Ilustrarte 2016 VII Bienal Internacional de Ilustração para a Infância

Janeiro 21, 2016 às 12:30 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.fundacaoedp.pt/exposicoes/ilustrarte-2016-vii-bienal-de-ilustracao-para-a-infancia/214

A felicidade escondida: “Não se negam pedidos a um anjo”

Dezembro 3, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Expresso de 21 de novembro de 2015.

Teresa Pinto Basto

Filipa Sáragga pinta, escreve e pratica solidariedade social. Tem 31 anos, três livros publicados e uma vontade imensa de partilhar o que aprende com as “crianças azuis” com quem convive.

Katya Delimbeuf

que leva uma rapariga de 26 anos, formada em Belas-Artes, a começar a escrever e a ilustrar livros? O pedido de uma menina de 7 anos com cancro terminal pode dar um valente empurrão. Foi este o clique na vida de Filipa Sáragga, hoje com 31 anos, madrinha desta menina que se chamava Maria – e que morreu. Quando Filipa disse a Maria “um dia vou pintar a tua história”, ela respondeu-lhe “não, a madrinha pinta e escreve”. “Não se negam pedidos a um anjo”, pensou Filipa. Nesse momento, naquele quarto do Instituto Português de Oncologia de Lisboa, ela soube que tinha de escrever a história de Maria, para dar a conhecer a sua sabedoria e o modo como sorria “no meio de tanto sofrimento”.

Nascia assim o livro “Talvez um Anjo”, o segundo de Filipa Sáragga, escrito e ilustrado por ela. Dedicado à memória de Maria Luísa Lousada Laureano, os lucros das vendas reverteram na íntegra para a Associação Nariz Vermelho e para a família da menina. O prefácio foi escrito pela mão do então cardeal patriarca de Lisboa, José Policarpo, e lançado na Fundação Calouste Gulbenkian.

Filipa Sáragga

Antes já tinha havido um primeiro livro (infantil), “O Toiro e a Bailarina”, ilustrado com base em pinturas a óleo da autoria de Filipa Sáragga. A pintora passou por um momento mais difícil na sua vida pessoal e decidiu transformá-lo em algo positivo. “Nesta altura, fora de casa, já me tinha deparado com o verdadeiro sofrimento, com as verdadeiras fragilidades, e decidi que queria pôr o meu trabalho ao serviço dos outros.”. Fala do voluntariado que desenvolveu sempre junto de crianças, muitas institucionalizadas ou “diferentes”, com síndromas de autismo ou trisomia 21. Chama-lhes “crianças azuis”, mas esclarece que também há muitos adultos que se sentem marginalizados e excluídos e que por isso são mal rotulados.

Imprimiu 1700 livros numa gráfica, convenceu Marcelo Rebelo de Sousa e Laurinda Alves a escrever, a apresentou a sua primeira obra no Centro Cultural de Belém (imagine-se…!). Encheu a sala e vendeu os exemplares todos. Os 23.800 euros foram direitinhos para duas associações: a Terra dos Sonhos e a Associação Salvador. Com este novo projeto, Filipa encontrou uma vocação. “Antes sonhava em vir a ser uma boa pintora. Era bastante carreirista”, assume. Depois percebeu que “é uma perda de tempo estarmos demasiado concentrados em nós mesmos”.

Filipa Saragga

Uma das ilustrações de Filipa Sáragga para o livro “A Princesa Azul e a Felicidade Escondida”, onde são visíveis os “meninos azuis” Filipa Saragga

O voluntariado já vinha de trás. “Os meus pais sempre nos incentivaram – a mim e às minhas irmãs – a respeitar e cuidar de quem mais precisa. Lembro-me, desde muito pequena, da felicidade que sentia no Natal quando íamos em família distribuir cabazes a um bairro social muito carenciado. Lembro-me como se fosse hoje da felicidade daquelas famílias ao receberem os cabazes. Consigo ver-lhes o sorriso e sentir-lhes os abraços. A felicidade daquelas crianças era irresistível.”

