‘Selfitis’ é a nova terminologia para os viciados em selfies. Saiba se é um deles

Abril 25, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/visaomais/ de 9 de abril de 2018.

Sara Rodrigues

Um estudo realizado na Índia demonstra que há seis razões principais para as pessoas tirarem selfies. A competição social e a busca de atenção são apenas duas

Quando, em 2014, vários jornais republicaram uma notícia que dava conta de que a Sociedade Psiquiátrica Americana iria classificar a selfitis – o vício em fazer selfies – como um distúrbio mental vários investigadores indianos ficaram em alerta. Logo depois, soube-se que a história não passava de um embuste (fake-news), mas os docentes ficaram com a pulga atrás da orelha. Assim, e como desde 1995, ano que foi publicado o primeiro estudo sobre “adições tecnológicas”, foram várias os distúrbios estudados e cunhados – como o vício da internet, dos videojogos online ou do telemóvel – porque não poderia existir também um ligado às selfies?

Juntaram-se investigadores de duas universidades indianas, Nothingham Trent e Thiagarajar School of Management, e pegaram numa amostra de 400 estudantes e em focus group com outros 200 (90% com menos de 25 anos). O estudo não pretende ser um retrato internacional ou mesmo da população indiana, já que, como referem os autores, a amostra foi selecionada nas universidades e não representa várias gerações, embora possa servir de base para futuros estudos empíricos sobre esta mania que alastrou pelo mundo inteiro.

Esta análise foi feita na Índia porque é este o país como mais utilizadores de Facebook e com o maior número de mortes relacionadas com a tentativa de fazer selfies em locais perigosos.

O estudo, publicado no International Journal of Mental Helth and Addiction, classificou os selfitis em três categorias: borderline, agudo, crónico.

Borderline – tira selfies pelo menos três vezes por dia, mas não as publica nas redes sociais
Agudo – tira selfies pelo menos três vezes por dia e publica-as nas redes sociais
Crónico – tira selfies de forma descontrolada o dia inteiro e publica pelo menos seis

Os investigadores identificaram seis fatores de motivação para os selfitis: os que querem aumentar a auto-confiança, os que buscam por atenção, para melhorar o humor, registar memórias quando se está num ambiente agradável, aumentar a integração no grupo que as rodeia e competição social.

A prevalência destes itens determina o grau de vício de cada um.

“O facto de esta história ter tido início numa notícia falsa, não quer dizer que a condição de selfitis não possa existir. Confirmámos a sua existência e criámos a Escala de Comportamento Selfitis”, referiu o investigador Mark Griffiths.

Os investigadores criaram uma grelha de 20 perguntas para aferir do grau de adição de cada um.

Responda a cada uma das perguntas utilizando uma escala de 1 a 5. Em que 5 quer dizer “concordo plenamente” e 1 quer dizer “discordo completamente”. Quanto maior a sua pontuação, maior a probabilidade de você sofrer de “selfitis”

1- Tirar selfies dá-me a sensação de estar a aproveitar melhor o ambiente em que estou

2 – Partilhar as minhas selfies cria uma competição saudável com os meus amigos e colegas

3 – Tenho muito mais atenção dos outros se partilhar as selfies nas redes sociais

4 – Consigo reduzir o meu nível de stress quando tiro selfies

5 – Sinto-me confiante quando tiro selfies

6 – Sou melhor aceite no meu grupo de amigos quando tiro selfies e as partilho nas redes sociais

7 – Consigo expressar-me melhor no meu ambiente através das selfies

8 – Fazer selfies em diversas poses ajuda a aumentar o meu estatuto social

9 – Sinto-me mais popular quando publico selfies nas redes sociais

10 – Tirar selfies melhora o meu humor e faz-se sentir feliz

11 – Sinto-me melhor em relação a mim mesmo quando tiro selfies

12 – Torno-me mais forte no meu grupo de amigos quando publico selfies

13 – Tirar selfies faz com que me lembre melhor de ocasiões e experiências

14 – Publico selfies frequentemente para ter mais “gostos” e comentários nas redes sociais

15 – Ao publicar selfies espero uma avaliação dos meus amigos

16 – Tirar selfies muda instantaneamente o meu humor

17 – Tiro selfies e olho para elas em privado como forma de aumentar a minha auto-confiança

18 – Quando não tiro selfies sinto-me separado do meu grupo de amigos

19 – Tiro selfies como troféus para a minha memória

20 – Edito ou uso filtros de imagem para que as minhas selfies fiquem melhor do que as dos outros

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

An Exploratory Study of “Selfitis” and the Development of the Selfitis Behavior Scale

 

Jovens viciados no Facebook com níveis de saúde mental preocupantes

Agosto 4, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jn.pt de 14 de julho de 2016.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:Portuguese Validation of the Bergen Facebook Addiction Scale: an Empirical Study

Rick Wilking Reuters

Um estudo sobre a adição ao Facebook em Portugal revela que os jovens com este problema apresentam níveis de saúde mental e de bem-estar psicológico “preocupantes”.

Segundo o estudo, coordenado pelo investigador português Halley Pontes, da Nothingham Trent University, no Reino Unido, “a adição ao Facebook está associada a maior preferência para interação social online e níveis elevados de sintomas depressivos, ansiedade patológica e stress”.

A investigação, publicada no “International Journal of Mental Health and Addiction”, decorreu em maio e junho de 2015 e envolveu uma amostra de 547 jovens estudantes portugueses do 2º e 3º ciclo do ensino básico.

O estudo procurou avaliar a extensão dos problemas relacionados com a utilização excessiva e problemática do Facebook, entre outras adições, numa amostra exclusivamente portuguesa, disse à Lusa o investigador Halley Pontes.

“Dada a penetração da Internet e dos sites de redes sociais entre os jovens portugueses, juntamente com a necessidade de mais investigação sobre o uso contextualizado da Internet, tornou-se fundamental entender” os efeitos que o uso excessivo e viciante destas redes podem ter sobre a saúde mental dos adolescentes, refere o estudo.

A investigação verificou que “a adição ao Facebook estava presente em 3,6% da amostra total. Tendo em conta a população geral, esta percentagem poderia traduzir-se num total ligeiramente acima dos 380 mil indivíduos, o que é bastante significativo”, disse Halley Pontes, que já publicou mais de 50 estudos científicos na área da adição à internet e videojogos.

Os resultados do estudo apontam que, “em termos do bem-estar psicológico e saúde mental, os indivíduos com problemas de adição ao Facebook apresentaram níveis preocupantes e significativamente piores, em comparação aos participantes que não apresentavam problemas de adição” a esta rede social.

Para Halley Pontes, estudar o problema da adição às redes sociais online é de extrema relevância no contexto da promoção da saúde mental nos indivíduos.

Vários estudos sugerem que o excessivo uso das redes sociais online, leva a que os indivíduos apresentem níveis de saúde mental bastante reduzido.

Um estudo recente realizado numa amostra representativa da população jovem do Canadá verificou que os jovens que costumavam utilizar as redes sociais online por mais de duas horas diárias, apresentaram piores níveis de saúde mental geral, maior incidência de problemas do foro psiquiátrico, aumento da ideação suicida, bem como uma maior necessidade de suporte a nível da saúde mental.

Segundo o Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação pelas Famílias 2015, do Instituto Nacional de Estatística, a participação em redes sociais é mais frequente em Portugal do que na média dos países da União Europeia.

Em 2015, 70% dos utilizadores de Internet em Portugal participavam em redes sociais, ainda assim menos dois pontos percentuais do que em 2014, mas mais 13 pontos percentuais do que em 2011.

 

 


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