Iogurtes, cereais do pequeno-almoço, chocolates e sumos podem deixar de fazer publicidade para crianças e jovens

Agosto 8, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 23 de julho de 2019.

Vera Novais

A lista preliminar dos produtos sobre os quais não pode haver publicidade dirigida a menores é extensa: vai desde os chocolates aos queijos.

Chocolates, bolos, cereais de pequeno almoço e sumos são alguns dos produtos que vão deixar de poder fazer publicidade junto a escolas (do pré-escolar ao secundário) e parques infantis, no cinema, programas de televisão e rádios dirigidos a menores de 16 anos, e também na internet e redes sociais com conteúdos destinados a crianças desta idade, segundo uma lista preliminar a que o Público teve acesso.

A lei que altera o código da publicidade para alimentos e bebidas com alto teor de sal, açúcar e ácidos gordos saturados foi aprovada a 15 de março e publicada em Diário da República a 23 de abril. Dois meses depois deveria ter entrado em vigor, mas a Direção-Geral da Saúde (DGS) não tinha finalizado o despacho que indicaria quais os produtos abrangidos por estas novas regras.

Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, disse que 60 dias era pouco tempo para consultar todos os peritos e indústria alimentar de forma a elaborar a lista dos alimentos que devem ser sujeitos a esta restrição. Esta lista deve ter em conta não só o modelo da Organização Mundial de Saúde, mas também a legislação da União Europeia. Uma tarefa difícil tendo em conta que as recomendações são diferentes.

O Público teve acesso a esta lista, que ainda terá de ser revista pelo departamento jurídico da DGS e depois publicada em despacho, o que não se pode prever quando acontecerá devido à entrada no período de férias.

A tabela divulgada pelo Público inclui:

  • sumos com mais do que 2,5 gramas de açúcar por 100 gramas de produto, incluindo néctares, concentrados ou sumos a 100%;
  • bolos, bolachas e pães doces com mais de cinco gramas de açúcar (por 100 gramas);
  • cereais de pequeno almoço com mais de 15 gramas de açúcar (por 100 gramas);
  • iogurtes com mais de 10 gramas de açúcar (por 100 gramas);
  • chocolates, produtos de confeitaria, barras energéticas, cremes para barrar e sobremesas doces que tenham mais de: 1,5 gramas de ácidos gordos saturados, cinco gramas de açúcar e 0,3 gramas de sal por cada 100 gramas;
  • queijos e produtos análogos com mais de 13 gramas de ácidos gordos saturados (por 100 gramas).

Quase 30% das crianças, entre os seis e oito anos, com excesso de peso

Esta legislação tem como objetivo reduzir o consumo dos produtos listados — tidos como menos saudáveis nestas faixas etárias — e, assim, contribuir para reduzir a taxa de crianças obesas ou com excesso de peso.

Um estudo de 2016 do European Childhood Obesity Surveillance Initiative (COSI) revelava que 20,7% das crianças, entre os seis e os oito anos, consumiam biscoitos e bolos quatro ou mais vezes por semana e que três quartos das crianças nestas idades os consumiam até três vezes por semana, como recorda o Público. Mais, 86,8% das crianças, entre os seis e os oito anos, consumiam rebuçados, gomas ou chocolates três vezes por semana. E dois terços das crianças bebiam refrigerantes açúcarados.

Os últimos dados do COSI revelaram que, em Portugal, 29,6% das crianças dos seis aos oito anos tem excesso de peso e 12% é obesa. A evolução é positiva quando comparados com o primeiro estudo de 2008. Na altura, 37,9% tinham excesso de peso e 15,3% eram obesas.

“Estamos satisfeitos com estes resultados, mas 12% de crianças obesas ainda é muito”, comenta a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, citada pelo Público.

As crianças podem mesmo beber leite?

Março 27, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Expresso de 10 de março de 2019.

Joana Nunes Mateus

Controvérsia. São tantas as informações contraditórias sobre os malefícios e benefícios do leite que os pais já não sabem se devem dar laticínios aos filhos.

Quem nunca se perguntou se os iogurtes, o leite ou o queijo não desaparecem demasiado depressa do frigorífico quando os filhos chegam a casa esfomeados depois das aulas? E quantos pais não estarão perdidos perante o fogo cruzado de opiniões contraditórias sobre os benefícios e os malefícios do leite? Afinal, devemos ou não incentivar as crianças e os jovens a consumir laticínios?

