Programa ensina pais a lidar com crianças com paralisia

Julho 12, 2015 às 3:12 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia do site http://lifestyle.sapo.pt

thumbs.web.sapo.io

Nuno Noronha // Notícias // Lusa

Um programa de educação parental desenvolvido para crianças com hiperatividade e défice de atenção está a ser dirigido em Coimbra a crianças com paralisia cerebral, promovendo, junto dos pais, a chamada “parentalidade positiva”.

Numa relação onde a paralisia ocupa um papel central, os pais podem demitir-se da “imposição de regras e limites” por sentirem que a vida “já castigou demasiado o seu filho”, explica Joana Lobo, psicóloga da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC), instituição que, em parceria com a Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra, decidiu implementar o programa de educação parental “Anos Incríveis”, que desenvolve estratégias para reduzir distúrbios em crianças com hiperatividade, défice de atenção ou agressividade.

“Porque é que estes pais precisam do programa? Porque são pais. A paralisia é uma coisa na vida, mas não é a vida”, sublinha uma das coordenadoras do programa em Portugal, Filomena Gaspar, referindo que as estratégias utilizadas pretendem fazer com que o foco dos pais “não seja no que a criança não faz bem, mas no que faz bem”.

Segundo a também docente da Faculdade de Psicologia, os pais precisam de “se focar no essencial e não gastar tempo no que não interessa”, dando atenção positiva ao mesmo tempo que impõem limites e consequências para desobediências e birras.

Acabar com a frustração e insegurança dos pais

Numa sala da sede da APCC, pais de 13 crianças com paralisia cerebral, dos três aos oito anos, começaram em abril a receber formação deste programa, em que se procura “acabar com a frustração e insegurança” que os progenitores possam sentir, diz à Lusa Joana Lobo.

Durante as formações, que ocorrem uma vez por semana e que são dinamizadas por investigadores da Faculdade de Psicologia, os pais põem-se no lugar dos filhos, aprendem a impor limites e a brincar, numa sala onde reina o pensamento positivo, que segue depois para casa, como conta Susana Pires, mãe da Carolina, de sete anos.

“Foco-me mais nos aspetos positivos, aproveito melhor o tempo que tenho com a Carolina, mas também percebi que estava a fazer algumas coisas bem”, diz a mãe, de 25 anos, da Guarda, que nota sinais de melhoria na sua filha que diz ser “um bocadinho manipulativa”.

O pouco tempo que tem com a filha, devido ao trabalho, aproveita agora “da melhor forma”, refere.

“Não aproveitávamos tanto para brincar. Agora, chego a estar duas horas só a brincar”, salienta Sofia Gouveia, de 39 anos, referindo que está “mais feliz”.

Maria Filomena Gaspar acrescenta: “Custa menos que uma caixa de antidepressivos”.

Miguel Monteiro, pai do David, de seis anos, afirma que a paralisia “é como uma tragédia que se abate” no seio da família.

“Vivemos centrados nesse problema e esquecemo-nos de que são crianças normais. O meu filho é muito acompanhado, está rodeado de técnicos, mas só tem uns pais. Não podemos esquecer a afetividade, temos de lhe dar carinho”, salienta.

“É uma espécie de vacina”, explica a coordenadora do programa.

A formação termina na quinta-feira e a APCC e a Faculdade de Psicologia vão realizar uma segunda fase do projeto, com outras 13 famílias da região Centro, a qual irá arrancar em outubro.

http://www.apc-coimbra.org.pt/

 

Os mitos associados à PHDA

Julho 8, 2015 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas:

texto do http://lifestyle.publico.pt/  de 26 de junho de 2015.

Daniel Rocha

Por Carolina Viana,

Muito se fala sobre Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA). Embora seja tão comentada, ainda existem muitos mitos associados.

Os indivíduos com PHDA enfrentam desafios diariamente e com frequência sofrem o estigma do aluno “mal-educado”, desobediente, obstinado, etc. Quando, na verdade, tudo é feito com esforço acrescido. Por outro lado, também há crianças a ser apelidadas de hiperactivas quando não deverá ser essa a denominação.

