Quando um dos irmãos é doente, o saudável esconde as emoções, diz estudo

Agosto 9, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Notícia do Público de 27 de julho de 2018.

Agência Reuters

Crianças saudáveis com irmãos doentes podem suprimir as suas necessidades, à medida que se adaptam à mudança da dinâmica familiar, pois esta passa a estar focada no cuidar da criança doente, diz uma metaanálise feita na Universidade de Lancaster no Reino Unido.

Embora pareça óbvio admitir que crianças saudáveis possam experimentar emoções fortes – da raiva ao medo, passando pelo stress –, a maior parte da investigação nesta área concentrou-se no que os pais afirmam sobre os seus filhos saudáveis. Estes tendem a pensar que os filhos estão a lidar bem com a situação de ter um irmão doente. Agora, esta nova metaanálise, que foi feita a partir de vários estudos em que foi perguntado às crianças (e não aos pais) como se sentiam por viver com um irmão doente, demonstra que os miúdos saudáveis também sofrem e nem sempre lidam bem com a situação.

“A novidade encontrada foi que, para os irmãos saudáveis satisfazerem as suas necessidades emocionais, adaptam o seu comportamento e identidade ao longo do tempo, de maneira a adequar-se às necessidades da família, que está concentrada no irmão doente”, resume o principal autor do estudo, Antoinette Deavin.

Portanto, o irmão saudável sente que “precisa de suprimir as suas necessidades emocionais”, precisa Deavin, por e-mail à Reuters. Isso pode fazer com que os pais olhem para ele e estejam convencidos que está tudo a correr bem e, por consequência, negligenciam-no, continua.

Alguns irmãos saudáveis dizem ter uma experiência positiva quando participam em actividades relacionadas com os irmãos doentes. Por exemplo, ajudar nas tarefas domésticas, preparar refeições, supervisionar ou ajudar o irmão doente. Mas quando os pais tentam proteger os saudáveis de saber coisas sobre a doença do irmão, as crianças sentem que não podem expressar os seus próprios problemas, preocupados em não sobrecarregar os pais.

Esta metaanálise não teve em conta os estudos já feitos sobre como é que a saúde mental destes jovens pode ser afectada. Esses revelam que, em alguns casos, as crianças podem sofrer de depressão ou ansiedade por sentirem que os pais dão um tratamento preferencial aos irmãos doentes. Outras vezes, a doença pode aproximar os irmãos. O que este estudo vem reafirmar é que, em caso de uma criança com uma doença crónica, é importante que não só os pais, mas também os outros filhos tenham um apoio psicológico.

 

 

“A maior parte dos pais tem medo do conflito entre irmãos”

Julho 16, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: ,

istock

Texto do Observador de 7 de julho de 2018.

Ana Cristina Marques

As zangas entre irmãos devem ser resolvidas sem que os pais metam a colher. Em entrevista, Magda Gomes Dias explica como pôr fim às guerras lá de casa, sem que haja vencidos e vencedores.

Os conflitos fazem parte de todas as relações, incluindo as fraternais. Não é coisa que os pais devam temer, mas é preciso que saibam como gerir discussões entre irmãos sem nunca tomar partido. Esta é, de certa forma, a máxima promovida pela autora do blogue Mum’s the boss, Magda Gomes Dias, que assina o recém-publicado livro Para de Chatear a tua Irmã e Deixa o teu Irmão em Paz (editora Manuscrito).

No livro, a autora que já antes conversou com o Observador sobre dinâmicas e competências parentais, procura explicar que é natural que os irmãos tenham opiniões diferentes e feitios distintos, por vezes incompatíveis, e que isso não é necessariamente mau. Como diz em entrevista, “se um irmão tem uma opinião diferente da do outro, isso não quer dizer que esteja contra ele — e esta é, muitas vezes, a leitura que fazemos dos conflitos, ou seja, se a outra pessoa pensa de forma diferente de mim, está errada ou, então, está contra mim. Sentimo-nos atacados, sentimo-nos ameaçados.”

Os pais não se podem meter nos conflitos ou tomar partido, caso contrário estão a retirar poder às crianças, elas que devem aprender a negociar, a conversar e a resolver as diferentes situações. Magda Gomes Dias, formadora nas áreas comportamentais e comunicacionais, com certificação internacional em Inteligência Emocional, Educação Positiva e Coaching, refere ainda como a relação entre irmãos é importante, de onde podem derivar os ciúmes fraternais e como os pais podem contribuir para melhores relações debaixo do mesmo teto.

“Sabemos que os irmãos se constroem de forma oposta, vão ter personalidades muito diferentes e vão entrar em choque. Os pais não podem forçar a que os filhos sejam amigos, que gostem um do outro. Devem, ao invés, criar condições para que eles se possam respeitar e entender que podem ter opiniões diferentes e que elas podem coexistir.”

O que é que a ciência diz sobre a relação entre irmãos?
A primeira coisa a saber é que os investigadores reconhecem que existem muitas variáveis que vão influenciar a relação dos irmãos — os pais, o sítio onde crescem, a própria personalidade, a ordem de nascimento, etc — e que não há estudos conclusivos. No livro começo por referir um estudo que diz que os miúdos se pegam, por hora, uma média de 3,5 vezes. Isto diz-nos que o conflito entre irmãos é normal, comum, que faz parte. O que li também em estudos é que, se até agora se pensava que era a relação com os pais que influenciava a personalidade dos filhos, hoje sabemos que a relação entre irmãos parece ter uma marca muito mais profunda e duradoura na forma como cada uma das crianças se vai construir. Estamos sempre em interação uns com os outros e o tipo de relação que vamos estabelecer com os nossos irmãos vai ditar muito o tipo de relação que vamos estabelecer com os outros.