A felicidade escondida

Este ano, Filipa escreveu nova obra. “A Princesa Azul e a Felicidade Escondida” é um “livro de adultos para crianças que conta a história de uma princesa diferente, nascida com uma cor que não existe”, por ser vítima de bullying, discriminação, exclusão e todos os sofrimentos daí decorrentes. Determinada, Filipa queria contar com o comentário de António Guterres, alto comissário da ONU para os refugiados, na sua obra. Feitos os contactos, ele ligou-lhe, explicando que até poderia ler o livro “sem compromisso” na próxima viagem de avião, mas que não lhe podia prometer nada. Foi por isso com enorme surpresa e satisfação que Filipa recebeu a notícia de que Guterres aceitara escrever-lhe um texto para o início da obra. “Quando olho para os 50 milhões de pessoas que no mundo de hoje tiveram de fugir das suas casas e das suas comunidades por causa da guerra e da violência, gostaria muito que os responsáveis pudessem ter lido ‘A Princesa Azul e a Felicidade Escondida’ e aprendido a lição. O mundo seria bem melhor”, escreveu António Guterres. O livro de Filipa acabou por ser integrado no Plano Nacional de Leitura, no 6º ano.

Filipa Sáragga 3

Entretanto, Filipa está já a escrever o quarto livro. É uma obra que fala sobre a sua “redescoberta”, que lhe ensinou “o verdadeiro sentido da vida”. Espera “ter oportunidade de fazer isto o resto da vida”. Tem a sorte de ter uma família que a “ajuda a ajudar” e que tem orgulho no caminho que ela escolheu para si. Aprendeu muito com as suas experiências. A não julgar, a relativizar os males da vida, a olhar para o outro e não para si. No fim de tudo, gostava de sentir que fez “outras pessoas felizes” e que valorizou “aquilo que realmente é importante”. Filipa está a fazer a parte dela.

 

 

 

 

O que pode um livro fazer pelas crianças?

Dezembro 1, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Público de 20 de novembro de 2015.

Marta Monteiro

Durante três dias, o mercado nacional do livro infantil vai estar em discussão e em exposição no Espaço Rua das Gaivotas, 6, em Lisboa. Título geral: Os Livros não Têm Idade. Título da mostra que marca o arranque dos encontros, às 18h desta sexta-feira: Rodapé. “As ilustrações estarão expostas a um metro do chão, à altura da linha de visão das crianças. A montagem foi pensada mesmo para elas”, diz Pedro Vieira Moura, curador da exposição e para quem um livro “pode tudo, pode o que se quiser, pode até levar uma pessoa a ser presa”.

David Guéniot, editor da Ghost e que faz parte da organização dos encontros, diz que este “passeio ilustrado pela infância” quer mostrar “que hoje há um tratamento mais arriscado e arrojado em termos de construção do livro infantil e também mais cuidado na própria produção”.

De origem francesa, Guéniot dirige desde 2011 uma editora especializada em livros de artista e acredita que “o livro infantil representa a utopia do livro”, por isso, neste encontro, aposta na “reflexão das suas premissas por todos os intervenientes na criação, do autor ao editor, passando pelo ilustrador e por outros”. Observa que “houve um grande boom nos últimos dez anos” neste segmento e, como viaja bastante, diz que cada vez mais encontra “livros de editoras portuguesas nas livrarias de Paris, de Londres e de outras cidades”. Gosta disso: “É uma prova do reconhecimento da qualidade do que se faz aqui.”

Nova cultura visual

Segundo Pedro Vieira Moura, especialista em banda desenhada e ilustração, a edição para a infância tem vindo a revelar-se “um território com uma capacidade extraordinária de reinvenção e diversidade”. Para o colaborador da Oficina do Cego, “a ilustração portuguesa está como nunca esteve, um trabalho e uma visibilidade conquistados pelos próprios artistas, que procuraram soluções para conseguirem continuar a mostrar os seus projectos”.

O dinamismo na edição para a infância resulta ainda, segundo os organizadores, de “uma nova cultura visual e de uma maior capacidade de risco editorial”. Daí que tenham sido convidados para os encontros editores de hoje e de ontem, como André Letria (da Pato Lógico) e José Oliveira (responsável da literatura infanto-juvenil das Edições Caminho até 2011) para partilharem “com o público as especificidades das suas práticas editoriais na concepção, realização e divulgação de livros infantis”; dos autores e ilustradores espera-se que falem “sobre um livro, uma ideia, um projecto editorial”.

