Índia proíbe mochilas escolares pesadas para evitar problemas de coluna nas crianças

Dezembro 31, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 28 de novembro de 2018.

Mafalda Ganhão

De acordo com as novas regras, o peso das mochilas tem um limite consoante a idade dos alunos e os professores das crianças mais pequenas não lhes poderão marcar trabalhos de casa.

Nem trabalhos de casa, nem mochilas pesadas. Preocupada com o aumento do número de casos de crianças com problemas na coluna vertebral, a Índia resolveu disciplinar o que considera abusos e impôs novas regras às escolas, dependendo das idades dos alunos.

Para cada faixa etária há restrições ao peso das mochilas, limites justificados com estudos que evidenciam como a carga excessiva pode afetar os ossos ainda em desenvolvimento.

No caso das crianças mais novas, durante os dois primeiros anos escolares, os professores ficam impedidos de marcar trabalhos de casa, de modo a evitar que os manuais tenham de ser transportados.

No estado de Maharashtra, por exemplo, o peso das mochilas já não pode exceder 10% do peso corporal da criança, havendo escolas a optar pelo uso de quadros digitais e projetores, também para contornar a necessidades de carregar livros escolares para as aulas.

O “The Telegraph” lembra o caso particular das crianças que habitam nas zonas rurais no país, e que são obrigadas a caminhar longas distâncias carregando as bolsas escolares. Muitas delas atravessam rios, levando os livros sobre a cabeça.

Notícia do The Telegraph:

India bans homework and heavy schoolbags to prevent spinal damage

 

 

Nova tecnologia identificou em 4 dias milhares de crianças desaparecidas

Maio 25, 2018 às 9:42 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site Zapaeiou de 10 de maio de 2018.

Um teste experimental de tecnologia de reconhecimento facial realizado pela polícia de Nova Deli teve um resultado incrível e inspirador: milhares de crianças que desapareceram nas ruas, becos e favelas da Índia foram identificadas em questões de dias.

Usando um banco de dados fotográfico de cerca de 60.000 crianças desaparecidas e comparando-as com aproximadamente 45.000 imagens de órfãos não identificados em instituições de atendimento em toda a cidade, 2.930 crianças foram reconhecidas pelo software do programa piloto em apenas quatro dias.

Os rápidos efeitos do programa são surpreendentes e destacam como essa tecnologia emergente poderia ajudar a diminuir um devastador problema social no país.

“Atualmente, a Índia tem quase 200.000 crianças desaparecidas e cerca de 90.000 alojadas em várias instituições de cuidado infantil”, explicou o ativista Bhuwan Ribhu, do grupo de assistência infantil Bachpan Bachao Andolan, que ajudou a desenvolver o estudo.

Fazer a combinação manual de todas essas crianças e fotografias é basicamente impossível. A organização de Ribhu começou o projeto como uma maneira de filtrar melhor a grande quantidade de registos mantidos pelo TrackChild, o banco de dados nacional indiano de crianças desaparecidas.

Percebendo que o reconhecimento facial poderia ajudar a acelerar as coisas, a organização lutou no Supremo Tribunal de Deli para disponibilizar o banco de dados à polícia, que usou o sistema de reconhecimento facial para analisar milhares de imagens.

Devido ao sucesso do projeto em Nova Deli, é possível que outras forças policiais usem dados do TrackChild para tentar rastrear crianças desaparecidas. Além disso, o próprio banco de dados pode ser revisto para que o software de reconhecimento facial seja executado internamente.

Todos esses são desenvolvimentos bem-vindos, mas a situação das crianças desaparecidas na Índia ainda não será resolvida completamente.

Isso porque as razões por trás dos seus desaparecimentos são complexas e muitas vezes violentas e anti-éticas. Algumas crianças são raptadas na rua para serem vendidas para prostituição ou trabalho infantil. Outras fogem dos pais devido a abusos em casa.

Há ainda suposições de que algumas famílias vendem os filhos, ou intencionalmente abandonam filhas indesejadas em lugares movimentados.

Também há crianças que simplesmente perdem-se à moda antiga, através de circunstâncias incomuns e azar, como Saroo Brierley, cuja dramática história de vida se tornou o tema do filme “Lion – Uma Jornada Para Casa”, de 2016.

Quando era jovem, Brierley perdeu-se do seu irmão mais velho numa estação de comboio. Adormeceu dentro de um comboio e só conseguiu sair do veículo depois de percorrer quase 1.500 quilómetros pela Índia. Era tão novo que não sabia o nome da sua cidade natal, e nunca conseguiu encontrar o caminho de volta.

