Senado francês defende fim de concursos de beleza para crianças

Outubro 8, 2013 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 19 de Setembro de 2013.

Lionel Bonaventure

Eventos “mini-miss” podem passar a ser punidos com pena de prisão e multa. Última decisão cabe a deputados da Assembleia Nacional.

O Senado francês pronunciou-se a favor da interdição dos concursos de beleza para raparigas com menos de 16 anos, os chamados “mini-miss”. A decisão favorável à proposta apresentada pela antiga ministra do Desporto e senadora Chantal Jouanno terá agora que ser aprovada pelos deputados na Assembleia Nacional.

Em 2010, Thylane Lena-Rose Blondeau fez a capa da edição de Dezembro da Vogue Crianças francesa. A menina, que já fazia trabalhos como modelo desde os quatro anos, viu-se subitamente no centro de uma polémica quando surgiu na revista com roupas de alta-costura, sapatos de salto alto, jóias e muita maquilhagem.

Na altura foi considerado que a criança tinha sido apresentada em poses demasiado sensuais para alguém com apenas dez anos. A revista defendeu a sua edição, bem como a mãe de Thylane. Pelo lado da crítica estiveram várias organização e Chantal Jouanno, uma senadora que pegou no caso para levantar a questão da “hipersexualização” das crianças.

Cerca de dois anos depois do caso de Thylane, a antiga ministra do Desporto apresentou um relatório a denunciar o que considera ser um “fenómeno cada vez mais presente”, ainda que admita que “não tenha afectado massivamente as crianças”. No documento, Jouanno alertou que, no “extremo, a intrusão precoce da sexualidade representa danos psicológicos irreversíveis em 80% dos casos”.

Já este ano, a senadora apresentou um projecto de lei a defender o fim de concursos destinados a crianças com menos de 16 anos. Na noite desta terça-feira, o Senado aprovou a proposta com 196 votos a favor e 146 contra. Caso seja também aceite pelos deputados da Assembleia Nacional, a nova lei prevê uma pena de prisão de dois anos e o pagamento de uma multa de 30 mil euros a quem organizar concursos que sejam destinados a meninas.

“Não deixemos as nossas filhas acreditarem desde pequenas que não valem mais do que a sua aparência. Não deixemos o interesse comercial prevalecer sobre o interesse social”, escreveu Chantal Jouanno na sua proposta agora aprovada.

As sanções a aplicar à organização dos “mini-miss” foram consideradas “excessivas” pela senadora socialista Virginie Klès, bem como a ministra dos Direitos das Mulheres, Najat Vallaud-Belkacem. A ministra tinha proposto, pela sua parte, que os organizadores destes concursos ficariam obrigados a pedir uma licença oficial, que depois de analisada permitira ou não a realização do evento. A proposta foi rejeitada.

Cair na tentação da moda das lolitas

Março 29, 2012 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Destak de 20 de Março de 2012.

Hiper-sexualização

Modelos, cantoras e actrizes ganham cada vez mais cedo trejeitos de mulheres maduras. Tendência natural ou exploração?

Vera Valadas Ferreira

Na sequência de um ensaio fotográfico da revista de moda francesa Vogue, na qual várias meninas posavam quais mulheres fatais, as autoridades gaulesas estão cada vez mais interessadas em cortar pela raiz o mal que consideram ser esta nova “moda das lolitas”.

Na verdade, se no célebre romance de Vladimir Nobokov um professor de meia-idade cede à tentação física de uma menina de 12 anos, por sinal sua enteada, também a indústria da moda (e da música e do cinema) parece não conseguir resistir a ir buscar cada vez mais cedo os seus talentos-sensação, por muita celeuma que tal suscite.

Em França, a deputada conservadora Chantal Jouanno apresentou recentemente no parlamento um projecto-lei sobre o fenómeno da hiper-sexualização das menores de 12 anos, uma tendência que os peritos consideram colocar em perigo tanto o bem-estar físico e psicológico das crianças como ameaça o princípio de igualdade entre géneros, uma vez que são as meninas as mais beneficiadas/prejudicadas com esta moda, dependendo da perspectiva de quem avalia. Em Portugal, as agências de modelos, regra geral, impõem como limite mínimo nos seus agenciados os 14 anos.

O mesmo acontece nos concursos de modelos que servem à descoberta de novos _talentos como o Face Models, o Elite Model Look e afins. Antes dos 14 anos, a tenra idade implica que os modelos – mesmo que já saibam com convicção aquilo que querem fazer na vida adulta e não estejam apenas a ceder a um capricho – sejam permanentemente acompanhados. Este sistema de “baby sitting” complica no caso de deslocações ao estrangeiro ou sempre que a família do pré-adolescente não esteja sintonizada com a carreira dos filhos.

Deste mal não parece padecer Anäis Gallagher (filha do guitarrista da banda britânica Oasis) que, não obstante ter apenas 11 anos de idade, assinou um contrato com a Select, agência londrina que representa Agyness Deyn. Ou de Selah Marley, a filha de 12 anos da cantora Lauryn Hill e neta de Bob Marley. Num segmento toldado pela rivalidade e onde “vale tudo menos tirar olhos”, dizem, o que são menos dois ou três anos, no momento de avaliar os BI das modelos?!

Demasiado precoces

A hipersexualização das crianças define-se como «a sexualização das expressões, posturas ou códigos de vestuário, considerados como demasiado precoces», dita o documento em análise no parlamento francês. Nele se frisa que este fenómeno que começou por se manifestar no universo anglo-saxónico não será totalmente alheio à importância da aparência promovida pelos reality shows tão em voga no pequeno ecrã. Em certas escolas primárias francesas – num fenómeno que certamente não ficará circunscrito ao país de Sarkozy – algumas alunas foram proibidas de usar saltos altos e maquilhagem. Isto enquanto determinadas lojas de lingerie vendem soutiãs almofadados para meninas de 8 anos.

