“Não há uma idade certa para se falar da IVG nas escolas”

Julho 20, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ de 9 de julho de 2017 a Margarida Gaspar de Matos.

“A descontinuidade das políticas públicas é trágica”, afirma Margarida Gaspar de Matos.

Ana Dias Cordeiro

O que aconteceu para os jovens deixarem de gostar da escola nestes últimos 30 anos?

Os [nossos] estudos desde 1998 mostravam que os miúdos tinham a percepção de serem os piores da Europa inteira, mas ao mesmo tempo gostavam muito da escola — dos recreios, de conviver com os colegas, de algumas actividades e de alguns professores. Em 2014, baixou o gosto pela escola em geral, incluindo pelos recreios.

Por que motivo?

Houve um grande desinvestimento nas áreas curriculares não disciplinares, em que os miúdos podiam construíam projectos de escola com os professores. Saiu da escola toda essa componente relacional e de cidadania e a escola passou a centrar-se unicamente nas aprendizagens, com aquele foco imenso na Matemática e no Português. Nós não queremos crânios a Matemática e a Português para depois irem tomar medicação psicotrópica.

As políticas do ensino levaram a essa situação?

Eu não posso dizer isso assim, mas aconteceu tudo ao mesmo tempo: uma mudança do clima da escola, das políticas educativas e das expectativas sobre o futuro que, aparentemente, tiraram o gosto por tudo o que tenha a ver com a escola. Neste momento, há todo um ambiente economicista que não favorece envolvimento dos professores. Além disso, as políticas públicas têm que ter uma continuidade. A descontinuidade é trágica.

Como vê esta nova experiência do Ministério da Educação (ME) para flexibilizar currículos (dar margem às escolas para juntar ou criar novas disciplinas)?

É uma boa ideia os jovens e os próprios professores serem chamados a reflectir sobre os currículos, porque há matéria a mais para o tempo disponível, e os professores e os alunos são os melhores para fazer essa análise. Mas uma coisa é a lei e a outra é o que vai acontecer.

Se for bem feito, é bom. É isso?

Se for feito realmente com propriedade. A gestão das escolas, às vezes, define o que pode ser feito entre o excelente e o péssimo. O Ministério tem que monitorizar para, pelo menos, o médio acontecer nas escolas todas.

Qual a sua opinião acerca do recente projecto do ME de “referencial de educação para a saúde” (orientações às escolas) em que se propunha abordar com os alunos do 2.º ciclo a questão da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG)?

Eu estou contra um professor chegar a uma aula com um power point e falar de IVG como se fosse matéria. A questão nunca se pôs assim. A questão é se, nalgumas condições, será lícito falar disso.

Deve ser falado com alunos do 2.º ciclo que têm entre 10 e 12 anos?

O referencial é um referencial, não é um programa. E eu estou a ver vários cenários. Se aparecer um caso, o professor bem informado pode explicar em que circunstâncias essas coisas acontecem. Quando os meninos perguntam, as coisas têm que ser esclarecidas, porque, se não são, vão inventar coisas ainda piores.

O ME fez bem em recuar e propor introduzir esse tema no 3.º ciclo?

Foi um ajuste do ME relativamente à sensibilidade do país. No 3.º ciclo acontece exactamente a mesma coisa. Eu não acharia nada interessante que, alguma vez, a pílula do dia seguinte ou a IVG viessem no capítulo Métodos Contraceptivos. Isso seria uma barbaridade em termos de saúde pública.

Não há uma idade certa para falar do tema?

Não há uma idade, há uma relevância desenvolvimental. Toda a educação para a saúde deve ser assim.

 

 

Texto final sobre educação sexual será apresentado em Janeiro

Dezembro 30, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 22 de dezembro de 2016.

O novo referencial da Educação para a Saúde está a ser contestado por prever que a Interrupção Voluntária da Gravidez seja abordada no 2.º ciclo de escolaridade, frequentado por crianças entre os 10 e os 12 anos.

