Crianças Que Acampam Vão Melhor Na Escola, São Mais Felizes e Saudáveis, Sugere Estudo

Abril 16, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site http://macamp.com.br de 1 de outubro de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

What do children learn when camping? Perceptions of parents and children

notícia original:

Get Kids Camping: research results

macamp

Por Marcos Pivari

Crianças que acampam ao ar livre pelo menos uma vez por ano têm melhor desempenho escolar, além de serem mais saudáveis e felizes, de acordo com seus pais. Essa foi a conclusão de um estudo realizado pelo Instituto de Educação da Universidade de Plymouth, que contou com a colaboração do Camping and Caravanning Club, instituição do Reino Unido com mais de 500.000 membros, que ajudou a entender as relações entre educação e acampamento.

Pais e crianças do Reino Unido responderam a uma série de perguntas que visavam os benefícios educacionais, psicológicos e sociais que a experiência dos acampamentos proporcionava para crianças de todas as idades.

Liderada por Sue Waite, professora associada do Instituto de Educação Plymouth, a pesquisa constatou que 4 de cada 5 pais julgavam que os acampamentos tinham um efeito positivo sobre a educação escolar de seus filhos. Além disso o estudo mostrou que 98% dos pais disseram que os acampamentos faziam os filhos apreciarem e se conectarem à natureza; 95% disseram que os filhos ficavam mais felizes quando acampavam; e 93% que a prática de camping ajudava no desenvolvimento de novas habilidades úteis para a vida mais tarde.

Alguns pais,15%, relataram que estar desligado de tecnologias (computadores, tablets, celulares) é uma coisa boa para seus filhos e um dos benefícios da prática de camping; 20% dos pais disse que o acampamento dá às crianças liberdade, independência e confiança; mais de dois terços, 68%, julgavam que os acampamentos ajudavam seus filhos no processo de aprendizagem em sala de aula, pois as crianças podem compartilhar suas aventuras e experiências de quando acamparam, bem como de suas empolgantes visitas a locais onde elas aprendem história.

Sue Waite disse: “O interessante é que os pais acreditam que o acampamento ajuda na compreensão do currículo escolar nas matérias de Geografia, História e Ciências. E na verdade isso acontece porque as atividades de camping mais comuns são naturais – como procurar plantas e animais escondidos em pedras e árvores e trilhas em meio à natureza – onde as crianças conseguem entender melhor os ecossistemas e identificar as formas de vida, respeitando assim a natureza e o meio ambiente.

Quando perguntado às crianças que participaram da pesquisa o que elas mais gostavam nos acampamentos as respostas mais comuns eram: fazer e conhecer novos amigos, se divertir, brincar ao ar livre e aprender várias habilidades de campismo. As crianças também reconheceram o valor dos acampamentos para as disciplinas escolares e para a resolução de problemas e para o trabalho em grupo.

O artigo original está em:  http://goo.gl/z1Jfsm

 

 

Colóquio Internacional Crianças, Cidade e Cidadania – com a participação de Maria João Malho do IAC

Março 10, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Dr.ª Maria João Malho (Técnica do CEDI do IAC – Centro de estudos, Documentação e Informação Sobre a Criança do Instituto de Apoio à Criança), irá participar no painel temático “Cidade, Mobilidade e Educação”.

mais informações no link:

http://www.adcl.org.pt/ciccc/index.php

coloquio

Estamos a criar filhos ‘totós’

Fevereiro 13, 2016 às 6:33 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Jornal de Leiria de 21 de janeiro de 2016.

Ricardo Graça

Ir para a escola sozinho, brincar na rua depois do anoitecer, subir às árvores ou até mesmo aventurar-se a ir de bicicleta à padaria da esquina são coisas do passado. A maioria dos pais da geração dos 35-45 anos estão a criar filhos sem autonomia

“Não corras porque cais”. “Não subas à árvore porque partes um braço”. Tirar as rodinhas da bicicleta? “Cuidado, porque pode magoar-se.” Estas e muitas outras expressões são uma constante nas bocas dos pais da geração dos 35-45 anos, que parece terem-se esquecido do que é ser criança.

Quando eram pequenos muitos foram rebeldes e desafiaram o perigo constantemente. No fundo, dizem os especialistas, fizeram aquilo que se espera que uma criança faça: arriscar e aventurar-se. Mas, enquanto pais, são incapazes de se libertar do instinto protector e pecam por excesso.

Esta superprotecção está a criar futuros adultos inseguros, com fraca auto-estima e com pouca resiliência e autonomia. O desistir facilmente e a dificuldade em superar problemas são, muitas vezes, resultado de um controlo excessivo que viveram por parte dos pais, que os impediram de correr riscos que os ajudaria a ficar preparados para enfrentar ‘verdadeiros perigos’.

Recuperando os dados recolhidos pelos investigadores da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, que constam num estudo sobre a independência e a mobilidade das crianças em Portugal, divulgado em 2013, constata-se que apenas 35% das crianças do 3.º ao 6.º ano fazem o trajecto entre casa e escola a pé e mais de metade vai de carro.

Com a mesma idade, 86% dos pais iam a pé e apenas 9% de carro. O resultado do estudo coloca Portugal em 10.º lugar na independência e mobilidade das crianças, comparando com os restantes 15 países avaliados.

Os mais autónomos são os jovens da Finlândia, Japão e Noruega. A justificação dos pais para travarem uma maior autonomia dos filhos tem a ver com o medo. De quê? “De acontecer alguma coisa.” Karina Guergous admite que é “muito superprotectora”.

“Apesar da escola ser perto só há dois anos é que deixo os meus filhos irem sozinhos”, confessa, referindo que as duas gémeas têm 17 anos e o rapaz tem 15 anos. Esta franco-argelina radicada em Pombal enfrentou alguns riscos enquanto adolescente e, por isso, quer “proteger” os filhos.

“Vivia em Paris e quando andava no 5.º ano ia sozinha para a escola e, por várias vezes, fui abordada por adultos perversos. Na adolescência é fácil perder o controlo: andamos à procura da nossa identidade e é fácil experimentar droga e álcool ou entrar em grupos criminosos”, salienta Karina Guergous confessa que a sua experiência de vida a tornou “mais severa” com os filhos.

“As gémeas são muito bem comportadas, nem têm nada a ver comigo, que fui muito aventureira. O meu filho já é muito mais parecido comigo na abertura para o mundo. Talvez agora já o deixe explorar um pouco mais, pois Pombal é uma cidade mais segura. Mas eu poderia ter sido raptada e não quero que os meus filhos passem por situações dolorosas.”

Esta mãe, que ainda tem outra menina com um ano, considera que “ter a noção do perigo” e do que poderia ter acontecido “torna os pais mais protectores”. Karina Guergous desconhece que consequências poderá causar esta protecção extrema, mas afirma que a “relação aberta” que mantém com as crianças – “sem ser amiga” – os ajuda a preparar para o futuro.

“Acredito que se forem confrontados com uma situação complicada vão saber reagir.” Garantindo que não dá aos filhos a liberdade que a mãe lhe deu, esta mãe sabe que se “deve dar asas para os filhos voarem”.