Demorou cerca de 25 anos até finalmente rever a sua mãe biológica, um final feliz para uma história de sofrimento muito comum entre os jovens na Índia. As inovações vistas neste projeto devem possibilitar uma onda de reuniões similares, muito bem-vindas.

 

‘Selfitis’ é a nova terminologia para os viciados em selfies. Saiba se é um deles

Abril 25, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/visaomais/ de 9 de abril de 2018.

Sara Rodrigues

Um estudo realizado na Índia demonstra que há seis razões principais para as pessoas tirarem selfies. A competição social e a busca de atenção são apenas duas

Quando, em 2014, vários jornais republicaram uma notícia que dava conta de que a Sociedade Psiquiátrica Americana iria classificar a selfitis – o vício em fazer selfies – como um distúrbio mental vários investigadores indianos ficaram em alerta. Logo depois, soube-se que a história não passava de um embuste (fake-news), mas os docentes ficaram com a pulga atrás da orelha. Assim, e como desde 1995, ano que foi publicado o primeiro estudo sobre “adições tecnológicas”, foram várias os distúrbios estudados e cunhados – como o vício da internet, dos videojogos online ou do telemóvel – porque não poderia existir também um ligado às selfies?

Juntaram-se investigadores de duas universidades indianas, Nothingham Trent e Thiagarajar School of Management, e pegaram numa amostra de 400 estudantes e em focus group com outros 200 (90% com menos de 25 anos). O estudo não pretende ser um retrato internacional ou mesmo da população indiana, já que, como referem os autores, a amostra foi selecionada nas universidades e não representa várias gerações, embora possa servir de base para futuros estudos empíricos sobre esta mania que alastrou pelo mundo inteiro.

Esta análise foi feita na Índia porque é este o país como mais utilizadores de Facebook e com o maior número de mortes relacionadas com a tentativa de fazer selfies em locais perigosos.

O estudo, publicado no International Journal of Mental Helth and Addiction, classificou os selfitis em três categorias: borderline, agudo, crónico.

Borderline – tira selfies pelo menos três vezes por dia, mas não as publica nas redes sociais
Agudo – tira selfies pelo menos três vezes por dia e publica-as nas redes sociais
Crónico – tira selfies de forma descontrolada o dia inteiro e publica pelo menos seis

Os investigadores identificaram seis fatores de motivação para os selfitis: os que querem aumentar a auto-confiança, os que buscam por atenção, para melhorar o humor, registar memórias quando se está num ambiente agradável, aumentar a integração no grupo que as rodeia e competição social.

A prevalência destes itens determina o grau de vício de cada um.

“O facto de esta história ter tido início numa notícia falsa, não quer dizer que a condição de selfitis não possa existir. Confirmámos a sua existência e criámos a Escala de Comportamento Selfitis”, referiu o investigador Mark Griffiths.

Os investigadores criaram uma grelha de 20 perguntas para aferir do grau de adição de cada um.

Responda a cada uma das perguntas utilizando uma escala de 1 a 5. Em que 5 quer dizer “concordo plenamente” e 1 quer dizer “discordo completamente”. Quanto maior a sua pontuação, maior a probabilidade de você sofrer de “selfitis”

1- Tirar selfies dá-me a sensação de estar a aproveitar melhor o ambiente em que estou

2 – Partilhar as minhas selfies cria uma competição saudável com os meus amigos e colegas

3 – Tenho muito mais atenção dos outros se partilhar as selfies nas redes sociais

4 – Consigo reduzir o meu nível de stress quando tiro selfies

5 – Sinto-me confiante quando tiro selfies

6 – Sou melhor aceite no meu grupo de amigos quando tiro selfies e as partilho nas redes sociais

7 – Consigo expressar-me melhor no meu ambiente através das selfies

8 – Fazer selfies em diversas poses ajuda a aumentar o meu estatuto social

9 – Sinto-me mais popular quando publico selfies nas redes sociais

10 – Tirar selfies melhora o meu humor e faz-se sentir feliz

11 – Sinto-me melhor em relação a mim mesmo quando tiro selfies

12 – Torno-me mais forte no meu grupo de amigos quando publico selfies

13 – Tirar selfies faz com que me lembre melhor de ocasiões e experiências

14 – Publico selfies frequentemente para ter mais “gostos” e comentários nas redes sociais

15 – Ao publicar selfies espero uma avaliação dos meus amigos

16 – Tirar selfies muda instantaneamente o meu humor

17 – Tiro selfies e olho para elas em privado como forma de aumentar a minha auto-confiança

18 – Quando não tiro selfies sinto-me separado do meu grupo de amigos

19 – Tiro selfies como troféus para a minha memória

20 – Edito ou uso filtros de imagem para que as minhas selfies fiquem melhor do que as dos outros

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

An Exploratory Study of “Selfitis” and the Development of the Selfitis Behavior Scale

 

Como uma app evitou que 200 jovens fossem traficadas

Maio 25, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Exame Informática de 9 de maio de 2016.