Clara Viana

O novo referencial da Educação para a Saúde, que integra domínios como a alimentação, a violência ou a educação sexual, entre muitos outros, só será apresentado em Janeiro, depois de terem sido analisadas as “centenas de contribuições” feitas durante o período de discussão pública que terminou na segunda-feira, Informou o Ministério da Educação (ME) em resposta a questões do PÚBLICO.

Só então se saberá se o ME vai manter no documento a referência à Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), um dos temas propostos para o 2.º ciclo de escolaridade, ou se cederá à petição, já assinada por cerca de 8300 pessoas, com vista à retirada daquele tópico. “É um verdadeiro absurdo ensinar crianças que é legítimo e justo matar bebés no ventre materno”, proclama-se naquele texto.

“Temos uma sociedade muito contraditória. As pessoas indignam-se por se falar da IVG no 2.º ciclo, mas não se incomodam que o tema da morte venha a ser abordado no pré-escolar, como está previsto no referencial”, comenta a investigadora da Universidade do Minho, Zélia Anastácio, que tem trabalhado com as escolas no âmbito da educação para a sexualidade

No referencial sugere-se que no 2.º ciclo, frequentado por crianças entre os 10 e os 12 anos, os alunos identifiquem métodos contraceptivos e a sua importância na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e de uma gravidez indesejada, bem como que aprendam a distinguir uma interrupção voluntária da gravidez de uma interrupção involuntária.

Para Zélia Anastácio, está é a altura certa para se iniciar a abordagem de temas como estes, já que é naquelas idades que “os alunos começam a colocar questões sobre o aborto”. “ E se objectivo é também prevenir a gravidez na adolescência, então a abordagem tem de começar antes”, acrescenta.

A investigadora lamenta, contudo, o que chama de “eufemismos”, provavelmente destinados a evitar novos choques com a opinião pública. Por exemplo, aponta, no referencial nunca se refere explicitamente a homossexualidade, em vez disso fala-se de respeito pela “diversidade na sexualidade e orientação sexual”.

Zélia Anastácio tem ainda dois outros reparos ao texto que esteve em discussão pública: defende que a temática do abuso sexual deve ser abordada logo desde o pré-escolar, e não apenas a partir do 2.º ciclo, como previsto; e que pelo contrário o tópico morte seja apresentado mais tarde. No referencial propõe-se que se dê a compreender aos alunos do pré-escolar que “a morte é o fim de um ciclo”. “São muito pequenos para interiorizarem este conceito. Nestas idades precisam é de ter mensagens positivas, de vida, de felicidade e não de morte”, diz.

consultar o Referencial de Educação para a Saúde

 

 

Terrorismo, morte ou sexo. Falar com as crianças, mas sem detalhes

Dezembro 27, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.dn.pt/de 21 de dezembro de 2016.

Orlando Almeida / Global Imagens

Orlando Almeida / Global Imagens

 

Joana Capucho

Pais devem abordar os assuntos só quando são questionados pelos filhos e sem pormenores que os deixem ansiosos

Aos 9 anos, Filipa começou a falar sobre a morte. Ficava triste, porque imaginava que o pai ou a mãe podiam morrer. “Percebeu que somos finitos, que não duramos para sempre”. Depois veio a público a foto do corpo de uma criança síria encontrada numa praia turca. Luís e Lúcia, pais de quatro raparigas – Maria, de 16 anos, Daniela, de 15, Filipa, agora com 10 e Ana, de 6 – falaram então sobre refugiados. “Tentamos mostrar a realidade com uma linguagem que entendam”, conta Luís.

Dois meses depois, os atentados em Paris, onde vive uma prima. “Mesmo com as mais novas, tivemos de falar sobre o terrorismo. Queremos que saibam o que se passa, mas há imagens e pormenores que não acrescentam nada ao que têm de saber sobre o assunto, porque só as vai assustar mais”, frisa. Responder às perguntas das crianças sobre sexo ou explicar-lhes temas como o terrorismo ou a morte não são tarefas fáceis para muitos pais. Haverá uma idade indicada para falar sobre cada um? O que dizer? Os especialistas contactados pelo DN recomendam que só sejam abordados a pedido das crianças e sempre de acordo com as idades. Regra geral, primeiro surgem questões sobre a gravidez, a morte e as doenças e só mais tarde sobre o terrorismo ou o aborto.

