Será que sou vítima de violência no namoro? Seminário em Coimbra – 14 de fevereiro

Janeiro 31, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.cnpdpcj.gov.pt/seminario-sobre-a-violencia-do-namoro.aspx?fbclid=IwAR2E6WdLPaWVyBDZle6RQgrXNAkrKC0txKMrrPEWs0WhdGm9-H64mk7ugS0

Maus-tratos a crianças e adolescentes aumentaram desde 2011

Novembro 11, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/de 8 de novembro de 2016.

simela-pantzarti

Agência Lusa

Os casos de maus tratos a crianças e adolescentes analisados pelo Instituto Nacional de Medicina Legal aumentou nos últimos cinco anos, com o agressor a ser frequentemente o pai da vítima.

Os casos de maus tratos a crianças e adolescentes analisados pelo Instituto Nacional de Medicina Legal aumentou nos últimos cinco anos, com o agressor a ser frequentemente o pai da vítima, revelou esta terça-feira aquele organismo.

“Pai com antecedentes criminais e desempregado” é o perfil do agressor típico, segundo um estudo que vai ser apresentado no âmbito da III Conferência do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF), que decorre no auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra, de quarta a sexta-feira.

Realizado entre 2011 e 2015, o trabalho evidencia um “aumento do número de casos de abuso físico de crianças e adolescentes avaliados no INMLCF”, disse esta terça-feira à agência Lusa João Pinheiro, vice-presidente deste instituto público e um dos autores do estudo, que abrange vítimas com idade igual ou inferior a 18 anos.

O número de exames a crianças e adolescentes, por suspeita de terem sido vítimas de violência, subiu de 371, em 2011, para 550 em 2015, o que traduz uma subida de 0,86% para 1,48% da taxa de incidência relativamente ao total dos chamados “exames de direito penal”, que nesses anos desceu de 43.280 para 37.159, respetivamente.

“Não temos uma explicação para a diminuição dos exames de direito penal”, nem para o acréscimo das avaliações a menores de 18 anos alegadamente vítimas de abuso físico, disse João Pinheiro, que desenvolveu o estudo em coautoria com mais dois médicos legistas, Júlio Barata e Rosário Silva.

Segundo as conclusões do estudo, é o seguinte o perfil da vítima de maus-tratos: “género feminino, entre os 15 e 18 anos de idade, contexto de violência doméstica, família desestruturada (divórcio dos pais) e com conflitos e agressão prévios”.

Geralmente, as lesões são traumatismos de “natureza contundente” e localizam-se na cabeça, tórax e abdómen, braço, mão e dedos, implicando entre cinco a 10 dias de doença da pessoa agredida.

Considerada “a mais importante reunião científica do setor” em Portugal, a conferência anual do INMLCF foi realizada pela primeira vez em 2014 e “tem vindo sempre a crescer”, segundo uma nota da organização.

Na edição deste ano, pela primeira vez, a conferência decorre durante três dias, em vez de apenas dois, a que se junta, no sábado, a realização de três cursos pós-conferência, subordinados aos temas “Violência doméstica: aprender a reconhecer” (curso teórico), “Sínfise púbica e idade à morte em antropologia forense” (curso teórico-prático) e “Técnica avançada de dissecação do pescoço” (curso prático).

Ainda no sábado, durante a tarde, decorre a II Reunião de Coordenadores de Gabinetes Médico-Legais e Forenses.

 

 

 

 

Justiça ainda está distante de abusos sexuais a crianças

Novembro 11, 2016 às 11:08 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tvi24.iol.pt/ de 10 de novembro de 2016.

tvi

Entre a perceção de juízes e magistrados e a análise feita pelas ciências do comportamento há ainda um fosso. Que pode até permitir e facilitar fenómenos de vitimização

Há que aproximar ainda mais a magistratura e as ciências do comportamento nos processos de decisão judicial em casos de abuso sexual de crianças. A conclusão é da psicóloga Catarina Ribeiro, profissional do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF), após um estudo em que entrevistou 52 magistrados portugueses dos dois sexos.

O estudo foi apresentado esta quarta-feira, em Coimbra, na 3.ª Conferência do INMLCF. De acordo com a autora, verifica-se, entre juízes e magistrados do Ministério Público, uma “forte adesão a práticas baseadas em crenças e não na evidência científica”.

Este é um estudo de natureza qualitativa”, esclareceu, escusando-se a “fazer generalizações para o contexto nacional ou internacional”. Ainda assim, Catarina Ribeiro sustenta que a distanciação entre magistrados e a pedopsicologia forense, “poderão favorecer a emergência de fenómenos de vitimação secundária das crianças envolvidas nestes processos”.

“Elementos a valorizar nas perícias”

“Valorização das perícias psicológicas na decisão judicial em casos de abuso sexual – Perspetivas, experiências e processos psicológicos de magistrados” é o estudo feito pela psicóloga forense.

Para desenvolver o trabalho, Catarina Ribeiro entrevistou 52 magistrados portugueses dos dois sexos. Foram 27 procuradores e 25 juízes, adstritos a comarcas do Continente e das regiões autónomas dos Açores e da Madeira.

