Crianças consomem 5 milhões de calmantes

Maio 2, 2016 às 3:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: ,

cm

Clique na imagem para aumentar.

Notícia do Correio da Manhã, publicada em 2 de Maio de 2016

Pode consultar o estudo mencionado na notícia, Portugal – Saúde Mental em Números – 2015  (pág. 66), AQUI.

8 ideias erradas sobre o défice de atenção

Maio 2, 2016 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , ,

texto do http://www.noticiasmagazine.pt de 3 de abril de 2016.

Shutterstock

1.Se tem bons resultados na avaliação oral também tem de ter nos testes escritos.

2. A medicação cria habituação, dependência e tolerância. Há dietas com suplementos que fazem o mesmo efeito.

3. Se sabia as coisas na véspera mas não no teste é porque «bloqueia».

4. A falta de regras em casa não está na base de comportamentos irrequietos na escola.

5. Se está sossegado, está atento.

6. Se não para quieto como pode estar atento? (em vez de «se não está atento como pode parar quieto?»)

7. Se está concentrado no que lhe interessa (ecrãs e jogos, por exemplo) não há verdadeiro problema de atenção.

8. Se na mesma disciplina, e no mesmo período, pode obter notas altas e negativas: é porque não quer estudar.

 

 

 

 

A verdade sobre a desatenção das crianças na escola

Maio 1, 2016 às 1:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , ,

texto do http://www.noticiasmagazine.pt de 3 de abril de 2016.

Filipa Viana

Filipa Viana

Por: Texto Pedro Cabral/CADIn *

Ilustração Filipa Viana/Who

Por detrás da hiperatividade está muitas vezes a desatenção. E é esta que é preciso cuidar.

Não estamos sempre a ver a mesma coisa quando olhamos para comportamentos hiperativos. Por detrás da hiperatividade está muitas vezes a desatenção. E é esta que é preciso cuidar.

Se não para quieto, como pode estar atento?» Esta é a queixa frequente de professores e pais ao fim do dia ou à volta dos trabalhos para casa. Mas o universo de perguntas não respondidas é muito maior: por que razão é tão atenta ou atento para as coisas que lhe interessam e tão pouco ou nada para outras? E por que razão tem «brancas» nos testes, quando tudo sabia na véspera? E por que é tão difícil memorizar, embora se lembre de coisas que já ninguém recorda? E por que é que nem as coisas de que gosta consegue levar até ao fim? E por que é tão fácil fazer amizades e tão difícil mantê-las? E por que salta sempre de uma coisa para a outra?

Estas e outras questões, mais ou menos enigmáticas, fazem parte da rotina das inquietações de pais, professores e outros «grandes» que têm de lidar com os mais pequenos e adolescentes que muitas vezes se distinguem por não conseguirem «parar quietos». Certo é: muitas vezes, mas nem sempre. O conceito de hiperatividade é porventura um mau serviço prestado à causa dessa perturbação do desenvolvimento que se chama «défice de atenção». Hiperatividade é apenas um aspeto ruidoso, mas pouco importante, da problemática da desatenção, que prejudica, além do aproveitamento na escola, o comportamento em casa, a interação no recreio e a autoestima. A hiperatividade varia ao longo do dia e das circunstâncias e que se vai atenuando com o crescimento. O problema na atenção é que veio para ficar.

Haverá basicamente dois tipos de distraídos: os que estão de tal forma concentrados numa coisa que não pensam em mais nada (como o guarda-redes à espera do penalty!) e os que prestam «atenção» a tudo, inclusive à mosca que passa, e não se concentram em nada! É destes últimos, com ou sem a tal de hiperatividade, de que a «gente grande » se queixa. Na verdade, o que de facto os distingue é que os primeiros, os guarda-redes, estão como que muito acordados, em vigília, focados apenas no que é importante e ignorando o que se passa à volta, ao passo que os segundos estão como que menos acordados, passeando pelos seus pensamentos e reagindo por vezes de forma sobressaltada, «hiperativa», aos estímulos que aparecem, quase, metaforicamente falando, quando um telefone toca no momento que estamos quase a adormecer!

Todos passamos diariamente por estes dois estados, ora bem ora mal acordados. A diferença é que nestas crianças e adolescentes é como se o estado «menos bem acordado» entrasse pelas horas da escola e dos TPC prejudicando a sua capacidade para aprender e usar o que sabe. Todas as medidas usadas até hoje para aumentar a concentração – desde as reguadas, agora proibidas por lei, ao levantar a voz, ao sentar na primeira fila, ao trabalhar com pouca gente e coisas à volta, ao desporto, ao café, até aos medicamentos estimulantes – não farão outra coisa se não aumentar o grau de vigília.