Estamos a falar de que tipo de impacto?
Ao nível da autoestima, do poder, das negociações que vamos aprendendo a fazer uns com os outros, ao nível da segurança e da confiança. A forma como um irmão mais velho vai lidar com um irmão que vem a seguir… esse exercício, que vão fazer um com o outro, vai dar-lhes uma noção de quem eles são numa determinada relação. Depois, vão pegar nessa experiência — boa ou má — e vão usá-la com os outros. Essa relação tem sempre um impacto.

Aceitar que todo o conflito faz parte de uma relação não é desistir dela?
Ao contrário, é olharmos para o conflito e dizermos “OK, isto é normal, não tenho de ter medo, nem tenho de recuar”. Se o irmão tem uma opinião diferente da do outro, isso não quer dizer que esteja contra ele — e esta é, muitas vezes, a leitura que fazemos dos conflitos, ou seja, se a outra pessoa pensa de forma diferente de mim, está errada ou, então, está contra mim. Sentimo-nos atacados, sentimo-nos ameaçados

Porque é que isso acontece?
Acho que faz parte das relações e do próprio feedback que os pais, educadores ou professores dão ao conflito: “Façam as pazes, não têm de ficar chateados um com o outro”. Veem sempre uma oposição ou um conflito como uma coisa negativa. O conflito não tem de ser negativo.

Mas como é que uma criança percebe que o conflito é uma coisa positiva?
A criança precisa da ajuda do adulto para centrar a situação. Imaginemos que temos um miúdo que gosta de jogar futebol e o irmão gosta mais de fazer skate. Os dois podem ter experiências e opiniões diferentes, nenhum deles está errado. Os pais precisam saber dizer “O teu irmão gosta mais de jogar futebol e tu gostas mais de skate, há alturas em que vou jogar futebol e outras em que te vou ajudar a andar de skate”. Não tem de ser um contra o outro. A postura dos pais é que vai ajudar a que os miúdos vejam as coisas de forma diferente.

Que condições é que os pais podem criar para que as discussões sejam saudáveis?
Os próprios pais não podem ter medo do conflito. A maior parte dos pais tem medo do conflito [entre irmãos], por isso é que diz coisas como “Vocês são irmãos, têm de se dar bem”. Não aceitam o conflito entre os filhos. É por isso que o primeiro passo é aceitar que existem conflitos, o que é muito difícil para os pais. Os pais têm um segundo ou terceiro filho para que os irmãos cresçam na companhia de uma pessoa de confiança, que fica para o resto da vida. Mas sabemos que os irmãos se constroem de forma oposta, vão ter personalidades muito diferentes e vão entrar em choque. Os pais não podem forçar a que os filhos sejam amigos, que gostem um do outro. Devem, ao invés, criar condições para que eles se possam respeitar e entender que podem ter opiniões diferentes e que elas podem coexistir. Não é preciso que concordem um com outro, mas sim que se respeitem. Quando isso acontece, eles aprendem a escutar-se um ao outro. Isto é processo lento. Aqui o papel dos pais é fundamental.

Escreve que gerir os conflitos passa muito por empoderar as crianças. Porquê?
A maior parte dos pais mete-se no conflito. Ao fazê-lo, está a retirar poder às crianças. É preciso que elas sintam o poder para conseguirem negociar, falar, conversar e resolver as situações, que não dizem respeito aos pais. A primeira coisa que tenho de saber é que nunca me vou meter numa guerra entre os meus filhos, nunca. Os pais não devem tomar partido e devem evitar tomar decisões pelos filhos. Claro que, quando são mais pequenos e imaturos, é provável que os pais se envolvam, mas é preciso convidá-los a resolver as situações. Muitas vezes os miúdos fazem queixinhas, o que implica que, direta ou indiretamente, o adulto tome um partido.

Qual a diferença entre a queixinha e o pedido de atenção?
A queixinha normalmente tem a seguinte mensagem implícita: “Anda ali ver, quero que tu aches que ele está a fazer uma coisa mal e que o bom sou eu”. Quando é uma coisa perigosa, já é um pedido de atenção para vir ajudar, socorrer, já é “Vem ajudar o meu irmão”. Os miúdos sabem qual é a diferença, só precisamos de a explicar. Não se deve ignorar uma queixinha, mas sim confrontar quem a faz. Não quero que a criança se sinta culpada, não quero criar culpa nela, mas sim que perceba o que está a fazer. Interessa-me que a criança saiba que o adulto conhece a intenção dela, que está atento.