E aquelas que por serem apenas desatentas mas não agitadas passam despercebidas e só se detectam as dificuldades mais à frente no percurso académico? E os pais, serão todos eles maus disciplinadores? Procuro, neste breve texto, desmistificar algumas destas questões.

“Ele não tem PHDA, é preguiçoso e mal-educado!”

Não! A PHDA é uma perturbação real que afecta cerca de 4% da população e que traz consequências ao nível do desempenho escolar, familiar e social. Ao contrário do que se pensa, as crianças com PHDA não conseguem controlar o seu comportamento. Não fazem as coisas porque não saibam mas sim porque não conseguem!

São crianças que têm muita dificuldade em envolver-se em tarefas que exijam esforço mental prolongado e por isso são muitas vezes apelidadas de preguiçosas. A verdade é que muitas vezes se esforçam mais do que os outros.

“Todos os hiperactivos têm PHDA!”

Não! Todas as crianças precisam de se mexer para conhecer e explorar o mundo. A agitação motora faz parte do desenvolvimento. Existem crianças que são mais mexidas do que outras mas isso não implica a presença duma perturbação. Para que tenham uma PHDA as dificuldades devem afectar o seu desenvolvimento pessoal, escolar e social e deve ter impacto significativo nos diferentes contextos de vida.

“Tem PHDA porque os pais não sabem educar!”

Não! Quando uma criança com PHDA não cumpre o que lhe é pedido ou faz birras, não é porque os pais não imponham regras e limites. Isto acontece porque uma criança com PHDA não consegue antecipar as consequências do seu comportamento. O problema advém de dificuldades na autorregulação do comportamento e não da falta de disciplina em casa.

“Só aparece em rapazes”

Não! As raparigas têm tanta probabilidade de ter uma PHDA quanto os rapazes. A diferença está na manifestação dos sintomas. Normalmente os rapazes são mais agitados que as raparigas e como tal, os sintomas de agitação motora, aquando duma PHDA, são mais marcados e evidentes. Por seu turno, as raparigas apresentam mais sintomas de desatenção, sintomas que passam mais facilmente despercebidos porque “não perturbam a aula”.

“Isto passa com a idade!”

Não! A PHDA é uma perturbação crónica que evolui ao longo da vida. Cerca de 30% a 50% dos casos permanece até à idade adulta e quando não dignosticado atempadamente pode evoluir para outro tipo de dificuldades. Há uma tendência para os sintomas de agitação motora diminuirem mas as dificuldades de autorregulação, controlo da atenção e impulsividade persistirem ou intensificarem-se.

“Fica horas a jogar playstation, não tem PHDA?”

Não! Muitas crianças e jovens com PHDA ficam muito tempo a jogar consola ou computador porque é mais fácil estar atento a actividades em que o estímulo está em constante mudança e em que há constante reforço das nossas acções (vidas, pontos…). Crianças com PHDA têm mais dificuldade, como qualquer outro inidvíduo, em manter a atenção em tarefas monótonas e menos motivantes.

“Consegue ouvir, perceber tudo o que se passa à sua volta, não tem PHDA”

Não! Crianças com PHDA estão atentos a tudo mas não se concentram em nada! “Até a mosca vêem passar”, mas não conseguem seleccionar o estímulo mais importante (focar a atenção) para conseguir realizar a tarefa que têm em mãos.

“Ao darmos apoio na escola a crianças com PHDA ou estamos a ser injustos com os restantes alunos”

Não! Quem tem uma PHDA tem um défice ao nível das competências para estar atento, ou seja, não tem a estrutura necessária para conseguir estar concentrado nas tarefas. Ao fazermos adaptações em sala de aula estamos a dar ferramentas para ultrapassar estas dificuldades. Não estamos a retirar os obstáculos do percurso mas sim a dar estratégias para os ultrapassar. Mais ainda, estas estratégias podem facilmente ser implementadas com todos os alunos e assim estimular a aprendizagem de todos.