A causa principal desta desatenção, hoje tão «diagnosticada» como hiperatividade, estará nos genes, numa tendência herdada e transmitida nos cromossomas, que limita o tempo de prestar atenção a determinado assunto. O estar «menos bem acordado» durante uma aula penaliza a capacidade de bloquear o acesso à paisagem cerebral do que não é importante naquele momento: alguém que riu lá atrás, a mensagem no telemóvel, a preocupação sobre os problemas no recreio ou em casa, a sensação de bexiga cheia… O resultado é o mesmo, com ou sem externalização ou movimento que é no fundo a dita hiperatividade.

Com esta tendência – como com tudo o que queremos reter quando estamos cansados e com sono – as matérias não passam da memória RAM para o disco rígido. E mesmo tendo sido percebidas, não ficaram estáveis para o dia do teste. Não temos nenhum motivo sério para acreditar que haja agora mais gente desatenta do que no passado. O que de facto mudou foi a estrutura familiar e como esta se interrelaciona: as famílias são mais pequenas, os pais estão menos disponíveis, muitas crianças não têm irmãos com quem aprender a partilhar a atenção e os objetos, com quem aprender a esperar, e estão rodeadas de ecrãs e de aparelhos que dão acesso a tudo e no tempo de um clique. Para além destes novos dados, sucede que este comportamento irrequieto poderá até ter sido reforçado em casa, quando adultos, embevecidos pela «personalidade forte» da criança, acham graça a ser interrompidos e ignoram até quando lhes levantam a mão.

A escola passou a ser para todos, indiferente a perfis desiguais no que diz respeito à capacidade para focar. Esta escola democrática não consegue responder com a sua nova pedagogia de tolerância e trabalhos feitos na net que levaram a uma menor interiorização de conteúdos e regras, e maior volatilidade do que se aprende.

Neste cenário, professores, médicos e técnicos contabilizam a quantidade de movimentos e de asneiras das crianças e fazem, literalmente, diagnósticos a partir de escalas e tabelas. Tudo isto conduz naturalmente a esquecer a obrigação clínica de despistar questões emocionais que podem estar na base de comportamentos desatentos ou irrequietos e de tirar o retrato atualizado ao ambiente em que se movem.

A medicação, que não tem problemas de habituação ou dependência – ao contrário do que consta na internet e até na bula – surge como uma solução fácil e milagrosa, modulando o comportamento de crianças e jovens por os deixar mais quietos. O que é um efeito indesejado – ou mesmo tóxico – quando o que se pretende é deixá-los mais atentos.

Hoje, há um excesso de diagnósticos e de medicação em muitos casos, bem como de práticas erróneas que têm em conta indicadores pouco fiáveis, como o controlo da atividade. Estas práticas podem estar a ignorar a necessidade de outras importantes intervenções, como a psicológica ou psiquiátrica, nos jovens, nos seus hábitos e nos adultos de quem dependem. Quem medica com estimulantes deve ter em conta que o importante é cuidar, não da hiperatividade ou das notas mas sim da atenção e das questões emocionais. A desatenção pode de facto prejudicar, de forma encadeada, todo o quotidiano destas crianças e adolescentes no seio familiar, no aproveitamento escolar, no recreio, no comportamento social e na autoestima. Tudo isto não é bom para quem está a crescer.

* Parceria NM/CADIn – Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil. Pedro Cabral é neurologista pediátrico e diretor clínico do CADIn.

 

«A dislexia e o défice de atenção estão muitas vezes ligados. É o meu caso.» Luís Borges Neuropediatra

Abril 8, 2016 às 9:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Entrevista do Notícias Magazine de 3 de abril de 2016.

Reinaldo Rodrigues

 

Por: Helena Viegas Fotografia Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

«A dislexia e o défice de atenção estão muitas vezes ligados. É o meu caso.»

Encurtava as aulas, multiplicava os intervalos, mudava as metas curriculares, dava aos professores mais formação na área das neurociências e garantia aos miúdos mais tempo para brincar. Se pudesse, o neuropediatra Luís Borges mudava a escola. E medicava muito menos.

Ainda existem «bichos-carpinteiros» e «cabeças-no-ar»?