Na noite desta sexta-feira (21h), será lançado O Dicionário do Menino Andersen (Planeta Tangerina), com texto de Gonçalo M. Tavares e ilustrações de Madalena Matoso, com a presença de ambos.

Para as crianças, estão agendados ateliers (manhãs de sábado e domingo) orientados por Alexandra Baudouin e Cláudia Dias, com o objectivo de “sensibilizar para a materialidade do livro, experimentando várias técnicas expressivas e desafiando modos narrativos, revelando o livro como lugar de um processo criativo onde forma e fundo se comunicam”.

No decurso dos encontros, haverá também uma feira de livros infantis que reúne várias editoras, como a Bruaá, a Editorial Caminho, HiHiHi, Kalandraka, Orfeu Negro, Planeta Tangerina e Pato Lógico. Num conjunto de mesas, estarão materiais disponíveis para que se possa pintar, desenhar, mexer e brincar. Pedro Moura chama-lhe “arquipélago Faztu” e convida os visitantes a “criarem os seus próprios postais de Natal”.

A exposição Rodapé conta com trabalhos de Afonso Cruz, Ana Biscaia, André Letria, António Jorge Gonçalves, Bernardo Carvalho, Catarina Sobral, Daniel Silvestre da Silva, João Fazenda, Madalena Matoso, Madalena Moniz, Marta Monteiro, Richard Câmara, Susa Monteiro e Yara Kono.

Em Março de 2016, O Que Um Livro Pode continuará o debate à volta da edição de livros para a infância, mas nessa altura irá centrar-se em projectos editoriais internacionais.

A primeira edição dos encontros começou em 2011 e a organização tem sido partilhada pela editora Ghost, a associação de artes gráficas Oficina do Cego, a plataforma Tipo.pt e a livraria Stet. Assim definem os três dias que anualmente dedicam a debater o livro: “Uma plataforma privilegiada de pensar não apenas as questões do dito ‘mercado alternativo da edição’ em Portugal, mas também as próprias práticas, éticas, processos e dimensões ontológicas da edição, não apenas literária, mas gráfica, fotográfica e visual.”

 

 

Inauguração da Exposição Coletiva de Ilustração – dia 27 de junho, às 17 horas, na Galeria Municipal do Castelo de Pirescouxe

Junho 26, 2015 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Vai inaugurar, dia 27 de junho, às 17 horas, na Galeria Municipal do Castelo de Pirescouxe, em Santa Iria de Azóia, uma exposição de pintura coletiva de ilustração.

De Eunice Rosado, Inês Carmo, Marta Ribeiro e Yara Kono, esta exposição ficará patente naquele espaço municipal até ao próximo dia 22 de agosto.

Contactos no link:

http://www.cm-loures.pt/Media/Microsite/Cultura/galeria-municipal-do-castelo-de-pirescouxe.html

Exposição Familiarte – Workshops pequenos com graúdos, Mini Ateliês no Centro Cultural e Congressos Caldas da Rainha

Junho 3, 2015 às 6:02 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Exposição patente de 01 a 30 Junho

No mês de Junho o projeto Familiarte (pequenos com graúdos) celebra o seu primeiro aniversário, por esse motivo convidamos todos artistas que colaboraram connosco para uma exposição coletiva onde reunimos alguns exemplares dos trabalhos por si desenvolvidos.

No dia 14 estão todos convidados a celebrar connosco o nosso 1º aniversário. Nesse dia iremos presentear os nossos visitantes com ateliês abertos com alguns dos nossos convidados e algumas surpresas.

mais informações sobre os artistas no link:

http://www.ccc.com.pt/exposicoes/futuras/904-aniversario-do-familiarte-2

 

Todos nós nascemos livres – Direitos humanos em ilustrações

Fevereiro 17, 2015 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do http://www.theguardian.com  de 30 de janeiro de 2015.

A selection of rights from the Universal Declaration of Human Rights interpreted by illustrators including Axel Scheffler, Debi Gliori, Chris Ridell and John Burningham.

You can see all 30 articles from the Universal Declaration of Human Rights in We Are All Born Free, published in association with Amnesty International.

On 10 December 1948, just after the second world war, countries got together to declare and sign a set of 30 articles or rules to protect the rights of all people from all countries. It’s called the Universal Declaration of Human Rights and most countries in the world promise to stick to it. How well they do that is another question. This gallery sets out some of those rights with beautiful illustrations. You can see the complete set of 30 rights in We Are All Born Free, published in association with human rights organisation Amnesty International.

