Cápsulas de detergente motivaram 68 intoxicações no ano passado

Janeiro 24, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.jn.pt/ de 19 de janeiro de 2018.

As cápsulas de detergente provocaram no ano passado 68 situações de intoxicação, sobretudo em crianças até aos três anos de idade, de acordo com o Centro de Informação Antivenenos do INEM.

O INEM lançou recentemente uma campanha de sensibilização na rede social Facebook, depois de ser conhecido um desafio que está a circular na internet, que consiste na ingestão destas cápsulas de detergente e publicação do respetivo vídeo.

“Comer cápsulas é estúpido! Come bolachas” é o mote da campanha do INEM.

O Centro de Informação Antivenenos (CIAV) do INEM não tem, até ao momento, conhecimento de casos de intoxicações provocados no decorrer deste desafio.

Também a PSP já publicou um comunicado na mesma rede social, alertando para “um novo desafio viral na Internet que consiste na ingestão destas cápsulas ou na sua colocação na boca, filmando e partilhando nas redes sociais”.

“Estas cápsulas são altamente concentradas e projetadas unicamente para o seu fim. Devem ser armazenadas longe do alcance de crianças, independentemente das circunstâncias”, lê-se no alerta da PSP.

Sem relação com este desafio, o CIAV do INEM atendeu no ano passado 68 casos relacionados com a exposição a detergente em cápsulas. Em 2016, este organismo registou 115 ocorrências e no ano anterior 140.

Dados do INEM a que a Lusa teve acesso revelam que “a maioria das situações ocorrem nos escalões etários mais baixos com particular incidência nas crianças até aos três anos de idade inclusive”.

Em 2017, 14 das situações ocorreram em menores de dois anos, 19 tinham dois anos e 17 eram crianças com três anos.

A via digestiva foi o principal meio de exposição ao detergente em cápsulas (46), seguindo-se a ocular (17) e a cutânea (5).

Segundo o CIAV, “as cápsulas de utilização unitária de detergente para lavagem de roupa ou loiça contêm entre 30 a 50 ml de um detergente concentrado, revestidas por um invólucro solúvel em água”.

“As suas cores brilhantes e chamativas são particularmente atrativas para as crianças que as podem confundir com guloseimas, rebuçados ou doces”, prossegue o organismo.

De acordo com o CIAV, “ainda que a maior parte destas situações seja de gravidade relativa, dependendo de diversos fatores, podem, no entanto, provocar lesões, nomeadamente ao nível ocular, com consequências potencialmente mais graves”.

 

25 crianças por dia são vítimas de intoxicação

Setembro 30, 2013 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 16 de setembro de 2013.

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Mais de 50% das intoxicações em crianças causadas por medicamentos

Outubro 4, 2011 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 23 de Setembro de 2011.

por Marta F. Reis,

Estudo nos EUA alerta para o agravamento da “epidemia”. Em Portugal os casos estão estáveis, mas são cerca de 6 mil por ano.

“Mãe, já comi os smarties todos.” Maria tinha 26 anos e o filho quatro. Naquela manhã Júlio acordou mais cedo, saiu da cama e foi mexer-lhe na mala. Em minutos tomou sete ou oito ansiolíticos, viriam a dizer-lhe nas urgências. “Primeiro nem percebi. Lembro-me de lhe dizer: ”Está bem, vai brincar.” Depois é que pensei que não tinha smarties em casa.” A mala estava aberta e o frasco do medicamento que andava a tomar no chão. Quando saiu para o hospital, Júlio já estava a perder a consciência. Fizeram-lhe uma lavagem ao estômago e passou a noite nos cuidados intensivos. “A médica veio ter comigo e chamou-me criminosa, que se ele morresse a culpa era minha.”

Passado há 20 anos, o caso de Maria continua a não ser invulgar apesar das sucessivas campanhas de prevenção. Um estudo publicado a semana passada na revista “Pediatrics”, sobre a realidade norte- -americana, lançou o alerta para o aumento acentuado da “epidemia” de intoxicações medicamentosas em crianças (texto ao lado). Em Portugal, os especialistas não sentem que o problema esteja a aumentar, mas defendem que o tema não pode sair da agenda.

Dados do Centro de Informação Anti-Venenos (CIAV) do INEM, a que o i teve acesso, revelam que todos os anos há cerca de 6 mil casos de intoxicações em crianças provocadas por medicamentos. Representam mais de metade das exposições a doses potencialmente tóxicas de produtos tão acessíveis como detergentes. Cerca de 70% dos casos dizem respeito a crianças até aos quatro anos, explica Fátima Rato, médica coordenadora do CIAV. “Estes casos estão directamente relacionados com o facto de as crianças nesta idade serem muito curiosas, estarem a descobrir o mundo, não terem a mínima noção de perigo e procurarem imitar os adultos.”

De acordo com os dados nacionais, os medicamentos que mais vezes dão lugar a intoxicações em crianças são o paracetamol, anti-histamínicos, mas também pílulas contraceptivas. Em Portugal, como nos Estados Unidos, a maioria dos casos resulta de situações de auto-ingestão acidental, mas Fátima Rato sublinha que há muitas consultas relacionadas com enganos na administração da medicação por parte dos pais ou das educadores. “Por exemplo, em vez de darem 5 ml de um xarope dão 10 ml. Ou em vez de darem um medicamento a determinada hora dão mais cedo ou mais tarde. Tudo isto são situações de muito baixa gravidade.”

Perante uma situação de envenenamento, os pais ou educadores devem ligar para o número de urgência do CIAV (808 250 143), que faz uma primeira triagem e pode encaminhar para o hospital. O contacto também pode chegar dos serviços de saúde, a quem dão aconselhamento. Fátima Rato nota contudo que em muitos casos o centro acaba por não ser informado, pelo que os dados serão indicativos. “Em geral podemos afirmar que a esmagadora maioria das intoxicações em crianças no nosso país é de baixa gravidade e não posso dizer, com base nos dados de que disponho, que estejam a aumentar.”

Em termos globais, segundo os registos do CIAV, as intoxicações pediátricas (dos 0 aos 15 anos) rondam desde 2006 os 10 mil casos por ano. O ano com mais consultas foi 2007, com 10 673 casos. Em 2010 foram 9250. “Nunca é de mais, no entanto, chamar a atenção para a necessidade de manter os medicamentos (e não só) fora do alcance das crianças, confirmar bem a dose e que os adultos evitem tomar medicamentos em frente das crianças porque elas têm tendência para os imitar.” Leonor Sassetti, da Sociedade Portuguesa de Pediatria, defende mesmo que os pais deviam ser alertados para o problema nas consultas de rotina antes de as crianças começarem a andar. “É igualmente importante lembrar os avós: pode não haver tanta preocupação com o local onde se deixa o medicamento.” Lançar campanhas de sensibilização para grupos mais vulneráveis é outra recomendação da especialista.

Para Maria, depois do susto, tudo mudou. Os medicamentos passaram a estar guardados numa caixa fechada, num local elevado. Hoje, com 55 anos e uma neta de quatro, não se esquece de fechar a porta do quarto à chave antes de a receber em casa.

 


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