Crianças e jovens escrevem cartas a idosos para combater a solidão

Maio 11, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Rádio Renascença de 28 de abril de 2020.

Ana Lisboa

O projeto da Associação Mais Proximidade Melhor Vida pretende que os idosos se sintam mais acompanhados durante este período de isolamento obrigatório em tempo de pandemia.

“De casa para casa” é o novo projeto da Associação Mais Proximidade Melhor Vida que tem como propósito ajudar a combater a solidão e o isolamento dos idosos na Baixa de Lisboa e na Mouraria, durante este período de confinamento e distanciamento social, até porque os idosos são uma das populações mais vulneráveis ao Coronavírus.

A ideia passa por estabelecer uma comunicação regular, através de cartas, entre crianças e jovens com os idosos apoiados por esta instituição de solidariedade social.

“Achámos que poderia ser interessante este ‘convívio’, esta correspondência entre mais jovens e idosos”, refere Rita Roquette, responsável pelo gabinete de comunicação.

A parceria foi proposta à Associação Escola 31 de Janeiro, assim se chama este estabelecimento escolar localizado na Parede, na linha de Cascais, com o qual existe “uma colaboração muito próxima” já há algum tempo.

O processo é muito simples. “O que estamos a fazer neste momento, os alunos enviam-nos as cartas para o email do projeto que nós criámos. E uma das técnicas está responsável por enviar essas cartas às outras técnicas que depois vão ler as cartas aos idosos. Neste momento é por telefone, por uma questão de restrição, devido à pandemia, porque são pessoas de risco e não vamos às casas”.

Depois, “os idosos ditam-nos as cartas que nós escrevemos e enviamos por email de volta aos alunos. O objetivo, quando depois tudo isto passar, é imprimir as cartas todas e entregar fisicamente essas cartas aos idosos e promover um encontro presencial, quando for possível, entre crianças, jovens e os idosos que participaram no projeto para se conhecerem presencialmente”.

Uma década de trabalho

A Associação Mais Proximidade Melhor Vida é uma instituição de solidariedade social que apoia a população mais idosa residente na Baixa de Lisboa e na Mouraria.

Nasceu há 10 anos, mas foi formalmente constituída em 2014.

A sua missão é “reduzir o impacto da solidão e do isolamento e contribuir para a melhoria da sua qualidade de vida”.

A equipa técnica da AMPMV, parceiros e um conjunto de 40 voluntários “apoiam atualmente cerca de 120 pessoas, com uma média de 83 anos de idade”. É-lhes oferecido “o acompanhamento necessário, personalizado e adaptável ao contexto de cada uma”.

O que se pretende é “integrar a pessoa na comunidade onde reside, contribuindo para a melhoria do seu bem-estar físico, psicológico e emocional”.

A Associação Mais Proximidade Melhor Vida tem três linhas de atuação: combate à solidão e isolamento que inclui visitas ao domicílio e contactos telefónicos. Há ainda a promoção da saúde e bem-estar, com acompanhamento a consultas e exames médicos. E, por último, proporcionar uma melhor qualidade de vida no domicílio, que pode passar, por exemplo, por pequenas reparações em casa, entre outros serviços.

Em tempo de pandemia, a Associação continua a apoiar os idosos, mas agora limita as visitas ao domicílio da equipa técnica “àquilo que é estritamente urgente”. E, por isso, sublinha Rita Roquette, está a ser “reforçado o contacto telefónico para perceber quais as maiores necessidades que os idosos têm”.

Crianças em isolamento não devem estar em contacto com avós ou idosos

Março 17, 2020 às 7:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 10 de março de 2020.

Ana Mafalda Inácio

Até agora, o coronavírus tem poupado as crianças. No mundo, não há casos de morte dos zero aos 10 anos. Há crianças infetadas, mas que têm manifestado a doença de forma muito ligeira. Porquê? Não se sabe. Em Portugal, especialista alerta para o facto de crianças em isolamento não deverem estar em contacto com os avós porque “estes são um grupo de risco”.

Desde que o covid-19 foi identificado que muito se tem falado de como este atinge ou não as crianças até aos 10 anos e os jovens. Uma coisa os cientistas sabem: as crianças são infetadas, mas quando manifestam a doença é de forma ligeira. Porquê? Ainda não se sabe.

