O Instituto de Apoio à Criança e a Humanização dos Serviços de Pediatria – Press Release

Agosto 11, 2017 às 4:44 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Press Release

O Instituto de Apoio à Criança e a Humanização dos Serviços de Pediatria

 

Instituto de Apoio à Criança congratula-se com o despacho n.º 6668/2017, do Ministério da Saúde, publicado em Diário da República, o qual estabelece as disposições e procedimentos sobre a efetivação do direito de acompanhamento de criança ou jovem, com idade inferior a 18 anos, em situação de intervenção cirúrgica, no momento da indução da anestesia e durante o recobro cirúrgico. Este despacho é igualmente aplicável a pessoas maiores de idade com deficiência ou em situação de dependência.

O despacho assinado pelo Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, refere que “A ansiedade da criança ou jovem e da família tendem a diminuir quando existe suporte emocional no pré-operatório, sendo este importante quer por razões humanitárias e de desenvolvimento, quer porque aumenta a cooperação com a equipa de saúde, quer ainda porque reduz a angústia ao acordar e assim os problemas de comportamento no pós-operatório.”

Nesta linha, ao longo de mais de trinta anos, o IAC defende e promove os Direitos da Criança, designadamente o direito à assistência médica e aos cuidados de saúde necessários e adequados às crianças.

Em 1998, o Instituto de Apoio à Criança através do Setor da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança  publicou e divulgou a nível nacional a Carta da Criança Hospitalizada, que reafirma os direitos da criança hospitalizada e expressa os princípios universalmente aceites, tais como:

 

o internamento como último recurso;

– o acompanhamento pelos pais ou seus substitutos dia e noite;

– o dever de informar as crianças e os pais ou seus substitutos sobre qualquer tratamento, a fim de os incentivar à participação, decisão e colaboração dos cuidados;

– a equipa de saúde deve responder às necessidades psicológicas e emocionais das crianças e das famílias;

– entre outros.

A hospitalização é uma situação em que a criança é sujeita a um internamento hospitalar para procedimentos de diagnóstico ou terapêuticos. Para a criança, a hospitalização significa a separação da família, a rotura com as suas atividades diárias, doença e tratamentos, ou seja, sofrimento e dor. Estes fatores manifestam-se de diferentes formas e podem ser geradores de ansiedade, pelo que se considera como prioritário a Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança – O Direito aos melhores cuidados é um Direito fundamental para o desenvolvimento integral e harmonioso da Criança.

 

      A Direção do Instituto de Apoio à Criança

                                                                                                                                      Lisboa, 11.08.2017

Anúncios

Pais vão poder acompanhar filhos durante anestesia no bloco operatório

Agosto 9, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do https://www.publico.pt/ de 2 de agosto de 2017.

A indução da anestesia pode ser uma das experiências mais marcantes da vida da criança ou jovem Nelson Garrido

Hospitais têm que criar condições, até ao final do ano, para que o direito ao acompanhamento seja possível. O objectivo é diminuir a ansiedade das crianças no momento da anestesia e na fase do recobro.

Alexandra Campos

As crianças e jovens com idade inferior a 18 anos que forem sujeitas a cirurgias vão passar a poder ser acompanhadas no bloco operatório no início da anestesia por um dos pais ou alguém que os substitua e será também permitida a presença de um acompanhante mais tarde, no momento do recobro. “A ansiedade da criança ou jovem e da família tendem a diminuir quando existe suporte emocional”, justifica o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, num despacho que vem instituir este direito e que é publicado esta quarta-feira em Diário da República.

Os hospitais onde são efectuadas cirurgias em idades pediátricas têm agora cinco meses – até ao final do ano – para avançarem com as medidas de adaptação necessárias para que este despacho seja cumprido. Mas será sempre necessária a autorização prévia dos médicos responsáveis pela cirurgia e anestesia, especifica o diploma a que o PÚBLICO teve acesso.

O direito genérico dos doentes ao acompanhamento está previsto na legislação que define os direitos e deveres dos utentes dos serviços de saúde desde há anos. Mas a lei acentua expressamente que é “vedado ao acompanhante assistir a intervenção cirúrgica”, excepto se para tal for dada “autorização do clínico responsável”.