O que pode estar por detrás da tensão entre irmãos? Escreve que a luta pela atenção dos pais é quase uma luta pela sobrevivência…
E é. Todas as crianças precisam de um adulto ao lado delas para as proteger, para as ajudar a vestir, a comer, a estudar, para se desenvolverem socialmente. Precisam sempre de um adulto. Agora, há uma série de motivos que levam aos conflitos, como os ciúmes e a imaturidade — quanto mais jovens são, mais conflitos têm porque são imaturos, não sabem gerir emoções e têm uma baixa flexibilidade cognitiva. Os pais precisam de ter alguma literacia emocional para ajudarem os miúdos a perceberem que os irmãos podem estar muito zangados um com o outro e, no momento seguinte, serem muito amigos. Os pais também têm momentos em que pensam “O que é que eu fiz à minha vida?”, por terem filhos, e a seguir podem olhar para eles e achar que “a coisa mais linda do mundo”.

As comparações também são muito frequentes…
Comparar, para começar, é diminuir. Vamos a um cliché: temos dois irmãos, um com 9 e outro com 5 anos; o de 5 acabou de comer o prato da sopa, ao contrário do irmão de 9 anos, que tem mais dificuldade em comer. A mãe ou o pai diz “Então, João Maria? Ele é mais novo do que tu e já acabou de comer, quem é o bebé da família?”. Qual é a intenção ao dizer isto? Que ele queira comer mais depressa do que o irmão, porque é o mais velho. Ele não vai sentir isso. Vai sentir-se diminuído, incapaz, humilhado, eventualmente exposto.

O que os pais dizem sem qualquer malícia pode, por vezes, afetar a criança?
Se for de forma repetida, sim. Não vamos entrar em pânico porque lemos que não se pode dizer isto ou aquilo. Mas se for de uma forma constante, a criança vai achar que só é boa quando atinge determinadas metas académicas ou consiga determinado emprego e salário. Isto acompanha-nos para sempre. Se a referência são os meus pais, e a referência deles for o meu irmão…

Mas como é possível lidar com os ciúmes entre irmãos?
O ciúme acontece quando acho que uma pessoa que me é importante gosta mais do outro do que de mim. Vamos à história de Caim e Abel [descrita no livro]: Caim e Abel ofereceram o fruto do seu trabalho a Deus e Deus escolheu o trabalho de Abel. Caim, em vez de ir pedir contas a Deus, que foi quem escolheu, matou o irmão. Porque o irmão era o rival, tirava-lhe a atenção de Deus.

Os ciúmes derivam da preferência dos pais?
Os miúdos acham que os pais têm uma preferência, não quer dizer que haja um filho favorito. Podem achar que, em determinada situação, o pai ou a mãe podem preferir um filho ao outro. Isto leva-nos a um ponto muito importante: todas as crianças merecem ser amadas da forma que precisam de ser amadas. Os pais precisam de conseguir ler as necessidades das crianças. É tão injusto dizer que amo os meus filhos da mesma forma, porque nenhum deles se sente amado da mesma forma, portanto, um deles vai sentir mais amado. É preciso que nos ajustemos.

Mas existem filhos preferidos?
Podem existir. E há pais que dizem que têm filhos preferidos e não têm problema nenhum em dizê-lo, mas não sabem o impacto que isso tem na vida dos outros filhos e do próprio filho preferido, que pode sentir-se mal. Há pais que têm preferências e, depois, há pais que, gostando dos dois filhos, sentem mais facilidade em amar um do que o outro. Identificam-se mais. Pode haver um filho mais fácil e outro mais desafiante. O mais desafiante pode fazer com que saía cá para fora o pior de nós. É este filho que vai puxar mais por nós, não quer dizer que o amemos menos.

Numa discussão entre irmãos pode realmente existir um ponto sem retorno, um momento em que se quebram os laços fraternais?
Não me acredito que isso aconteça numa discussão, mas acredito que, se os pais acharem que todos os conflitos se resolvem, se não derem estratégias aos filhos, se as coisas forem piorando e não intervirem e não pedirem ajuda… O que está aqui em causa é um histórico. Há pais que se sentem atacados pelos conflitos entre os filhos. Isso faz-lhes tão mal que atacam os filhos de volta. Não permitem que eles discutam e ralham com eles por isso.

Há irmãos que, chegados à vida adulta, não se falam…
Sim, há irmãos que não se falam. E isto tem muito que ver com a aceitação.

Que conselhos dá aos pais para que lidem mais facilmente com uma situação destas?
Primeiro, que saibam pedir ajuda quando estão com dificuldades. Andamos anos a estudar para tirar um curso, porque razão não vamos estudar para saber mais sobre a educação dos miúdos, sobre parentalidade? Não nos diminui em nada. Depois de ter pedido ajuda, se os filhos ainda assim tiverem dificuldade em lidar um com o outro, é preciso entender que é uma decisão deles. Os pais têm de se libertar. A minha obrigação enquanto pai e mãe é criar um ambiente de paz em casa. Depois disso, se os filhos não se entendem um com o outro, a história não é minha, é deles.

Não é porque há conflitos entre irmãos quando eles são jovens que estes permanecem na vida adulta. Pode haver uma grande diferença de idades, mas as diferenças vão-se reduzindo à medida que eles vão crescendo. Há sobrinhos, há o envelhecimento dos pais, a doença dos pais, que pode ou não unir, depois há as partilhas, heranças, que podem criar separações… É curioso que, à medida que o fim se vai aproximando, os irmãos também se vão aproximando. A relação entre irmãos é muito complexa, mas se na infância houve respeito, as coisas podem correr pelo melhor.

