Quanto maior a fome, pior na escola. Em Portugal, mais de 7% das crianças sente fome todos os dias

Maio 19, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 24 de abril de 2020.

Catarina Reis

Um estudo internacional perguntou a uma amostra de alunos do 4.º ano de escolaridade, em 47 sistemas de ensino diferentes, com que frequência sentiam fome na escola. Em Portugal, 7,33% diz ser “todos os dias”. Os especialistas garantem que este é meio caminho para uma baixa taxa de alfabetização.

Uma refeição choruda na lancheira ou nada na mão. Os cenários podem variar do zero aos 100 entre as crianças que frequentam uma mesma escola. É assim na EB1/JI Sacadura Cabral, na Brandoa, por exemplo. Coberta por uma bata onde o verde e o branco se confundem em xadrez, de pé estendido e cansado sobre um cilindro de metal cimentado no chão, de cigarro na boca, do lado de fora do gradeamento da escola, a funcionária Eduarda pensava no que seria feito dos miúdos, depois de as escolas fecharem oficialmente – na sexta-feira anterior a este acontecimento. “Vive-se com muitas dificuldades por aqui”, porque “há muitas famílias que não têm possibilidades [económicas] para enviar lanche aos filhos todos os dias”, contava. Certezas há pelo menos duas: não é só na Brandoa que mora a fome; e onde ela existe deixa graves mazelas no percurso escolar.

Em Portugal, 7,33% das crianças que frequentam o 4.º ano de escolaridade (por isso, com uma média de 10 anos de idade) admite sentir fome “todos os dias” quando chega à escola. O dado é do Estudo Internacional de Leitura e Alfabetização (PIRLS), da Associação Internacional para a Avaliação do Desempenho Educacional (IEA), e foi divulgado esta sexta-feira.

“Com que frequência sentes-te assim quando chegas à escola? Sinto fome…”. Foi a questão de partida para o estudo. Além dos 7,33% que completaram a frase respondendo “todos os dias”, somam-se outros 7,01% que disseram senti-lo “quase todos os dias”. Um número, ainda assim, bastante inferior à média internacional – 26% das crianças inquiridas neste ano de escolaridade diz chegar “todos os dias” à escola com fome.

A análise foi baseada nas respostas de alunos de 47 sistemas de ensino diferentes, espalhados pelo mundo. Além de Portugal, participaram estudantes da República do Azerbaijão, Austrália, Áustria, Barém, Bulgária, Canadá, Chile, Taipé Chinesa, República Checa, Dinamarca, Finlândia, França, Geórgia, Alemanha, Hong Kong, Hungria, Irão, República Islâmica, Irlanda, Israel, Itália, Cazaquistão, Letónia, Lituânia, Macau, Malta, Marrocos, Omã, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Polónia, Catar, Rússia, Arábia Saudita, Singapura, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Suécia, Trindade e Tobago, Emirados Árabes Unidos, EUA, Inglaterra, Irlanda do Norte, Bélgica (região flamenga) e África do Sul.

Carência alimentar é causa direta da baixa alfabetização

A principal conclusão do documento aponta uma relação direta entre a carência de alimento sobre estas crianças e um nível mais baixo de alfabetização. “Parece haver um vínculo entre as crianças que relatam sentir fome e um desempenho menor na avaliação da alfabetização em leitura”, assegura o diretor executivo da associação IEA, Dirk Hastedt.

O que ocorre quer a nível nacional, quer a nível internacional. Porque “embora as percentagens de estudantes que afirmavam sentir fome diferissem entre sistemas educativos participantes no estudo, havia uma relação com o desempenho escolar em todos eles”.

Enquanto aqueles que admitiram sentir fome todos os dias ou na maioria dos dias obtiveram uma média de 511,16 pontos na avaliação de leitura que lhes foi feita, os alunos que referiram nunca ter chegado à escola com fome obtiveram uma avaliação média muito superior, de 534,50. A nível internacional, as médias foram de 494,58 e 533,92, respetivamente.

No caso específico de Portugal, a investigação conseguiu aferir que 3,39% das escolas oferece o pequeno-almoço a todos os seus alunos e 2,42% alargam esta oferta ao almoço. Por outro lado, há ainda 53,79% de escolas portuguesas que oferecem o pequeno-almoço, embora apenas a alguns alunos. Outros 61,93% aplicam o mesmo critério com o almoço.

A nível internacional, 45% das escolas entre os sistemas educativos representados no estudo também limitam esta oferta a apenas alguns alunos. O que o diretor Dirk Hastedt lembra depender “das circunstâncias nacionais”.

Ainda assim, levanta o debate: ficarão “estes alunos mais vulneráveis ​​durante o encerramento das escolas [por força da pandemia], se estiverem dependentes das refeições gratuitas na escola?”. Em Portugal, esta foi assumida como uma das principais preocupações da tutela face à suspensão das atividades letivas. Por isso, na primeira semana que se previa de portas fechadas, quase 800 escolas passaram a abrir com o propósito de garantir refeições aos estudantes com escalões sociais.