Agora, pretende-se abrir esta possibilidade em momentos específicos das intervenções cirúrgicas nas crianças e jovens, mas não só – prevê-se que passem igualmente a beneficiar do direito de acompanhamento durante a anestesia e no momento do recobro os adultos com deficiência ou em situação de dependência, “com as necessárias adaptações”, prevê o diploma.

Para materializar este direito, estabelece-se que, quando uma equipa decide que um menor vai ser operado, “o cirurgião e o anestesista responsáveis devem providenciar para que se reúnam as condições adequadas”.

Experiência marcante

Mas estão previstas algumas restrições. “Factores como patologia grave da criança ou do jovem ou outros que desaconselhem a presença no bloco operatório” devem ser esclarecidos e convenientemente transmitidos antes da cirurgia, sublinha-se.

Recordando que são prioridades do Governo a promoção da “humanização dos serviços” e o reforço do “poder do cidadão” no Serviço Nacional de Saúde, o secretário de Estado cita estudos efectuados no Reino Unido e nos Estados Unidos da América que demonstram que, além de diminuir a ansiedade da criança, a presença dos pais antes da operação “aumenta a cooperação”, o que acaba por beneficiar a “própria equipa de saúde”.

“A indução da anestesia pode ser uma das experiências mais marcantes da vida da criança ou jovem, existindo estudos que evidenciam a associação significativa entre induções anestésicas difíceis e alterações do comportamento no pós-operatório”, lê-se no despacho, que sublinha que, sendo muitas vezes as cirurgias nestas idades encaradas como uma “vivência ameaçadora”, os esforços para minimizar este tipo de efeitos têm um “efeito positivo” mesmo “em termos da capacidade para lidar com a adversidade no futuro”.

Preparar os pais e os hospitais

Caberá aos hospitais assegurarem a formação prévia do acompanhante, em consultas antes da cirurgia, que podem incluir visitas e vídeos informativos.

As unidades de saúde terão também que disponibilizar locais próprios onde os progenitores possam trocar de roupa e deixar os seus pertences e definir circuitos em que estes possam movimentar-se “sem colocar em causa a privacidade de outras crianças e jovens nem o funcionamento normal do serviço”.

Os acompanhantes serão ainda devidamente industriados sobre as fases da anestesia e do recobro e sobre o momento em que devem sair do bloco operatório. Caso surjam complicações inesperadas, devem abandonar de imediato o local.

Médicos a favor

Resta saber como vão reagir os cirurgiões e os anestesistas. No diploma, explica-se que foram pedidos pareceres à Comissão Nacional da Saúde Materna, da Criança e do Adolescente e à Direcção-Geral da Saúde e que foram também ouvidas as ordens dos médicos e dos enfermeiros, que se pronunciaram a favor.

Em 2016, também através de despacho, esclareceu-se que os pais ou qualquer “pessoa significativa” podiam assistir aos partos das crianças que nascessem por cesarianas nos hospitais públicos. Este direito de acompanhamento já estava previsto na lei mas não era até então possível na maior parte dos hospitais, porque os profissionais de saúde recusavam frequentemente a presença de acompanhante no bloco, argumentando que aumenta o risco de infecção.

Este ano, porém, o colégio da especialidade de anestesiologia da Ordem dos Médicos contestou a possibilidade de acompanhamento durante as cesarianas, num parecer muito crítico. “Compreende-se e valoriza-se a importância da presença parental”, mas esta não se considera “apropriada” em “ambiente de sala operatória”.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, explicou, entretanto, ao PÚBLICO que são situações diferentes. A Ordem dos Médicos é completamente a favor da presença dos pais no momento da indução da anestesia e no recobro, afirma Miguel Guimarães, lembrando que esta prática já se tornou habitual em vários hospitais. É o caso, por exemplo, do Hospital Pediátrico de Coimbra, onde isto já se faz há cerca de 20 anos.

o despacho citado na notícia é o seguinte:

Despacho n.º 6668/2017

 

 

Sessões sobre os Direitos da Criança 2017

Julho 26, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

No âmbito do Plano Anual da Comissão Social da Freguesia de Santo António dos Olivais de Coimbra, foram dinamizadas duas sessões relativas aos Direitos da Criança, tendo sido explorado o conto infantil Tanto, Tanto. O Jardim de Infância dos Olivais acolheu a primeira sessão, no dia 5 de junho, dirigida a 3 grupos, num total de 50 de crianças. No Jardim de Infância de Montes Claros, no dia 8 de junho, decorreu a segunda sessão de 124 crianças, divididas em 3 grupos.