A ordem de nascimento das crianças tem mesmo impacto?
Pode ter, não quer dizer que tenha sempre impacto. Esta ordem é dita pelo Alfred Adler, que estudou a ordem de nascimento entre irmãos. Claro que a investigação prova, mais uma vez, que não é assim para todas as situações. Mas, de uma forma geral, é o seguinte: quando nasce uma criança, o primeiro filho vai ser construído à luz da imagem dos pais, é o certinho, direitinho, os pais têm mais tempo, mais disponibilidade… Quando nasce o primeiro filho, é como se ele escolhesse determinadas características; no segundo, aquelas características já não estão disponíveis, é preciso escolher outras. E porque é que ele faz isto? Porque precisa de chamar a atenção dos pais para conseguir a sua proteção, para se puder desenvolver. Se ele se comportar da mesma forma que o primeiro, não vai ter tanta atenção quanto o primeiro, porque são iguais. Por sistema, o segundo filho é mais divertido, tem mais sentido de humor. Por outro lado, os pais já são pais de segunda viagem, estão mais relaxados, já não estão tão stressados, são pais diferentes.

O terceiro é o “filho sanduíche”?
Exatamente. Diferentes autores dizem que existem muitas variáveis tendo em conta o filho do meio: pode ser o mediador, que se dá muito bem com os irmãos e respetivos amigos, no entanto, se sentir que há uma injustiça pode revoltar-se, porque vê que os pais estão [apenas] atentos às pontas — isto é, o irmão mais velho vai tendo determinados desafios e o irmão mais novo precisa de maior proteção. O do meio pode sentir que aquilo é muito injusto e que ninguém lhe liga. Depois há a situação em que os pais “vão entregando” o filho mais novo ao mais velho, o que pode funcionar como um pai, ser protetor, ou, então, ter ciúmes.

O irmão mais velho tem de ser sempre o mais responsável?
Os pais incutem isso aos mais velhos porque acham que têm mais autoregulação. Por vezes, o irmão mais velho sente-se injustiçado. Será que ele é o mais responsável? Pode não ser, mas é convidado a sê-lo. Há sempre essa expetativa. Às vezes, os mais velhos desenvolvem um sentimento de injustiça muito grande porque o mais novo está sempre a ser defendido.

Neste caso, o que é aconselhável os pais fazerem?
Terem noção do desenvolvimento — é extremamente injusto pedir determinadas coisas que os miúdos ainda não conseguem dar. Depois, admitirem que não deve ser fácil ter um irmão mais novo que, às vezes, anda ali atrás. E convidar o mais novo a desenvolver autoregulação.

Como se prepara o filho que já existe para o filho que vem a caminho?
Em primeiro lugar, os pais não devem perguntar se o filho quer um irmão. Não se pergunta, é uma decisão do casal. Depois, gosto da ideia de ser o irmão o primeiro a saber que vem aí um bebé. Se quero criar uma noção de tribo, de clã, não convém que o irmão mais novo saiba por outras pessoas, mesmo que ainda falte muito tempo. É uma ideia muito gira porque ele sente-se tido e achado, sente que tem poder. E é também preciso evitar frases como “Vais ter um irmão, vais ter de partilhar as tuas coisas”. O irmão ainda não nasceu e já lhe estão a tirar as coisas. Esta ideia é péssima porque torna o irmão numa ameaça. Falar sobre o nascimento do mais velho, mostrar fotografias, o que vai acontecer no dia do nascimento… A primeira pessoa a conhecer o bebé deve ser o irmão, levado pelo pai. E gosto ainda mais da ideia de ser o bebé que é apresentado ao irmão mais velho, e não o contrário.

 

 

 

 

Questionário online “Na sombra da doença”: um estudo exploratório com irmãos de crianças em cuidados paliativos”

Agosto 16, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

aceder ao questionário no link:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfA37OqnhX8_ujX1GDM7_VwjDGEgqJyAfg6X2ZAYF31kT9vCw/viewform

Simona Ciraolo: “Qualquer tema pode ser bom para um livro infantil”

Março 9, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

texto publicado no http://observador.pt/ no dia 20 de fevereiro de 2017.

simona-ciraolo

Ana Dias Ferreira

Ao terceiro livro, Simona Ciraolo escolhe olhar para “O Rosto da Avó” e escrever sobre envelhecimento, mesmo para crianças. Conversa com a autora que pinta magistralmente as relações familiares.

Cada ruga tem uma memória e é uma linha na história desta mulher. Uma ruga remete para a noite em que conheceu o marido, na montanha-russa, outra para o melhor piquenique que fez à beira-mar, com as amigas, outra ainda para uma manhã de primavera em que fez uma grande descoberta e viu uma gata a dar à luz. O mais recente livro da italiana Simona Ciraolo faz zoom no rosto de uma avó para contar uma história ternurenta sobre o envelhecimento. Depois de Quero um Abraço (2015) e O Que Aconteceu à Minha Irmã? (2016), O Rosto da Avó é o terceiro livro da também ilustradora publicado em Portugal. Pretexto para uma entrevista por e-mail entre Londres, Lisboa e Nova Iorque onde se tenta perceber como nasce a motivação para escrever livros para crianças.

Na dedicatória do seu primeiro livro Quero um Abraço escreveu: “Para a Pam e para o Martin, que me fizeram deitar mãos à obra”. Quem são eles e de que forma influenciaram o seu trabalho?