“Sei que me estou a contradizer com o que faço na prática.” Medo domina os pais Também Patrícia Ervilha, mãe de uma criança com 8 anos, confessa que o medo é que faz, dela e “sobretudo” do marido, uns pais superprotectores.

“Quando era pequena ia de autocarro para a escola. Hoje seria impensável deixar o meu filho fazer isso. Tenho consciência que não lhe dei a mesma autonomia que os meus pais me deram a mim. Fazemos tudo por eles e a culpa é nossa”, admite.

Redacção

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O que podemos aprender com a independência das crianças japonesas?

Fevereiro 13, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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texto do site http://mapadainfanciabrasileira.com.br 22 de janeiro de 2016.

mapainfancia

AUTOR (ES): Toda Criança Pode Aprender

Uma reflexão sobre a autonomia que diferentes culturas concedem às crianças, e sobre até que ponto a estrutura das cidades considera a criança como cidadã, com direitos sobre o espaço público.

O filme
As crianças independentes do Japão
, um curto documentário produzido pelo canal australiano SBS2, começa com uma criança recitando um provérbio japonês: “Envie a criança amada em uma jornada.” O significado dessa frase é explorado durante o documentário como revelador do modo como a cultura japonesa lida com suas crianças.

O documentário acompanha a rotina de duas famílias, uma japonesa e uma australiana, comparando as duas de modo a evidenciar os diferentes traços culturais na maneira como a criança é vista.

https://www.youtube.com/watch?v=ZaH7GIHaISs

Noe é uma menina japonesa de 7 anos, e sua escola não fica próximo ao pequeno apartamento onde vive com seus pais, na cidade de Tóquio. Para chegar à escola, ela caminha até a estação de metrô, segue por algumas estações, desce e pega outro trem, de outra linha, até chegar à estação mais próxima à sua escola, tendo que caminhar mais um pouco até lá. Já faz isso há um ano.

Noe é, assim como outras crianças japonesas, muito incentivada por seus pais a trilhar este percurso diariamente e a realizar outras tarefas com autonomia, contando consigo mesma.

Em Sydney, somos apresentados à família Frazer. Emily, de 10 anos, vai para a escola no banco de trás do carro do pai. Ela nunca foi para a escola sozinha, mas expressa claramente vontade de fazer isso. “O que mais anseio pelo Ensino Médio é saber que vou poder voltar da escola sozinha”, a menina declara, para então ser amparada por uma estatística que o narrador do filme fornece: “a maioria das crianças deseja ir e voltar da escola sozinha, mas os pais não permitem, justificando esse comportamento com a preocupação pela segurança delas”.

Porém, o filme adverte que pensar essa autonomia em relação às crianças como resultado apenas de segurança na cidade mostra-se equivocado. A paranoia com segurança não necessariamente vem acompanhada de dados reais: Sydney, por exemplo, tem baixos índices de criminalidade, mas o comportamento cultural do Ocidente em relação às crianças é o de acompanhá-las de perto até a adolescência. Isso não significa, é claro, que este é um aspecto que possa ou deva ser ignorado.

Sabemos – e o filme deixa isso bem claro – que cada cultura recebe e forma crianças de diferentes maneiras. É evidente que a estrutura brasileira, tanto cultural quanto de segurança na cidade, não nos permite simplesmente copiar o comportamento japonês. Mas podemos usar esse exemplo, que pode ser muito impactante – ver crianças tão pequeninas andando sozinhas em uma cidade tão grande e populosa quanto Tóquio – como ponto de partida para reflexão: quanto confiamos nas crianças? Quanta autonomia concedemos a elas? Como a cidade em que vivemos leva mais ou menos as crianças em consideração enquanto cidadãs, que circulam livremente no espaço urbano?

O desenho de uma cidade pode ser favorável ou não à circulação das crianças. Espaços que favorecem pedestres e não carros, escolas localizadas perto de praças públicas e locais movimentados e não distantes e isolados, e ainda próximas do local onde moram as crianças, são apenas alguns elementos de planejamento urbano que criam um ambiente mais favorável para a circulação autônoma das crianças.

Para que ações como estas sejam realizadas, é preciso haver uma mudança de atitude, por parte daqueles que planejam as cidades, mas também por parte dos adultos que criam as crianças. Que tal, da próxima vez que estiver andando com uma criança na rua, em vez de segurar a sua mão o tempo todo, soltar um pouquinho e observá-la em um pequeno momento de independência na cidade?

 

 

Crescer. As crianças portuguesas são das que têm menos liberdade no dia-a-dia

Janeiro 29, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do i de 12 de setembro de 2015.

Filipe Casaca

Não vão sozinhas para a escola e são quase sempre os pais que as levam de carro. Não saem de casa à noite. Não vão brincar para o parque. Que adultos serão no futuro?

Há 30 anos as crianças portuguesas começavam a ir para a escola sozinhas com oito ou nove anos. Agora, só aos 12 é que os pais lhes dão carta branca, mas a maioria vai mesmo de carro, embora vivam quase sempre a menos de meia hora da escola. Poucos são os que saem de casa à noite e, ao fim-de-semana, dominam as idas às compras e as visitas a familiares mais do que as idas ao parque com adultos ou amigos da mesma idade.

Podia ser apenas um sinal dos tempos, mas um estudo coordenado pelo think tank Policy Studies Institute (PSI) concluiu recentemente que as crianças portuguesas são das que têm menos liberdade no dia-a-dia. Em 16 países analisados, Portugal surge em 14.o lugar a par da Itália e só atrás da África do Sul. Quem trabalha com crianças não estranha, mas não hesita em apontar consequências que os pais devem ter em conta na hora de tentar controlar tudo: crianças pouco autónomas são menos despachadas, mais inseguras, menos tolerantes e até podem chegar a adultos com défices ao nível motor e emocional. 

A análise do PSI, que em Portugal contou com a colaboração de uma equipa de investigadores da Faculdade de Motricidade Humana, foi divulgada este Verão. Em altura de regresso às aulas, um dos autores do trabalho, Carlos Neto, defende ao i que os resultados devem dar que pensar e apela a uma mudança por parte dos pais portugueses. Segundo o especialista, há receios exagerados que depois passam inseguranças aos filhos e os acompanham pela idade adulta, ainda que o efeito se note logo em pequenos.

“As crianças que não são confrontadas com o risco são as que estão mais propensas a ele”, diz o investigador numa entrevista que pode ler nas páginas que se seguem.
O investigador tem uma expressão para a sociedade de medo em que pais e crianças passaram a mover-se: o terrorismo do não. E avisa que as consequências a longo prazo podem ser significativas, já que crianças que não arriscaram e nunca lidaram com desafios na idade certa terão mais dificuldades em ser adultos empreendedores no futuro.

O tesouro dos pais Rita Jonet, psicóloga educacional no externato “O Nosso Jardim”, em Lisboa, admite que não estava à espera de uma posição tão na cauda na comparação internacional sobre autonomia das crianças, mas diz que os sinais são visíveis há muito.“Os pais estão cada vez mais protectores em relação às crianças”, diz a especialista.

