‘Aqui ninguém implica com ninguém’: programa adotado em 99 escolas da Holanda reduziu o bullying pela metade

Janeiro 29, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Notícia do site g1Globo de 5 de julho de 2018.

Cinco anos após adoção de programa finlandês, percentual de crianças que disseram ter sofrido bullying caiu de 29% para 13,5%; G1 publica série de reportagens sobre como a Holanda ficou no topo do ranking de crianças mais felizes.

Por Mariana Timóteo da Costa, GloboNews — Amsterdã, Haia e Roterdã

Um pesquisa que acompanhou 10 mil crianças de 99 escolas holandesas durante cinco anos mostrou impactos positivos no combate ao bullying. Em 2012, o problema atingia quase 30% dos alunos, segundo eles mesmos relataram. Em 2017, essa porcentagem caiu para 13,5%.

Além disso, mudanças na legislação e a orientação sobre como lidar com conflito desde a primeira infância são dois dos fatores que levaram a Holanda a ter um alto índice de crianças que consideram seus colegas de escola “legais”. A pesquisa do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) para avaliar a qualidade dos estudantes em diversos países mostrou que quase 85% das crianças holandesas alegam que seus amigos são legais – o maior índice entre os países avaliados.

Até esta sexta-feira (6), o G1 publica uma série de nove reportagens que investigam os fatores educacionais, econômicos e sociais por trás do sucesso holandês.

Política anti-bullying

A Holanda tem uma forte política anti-bullying: desde 2015 as escolas primárias e secundárias são obrigadas por lei a combater os casos de bullying.

Nas escolas primárias, crianças são ensinadas desde os 4 anos a fazerem um sinal de “pare” com as mãos quando não gostam de uma situação ou quando acham que algum colega ultrapassou algum limite. Além disso, são estimuladas a logo conversar com um adulto sobre a situação.

Em 2016, o número de crianças que alegaram ter sofrido bullying na educação primária caiu para 10% – comparado a 14% em 2014. Nas escolas secundárias caiu de 11% em 2014 para 8% em 2016, segundo o Ministério da Educação.

Adoção de programa finlandês

Um estudo da University of Groningen com 10 mil alunos em 99 escolas primárias que adotaram um programa anti-bullying conhecido como KiVa (criado na Finlândia) mostrou que os casos de bullying caíram 50% entre 2012 e 2017.

“Conversar a respeito faz com que os alunos reflitam melhor sobre o que significa fazer ou ser alvo de bullying”, disse René Veenstra, autor do estudo, à imprensa holandesa.

Nas escolas que aplicaram o KiVa, o percentual das crianças que disseram ter sofrido bullying caiu de 29% em 2012 para 13,5% em 2017.

Os alunos também alegaram que seus professores passaram a prestar mais atenção quando existe uma reclamação.

 

 

Bicicleta e comida saudável fazem das crianças holandesas as menos obesas entre os países ricos

Agosto 13, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Menina anda de bicicleta entre os demais ciclistas de Amsterdã sem a supervisão dos pais (Foto: Mariana Timóteo da Costa/GloboNews)

Notícia e imagem do G1 Globo de 6 de julho de 2018.

Por Mariana Timóteo da Costa, GloboNews, Amsterdã, Haia e Roterdã

Só 7% das crianças holandesas de 11, 13 e 15 anos estão acima do peso; G1 publica série de reportagens sobre como a Holanda foi parar no topo dos países com as crianças mais felizes do mundo.

O percentual de crianças obesas na Holanda é o menor entre os países pesquisados pelo Unicef. Se nos EUA cerca de 30% das crianças de 11, 13 e 15 anos estão acima do peso, na Holanda o índice é 7%. Na França, outro país reconhecido pela alimentação saudável, o índice é 10%.

Apesar de o granulado de chocolate fazer parte de um lanche típico levado para as escolas, as crianças desde cedo fazem muito exercício porque andam para todo o canto de bicicleta. Além disso, iniciativas de prefeituras como a de Amsterdã vem reduzindo o consumo de açúcar e frituras nas escolas.