A Pam e o Martin são os maravilhosos professores que tiveram de testemunhar as minha lutas durante o mestrado [em ilustração de literatura infantil]. Sempre que tive crises de confiança eles souberam fazer-me sair da minha própria cabeça e ver as coisas sob outra perspetiva. Souberam sempre quando eu precisava de um bom pontapé no rabo, metaforicamente falando! Sem essa energia e sentido de humor tenho a certeza que teria perdido uma quantidade ridícula de tempo com pensamentos que não interessavam nada.

Li que se mudou para Londres depois da licenciatura em cinema de animação e que trabalhou em filmes e publicidade antes de estudar ilustração em Cambridge. Como é que começou a escrever livros para crianças?

auto

Adorei esses primeiros anos em animação, é uma indústria maravilhosa para se trabalhar por causa das pessoas que se conhecem. Por outro lado, os livros ilustrados são o amor da minha vida. Já os colecionava nessa altura e olhava para eles como a arte narrativa mais perfeita de todas. Nunca tinha sentido a necessidade absoluta de contar uma história usando a animação, ao passo que o formato de livro ilustrado fazia todo o sentido para as histórias que tinha na cabeça, e de forma muito natural. Daí ter decidido embarcar nessa aventura.

primeiro

Como é que se lembrou de ter um cato como protagonista do seu primeiro livro?

Quero um Abraço é a história de alguém muito sensível e com um grande coração que é profundamente mal interpretado e visto como defensivo. Enquanto estava a pensar nestas caraterísticas, a ideia de um cato surgiu-me e instantaneamente soube que ele ia ser perfeito para a história que eu queria contar.

Mesmo com uma planta, Quero um Abraço é uma história sobre família e amizade. Tendo em conta os seus dois outros livros publicados em Portugal, O Que Aconteceu à Minha Irmã? e O Rosto da Avó, podemos dizer que escreve sobretudo sobre relações humanas e familiares?

Sim, até agora os meus livros têm mostrado sobretudo os temas comuns às relações e às dinâmicas familiares. Gosto muito de observar a forma como as pessoas interagem umas com as outras, especialmente dentro das fronteiras de uma casa particular, onde todas as suas idiossincrasias são sublinhadas. Suponho que este interesse influencia inevitavelmente as minhas histórias.

uma

Primeiro um livro sobre uma irmã mais velha, depois outro sobre uma avó inspiradora. Estas histórias são autobiográficas? Qual foi a ideia por trás de cada uma delas?

Os meus livros não são autobiográficos, mas escrevo sempre sobre sentimentos e emoções com os quais me consigo relacionar, direta ou indiretamente. Gosto de imaginar uma personagem numa situação específica e como é que isso a faria sentir. O que quer que a motiva parece-me tão real, tão tangível, que acabo por gostar das personagens como se fossem entes queridos.

segundo

Normalmente como é que identifica um bom tema? É a história que surge primeiro ou o universo visual?

Uma ideia que vale a pena perseguir é uma que me envolva de forma profunda. Normalmente tenho um “pressentimento” em relação à história que quero contar e, apesar de todo o trabalho envolvido entre o primeiro rascunho e a obra acabada, consigo sempre reconhecer esse primeiro “pressentimento” no livro final. A narrativa vem sempre primeiro, enquanto a imagética nasce em resposta aos requisitos da história.

Como é que gostava que as pessoas lessem os seus livros?

Espero que os leitores os achem honestos e que as personagens pareçam humanas, credíveis. Para além disso, espero que cada leitor encontre a sua própria forma de se relacionar com estas histórias e as experiências que são narradas. Acho que os meus livros podem ser lidos de formas muito diferentes, consoante se seja criança ou adulto, mas há pessoas da mesma faixa etária que parecem dar ênfase a aspetos diferentes de uma história e já recebi interpretações bastante pessoais do mesmo livro. Adoro ver como as minhas histórias são filtradas através das experiências de outra pessoa.

muitos

Envelhecer, ou a passagem do tempo, não são assuntos fáceis. Teve sempre confiança que dariam um bom livro para crianças?

Lembro-me de ter noção da passagem do tempo quando ainda era bastante pequena. Muitas vezes pensava nisso com impaciência, mas por vezes invadia-me uma sensação de perda eminente. À partida (espero), a maioria das crianças não tem tanta noção disto como eu tinha e se calhar, para algumas delas, O Rosto da Avó vai ser a primeira oportunidade de pensar neste conceito e irão reconhecer uma abordagem positiva do assunto. Talvez alguns miúdos não estejam preparados e regressem ao livro mais tarde. Acredito que qualquer tema pode ser bom para um livro infantil, mas a criança tem de encontrá-lo no tempo certo para ela.

recente

Falando da ilustração, como é que descreve o seu universo e a sua técnica?

Acredito que as ilustrações de um livro têm de servir a narrativa: afinal de contas, uma boa parte da história é contada através dos desenhos. Quando estou à procura da melhor abordagem a adotar para um livro em particular, procuro indicações no tom do texto mas também nas coisas que o texto não diz mas que estão implícitas — essas coisas têm de passar através das ilustrações. Por outro lado, se o texto nos está a dizer como é que uma personagem se está a sentir, posso querer usar as cores no desenho para dizer aos leitores que vai ficar tudo bem, ou seja, para tranquilizá-lo. A cor é apenas um exemplo: todos os elementos num desenho transportam uma qualidade expressiva, por isso quando estou a desenhar uma página tento explorar a força das marcas do lápis, o espaço livre à volta de uma figura, até o branco no papel, para me ajudar a atingir não só um efeito estético agradável mas também transmitir a atmosfera emocional certa.

memorias

No novo livro, por exemplo, é muito bonita a maneira como faz zoom na cara da avó ou como transforma as suas memórias em desenhos tão coloridos e cheios que quase saem das páginas.