Para esclarecer todas estas questões, o Expresso começou por bater à porta da Comissão de Nutrição da Sociedade Portuguesa de Pediatria. Esta defende que “o leite é um excelente alimento, não sendo aceitáveis campanhas contra a sua utilização tendo por base argumentos não fundamentados cientificamente”.

Em causa está um alimento completo, rico em proteínas de alto valor biológico, hidratos de carbono, lípidos, vitaminas e minerais, particularmente cálcio, “sendo por isso de grande importância nutricional ao longo de todo o ciclo de vida e muito particularmente ao longo dos períodos de aceleração de crescimento a partir da idade pré-escolar, com destaque para o período da adolescência, fase da vida em que aumentam as necessidades em todos os nutrientes”.

Leitinho à noite é que não

Por parte da Ordem dos Médicos Dentistas, o presidente da mesa do conselho geral e professor universitário, Paulo Ribeiro de Melo, acrescenta que não é só o leite materno a ter várias propriedades antibacterianas. “Sem dúvida que o leite de vaca protege e não faz mal à saúde oral. O efeito protetor do leite para evitar o aparecimento de cárie dentária é muito importante nas crianças e nos jovens, principalmente para os dentes de ‘leite’ e para os dentes permanentes que nascem até aos 12-14 anos”.

“Falamos de osteoporose após os 50, mas, em boa verdade, a massa óssea constrói-se até aos 18 a 20 anos. A adolescência é um período muito importante uma vez que se regista um incremento de 60% do seu valor. O que não for feito até essa idade… nunca mais será!”, alerta Carla Rêgo, coordenadora do Estudo do Padrão Alimentar e de Crescimento Infantil e presidente do Grupo Nacional de Estudo e Investigação em Obesidade Pediátrica.

Esta pediatra explica que as crianças podem consumir até 400 a 500 mililitros de produtos lácteos por dia e os adolescentes 500 a 600 mililitros. Mas atenção: o leite é um alimento e não deve ser usado como uma bebida. Deve ser fracionado em snacks duas a três vezes por dia. Por exemplo, um copo de 125 mililitros de leite, um iogurte ou uma fatia de queijo de cada vez.

“Não se consegue ir buscar cálcio e vitamina D a mais nenhum outro alimento na concentração que existe no leite e derivados. É por isso que a sua eliminação da dieta poderá comprometer irreversivelmente a massa óssea. Os vegetais têm cálcio, mas para obter a concentração de um iogurte, teriam de se ingerir 600 gramas de brócolos já que o cálcio dos vegetais é menos biodisponível do que o do leite”, explica a pediatra.
Daí que esta professora das Faculdades de Medicina da Universidade do Porto e da Universidade Católica Portuguesa considere não haver qualquer problema quando o leite tem algum cacau ou cevada para convencer a criança a ingeri-lo: “Modere-se a quantidade de leite oferecido e regrem-se os outros hábitos!”. É o caso dos sumos, refrigerantes, doces, sobremesas…

Tal como os outros alimentos, os laticínios devem é ser consumidos com conta, peso e medida. “A ingestão de volumes demasiado elevados de leite (superiores a 500 mililitros/dia) ou a persistência do biberão da noite (o leitinho à ida para a cama), a partir dos 12 meses, são dois fatores associados ao maior risco de obesidade em idade pediátrica”. Aliás, “é devido a este efeito anabólico do leite que os atletas de competição o usam como refeição ‘pós-treino’, sendo uma excelente fonte de proteína de alto valor biológico”.

Alternativas vegetais

E quanto às crescentes bebidas de arroz, aveia, soja, etc.? A pediatra Carla Rêgo diz não haver qualquer problema para uma criança se ela gostar, ocasionalmente, de beber bebidas vegetais. Mas esclarece: não se trata de leites, mas de “sumos” vegetais. Neste contexto, há três regras a cumprir no seu consumo pelos mais novos. “Primeiro, nunca se deve usar bebidas vegetais abaixo dos três anos de idade. Segundo, não se deve assumir que elas substituem o leite. Terceiro, não se deve esquecer que têm elevado teor de açúcar e baixo valor energético e proteico, podendo comprometer o crescimento”.