Ainda, no dia 8 de junho, visitámos o Sorriso – Associação dos Amigos do Ninho dos Pequenitos, em Coimbra e contámos, a história do Zebedeu, Um Príncipe no Hospital a um pequeno grupo de crianças da creche e pré-escolar. A Brincar, a Brincar se aprendeu a perder o medo de ir ao médico!

XVI Hospital da Bonecada no Colombo de 24 a 30 de Abril

Abril 21, 2017 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

“Não percam o XVI Hospital da Bonecada no Colombo de 24 a 30 de Abril. Um projecto da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Médicas do qual o IAC é, orgulhosamente, parceiro.”

https://www.facebook.com/hospitaldabonecada

 

Carta da Criança Hospitalizada e Zebedeu – Um Príncipe no Hospital em destaque no site da DGS

Fevereiro 17, 2017 às 12:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social, Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

carta

Texto do site da https://www.dgs.pt/

A Carta da Criança Hospitalizada foi preparada por várias associações europeias em 1988, e o Sector da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança (IAC) publica, desde 1996, a sua versão em português.

A Carta da Criança Hospitalizada, nos seus dez princípios, define de forma clara um conjunto de direitos da Criança que, uma vez garantidos, asseguram a excelência do acolhimento e estadia da criança no hospital.

Em 2012, procurando cumprir um dos direitos consignados na própria Carta da Criança Hospitalizada – direito a receber uma informação adaptada à sua idade e compreensão -o IAC lançou o livro “Zebedeu – Um Príncipe no Hospital”, que aborda os direitos da criança no hospital, numa linguagem adaptada à compreensão do público infantil.

Para aceder a estes conteúdos, visite o website do IAC.

zebedeu

Projeto solidário “Fashion Kids” dá lugar a exposição

Outubro 23, 2015 às 9:08 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

convite

https://www.facebook.com/events/1034794779877817/

Hospital infantil cria sala pirata para tornar exames menos assustadores e até divertidos

Agosto 28, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Notícia do site http://www.pipop.info de 11 de agosto de 2015.

foto

Fonte: New York Daily News

O Hospital Infantil Morgan Stanley, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, decorou o seu aparelho de tomografia com ondas do mar, animais divertidos, bandeiras, piratas e muitas aventuras, para tornar as tomografias menos assustadoras e ajudar as crianças a descontraírem num ambiente divertido.

O espaço foi decorado com papel de parede infantil com amigáveis bichinhos estampados na parede. O aparelho faz lembrar um navio pirata, pois a maca parece a proa de um navio, o buraco da máquina de tomografia é o leme e o piso imita a água.

A intenção era deixar os mais pequeninos mais à vontade, para que pudessem associar a experiência a algo positivo.

A ideia surgiu de uma enfermeira, depois de ter tido um pequeno paciente que reclamou porque queria terminar o exame para poder ir brincar.

mais fotografias e informações no link:

http://www.nydailynews.com/new-york/pirate-themed-ct-scanner-helps-new-york-city-kids-find-calm-waters-tests-article-1.1435876

 

 

Maria de Lourdes Levy – Comunicado da Direcção do IAC

Junho 30, 2015 às 4:18 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

A Direcção do Instituto de Apoio à Criança, em sua reunião de 30 de Junho, decidiu lavrar um voto de pesar pelo falecimento da Prof. Doutora Maria de Lourdes Levy, sua sócia fundadora. A Prof. Lourdes Levy foi uma Pediatra de elevado mérito, primeira Professora Catedrática da Faculdade de Medicina de Lisboa, que desde a primeira hora se salientou na defesa dos Direitos da Criança. Prestou inestimável apoio ao Sector da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto da Criança, com especial relevo para a área dos Serviços de Saúde. Foi uma percursora, vislumbrando com eloquência as grandes questões da Pediatria, procurando ver a saúde da criança nos seus múltiplos aspectos, desde o físico ao mental e não se descurando também a envolvência social, no sentido do desenvolvimento integral e procurando metodologias inovadoras com vista a garantir a saúde e o bem-estar da criança.