“Não devemos evitar falar destes assuntos às crianças. Devemos sim é ter contenção sobre o que dizemos e como o dizemos. Contudo, não devem ser os pais a trazer o assunto para a discussão”, sugere Renato Paiva, diretor da Clínica da Educação. A ideia é responder às solicitações das crianças e adequar o discurso à idade. “Não falaremos da morte com uma criança de 4 anos do mesmo modo que falamos com uma de 10. A sua maturidade ainda não compreende conceitos abstratos”.

O pediatra Hugo Rodrigues reforça que “o princípio geral para temas difíceis é que sejam abordados a pedido da criança”. “Sempre que pergunta, deve esclarecer-se de uma forma correta e com linguagem adequada”. No 3.º ano de escolaridade, “já falam sobre o sistema reprodutor, os óvulos, a gestação”, portanto a gravidez é “provavelmente o tema mais fácil, mais visível” e um dos que aparece primeiro. “Até porque muitas crianças têm irmãos.” Aos 6 anos, diz o pediatra, começam a ter medo de morrer e que os pais morram.

Recentemente, as direções-gerais da Educação e da Saúde emitiram um documento com novas sugestões para as aulas de educação sexual, no qual há um tópico que gerou uma enorme polémica: a possibilidade de falar da interrupção voluntária e involuntária da gravidez no 2.º ciclo. Na opinião de Hugo Rodrigues, como rapazes e raparigas não amadurecem da mesma forma, “se calhar não faz muito sentido falar deste tema antes dos 12 anos”. Segundo o pediatra “será um assunto para introduzir mais tarde”. “Não tenho muita pressa em tornar as crianças adultas”. O mesmo é válido para o terrorismo. “Não podem fazer nada para mudar, portanto não deve ser uma preocupação das crianças”.

Para Cátia Teixeira, psicóloga da área infantojuvenil da Oficina de Psicologia, não há uma idade certa para falar sobre cada assunto. “As crianças têm fases de desenvolvimento diferentes e também precisam de respostas diferentes”, justifica, acrescentando que “uma criança de 10 anos pode estar preparada para falar de terrorismo, mas uma de 12 pode não estar”. O caminho, prossegue, é perceber o que é que ela quer saber. “Se pergunta o que é o terrorismo, devemos perguntar o que ela acha que é. É importante perceber o entendimento da criança e só depois dar a resposta. Por vezes, ela não tem as dúvidas que o adulto pensa que tem e não está preparada para certas respostas”. Se os temas não forem abordados de forma correta, “a criança pode ficar ansiosa, preocupada.”

Falar com os miúdos sobre violência pode gerar medo. Renato Paiva diz que importa “dar colo ao falar com as crianças nestes assuntos.” “Abordar temas como terrorismo, morte, aborto, fome, doenças, mexe com as emoções de cada um. São assuntos que tradicionalmente são difíceis para todos, para os pais não é exceção.” Segundo o psicopedagogo, “o concreto funciona melhor, assim como a recorrência a exemplos ajuda”. No entanto, adverte, as explicações não devem ser pormenorizadas. Para a criança fazer uma pergunta “é porque contactou com uma realidade que desconhece”, daí que seja essencial os pais perceberem o porquê das suas questões. Dizem os especialistas em educação que dificilmente uma criança faz perguntas sobre um tema com o qual não contactou. Hélder Ramos, professor do primeiro ciclo na Madeira, revela que “o que as crianças perguntam tem a ver com as suas vivências. Não improvisam perguntas sobre coisas abstratas”. Segundo o professor, “falam de alcoolismo, tabaco ou violência quando vivem essas situações”. Nesses casos, os professores não devem mentir, mas é importante abordar os temas com cautela. Relativamente à questão do aborto, Hélder lembra que, atualmente, há crianças no 2.º ciclo com 16 anos. “Não faz sentido generalizar, porque pode despertar curiosidade e não trará benefícios. Mas pode haver situações em que faz sentido”.

