Menos 6 mil crianças morreriam na Europa a 15 se todos fossem como a Suécia

Março 28, 2013 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias de 27 de Março de 2013.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Health services for children in western Europe

(Basta fazer o registo no site da Lancet de modo a ter acesso a todo o artigo)

Mais de 6.000 vidas de crianças poderiam ser poupadas anualmente se todos os países Europa ocidental tivessem a taxa de mortalidade infantil da Suécia, revela um artigo hoje publicado na revista ‘Lancet’.

Num artigo publicado no âmbito de uma série dedicada ao estado da Saúde  da Europa, os investigadores concluem que, embora a taxa de mortalidade  tenha melhorado muito nos últimos 30 anos nos 15 primeiros países da União  Europeia, ainda há grandes discrepâncias entre eles.

Os cientistas comparam as taxas de mortalidade entre os 15 países e  concluem que, se todos tivessem a melhor taxa de mortalidade infantil, como  a da Suécia, morreriam menos 6.198 crianças todos os anos.

A investigadora que coordenou o artigo, Igrid Wolfe, explicou, em conferência  de imprensa, que as diferenças entre os melhores e os piores se justificam,  porque alguns países não conseguiram adaptar-se às mudanças epidemiológicas.

As principais causas de morte entre as crianças com menos de 14 anos  deixaram de ser as doenças infecciosas e passaram a ser ferimentos, envenenamento,  cancro e doenças congénitas ou neurológicas.

“Os nossos sistemas não se adaptaram a esta mudança”, disse a cientista,  que falava em particular do Reino Unido, que, com uma das piores taxas de  mortalidade dos 15, contribui com quase 2.000 das 6.000 mortes em excesso.

Os autores alertam ainda para a dimensão da pobreza infantil e das desigualdades  na Europa, o que afeta diretamente a saúde, não só na infância, mas ao longo  da vida.

Segundo o artigo, enquanto na Suécia 1,3% das crianças vivem em situação  de pobreza, em Portugal a Unicef estima em 27,4% a percentagem de menores  a viver em lares que não garantem um mínimo de três refeições por dia.

Na sua primeira série sobre a Saúde na Europa, a ‘Lancet’ dedica ainda  um artigo ao envelhecimento da população, estimando que em 2060 haja duas  vezes mais idosos (com mais de 65 anos) do que crianças (com menos de 15).

Os investigadores alertam no entanto que uma sociedade envelhecida não  constitui em si mesma uma ameaça ao Estado social e sublinham que o envelhecimento  da sociedade não deve ser usado como argumento político para justificar  cortes na proteção social.

As estimativas de aumentos nos gastos com saúde devido ao envelhecimento  têm sido exagerados, enquanto outros fatores, como os desenvolvimentos tecnológicos,  têm mais impacto nos custos agregados com a saúde.


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