O número de refeições servidas nas escolas de acolhimento aumentou, com o arranque do 3.º período, a 14 de abril. De acordo com o Ministério da Educação, nos primeiros dias, “foi servida uma média de cerca de 13 500 refeições diárias”. A medida, que começou por estar limitada aos alunos do escalão A, foi entretanto alargada ao escalão B, “quase duplicando a possibilidade de oferta de refeições escolares”, escreveu o ministério, em comunicado.

mais informações na press release:

Quanto mais pobres os pais, menor a capacidade de estudar em casa, diz estudo

Maio 18, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 8 de maio de 2020.

Catarina Reis

Mais de 40% dos alunos portugueses de meios mais desfavorecidos dizem ter menos do que dois computadores em casa, conclui o Estudo Internacional de Alfabetização em Informática e Informação (ICILS). Um problema em tempos de pandemia, com famílias inteiras em teletrabalho.

assados quase dois meses desde o encerramento das escolas, o Estudo Internacional de Alfabetização em Informática e Informação (ICILS), da Associação Internacional para a Avaliação do Desempenho Educacional (IEA), lança conclusões claras sobre a desigualdade de acesso ao ensino à distância. Enquanto apenas 21% dos alunos portugueses filhos de pais com um estatuto socioeconómico mais alto disseram ter menos de dois computadores em casa, quase metade (42%) daqueles filhos de pais com menor estatuto garantem estar nesta condição.

O estudo quis perguntar a mais de 46 mil estudantes de 14 sistemas de ensino no mundo a quantos dispositivos digitais tinham acesso em casa, “incluindo laptops e computadores de mesa, tablets e e-readers“, explicou o diretor executivo da associação IEA, Dirk Hastedt. A principal conclusão mostra que a disponibilidade de dispositivos tecnológicos em casa depende do estatuto socioeconómico dos pais, que quanto menor mais compromete a eficácia da aprendizagem.

É assim em Portugal, mas também em muitos outros países. A nível internacional, 24% (acima de Portugal) dos estudantes de maios mais favorecidos responderem ter menos de dois computadores em casa, contra os 41% (abaixo dos números portugueses) daqueles vindos de um contexto mais desfavorecido.

“Os alunos filhos de pais com menos estatuto socioeconómico “correm o risco de ficar para trás, comparativamente aos seus colegas”

Os dados levantam dúvidas sobre a capacidade que os alunos têm de estudar em casa, “principalmente se os seus pais e irmãos também precisarem de acesso a um computador para trabalhar em casa”, alerta Dirk Hastedt. Certo é que os alunos filhos de pais com menos estatuto socioeconómico “correm o risco de ficar para trás, comparativamente aos seus colegas”.

Além de Portugal, participaram neste estudo os sistemas de ensino do Chile, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Itália, Cazaquistão, República da Coreia, Luxemburgo, Moscovo, do estado alemão Renânia do Norte-Vestfália, Uruguai e EUA.

Não basta fornecer meios

Não tardou até que o governo português procurasse soluções para colmatar a falta de meios de vários alunos. A tutela prometeu estarem a ser trabalhadas alternativas com as câmaras municipais, as forças de segurança, as televisões e os CTT para continuar a desenvolver mecanismos de apoios aos estudantes em casa.

Entretanto, assistiu-se a casos em que membros da GNR ficaram encarregues de fazer chegar fichas de trabalho a estudantes de zonas mais remotas e à criação da nova telescola, o #EstudoEmCasa. Para o próximo ano letivo, o governo promete a universalidade do acesso às plataformas digitais, quer em rede quer em equipamento, para todos os alunos do básico e do secundário.

No entanto, não basta providenciar meios, alerta o diretor executivo da IEA, detentora do estudo. “Enquanto muitos países estão a fazer esforços significativos para garantir a continuidade das oportunidades de educação, aumentando o acesso aos dispositivos, também é vital que garantam que os alunos sabem realmente como usá-los efetivamente”, frisa Dirk Hastedt.

Metade dos alunos portugueses não tem autonomia suficiente para trabalhar com um computador

Em Portugal, de acordo com o ICILS, apenas 20% dos estudantes inquiridos “demonstraram que podem ser utilizadores independentes de um computador”, enquanto a vasta maioria “necessita de instruções diretas para concluir tarefas básicas”.

Mais informações na notícia:

WHAT CAN IEA DATA REVEAL ABOUT SOCIO-ECONOMIC STATUS AND THE ABILITY TO STUDY AT HOME?