Para este livro funcionar eu tinha de criar duas dimensões temporais separadas e precisava que esta distinção fosse inequívoca. O espaço em que a menina está com a avó tinha de parecer íntimo, enquanto eu pretendia que o reino das memórias se destacasse pela sua riqueza, por estar cheio de vida e carregado com estas emoções todas. Encontrei esta solução muito cedo na história e apesar de não ter a certeza se seria capaz de desenhar o rosto da avó com a graciosidade que tinha em mente, sabia que era um desafio a ultrapassar para poder criar um livro que celebra verdadeiramente a idade e a experiência.

 

 

 

Um irmão ou um cão? estudo

Março 6, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

Notícia da Sábado de 15 de fevereiro de 2017.

Mais informações sobre o estudo citado na notícia, no comunicado da University of Cambridge:

Pets are a child’s best friend, not their siblings

capturar

 

Irmão mais velho ou mais novo: quem é o mais inteligente?

Fevereiro 23, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do http://pt.euronews.com de 8 de fevereiro de 2017.

euronews

Os primogénitos têm mais hipóteses de ter êxito na vida. Até agora existiam estudos que diziam que ser o primeiro a nascer se traduzia a um maior nível de estudos e maiores salários. Um fenómeno conhecido como “efeito da ordem no nascimento”: quanto maior é a diferença de anos de uns irmãos para os outros, mais vantagens terá o mais velho.

Mas agora aparece uma explicação ao nível cognitivo. Um estudo agora revelado analisou o comportamento de 5 mil crianças dos Estados Unidos e concluí que as diferenças podem começar antes dos três anos de idade.

Em termos biológicos não parece haver vantagens: o mais novo costuma nascer com mais peso e com mais saúde. A nível de apoio emocional, ao que tudo indica, aos mais novos é dada mais atenção. Mas o que muda então são os estímulos cognitivos: a leitura de histórias, a música, as visitas aos museus, as idas ao cinema e até a realização de trabalhos manuais, parecem ocorrer com mais frequência com os primeiros filhos. Ou seja, os mais novos serão menos estimulados e acabam por ter rendimentos académicos piores.

Este estudo foi publicado no Journal of Human Resources

 

 

Como os irmãos influenciam e moldam aquilo que somos

Janeiro 26, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , ,

Texto da http://visao.sapo.pt/ de 17 de janeiro de 2017.

jose-caria

O poder de influência dos nossos irmãos sobre nós próprios é enorme: podem interferir na nossa personalidade, na nossa saúde, no nosso peso e podem, até, ser um pilar para um casamento futuro

Os irmãos são autênticos companheiros de brincadeiras e aventuras, mas com certeza não será preciso muito esforço mental para se lembrar de alguns momentos onde percebeu que não havia alguém com maior capacidade no mundo para o tirar do sério.

Com ou sem exageros, a verdade é que os irmãos partilham connosco um vínculo que vai muito além da ligação de sangue. É com eles que passamos uma grande e importante parte da nossa vida – a infância. Portanto, é natural que tenham um impacto considerável na nossa formação enquanto pessoas. Aqui ficam seis formas através das quais os irmãos influenciam e moldam aquilo que nos tornamos.

1. Podem influenciar o seu peso

Principalmente se for o filho ou um dos filhos mais novos. Um estudo de 2014 publicado no American Journal of Preventive Medicine revelou que, quanto ao risco de obesidade, os irmãos podem ter uma influência maior do que os próprios pais.

Esta descoberta surpreendeu muito os investigadores. “Eu fui para este estudo à espera que, dado o grande papel dos pais nas vidas dos filhos, a obesidade parental tivesse uma associação mais forte do que a obesidade dos irmãos; mas estava errado”, disse Mark Pachucki, um dos autores do estudo, à Harvard Gazette.

Através do estudo de cerca de 2000 pessoas, os investigadores conseguiram perceber que, no caso de famílias com apenas um filho, o facto de um dos pais ser obeso duplicava o risco do filho se tornar obeso. Em famílias de dois filhos, ter um irmão obeso aumentava foi associado a um risco mais de cinco vezes maior de vir a ser obeso, do que foi se o irmão não for obeso. E, se estivermos a falar de irmãos do mesmo sexo, o risco ainda é maior.

2. Moldam o seu caráter

Não sendo consensual, para muitos investigadores a ordem de nascimentos – isto é, se somos o primeiro, o último ou o, ou um dos filhos do meio – tem influência na personalidade: os mais velhos tendem a ser mais inteligentes, os dos meio a ser mais preocupados e os mais novos a correr mais riscos.