Em Portugal foram contabilizados, até esta segunda-feira, 39 casos positivos, mais nove do que no dia anterior, estando sete internados em unidades do norte e dois em Lisboa e Vale do Tejo. Destes, cinco são crianças e jovens, dos 10 aos 19 anos, dois rapazes e três raparigas.

O pediatra da unidade pediátrica de cuidados intensivos do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), Francisco Abecasis, alerta para os casos em que os avós também são cuidadores das crianças. “Há muitos casos em que os avós até são os principais cuidadores das crianças, e este é um verdadeiro problema, porque eles são um grupo de risco.”

O médico argumenta com um facto simples: “Quando uma escola encerra porque há necessidade de isolamento profilático, muitos pais têm necessidade de deixar os filhos com os avós. É um problema, porque as crianças ou são assintomáticas ou muito pouco sintomáticas, mas podem infetar outros, como tem estado a acontecer.”

Francisco Abecasis afirma: “Está tudo muito preocupado com as criança, mas já se percebeu que elas vão ser as mais poupadas a esta epidemia, como já o foram a outras, caso da gripe A. Devíamos era estar preocupados com os idosos, com os lares, etc.”

O pediatra referiu ao DN que não é a primeira vez que os mais novos, sobretudo até aos 10 anos, são poupados às epidemias e até a outras doenças, como a legionela, “agora exatamente porquê? Não se sabe”. Francisco Abecasis exemplifica: “A doença do legionário não atinge crianças e jovens abaixo dos 16 anos e, tanto quanto sei, ainda não se sabe porquê.”

Quanto ao coronavírus, esta imunidade ao vírus nada tem que ver com o facto de estarem em idade de vacinação em relação a algumas doenças bacterianas e virais. O médico refere que “as vacinas servem para proteger em relação a outras doenças, não em relação ao covid-19 ou até à do legionário”.

Mas há algumas teorias. “Há quem defenda que tal pode acontecer porque as crianças estão constantemente a contactar com vírus novos, sendo mais fácil o seu sistema reagir a um vírus novo do que o de um adulto ou idoso. A população adulta não tem tanta imunidade contra os vírus e, por isso, quando aparece um novo é diferente e afeta-a mais.”

Estudo de cientistas chineses confirma que crianças são tão infetadas quanto os adultos

Um estudo realizado pela Universidade de Shenzen, na China confirma exatamente tudo isto. As crianças são infetadas, mas não desenvolvem sintomas graves associados ao coronavírus. A taxa de letalidade é muito baixa dos 10 aos 19 anos, 0,2%, e abaixo dos zero aos 10 não há sequer no mundo um caso de morte.

Porém, antes de este estudo, “não se sabia se tal acontecia porque as crianças não eram infetadas ou se o seu organismo, de alguma forma, enfrenta melhor a infeção”. Agora, sabe-se que elas também são infetadas e tão facilmente quanto os adultos.

Os cientistas do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças de Shenzen analisaram detalhadamente os casos de 391 pessoas infetadas por covid-19 e acompanharam 1286 dos seus contactos mais próximos para saber se tinham contraído o vírus mesmo que não apresentassem sintomas.

Segundo os cientistas, foi o maior estudo feito até agora, dois meses e meio depois da identificação do vírus, que veio confirmar que as crianças dos zero aos 10 anos expostas ao vírus são infetadas da mesma forma que os adultos e com a mesma taxa de infeção, que ronda os 8%.

Perante tais conclusões, os epidemiologistas norte-americanos Ben Cowling e Justin Lessler salientaram: “Descobrir o que torna as crianças mais resistentes ao coronavírus constitui um desafio” para a medicina.

Nesta segunda-feira, dia 9, há já várias escolas fechadas em Portugal e centenas de alunos em isolamento profilático. É o caso de todas as escolas de Felgueiras e Lousada, no norte, de duas na região da Grande Lisboa, Escola 2,3 Roque Gameiro e a Escola Secundária da Amadora, e duas em Portimão, a Escola Secundária Teixeira Gomes, frequentada pela jovem que deu positivo ao covid-19, e outra onde a mãe desta, também confirmada como caso, era professora.

O mesmo estudo revela outro facto importante e que tem que ver com a transmissão: morar na mesma casa do que uma pessoa infetada aumenta seis vezes o risco de contrair o vírus em relação a todas as outras com que contacta.