Já Odete Santos, professora numa escola de 1.º ciclo na Charneca da Caparica, diz que as perguntas das crianças aos 8 e 9 anos são sobretudo sobre a reprodução. “É a matéria que os cativa mais”. Também falam sobre a fome em África, os refugiados e, por vezes, sobre a morte. “Mas esse é um tema do qual tendem a fugir”. Já trabalhou em zonas carenciadas e, nesses casos, as crianças também falavam muito sobre droga. “Sabiam coisas muito à frente para a idade”.

Na opinião de Jorge Gravanita, presidente da Sociedade Portuguesa de Psicologia Clínica, “o que precisamos hoje em dia é que os assuntos deixem de estar numa zona obscura e possam ser falados”. É o que faz António Rebelo, de 45 anos, com os cinco filhos. “Não há nada tabu. É tudo explicado consoante as idades”. Com filhos dos cinco aos 21 anos, este pai ressalva, no entanto, que há coisas que fala com os mais velhos e que, naturalmente, a filha mais nova não ouve.

António Rebelo é uma das mais de seis mil pessoas que assinaram a petição para que o aborto não seja abordado no 2,º ciclo. Considera que o filho de 11 anos poderá entender do que se trata, se o assunto for abordado por si, mas teme que lhe seja explicado de uma forma que considera errada. Tal como aconteceu com a educação sexual, razão pela qual retirou os filhos da escola pública. Segundo o psicólogo Jorge Gravanita, poderá fazer sentido o tema da IVG ser falado com alunos do 2.º ciclo. “Não como uma transmissão de conteúdo, mas a partir do questionamento das crianças. A ideia é permitir uma discussão entre colegas e professores.” Luís, pai de quatro raparigas, discorda : “É uma comparação grotesca, mas é quase como colocar o assunto da eutanásia nas mãos de uma criança. O tema merece ser falado, mas não aos 10 anos.”

 

 

Número de abortos diminui pelo terceiro ano consecutivo

Junho 16, 2015 às 6:25 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 15 de junho de 2015.

Alexandra Campos

Desde 2008, fizeram-se mais de 133 mil interrupções de gravidez ao abrigo da lei. Depois do “pico” de 2011, número de abortos tem vindo a decrescer e atingiu o valor mais baixo de sempre no ano passado.

O número de mulheres que decidiram abortar voltou a diminuir em 2014, tal como já tinha acontecido nos dois anos anteriores. Desta vez, a quebra foi mais significativa, da ordem dos 9,3%. Na prática, foram feitas menos 1692 interrupções de gravidez do que em 2013. No ano passado, realizaram-se 16.589 abortos por todos os motivos, 97% dos quais por opção da mulher, numa altura em que uma iniciativa legislativa que reclama a revisão da actual lei está em vias de ser apreciada no Parlamento.

Este é o número mais baixo de que há registo desde que o aborto por opção da mulher nas dez primeiras semanas de gestação foi despenalizado em Portugal, em 2007. Se se considerarem apenas os números de abortos a pedido da mulher, a diminuição face a 2013 foi de 9,5%.

Levando em conta todos os motivos (incluindo as razões clínicas, como o risco para a saúde da mãe, malformações congénitas e violações), o aborto diminuiu 1,8% desde 2008, destaca o relatório dos registos das interrupções de gravidez da Direcção-Geral da Saúde (DGS) esta segunda-feira divulgado.  Em sete anos, no total, há registo de 133.098 interrupções de gravidez ao abrigo da lei.

A diminuição verificada em 2014 é “uma boa notícia”, tal como o é o aumento das interrupções de gravidez nas unidades oficiais públicas, sublinha Lisa Vicente, responsável pela Divisão de Saúde Sexual, Reprodutiva, Infantil e Juvenil da DGS. Os números colocam Portugal abaixo da média europeia, enfatiza, lembrando que, mesmo tendo em conta a quebra da natalidade verificada de 2013 para 2014, foi maior o decréscimo do número de abortos registados. “A diferença no número de nascimentos entre 2013 e 2014 não chega aos 500”, recorda.

