cinco ou seis vezes por semana; Jón, que cursa o primeiro ano de Administração de Empresas na Universidade da Islândia, pratica cinco vezes. Os dois começaram a jogar bola como atividade extra-escolar quando tinham seis anos. “Temos muitos instrumentos em casa”, diz o pai. “Tentamos fazer com que gostassem de música. Antes tínhamos um cavalo. Minha mulher adora montar, mas não deu certo. No final, escolheram o futebol.” Alguma vez acharam que o treino era excessivo? Foi preciso pressioná-los para que treinassem quando teriam preferido fazer outra coisa? “Não, a gente se divertia jogando futebol”, responde Birgir. Jón completa: “Começamos a jogar e nos acostumamos, então continuamos jogando.”

Embora Gudberg e a esposa não planejem de forma consciente um determinado número de horas semanais com seus três filhos, tentam levá-los regularmente cinemas, teatros, restaurantes, trilhas pelas montanhas e pesca. Em setembro, quando na Islândia as ovelhas descem das terras altas, fazem até excursões de pastoreio em família.

Pode ser que Jón e Birgir gostem mais de jogar futebol que as pessoas em geral, e que tenham mais talento (Jón recebeu oferta de uma bolsa de futebol na Universidade Metropolitana do Estado de Denver e, poucas semanas depois de nosso encontro, Birgir foi convocado para a seleção nacional sub-17). No entanto, será que um aumento significativo da porcentagem de jovens que participam de atividades esportivas pelo menos quatro vezes por semana teria outras vantagens, além de fazer os meninos crescerem mais saudáveis?

Isso pode ter relação, por exemplo, com a contundente derrota da Inglaterra para a Islândia na Eurocopa de 2016? Quando fazemos essa pergunta a Inga Dóra Sigfúsdóttir, eleita Mulher do Ano da Islândia 2016, ela responde com um sorriso: “Também podemos citar os sucessos na música, como o Of Monsters and Men [grupo independente de folk-pop de Reykjavik]. São jovens que decidiram fazer atividades organizadas. Algumas pessoas me agradeceram”, reconhece, piscando um olho.

Nos demais países, as cidades que participam do Juventude na Europa relatam outros resultados positivos. Em Bucareste, por exemplo, caíram os índices de suicídios e consumo de álcool e drogas entre os adolescentes. Em Kaunas, o número de menores que cometem crimes foi reduzido em um terço entre 2014 e 2015.

Como afirma Inga Dóra, “os estudos nos mostraram que tínhamos de criar circunstâncias nas quais os menores pudessem levar uma vida saudável, sem precisar de consumir drogas porque a vida é divertida. Os meninos têm muitas coisas para fazer e contam com o apoio de pais que passam tempo com eles.”

Em suma, as mensagens – embora não necessariamente os métodos – são simples. E quando vê os resultados, Harvey Milkman pensa nos EUA, seu país. Será que o modelo Juventude na Islândia funcionaria por lá?

E os Estados Unidos?

São 325 milhões de habitantes frente a 330.000; 33.000 bandas em vez de praticamente nenhuma; e ao redor de 1,3 milhão de jovens sem teto contra meia dúzia.

É claro que os EUA enfrentam dificuldades que não existem na Finlândia. Mas os dados de outras partes da Europa, incluindo cidades como Bucareste, com graves problemas sociais e uma pobreza relativa, mostram que o modelo islandês pode funcionar em culturas muito diferentes, afirma Milkman. E os EUA precisam com urgência de um programa assim. O consumo de álcool entre menores de idade representa 11% do total consumido no país. O abuso de álcool provoca mais de 4.300 mortes por ano entre os menores de 21 anos.