O vírus é recente e há ainda muito por descobrir. Aliás, este tem sido um dos problemas no combate ao vírus. Mas em todo o mundo já há cientistas a estudá-lo. A China é o país que mais sabe, até porque o aparecimento desta estirpe de coronavírus surgiu na província de Hubei, cidade de Wuhan, principal epicentro de propagação do vírus para o resto do mundo.

Ao final da tarde desta segunda-feira, os dados mundiais apontam para quase 114 mil infetados, quase quatro mil mortes e 63 mil recuperados. A faixa etária mais afetada é a dos idosos com mais de 80 anos, registando uma taxa de letalidade de 21,9%, enquanto nas faixas dos 10 aos 49 anos esta oscila entre os 0,2% e os 0,4%.

Há idosos tratados “de forma perversa” pelos filhos em Portugal

Maio 15, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 7 de maio de 2017.

Provedoria de Justiça recebeu em 2016 mais de 2800 telefonemas através da Linha do Idoso Paulo Pimenta

Provedor de Justiça conta casos em que “alguns filhos” começam a diminuir a terapêutica aos pais, fazendo com que eles entrem em perda e sejam internados de urgência. Outros dizem que há uma pessoa acamada e “ficam com o dinheiro das pensões”.

Lusa

O provedor de Justiça considera que há idosos tratados “de uma forma absolutamente perversa”, graças a uma sociedade que inverteu a pirâmide social e trouxe “consequências dramáticas” para as pessoas mais velhas, como o abandono ou a solidão.

Em entrevista à agência Lusa, José de Faria Costa apontou que a sociedade actual não só não está preparada para “responder aos anseios da população mais idosa”, como inverteu a pirâmide social e, com isso, trouxe “consequências dramáticas” para as pessoas mais idosas, “nomeadamente coisas pouco bonitas”, mas reveladoras do actual sistema de valores.

“Os filhos a ficarem com as pensões dos pais e serem os vizinhos a dizerem ao provedor que há uma pessoa acamada, sozinha e os filhos ficam-lhe com o dinheiro das pensões”, exemplificou.

Apontou outro tipo de situação, “muito mais grave”, que acontece quando se aproxima a época de Verão, em que “alguns filhos” começam a diminuir a terapêutica aos pais, fazendo com que eles entrem em perda e sejam internados de urgência.

“Como os filhos sabem que só os podem deixar se eles forem internados de urgência, obviamente começam a fazer isso e isso é uma coisa maquiavélica, péssima, que dá um retrato muito feio da sociedade portuguesa”, criticou.

Segundo o provedor de Justiça, que não quis alongar-se muito sobre o assunto, estas realidades foram mais presentes nos tempos da “crise profunda”, mas salientou que basta haver apenas um caso por ano “para mostrar a perversidade com que é tratada a velhice”.

José de Faria Costa lembrou que, durante o ano de 2016, o provedor de Justiça recebeu, através da Linha do Idoso (800 20 35 31, gratuito), mais de 2800 telefonemas (perto de oito chamadas por dia), tendo havido 105 contactos por causa de maus-tratos, além de 74 situações de isolamento ou solidão, e outras 20 por abandono.

Foram os próprios idosos interessados quem mais vezes recorreu no ano passado à linha telefónica, representando 48% do total de telefonemas, a maior parte mulheres (1724), com idade entre os 71 e os 80 anos (969).

Segundo José de Faria Costa, o provedor de Justiça faz frequentemente trabalho social, revelando que são muitas vezes os serviços do provedor que conseguem uma marcação de uma consulta, encaminham a pessoa para a ajuda mais próxima quando ela não sabe ler uma factura de gás ou luz, ou quando alguém liga ao provedor porque não sabe preencher o IRS.

Motivos pelos quais o provedor afirmou que mais do que as recomendações que possa fazer, e que podem ou não ser acatadas, importa-lhe a resolução de problemas concretos.

“O que me interessa é receber uma carta da pessoa do Portugal mais profundo a dizer-me: ‘Senhor provedor, obrigado, o meu muito obrigado, o meu problema foi resolvido’. E eu tenho centenas de cartas. Isso é que é importante no trabalho do provedor”, sublinhou.

Em matéria de recomendações, José de Faria Costa acredita que teve um “altíssimo índice de acatamento” durante os seus quatro anos de mandato, mas garantiu que o seu trabalho nunca esteve centrado na recomendação.