Foi também fundadora da Sociedade Portuguesa de Pediatria Social e fez parte da Direcção da Associação de Escolas João de Deus, mostrando sempre um empenho e um entusiasmo únicos nas suas diversas actividades.

Foi a responsável pela adopção pelo IAC da grande missão de divulgação da Carta da Criança Hospitalizada, já que num Congresso da Associação Europeia das Crianças no Hospital (EACH), que o IAC integra desde então, viu a importância do respeito dos Direitos da Criança Hospitalizada e propôs ao Instituto da Criança a sua adesão ao Projecto, que foi formalizado com o maior sucesso e hoje a Carta da Criança Hospitalizada é aplicada em todos os Hospitais do nosso País.

A Prof. Maria de Lourdes Levy é uma referência da Pediatria em Portugal e o Instituto de Apoio à Criança deve-lhe muito pela disponibilidade permanente, pela partilha, pelo saber, pela amizade e pela dedicação à causa dos Direitos da Criança.

O IAC fez uma publicação de homenagem à Prof. Levy em 2006 e neste momento de pesar, mais uma vez lhe presta uma homenagem muito sentida, lembrando toda a sua vida devotada à Criança.

levy

 

Maria de Lourdes Levy. Morreu a matriarca da pediatria portuguesa

Junho 29, 2015 às 1:09 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do Expresso de 29 de junho de 2015.

2015-06-29-levy

A pediatra Maria de Lourdes Levy (1921-2015) D.R.

Pedro Cordeiro

Segunda mulher a doutorar-se em Medicina em Portugal, tinha 93 anos e dedicou a vida às crianças. Foi múltiplas vezes premiada e envolveu-se em inúmeras organizações ligadas à saúde dos mais novos.

Morreu no sábado, em Lisboa, a pediatra Maria de Lourdes Levy, antiga diretora do serviço de pediatria do Hospital de Santa Maria e referência na medicina portuguesa. Nascida há 93 anos em São Tomé e Príncipe, Maria de Lourdes Levy veio para Lisboa com 14 meses de idade. O local de nascimento deveu-se ao facto de o pai, também médico, estar no arquipélago de passagem para Luanda. Grande defensora da humanização dos cuidados hospitalares, foi a segunda mulher doutorada em medicina em Portugal, em 1958 depois de Cesina Bermudes.

Moderna e independente, sofreu, então, “as agruras de ser uma mulher” a querer ascender a tal grau académico, contou ao Expresso o seu filho, o também pediatra António Levy Gomes. Embora aprovada com classificação média, ouviu o professor Almeida Lima, membro do júri, dizer que faria melhor em ser dona de casa. Só depois do 25 de Abril de 1974 assumiu um papel mais proeminente, quando convidada a prosseguir a carreira académica pelo amigo – e também pediatra – Mário Cordeiro e por Carlos Salazar de Sousa, outro vulto da pediatria. Veio a ser uma figura respeitadíssima dentro e fora do país, quer pelo seu percurso profissional quer pelas qualidades humanas e a afabilidade que o autor destas linhas (declaração de interesses) teve a sorte de testemunhar desde criança.

Professora catedrática na Universidade de Lisboa, Maria de Lourdes Levy deu a cara pela Carta da Criança Hospitalizada, um documento que defendia perante os seus alunos e que visava, nomeadamente, melhorar as condições das visitas e do acompanhamento que os pais podiam dar aos filhos internados. A criança maltratada e a degradação da qualidade dos serviços em tempos de cortes orçamentais foram outras grandes preocupações suas. Foi pioneira ao dedicar-se à Medicina dos Adolescentes, Genética e Pediatria Social.

Reforma não a fez parar

A pediatra reformara-se em 1991 e, já depois disso, recebeu o grau de grande oficial da Ordem de Mérito (entregue em 1992 pelo Presidente Mário Soares), a medalha de prata do Ministério de Saúde e a medalha de Mérito da Ordem dos Médicos (2003), entre outras distinções. Também foi dirigente da Revista Portuguesa de Pediatria e duas vezes presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria, além de fundadora da Liga Portuguesa contra a Epilepsia e da Sociedade de Doenças Metabólicas. Pertenceu ao Conselho das Ordens de Mérito Civil durante a presidência de Jorge Sampaio.