Psicóloga Clínica, CADIn (phda@cadin.net)

 

 

Hiperactividade… Ciência versus Facebook…

Julho 5, 2015 às 1:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , ,

Artigo de opinião de Mário Cordeiro publicado no i de 30 de junho de 2015.

Nem tudo o que mexe é hiperactivo, nem todos os que sonham têm défice de atenção. Mas destruir um fármaco com “cultura de Facebook” é demasiado leviano…

De acordo com os dados do Infarmed, houve um aumento na prescrição de metilfenidato (Concerta®, Ritalina®) para o dobro, entre 2010 e 2014. Podem existir várias explicações para isto, desde um exagero de prescrições até um melhor diagnóstico e medicação de crianças e jovens que necessitavam do medicamento e não o estavam a tomar. Por outro lado, os problemas de dispersão, falta de concentração e atenção e hiperactividade são mais bem conhecidos e isso pode justificar o aumento.

Todavia, os números não falam; as pessoas é que os interpretam, e tudo o que seja tirar ilações do facto de a prescrição ter aumentado é especulativo. O que se sabe, sim, é que embora haja crianças medicadas que não precisavam de o ser, é maior o número das que precisam e não estão medicadas e, das que estão, a esmagadora maioria colhe benefícios. A destruição da ideia de medicar, como vemos no que designo por “cultura de Facebook”, pode arruinar a vida de muitas crianças e isso é feito diariamente, de forma leviana.

Recomenda-se este tipo de fármacos nas situações em que há uma perturbação da concentração e atenção – o que ocorre sobretudo nos rapazes – que afecta a vida das crianças de forma significativa, para lá dos casos de cansaço, má gestão dos estímulos artificiais que desviam a atenção ou irrequietude natural das crianças e jovens, sobretudo do sexo masculino. Nem tudo o que mexe é hiperactivo, nem todos os que sonham têm défice de atenção!

As crianças, vivendo num mundo “entre quatro paredes”, precisam de se expandir, de se mexer. No entanto, a incapacidade de concentração num estímulo, sobretudo abstracto, desviando-se para “qualquer mosca que passe”, faz com que a criança retire muito pouco das aulas, se mexa constantemente, se sinta mais distante do “filme” que está a passar na sala de aula e invente outras coisas, mexendo-se, perturbe os outros e se comporte de modo hiperactivo, sendo disruptiva para a aula e prejudicando gravemente o seu próprio processo de aprendizagem.

Finalmente, estar constantemente a ser admoestado e posto de castigo e ver as notas aquém do que deseja (para dar um exemplo, a impulsividade faz ler apenas metade do cabeçalho e começar logo a responder, esquecendo o resto e tendo a pergunta incompleta apesar de saber a matéria) diminuem a auto-estima, causam tristeza e geram problemas acrescidos, sociais e psicológicos.

Só pode ser arrogante relativamente a esta forma terapêutica quem nunca foi o “patinho feio” ou o “palhaço” da turma, sentindo que pode ser mais e que fica aquém, como no poema de Mário de Sá-Carneiro.

Os benefícios da terapêutica, que pode ser instituída por um pediatra ou neuropediatra, mas que não necessita obrigatoriamente de ser baseada em doses e doses de testes e exames, são tal e qual umas muletas para quem tem uma perna engessada: ajudar o processo de aprendizagem e permitir à criança o desenvolvimento das suas capacidades.

O argumento dos detractores de que “é um químico” é anedótico porque o cérebro funciona, exactamente, com mediadores químicos, e nos casos de hiperactividade e défice de atenção, dispersão e impulsividade, esse mediador está em falta. Com o crescimento, o cérebro arranjará outras formas de funcionamento e não é precisa medicação para a vida toda, como alguns dizem. Além disso, é boa prática as crianças interromperem a medicação nas férias lectivas; a ideia de que se fica “preso a uma droga” é mais um dos mitos urbanos veiculados na internet.