Photograph: Amnesty International

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Photograph Amnesty International John BurninghamPhotograph Amnesty International Niki Daly

mais ilustrações no link:

http://www.theguardian.com/childrens-books-site/gallery/2015/jan/30/human-rights-in-pictures-we-are-all-born-free-amnesty

 

 

 

 

Teolinda Gersão, José Luís Peixoto e Afonso Cruz escrevem sobre crianças especiais

Janeiro 20, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Livros | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 12 de janeiro de 2014.

Ilustração de Carolina Arbués Moreira

Ilustração de Carolina Arbués Moreira

 

mais ilustrações aqui

 

Rita Pimenta

Surdo-cegueira, síndrome de Cornélia de Lange e hiperactividade são as incapacidades. Não as crianças.

A colecção Meninos Especiais, da Associação Pais em Rede, tem três novos títulos: O Mundo de Carolina (texto de Teolinda Gersão e ilustração de Carolina Arbués Moreira), Martim, o Menino assim (José Luís Peixoto e Vasco Gargalo) e À Velocidade do Pensamento (Afonso Cruz e Marta Leite).

“Olá, sou a Carolina! Tenho treze anos. Esta é a minha irmã Joana. E esta é a minha mãe. Toco no ombro delas e no teu, para te dizer isso.” Assim começa O Mundo de Carolina. Mais adiante, há-de ficar registado: “Eu não vejo nem ouço. Mas percebo tudo” (pág. 3).

Para a escritora, esta experiência “foi uma lição de vida”, diz ao PÚBLICO. “Encontrei-me com a Carolina e a família, para perceber como interagiam, e fiquei comovida, impressionada.”

Teolinda escreve, pela voz da menina: “A minha mãe percebe tudo o que eu digo, porque eu tenho língua e falo, só que não são palavras. Mas ela entende tudo, mesmo sem palavras. E aprendeu todos os gestos para tocar em mim e falar comigo, os mesmos gestos que eu aprendi na escola. Sabes que ela me adoptou, quando eu era pequena? Sou filha do seu coração.”

Teolinda diz, pela própria voz: “Eu quis criar uma história positiva no livro. A ligação à família, a importância da relação com o cão, o Tico. É tudo verdade: a avó, o pai, que vive noutra casa, a irmã, os abraços, a alegria e a sensibilidade. Só o episódio do incêndio é que é ficção.”

A escritora imaginou a criança a salvar a família de um incêndio. “(…) acordei porque senti um cheiro horrível a gás. Comecei a tossir e levantei-me e o Tico saltou logo e foi comigo acordar a minha mãe. Corremos todos, a tossir, para a casa dos vizinhos e telefonámos aos bombeiros. Havia uma fuga de gás em nossa casa, na cozinha, e teríamos morrido se eu não tivesse acordado” (pág. 18).

Heroína no lado de lá e de cá das páginas – foi isso que Teolinda Gersão quis transmitir neste novo livro editado pela Associação Pais em Rede.

Dos três títulos iniciais da colecção foram vendidos 7500 exemplares: Um Detetive em Cadeira de Rodas (texto de Luísa Ducla Soares e ilustração de Ana Ferreira), Um Mundo só Meu (Alice Vieira e Paulo Guerreiro), É Bom Ter Amigos (Luísa Beltrão e Tânia Bailão Lopes).

Mundo sensorial e feliz

Teolinda Gersão diz ter tomado consciência de que “as diferenças são menores do que as igualdades” entre estas crianças especiais e nós. “Continuamos a ser muito egoístas e consumistas. Mas os grandes valores são as pessoas e os afectos. Andamos esquecidos do que é essencial”, diz a escritora, e realça “a alegria, generosidade e capacidade de entrega da mãe de Carolina e de Joana”. Ambas adoptadas. “Helena Tomás é uma pessoa admirável.”

Ficou também com grande admiração por aquelas crianças, “que têm uma enorme vontade de viver e habitam num mundo muito sensorial e feliz”. Carolina não consegue articular palavras, mas já aprendeu a ler em braille e a usar a língua gestual portuguesa. É assim que comunica com o mundo.