Quanto às raízes deste problema, a psicóloga admite que estarão mesmo na crise de natalidade que o país vai atravessando. “Os pais focam-se no único filho que têm, é o tesouro deles e não arriscam.” E isso leva a outro problema que poderá explicar por que motivo as crianças em Portugal têm pouca liberdade nas idades mais novas: “O filho deles é a coisa mais preciosa mas não se importam muito com as outras crianças. Existe uma baixa cultura de considerar as crianças como pessoas como acontece nos países mais desenvolvidos, nomeadamente nos países nórdicos”, diz Jonet.

É precisamente a Finlândia que lidera o ranking dos países em que as crianças têm maior autonomia em termos de mobilidade, seguida da Alemanha. E curiosamente é nestes dois países que os pais concordam menos com a ideia de que outros jovens e adultos nas redondezas são motivos para recear que as crianças brinquem na rua sozinhas. Em Portugal, quase 50% dos pais inquiridos tem esta preocupação e nesses países só dois em cada dez a expressaram no estudo do Policy Studies Institute. 

Mas além da ausência de um sentido de comunidade, o próprio meio urbano pode fazer parte da equação. Carlos Neto diz que as cidades são pouco amigas das crianças, com poucos espaços de lazer. O pediatra Mário Cordeiro tem a mesma opinião. E acredita que mais do que a probabilidade rara de as crianças serem atraídas por predadores, que leva a algum excesso de zelo por parte dos pais, há efectivamente problemas no espaço urbano: “Os prédios não têm espaços livres comuns (pátios, jardins, logradouros) e a rua pode ser perigosa por causa do trânsito”, diz. Para o especialista, isto e o conforto do “não” são razões evidentes para aquilo que chama sedentarismo claustrofóbico. “Estar em casa, sobretudo com uma consola ou um computador nas mãos, é meio caminho andado para não darem maçadas e estarem tranquilos e sossegados, sem fazerem birras nem precisarem de investimento dos pais”, diz.

Vencer o medo Segundo o estudo do Policy Studies Institute, o maior receio por parte dos pais é que os filhos sejam atropelados. Já as crianças têm receio do que lhes poderão fazer os “estranhos” mas também de se perderem ou serem vítimas de bullying. 

Mário Cordeiro defende que os medos devem ser contrariados, mas não há receitas fáceis. A autonomia e liberdade dependerá da criança, temperamento, maturidade e grau de responsabilização. Aos poucos, e conhecendo os filhos, os pais poderão ir introduzindo as várias experiências de autonomia, recomenda. “Seja o caminho de e para a escola, ir comprar coisas ao lado de casa, brincar com amigos que morem ao pé”, exemplifica.

Para Carlos Neto, tornar as escolas, nomeadamente os recreios, um espaço de maior experimentação é outra frente de ataque. Para o especialista, uma escola que reconhecesse mais a necessidade do risco para se aprender e crescer teria melhores resultados de que uma cultura de hipervigilância que se tende a instituir para dar resposta às inquietudes dos pais e evitar chatices nos recreios.

Rita Jonet sente esse braço de ferro entre o que lhe sugere a pedagogia e os receios dos pais, mas acredita que há forma de dar a volta mostrando bons resultados às famílias. No externato onde trabalha, começaram há uns anos a fazer uma experiência com os alunos da terceira classe, portanto aos oito anos. Têm uma actividade que consiste em dar recados a este alunos para fazerem na rua, por exemplo comprar maçãs. “Vão em pequenos grupos, acompanhados por alunos do 4.o ano”, explica. “A ideia é que conheçam o bairro e se desenvencilhem.” 

Segundo a psicóloga, se ao início os pais eram cépticos, hoje a maioria autoriza a aventura. Para Rita Jonet, só este tipo de intervenções permitirá que as crianças não cresçam só “grandes cabeças” com dificuldades sociais. “São crianças que vivem num mundo tão pequeno que por vezes, quando vamos a uma visita de estudo, sinto que se vêem alguém mais diferente têm uma reacção pouco natural, olham mais de lado”, diz a psicóloga, alertando para  um contraconsenso de que por vezes os pais não se apercebem. “Dizem não a experiências que os podem fazer crescer mas para jogos, gadjets e horas de ir dormir muitas vezes não existem tantas limitações.”

Se o sedentarismo e a consequente epidemia da obesidade são perigos conhecidos, Mário Cordeiro chama também atenção para o lado humano.“A ecrã-dependência, o sedentarismo, o isolamento, a transformação das relações sociais em páginas de Facebook são uma pena não apenas pela parte física mas pela desumanização das crianças e pelo aumentar do hiato entre o ser humano e a Natureza e o exterior”, diz. 

Mas se as razões espirituais não chegarem, que os pais pensem em coisas práticas. “Brincar no exterior ajuda muito a ter menos infecções, a ganhar defesas imunológicas e autonomia psicológica. Ajuda a crescer em todos os sentidos, enquanto estar sempre em casa, bloqueado num bunker, estiola e faz regredir, inclusivamente do ponto de vista intelectual.”

 

 

 

 

Documentário analisa porquê pais japoneses deixam os filhos pequenos irem por conta própria para a escola

Outubro 30, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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texto do site http://www.ipcdigital.com de 14 de setembro de 2015.

divulgação

 por Rachel Matos

TÓQUIO – (IPC Digital) – Muitos estrangeiros no Japão ficam chocados ao ver pequenos estudantes japoneses (de 6 anos em diante) andando nas ruas ou até mesmo pegando trens e ônibus para irem e voltarem de suas escolas, sem os pais ou adultos por perto.

Enquanto estas cenas seriam considerada preocupantes em muitos países do exterior, ela é perfeitamente típica no Japão.

Para tratar sobre isso, a TV australiana SBS2 compartilhou um mini-documentário chamado de “Japan’s independent kids” no You Tube, mostrando as diferenças entre a independência de uma criança japonesa e australiana (semelhante a de muitos outros países, como no Brasil). 

O vídeo tem aproximadamente 8 minutos e está disponível logo abaixo.

O pequeno documentário começa compartilhando o provérbio japonês “kawaii ko ni wa tabi wo saseyo” que significa algo do tipo “envie seu amado filho para uma jornada”. Este provérbio diz que as crianças devem aprender a assumir os desafios e dificuldades de uma fase inicial de vida. Elas devem ser conduzidas a se socializar de modo a ficar independente e saber cuidar de si, mesmo com pouca idade. Pois não será sempre que terão seus pais por perto.

Além de ensinar a independência, analistas explicam que a sociedade e a cultura do trabalho no Japão deveriam ser completamente reorganizados se os pais fossem responsáveis pelo transporte dos filhos para a escola todos os dias. A logística de hoje não suportaria a população nas ruas e trajetos nos horários de funcionamento escolar, seja em termos de compatibilidade entre horário de escola e trabalho dos pais, seja em termos de tráfego. 

Outro fator que favorece este modelo, segundo o documentário, é o fato do Japão ter um índice muito baixo de homicídio e a sociedade estar acostumada com isto, sendo tolerante e solidária às crianças nas ruas.

As crianças no Japão são ensinadas a acreditar que qualquer pessoa pode ajudá-las no caminho, se precisarem. Enquanto em outros países as crianças são ensinadas a temerem os desconhecidos, amedrontando-as.