No entanto, a personalidade dos nossos irmãos pode ajudar a moldar a nossa própria personalidade, mas talvez não da forma que imagina. Alguns académicos acreditam que a influência se dá através da desidentificação. Através deste processo, “os irmãos desenvolvem atributos distintos e envolvem-se em atividades e comportamentos diferentes, no sentido de estabelecerem identidade únicas dentro da família”, explicam os autores de um estudo de 2007. Desta forma, segundo a teoria, se temos um irmão muito extrovertido e brincalhão, tendemos a ser mais introvertidos e envergonhados.

3. São os primeiros professores que temos

Aqui quem sai a ganhar, normalmente, são os irmãos mais novos. Um estudo de 2014, publicado no Pediatrics Journal, analisou o vocabulário de 385 crianças e dos seus irmãos mais velhos, com proximidade etária.

Os resultados revelaram que, em famílias numerosas, onde a atenção individual por parte dos pais tende a ser menor, os irmãos mais novos beneficiavam, em termos de vocabulário, por terem um irmão mais velho sensível ao ponto de os querer ensinar.

4. Podem ser importantes para o seu casamento

Parece algo estranho ou, pelo menos, curioso. Mas um estudo de 2013, da Universidade de Ohio, descobriu que, por cada irmão que temos, a probabilidade de divórcio diminuía dois por cento.

Os investigadores recolheram informações de cerca de 57 mil americanos, durante um período de 40 anos – entre 1972 e 2012. Esta proteção contra o divórcio foi sentida tanto no início do estudo, como no final.

O estudo não apresentou explicações para este poder protetor, mas um dos autores do estudo, Doug Downey, acredita que os resultados se podem relacionar com a aprendizagem própria da relação entre irmão. “Ao crescer numa família com irmãos, desenvolvem-se um conjunto de capacidades de negociação de interação positivas. Tem de se considerar os pontos de vista do outro, e aprender a falar sobre os problemas. Quantos mais irmãos tem, maior é a probabilidade de ter posto em prática estas capacidades”, referiu o investigador.

5. Aumentam a probabilidade de ter depressão

Nem tudo é bom. Se tem irmãos, sabe que as discussões são algo natural. O problema não são as discussões em si, mas sim o assunto que promove a discussão.

Uma investigação conduzida em 2012, por investigadores da Universidade do Missouri, revelou que, dentro da amostra, os irmãos que discutiam normalmente sobre questões de igualdade e justiça, tinham maior probabilidade de vir a ter sintomas de depressão um ano depois. Se o assunto de discussão tivesse a ver com espaço, os problemas futuros estariam relacionados com ansiedade e baixa autoestima.

6. Tornam-no mais feliz

No entanto, se falarmos de relações próximas, calorosas e com poucas discussões, ter um irmão pode fazer com que se sinta menos só, menos depressivo e com um autoestima mais elevada.

É a esta conclusão que chega o estudo publicado em 2005, pelo Journal of Social and Personal Relationships, através do análise de dados recolhidos de 247 participantes. De acordo com o estudo, o apoio entre irmãos tem um poder significativo, podendo compensar alguma falta de apoio dos pais ou de amigos. Avidan Milevsky, autor do estudo, diz mesmo que esta relação, por todas as suas particularidades, deve ser tida em elevada consideração pelos psicólogos ou terapeutas, principalmente em questões de terapia familiar.

 

Ter irmãos faz bem à saúde

Junho 24, 2016 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia da http://www.paisefilhos.pt/ de 13 de junho de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Self-regulation as a mediator between sibling relationship quality and early adolescents’ positive and negative outcomes

pais filhos

Os laços entre irmãos promovem uma boa saúde mental e comportamentos de entreajuda, confirma um estudo norte-americano. A investigadora Laura Padilla-Walker, da Universidade Brigham Young, autora principal do estudo, afirma que a presença de um irmão ou de uma irmã tem mais influência no desenvolvimento da personalidade e da atitude mental do que a presença dos pais.

A investigação acompanhou 395 famílias com mais do que um filho, sendo que um dos filhos teria idades entre os 10 e os 14 anos. Durante um ano, os investigadores recolheram diversos dados sobre a dinâmica das famílias e sobre cada um dos seus elementos.

O estudo revelou que ter um irmão afetuoso, seja rapaz ou rapariga, promove comportamentos positivos de entreajuda, como tomar conta dos mais novos ou colaborar com vizinhos. A análise dos dados recolhidos, publicada na revista Journal of Family Psychology, mostrou também que a presença de uma irmã, independentemente da sua idade, ajuda a proteger os adolescentes de sentimentos de solidão, medo, culpa e insegurança.

A investigação desmistifica ainda as zangas entre irmãos. Laura Padilla-Walker reconhece que, normalmente, elas “dão às crianças a oportunidade de aprenderem a controlar as suas emoções. A ausência de afeto revelou ser mais problemática do que níveis elevados de conflito”. E concluiu: “A mensagem que deixamos aos pais é que promovam a afetividade entre os seus filhos, pois terá um papel muito importante no futuro”.

 

 

Irmãos mais velhos são os mais inteligentes

Novembro 16, 2015 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia da TVI24 de 20 de outubro de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Examining the effects of birth order on personality

tvi

Novo estudo volta a corroborar os resultados de outras investigações que garantem que, quanto mais novo for o irmão, menor o QI

Redação / Susana Laires

Um novo estudo da Universidade de Leipzig promete aguçar a rivalidade entre irmãos, ao concluir que os mais velhos são mais inteligentes que os mais novos. A investigação vem de encontro a outros estudos que já tinham mostrado uma forte correlação entre a ordem de nascimento e os resultados nos testes de QI.