Sócia fundadora do Instituto de Apoio à Criança (IAC), Maria de Lourdes Levy foi membro de um grupo de trabalho para a Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança e do Grupo de Trabalho. “A minha maior motivação é ajudar os outros, porque não gosto de ver a vida parada. Custa-me ver as coisas à nossa mão e as pessoas não olharem nem se servirem delas”, disse à revista Activa quando nomeada por esta para mais um galardão. O IAC e a Escola Superior de Educação João de Deus, a cujo Conselho Científico presidiu, foram as instituições a que mais se entregou nos últimos anos. “Foram muito importantes para se sentir útil e ainda ligada a esta vida”, garante o filho António Levy Gomes.

Maria de Lourdes Levy foi casada com o médico António Ferreira Gomes, precocemente falecido em 1974. Mãe de António Levy Gomes e da também pediatra Leonor Levy Gomes, teve quatro netos e três bisnetos. Apesar da origem judaica do seu apelido, dizia-se sem religião e nunca quis militar em partidos políticos. Deixou vasta obra publicada aquela a quem o também pediatra José Miguel Ramos de Almeida chamou, apropriadamente, “matriarca da pediatria portuguesa”.

 

 

 

 

 

 

 

No hospital há aulas todos os dias e as crianças gostam

Junho 10, 2015 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Reportagem do Público de 7 de junho de 2015.

Sérgio Azenha

Graça Barbosa Ribeiro

Há quem pense que é quase cruel estar a incomodar uma criança com um cancro ensinando-lhe Matemática, Português ou Estudo do Meio. Mas, para os meninos que ficam internados meses ou anos, as aulas podem ser o que lhes permite manter uma rotina com alguma normalidade e não perder o contacto com a turma.

Leandro, de 11 anos, fez uma cirurgia há dois dias e tem-se queixado de dores. Mas, neste momento, não mostra qualquer incómodo. Deitado, no quarto do Hospital Pediátrico de Coimbra (HPC), onde está internado desde Janeiro devido a uma doença oncológica, conseguiu soerguer-se o suficiente para ler a ficha de Matemática que a professora lhe trouxe e está com os olhos fixos no papel e com o lápis suspenso, a pensar.

O silêncio dura ainda alguns segundos. “Se não souberes conta as barras pintadas da figura, sim?”, pede Clara Santos. A aula começou há cerca de 30 minutos e ela não mostra impaciência nem pressa. Todos os dias aprende a respeitar o ritmo de cada um dos seus alunos, que muda diariamente e, às vezes, várias vezes por dia. É uma das quatro professoras que acompanham as crianças internadas naquele hospital.

“Se me contassem não acreditava”, comenta a mãe de Leandro. Está sentada no sofá que mais logo se há-de transformar na sua cama e sussurra, com mão à frente da boca, para não atrapalhar a aula. Diz que o filho mudou. “Era hiperactivo, tomava imensos medicamentos por causa disso e, ainda assim, estava sempre a arranjar problemas com a antiga professora, que já o punha de lado, a um canto da sala — não passou do 4.º ano. Agora não toma nada dessas coisas e olhe para isto.”

Sem mover a cabeça, que tapou com um boné, o rapaz volta os olhos para professora, numa interrogação tímida, quando arrisca que se tirar oito décimas a uma unidade “sobram duas décimas”. Clara sorri e diz, baixinho: “Estás a ver? Já percebeste!” Ele não corresponde com um sorriso, mas parece orgulhoso. Num gesto decidido e a mão firme preenche o espaço em branco com o resultado e, sem dizer palavra, prossegue para as alíneas seguintes, que têm questões do mesmo género, acertando sempre. A professora só avança para o ponto que se segue depois de se certificar de que Leandro está bem — “Tens a certeza de que queres continuar? Não estás cansado?”

Clara Santos, tal como Margarida Moreira, dá aulas a meninos do 1.º ciclo — cerca de 260, nos últimos quatro anos lectivos, por períodos que nalguns casos duraram apenas três semanas e noutros se prolongaram ao longo meses e até anos. No mesmo período, as professoras Catarina Violante e Cláudia Cerca acompanharam mais de 200 crianças que frequentavam os anos seguintes de escolaridade, entre o 5.º e o 12.º.