Para os pais japoneses não se deve proteger as crianças naquilo que ela já é capaz de fazer. Com esta concepção e estas experiências proporcionadas pela cultura, as crianças japonesas tornam-se mais independentes, mais cedo, do que crianças de outros países. 

Sem dúvida é um choque cultural, mesmo para brasileiros, deixar as crianças pequenas saírem sozinhas (ou mesmo com alguns colegas) nas ruas. 

Como foi sua própria experiência de deixar seus filhos irem para a escola por conta própria tão cedo? E as crianças, como se saíram, o que acharam? Conte-nos sobre este conflito cultural vivido por vocês!

 

 

Crianças, educação e autonomia

Outubro 3, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de José Morgado publicado no Público de 19 de setembro de 2015.

Estamos a iniciar mais um ano lectivo, desejo que corra o melhor possível para alunos, professores e pais. Também por esta razão gostava de partilhar convosco algumas notas relativas a uma matéria que julgo importante: a autonomia das crianças.

De acordo com um estudo realizado pelo Policy Studies Institute que comparou os estilos de vida de crianças e adolescentes entre os 7 e os 15 anos verificou-se que em Portugal se encontra um dos mais baixos níveis de autonomia assumida por crianças e adolescentes no que respeita à mobilidade. O estudo foi desenvolvido em Portugal sob a coordenação do professor Carlos Neto.

De facto, a autonomia de crianças e adolescentes, em termos mais gerais não apenas no aspecto da mobilidade, é uma questão de enorme relevo que muitas vezes abordo com profissionais, pais e encarregados de educação e que envolve múltiplos aspectos da vida dos mais novos.

Ainda não há muito tempo me solicitaram colaboração para um trabalho na imprensa que questionava “Quando devem (ou podem) as crianças deslocar-se sós para a escola?”

Trata-se, evidentemente, de uma pergunta sem respostas definitivas pois envolve inúmeras variáveis, o contexto social e geográfico ou a maturidade da própria criança por exemplo, mas tem subjacente a mais vasta e importante ideia da autonomia das crianças e a forma como a promovemos … ou não.

De há muito que a propósito de educação me lembro de um texto de Almada Negreiros “… queria que me ajudassem para que fosse eu o dono de mim, para que os que me vissem dissessem: Que bem que aquele soube cuidar de si”. Este enunciado ilustra, do meu ponto de vista, a essência da educação, seja familiar ou escolar, em qualquer idade, “saber cuidar de si”.

Na verdade, o que se pretende num processo educativo, envolvendo quer os aspectos escolares quer outro tipo de actividades, será a construção de pessoas que sabem tomar conta de si próprias da forma adequada à idade e à função ou actividade que em cada momento se desempenha. Este entendimento traduz-se num esforço contínuo de promover a autonomia das crianças e jovens para que “saibam tomar conta de si próprios”, no fundo a conhecida ideia de “ensinar a pescar, em vez de dar o peixe”.

A investigação e a experiência sugerem que crianças pouco autónomas são mais inseguras, menos tolerantes, menos empreendedoras com potenciais repercussões negativas no seu comportamento adulto.

Parece-me, pois, fundamental que adoptemos comportamentos que favoreçam a autonomia de crianças e jovens. No entanto, é minha convicção que por razões que se prendem com os estilos de vida, com os valores culturais e sociais actuais, com as alterações na vida das comunidades, questões de segurança por exemplo, estamos a educar as nossas crianças de uma forma que não me parece, em termos genéricos, promotora da sua autonomia. A rua, o espaço exterior, o risco (controlado obviamente), os desafios, os limites, as experiências, são ferramentas fortíssimas de desenvolvimento e promoção dessa autonomia e devem estar presentes, tanto quanto possível com regularidade, na vida de crianças e adolescentes.

É neste contexto que pode ser colocada e decidida a questão que referi como exemplo, a deslocação autónoma das crianças para a escola.

Por outro lado, muitas crianças são permanentemente bombardeadas com saberes e actividades a que se atribui importância, nem sempre comprovada, para o seu desenvolvimento e para o seu futuro. Ao mesmo tempo, apesar dessas actividades e das competências adquiridas, continuam pouco autónomas, pouco envolvidas nas decisões que lhes dizem respeito cumprindo agendas que não lhes dão margem de decisão sobre o quê e o porquê do que fazem ou não fazem. Acabam por se tornar menos capazes de decidir sobre o que lhes diz respeito, dependem da “decisão” de quem está à sua volta, companheiros ou adultos.

Mais um exemplo para clarificar. Um adolescente não habituado a tomar decisões com regularidade, a fazer escolhas, mais dificilmente dirá “não” a uma oferta de um qualquer produto ou a um convite de um colega para um comportamento menos desejável. É mais difícil dizer “não” do que dizer “sim” aos companheiros da mesma idade. Também numa sala de aula é bem mais provável que um adolescente tenha um comportamento adequado porque “decida” que é assim que deve ser, do que por “medo” das consequências.

Só crianças autónomas, autodeterminadas, auto-reguladas, serão mais capazes de dizer não ao que se espera que digam não e escolher de forma ajustada o que fazer ou pensar. Este entendimento sublinha a importância de que em todos os processos de educação, logo de muito pequeno, em casa, na escola ou noutra qualquer actividade, se estimule a autonomia das crianças.

Todos beneficiariam, os mais novos e os mais velhos.

No entanto, creio que esta visão está menos presente do seria desejável e possível em muito do que fazemos em matéria de educação familiar ou escolar.

 

 

 

Crianças portuguesas estão mais sedentárias e com menos liberdade para brincar

Setembro 29, 2015 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da TVI24 de 26 de setembro de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Children’s Independent Mobility: An International Comparison

sobre Portugal:

Children’s Independent Mobility in Portugal 2011/2012

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Estudo sobre mobilidade infantil em 16 países concluiu que Portugal está na cauda da tabela

Redação / DC

Um estudo sobre mobilidade infantil em 16 países concluiu que Portugal está na cauda da tabela, e isso tem consequências graves para o aproveitamento escolar e, sobretudo, para a saúde pública, alerta o coordenador do estudo português.

“Estamos numa situação caótica. As nossas crianças estão fechadas, amarradas, em casa, não têm liberdade de ação, não vão a pé para a escola, não brincam na rua. Estamos a viver uma situação insustentável, o que designo por sedentarismo infantil”, disse à Lusa o coordenador do estudo português, Carlos Neto, professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa.

O estudo português – Independência de Mobilidade das Crianças – data de 2012, mas só em agosto foi publicado, integrado num estudo internacional pelo instituto britânico Policy Studies Institute, denominado Independent Mobility: An International Comparison (Mobilidade Independente: Uma Comparação Internacional).

O estudo português concluiu que há alterações necessárias de políticas públicas “mais ousadas”, pensadas para as crianças para inverter a atual situação: políticas que permitam aos mais novos brincar e desfrutar do espaço exterior, que permitam uma maior harmonização entre a vida familiar, escolar e em comunidade, e políticas urbanas que incluam uma planificação “mais amiga” das crianças e as encare como parte integrante e participante da sociedade.