De acordo com os investigadores, que analisaram três estudos sobre o tópico, a cada nascimento na família as crianças tendem a apresentar um QI mais baixo. No entanto, os especialistas acreditam que isto se deve a um fator ambiental e não biológico.

Os cientistas sublinham, contudo, que as diferenças são pouco significativas. Apesar dos irmãos mais velhos serem, tecnicamente, mais inteligentes, a vantagem em relação aos mais novos é apenas de 1,5 pontos nos testes de QI.

A razão para tal acontecer ainda não é clara, mas pode dever-se ao tempo a sós com os pais que os filhos mais velhos têm, antes do irmão mais novo nascer.

Segundo o The Telegraph, os resultados sugerem que os filhos mais velhos têm menos liberdade e mais responsabilidades do que os mais novos, acabando por sentir mais pressão para serem bem-sucedidos. Para além disto, os irmãos mais novos tendem a achar que são menos inteligentes.

“Enquanto os irmãos mais velhos recebem a atenção total dos pais, pelo menos durante alguns meses ou anos, os que nascem mais tarde vão ter de partilhar desde o início”, disse Julie Rohrer, uma das autoras da investigação. “Outro fator explicativo é o do mais velho como tutor: o mais velho pode ensinar as crianças que lhe seguem, explicando-lhes como o mundo funciona. Para ensinar outras pessoas é preciso maiores capacidades cognitivas”.

 

Os meus pais gostam mais do meu irmão do que de mim?

Outubro 5, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do Público de 6 de setembro de 2015.

“Se uma criança alimentar a ideia de que há um filho preferido que não seja ele próprio, o que acontece muitas vezes é afastar-se da família", diz Fátima Almeida Daniel Rocha

“Se uma criança alimentar a ideia de que há um filho preferido que não seja ele próprio, o que acontece muitas vezes é afastar-se da família”, diz Fátima Almeida Daniel Rocha

Lusa

Desde muito cedo que as crianças começam a construir uma “percepção de preferência”, por parte dos pais. Que até pode ser falsa mas deixa marcas.

Os filhos têm, por vezes, percepção de que os pais preferem um dos irmãos, o que pode ser falso, mas é decisivo que os adultos conversem com os mais novos para evitar comportamentos problemáticos no futuro, afirmou a autora do livro O Filho Preferido, lançado na semana passada. “Se não houver uma comunicação directa, aberta, honesta entre pais e filhos, se os pais tiverem a percepção de que podem transmitir essa ideia e não conversarem com os filhos sobre isso, se não desmistificarem a questão da preferência, é provável que haja alguns comportamentos e atitudes de ambas as partes que vão reflectir-se na relação familiar.”

Uma “falsa percepção de preferência, pode iniciar-se muito cedo, no primeiro ou segundo ano de vida da criança”, diz a psicóloga Fátima Almeida. Pelo que é essencial falar sobre o assunto independentemente da idade da criança. “O diálogo é a base de tudo, se a comunicação com as crianças for simples, franca e honesta elas percebem, muitas vezes mais cedo do que nós achamos.”

A psicóloga é autora, juntamente com Laura Alho, do livro O Filho Preferido (Edição Pactor), que tentou responder à questão da existência, ou não, de uma preferência por um dos filhos da parte dos pais, um assunto “tabu” de que não se gosta de falar.

A obra foi construída a partir da análise de vários estudos científicos e trabalhos publicados, dividindo-se em 12 capítulos, com outros tantos temas, desde a gravidez, à relação entre os pais, a forma como geriram o nascimento do filho e o seu crescimento. “Não podemos concluir se existe ou não um filho preferido, porque não foi feito um estudo científico sobre isso, o que podemos concluir efectivamente é que tanto pais como filhos têm percepções diferentes e tipos de personalidades diferentes que levam a que tenham alguma tendência para se identificar mais com um filho do que com outro”, explicou Fátima Almeida.

Tendo em conta as personalidades e características de pais e filhos, pode acontecer uma maior empatia entre uns e outros. Um pai identificar-se mais com uma criança do que com outra “não é considerado ter uma preferência”, necessariamnete, ainda que os filhos possam “percepcioná-la como uma preferência”. E “é ai que reside o foco da questão”.

Esta percepção por parte das crianças, de que os pais gostam mais do irmão, pode ter consequências na sua ligação com os pais, com os irmãos e ter mesmo implicações no seu desenvolvimento. A própria relação entre os irmãos vai ser influenciada, “de forma profunda”, com mais conflitos e rivalidade, diz a psicóloga.

“Se uma criança alimentar a ideia de que há um filho preferido que não seja ele próprio, o que acontece muitas vezes é afastar-se da família, vai procurar outros adultos, alguém com quem se identificar.” No fundo, diz, “é como se se sentisse a mais na família e acaba por procurar apoio fora da família”.

Questionada acerca da frequência da existência desta questão da preferência dos pais, Fátima Almeida disse: “É mais comum do que pensávamos, praticamente todas as famílias com mais do que um filho já pensaram ou já falaram sobre o assunto ou, pelo menos, já experimentaram alguma situação constrangedora, porque nem sempre as famílias e os próprios filhos gostam ou sentem-se confortáveis a abordar” o tema.

 

 

 

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.