Sempre existiram e sempre existirão. A perturbação da hiperatividade e défice de atenção [PHDA] tem uma base genética: as crianças herdam dos pais os genes que vão condicionar este tipo de comportamento. O que acontece é que, depois, o ambiente pode facilitar ou dificultar o aparecimento dos sintomas – a hiperatividade, a impulsividade e/ou défice de atenção.

A hiperatividade traz sempre associado um défice de atenção?

Julgo que sim, só que na criança mais pequena, que parece ter pilhas Duracell, o que chama mais a atenção é a hiperatividade. Mas com a idade isso vai melhorando. A hiperatividade é o primeiro sintoma a desaparecer, e fica a impulsividade e o défice de atenção.

E o contrário pode acontecer? Um miúdo pode ter apenas défice de atenção, sem nunca ter sido hiperativo?

Essa é a face mais desconhecida da PHDA, mas que na realidade corresponde de 20 a 25 por cento dos casos. São crianças que são até hipoativas, digamos assim, mas que têm défice de atenção. Chamam-lhes day dreamer ou criança sonhadora. Na sala de aula, estão lá, mas não estão. São situações mais complexas e para as quais é preciso alertar pais e professores. Desde logo, porque são crianças socialmente mais tímidas, com maior tendência para o isolamento, para a ansiedade e até a depressão. E depois, porque, estão quietinhas e não perturbam, o problema passa despercebido, muitas vezes só é detetado mais tarde.

… quando surgem os problemas de aprendizagem.

Sim. Sempre que uma criança tem fracos resultados escolares, é preciso saber porquê. Pode ter um certo atraso no desenvolvimento, mas a maior parte das vezes tem na verdade problemas de outra ordem, como os do défice de atenção ou as dislexias.

Com que idade chegam os miúdos às suas consultas?

Os hiperativos, por norma, começam a ter problemas no primeiro ano da escola. Até lá, apesar de serem crianças muito ativas, passam muitas vezes despercebidas. Os problemas surgem quando têm de estar sentados a uma secretária das 09h00 às 17h30…

Passam tempo de mais na escola?

Sim. Dizem-me: «Ah, mas a partir das 15h00 são atividades extracurriculares…» É mais do mesmo. Os professores de Música e de Inglês também lhes exigem que estejam com atenção e vão avaliá-los no final. A PHDA tem uma base genética, mas ter começado a exigir-se demasiado dos mecanismos da atenção não ajuda. Eu até acharia bem que a escola retivesse as crianças até às 17h30, porque isso facilita a vida dos pais. Mas esse tempo deveria ser preenchido com tempos livres. Ter um animador na escola e permitir que a criança jogasse à bola, brincasse, fizesse teatro, cantasse… o que lhe apetecesse. Não sou contra a Música ou o Inglês. Mas das 09h30 às 15h30 a criança devia ter tempo para todas estas aprendizagens, curriculares e extracurriculares. Como não sou contra os trabalhos de casa, mas acho que são de mais e podiam ser substituídos por atividades de leitura. As crianças precisam de brincar – e não têm tempo para isso.

Seria preciso mudar a própria escola.

Há algumas coisas que não têm que ver com a escola. Uma delas é o sono: as crianças devem dormir nove a dez horas por noite. Uma criança que dorme pouco tem dificuldade em concentrar-se e grande parte da nossa memória de longo prazo é feita durante o sono. Depois, há o desporto: a atividade motora liberta substâncias que relaxam, o que vai facilitar a aprendizagem. E há outra coisa importante: o uso exagerado dos tablets e dos telemóveis. Porque a atenção que se usa num jogo de computador é totalmente diferente da que se utiliza para ler e compreender um texto, e as crianças vão habituar-se àquele tipo de atenção… Tudo isso, eu digo aos pais. Mas sim, seria sobretudo importante mudar escola, mudar os programas, aliviar os professores da pressão das metas curriculares… Aos seis anos, é o currículo que deve encaixar na criança e não o contrário.

O que está errado nos programas e nas metas do 1º ciclo?

A velocidade com que as crianças têm de dominar a leitura, por exemplo. Os dois primeiros anos devem ser para aprender a ler. Para depois a criança poder passar a ler automaticamente e a compreender. Mas não. Se ao fim do primeiro ano o miúdo não está a ler vai começar a ter problemas e começa o seu insucesso. E depois a exigência da matemática, do cálculo… Nós aprendíamos coisas no sexto ano que hoje são dadas no quarto e o cérebro dos miúdos não melhorou de um dia para o outro. Há coisas que não estão de acordo com as capacidades das crianças. Eles conseguem, mas com grande esforço, grande stress e sem alegria. Ao nível do cérebro, quando a criança faz uma conta bem feita e tem sucesso, é libertada uma substância que gera bem-estar, a dopamina. Já o insucesso liberta as hormonas de stress, a adrenalina, que muitas vezes bloqueiam a capacidade de raciocínio. Se a criança tem medo de errar, não está em boas condições para aprender. Depois, o stress acumula-se e a motivação que é o motor para aprender não existe, a escola torna-se «uma seca».