“[…] não temos cidades preparadas para as crianças. Não há qualquer convite à atividade física. […] Temos as crianças muito sentadas e pouco ativas. Precisamos de uma verdadeira revolução na forma como podemos tornar as crianças mais ativas e com mais saúde, física e mental”, disse à Lusa Carlos Neto.

O coordenador do estudo defende que em Portugal as crianças têm cada vez menos liberdade para serem crianças e fazerem coisas necessárias ao seu crescimento como correr, nadar, dançar, subir às árvores. Afirma que se estão a criar crianças “imaturas e sedentárias” e que as consequências se vão pagar a médio e longo prazo.

“Não é só a obesidade, são também as doenças cardio-vasculares, as relacionadas com o foro emocional e afetivo, e, acima de tudo, com uma socialização difícil para as crianças do nosso país poderem fazer. Temos que mudar a escola, o estilo de vida das famílias. […] Estamos convencidos que isto tem consequências no sucesso escolar e no grau de felicidade das crianças, porque vão ter dificuldades de adaptação na vida adulta”, disse.

O professor da Faculdade de Motricidade Humana recordou que “estudos demonstram que crianças mais ativas e com maior socialização no recreio aprendem mais dentro da sala de aula, têm mais sucesso escolar”.

Um dos aspetos estudados neste trabalho, o trajeto casa-escola, mostra que apenas 35% das crianças com 8 ou 9 anos vão a pé para a escola e que nesta faixa etária nenhuma vai de bicicleta. As que são levadas de carro são a grande maioria (56%).

“Aqui vai tudo de carro para a escola. As crianças visualizam o espaço físico pelo vidro do automóvel. Estamos a criar uma situação desesperada. Valia a pena por isto em discussão em campanha eleitoral”, defendeu Carlos Neto.

Só por volta dos 12 anos a grande maioria das crianças portugueses inquiridas neste estudo (80%) teve permissão para ir sozinha para a escola, ou atravessar sozinha estradas municipais. Só aos 15 anos a maior tem autorização para andar sozinha de transportes públicas ou para circular de bicicleta sem supervisão em estradas principais.

O estudo demonstra também que as diferenças entre litoral e interior são cada vez mais esbatidas e que ao nível do sedentarismo os comportamentos são os mesmos.

Os 16 países que integraram este estudo foram, e por ordem de classificação em termos de mobilidade independente das suas crianças, a Finlândia, a Alemanha, a Noruega, a Suécia, o Japão, a Dinamarca, a Inglaterra, França, Israel, Sri Lanka, Brasil, Irlanda, Austrália, Portugal e Itália (empatados em 14.º lugar) e África do Sul.

“O estudo português realizou-se em seis áreas diferentes de Portugal que se consideram ser representativas de cinco tipologias territoriais distintas: centro da cidade (centro de Lisboa); urbano (Matosinhos e Linda-a-Velha); suburbano (Brandoa), pequena cidade (Silves) e rural (Redondo). Nesta investigação participaram 16 escolas e 1099 crianças e respetivos encarregados de educação. […] questionários foram aplicados a crianças e jovens do 3.º ao 10.º ano de escolaridade, com idades entre os 8 e os 15 anos”, explica a ficha técnica do estudo.

 

 

 

Estamos a criar crianças totós, de uma imaturidade inacreditável

Julho 27, 2015 às 1:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Entrevista do Observador a Carlos Neto no dia 25 de julho de 2015.

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Rita Ferreira

Quanto mais recreio, mais atenção nas aulas. Quanto menos liberdade para brincar, maior o risco de acidentes. Carlos Neto, professor da FMH, explica por que tem de ser travado o “terrorismo do não”.

Carlos Neto é professor e investigador na Faculdade de Motricidade Humana (FMH), em Lisboa. Trabalha com crianças há mais de quarenta anos e há uma coisa que o preocupa: o sedentarismo, a falta de autonomia dada pelos pais às crianças e a ausência de tempo para elas brincarem livremente, correndo riscos e tendo aventuras. É um problema que tem de ser combatido, diz. Porque a ausência de risco na infância e o facto de se dar “tudo pronto” aos filhos, cada vez mais superprotegidos pelos pais, acaba por colocá-los em perigo. Soluções? Uma delas passa por “deixar de usar a linguagem terrorista de dizer não a tudo: não subas, olha que cais, não vás por aí…”.

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Há dez anos já se falava no sedentarismo das crianças portuguesas. Lembro-me que dizia que uma criança saudável é aquela que traz os joelhos esfolados. Como estamos hoje?

Há dez anos nós falávamos que as crianças tinham agendas, hoje digo que têm super-agendas! Há dez anos eu dizia que as crianças saudáveis eram as que tinham os joelhos esfolados. Hoje, acho que os joelhos já não estão esfolados, mas a cabeça destas crianças já começa a estar esfolada, por não terem tempo nem condições para brincar livremente. Brincar não é só jogar com brinquedos, brincar é o corpo estar em confronto com a natureza, em confronto com o risco e com o imprevisível, com a aventura.

As crianças brincam porque procuram aquilo que é difícil, a superação, a imprevisibilidade, aquilo que é o gozo, o prazer. E, portanto, as crianças que eu apelido de crianças “totós”, são hoje definidas como crianças superprotegidas, crianças que não têm tempo suficiente para brincar e crianças que não têm tempo nem espaço para exprimir o que são os seus desejos. E o primeiro desejo de uma criança é o dispêndio de energia, é brincar livre e com os outros, mesmo que muitas vezes em confronto. Porque o confronto é uma forma preciosa de aprendizagem na vida humana. E nós estamos a retirá-los de tudo isso. Estamos a dar tudo pronto e não estamos a confrontá-los com nada. E isso terá muitas consequências.

Estamos a falar de que idades?

Estamos a falar de crianças entre os 3 e os 12 anos. Significa que aumentou de facto esta taxa de sedentarismo, eu diria mesmo de analfabetismo motor, estamos a falar de iliteracia motora. Trabalho há 48 anos com crianças e sei avaliar o que se passou. As crianças têm menos capacidade de coordenação, menos capacidade de perceção espacial, têm de facto menor prazer de utilizar o corpo em esforço, têm uma dificuldade de jogo em grupo, de ter possibilidades de ter aqueles jogos que fazem parte da idade. Ao mesmo tempo, institucionalizou-se muito a escola. Nós hoje temos as crianças sentadas durante muito tempo, não há uma política efetiva adequada de recreios escolares. Os recreios são organizados muitas vezes em função de um modelo de trabalho, ou de um modelo de funcionamento pedagógico, que tem a ver mais com as aprendizagens pedagógicas obrigatórias ou consideradas úteis, e muito menos com as atividades do corpo em movimento. E, por isso, há alguns trabalhos de investigação que temos vindo a fazer, onde tentamos mostrar a correlação entre o tempo que as crianças têm de recreio, a qualidade de atividade que fazem no recreio e a capacidade de aprendizagem na sala de aula.

A que conclusões já chegaram?