“Avaliar o meu exercício através do número de recomendações é absolutamente redutor. O que se deve avaliar é através das situações concretas que eu resolvi e essas estão aí e podem ser avaliadas”, disse.

 

 

 

Será que as crianças portuguesas estão viciadas nos tablets e telemóveis?

Março 7, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto publicado no site http://dreamteensaventurasocial.blogs.sapo.pt de 22 de fevereiro de 2016.

Um vídeo canadiano da Nature Valley mostra as três gerações (idosos, adultos e crianças) a serem confrontadas com uma só questão: “Como se divertiam quando eram crianças?”. As respostas dos mais velhos remontam a tempos longínquos, em que as crianças estavam envolvidas num meio rural e as brincadeiras decorriam em completa harmonia com a natureza. Em oposição a essas vivências (e de acordo com o vídeo) as crianças de hoje divertem-se enviando mensagens, vendo séries e jogando videojogos.

O telemóvel, o tablet, as séries e os videojogos não são necessariamente maus; com uma utilização moderada são sem dúvida fontes de divertimento e de aprendizagem importantes. No entanto, as respostas dos mais novos foram alarmantes (conseguiram até provocar lágrimas nos olhos de duas pessoas no vídeo), pois a perceção de divertimento parece restringir-se aos aparelhos eletrónicos referidos.

Assumindo que as respostas são verdadeiras, perguntamos:  Será que também estaremos a perder as crianças portuguesas para a tecnologia?

Não sei até que ponto o vídeo é autêntico, pois algumas respostas (das crianças em especial) aproximam-se do inverosímil; não irei negar a possibilidade do mesmo ser meramente fictício/publicitário. No entanto, serviu-nos de inspiração para satisfazermos a nossa curiosidade quanto à pergunta “O que faziam e fazem as crianças para brincar em Portugal”?

À semelhança do que foi feito no vídeo, questionámos as três gerações. Eis algumas das respostas dadas pelos mais velhos:

80 anos

Jogava à bola, ao berlinde, ao peão e às cartas.

78 anos

Brincava com casinhas e bonecas (dentro de casa, pois os pais eram muito protetores), jogava à “malha” e à “mata” com as colegas da escola, saltava à corda e dava cambalhotas (até a mãe a impedir por julgar ser muito perigoso), balançava no baloiço do seu quintal e brincava com o gato de estimação.

72 anos

Jogava à “semana”, fazia casinhas de terra e enfeitava-las com cacos de vidro, jogava à bola, “apanhada”, colhia figos e uvas, brincava com pintainhos e gatos, fazia baloiços entre os pinheiros e dava cambalhotas nos ramos das figueiras.

87 anos

Jogava à “semana”, ao “pé-coxinho” e às “escondidas”.

75 anos

Trabalhava desde pequeno: guardava rebanhos, lavrava as vinhas com bois (que puxavam a carreta), guardava perus e tratava dos bois.

As duas primeiras respostas pertencem a pessoas que viviam num meio urbano, enquanto as outras três respostas são de pessoas do campo. Facilmente percebemos as contrariedades a nível social e económico lendo o último testemunho.

Nas respostas dos adultos vemos a continuidade de algumas das brincadeiras anteriormente referidas:

49 anos

Fazia corridas com caricas, berlindes e carros nas bordas dos passeios. Jogava à bola na rua, andava de bicicleta, brincava às “escondidas” e à “apanhada” e fazia construções com legos.

51 anos

Jogava à “semana”, às “escondidas” e “apanhada”, andava de bicicleta, jogava ao peão e berlindes, brincava às casinhas e às “mães e filhas”.

45 anos

Jogava ao “lá-vai-alho”, à “mata” e andava de bicicleta.

42 anos

Brincava muito na rua. Divertia-se com carrinhos e adorava ver os comboios e sentir o cheiro da madeira e dos carris. Jogava à “semana”, à “apanhada”, “cabra-cega”, “mamã dá licença”, “o rei manda” e saltava à corda; tocava às campainhas, deixava cartas nas portas dos vizinhos, telefonava anonimamente e provocava pessoas; escrevia estórias e fazia teatros; jogava ao computador com os amigos (“spectrum” e “atari”) e consolas de bolso; mascarava-se, fazia coleções de autocolantes, apanhava insetos, colecionava autocolantes e bichos da seda; fazia origamis, saltava nas poças e colhia flores.