“Nada nos prepara”

“Basicamente estudamos muito para poder ensinar de tudo”, explicará, mais tarde, Catarina Violante. Essa versatilidade é essencial, mas não é o único requisito para trabalhar num hospital pediátrico, como há dois anos descobriu João Ferreira, professor do quadro de uma escola das imediações, que cumpre ali parte do seu horário. “Nada nos prepara para aquilo para que vimos. Nada”, comenta, emocionado. E, ainda assim, “nem por um segundo” hesitou, quando as colegas lhe propuseram pedir o destacamento, para ficar a tempo inteiro. Ainda à espera do aval do Ministério da Educação, conta que foram “inúmeras”, as razões que pesaram na sua decisão. Uma delas, “a mais importante, talvez, é o valor que os miúdos”, ali, “dão à escola”. “De repente sentimos que aquilo que fazemos é realmente importante, sabe?”

Elsa, de 13 anos, está na enfermaria de Ortopedia. “Fizeste os TPH?”, pergunta Catarina Violante, explicando, com uma piscadela, de olho, que ali não há TPC (trabalhos para casa) mas sim TPH, ou seja, tarefas para fazer no hospital. “Não setôra, não tive tempo. Sabe que eu aqui tenho uma vida muito ocupada”, responde Elsa, com uma gargalhadinha.

Quando Elsa chegou, há três semanas, sentaram-na numa cadeira própria para fazer tracção à coluna vertebral que uma colega de quarto com mais mobilidade transformou rapidamente num trono, enfeitando-a com pedaços de papel recortados em forma de flocos de neve.

Depois, concedeu-lhe o título de “Princess Elsa”, do filme Frozen, da Disney. Ri-se. Conta que a companheira de quarto se inspirou na estrutura metálica que lhe aplicaram no crânio e que quase faz desmaiar alguns, mas que, vendo bem, achou a amiga, é exactamente igual a uma coroa.

Elsa já transitou para o 9.º ano, porque a lei determina que assim aconteça a quem tem dois períodos com avaliações positivas e não frequenta a escola no 3.º por motivos clínicos. Muito direita, porque não pode estar de outra maneira, abre a mochila da escola para tirar o estojo, e explica que, apesar disso, “faz tudo” para tentar acompanhar a turma. Acabou de ter uma aula de Inglês com uma professora voluntária de uma escola privada, e passa para a de Matemática sem pestanejar: “Preciso de manter as boas notas. Um dia quero ganhar uma bolsa para ir para a universidade”, diz. Atrás dela, a mãe encolhe os ombros e revira os olhos, com um sorriso — “Já lhe disse que tem tempo, que o importante é a saúde, mas que é que se há-de fazer?…”

O primeiro contacto com os pais, quando as crianças ou jovens são hospitalizados, é sempre muito breve, conta Catarina Violante, que trabalha em hospitais desde 2001. A maior parte das crianças cujo internamento se prevê longo tem problemas de saúde graves, da área da oncologia, e “a escola, após o diagnóstico, está no fim da lista das prioridades”, explica a professora. Assim, num primeiro momento limitam-se a informar que, se o desejarem, os filhos serão apoiados por professores do hospital, em articulação com os da escola.

“Os pais aparecem uma duas semanas depois, quando as coisas assentam”, prossegue Cláudia Cerca. Por iniciativa própria ou em conversa com os filhos, percebem aquilo que elas já sabem: “A escola faz parte da vida das crianças, das suas rotinas, e elas querem manter a normalidade possível dentro das circunstâncias. Além disso, muitas temem perder o ano e, principalmente, os colegas de turma, e esta é uma maneira de tentar evitar que isso aconteça.”

São inúmeras as variáveis que depois entram em jogo e condicionam a estratégia dos professores, entre os quais o momento do ano lectivo. No 1.º período e no 2.º, do 2.º ciclo ao secundário, é preciso acompanhar todas as disciplinas, na medida do possível, em articulação com a escola de cada criança; os meninos fazem as fichas de avaliação, que chegam por e-mail e são devolvidas da mesma forma, depois de digitalizadas. Quando chegam ao hospital no 3.º período, trata-se de assegurar as aprendizagens essenciais para o sucesso escolar no ano lectivo seguinte. O ritmo é mais suave.