Uma delas é que as crianças que são mais ativas no recreio, e que têm mais socialização, têm na sala de aula mais capacidade de atenção e de concentração. Isto tem a ver com uma tendência que está a acontecer em quase todo o mundo, de restringir o tempo de recreio para ter mais tempo na sala de aula. O que nós concluímos é que o tempo de recreio é absolutamente fundamental para a saúde mental e para a saúde física da criança. O recreio escolar é o último reduto que a criança tem durante a semana para brincar livremente. E, de facto, verificamos esta relação muito clara entre ser ativo no recreio e estar concentrado dentro da sala de aula.

Isto vem ao encontro de algumas investigações que têm sido feitas nos Estados Unidos, que relacionam o ser ativo com o desenvolvimento do cérebro e com o desenvolvimento neurológico. E, de facto, demonstra-se claramente que as crianças mais ativas têm mais capacidade de aprendizagem e mais capacidade de concentração. E têm, a médio e a longo prazo, mais capacidade de terem sucesso, mais autoestima e maior capacidade de autoregulação.

Esta questão dos recreios e do tempo que as crianças têm de passar sentadas na sala de aula está de alguma forma relacionada com o aumento dos diagnósticos de casos de hiperatividade? Muitos destes casos podem ocorrer porque as crianças não despendem a energia física que é suposto despenderem?

Os currículos hoje estão a ser demasiado exigentes quanto ao número de horas em que as crianças têm de estar sentadas. Devemos ter um plano para tornar a sala de aula mais ativa. Acabamos de fazer um programa com o Ministério da Educação, o Fit Escola, que é uma plataforma que tem como objetivo ajudar os pais, os alunos e os professores a tornarem as crianças um pouco mais ativas. E uma das ideias base é esta: se mudássemos a configuração das mesas e das cadeiras da sala de aula — estando as crianças a adquirir conhecimentos fundamentais, mas estando a fazê-lo de forma ativa –, não aprenderiam melhor?

Há aqui um fator muito importante que tem a ver com a maneira como os adultos, professores ou pais, estão neste momento a controlar as energias das crianças. Numa grande parte dos casos essa energia é natural, mas é considerada hoje como doença ou inapropriada. É inaceitável que 220 mil crianças estejam medicadas em Portugal. Isto não pode acontecer. Tem de haver um maior esclarecimento para verificar efetivamente se aquelas crianças merecem ser medicadas porque são de facto hiperativas ou têm défice de atenção. Mas acredito que uma grande parte dessas crianças não necessita de ser medicada.

Há crianças de 11 anos que entram às 8h15 e saem as 13h15 com apenas dois recreios de 15 minutos neste espaço de tempo, em que as aulas são sempre de 90 minutos. Nem um adulto trabalha tanto tempo seguido…

Pois não. Isso é contra natura, não tem a ver com as culturas de infância. Temos de ter um maior equilíbrio entre o que é uma estimulação organizada e uma estimulação ocasional, ou seja, entre o que é tempo livre, tempo de jogo livre, e o que é tempo de organização académica.

Brincar não é perder tempo, no seu entender…

Não. E por uma razão. Todos os estudos têm vindo a demonstrar que na infância, até aos 10/12 anos de idade, é absolutamente essencial brincar para desenvolver a capacidade adaptativa, quer do ponto de vista biológico quer do ponto de vista social. E hoje não é isso que estamos a fazer. Estamos a dar tudo pronto, tudo feito, e não estamos a confrontar as crianças com problemas que elas têm de resolver. Sejam eles confrontos com a natureza – que deixaram de existir – sejam eles confrontos com os outros.

Por exemplo, a luta, a corrida e perseguição, são comportamentos ancestrais que as crianças têm de viver na infância e que são essenciais para o crescimento. A apropriação do território, a noção de lugar, o medir forças de uma forma saudável, o brincar a lutar. Hoje observamos comportamentos na escola, quer por parte dos pais quer por parte dos educadores, que não são corretos. Porque quando veem duas crianças agarradas vão logo separá-las — e elas muitas vezes estão a brincar à luta, e brincar à luta é saudável. É um indicador de vida saudável das crianças. Como correr atrás de alguém, ou ser perseguido. Brincar é civilizar o corpo.

Eu não tenho nada contra os exames, nem contra as metas escolares. Agora, os exames e as metas curriculares não podem impedir que não se faça uma reflexão daquilo que a criança necessita para crescer de forma saudável. E, de facto, esta relação entre tempo sentado e tempo ativo precisa de uma maior reflexão no sistema educativo, sob pena de termos gravíssimos problemas de saúde pública a curto e a médio prazo. Nós vamos pagar muito caro o facto de não termos esse equilíbrio entre estimulação organizada e informal. E quanto mais descemos na infância pior.

Os adultos, tanto pais como educadores, têm também “culpa” nesta matéria?

Não pode haver uma linguagem terrorista, que é própria dos adultos, que impede as crianças de viverem certo tipo de situações de risco. Quer isto dizer que a linguagem e as proibições que vêm das bocas dos adultos, o não sistemático e persecutório, não permitir que as crianças tenham certo tipo de experiências que incluem níveis de risco maiores, só estão a conduzir a um analfabetismo motor e social.

Que tipo de “nãos”?

O “não subas”, o “olha que cais”, “não vás para ali”, “tem cuidado”, “não trepes à árvore”. Impedem as crianças de terem estas experiências, que são próprias da idade. Instalaram-se medos nas cabeças dos adultos. Medos das crianças serem autónomas. Nós nascemos para sermos autónomos e para termos, ao longo do processo de desenvolvimento, maior autonomia e maior independência. Basta ver como é que as crianças hoje vivem a cidade, como as cidades estão preparadas para as crianças. Nós estamos a cometer o erro de querer obter sucessos rapidamente, de querer que as crianças cresçam rapidamente, de que estejam todos incluídos nos rankings, mas estamos pouco preocupados com as suas culturas próprias. Não se está a ver o ator, não se está a ver o aluno. Na escola o que deveria emergir era o aluno e a criança, o que emerge é o professor e a burocracia.

As crianças andam pouco na rua? Têm pouca autonomia?

Dou um exemplo, os percursos escola-casa. Hoje, a maioria das crianças faz estes trajetos de carro, quando há 30 anos o faziam a pé. Hoje, as crianças têm uma vivência do território de forma visual e não de forma corporal. Quer dizer que as aventuras e as brincadeiras, em contacto com a natureza, desapareceram.

As novas tecnologias passaram a ter um lugar privilegiado no quotidiano da criança. Eu não tenho nada contra as novas tecnologias, mas tem de haver bom senso e um critério de saber gerir bem o tempo e o espaço destas novas tecnologias, em relação àquilo que são as necessidades biológicas do corpo.

Mas eventualmente elas vão andar sozinhas na rua… Quando chegar esse dia vão estar menos preparadas?

São crianças menos preparadas, mais imaturas, com maior dificuldade de resolução de problemas, porque têm menos autonomia, têm menos capacidade de resolução de problemas. Num país como este, que passou uma austeridade tão violenta, onde se fala tanto em empreendedorismo, como é que queremos que as nossas crianças sejam empreendedoras se estamos a retirar-lhes todas as possibilidades de elas aprenderem a fazer isso?