A Comissão de Nutrição da Sociedade Portuguesa de Pediatria acrescenta que a dieta deve ser equilibrada e variada, respeitando a roda dos alimentos que inclui o leite e derivados: “Estes não devem ser substituídos na alimentação por bebidas vegetais, em geral desequilibradas e nutricionalmente mais pobres, nem por sumos habitualmente muito ricos em açúcares”.

Carla Rêgo deixa ainda um alerta aos jovens vegetarianos, sobretudo vegans: “A alimentação deve ser variada, incluindo alimentos de todos os grupos. A exclusão de alimentos de um grupo, como por exemplo o dos laticínios, pode implicar um compromisso nutricional para a vida, sobretudo em fase de crescimento e desenvolvimento, que nem sempre é compensado pelos suplementos de vitaminas e minerais”.

 

 

 

 

 

Maioria é demasiado doce. Afinal, que iogurte se deve dar às crianças?

Janeiro 23, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 19 de setembro de 2018.

Graça Henriques

Um novo estudo britânico revela que a grande maioria dos iogurtes disponíveis no mercado tem açúcar a mais, sobretudo na categoria infantil. Até os orgânicos são demasiado doces. Mas há alternativas saudáveis.

o ingerir dois iogurtes aromatizados, uma criança está a ultrapassar a quantidade diária de açúcar recomendada (25g). A “ameaça doce” que este alimento pode representar para a saúde já era falada, mas agora há um novo estudo que inclui toda a panóplia de iogurtes que tantas vezes nos dificulta a escolha nas prateleiras do supermercado: com sabores, com pedaços de fruta, os destinados especificamente às crianças, os de soja, as sobremesas lácteas e os queijinhos.

Apenas 9% obteve a classificação de baixo teor de açúcar, quase nenhum deles na categoria infantil. Uma questão “preocupante”, alertam os investigadores, dado o aumento da obesidade infantil e a prevalência de cáries entre as crianças. Em Portugal, 28,5% das crianças entre os 2 e os 10 anos têm excesso de peso, entre as quais 12,7% são obesas, de acordo com os resultados do mais recente estudo da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil que analisou uma amostra de 17 698 crianças, em idade escolar, no ano letivo 2016-2017.

O novo alerta sobre o excesso de açúcar vem de um estudo britânico desenvolvido por investigadores da Universidades de Surrey e Leeds – conhecido esta quarta-feira – que avaliaram cerca de 900 iogurtes disponíveis em cinco grandes cadeias de supermercados online do Reino Unido, que representam 75% do mercado. O estudo revela que, com exceção dos iogurtes naturais/gregos, o teor médio de açúcar dos produtos em todas as categorias estava bem acima do limiar recomendado.

Iorgurtes naturais são saudáveis

Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, e Alexandra Bento, bastonária dos nutricionistas, fazem questão de sublinhar que, apesar de se tratar de um estudo britânico, em Portugal a realidade não será muito diferente. Tanto mais que as empresas lácteas estão no mercado global e os valores nutricionais dos alimentos são iguais ou muito semelhantes. Os estudos desenvolvidos em Portugal, nomeadamente o Inquérito Alimentar Nacional, apontam no mesmo sentido.

O diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável começa por explicar que até os iogurtes naturais têm presente na sua constituição nutricional 5/6g de açúcar por 100g. Mas, sublinha, nem tudo é mau e trata-se de um alimento bastante saudável e completo porque é rico em vários nutrientes – proteínas, gorduras, cálcio, fósforo, diversas vitaminas, potássio, zinco, iodo, entre outros. Uma espécie de multivitamínico que pode colmatar défices nutricionais por um baixo preço, afirma.

Esta variada composição nutricional que um iogurte tem na sua matriz faz com que o açúcar tenha um efeito menos negativo do que o de um refrigerante. “No caso dos iogurtes, a entrada do açúcar no sangue é mais lenta, faz-se a conta-gotas, ao contrário do que acontece quando se bebe um refrigerante, que é injeção de açúcar direto nas veias”, diz Pedro Graça. Um refrigerante tem em média 10g de açúcar por 100g, o que faz com que uma garrafa some 33 gramas, o triplo do açúcar presente num iogurte aromatizado (que já ultrapassa os valores recomendados – 5g para 100g).