É isso que vê nos miúdos que chegam à consulta?

Sim, miúdos stressados, muitos com problemas de sono, que muito frequentemente choram para ir para a escola, com medo de falhar… Nas crianças com PHDA isso acontece muito. Até porque outra coisa que tem que ver com os défices de atenção, que não está nas classificações internacionais, mas que devia estar, é a parte emocional. São miúdos emocionalmente frágeis, que lidam mal com a frustração, com as emoções – e muitas vezes com problemas sociais. Os colegas não os suportam porque, mesmo nas brincadeiras, não se pode contar com eles. Estão à baliza e quando o outro chuta, eles estão pendurados na trave… Querem corresponder às expetativas dos outros, mas não conseguem.

E por é que não conseguem?

No nosso sistema nervoso, aquilo a que chamamos a função executiva – que nos permite organizar, planear, executar e monitorizar o que fazemos durante o dia –, começa a desenvolver-se lentamente, amadurece e está na sua plena funcionalidade por volta dos 20 anos. E nessas crianças, o que acontece é que essa função está desenvolver-se mais lentamente, às vezes com três ou quatro anos de diferença em relação ao padrão.

Quais são as implicações práticas da imaturidade dessa parte do cérebro?

O sistema que regula as atividades que fazemos no dia-a-dia, que é o que nos permite falar enquanto conduzimos, de forma automática, por exemplo, não está a funcionar. E isso faz que falhe a autorregulação – o professor tem de lhe dizer 20 vezes para se virar para a frente. Além disso, implica com aquilo a que chamamos memória de trabalho, ou de curto prazo. Se o professor disser: «Agora abram o livro na página 23 e vão à linha nº 14 procurar quantos verbos estão no infinito…», o miúdo com défice de atenção ficou com a primeira informação, o resto já se apagou. Ele não consegue pôr na memória de trabalho essa informação toda. O professor tem de dizer-lhe o número da página, deixá-lo abrir o livro, depois indicar-lhe a linha, esperar que a encontre, e só depois explicar o resto.

Porquê?

Os miúdos com PHDA ou dislexia têm uma memória de trabalho curta. Se lhes for dado um problema de matemática, em que eles têm de primeiramente somar, para depois subtrair e dividir, eles têm de o fazer por partes. Se lerem o enunciado todo de seguida, ficam completamente perdidos… e vão responder à primeira coisa que lhes vier à cabeça. A memória de trabalho é fundamental para a aprendizagem – e fala-se muito pouco sobre isso. Os professores deviam ter mais conhecimentos sobre neurociências e a sua importância nos processos de aprendizagem.

O sistema agrava o problema das crianças com PHDA, é isso?

O problema da PHDA tem uma base genética. Ou seja, mesmo que tudo isto fosse melhorado, continuaria a haver défice de atenção. Mas seriam menos os casos, porque se estaria a respeitar mais o ritmo de amadurecimento das estruturas cerebrais – e, muito provavelmente, haveria também menos crianças medicadas. Porque hoje em dia é fácil: a criança mexe-se muito, a professora já sabe que há um comprimido que faz que ele fique quieto, insiste com os pais… e os médicos acabam por entrar nesse jogo. Eu próprio faço isso.

Medica-se de mais para a PHDA?

Pela falta de conhecimento do que é a PHDA e de como se pode ajudar as crianças desde cedo a melhorar, medica-se demasiado, não tenho dúvida nenhuma. Se a escola não exigisse tanto, se a criança não estivesse tanto tempo na sala de aula, se pudesse ir mais vezes ao recreio, se tivesse períodos mais curtos de atenção, provavelmente as coisas podiam funcionar melhor… mas isso não acontece. E aí ficamos sem alternativa, porque ou se medica aquela criança ou ela vai ter insucesso escolar.

É uma decisão difícil…

Como os défices de atenção são uma epidemia nacional, eu acho que o assunto devia ser mais debatido e só se devia medicar mediante critérios bem definidos. Mas é preciso dizer que estamos a falar de uma medicação que em 80 por cento dos casos é eficaz e que é bem tolerada, sem efeitos colaterais. Eu próprio a tomo, aos 78 anos, todos os dias.