Finalmente, perguntámos às crianças o que fazem para brincar e as respostas que obtivemos não foram inquietantes como seria de esperar vendo o vídeo referido. Várias das respostas contemplavam as seguintes atividades:

Brincar ao “faz de conta”, jogar futebol, andar de patins, fazer penteados, ver televisão, brincar com bonecos, jogar jogos de computador (com o irmão), brincar com os amigos na creche, andar de bicicleta, imaginar histórias, brincar com os cães de estimação, ler e, por fim, jogar durante várias horas no tablet, ver vídeos no telemóvel e imitar as danças dos videoclipes.

Há alguns casos em que o uso prolongado do tablet e do telemóvel foi mencionado, mas por enquanto não parece ser preocupante. As crianças continuam a ser crianças e a brincar como tais.

No entanto, continua a ser legítimo duvidarmos: Será a tecnologia o futuro das brincadeiras?  As crianças das gerações futuras conhecerão o mundo exterior, ou limitar-se-ão a comunicar através de ecrãs, dentro de quatro paredes?

Texto: Leonor Ramiro (com contribuição de Manuel Magalhães, Sara Fialho e Daniela Guilherme)

 

Projeto “Ler para escutar a voz humana” da Biblioteca Escolar Rafael Bordalo Pinheiro reportagem do programa Learning World da Euronews

Fevereiro 18, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Reportagem da Euronews de 30 de janeiro de 2015.

África do Sul: Leitura Digital

A maior parte dos sul-africanos vive em municípios pobres ou em zonas rurais. As escolas têm poucos recursos, numa sociedade com uma imensa desigualdade e desemprego. Apenas 8% das escolas possui biblioteca, nestas condições, muitos alunos não conseguem aprender bem a ler e a escrever.

Aproximadamente 18% dos adolescentes são analfabetos e são poucos os que leem regularmente. A FunDza Literacy Trust abriu portas em 2011 para mudar esta realidade de forma inovadora. Utiliza a tecnologia móvel para se conectar com os leitores. Esta fundação é a biblioteca dos mais carenciados e graças à tecnologia móvel, milhares de jovens na África do Sul tornaram-se leitores assíduos.

Bélgica: Do papel para o ecrã

Anne Belien ensina inglês e holandês numa escola de língua francesa, em Bruxelas. Tanto ela como os colegas têm acesso às novas tecnologias e a livros escolares digitais que lhes permitem adaptar as aulas às necessidades dos alunos. Cada aluno tem um iPad que garante o acesso à matéria. Todos podem ouvir os conteúdos para depois resolver os exercícios. E muitos livros têm evoluído de tal maneira, que os professores os podem utilizar da forma mais conveniente. É o caso da série de volumes de matemática “Crack en Math”.

Portugal: Terceira idade no palco da literatura

A comunidade escolar da Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, não para de surpreender o concelho. Ana Simão tem-se destacado em várias atividades desenvolvidas. Sempre sob o olhar atento dos professores, Ana e os demais alunos participam ativamente no projeto “Ler para escutar a voz humana.”

Ao tempo livre que tem soma a energia de um grupo de colegas e juntos ensaiam textos, para apresentar mais tarde aos utentes do Lar de Idosos e Centro de Dia do Centro Paroquial Social de Caldas da Rainha. Entre jovens e menos jovens as alegrias do improviso funcionam como um bálsamo revigorante.

Copyright © 2015 euronews

mais informações sobre o projeto “Ler para escutar a voz humana” no link:

http://biblio.esrbp.pt/projeto-educativo/dominio-a-apoio-ao-desenvolvimento-curricular/ler-jovem/learning-world-euronews/

 

 

Idosos e adolescentes nas antípodas em termos da vontade de cooperar

Julho 23, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 21 de julho de 2014.

Enric Vives-Rubio

Ana Gerschenfeld

Pela primeira vez, um estudo permitiu avaliar a evolução das atitudes de cooperação das pessoas em função da sua idade. Os resultados poderão ajudar a fomentar o espírito de cooperação nos jovens.

Os seres humanos são, de uma forma geral, excepcionalmente cooperantes quando comparados com outros animais sociais. E segundo resultados agora publicados na revista Nature Communications, globalmente essa atitude não depende da idade – excepto em dois casos, que dizem respeito às pessoas mais idosas e aos pré-adolescentes e adolescentes, colocando estes dois grupos etários nas antípodas.

