Jovens “nem-nem”: preguiça ou falta de oportunidades?

Julho 3, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Sábado de 20 de junho de 2018.

Os últimos dados acerca dos jovens que não estudam nem trabalham em Portugal indicam que 160 mil pessoas se encontram nesta situação. A maioria são mulheres (50,2%) e têm entre 20 e 24 anos (45%).

Os números foram revelados pelo Garantia Jovem, um programa europeu de resposta à inactividade e ao desemprego jovem coordenado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Foram revelados esta terça-feira no Instituto de Ciências Sociais (ICS).

Segundo Lia Pappámikail, investigadora no ICS e professora na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Santarém e na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Lisboa, os jovens nem-nem em Portugal contrastam com o resto da Europa: são compostos maioritariamente por jovens desempregados, em oposição aos inactivos.

“Um dos esforços a fazer é quebrar o estereótipo de que os jovens são inactivos porque querem ou não têm ambições. Isso corresponde a uma parte muito reduzida”, explica Pappámikail à SÁBADO. “Um jovem NEEF [que não está em emprego, educação ou formação] não é um preguiçoso. Temos que quebrar a carga moral do termo NEEF.”

A investigadora refere ainda números apresentados pelo LIFE Research Group do ICS, que traçam o perfil do jovem NEEF. A taxa NEEF é mais elevada entre os jovens dos 20 e os 24 anos (14,7%) e dos 25 e os 29 anos e os 30 aos 34 anos (ambos com 13%), afectando os jovens adultos desempregados. As pessoas com menores qualificações têm maior probabilidade de se tornarem jovens NEEF.

Pappámikail salienta ainda que “a inactividade esconde situações invisíveis, por exemplo, a de jovens que têm a seu cargo crianças ou responsabilidades familiares, que têm problemas relacionados com deficiência e saúde mental, ou que esperam uma nova formação ou curso. Aparentemente estão inactivos mas é uma situação transitória”.

“O conceito é definido pela negativa, mas nunca nos perguntámos o que está a fazer esse jovem. E muitos estão disponíveis para trabalhar, mas não encontram resposta no mercado”, frisa a investigadora. “É um grupo heterogéneo.”

Jovens “nem-nem” sofrem de uma sensação de vazio, afirma psicóloga
Bárbara Ramos Dias, psicóloga especializada em adolescentes, acompanha vários casos de jovens “nem-nem”. Por ano, chegam 20 jovens ao seu consultório à procura de ajuda. “Os casos que tenho acompanhado têm sempre ou uma depressão associada, ou grandes níveis de ansiedade. Sentem-se cada vez mais apáticos, com menos objectivos”, explica.

São pessoas que sentem que “não têm uma missão, não sabem o que querem, estão perdidos, isolam-se”. A maioria são jovens adultos que lutam com um emprego, desistem, e tentam outro, mas não se sentem motivados. “O que eu noto é que existe neles todos esta atitude depressiva, apatia, inércia pela vida”, lamenta.

Sentem-se muito sozinhos e os pais são muito críticos: não vêem ambição nos filhos. “Quanto mais críticos são, mais os miúdos se acham um zero a esquerda, torna-se um ciclo vicioso”, frisa a médica.

Os pais não são os culpados, mas têm um papel importante. “São pessoas que têm más notas, são criticadas e vão fazendo pior. Os pais, ao conseguirem reforçar o que fazem bem, fazem com que elas se sintam organizadas e consigam seguir em frente”, descreve. “Quando os pais criticam as crianças, peço-lhes que as valorizem. Os miúdos não têm que ser todos perfeitos. É engraçado que há pais que me dizem que eles é que precisavam de terapia, não os filhos.”

Por isso, Bárbara Ramos Dias trabalha a psicologia positiva e a valorização das pequenas coisas. “Temos que descobrir talentos escondidos numa tristeza enorme.”

“É preciso conseguir perceber o que gostam de fazer, quem eles são na realidade. Às vezes, estes jovens dizem outra coisa para agradar aos pais. Faz-se um trabalho no sentido de o que conseguem fazer bem, para se esquecer a ideia do ‘eu não sou ninguém, nunca vou conseguir fazer nada’”, clarifica a psicóloga.

 

 

Não estudam nem trabalham: mais de 160 mil jovens portugueses são “nem-nem”

Junho 28, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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CMS

Notícia do Jornal Económico de 19 de junho de 2018.

Dos jovens portugueses inscritos no serviço público de emprego, 59% são desempregados e 41% não se encontra registado nos serviços de emprego, educação e formação.

A população jovem que não estuda nem trabalha, os chamados jovens “nem-nem”, é já de 10% em Portugal, segundo dados do programa Garantia Jovem revelados esta terça-feira. São mais de 160 mil jovens portugueses não estudam nem trabalham, dos quais 50,2% pertencem ao género feminino, e 49,8% ao género masculino. No que diz respeito à idade, 45% tem entre os 20 e os 24 anos, 41% tem os 25 e 19 anos, e 14% equivale às restantes faixas etárias.

Outro dado revelado é que a baixa qualificação, isto é habilitações literárias, aumenta em quase três vezes a probabilidade de insucesso na procura de emprego. “A baixa qualificação aumenta, em cerca de 3 vezes, a probabilidade disto acontecer: 41% dos jovens têm apenas o 9º ano de escolaridade e 42% o nível do ensino secundário. Apenas 17% corresponde às restantes posições académicas”, lê-se num comunicado da Garantia Jovem.