Os alunos que iniciam o secundário não distinguem quais são as informações relevantes sobre a Internet

Março 17, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://tecnologia.elpais.com/tecnologia      de 26 de fevereiro de 2015.

mais informações nos links:

http://www.iea.nl/icils_2013.HTML

http://www.iea.nl/home.HTML

EFE

Los alumnos que empiezan secundaria no distinguen qué informaciones son relevantes en Internet

 

Un estudio internacional analiza las competencias digitales de los alumnos de 13 años en 21 países

Susana Pérez de Pablos

Aunque un niño cuya lengua materna sea el español viva en Alemania, no va a hablar alemán como los nativos, a no ser que se promueva que lo haga. Lo mismo pasa con el aprendizaje de la tecnología: una cosa es que los niños actuales hayan nacido ya en la era tecnológica (los llamados nativos digitales) y otra muy distinta es que –a pesar de que se manejen muy intuitivamente ante una tableta- sepan desenvolverse de forma adecuada en la escuela y el mundo laboral de esta era.

Este es el razonamiento que hace el jefe de la Unidad de Investigación y Análisis de la Asociación Internacional para la Evaluación del Rendimiento Educativo (IEA), Andrés Sandoval-Hernández para explicar el resultado de un estudio que analiza el uso hacen los estudiantes de la tecnología, realizado en 18 países del mundo más dos regiones de Argentina y Canadá entre 60.000 estudiantes de 13 años (los que empiezan la ESO o los estudios equivalentes en otras naciones), y cuyas conclusiones son extrapolables a todo el mundo desarrollado. Sandoval presentó ayer este informe en la XXIX Semana de la Educación de la Fundación Santillana, en la que también participaron el director de Políticas Públicas y Relaciones Institucionales de Google España y Portugal, Francisco Ruiz Antón, y César Molinas, experto de la consultora Multa Paucis.

Son pocos los estudiantes que a los 13 años se quedan en un primer nivel básico de competencias tecnológicas, el 17%. Se trata de los que únicamente saben hacer cosas básicas, como abrir un link, o, por ejemplo, identificar qué otras personas están recibiendo el mismo correo que ellos. Otro 23% se encuentran entre los que van un paso más allá, los que están familiarizados con las herramientas tecnológicas  -saben, por ejemplo, usar los programas de búsqueda con palabras clave o insertar la información que encuentren en una hoja de cálculo- , y un 38% más llegan a un tercer nivel de habilidades en el que saben además encontrar todo lo que quieren, aunque no lo vean mencionado explícitamente. Pero solo alrededor del 2% de los alumnos del mundo desarrollado llegan a saber seleccionar en Internet las informaciones relevantes de las que no lo son. Es decir, son los que demuestran tener pensamiento crítico. El país que tiene más alumnos en el nivel más alto es Corea del Sur (el 5%), seguido de Australia (4%) y la República Checa (3%). España participará en el próximo estudio de este organismo, anuncia Sandoval.

La IEA está integrada por 70 países, cada uno representado por una agencia de evaluación educativa y su objetivo es generar información que ayude a realizar políticas que ayuden a mejorar la calidad de la educación en los países. Estos miembros “han demandado a la asociación más estudios sobre lo que está pasando en el uso de las tecnologías por los estudiantes y si estos están siendo formados para desenvolverse de una manera efectiva en la sociedad del futuro”, explica Sandoval. De ahí este primer estudio presentado ayer sobre la competencia digital de los estudiantes y el contexto, escolar y familiar en el que la adquieren.

“Una cosa es que un niño sepa usar un soporte digital para jugar o meterse en Internet y otra muy distinta que tenga las competencias digitales necesarias para tanto manejarse debidamente como para sacarle partido a todo lo que le ofrece la tecnología”, prosigue este experto.

La radiografía que hace el informe de la situación revela que en el mundo hay, de media, en los colegios un ordenador para cada 18 niños. Pero mientras que en Noruega hay uno para cada dos alumnos, en Turquía hay un ordenador para cada 80 estudiantes. Respecto a la frecuencia en la que usan los ordenadores, el 54% de los niños de 13 años lo hacen en la escuela al menos una vez al mes y el 87% en casa al menos una vez a la semana. De estos, el 75% lo utilizan para meterse en redes sociales y el 52% para mandar mensajes. En la escuela, básicamente lo usan (el 45%) para escribir con un procesador de textos, como el Word, así como para hacer presentaciones con programas como el PowerPoint (44%).

“Uno de los resultados más importantes que hemos visto es precisamente que los profesores utilizan mucho más Word y PowerPoint en la clase que software especializado para la enseñanza de las asignaturas, a pesar de que hay algunos muy buenos disponible en el mercado. Y dicen que no las usan porque no se sienten cómodos haciéndolo”.

La conclusión principal es, según este experto, que “ahora sabemos para qué se están usando los ordenadores y no es para lo que creemos que se tendrían que utilizar si queremos que los estudiantes desarrollen el tipo de competencia que les van a servir en un futuro para desenvolverse adecuadamente en el colegio, el mundo laboral y la sociedad. Es necesario, además, diseñar políticas enfocadas a la capacitación de los maestros para que utilicen más estas herramientas, porque los niños no van a aprender solitos, tenemos que guiarlos”.

 

 


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