A tendência para a diminuição tem, aliás, sido “sustentada”, defende a especialista, que nota que este fenómeno já se observa desde 2012, depois de no ano anterior se ter atingido um pico, com mais de 20 mil abortos no total.

Se nos primeiros anos após o referendo a tendência foi para o crescimento, desde 2012 verifica-se, de facto, o contrário, com os abortos a decrescer em números absolutos. Além das interrupções de gravidez por opção da mulher, também entram nesta contabilidade os casos de aborto por grave doença ou malformação congénita do nascituro (432, no ano passado) e por violação (14).

Fazendo a comparação por mil nados-vivos (crianças nascidas com vida), em 2014 observou-se igualmente uma diminuição (201 interrupções por mil nados-vivos, quando em 2013 tinham sido 221).  

Em termos internacionais, destaca ainda Lisa Vicente, Portugal tem-se situado sempre abaixo da média europeia, mesmo considerando o indicador das interrupções de gravidez por mil nados-vivos para os anos disponíveis (2012). Nesse ano, a Bulgária figura no topo da tabela, com mais de 433 abortos por mil nados-vivos, enquanto a Suiça se encontra no outro extremo, com 132. 

“Quase oito anos após o referendo de 2007, o que vemos é que há uma diminuição do número de complicações decorrentes das interrupções de gravidez, ao mesmo tempo que não aumentou o número” de abortos, sintetiza.

Portugal tem mesmo sido reconhecido internacionalmente como um exemplo de boa prática devido à predominância, nas unidades públicas, da interrupção de gravidez medicamentosa (nas unidades privadas continua a prevalecer o método cirúrgico) e ao registo obrigatório, acrescenta. No ano passado, 69,2% dos abortos foram feitos com medicamentos, sem necessidade de cirurgias.

Um quinto estão desempregadas

O perfil das mulheres que decidem interromper a gravidez é heterogéneo, mas não se tem alterado de forma significativa em cada ano que passa. Em 2014, por idades, mais uma vez foram as mulheres entre os 20 e os 24 anos as que mais abortos fizeram, seguidas das mulheres entre os 25 e os 29 anos e entre os 30 e os 34 anos, enquanto se continua a verificar uma tendência decrescente nas jovens (com menos de 20 anos). Tendo em conta o grau de instrução, mais de um terço tinha o ensino secundário, enquanto cerca de um quinto possuía cursos superiores. Mais de metade tinham um a dois filhos e 41,1% não tinham filhos.

Olhando para os dados sobre a reincidência, percebe-se que perto de três quartos das mulheres (71,1%) nunca tinha abortado, mais de um quinto tinha feito uma interrupção de gravidez, 5,1%, duas, e 1,9% reconhecia ter realizado três ou mais abortos ao longo da sua idade fértil. Os registos da DGS permitem também concluir que, em 2014, 303 mulheres (1,9%) já tinham realizado um aborto nesse ano. “Os dados não batem certo com os daqueles que dizem que as mulheres usam a interrupção de gravidez como forma de contracepção”, comenta Lisa Vicente.

De resto, mais uma vez, estavam desempregadas a maior parte das mulheres que interromperam a gravidez no ano passado (21,7%), enquanto a proporção de estudantes diminuiu ligeiramente face a 2013 (17,1%).

A percentagem das mulheres que faz contracepção após a interrupção de gravidez tem-se mantido entre os 94 e os 97%, e está a aumentar a opção pelo dispositivo intra-uterino. No ano passado, a proporção das que foram encaminhadas pelos hospitais públicos para unidades privadas diminuiu consideravelmente (de 39,8% para 27,2%).

A iniciativa legislativa que pede a revisão da lei do aborto e se intitula Pelo direito a nascer deverá ser apreciada e votada no Parlamento até ao final da legislatura. O movimento de cidadãos quer obrigar os deputados a discutir e votar uma série de alterações à lei da interrupção de gravidez  e tornar obrigatório um conjunto de medidas “de apoio à maternidade e paternidade”.