Hannah Kinisky

A Girl Power é uma app que ajuda a identificar jovens em risco de serem traficadas ou casadas à força com adultos. Desde que foi lançada, já evitou o tráfico de 200 crianças.

A app foi desenvolvida pela Accenture Labs e pelo Child in Need Institute e já salvou mais de 200 jovens. A aplicação Girl Power deteta raparigas vulneráveis na Índia e no Bangladesh, sinalizando-as para que as ONG possam intervir ainda antes da consumação dos fatos, noticia o Huffington Post.

Os responsáveis das comunidades e professores usam tablets e telefones Android com a app instalada para registarem as jovens de até 20 aldeias, criando um perfil para cada rapariga com base na sua saúde, nutrição, proteção e educação. Com estes parâmetros, são criados perfis para cada uma e determinado o grau de risco de serem vítimas de tráfico ou de casamentos forçados. A aplicação consegue analisar os dados em tempo real.

Os grupos envolvidos nesta app esperam chegar às sete mil raparigas registadas, em mais de cem aldeias, mas serão necessários mais recursos para o conseguir.

 

Índia: Polícia encontra mais de 200 crianças escravizadas em oficina

Fevereiro 2, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário Digital de 24 de janeiro de 2015.

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Mais de 200 crianças, algumas com apenas 6 anos, foram encontradas hoje pela polícia numa oficina em Hyderabad, no sul da Índia, que deteve 10 pessoas por exploração dos menores, informaram os meios de comunicação locais.

Os trabalhadores infantis foram encontrados durante uma rusga na qual cerca de 500 agentes procuravam delinquentes e encontraram as crianças na zona de Bhavani Nagar, declarou ao canal de televisão NDTV um porta-voz policial, Shakar Narayan.

A polícia deteve 10 pessoas que supostamente tinham pago aos pais dos menores cerca de 20 mil rúpias (cerca de 288 euros) para que os seus filhos viessem desde os estados nortenhos de Uttar Pradesh e Bihar para trabalhar em Hyderabad, capital partilhada de Andra Pradesh e Telangana.

As crianças, de famílias pobres, trabalham na elaboração de pulseiras, objectos de couro e outros produtos em condições insalubres, alguns com ferimentos sem tratamento, segundo as imagens mostradas pela televisão.

Com cerca de 50 milhões de crianças trabalhadoras, a Índia é o país do mundo com maior incidência de emprego infantil, um número que se reduziu em 10 milhões durante os últimos anos, segundo a ONG Bachpan Bachao Andolan (Movimento para Salvar a Infância).

O governo indiano afirma que a queda foi ainda maior, ao passar dos 12 milhões de menores explorados que de acordo com seus dados o país registava em 2004, para cinco milhões na actualidade.

O fundador desta organização, Kailash Satyarthi, recebeu o prémio Nobel da Paz de 2014 partilhado com a menina paquistanesa Malala Yousafzai, conhecida universalmente pela sua luta a favor da educação da mulher.

 

 

ONU: Aborto de meninas espalha-se como «epidemia» no leste europeu

Novembro 17, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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notícia do  http://diariodigital.sapo.pt  de 10 de novembro de 2014.

diário digital

A prática do aborto de fetos do sexo feminino devido a uma preferência por rapazes é uma «epidemia» que está a espalhar-se além de países como a Índia e a China, atingindo agora nações do leste europeu, advertiu segunda-feira um alto funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU).

O chefe da divisão de género do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Luis Mora, disse que estudos realizados nos últimos anos identificaram que o desejo por bebés do sexo masculino e o acesso à tecnologia foram os principais responsáveis pelos mais elevados índices de selecção do género a nível global na região do Cáucaso, ao longo da fronteira da Europa-Ásia entre os mares Negro e Cáspio.