Mais, dos jovens portugueses inscritos no serviço público de emprego, o IEFP, 59% são desempregados e 41% não se encontra registado nos serviços de emprego, educação e formação.

Estes dados foram divulgados esta manhã, durante um debate no Instituto de Ciências Sociais promovido pelo IEFP. Uma sessão que teve o objetivo de apresentar “as aprendizagens e desafios” da Garantia Jovem, em Portugal e na Europa, “bem como promover um debate em torno do tema empregabilidade jovem e do papel que as diferentes organizações podem ter”.

O mesmo evento, serviu para dar por encerrado o projeto “Make th future… Today!” que deu lugar a uma “partilhada das atividades desenvolvidas” entre Paulo Feliciano (IEFP), Cristina Carita (Fórum Estudante), Lia Pappámikail (ICS), Vitor Moura Pinheiro (IEFP), Diana Dias (jovem apoiada pela Garantia Jovem), Raquel Santos (Fertagus), Olga Fernandes (Associação ANIMAR) e Ana Rocha (Gabinete de Emprego e Inserção do Município de Cabeceiras de Basto).

A iniciativa “Make the Future… Today!” decorreu entre janeiro de 2017 e junho de 2018 e destinou-se a “acelerar o acesso à Garantia Jovem em Portugal, tendo em vista aumentar o número de jovens que não estudam nem trabalham registados no sistema e melhorar o trabalho em rede dos cerca de 1.500 parceiros de terreno”.

A iniciativa foi coordenada pelo IEFP e contou com o apoio da Comissão Europeia.

Mais informações no link:

https://liferesearchgroup.wordpress.com/2018/06/14/fazer-o-futuro-no-presente-jovens-em-condicao-neef-e-o-programa-garantia-jovem/

 

Instituto de Emprego tem estratégia de quatro anos para integrar jovens “nem nem”

Julho 2, 2017 às 4:23 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do http://expresso.sapo.pt/ de 28 de junho de 2017.

No âmbito do programa Garantia Jovem, o Instituto de Emprego e Formação Profissional apresentou a Estratégia Nacional de Sinalização, plano a quatro anos, para encontrar soluções para os jovens que não trabalham e não estudam, muitos deles fora dos registos oficiais. INE diz que são mais de 175 mil

Mafalda Ganhão

um problema crescente em todos os países da União Europeia e que, no caso de Portugal e tendo em conta estimativas de 2011, representou uma perda para a economia de aproximadamente 2,1 mil milhões de euros, ou seja 1,24% do PIB. Encontrar soluções para integrar os jovens que não trabalham, nem estudam, muitos não constando sequer dos registos dos centros de emprego é uma das prioridades para o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), entidade que apresentou esta terça-feira a sua estratégia Nacional de Sinalização de Jovens, um programa delineado para um prazo de quatro anos e que pretende alcançar pelo menos 30 mil dos 67.500 jovens nesta situação – e que são uma parte dos 175.900 até aos 30 anos que não estudam, não trabalham, nem frequentam formação profissional (dados do INE referentes ao 1º trimestre de 2017).

Segundo o documento dado a conhecer, “a implementação das políticas adotadas será desenvolvida em duas fases”. A primeira, de 2017 a 2018, tem como objetivo o aumento dos serviços de apoio, expandindo a gama de serviços e programas disponíveis. A segunda etapa passará por, em 2019 e 2020, “dar escala às ações e projetos que, em função da avaliação efetuada na primeira fase, possam permitir amplificar os resultados de atuação”.

Conforme explicou o vice-presidente do IEFP, Paulo Feliciano, esta é uma estratégia a desenvolver no âmbito do Garantia Jovem, programa europeu de resposta à inatividade e ao desemprego, que tem como principal objetivo proporcionar aos jovens entre os 15 e os 29 anos que não se encontrem a estudar nem a trabalhar, uma oportunidade para apostar na sua qualificação e estar em contacto com o mercado de trabalho, no prazo de quatro meses após a inscrição no ‘site’ do programa ou nos seus parceiros.

Em Portugal, o programa foi criado pelo Governo português em 2013 e através dele o IEFP contará com mais de 600 parceiros para ajudar à concretização deste seu planeamento a quatro anos, envolvendo autarquias, as associações de juventude e as Instituições Particulares de Solidariedade Social, como entidades que trabalham no terreno com os jovens a sinalizar.

Tendo em conta que em causa estão jovens que “tendem a não procurar ajuda, nomeadamente dos serviços públicos, ou porque desconhecem essa possibilidade ou porque tendencialmente não acreditam nela”, como diz o relatório de 2016 da Garantia Jovem, informar e sensibilizar são palavras de ordem. Metas a atingir com recurso a “metodologias inovadoras, com adaptação da linguagem e dos canais”.

Reformular o portal Garantia Jovem, tornando-o mais moderno e acrescentando-lhe funcionalidades, está na lista das missões a cumprir, a mesma onde se inclui a criação de uma aplicação Garantia Jovem para smartphones e tablets.

mais informações:

https://www.garantiajovem.pt/

 

 


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