Uma elevada heterogeneidade entre as crenças dos magistrados sobre as capacidades de testemunhar da criança e sobre os elementos a valorizar nas perícias”, foi uma das conclusões do estudo. Daí, segundo a autora, ser fundamental uma “harmonização de procedimentos”, com “padrão ético de excelência, competência científica dos peritos e harmonização de práticas”.

Tendo como objetivo geral “analisar a forma como os magistrados perspetivam e experienciam a sua atividade profissional em casos de abuso sexual de crianças no contexto intrafamiliar”, Catarina Ribeiro pretendeu também “identificar fatores que influenciam a decisão judicial” e “compreender o processo de construção das decisões judiciais, identificando processos psicológicos” que os magistrados adotam nestes casos.

Como objetivo específico, quis igualmente “compreender como são valorizadas a colaboração dos psicólogos e as perícias psicológicas na decisão judicial”, com base nas perspetivas e experiências dos magistrados.

 

 

 

Violência entre namorados aumentou 44,4% em 2015

Fevereiro 25, 2016 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 13 de fevereiro de 2016.

Marcos Borga

Por detrás de cada um destes números está uma história dramática de alguém que ganhou coragem, quebrou o silêncio e admitiu ser vítima do namorado ou ex-namorado. Na maior parte dos casos, os agressores são homens e as vítimas são mulheres (87%)

As histórias de violência no namoro que chegaram ao Instituto de Medicina Legal aumentaram 44% no ano passado, atingindo os 699 casos, segundo um estudo nacional que revela que há vítimas de apenas 14 anos. Estes são alguns dos números do estudo realizado por César Santos, representante da Comissão Nacional de Prevenção de Violência Doméstica do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF).

No ano passado, os técnicos do INMLCF analisaram 23.752 casos de violência, menos 6,6% do que no ano anterior. No entanto, dentro deste universo, a violência entre namorados ou ex-namorados registou um aumento de 44,4%, ao passar de 484 para 699 pessoas que, depois de uma queixa às autoridades, foram submetidas a perícias médicas para comprovar as agressões.

Por detrás de cada um destes números está uma história dramática de alguém que ganhou coragem, quebrou o silêncio e admitiu ser vítima do namorado ou ex-namorado. Na maior parte dos casos, os agressores são homens e as vítimas são mulheres (87%).

“É preciso algum grau de consciência e de decisão interior para uma vítima de uma relação que deveria ser de amor, paixão e romantismo tomar uma decisão de ir a uma esquadra apresentar queixa contra o namorado ou ex-namorado”, sublinhou o vice-presidente do INMLCF, João Pinheiro, em declarações à Lusa. Segundo o estudo, há mais casos envolvendo ex-relacionamentos (52,9%) do que namoros atuais (47,1%).

Mas nem todas as vítimas fazem queixa e, por isso, os números agora divulgados “não representam o fenómeno da violência no namoro na sua globalidade, mas sim o que chega até ao Instituto de Medicina Legal”, contou à Lusa.

“Namorar uma vida toda e bater ao longo de toda a vida”

O estudo mostra ainda que não existe um limite de idade para se namorar mas também revela o lado negro do namoro: “Pode-se namorar uma vida toda e bater ao longo de toda a vida”, lamentou o vice-presidente da instituição.

Algumas das pessoas vistas pelos médicos do INML, acabam por regressar. Algumas, muito poucas, já sem vida. “É uma minoria mas acontece e são casos que chocam muito normalmente pela idade muito jovem das vítimas”, disse João Pinheiro, explicando que neste estudo não foi feita essa análise. Depois do exame pericial, os especialistas do Instituto de Medicina Legal perdem o rasto das vítimas, que seguem com o processo judicial.

O estudo analisou as vítimas por grupos etários e mostrou que quase metade das pessoas que fez exames periciais tem até 25 anos, sendo que no ano passado os médicos legistas receberam 42 jovens com idades compreendidas entre os 14 e os 17 anos.

“Isto é um mau indício, um mau percurso para uma vida futura que se pretendia de amor e que começa muito cedo com problemas de violência”, alertou o professor, lembrando os estudos que indicam que este é normalmente um comportamento repetitivo de quem já viveu em ambientes de violência familiar.

No ano passado, 276 pessoas entre 18 e 25 anos fizeram queixa contra o namorado ou ex-namorado, ou seja, quatro em cada dez vítimas que recorreu ao INML estava naquela faixa etária. Os técnicos do INML receberam ainda 146 pessoas entre os 31 e os 39 anos e outras 109 com idades compreendidas entre os 26 e os 30 anos. Com mais de 50 anos, registaram-se 30 casos de relacionamentos amorosos marcados por violência.

Dar murros e bofetadas continuam a ser as agressões mais comuns entre os namorados, seguindo-se os apertões, empurrões e pontapés. Puxões de cabelos, quedas, esganaduras e unhadas também são casos de violência confirmados pelos médicos do INML. Com menos expressão, surgem 12 casos em que as pessoas foram ameaçadas com facas.