A construção de uma cultura empreendedora faz-se quando se dão possibilidades para que a criança possa brincar. Se nós retiramos aquilo que é a identidade da criança, que é brincar de forma livre, com um nível de margem de risco muito superior àquela que os adultos têm, elas com certeza que não vão ter condições de serem verdadeiramente autónomas nem de terem uma socialização suficientemente matura. Há uma relação muito grande entre a qualidade e a quantidade do brincar na infância e na adolescência e a passagem para a vida adulta.

Como assim?

Digamos que um corpo que não é feliz na infância é um um corpo que vai pagar muito caro no futuro. Se olharmos para outras culturas de infância — nos países que estão em desenvolvimento e nos países pobres — podemos ver que pode haver fome e problemas de sobrevivência extrema, pode haver até violência extrema, mas as crianças têm alguma liberdade de ação e têm muitas vezes uma capacidade de resolução de problemas, de resiliência, muito interessantes. Coisa que não acontece nos países muito desenvolvidos, onde há uma superproteção às crianças.

Fizemos um estudo recente aqui na Faculdade de Motricidade Humana sobre a independência e a mobilidade da criança. Em 16 países Portugal aparece em décimo lugar. Temos um índice de mobilidade muito abaixo dos países do norte da Europa. Quer isto dizer que o nível de autonomia e de independência de mobilidade está a ser um problema muito sério nas culturas de infância do nosso país. Um país que tem um território muito apropriado para que as crianças possam viver o espaço exterior. Temos um bom clima, um nível de segurança que é dos melhores da Europa, temos uma natureza e uma cultura interessantíssimas e estamos a desperdiçar essa possibilidade. As crianças já não contactam com a natureza, já não saem à rua, desapareceram e muitas vezes, o tempo que restava à criança para poder fazer isto tudo está restringido.

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Falando agora dos mais pequeninos, das crianças a partir dos 3 anos. O que tem observado em relação à motricidade destas crianças?

Temos hoje crianças de 3 anos que ao fim de dez minutos de brincadeira livre dizem que estão cansadas, temos crianças de 5 e 6 anos que não sabem saltar ao pé-coxinho. Temos crianças com 7 anos que não sabem saltar à corda, temos crianças de 8 anos que não sabem atar os sapatos. As coisas mais elementares, quer do ponto de vista motor, quer do ponto de vista de motricidade grosseira, quer da motricidade fina, tiveram um atraso significativo. Claro que há exceções, claro que há crianças notáveis na sua apreensão e na sua coordenação motora global, mas se observarmos estatisticamente crianças do nosso tempo e crianças de há 30 anos, há uma diferença muito substancial.

Mas o que se pode fazer concretamente?

Se as crianças não brincam é porque os pais também não têm tempo para elas. Temos de fazer um grande plano de salvação nacional no que respeita à formação parental. Os pais têm que ter mais informações e mais formação sobre a importância de a criança ser fisicamente ativa. E livre.

Mas os pais podem pensar: o meu filho anda no ténis, e no futebol e na natação, pratica muito desporto…

Isso não resolve nada. Nem uma boa alimentação, nem exercício físico apenas resolvem o problema da iliteracia motora ou do excesso de gordura. A questão é multifactorial.

Tem de se olhar para a alimentação, com certeza, temos de olhar para a atividade motora e física e lúdica, mas temos de encontrar soluções no espaço construído que facilitem a possibilidade de as crianças virem para o exterior e terem contacto com a natureza e terem tempo para brincar. E por isso tem de haver flexibilidade de horários de trabalho, tem que haver políticas de maior acordo entre o tempo de trabalho da família e da escola, de modo a que haja mais qualidade de vida.

Por isso é importante saber que é tão importante a criança estar no recreio a brincar, como estar dentro da sala de aula. E isto não foi cuidado. Ainda para mais numa altura em que a criança em casa não brinca. E a criança ao pé de casa também não brinca. E não tem condições nem de acessibilidade, nem tempo, para frequentar os espaços de jardins públicos e os espaços de jogo.

Chegámos aos parques infantis. O que existe em Portugal é adequado às crianças?

Noventa por cento dos nossos parques infantis são equipados com sintéticos. Essas empresas, que vendem esses materiais para Portugal, são oriundas de países onde esse material não é vendido. Só vendem em Portugal. Porque os parques infantis em Portugal são escolhidos por catálogo, não são feitos com os atores, que são as crianças, não há projetos educativos para fazer o espaço de jogo, não há participação. Há um dispêndio financeiro enormíssimo do erário público, que não serve para nada. Eu, se tivesse de ter uma estratégia para os espaços de jogo para crianças em Portugal, começava por desequipar tudo. E montava tudo de novo.

Como é que deviam ser esses parques infantis?

Deviam ter uma lógica participativa da comunidade e dar mais soluções “selvagens” do que dinâmicas pré-formatadas, quer nos equipamentos quer nos espaços. O tartan é mais perigoso do que as aparas de madeira, ou a brita ou a relva. A qualidade do envolvimento tem sempre a ver com as possibilidades de ação das crianças. E quanto melhor essa qualidade, em termos de risco e de valor lúdico, melhor será a capacidade de resposta das crianças a uma estimulação que as faz crescer, que as torna mais autónomas.

Mas se calhar os pais quando ouvem falar de risco ficam assustados…

As crianças têm uma grande capacidade de autocontrolo.

Os pais têm de perder o medo?

É claro que esse é um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento motor, ao desenvolvimento percetivo, ao desenvolvimento da atividade lúdica: o comportamento dos pais. A Academia Norte-Americana de Pediatria fez um apelo a todos os pediatras para que, nas consultas com os pais, os convidassem a brincar mais com os filhos e a saírem mais à rua. Isto é, brincar mais em casa e “go out and play”.

Se a Organização Mundial de Saúde considerar que o sedentarismo é uma doença, temos um problema mais sério que a obesidade. Temos de ter um plano de emergência para que as crianças tenham o que merecem em determinada idade. E a maneira como se está a fazer este controlo das energias, a falta de tempo que os pais têm, os medos que se instalaram na cabeça dos pais e a forma como o planeamento urbano é feito, significa que temos aqui todos os condimentos para termos uma infância que está a crescer com problemas muito complicados, do ponto de vista do conhecimento e do uso do seu corpo.

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As crianças que vivem nos meios menos urbanos ainda são privilegiadas no que diz respeito à independência e à autonomia?

Ainda estávamos convencidos de que haveria alguma diferença, quando analisávamos a questão entre estrato socioeconómico ou relações entre cidade, vila e aldeia. Já tudo mudou. Formatou-se o estilo de vida, independentemente se é cidade ou é aldeia. O ecrã alterou muito significativamente a vida das crianças e dos pais. Passou-se da trotinete ao tablet de uma forma rapidíssima e não há equilíbrio. E o que está em causa neste momento é que nem a atividade desportiva que as crianças fazem em clubes, nem a educação física escolar, nem o desporto escolar — que são muito importantes — são suficientes para acabar com o sedentarismo que existe.