As mudanças propostas passam, entre outras coisas, por “pôr termo à actual equiparação entre as interrupções de gravidez e a maternidade para efeitos de prestações sociais”, por obrigar as grávidas a ver e a assinar as ecografias feitas para determinação do tempo de gestação e pela aplicação de taxas moderadoras.

 

 

 

 

 

Interrupção voluntária da gravidez na adolescência num centro hospitalar do grupo I: casuística de quatro anos – Artigo da Acta Pediátrica Portuguesa

Setembro 30, 2014 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Descarregar o artigo Interrupção voluntária da gravidez na adolescência num centro hospitalar do grupo I: casuística de quatro anos

Introdução: Uma gravidez na adolescência tem importantes consequências de ordem física, emocional e social. A legalização da interrupção voluntária da gravidez tornou-a uma opção para as adolescentes que não desejem prosseguir com a gravidez. Este trabalho teve como objetivo conhecer a realidade de um hospital do grupo I sobre a interrupção voluntária da gravidez na adolescência e compará-la com os dados nacionais.

Métodos: Estudo retrospetivo que incluiu as grávidas adolescentes que realizaram interrupção voluntária da gravidez entre janeiro de 2008 e dezembro de 2011.

Resultados: Foram realizadas 868 interrupções voluntárias da gravidez, 12% em grávidas com menos de 19 anos e 2% em grávidas com menos de 15 anos. A maioria das adolescentes era de nacionalidade portuguesa e estudante e 11% tinham antecedentes de interrupção voluntária da gravidez. A principal justificação para a interrupção voluntária da gravidez foi o não planeamento da gravidez (53%). Em 76% das adolescentes tratava-se de uma primeira gestação, mas nas restantes 24% foi uma segunda ou terceira gestação. Trinta e oito por cento referiam não usar qualquer método contracetivo.

Conclusões: O número de interrupções voluntárias da gravidez em adolescentes neste hospital foi semelhante à média nacional. No entanto, em adolescentes até aos 15 anos o valor foi superior ao nacional (2,1% vs 0,5%, respetivamente). Dado que um aborto tem consequências importantes, sobretudo num período vulnerável como a adolescência, a interrupção voluntária da gravidez não pode ser encarada como método contracetivo. Parece pois emergente uma intervenção mais efetiva na educação sexual, para um melhor esclarecimento e prevenção de uma gravidez indesejada.

 

Mais de metade das adolescentes grávidas vão ao médico fora do prazo legal para abortar

Novembro 1, 2013 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 30 de Outubro de 2013.

Mais de metade das adolescentes portuguesas grávidas recorrem aos serviços de saúde demasiado tarde para poderem interromper a gravidez, revelam os resultados preliminares de um estudo sobre gravidez na adolescência em Portugal

Lusa – Esta notícia foi escrita nos termos do Acordo Ortográfico

O projeto “Gravidez na Adolescência em Portugal: etiologia, decisão reprodutiva e adaptação”, que começou em 2008 e deverá estar concluído em 2014, analisou até ao momento dados de 1.675 jovens, entre os 12 e os 19 anos de idade, utentes de 31 hospitais e maternidades, 29 unidades locais de saúde e centros de atendimento a jovens e 23 escolas de todas as regiões de Portugal.

Para já, a amostra é apenas representativa das adolescentes que levam a gravidez até ao fim, mas os autores estimam que a amostra das jovens que interrompem a gravidez será alcançada nos próximos meses.

As primeiras conclusões apontam que 53,9 por cento destas jovens “têm  o seu primeiro contacto com os serviços de saúde após as 10 semanas de gestação”,  o que elimina a possibilidade de interrupção voluntária da gravidez, disse  à agência Lusa Raquel Pires, uma das investigadoras do projeto da Universidade  de Coimbra, que conta com o apoio da Associação para o Planeamento da Família  e da Direção-Geral de Saúde.

No entanto, assinala Raquel Pires, daquelas que tiveram essa possibilidade,  apenas 15,1 por cento ponderou interromper a gravidez, tendo posteriormente  mais de metade destas decidido continuar com a gestação.