“Aos 6 anos já pedalava sozinha para a escola, aqui no bairro é tão tranquilo que nem precisamos de capacete, andamos sempre na ciclovia”, conta Ina Hutchison, hoje com 11, chegando de uma tarde no parque e no supermercado. “Vou sozinha, estaciono minha bike e faço as compras que minha mãe pediu.”

Desde quarta-feira (4), o G1 publica uma série de nove reportagens que investigam os fatores educacionais, econômicos e sociais por trás do sucesso holandês.

Mais bicicletas que pessoas

A Holanda tem 17 milhões de pessoas e 25 milhões de bicicletas. Ou seja, 1,3 bicicleta per capita. Na hora do rush em cidades grandes como Amsterdã, Roterdã e Haia, é comum ver mais bicicletas do que carros passando.

São mais de 35 mil quilômetros de ciclovias. Um holandês anda em média mil quilômetros por ano de bicicleta. E muitos desde cedo, como Ina Hutchison.

“A cultura da bicleta começa mesmo antes de as crianças aprenderem a andar, ou mesmo aprender a se movimentar com as pernas. Eu mesma só carrego ele aqui no bakfiet e ele adora”, diz a enóloga Agnes Demen, mãe de Jacob, de 1 ano.”

O bakfiet é uma estrutura de madeira que é colocada na bicicleta e usada para transportar crianças e compras de supermercado.

“É claro que o fato de as cidades serem planas e não termos problemas com segurança ajuda. Mas acho que é mais uma questão cultural mesmo. Aí a criança cresce e quer logo se deslocar de bicicleta”, acredita.

Agnes Demen transporta o filho Jacob na bakfiet, uma bicicleta adaptada para carregar crianças pequenas (Foto: Mariana Timóteo da Costa/GloboNews)

O granulado de chocolate levado de lanche, uma tradição holandesa, assim, não vira um vilão da alimentação.

Além do fato de as crianças fazerem muito exercício, prefeituras como a de Amsterdã iniciaram programas para estimular a alimentação saudável nas escolas. A Prefeitura parou de patrocinar eventos apoiados por marcas de fast-food e deu incentivo fiscais para escolas que, em suas lanchonetes, parassem de oferecer lanches processados ou com alto teor de açúcar.

O resultado foi uma redução de 12% do número de crianças obesas na cidade entre 2012 e 2015 – o que ocorreu especialmente no bairro de imigrantes.

“Aí foi um efeito cascata. Muitas escolas passaram a estimular apenas o consumo de água. Os pais começaram a mandar em vez de bolos para as festas de aniversário, frutas”, conta Leotien Peeters, da Fundação Bernard Van Leer, com sede na Holanda, dedicada à primeira infância, que advoca por mais saúde e bem-estar para crianças pequenas em vários países, incluindo no seu de origem.

Influência da nutrição na saúde

Uma das maiores cientistas da Holanda, Tessa Roseboom é professora de desenvolvimento infantil e saúde da Universidade de Amsterdã. Ela elogia as iniciativas da cidade ao perceber a influência da nutrição na saúde das crianças.

Autora de um estudo que provou que as doenças são influenciadas pela alimentação quando a criança ainda está no útero da mãe, ela diz que iniciativas como a de Amsterdã revertem tendências desses jovens terem doenças crônicas no futuro.

“Além disso permitirá que as crianças desenvolvam todo o seu potencial. A cidade de Amsterdã está se dando conta da importância de investir nesses primeiros anos da vida da criança”, afirma.

Outras cidades holandesas também programam atividades para promover vida saudável entre as crianças. Em Roterdã, é comum eventos como o que o G1 acompanhou, promovido pelas escolas públicas do bairro: uma caminhada de 5 km com a participação de cerca de 700 crianças e 400 pais.

“Adoro vir nessas caminhadas, faz nos sentirmos parte da comunidade e ainda fazem bem para a saúde”, diz a joalheira Diana Spierings, acompanhada do filho Jules e de um amigo.”