Quanto a contra-indicações, nas redes sociais há pessoas que gostam muito de dizer que “é veneno”, “um perigo” e “não serve para nada”… dá vontade de rir. Leiam a bula do ibuprofeno ou do paracetamol, que dão aos vossos filhos, ou a de qualquer medicamento, e verão a “galeria de horrores” – os efeitos colaterais são raros e, salvo excepções, resumem-se a duas semanas de perda de apetite ou de acordar durante a noite, mas são situações transitórias. Aliás, como qualquer medicamento, se o utente apresentar sintomas, o médico suspenderá a terapêutica… isso acontece com antibióticos ou com anti-histamínicos… ou com tudo!

O metilfenidato não dá “superpoderes” à criança… apenas faz render melhor as suas capacidades naturais. Ninguém fica engenheiro, pianista ou escritor com o medicamento se não tiver esses talentos, mas pode nunca vir a ser engenheiro, escritor ou pianista, tendo esses talentos, por não conseguir estudar e concentrar-se, e andar toda a escolaridade a saltitar de “mosca para mosca”, irritando os professores, enervando os pais e diminuindo a sua auto-estima. E se pensássemos numa coisa chamada ciência? Talvez valha mais do que o diz-que-diz das redes sociais…

Pediatra

Escreve à terça-feira 

 

Emílio Eduardo Salgueiro: “Em regra, numa família tranquila não há filhos irrequietos!”

Julho 2, 2015 às 12:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , ,

Entrevista do Observador a Emílio Eduardo Salgueiro no dia 27 de junho de 2015.

ver o vídeo da entrevista no link:

http://observador.pt/2015/06/27/emilio-eduardo-salgueiro-em-regra-numa-familia-tranquila-nao-ha-filhos-irrequietos/

observador

Pedopsiquiatra e psicanalista, Emílio Eduardo Salgueiro pode ser fascinante e desconcertante. Pode seduzir e irritar. Mas é um nome incontornável quando se fala de crianças hiperactivas.

Helena Matos

Nesta época do ano algumas famílias respiram de alívio. São as famílias com filhos considerados hiperactivos. Pelo menos durante algum tempo – o tempo das férias grandes que já foram bem maiores – descansam dos recados, dos avisos e das reuniões na escola que quase invariavelmente vão dar ao que parece óbvio a todos: há que fazer alguma coisa para acalmar aquela criança.

“Há professores que se esforçam até ao limite dos limites para conseguirem uma inserção do desviante seja de que tipo for, o sítio onde ele fica sentado, a proximidade do professor, o tipo de interesses que ele mostra, como é que se pode ir ao encontro dos interesses… Depois há outros professores ou outras circunstâncias em que [aquilo] se procura é ‘se eu me visse livre destas pessoas era o ideal.’ Começa por se chamar os pais, falar com os pais, ‘o seu filho é insuportável. Veja lá se o levam a algum lado. Veja lá se lhe dão umas pastilhas’…”

Emílio Eduardo Salgueiro fala baixo e devagar. Calculo que é neste tom que se dirige aos pais e aos filhos que chegam ao seu consultório. Os filhos, diz, vêm porque são considerados “insuportáveis” e também porque têm mau rendimento escolar: “os maus comportamentos com bom rendimento são absorvidos [pelo professor]”. Os pais chegam à consulta “zangados”: “Em regra [as pessoas] vêm muito zangadas com a escola. Com a escola. Não é tanto com o professor A, B ou C. É com a escola. E vêm zangadas com o filho.”

Mas voltemos às “pastilhas”. Num discurso em que as pausas e as repetições não são neutras retoricamente falando, Emílio Eduardo Salgueiro repete a expressão “umas pastilhas”. Era inevitável falarmos delas ou mais propriamente daquilo que “as pastilhas” representam: a medicação das crianças com problemas de comportamento. “Essa é uma das soluções procuradas e mais populares hoje em dia (…) porque há uma medicação que é eficaz numa percentagem elevada, 60 a 65% dos alunos grandes irrequietos acalmam.” Apesar do valor expressivo destas percentagens Emílio Eduardo Salgueiro não considera esta solução uma boa solução: “É eficaz na acalmia mas em regra eles não aprendem melhor porque os processos de aprendizagem não estão diretamente ligados ao comportamento. Mas como não incomodam, ficamos com o problema adiado…”