A colaboração das escolas também varia. “Às vezes a comunicação é difícil porque, simplesmente, os professores que os acompanhavam consideram quase cruel estar a incomodar uma criança com um cancro ensinando-lhe Matemática, Português ou Estudo do Meio”, comenta Margarida Moreira. “Dizem: ‘Deixe estar, não o mace, que para o ano logo vemos! Eu quero é vê-lo bom e aqui na sala outra vez!’”

Outras vezes, contam as professoras do HPC, “a colaboração é extraordinária”. Lembram-se de um caso em que todos os professores se organizaram para diariamente um ou outro enviar materiais de estudo e comentários de incentivo ao trabalho que uma menina ia realizando. E de um professor do 1.º ciclo que colocou uma câmara de vídeo no lugar exacto em que a criança se sentava na sala de aula, para ela poder ir à escola sempre que lhe apetecesse, através do computador pessoal.

Outro dos factores a ter em conta, para quem dá aulas, é a disposição das crianças. Leandro, por exemplo, não conseguiu ter aulas nos primeiros três meses do ano, porque os tratamentos deixaram-no demasiado debilitado. O mesmo se passou com Carlota, que tem sete anos e está internada, também, desde Janeiro. É ela que agora olha para Clara Santos, com um beicinho de mimo: “Dói-me um bocadinho a cabeça.”

Dois minutos antes estava a enumerar, despachada, as partes da planta — “raiz, caule, folhas, flores e frutos” — e a explicar que já semeara ou plantara com a avó “abóboras, feijões, tomates, nabos e outras coisas”. Agora põe as mãos na cabeça coberta por um lencinho colorido — “Dói.” “Será que dói mesmo? Ou mais uma vez Carlota foge às perguntas de interpretação, que a obrigam a escrever ‘respostas muito compridas’, como ela diz?”, pergunta-se Clara Santos. A menina não gosta de escrever. Aprendeu no 1.º ano e teve quase só o 1.º período do 2.º ano para praticar.

“Amanhã passamos à escrita. Estes meninos têm o direito de dizer ‘não me apetece’”, diz a professora, depois de distrair Carlota com um jogo, arrancando-lhe sorrisos, e de ver a dor de cabeça regressar à vista da ficha de trabalho. A mãe, Inês, aflige-se: “Está a atrasar-se e não queria nada que perdesse o ano. As perdas já são tantas.”

Algumas crianças só têm uma vaga noção do que perderam, como Gonçalo, um menino chinês, que já está no 4.º ano e só se sentou na sua sala de aulas por duas — apenas duas — vezes, “para saber como era”. Reteve a imagem de “um quadro gigante” e a informação de que se pode levar “comida para depois”. “Não é ‘depois’, é ‘no intervalo’”, corrige Margarida, que desta vez lhe dá a aula no hospital de dia.

Sofia, madeirense, de 14 anos, a frequentar agora o 8.º ano, tem uma noção muito clara do que perdeu, mas também do que ganhou. Desde que ficou doente, há seis anos, passou mais tempo no HPC do que na escola. Agora, que regressou (mais uma vez) para exames médicos (e tratamentos, “se for necessário”) franze os olhos num sorriso, a fitar os professores que na maior parte do 2.º período voltaram a apoiá-la nas diferentes disciplinas. Em pleno corredor, vai soltando as notícias uma a uma, fazendo pausas, a gozar as reacções quando anuncia: “90% a Matemática; 100% a Inglês; 91% a Francês; Geografia 89%; História 86%; 80 e tal por cento a Português.”

Mais tarde, ao lado do pai, na casa da associação Acreditar, conta que estava ansiosa por falar das classificações que teve na escola. “É muito importante para mim que estes professores, aqui, sintam orgulho naquilo faço. Estou a estudar graças a eles, e também é por eles que estou tão atenta nas aulas. Não é toda a gente que tem a sorte que eu tive — professores dedicados apenas a mim.” Trouxe os apontamentos. Os professores da Madeira vão mandar as matrizes dos últimos testes por e-mail e ela já avisou os do hospital, para que fiquem atentos. Alguns até disseram que ela não precisava de realizar estas provas, mas ela vai fazê-las: “Porque quero.”

 

 

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.