Utiliza o seu exemplo quando fala com os pais e com os miúdos em consulta?

A dislexia e o défice de atenção estão ligados muito frequentemente, há uma percentagem grande de crianças que têm os dois problemas – e é o meu caso. Fiz o meu próprio diagnóstico a posteriori. Quando era miúdo, o que havia era «bichos-carpinteiros» e eu era um «cabeça-no-ar». Sofri o estigma… Perdi dois anos no primeiro ano da escola primária e só à terceira é que passei. Depois, mais tarde, já na faculdade, voltei a ter problemas com a anatomia, com os nomes em latim… Conto muitas vezes isto, sobretudo aos miúdos, para eles perceberem que «o doutor», que chegou a médico e foi diretor de um serviço no hospital e essas coisas todas, perdeu anos na escola. Digo-lhes que acreditei sempre – «Eu sou capaz de chegar lá, porque sou inteligente.» E explico-lhes que é isso que eles têm de fazer, que o importante é ter confiança de que se vai conseguir.

No seu caso, o défice de atenção permaneceu na idade adulta.

A PHDA nem sempre desaparece. Afeta nove por cento das crianças, oito por cento dos adolescentes e quatro por cento dos adultos.

Isso significa que também medica alguns pais?

Frequentemente, cada vez mais. Lembro-me de um pai que estava sentado com o filho e às tantas pediu para se levantar, deu uma volta à secretária, sentou-se, depois levantou-se outra vez e encostou-se à parede. E eu a ver toda aquela atividade… Acabou por perguntar se eu não achava que a medicação lhe faria bem a ele também e eu disse-lhe: «Tenho quase a certeza que sim.» O pai tinha défice de atenção e era um pouco hiperativo. A mãe sabia. Até já tinha deixado cair…: «Senhor doutor… tal pai, tal filho!»

LUÍS BORGES

Tem 78 anos, é neuropediatra, preside à Associação Nacional de Intervenção Precoce (ANIP) e continua ligado ao Hospital Pediátrico de Coimbra, instituição que lhe prestou homenagem dando o seu nome ao Centro de Desenvolvimento da Criança. Tornou-se uma referência na área das dislexias e PHDA, mas nas consultas os miúdos ouvem também outra história: «o doutor» tem défice de atenção até hoje e, por causa da dislexia, chumbou no primeiro ano da escola

 

 

 

Oito dicas para ajudar o seu filho a concentrar-se

Março 15, 2016 às 8:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , ,

511961

 

A incapacidade de manter a atenção pode prejudicar uma criança na escola e, consequentemente, pela vida fora. Uma situação que pode ser desesperante para os pais e para o professor, e que deve ser bem analisada.

Uma criança pode ser desatenta por vários motivos, desde ansiedade, depressão, mudanças repentinas na sua vida (como um divórcio), problemas de aprendizagem ou até mesmo por sofrer de Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA).

O psicólogo Jeffrey Bernstein deixa-lhe oito dicas para ajudar uma criança distraída:

1. Tenha consciência: Lembre-se que este tipo de criança muitas vezes se sente diferente das outras.

2. Evite gritar: Ao gritar só o confunde ainda mais, tornando-o mais propício à desconcentração.

3. Mantenha-se calmo, firme e não seja controlador: Esteja tranquilo, não crie expectativas inalcançáveis e tente não dar demasiadas ordens.

4. Seja proactivo e seja comunicativo com os professores: As crianças desatentas desistem rapidamente quando têm de enfrentar obstáculos. Mantenha-se envolvido na vida escolar do seu filho.

5. Incentive o seu filho: Ensine-o a desconstruir tarefas complexas noutras mais pequenas e viáveis. As crianças sentem-se mais motivadas ao conseguir pequenas vitórias e fugir a grandes falhanços.

6. Faça listas: Incentive o seu filho a fazer uma lista de tarefas. É estimulante para uma criança ‘riscar’ as tarefas já cumpridas.

7. Ajude, mas não faça por ele: Ajudar demasiado uma criança a concluir um problema difícil pode fazê-la sentir-se bem, mas não está a ajudá-la verdadeiramente.

8. Promova a auto-estima do seu filho: A maioria das crianças desatentas sente-se inferior aos outros. Demonstre ao seu filho não só que gosta dele, como acredita nele.