Ao falarmos de medicação e do recurso ao enquadramento legislativo que permite a estas e a outras crianças fazer a sua vida escolar com níveis de exigência diferentes era quase obrigatório abordarmos as questões do diagnóstico: “Fiz um trabalho em que comparei três escolas de três áreas e havia escolas em que era frequentíssimo o diagnóstico hiperactivo e escolas onde era raro o diagnóstico hiperactivo. Mais do que isso: em cada escola havia turmas em que havia uma percentagem apreciável [de diagnóstico hiperactivo] e turmas em que não havia. Chegou-se à conclusão que havia um efeito região, efeito bairro e efeito professor”.

E por fim chegamos à pergunta que atravessa todas as conversas, discussões e angústias sobre hiperactividade – porquê? Para Emílio Eduardo Salgueiro “não são só as crianças que se tornaram irrequietas. A sociedade está irrequieta. Portanto as famílias também estão irrequietas. Mas não dão por isso. Só dão por isso no outro que é o filho.”

E assim chegamos ao título desta entrevista – “Em regra não há filho irrequieto numa família tranquila.” E aqui acabam as transcrições porque para concordar, discordar e sobretudo perceber estas e outras afirmações de Emílio Eduardo Salgueiro o vídeo desta entrevista é fundamental.

 

 

 

 

Uma escola do Québec apresenta mesas-bicicletas para crianças hiperativas!

Junho 1, 2015 às 7:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , ,

texto do site http://www.ayoye.com de 19 de maio de 2015.

750x500-555bb546be565

Une école de Laval instaure des pupitres-vélos pour les enfants hyperactifs!

L’école primaire Des Cèdres à Laval est la première au Québec à instaurer un système de pupitres-vélos pour aider les enfants hyperactif dans leur apprentissage.

Mario Leroux, un orthopédagogue, mentionne que grâce à ces pupitres spéciaux, les enfants hyperactifs qui ont toujours besoin de bouger peuvent travailler tout en ne dérangeant pas les autres élèves en classe. Il mentionne que ces enfants ont toujours besoin de bouger et sont facilement distraits, cela dérange alors les autres élèves en classe.

Les pupitres qui en coûtent 1000$ l’unité ont été achetés grâce à des dons.

La Dre Annick Vincent mentionne que cela risque d’avoir un impact positif sur l’apprentissage de ces jeunes car il est prouvé que lorsque les enfants hyperactifs maintiennent un certain degré d’activité motrice, ils apprennent plus facilement.

Alors qu’en pensez-vous? Bonne idée ou pas?

 

 

Eduardo Sá: “Receio que não haja crianças hiperativas mas adultos com défices de atenção”

Maio 17, 2015 às 4:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: ,

Receio que não haja crianças hiperativas mas adultos com défices de atenção. Não estaremos a esticar, de tal forma, a vitalidade das crianças que expondo-as a um stresse cumulativo  tão absurdo, só as podemos tornar agitadas para que, depois, como quem tenta concertar  estragos a correr, as tentemos sossegar com uns aditivos químicos? Acho que sim.

1. Reconheço nada ter contra o lobo, o lince, o morcego, ou o bufo real, o koala, o leopardo das neves ou a arara azul mas, na verdade, de entre os animais em vias de extinção, preocupa–me que o bicho-carpinteiro não seja protegido. Não vos falo do escaravelho que, como roedor perseverante da madeira é também conhecido como bicho-carpinteiro. Mas de um misterioso animal, com o mesmo nome, que – qual Zorro – tem preservado a sua privacidade a ponto de, habitualmente, os pais – ao referirem–se a ele, quando as crianças são vivas e trapalhonas – não o conseguirem definir pela sua forma mas, unicamente, pelos efeitos que parece provocar.