A empresária Nanja Totorla passeia animada com o filho Gianlucca, de 8. Logo, o menino dispara no meio da multidão.

“Já já ele volta, as crianças aqui são muito livres”, brinca.

 

 

Crime devido a intriga no Facebook em julgamento

Setembro 24, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia do Diário de Notícias de 24 de Agosto de 2012.

por Leonor Mateus Ferreira, editado por Ricardo Simões Ferreira

Dois menores pagaram a um terceiro para matar uma jovem. A razão foram comentários feitos na rede social Facebook. Jinhua K., de 14 anos, o suposto assassino começou esta semana a ser julgado.

Joyce Winsei Hau, de 15 foi morta por esfaqueamento, em sua casa, a 14 de janeiro, alegadamente a mando de Polly W., de 16 anos e do seu ex-namorado Wesley C., de 18. Isto porque Joyce tinha feito comentários no Facebook sobre supostas traições de Polly a Wesley e eles não perdoaram.

Esta semana começou o julgamento de Jinhua K., que completou entretanto 15 anos, e que confessou o crime à polícia, em Arnhem, na Holanda. O Ministério Público pediu pena máxima aplicável ao menor: um ano de prisão e dois de internamento num centro psiquiátrico.

Jinhua alega ter sido ele próprio vítima de ameaças de morte, que terão sido a razão para cometer o assassinato. No entanto, segundo o jornal espanhol ‘ABC’, as autoridades pensam que o jovem terá sido pago, com pelo menos 100 euros.

Joyce morreu no hospital cinco dias após ter sido esfaqueada. Também o pai da vítima ficou ferido durante o ataque. A leitura da sentença está prevista para 3 de setembro e o processo contra os mandantes espera ainda o relatório sobre a saúde mental dos dois jovens.

Para além de ter chocado a Europa, o caso abriu um debate sobre o uso das redes sociais entre os jovens. Hau Chun Nam, o pai da vítima, alertou outros pais para terem atenção à atividade internauta dos seus filhos.

Monitoring Child Well-being in the European Union: Measuring cumulative deprivation

Setembro 20, 2011 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

 

Summary: The European Union is developing child specific indicators of well-being to complement the Laeken indicators on poverty and social exclusion. Though many child sensitive indicators have been proposed, none of the measures is sensitive to (changes in) cumulative deprivation, i.e. the degree to which a child simultaneously experiences a range of unfavourable conditions.

This paper describes and empirically tests a number of candidate measures of cumulative deprivation to monitor child well-being. The ideal measure is sensitive to (changes in) cumulative deprivation and, given its broad use in the policy community, has an intuitive interpretation. Using the 2007 wave of the EU-SILC data, we construct several headcount and adjusted-headcount measures of cumulative deprivation from a set of 13 deprivation indicators for Germany, France, The Netherlands and the United Kingdom. We test the impact of changes in the main methodological decisions: the exclusion of deprivation indicators, changes in the indicator threshold, changes in the cumulative deprivation threshold and changes in the weighting indicators. Our findings indicate that some measures are considerably more sensitive than others.

In the context of the search for child-specific indicators, we conclude that headcount and adjusted headcount measures of cumulative deprivation give relevant and complementary insights into child well-being and perform well in sensitivity tests. While the interpretation of headcount measures is somewhat easier, the adjusted-headcount is additionally able to monitor changes in cumulative deprivation and it is less sensitive to changes in the methodology. Within these two broad classes some non-trivial choices must be made and the adjusted-headcount with a cumulative deprivation threshold of one satisfies the evaluation criteria best. The relative measures of cumulative deprivation are problematic: not only are they very sensitive to changes in methodological decisions, but they are also more difficult to interpret. However, to monitor cumulative deprivation of children there is also a need for child specific indicators (rather than household level indicators) over a wider range of well-being domains.

Descarregar o documento Aqui


Entries e comentários feeds.