As autoridades alertam que «além de danos irreversíveis em 80% dos casos», esta nova realidade pode potenciar distúrbios alimentares como a anorexia, já que, em França, estima-se que 37% das menores de 11 anos esteja sob dieta. A banalização da pornografia, o assédio sexual e a promoção do estereótipo da mulher/menina passiva são outros dos _temores a combater.

Modelos pré-adolescentes

Kaia Gerber, de 10 anos, protagoniza _a campanha da Young Versace. A mãe, a top model Cindy Crawford, diz que não poderia estar mais orgulhosa. Se os 40 são os novos 30… os dez parecem ser os novos vintes.

«Olho para a minha filha, e penso: ‘tens a minha antiga pele e eu quero-a de volta! Tens as minhas antigas pernas e eu quero-as de volta! Tens o meu antigo cabelo e eu quero-o de volta!’ Ela está a ficar cada vez mais e mais bonita», desabafou Cindy Crawford ao site Acess Hollywood, sobre Kaia Gerber, a menina de 10 anos que a Young Versace elegeu para protagonizar a sua campanha de roupa para crianças.

Verdade seja dita, é que de infantil já pouco terão as indumentárias propostas para este segmento etário, sinal dos tempos nos quais os 40 são os novos 30, mas muito perigosamente também os 10 parecem ser os novos 20. A seu favor, a revelação Kaia tem umas pernas que nunca mais acabam, o rosto sereno e a cabeleira longa, em tudo iguais aos da mãe. Só lhe falta mesmo o icónico sinal junto ao lábio.

De resto, na sua primeira sessão fotográfica, é vê-la com pose de durona, com bota e casaco de cabedal a condizer. «Sou uma mãe super-protectora, e quis saber quem faria as fotografias. Disse que não queria que ela ficasse torta e que ela não poderia usar maquilhagem», defende-se a mãe quanto às críticas de ter lançado a filha às feras cedo demais.

«Foi uma emoção muito especial ver a Kaia a seguir as pisadas da mãe», comentou Donatella, a directora criativa da Versace, para quem a miúda herdou da mãe o jeito especial para o ofício de modelo. Recorde-se que Crawford foi descoberta por esta indústria em 1983, aos 17 anos. «Estar no set com a minha filha foi uma experiência fantástica. Estou tão orgulhosa dela», confessa a top model de 44 anos.

No último ano, várias modelos pré-adolescentes caíram nas graças das principais griffes internacionais. É o caso de Thylane Lena-Rose Blondeau, a sensação francesa de 10 anos que começou a desfilar para o criador Jean Paul Gaultier com apenas quatro anos, imagine-se! Ou de Lottie Moss, de 13 anos, meia–irmã da top model Kate Moss. Ou também de Lourdes Leon, a filha de Madonna, que lançou uma linha de roupa em nome próprio quando tinha apenas 14 anos.

Prostituta de 14 anos na fita ‘Taxi Driver’

Até ir para a universidade Jodie Foster fez mais de 50 filmes e séries (alguns da Disney), e também tentou uma carreira de cantora em França. Mas foi aos 14 anos que chocou o mundo ao dar corpo à prostituta Iris (2 anos mais nova) no filme de culto Taxi Driver, no qual contracenou com Harvey Keitel e Robert de Niro.

Adolescente tentação em ‘Lagoa Azul’

Aos 12 anos, Brooke Shields emprestou o seu ar angelical ao papel de uma prostituta criança no controverso filme Menina Bonita (1978). Dois anos depois, A Lagoa Azul (1980) deixava de novo em evidência a sensualidade pré-adolescente da actriz nesta história simultaneamente terna e selvagem de duas crianças naufragadas numa ilha tropical e que, com o passar do tempo, descobrem o amor e o prazer dos sentidos. A imagem de Brooke de tanga, pele dourada e cabelo longos ficou para a posteridade.

Paradis veio de táxi para a Sétima Arte

Em Abril de 1987, tinha Vanessa Paradis 14 anos e saía à rua Joe Le Taxi, tema que ocuparia o primeiro lugar do top francês durante 11 semanas. E logo a Europa se rendeu à francesinha alta e franzina, de cabelo fino, _olhos grandes e um (para muitos sensual) intervalo nos dentes de cima da frente. E começava assim a cumprir-se o sonho desta fã da _diva Marilyn Monroe de um dia vir a ser uma actriz/cantora de renome internacional. Hoje, com quase 40 anos, conserva o aspecto de menina.

Anúncio a perfume com Dakota Fanning banido

Na sequência de uma série de queixas, a Autoridade para a Publicidade no Reino Unido baniu o anúncio do perfume Oh, Lola!, de Marc Jacobs, tendo Dakota Fanning como estrela. O organismo considera que a fotografia sexualiza uma criança. «Sabemos que a actriz já tem 17 anos, mas consideramos que ela parece menor de 16 anos.

Reparamos que a modelo segura o perfume no colo, entre as pernas e consideramos esta pose sexualmente provocadora. Consideramos que o tamanho do vestido, as suas pernas e a posição do frasco de perfume chamam a atenção para a sua sexualidade», explica. Os criadores da fragrância alegam que «a imagem não mostra quaisquer partes íntimas do corpo ou actividade sexual». O frasco em forma de vaso de flores é «provocante, mas não indecente».


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