No entanto, é difícil que o país implemente um programa nacional similar ao Juventude na Islândia. Um dos principais obstáculos é que, enquanto no pequeno país europeu existe um compromisso de longo prazo com o projeto nacional, nos EUA os programas de saúde comunitários costumam ser financiados com subvenções de curta duração. Milkman aprendeu, por experiência própria, que, mesmo quando recebem reconhecimento geral, os melhores programas para jovens nem sempre são ampliados ou mesmo mantidos. “Com o Projeto Autodescoberta, parecia que tínhamos o melhor programa do mundo”, recorda. “A Casa Branca me convidou duas vezes. O projeto ganhou prêmios nacionais. Achávamos que seria reproduzido em todas as cidades, mas isso não aconteceu.”

Segundo ele, o motivo é que não se pode receitar um modelo genérico a todas as comunidades, pois nem todas têm os mesmos recursos. Qualquer iniciativa que pretenda dar aos adolescentes dos EUA as mesmas oportunidades de participar dos tipos de atividades habituais na Islândia, ajudando-os assim a se afastar do álcool e das drogas, terá que se basear no que já existe. “Você depende dos recursos da comunidade”, reconhece. Seu colega Álfgeir Kristjánsson está introduzindo as ideias islandesas na Virgínia Ocidental. Alguns colégios do estado já distribuem questionários aos alunos, e um coordenador ajudará a informar os resultados aos pais e a qualquer pessoa que possa utilizá-los para ajudar os garotos. Mesmo assim, o pesquisador admite que provavelmente será difícil obter os mesmos resultados da Islândia.

A visão de curto prazo também é um obstáculo para a eficácia das estratégias de prevenção no Reino Unido. É o que adverte Michael O’Toole, diretor-executivo da Mentor, uma organização sem fins de lucro voltada à redução do consumo de drogas e álcool entre crianças e jovens. Nesse país tampouco existe um programa de prevenção de dependências coordenado em âmbito nacional. Em geral, o assunto é deixado nas mãos das autoridades locais ou dos centros de ensino. Assim, somente são oferecidas aos meninos informações sobre os perigos das drogas e do álcool, uma estratégia que O’Toole também reconhece que não funciona.

O diretor da Mentor é um forte defensor do protagonismo que o modelo islandês confere à cooperação entre os pais, as escolas e a comunidade para ajudar a dar apoio aos adolescentes, e à implicação dos pais ou tutores na vida dos jovens. Melhorar a atenção poderia ajudar em muitos sentidos, diz ele. Inclusive quando se trata somente de álcool e cigarro, há enorme quantidade de evidências demonstrando que, quanto mais velho for o menino na hora de começar a beber ou fumar, melhor será sua saúde ao longo da vida.

No Reino Unido, contudo, nem todas as estratégias são aceitáveis. O “toque de recolher” infantil é uma delas. Outra, certamente, são as rondas de pais pela vizinhança para identificar garotos que não respeitam as normas. Além disso, um teste experimental realizado em Brighton pela Mentor, que incluía convidar os pais para participar de oficinas nas escolas, descobriu que era difícil conseguir seu comparecimento.

O receio das pessoas e a recusa a se comprometerem serão dificuldades onde o método islandês for proposto, afirma Milkman, e afetam a questão da divisão de responsabilidade entre os Estados e os cidadãos. “Quando controle você quer que o Governo tenha sobre o que acontece com os seus filhos? É excessivo que ele tenha ingerência na forma como as pessoas vivem?”

Na Islândia, a relação entre a população e o estado permitiu que um eficaz programa nacional reduzisse as taxas de abuso de cigarro e álcool entre os adolescentes e, de quebra, unisse mais as famílias e promovesse a saúde dos jovens em todos os sentidos. Será que nenhum outro país decidirá que esses benefícios também têm seus custos?

Esta reportagem foi publicada originalmente em inglês por Mosaic Science

Autora: Emma Young

Editor: Michael Regnier

Verificação dos fatos: Lowri Daniels

Corretor: Tom Freeman

Fotografia: Dave Imms

Diretor de arte: Charlie Hall

 

 


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