A autora lembra que “integrar, ajudar, valorizar estas famílias faz parte do exercício pleno de cidadania da parte de quem, aparentemente, não tem incapacidades”.

Ilustrar para quem não vê

Para Carolina Arbués Moreira, foi grande o desafio de ilustrar as palavras de Teolinda e o universo de surdo-cegueira da jovem (e sua homónima) Carolina. O tempo era pouco e a responsabilidade muita. “Encontrei-me com ela, junto da sua família na Casa do Artista, e conversei bastante com a mãe, Helena (enquanto a irmã, Joana, tinha uma aula de dança). Contou-me as imensas coisas que a Carolina consegue fazer sozinha: torradas, pôr a mesa, vestir-se, tomar banho”, descreve ao PÚBLICO com entusiasmo. Elogia ainda o bom humor da menina e “a vontade de comunicar, de conhecer, de rir!”.

A ilustradora escolheu desenhar a carvão e posteriormente digitalizar e editar as imagens. Tentou ir ao encontro das necessidades da jovem. “Optei por não representar as figuras realisticamente, sugerindo uma sensação mais palpável (e talvez ambígua) sobre estas. Isto desloca-nos, distorce a noção de espaço e obriga-nos a desvendar, por entre sobreposições e texturas, o que é cada objecto e para que serve. Tal como a Carolina tem de fazer”, explica.

Com o apoio do Instituto Helen Keller, conseguiu que se fizesse uma edição especial, com o texto em braille e os desenhos impressos em relevo. “A estrela do livro não iria conseguir lê-lo sem esta solução.” Uma ideia que surpreendeu todos no dia do lançamento, 5 de Dezembro, no Museu da Electricidade, em Lisboa.

Mas a menina não ficou lá muito satisfeita por aparecer de olhos fechados “Eu não sou cega”, disse à mãe, Helena Tomás, que nos revela: “Ela continua a achar que não é cega. E também diz que não é surda. Quando sente vibrações, diz que está a ouvir.”

Com todas as suas limitações, “a Carolina sempre tenta dar a volta aos problemas”, prossegue a mãe da menina. Adoptou-a quando esta tinha cerca de dois anos e meio. Agora, tem 14.

Só um Natal a ver e ouvir

“Já se sabia que iria ter de fazer um transplante renal e sujeitar-se a diálise peritoneal. Tudo isso estava programado, não era impeditivo [da adopção]”, começa a contar. E continua, numa voz calma: “Quando ela ficou bastante doente, precisamente durante a colocação do catéter para fazer a diálise peritoneal, estava há cerca de quatro, cinco meses connosco. As coisas não correram muito bem e ela ficou no SO. Foi aí, suponho, que apanhou o tal vírus [que desencadeou a surdo-cegueira].” Tinha perto de três anos e estava ainda a decorrer o processo de adopção.

“Nesse ano, passados três/quatro meses, ela deixou de ver e de ouvir, foi gradual, mas rápido. Acabou por passar só o primeiro Natal connosco a ver e a ouvir”, recorda Helena, 52 anos e assistente comercial. A partir daí foi uma aprendizagem contínua, “inicialmente muito complicada, porque ela continuava a falar, mas não nos ouvia nem via, nós ainda não sabíamos como chegar até ela”.

Quando Carolina entrou para a escola que ainda hoje frequenta, a António Aurélio da Costa Ferreira, em Lisboa, a comunicação voltou a ser possível. Tinha quatro anos. “É uma escola pública e pertence à Casa Pia, é uma ferramenta fundamental para a minha filha.”

Crianças, jovens e adultos frequentam a António Aurélio. “Para além de outras problemáticas e deficiências, está vocacionada para a surdo-cegueira. Não tem o ensino regular, são aprendizagens adaptadas. Nesta fase, já iniciou o braille e tem outras actividades: natação, snuzlan, ateliers de pintura, de culinária. Tem um leque de actividades adaptadas para este tipo de crianças”, descreve, para concluir: “A Carolina gosta muito de lá estar.”

Sentido de justiça

Helena tem outra filha, a Joana. É mais nova, tem 11 anos e foi adoptada quando a Carolina tinha cinco. “É muito comunicativa, muito curiosa. Está numa escola regular, mas tem dificuldades de aprendizagem, défice de atenção e um pouco de hiperactividade. Às vezes, não é fácil lidar com ela”, diz.