Os números avançados à Agência Lusa serão divulgados no seminário “E se a escola do namoro formasse profissionais em violência?”, que se realiza na próxima semana no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra.

 

 

 

 

Mais de metade das vítimas de violência no namoro tem mais de 25 anos

Fevereiro 13, 2015 às 1:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 13 de fevereiro de 2015.

Público

 

Mariana Oliveira

O ano passado 484 pessoas que se queixavam de agressões dos namorados ou dos ex-namorados realizaram exames periciais no Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses.

Mais de metade (51%) das vítimas de violência no namoro que o ano passado realizaram exames periciais no Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) têm mais de 25 anos. Ao todo foram 484 os casos analisados no instituto em 2014, sendo mais de três quartos dos queixosos do sexo feminino. Os números foram divulgados esta quinta-feira numa conferência realizada na Universidade de Coimbra, intitulada E se a escola do namoro formasse profissionais em violência.

Isoladamente a faixa etária dos 18-25 é a que apresenta um maior número de queixosos, com 41% (198) das 484 vítimas que afirmaram terem sido agredidos por namorados ou ex-namorados. Mas a faixa que mais preocupa o vice-presidente do INMLCF, João Pinheiro, é a dos 14 aos 17 com 35 casos, que representam 7,2% do total. “Há miúdos de 14 anos a queixarem-se de terem sido vítimas de agressões dos namorados ou ex-namorados”, sublinha o médico, num tom de indignação. E alerta: “Estes comportamentos são preditores de violência doméstica mais tarde”.

Para João Pinheiro, que realizou a apresentação com o colega César Santos, o perfil das vítimas mostra que o namoro é um fenómeno que abarca todas as idades, destacando, por exemplo, os 16 casos que visam ofendidos com mais de 50 anos. “Infelizmente os números também mostram que todas as idades são boas para bater”, lamenta o vice-presidente daquele instituto.

Na contabilidade feita pelo INMLCF apenas foram seleccionadas as vítimas sujeitas a exames médico-legais que afirmaram expressamente que o agressor tinha sido o namorado ou o ex-namorado, excluindo-se da amostra todos os casos de violência conjugal (dentro do casamento ou de uniões de facto) e todos os outros em que não há informação sobre o agressor.

O vice-presidente do INMLCF acredita que os 484 casos que chegaram até ao instituto são apenas uma “ponta do iceberg”, pois implicam a denúncia da situação. “Isto são apenas os que chegaram até nós”, realça, reconhecendo que, devido a um problema nos sistemas informáticos do instituto, não foi possível contabilizar os dados de algumas regiões do país. “É o caso do distrito de Vila Real, onde fica o extinto gabinete médico-legal de Chaves, e dos concelhos de Sintra ou de Cascais”, especifica.

Mesmo assim, estes números representam um avanço significativo no conhecimento da violência no namoro, já que é a primeira vez que o INMLCF os contabiliza. Daí que não é possível fazer comparações com anos anteriores. A análise foi particularmente trabalhosa, explica João Pinheiro, porque obrigou a uma avaliação quase caso a caso dos 25.427 casos de violência (doméstica e de outros tipos) que levaram à realização de exames periciais no instituto em 2014. A conclusão é que deste universo quase 2% dizem respeito a violência no namoro. Nestes casos, 88% dos queixosos são mulheres e 12% homens. Cinquenta e quatro por cento eram ex-namorados e 46% aconteceram dentro da relação de namoro.

Os murros (174) são a forma de agressão mais frequentemente reportada, seguida pelas bofetadas (144)) e pelos apertões (115). Os pontapés foram referidos por 111 ofendidos e 75 dizem ter sido vítimas de quedas. Trinta e seis vítimas dizem ter sido esganadas, um número que preocupa João Oliveira, que salienta que os apertos de pescoço são muito perigosos porque afectam uma zona sensível que, mesmo sem muita força do agressor, podem causar a morte.

Madalena Duarte, investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e outra das participantes na conferência, alerta que estes números só mostram extremos. “Provavelmente devido a uma questão cultural os estudantes universitários mostram uma enorme falta de consciência de que estão a ser vítimas de actos abusivos”, salienta, com base num estudo que realizou em finais de 2013 junto de estudantes da Universidade de Coimbra. “Os jovens associam muito a violência domésticas à geração dos seus pais e dos seus avós e acham que isso não acontece na sua geração. Muito menos numa população instruída como a que frequenta o ensino superior”, constata.

A investigadora nota ainda que quando são confrontados com casos próximos de amigos ou colegas os universitários têm uma grande dificuldade em se intrometer e desconhecem por completo que podem ser eles a fazer a denúncia, já que estamos perante um crime público. “Ainda perdura a ideia de que se deve respeitar a intimidade da vida do casal”, lamenta, sublinhando que este grupo aceita facilmente factores desculpabilizantes como o stress da época de exames ou o excesso de álcool.

 

 


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