Quando se fala de um iogurte aromatizado a conversa é outra, já que este pode apresentar 13 a 15 g de açúcar por 100g, mais do dobro de um iogurte natural. “Não faz sentido que um alimento tão bom, saudável, tenha necessidade de ter açúcar aditivado, há formas de se adoçar o alimento, como a canela e a fruta”, refere Pedro Graça.

Sobremesas lácteas são “bombas” calóricas

O estudo britânico revela que as sobremesas lácteas contém mais açúcar – uma média de 16,4g/100g, uma quantidade que representa mais de 45% do consumo de energia. Estes foram seguidos de produtos nas categorias infantil, com sabor, frutas e até os orgânicos (que recebem esta classificação porque são feitos com produtos naturais e não significa que não tenham açúcar).

No caso das sobremesa, Pedro Graça diz que os pais que dão este tipo de alimentos aos filhos devem assumi-los como um bolo feito com leite e que em caso algum substituem uma peça de fruta à refeição.

Alexandra Bento, bastonária dos nutricionistas, afirma, por seu lado, que este estudo vem reforçar a necessidade da reformulação de produtos alimentares com elevado teor de açúcar, com especial enfoque para os destinados às crianças. “Vem também destacar a necessidade de se aumentar a literacia alimentar da população para saberem fazerem melhores escolhas alimentares, porque saber compreender os rótulos é essencial.” E alerta que, considerando as recomendações da Organização Mundial da Saúde para ingestão de açúcar, em alguns casos dos produtos analisados neste estudo revelou que por 100g já disponibiliza a quantidade máxima de açúcar (25g) que uma criança deve ingerir num dia.

De facto, os investigadores sublinham que “embora o iogurte possa ser menos preocupante do que os refrigerantes e sumos de frutas, as principais fontes de açúcares livres nas dietas de crianças e adultos, o que é preocupante é que o iogurte, considerado um ‘alimento saudável’, pode ser uma fonte não reconhecida de açúcares livres adicionados na dieta”.

Por tudo isto concluem: “Nem todos os iogurtes são tão saudáveis quanto os consumidores os percebem e a redução de açúcares livres é justificada.”

O estudo citado na notícia é o seguinte:

An evaluation of the nutrient contents of yogurts: a comprehensive survey of yogurt products in the major UK supermarkets

 

Estudo sugere que os iogurtes magros durante a gravidez aumentam o risco de asma e rinite alérgica nos bebés

Setembro 26, 2011 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia do i de 19 de Setembro de 2011.

Os resultados de um estudo da European Respiratory Society – que vai ser apresentado num congresso em Amesterdão que decorre de 24 a 28 deste mês – mostram haver uma relação entre o consumo de iogurtes magros pelas grávidas e a incidência de casos de asma e de rinite alérgica nos seus filhos.

O problema, dizem especialistas, pode residir na falta de ácidos gordos protectores existentes no iogurte. O estudo observou as dietas de 70 mil mulheres dinamarquesas e dos filhos até aos sete anos e descobriu que as grávidas que ingeriam iogurtes magros de fruta tinham 1,6 vezes mais probabilidades de os seus filhos terem asma até aos sete anos, em comparação com as mulheres que não comiam iogurtes magros. A análise dos resultados também mostra que os casos de rinite alérgica entre as crianças aumenta na mesma proporção. No entanto, beber leite durante a gravidez não provoca os mesmos efeitos, antes pelo contrário, os dados mostram que o leite protege os bebés de virem a desenvolver asma.

“É uma descoberta intrigante. A ausência de ácidos gordos nos iogurtes magros podem ser a chave dos resultados”, explicou à BBC Ekaterina Maslova, da Harvard School of Public Health, principal autora do estudo levado a cabo no Statens Serum Institut em Copenhaga. “Os resultados sugerem que os ácidos gordos têm um papel importante ou que as pessoas que comem este tipo de iogurte têm um estilo de vida ou padrões de dieta similares. Não podemos chegar a nenhuma conclusão nesta fase. Primeiro temos de reproduzir estes resultados noutros estudos”, acrescentou. A. R.


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