A relação entre as irmãs é igual a tantas outras: “Tão depressa estão aos beijinhos como às turras. São sobretudo as invasões de espaço que motivam os conflitos. Mas são inseparáveis.” A Joana já “fala por gestos” com a irmã, mas, como é muito “acelerada”, a mãe tem por vezes de fazer “tradução simultânea”.

Helena Tomás enaltece o sentido de justiça de Carolina e a sua percepção do espaço e, sobretudo, do tempo. “Tem uma noção exacta dos dias, das semanas, dos fins-de-semana, até quase ao pormenor das horas.” E conta um episódio recente: “Estava numa aula de braille e disse à professora que o tempo tinha acabado. Ela tinha um bloco de 45 minutos. A professora olhou para o relógio e disse: ‘Ok. Realmente acabou o tempo’.”

Carolina já recebeu uma medalha de remo e, “há dois anos, ganhou um prémio de mérito pela independência e competências”. Com o dinheiro, quis comprar um relógio em braille. “Ela é super-inteligente e explora todas as suas capacidades”, diz a mãe, com orgulho contido.

É sempre possível comunicar

Desde há dois anos que, de 15 em 15 dias, “as meninas passam o fim-de-semana com o pai e alguns dias de férias, a avó também dá um apoio”. Helena Tomás diz que voltaria a fazer tudo. Não se arrepende das decisões que tomou. “Nunca tive qualquer depressão à conta de todas as questões que foram acontecendo. Uma coisa é ficar triste e angustiada por não conseguir resolver no imediato determinadas coisas, mas isso acontece com qualquer criança. É complicado, um pouco trabalhoso e uma responsabilidade muito grande. Mas acho que nunca me vou arrepender.”

Carolina “está toda feliz porque tem um livro com o nome dela”. Helena diz também gostar do livro: “É importante e bastante interessante para o público a que se dirige. Para as crianças conhecerem outras deficiências, que não assim tão comuns, como a surdo-cegueira. E para perceberem como é sempre possível comunicar, porque se trata mais de uma questão de comunicação, mesmo sem sentidos dos quais quase todos usufruímos.”

Talvez preferisse que O Mundo de Carolina tivesse mais histórias da filha: “Mas teria de ser um livro bem maior. No todo, ficou bem.”

A importância da música

Martim, o Menino assim tem a assinatura de José Luís Peixoto, que quis, com este texto, “homenagear” o rapaz. O autor disse ao PÚBLICO que pretendeu “celebrar o Martim e tudo o que ele traz à vida das pessoas que lhe são próximas”. Assim, deu-lhe “o palco” e transformou-o “numa estrela”.

Depois de alguma timidez inicial no contacto entre os dois – “senti-me numa espécie de blind dating, não sabia o que me esperava, ia conhecer uma família inteira” –, a cordialidade passou à cumplicidade. “Eu também dancei e pintei com ele”, conta. “No quarto do Martim há uma parede para se desenhar com giz, e ele mistura dança e desenho. A música é muito importante” para o menino.

No livro (e fora dele), Martim é assim: “Agora, enquanto estamos aqui a falar, o Martim está a dançar. Aponta para um lado, aponta para o outro, dá passos para a frente e para trás. Roda a cintura, abana a cabeça, sabe bem o que faz” (pág. 2).

José Luís Peixoto ficou impressionado com a resposta dos pais do rapaz perante as especificidades que a síndrome de Cornélia de Lange exige. “É impressionante o trabalho deles, os enormes desafios a que dão resposta no dia-a-dia. Eu também tenho filhos, mas sem necessidades especiais, e esta experiência fez-me reequacionar as queixas” à volta do exercício da paternidade.

O autor gostou muito que as ilustrações (de Vasco Gargalo) espelhassem o rosto e alegria de Martim.

Torrente de pensamentos

Para Afonso Cruz, que escreveu À Velocidade do Pensamento, o contacto com Cláudia também foi uma “excelente e gratificante experiência”. O autor diz ter sido bem aceite pela menina e ter tentado centrar-se nos gostos dela. “Daí o básquete”, conta. “Depois, quis mostrar esta coisa torrencial de passar de um pensamento para outro”, próprio da hiperactividade e que muito bem descreve na história, que decorre num jogo daquela modalidade desportiva. “(…) Para que lado é que tenho de correr? Um apito, o árbitro apitou, o que é aquilo na bancada?, parece um animal, não, é um barrete que parece um cão, só lhe falta ladrar. Os cães têm um grande olfacto e isso fascina-me, apesar de eu, passam-me a bola, sentir que, perco a bola, é aborrecido levá-los à rua, mesmo sabendo que são animais espectaculares” (págs. 11-12).