Não sei em que categoria taxonómica o bicho-carpinteiro se incluirá: será um anfíbio ou uma ave que se acanha de voar? Será um predador ou um discreto micro-organismo que rivaliza com as bactérias, com a particularidade de não ter um antídoto à sua altura (o que justificaria a verdadeira epidemia atípica de crianças que soçobram à sua nefasta influência)? Preocupa-me que falemos do bicho-carpinteiro e não saibamos onde vive, como acasala ou quantas células terá. Tem uma, como a amiba (que, apesar disso, se emociona) ou, dado o seu lado de obreiro, terá um punhado de neurónios, como as abelhas? Ainda assim, o bicho-carpinteiro, ao contrário do que os pais imaginam, é o melhor amigo dos brinquedos: depois de desmanchados, acrescenta-lhes (sempre!) mais umas peças e, ao leme dos gestos das crianças, não deixa que os seus quartos se acomodem, preguiçosos, aos excessos da arrumação.

Por mais que não pareça, o bicho-carpinteiro é o melhor amigo da escola: é pela sua generosa contribuição que elas parecem ter a vista na ponta dos dedos, levando-as a supor que só se conhece no que se toca e que cheirar, escutar e sentir é sempre melhor que ver. E não fosse terem de ser consertadinhas e sossegadas em cada aula, e o bicho-carpinteiro não vacilava entre mordiscar as unhas ou os lápis das crianças (o que só é possível quando as aulas compridas esticam a sua paciência e lhe põem a barriga à razão das horas).

2. Apesar dos seus inestimáveis contributos para a vida das crianças, há quem queira o bicho-carpinteiro a ‘engonhar’, menos atrevido e, até, compenetrado. Ora esta ideia de que as crianças saudáveis, sejam quantas forem as horas que a escola as empanturre com aulas, seja qual for a magia de um professor que as cative, o número de colegas – vivos ou adoentados – que se acumulem numa sala, ou as preocupações que se atrevessem no seu coração, as crianças tenham de estar sossegadas é que preocupa. Presumir que crianças sossegadas são, por inerência, atentas deixa-me atónito.

E, pior: medicar sem critério – transformando o bicho–carpintério numa bactéria multirresistente e a escola no seu exterminador implacável – confundindo crianças dopadas com crianças atentas, põe-me à beira da ira. Sobretudo porque receio que não haja crianças hiperativas mas adultos com défices de atenção.

3. Será possível que crianças vivas, educadas em famílias cada vez mais democráticas (e que, por isso, não crescem confundindo medo com respeito), cada vez com menos tempo para brincar, com menos espaço nas suas casas e nos seus bairros, com mais compromissos escolares (que, se os pais utilizarem toda a oferta que a escola lhes disponibiliza, podem lá estar 55 horas por semana) sejam ainda mais sossegadinhas? Não estaremos a esticar, de tal forma, a vitalidade das crianças que, expondo–as a um stresse cumulativo tão absurdo, só as podemos tornar agitadas para que depois, como quem tenta concertar estragos a correr, as tentemos sossegar com uns aditivos químicos? Acho que sim.

Será razoável que, por tudo e por nada, se diagnostique hiperatividade nas crianças e, em consequência disso, sejam medicadas, anos a fio, com intervalos de «desintoxicação» durante as férias, sem que se ponderem os efeitos secundários que uma tal utilização tem? Não. Ainda assim, existem crianças hiperativas? Sim. Como se manifestam, então, essas crianças doentes? Com uma agitação hemorrágica, estejam onde estiverem ou quem estiverem, que as faz, em cada momento, esvaírem-se em angústia como se, ao serem paradas, parecessem soçobrar e morrer. Serão essas as que parecem amigas do bicho-carpinteiro? Não…

Eduardo Sá, publicado na revista Pais e Filhos em 25 de Abril de 2014

As crianças com paralisia cerebral também têm “Anos Incríveis?”

Maio 2, 2015 às 1:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , ,

Texto do site da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC) de 27 de abril de 2015.

anos

Será que estratégias utilizadas para reduzir os distúrbios de comportamento em crianças com hiperatividade, défice de atenção ou agressividade podem também melhorar a qualidade de vida de crianças com paralisia cerebral? É a resposta a esta pergunta que está a ser procurada na Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC), com a implementação do Programa de Educação Parental Anos Incríveis.