“A questão de saber por que é que cooperamos [para obter um benefício comum] com pessoas com as quais não temos qualquer relação permanece em aberto”, explicam no seu artigo Mario Gutiérrez-Roig, da Universidade de Barcelona (Espanha) e colegas.

Agora, pela primeira vez, estes cientistas decidiram ver como essa atitude evoluía ao longo da vida. Para isso, realizaram duas experiências “no terreno”, sob forma de um jogo inspirado num exemplo clássico de situação em que as pessoas devem tomar a decisão de colaborar (ou não) com um desconhecido: o chamado “dilema do prisioneiro”.

Na primeira experiência, realizada durante uma feira de jogos de tabuleiro em Barcelona, em Dezembro de 2012, a equipa instalou uma dúzia de computadores num stand da feira e recrutou 168 voluntários com 10 a 87 anos de idade entre os visitantes, explica em comunicado a Universidade Carlos III de Madrid, que participou no estudo. A segunda experiência decorreu numa escola de Barcelona, junto de 53 alunos com 12 a 13 anos de idade.

Na experiência junto do público, os participantes foram distribuídos por grupos em função da idade. A versão do dilema do prisioneiro utilizada era a seguinte: ao longo dos 25 rounds que durava o jogo, dois “jogadores” tinham de escolher, em dada situação, entre cooperar e não cooperar, recebendo diferentes recompensas conforme as suas acções. Mais precisamente: ambos os jogadores recebiam um certo número de pontos quando ambos cooperavam; quando um cooperava e ou outro não, o primeiro recebia uma recompensa inferior à do primeiro (sim, o “traidor” era mais bem recompensado); e quando nenhum dos dois cooperava, não havia recompensa para ninguém. No fim, os pontos eram transformados em dinheiro e os participantes (ou os seus pais, se fossem menores de idade) imediatamente pagos.

O resultado mais notável desta primeira experiência foi o facto de as decisões dos mais novos serem muito mais imprevisíveis do que as dos outros grupos etários.

“Em geral, as pessoas têm em conta o que os outros têm feito quando colaboram, mas os nossos resultados mostram que os adultos também levam em conta as suas próprias acções passadas”, diz Yamir Moreno, co-autor da Universidade de Saragoça, no mesmo comunicado. “[Os adultos] têm tendência para acabar por colaborar; a sua reacção é mais previsível e ajuda um pouco a alimentar o espírito de cooperação.”

Adolescentes imprevisíveis

Já o comportamento dos mais novos não segue este padrão, explica Gutiérrez-Roig: “Segundo o nosso estudo, os miúdos são mais voláteis nas suas decisões; não têm uma estratégia definida e a sua cooperação é principalmente condicionada (…) pelas atitudes dos outros. Olham para o que os outros jogadores fazem e reagem de acordo com isso, em vez de serem condicionados pelas suas próprias acções passadas.” Ora, “isso dificulta o desenvolvimento de um ambiente cooperativo”, diz ainda o cientista.

Na outra extremidade do leque etário, está um outro resultado notável, diz por seu lado o co-autor Anxo Sánchez, da Universidade Carlos III de Madrid. “Os que têm acima de 65 anos parecem ser mais cooperantes do que os dos outros grupos etários”, salienta, “embora aqui ainda seja preciso testar o resultado de forma mais aprofundada”.

Um resultado, acrescenta este cientista, que sugere que “baixar a idade da reforma poderá não ser benéfico para as empresas e que seria interessante encontrar maneiras de manter este grupo etário activo ou numa situação alternativa para que conseguissem continuar a ser cooperativos”.

A segunda experiência (junto dos alunos de uma escola) permitiu confirmar e afinar o primeiro resultado, relativo aos mais jovens. Aqui, diz Carlos Gracia-Lázaro, co-autor da Universidade de Saragoça, “as crianças foram mais cooperativas, mas o seu comportamento permaneceu igualmente imprevisível”. E enfatiza: “Estes resultados levam-nos a pensar que existe uma componente evolutiva e cultural ao longo do ciclo de vida e que a propensão para colaborar é uma qualidade que pode ser aprendida.”