«Durante muitos anos, temos observado a preferência por rapazes e a selecção do género à semelhança do que acontece nos casos da Índia e da China», disse Mora num simpósio de quatro dias sobre o envolvimento de homens e rapazes na igualdade de género.

«Mas temos percebido nos últimos anos que a Índia e a China já deixaram de ser as excepções. Vimos como a discriminação, a preferência por rapazes e todas as questões relacionadas se têm progressivamente espalhado para países que nunca antes tínhamos pensado que poderiam praticar a escolha do género, como os países do Leste Europeu» afirmou.

Mora disse que o facto de o feticídio feminino estar a acontecer em países que, anteriormente, não tinham histórico de tais práticas, como a Albânia, Kosovo e Macedónia, indicava que a discriminação de género era uma «epidemia», comparando-a ao vírus mortal ébola.

De acordo com um estudo de Agosto de 2013 da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, biologicamente 105 meninos nascem para cada 100 meninas.

No entanto, na Arménia e no Azerbeijão mais de 115 meninos nascem para cada 100 meninas, e na Geórgia a proporção é de 120 homens para cada 100 mulheres.

Como resultado, o UNFPA estima que em países como a Arménia haverá falta de cerca de 93 mil mulheres em 2060 se a elevada taxa de selecção de gênero no pré-natal permanecer inalterada.

Especialistas em género afirmam que a estrutura patriarcal é uma das principais razões para a proporção sexual enviesada.

Uma «cultura do aborto» herdada do período soviético e o fácil acesso a tecnologias que permitem aos pais saber o sexo do seu filho antes do nascimento são outros factores importantes.

«Acho que isto é um aviso», disse Mora. «Por detrás dessa situação há uma forte e grave advertência sobre como as desigualdades de género, a violência, a preferência por rapazes e outras práticas nocivas podem realmente tornar-se universais», salientou.

 

 

Kailash Satyarthi: O activista que tirou 80 mil crianças do trabalho forçado

Outubro 13, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Público de 10 de outubro de 2014.

 

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Satyarthi tem praticamente um roteiro sobre o que se deve fazer pelo menos na Índia AFP CHANDAN KHANNA

FRANCISCA GORJÃO HENRIQUES

Pode ter metade da fama de Malala Yousafzai, com quem dividiu o Nobel da Paz. Mas há 30 anos que a associação que Kailash Satyarthi criou tenta levar as crianças para a escola.

O relato foi feito há pouco mais de uma semana: “Eu queria comer aquele gelado encarnado que se vendia à frente da minha fábrica mas em dois meses nunca consegui as 10 rupias [12 cêntimos]. A minha mãe está à minha espera na aldeia, mas acho que não há maneira de eu ir ter com ela”. Manish é um rapaz de 12 anos. Fala enquanto arranja uma bicicleta. Tal como ele, outras oito crianças, entre os 10 e os 14 anos, foram traficadas dos estados do Bihar e Uttar Pradesh para trabalho forçado em oficinas de carros de Deli.

Eram obrigadas a trabalhar mais de 14 horas por dia, com o mínimo de roupas, debaixo de um calor agressivo, a respirar gases que os deixavam de olhos a chorar e mãos a arder. Como foram ali parar? Alguns pelas mãos dos próprios pais. A Bachpan Bachao Andolan (BBA, Movimento para Salvar a Infância) ajudou a resgatá-las. Quatro dias antes, outras 13 crianças tinham também sido salvas de trabalho escravo em oficinas da capital.

Histórias destas podem multiplicar-se. São a rotina de associações como a BBA. E é para acabar com elas que o seu fundador, Kailash Satyarthi, tem lutado. Activista praticamente desde a infância contra o trabalho infantil – aos 11 anos andava a recolher livros escolares usados para os distribuir por crianças que não tinham dinheiro para ir à escola –, foi escolhido para partilhar o prémio Nobel da Paz com a jovem paquistanesa Malala Yousafzai.

Kailash Satyarthi, de 60 anos, nasceu e cresceu em Vidisha, no estado de Madhya Pradesh (no centro do país), numa família que, como o próprio descreveu várias vezes, “não era rica nem era pobre”. Tirou o curso de engenharia electrotécnica, como o pai queria. “Mas percebi que a engenharia não era para mim e segui esta causa”.