As crianças têm de voltar a ter a possibilidade de terem amigos e de serem mais ativas. E para isso tem de haver políticas muito corajosas para a infância. Os adultos andam de bicicleta, os idosos passeiam na rua, os jovens adolescentes vão tendo soluções, agora as crianças têm de brincar porque é a única alternativa que elas têm. Têm de brincar em casa e os pais têm de brincar com elas, brincar ao pé de casa e os pais têm de dar autonomia, brincar na cidade e tem que haver políticas de planeamento urbano capazes de também oferecerem condições apropriadas aos bebés, às crianças que estão a aprender a andar, às crianças que têm 5, 6, 7, 8 anos. Tem de haver equipamentos e espaços adequados que permitam mais margem de risco, mais margem de perigo. Há uma relação muito direta entre risco e segurança. Quanto mais risco, mais segurança e quanto mais risco, menos acidentes. Enquanto isto não for visto nesta perspetiva, vamos ter mais acidentes, porque há menos risco e por isso há menos segurança.

Pode exemplificar?

O exemplo é simples, eu costumo dá-lo de uma forma muito regular. As crianças têm de subir mais às árvores e os pais não têm de ter medo por isso. Porque hoje as crianças sobem, mas já não descem. O medo que se instalou na cabeça dos pais transmite-se muito facilmente para as crianças. Um pai inseguro faz do seu próprio filho uma criança insegura, vulnerável, que tem medo de arriscar.

Há 30, 40 anos, era perfeitamente natural vermos duas crianças a brincar à luta. Hoje, parece que é um crime brincar à luta, parece que é um crime brincar aos polícias e ladrões, parece que é um crime fazer uma descoberta, ou saltar um muro, ou fazer equilíbrio em cima de um muro. Instalou-se um medo quase que sobrenatural, de haver perigos de morte de rapto de violação. Há um exagero na maneira como se instalaram essas dinâmicas psicológicas nos adultos. Temos de combater isso.

Se um dia houver esse confronto com o risco as crianças vão estar menos preparadas para reagir?

Exatamente. E para se prepararem e para se adaptarem e para serem empreendedoras. Ouvimos todos os políticos a falarem que Portugal precisa de empreendedores. A nossa cultura foi desde sempre uma cultura lúdica, de procurar o desconhecido, de procurar o incerto, o imprevisível. A cultura portuguesa, na sua história, é sinónimo de aventura. E esse bem precioso que tínhamos na nossa cultura está em desaparecimento, o que eu lamento muito. E se esse erro trágico se faz na infância, ele é um duplo erro. Não só para o empreendedorismo, mas para a saúde pública, para a capacidade de aprendizagem escolar, para a capacidade de harmonia familiar, no fundo para ter uma vida feliz e com qualidade.

Que conselho dá aos pais das crianças em Portugal?

Os pais têm de abrir as suas cabeças, libertar os seus medos, darem mais oportunidades às crianças para elas terem uma vida mais saudável, mais ativa, com uma exploração do espaço natural e do espaço construído que faça mais sentido.

Com que idade uma criança deveria ou poderia estar habilitada a ir de casa para a escola a pé?

A partir da segunda fase do primeiro ciclo, do terceiro ano, as crianças já têm condições psicológicas, físicas e sociais para poderem ir a pé para a escola. Há crianças que vivem a cem metros da escola e vão de carro. Há pais que vão levar a criança com 8 anos, muitas vezes, ao colo, ao professor na sala de aula. Não há praticamente autonomia.

Como se pode admitir que haja crianças que durante um dia não fazem um esforço correspondente a uma hora de trabalho? Esse sedentarismo tem consequências nefastas a todos os níveis. A verdadeira troika que precisa de ser reabilitada é a relação entre a qualidade de vida da família, a qualidade de vida da criança e o território. Estas três componentes têm de ser articuladas. Porque não flexibilizamos os horários de trabalho?

Eu, na Austrália, vejo pais que começam a trabalhar às oito da manhã e saem às quatro da tarde, em jornada contínua. E depois vai tudo para os parques, tudo vai brincar e jogar, com uma cultura recreativa fantástica. Mas não é só a Austrália. Nos países nórdicos, que têm um clima muito mais austero, as crianças andam na rua faça chuva faça sol, faça neve. Em Portugal, cai um pingo e a criança é posta numa estrutura interior. Vou repetir: temos de aprender e ensinar as nossas crianças a serem capazes de lutar contra a adversidade e nós temos uma cultura ultra protetora, superprotetora.

E essa cultura vai colocá-los em risco.

Em risco. A cultura superprotetora põe as crianças em risco. O nível de maturidade cognitiva vai evoluindo, e à medida que vai evoluindo – e por isso a criança aos 7 anos tem capacidade de aprender a ler, a escrever e a contar, que são linguagens abstratas – ela tem de brincar muito.

A ciência demonstra que, no ciclo da vida humana, o pico maior, onde há mais dispêndio de energia, é entre os cinco e os oito anos. Temos de ter muito respeito por isso. Não podemos confundir tudo e achar que essas energias são anormais. São naturais e por isso temos de olhar para as energias das crianças como energias naturais e não patológicas. Há cinco, seis anos, falava num crescimento atroz de crianças “totós” e eu acho que hoje em dia esse grau de imaturidade está a atingir níveis com proporções inacreditáveis. Porque as crianças estão mesmo vulneráveis e imaturas, porque nunca foram colocadas perante nenhum risco que as fizesse crescer.

Podemos ter muito amor aos nossos filhos, muita amizade pelos nossos filhos, mas o melhor amor que podemos ter por eles é dar-lhes autonomia. Eu aprendi isto com um grande mestre, João dos Santos, o maior pedopsiquiatra português. E ele ensinou-me, há muitos anos, que educar é um vai e vem entre dar proximidade para dar segurança e dar distanciamento para dar autonomia. Quando eu tenho uma criança que tem condições para ter autonomia, eu devo dar-lhe autonomia. Quando ela tiver necessidade de ter proximidade, eu dou-lhe afeto. E o que está a acontecer é que nós, adultos, estamos a criar uma patologia obsessiva de querer proteger tanto os nossos filhos e ao mesmo tempo criar-lhes uma exigência de que sejam génios. Isto é um paradoxo e é uma contradição absoluta. Eu não consigo entender como é possível termos chegado a isto.

 

Artigo de Maria João Malho na revista Noesis

Março 29, 2011 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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A Drª Maria João Malho (Técnica do CEDI do IAC – Centro de estudos, Documentação e Informação Sobre a Criança do Instituto de Apoio à Criança), publicou um artigo na revista Noesis N.º83 Out/Dez. O título do artigo é:

“Reflexão e acção – A criança e a cidade : independência de mobilidade e representações sobre o espaço urbano”

“A apresentação de um estudo de caso sobre as rotinas de vida, a independência de mobilidade, as percepções e representações sobre o espaço urbano a partir do entendimento que as crianças têm do mesmo é o tema deste texto.”

MALHO, Maria João – Reflexão e acção – A criança e a cidade : independência de mobilidade e representações sobre o espaço urbano

In: Noesis. – Lisboa, 2010. –  nº 83 (Out-Dez. 2010), p. 52-57. ISSN 0871-6714

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