Essa falta de cooperatividade parece ser específica dos adolescentes e pré-adolescentes. “Estudos anteriores”, lê-se ainda no comunicado, “já indicavam que entre os seis e os dez anos, as crianças desenvolvem um sentido da cooperação – e o novo estudo aponta para o momento em que essa situação muda: a adolescência”.

“As causas disso não são claras”, diz Sánchez, “mas pensamos que, nas fases mais precoces [do desenvolvimento psicológico], as crianças começam por ser mais empáticas e altruístas. Porém, à medida que crescem, poderá existir uma fase durante a qual os jovens acreditam que o facto de perceberem o outro os coloca numa posição em que se podem aproveitar desse outro”. Trata-se porém de uma “ideia um pouco intuitiva”, diz Moreno, que também seria preciso aprofundar.

Seja como for, a equipa pensa que o estudo pode ter implicações na definição de estratégias para fomentar a colaboração nas crianças e jovens adolescentes. “Seria necessário desenvolver estratégias específicas, diferentes das que são usadas com os adultos, para promover a transição para uma conduta pró-social mais persistente nos miúdos”, argumenta o co-autor Josep Perelló.

 

 

Seminário: “A importância da família na infância e na velhice”

Abril 25, 2014 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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semina

mais informações aqui

 

Especialização em avaliação e intervenção em situações de violência (B-Learning)

Novembro 11, 2013 às 4:01 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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b

Porto:23 de Novembro de 2013
Lisboa:16 de Novembro de 2013

Atualmente a violência é um fenómeno que afecta cada vez mais a sociedade em que vivemos. Vários são os factores que levam as pessoas a tornar-se violentas no seu dia a dia e na sua vida.

É essencial que se aposte na formação de técnicos especializados que dêem resposta aos diversos tipos de violência, intervindo ou prevenindo de forma eficaz para que o problema diminua. Através de uma metodologia prática, com uma abordagem multidisciplinar, esta especialização em regime b-learning, pretende promover a oportunidade de partilha, exposição de dúvidas e participação ativa, bem como desenvolver nos formandos competências a nível de avaliação e intervenção.

Curso desenvolvido em parceria com a APAV

Mais informações Aqui

Cadernos 2013 : das palavras aos atos

Novembro 6, 2013 às 6:00 am | Publicado em Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
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luta

Descarregar o livro 2013 : das palavras aos atos

Testemunha do sucesso e do impacto que a iniciativa “Cadernos 2000 – Das palavras aos actos” teve na vida de quem nela participou, o Instituto de Apoio à Criança, não poderia deixar de se associar, novamente, aquele que é também um espaço de desabafo de quem, independentemente da faixa etária, sexo ou condição social, nem sempre consegue elevar a sua voz.

Enquanto entidade que diariamente promove o empowerment, o IAC entendeu desde cedo que esta iniciativa poderia também funcionar como um instrumento valioso no direito à participação e um contributo válido para a definição efetiva de políticas de inclusão.

Para garantia de que a mensagem circularia de norte a sul do país, o IAC – através dos setores Projecto Rua e Fórum Construir Juntos – desafiou numa primeira etapa, as instituições da Rede Construir Juntos e outras entidades com intervenção em matéria de infância e juventude, a mobilizar os seus utentes, quer fossem crianças, jovens, cidadãos com deficiência ou séniores, para o preenchimento dos cadernos.

Da mesma forma que em 2000, pretendíamos que este caderno se constituísse num espaço onde os seus autores pudessem, de uma forma livre e consciente, expressar através de palavras, desenhos ou imagens, as suas ideias, pontos de vista, o seu sentir com esperanças e receios, as suas revoltas. Enfim, o seu dia a dia e talvez, propostas para um mundo melhor, mais digno e mais justo.

 

IAC participa na conferência sobre “Solidariedade Intergeracional numa sociedade em mudança” – ISCTE-IUL

Abril 25, 2013 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No dia 29 de abril – Dia Europeu da Solidariedade Intergeracional – realiza-se a conferência “Solidariedade Intergeracional numa Sociedade em mudança”, no auditório B203 no ISCTE -IUL, entre as 8h30 e as 16h00. Nesta conferência participa a Dra. Melanie Tavares do Instituto de Apoio à Criança, como membro convidado do Advocacy Group para as políticas intergeracionais, que abordará o tema ” Família no envelhecimento ativo e na solidariedade entre gerações”.

A entrada é gratuita.

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