Satyarthi estava há alguns anos na lista do Comité Norueguês do Nobel e já ganhou vários prémios internacionais relacionados com os direitos humanos. Ainda assim, a sua fama não se aproxima da de Malala. E isto no seu próprio país: um editor do Times of India confessava num blogue daquele jornal que até surgir a notícia do Nobel nunca tinha ouvido falar dele, e o mesmo se passava com vários amigos seus. Mas há mais de 30 anos que a BBA está no terreno, com cera de 80 mil voluntários espalhados pelo mundo, tentando investigar as áreas onde a acção é mais urgente. “É uma vergonha para qualquer ser humano se uma criança estiver a fazer trabalho escravo em qualquer parte do mundo”, afirmou ontem o laureado numa conferência de imprensa em Nova Deli. “Sinto-me muito orgulhoso por ser indiano, por ter conseguido travar esta luta na Índia ao longo de mais de 30 anos”.

Segundo a BBA, praticamente 80 mil crianças já foram resgatadas, vítimas de maus tratos, tráfico ou exploração laboral – a maioria eram de facto escravas, usadas para pagar as dívidas dos pais (uma prática proibida por uma lei de 1975, que dificilmente é aplicada por falta de vigilância). O número é respeitável, mas ainda há muito por fazer. Segundo as estimativas de algumas organizações humanitárias, 135 mil crianças indianas desapareceram só no ano passado; os dados oficiais apontam para um número muitíssimo inferior: 26 mil.

Numa entrevista que deu ao PÚBLICO em Setembro de 2005, o activista referia que na Índia havia então “60 milhões de crianças a trabalhar a tempo inteiro. Destas, 10 milhões fazem trabalho escravo. E o tráfico interno é generalizado. Há crianças em todas as cidades traficadas para trabalho doméstico, restaurantes, pequena indústria, prostituição”.

Está longe de ser um problema exclusivo do país, alertava Satyarthi, que é também o líder mundial da Marcha Global Contra o Trabalho Infantil e da Campanha Global pela Educação: “A África, a Ásia e a América Latina têm um problema sério de trabalho infantil”, que existe igualmente em vários países europeus. Na altura apontou Portugal e Espanha como portas de entrada para o tráfico de crianças. Segundo os dados avançados pelo Comité, haverá 168 milhões de crianças trabalhadoras no mundo inteiro.

Satyarthi tem praticamente um roteiro sobre o que se deve fazer, pelo menos na Índia. Uma das respostas, que deixou numa entrevista ao Times of India, em Junho, não está nas mãos do Governo, nem das autoridades locais, nem da polícia (apesar de defender fortemente que são precisas melhores leis e mais atenção por parte das autoridades). Está em quem entra numa loja ou restaurante e deve boicotar produtos ou serviços que de alguma forma sejam resultado de trabalho infantil.

Esta luta está de mãos dadas com a educação. Estima-se que sete milhões de crianças indianas abaixo dos 14 anos não possam ir à escola e que cerca de 50% a abandone antes do fim da escolaridade obrigatória (até aos 14 anos). O problema é mais grave com as raparigas. De acordo com a UNICEF, há 90 milhões de mulheres iletradas.

A antropóloga portuguesa Rosa Maria Perez conhece bem a realidade indiana. No ano passado desenvolveu um projecto em bairros de lata de Bangalore (a terceira cidade do país e considerada o seu Silicon Valey) e Ahmedabad, a maior cidade do Gujarat, um dos maiores centros industriais da Índia. Não estava à espera do que encontrou: “Uma iliteracia absoluta em jovens de 11, 12 anos”. “Os pais não podem prescindir da mão-de-obra infantil, sobretudo entre as castas de baixo estatuto, devido a grandes carências económicas. E as raparigas são mais atingidas do que os rapazes”. A escolaridade pode ser obrigatória, mas “não há vigilância administrativa ou política” para garantir que é cumprida.

Este Nobel vem chamar a atenção para a importância da educação. E esse era já um tema central para Mahatma Gandhi, o líder da independência indiana (que nunca recebeu o prémio). “Todo o seu projecto de reestruturação social, e mesmo económico, estava centrado na educação”, refere Rosa Maria Perez. Gandhi acreditava que esta seria a ferramenta com a qual se corrigiria as desigualdades da sociedade indiana.

Sessenta anos depois, não se pode dizer que a realidade do país seja a mesma, mas ainda há muitas razões para manter os activistas ocupados. Têm agora uma “ferramenta poderosa”, dizia Satyarthi na entrevista ao Times. As redes sociais. “Com um clique podemos fazer imenso barulho, que é uma forma diferente de levantar a voz. Podemos não ir para a rua gritar palavras de ordem, mas podemos criar ainda mais impacto usando os nossos aparelhos”.