Em ‘teste’ vão estar práticas como brincar dez minutos diários com os filhos sem fazer mais nada em simultâneo, dar ordens sem se zangar ou aplicar ‘tempos de pausa’. Trata-se de um estudo inédito em Portugal, dado que é a primeira vez que se avalia a eficácia deste programa numa população com paralisia cerebral.

Nesta parceria entre a APCC e a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) estão envolvidas, numa primeira fase que decorrerá até Julho, nove famílias com crianças dos 2 aos 7 anos de idade, todas utentes da APCC. Para a segunda fase, foram já selecionadas 12 famílias, embora a equipa responsável pelo projeto continue a recrutar e avaliar participantes. As atividades decorrem no Centro de Reabilitação da APCC, em sessões semanais dinamizadas por investigadores e colaboradores da FPCEUC.

O Programa Anos Incríveis é desenvolvido há várias décadas nos Estados Unidos e está implementado em vários outros países do mundo, tendo como objetivo diminuir os fatores de risco familiar através da promoção de competências parentais, do fortalecimento das famílias e do aumento da sua compreensão acerca de vários aspetos do desenvolvimento infantil e das diferentes características temperamentais da criança.

No ano em que se comemora o quadragésimo aniversário da APCC, esta é mais uma iniciativa que pretende melhorar a qualidade de vida de crianças e jovens com paralisia cerebral, e dotá-los e aos seus familiares de diferentes estratégias para lidar com os desafios do quotidiano.

«Ao longo dos seus 40 anos de existência, a APCC sempre procurou as melhores práticas nacionais e internacionais para solucionar alguns dos problemas das pessoas com paralisia cerebral e suas famílias, bem como desenvolveu programas inovadores sempre com o objetivo de melhorar a qualidade destas pessoas. Este programa é mais uma dessas estratégias que intensificam a marca da APCC», conclui Teresa Paiva, diretora técnica do Centro de Reabilitação.

 

 

 

 

Hiperactividade mal diagnosticada em Portugal

Março 25, 2015 às 5:39 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , ,

Notícia do i de 23 de março de 2015.

DR

O médico especialista em desenvolvimento infantil João Gomes Pedro alertou esta segunda-feira que a hiperactividade está mal diagnosticada em Portugal, havendo muitas crianças que tomam medicação sem necessidade enquanto outras deviam tomar e não o fazem.

Quando completa 50 anos de carreira, o pediatra fala das suas preocupações actuais e aponta como um dos grandes desafios da pediatria moderna os problemas comportamentais e relacionais das crianças e dos adolescentes.

“Hoje talvez estejamos na linha de fronteira de passar do modelo patológico para o modelo relacional e isto faz a diferença na pediatria, na educação, na psicologia, em toda e qualquer actividade formativa”, afirma.

Para Gomes Pedro, que aprendeu e começou a prática clínica centrada no diagnóstico das doenças, hoje é fundamental estabelecer precocemente uma relação entre o pediatra, os pais e o bebé, preparando-os para as várias fases do desenvolvimento expectáveis e acompanhando-os nos problemas que daí possam advir.

É o que se passa com a Hiperatividade e o Défice de Atenção (PHDA): “Estas doenças e expressões aparecem porque o pessoal de saúde está mais sensível, mais atento às perturbações de comportamento do que há uns anos atrás”.

Gomes Pedro adverte, no entanto, que esse olhar, o começar a olhar para o comportamento, leva, como risco na intervenção dos profissionais, a considerarem quase matematicamente: «o menino está muito activo, está hiperactivo».

“A professora queixa-se de que está activo, «é uma síndroma de Attention deficit hyperactivity disease», a professora diz «leve ao seu médico», e os médicos que não estejam ainda bem formados, bem alicerçados no que é o comportamento normal do que é um sinal de risco no comportamento, receitam o metilfenidato” (fármaco para tratamento da PHDA), acrescenta.