O autor diz ao PÚBLICO: “Pode até parecer invejável a cabeça conseguir vaguear por tantas coisas em pouco tempo, mas é um problema.” E exemplifica: “Querer voltar a casa e ir parar não se sabe onde.” Mas, tal como Teolinda Gersão, o escritor quis mostrar no livro o lado positivo de tudo isto: “Ouço chamarem-me outra vez, recebo a bola e encesto. Três pontos”, (pág. 20).

 

 

 

 

Literatura infantil no meio digital – masterclass por Ardozia | Humberto Neves na Biblioteca de S. Lázaro

Outubro 9, 2014 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No âmbito do Programa de Promoção da Leitura e das Literacias 2014-2015 apresentamos: PARA autores, ilustradores de literatura infantil, editores, bibliotecas, pais e formadores Literatura infantil no meio digital masterclass por Ardozia |  Humberto Neves

Nesta masterclass vamos efetuar uma introdução à publicação digital na literatura infantil. Quais são os formatos mais adequados e quais os objetivos a que se propõem. Discutir aspetos relacionados com a narrativa, a ilustração, a animação, a interação e a sonorização. Apresentação de um caso prático. Apresentação de novas abordagens através de exemplos.

na Biblioteca de S. Lázaro  sábado, 18 outubro 2014, das 15H00 às 17H00 (2H)

N.º mínimo de participantes: 8 (inscrições limitadas à capacidade da sala)

Público-alvo: Preço:10€ por pessoa Informações e Inscrições: humberto.neves@ardozia.com | t. 934 029 496

 http://ardozia.com/

The First Children’s Picture Book, 1658′s Orbis Sensualium Pictus

Agosto 23, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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texto do site http://www.openculture.com de 22 de maio de 2014.

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I’ve heard a fair few new parents agonizing about what children’s books to admit into the family canon. Many of the same names keep coming up: 1947′s Goodnight Moon, 1969′s The Very Hungry Caterpillar, 1977′s Everyone Poops — classics, all. Oddly, I’ve never heard any of them mention the earliest known children’s book, 1658′s Orbis Sensualium Pictus, or The World of Things Obvious to the Senses Drawn in Pictures. “With its 150 pictures showing everyday activities like brewing beer, tending gardens, and slaughtering animals,” writes Charles McNamara at The Public Domain review, the Orbis looks “immediately familiar as an ancestor of today’s children’s literature. This approach centered on the visual was a breakthrough in education for the young. [ … ] Unlike treatises on education and grammatical handbooks, it is aimed directly at the young and attempts to engage on their level.” In other words, its author, Czech-born school reformer John Comenius, accomplishes that still-rare feat of writing not down to children, but straight at them — albeit in Latin.

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The Orbis holds not just the status of the first children’s book, but the first megahit in children’s publishing, receiving translations in a great many languages and becoming the most popular elementary textbook in Europe. It opens with a sentence that, in McNamara’s words, “would seem peculiar in today’s children’s books: ‘Come, boy, learn to be wise.’ We see above a teacher and student in dialogue, the former holding up his finger and sporting a cane and large hat, the latter listening in an emotional state somewhere between awe and anxiety. The student asks, ‘What doth this mean, to be wise?’ His teacher answers, ‘To understand rightly, to do rightly, and to speak out rightly all that are necessary.’” This leads into something like “an early version of ‘Old MacDonald Had a Farm,’” lessons on “the philosophical and the invisible,” “thirty-five chapters on theology, elements, plants, and animals,” and finally, an “extensive discussion” of religion which ends with “an admonition not to go out into the world at all.” After reading the Orbis, embedded in full at the top of this post, you can judge for yourself whether it belongs on the shelf. Perhaps you could file it alongside Richard Scarry’s Busytown books?

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via The Public Domain Review

visualizar o livro aqui

 

 

 

Pós-Graduação em Livro Infantil – “b-learning”

Agosto 22, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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