Por levantar a sua voz, Satyarthi já sofreu consequências físicas. “Faz parte da vida. Estamos a trabalhar com famílias destruídas e pessoas destruídas que perderam toda a esperança e não têm quem as ajude… Um dos meus colegas foi baleado, outro foi espancado até à morte. Eu já tive ferimentos no ombro, perna, costas, cabeça. Todos os meus activistas passaram por isto. Estamos a trabalhar contra um mal social. Se o mal não reage nem retalia significa que não o estamos a ameaçar”.

 

Quando crianças desafiam o Google Maps

Julho 18, 2013 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da Revista Galileu de 4 de Julho de 2013.

Um grupo de jovens com idades entre 10 e 14 anos chamados de Dakabuko (que significa ‘audacioso’ ou ‘corajoso’) resolveu agir quando percebeu que o Google Maps havia deixado de fora o lugar onde eles moram – uma das favelas da cidade de Kolkata, na Índia. A região aparece em branco na pesquisa, como se não houvesse nada na área. Em um documentário, uma das integrantes conta que sua mãe perguntou ‘tem certeza que não estamos no mapa? O mundo todo está registrado’. E ela responde, com convicção absoluta ‘não, não estamos lá’.

Então os Dakabuko resolveram pesquisar a região por conta para construir um mapa. De acordo com Amlan Ganguly, assistente social que os acompanha, ter sua região registrada e mapeada faz parte dos direitos de qualquer cidadão. Eles não apenas fizeram a planta do local como também numeraram as casas, para que os moradores pudessem indicar seus endereços com mais facilidade.

O objetivo final do projeto é que, com o mapa, eles possam monitorar áreas onde habitantes ainda não tiveram acesso à vacina contra pólio. E graças ao trabalho dessas crianças, que chamam a comunidade para os postos de saúde, o número de vacinações na região aumentou 80%. Com a ajuda de um projeto da Universidade de Columbia eles até ganharam telefones para registrar a frequência das vacinações de cada habitante.

Confira o documentário emocionante:

 

 

 

 

Onde estão as meninas de Nova Deli?

Maio 21, 2013 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Fotogaleria do Público de 10 de Maio de 2013.

Um chapéu, um vestido, uma boneca. É tudo a que se podem agarrar os pais de meninas que desapareceram, umas ainda bebés outras já adolescentes, em Nova Deli. Segundo dados da polícia, só entre 1 de Janeiro e 8 de Maio deste ano, foi registado o desaparecimento de 725 crianças na capital da Índia, na sua maioria de sexo feminino. O fotógrafo da Reuters Mansi Thapliyal visitou famílias que esperam todos os dias por uma informação sobre o paradeiro dos filhas.

Visualização das fotografias Aqui

Clicar na imagem

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Na Floresta de Sarisca – Oficina no Museu do Oriente

Setembro 1, 2012 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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15 e 22 Setembro

NA Floresta de Sarisca

Sábados em oficinas ESPECIAL

O santuário de Sariska é uma reserva natural de tigres, na Índia, que se estende por mais de 760km. Nesta floresta reside também uma importante população de leopardos, panteras, hienas, gatos selvagens, almiscareiros (gato bravo), porcos-espinhos e o famoso antílope de quatro chifres… É neste local selvagem e mágico que Tarikavalli apresenta às crianças diferentes espécies de animais. Após esta etapa de descoberta, cada criança escolhe um animal e confecciona a sua própria máscara.

No segundo dia da oficina, as crianças explorarão as suas novas identidades. Cada criança, com a máscara que fez no primeiro dia, irá identificar-se com o animal que escolheu. Apoiando-se na gestualidade da dança Bharata Natyam, as crianças descobrirão uma nova linguagem corporal, enriquecida pelas suas sensações e a sua expressividade pessoal. Depois de entrarem na pele do animal escolhido, encarnarão esse animal no palco e em grupo.

Necessária marcação até 3 de Setembro (1ª e 2ª sessões).

Horário: 15.00 às 16.30

Preço: €12,50/participante/dois dias de actividade

Público-alvo: 4-7

Participantes: Mín.10/sessão, Máx.20

Morada:

Museu do Oriente – Avenida Brasília, Doca de Alcântara (Norte)

1350-352 Lisboa

Tel: +351 213 585 200

E-mail: info@foriente.pt

Serviço Educativo

Tel: +351 213 585 299

E-mail: servico.educativo@foriente.pt


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