O estudo conclui ainda que a grande maioria das gravidezes adolescentes  (98 por cento) ocorrem dentro de uma relação de namoro com homens em média  4,5 anos mais velhos, por vezes adultos, e que estão fora do sistema escolar.

Revela ainda que, apesar de a maioria das adolescentes ter engravidado  de forma não planeada, utilizando contraceção e conseguindo identificar  o que falhou no seu uso, há regiões do país com elevadas percentagens de  gravidezes resultantes do não uso de contraceção, nomeadamente as regiões  Centro e da Madeira.

No Alentejo e nos Açores, as gravidezes adolescentes são na sua maioria  planeadas e na Madeira existe também uma elevada percentagem de uso ineficaz  da contraceção sem que as jovens consigam identificar a falha que esteve  na origem da gravidez.

“Independentemente da trajetória que conduz as adolescentes à gravidez,  a baixa escolarização e/ou o abandono escolar estão entre as variáveis que  mais contribuem para a amplificação do risco de gravidez adolescente”, sublinha  Raquel Pires.

Nesse sentido, a investigadora defende que é necessário dar prioridade  “à educação das adolescentes e dos seus parceiros sobre possíveis falhas  na utilização de métodos contracetivos, o risco de gravidez a elas inerente  e a ação da contraceção de emergência”.

“Os nossos resultados espelham igualmente a necessidade de não desinvestir  nas políticas de saúde que visam a promoção da utilização de contraceção,  sendo ainda necessário avaliar as razões pelas quais os resultados alcançados  em algumas regiões, como o Centro e a Madeira, não são totalmente satisfatórios”,  acrescentou.

Raquel Pires considera que as adolescentes em maior risco se encontram  fora do sistema de ensino, “o que restringe o seu acesso a uma educação  sexual”, sublinhando que um dos grandes desafios na prevenção deste fenómeno  passa pela integração nas ações da população masculina.

“Muitas vezes estes homens estão fora do alcance dos programas de educação  sexual e prevenção da gravidez e outros resultados indesejados por serem  mais velhos ou não frequentarem a escola, sendo importante investir em ações  destinadas à promoção de uma sexualidade segura na comunidade”, disse.

A gravidez adolescente em Portugal tem vindo a descer nos últimos anos,  segundo a Direção-Geral de Saúde.

“O número de nascimento em mulheres abaixo dos 19 anos têm diminuído  ao longo dos anos, progressivamente e de forma sustentada, sem que isso  corresponda ao aumento de interrupções da gravidez neste grupo etário”,  disse à agência Lusa Lisa Vicente, da DGS.

Baseando-se em inquéritos a jovens realizados em Portugal e na União  Europeia, a responsável da DGS adiantou ainda existir uma “maior utilização  de contraceção segura entre as mulheres mais jovens”.

 

Relatório de Registos de Interrupção da Gravidez 2012 – janeiro a dezembro de 2012

Maio 23, 2013 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação, Relatório | Deixe um comentário
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Duplicam bebés abandonados

Novembro 23, 2012 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Correio da Manhã de 20 de Novembro de 2012.

25 recém-nascidos foram deixados pelas mães no Hospital Amadora-Sintra. O hospital de S. João, no Porto, recebeu 12 bebés na mesma situação

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IV Seminário Luas e Marés : Gravidez e Parentalidade Precoce na Adolescência

Outubro 18, 2012 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Mais informações Aqui

Relatório sobre as Interrupções da Gravidez em 2011

Maio 9, 2012 às 6:00 am | Publicado em Divulgação, Relatório | Deixe um comentário
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No ano de 2011, em Portugal, cerca de 11,7% dos casos de interrupção de gravidez foram em mulheres com menos de 19 anos (0,41% em adolescentes <15 anos e 11,28% em jovens dos 15 aos 19 anos). Mantem-se uma tendência decrescente em relação a 2010 (12,1%), à custa da diminuição dos casos observados no grupo das menores de 15 anos.

Texto publicado no site da Sociedade Portuguesa de Pediatria     

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