Isto comporta o “risco de se usar sistematicamente substâncias farmacológicas quando não há hiperactividade nenhuma”, pois “a actividade que vemos, por exemplo, num gabinete, é própria de uma criança com três, quatro ou cinco anos, que gosta de explorar e que, mais do que normal, é desejável”, sublinha.

Segundo o pediatra, “é muito frequente os pais chegarem com uma criança com três anos e a dizer “ela deve ter hiperactividade e precisa de ser tratada”.

O que acontece é que as pessoas estão mais despertas, o que comporta outros riscos: a hiperactividade e o défice de atenção hoje está, por um lado, sobrediagnosticado, e por outro, mal diagnosticado, o que significa que há crianças que tomam o metilfenidato sem precisarem e outras que precisariam e não o tomam.

“Há crianças hiperdiagnosticadas e outras crianças hipodiagnosticadas”, sublinhou, acrescentando que “a moral da história” é que é preciso garantir que não se deixa de diagnosticar uma hiperactividade e défice de atenção, que é facilmente corrigida farmacologicamente, mas que também não se começa a usar drogas quando não é necessário.

Não é que a medicação tenha muitos riscos, salienta, mas “um princípio fundamental na medicina é tratar quando é preciso e hoje a implicação de tratar não é só medicamentosa, mas é o acompanhar”.

A grande questão é que não existem ainda meios para garantir um diagnóstico exacto da PHDA.

“Não há propriamente um meio tão concreto como fazer uma análise para ver se há uma infecção, uma apendicite. A gente vê que há uma alteração dos glóbulos brancos, que mesmo que não se palpe conveniente uma barriga para fazer o diagnóstico, há uma análise concreta que nos diz «há infeção nesta criança»”.

No domínio do comportamento, no chamado modelo relacional, isso não é tão fácil, pois embora haja testes, como o Connors e outros, que dão pistas para que se possa estar perante uma PHDA, é preciso que o pediatra – “deve ser ele a tomar conta destas crianças – tenha experiência e tenha competência para distinguir entre essa perturbação e uma actividade normal”.

“É que é ‘hiperactiva’ toda a criança pequena, nomeadamente a criança que entra para o jardim-de-infância”, e é preciso ter isso bem presente e “não hiperdiagnosticar síndromas de défice de atenção que obrigam imediatamente a medicar”.

Lusa

 

5º Simpósio de Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA)

Março 24, 2015 às 12:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , , ,

simposio

http://simposio-phda.pt/

Ação de sensibilização/informação: “Hiperatividade e Défice de Atenção: da Infância à Idade Adulta”

Fevereiro 25, 2015 às 1:30 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , ,

 

Ação de Sensibilização / Infomação

“Hiperatividade e Défice de Atenção: da Infância à Idade Adulta”

O Instituto de Apoio à Criança – Fórum Construir Juntos, vai promover, no dia 5 de março de 2015, uma ação de sensibilização/informação com o tema “Hiperatividade e Défice de Atenção: da Infância à Idade Adulta”, dinamizada pela Psicóloga Paula Temudo do Hospital Pediátrico de Coimbra, que terá lugar no Centro de Acolhimento Temporário do Loreto, em Coimbra.

Os destinatários desta sessão são as equipas técnicas das instituições parceiras da Rede Construir Juntos e os elementos dos Gabinetes de Apoio ao Aluno e à Família – Psicólogos, Técnicos de Serviço Social, Professores e Estagiários.

Pretende-se com esta ação clarificar e identificar a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA); apresentar formas de atuação – duas grandes vertentes, a farmacológica e a educacional – e refletir sobre a sua evolução ao longo da Vida. Será também um espaço de análise e de debate das principais questões levantadas acerca desta temática.

Condições de inscrição:

  • Gratuita mediante, ficha de inscrição
  • Inscrição até 03/03/2015
  • Número máximo de participantes: 25
  • Inscrição para iac-fcj@iacrianca.pt

 

cartaz

 

 

Página seguinte »

Create a free website or blog at WordPress.com. | O tema Pool.
Entries e comentários feeds.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 909 outros seguidores