 

Jornal Sol em 23 de Fevereiro de 2016

A Criança com PHDA na sala de aulas

Março 8, 2016 às 12:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , ,

phda

Devem ser efectuadas modificações na sala de aula que permitam à criança com PHDA um melhor desempenho. Adicionalmente, estas modificações ajudam as crianças com PHDA a desenvolver mecanismos de compreensão, que poderão empregar mais tarde noutras situações.

Nem todas as crianças com PHDA irão necessitar de todas as adaptações seguidamente sugeridas, devendo ser escolhidas de acordo com as necessidades e características individuais de cada criança.

Não há qualquer razão para que “todas” as crianças numa sala de aulas tenham que ter as mesmas tarefas ou a mesma abordagem pedagógica, desde que tenha lugar o ensino dos mesmos conceitos e/ou princípios.

continuar a ler no link:

http://simposio-phda.pt/index.php/2016-02-21-13-13-29/a-crianca-com-phda-na-sala-de-aulas

 

III Encontro para o Desenvolvimento Infantil e Juvenil – 12 de março e 9 de abril em Torres Vedras

Março 6, 2016 às 5:50 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

3

mais informações:

http://udij.pt/noticias/detalhe/iii-encontro-para-o-desenvolvimento-infantil-e-juvenil-do-oeste

 

Crianças que vão mais tarde para a escola são menos hiperativas

Fevereiro 3, 2016 às 11:30 am | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , , , ,

Notícia do Diário de Notícias de 26 de janeiro de 2016.

Reuters hannibal Hanschke

Marta Santos Silva

Um novo estudo demonstra que atrasar um ano a entrada para a escola torna as crianças mais atentas e controladas

A idade em que as crianças devem começar o jardim-de-infância ou a escola primária tem sido assunto de debate junto da comunidade científica que estuda o desenvolvimento das crianças. Agora, uma investigação da universidade norte-americana de Stanford vem mostrar que atrasar um ano a entrada das crianças para a escola pode ajudá-las a ser menos hiperativas e desatentas, e a terem mais autocontrolo.

O estudo da universidade de Stanford, publicado em outubro na revista científica do National Bureau of Economic Research, olhou para o caso de crianças dinamarquesas. O estudo demonstrou que as crianças que começavam a escola um ano mais tarde mostravam níveis inferiores de hiperatividade e eram mais concentradas, efeitos que se mantinham não apenas durante o primeiro ano de escola mas até pelo menos os onze anos de idade”.

“Descobrimos que atrasar a entrada na escola por um ano reduzia a desatenção e a hiperatividade em 73 por cento para uma criança ‘média’, aos 11 anos”, disse o principal autor do estudo, Thomas Dee, num comunicado da universidade de Stanford. “Ficava praticamente eliminada a probabilidade de uma queria ‘média’ nessa idade tivesse um nível anormal, ou mais alto do que o normal, de comportamentos hiperativos ou desatentos”.

A investigação de Thomas Dee, feita em colaboração com o investigador dinamarquês Hans Henrik Sievertsen, demonstrou também uma ligação entre níveis mais baixos de hiperatividade e desatenção e melhores resultados escolares. As crianças com uma maior capacidade de controlar os seus impulsos e manter-se atentas tinham melhores notas.

O estudo foi realizado usando dados dos censos dinamarqueses e informação de um inquérito que é realizado a nível nacional na Dinamarca para avaliar a saúde mental das crianças com 7 e 11 anos, que mede também os níveis de hiperatividade e desatenção. Na Dinamarca, como é habitual em Portugal, a entrada na escola faz-se no ano civil em que as crianças fazem seis anos. Assim, as crianças nascidas alguns dias antes de 31 de dezembro, que entram na escola com menos de seis anos, podem ser comparadas com aquelas que nascem poucos dias depois, que terão seis anos e oito meses quando começarem a escola.

“Ficámos surpreendidos com a persistência do efeito”, disse à Quartz o investigador Hans Henrik Sievertsen. Esperar um ano para começar a escola fazia com que as crianças não tivessem quase probabilidade nenhuma de vir a ter hiperatividade acima da média.

 

 

 

“O meu filho é como um carro de Fórmula 1 sem travões”

Janeiro 7, 2016 às 9:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas:

151849520_1280x640_acf_cropped

Este é o título de um extenso artigo de Marlene Carriço para o Observador, em 27 de Dezembro de 2015.

Crianças hiperativas ou mais mexidas do que antes? Sociedade mais atenta ou menos tolerante ao movimento? As dúvidas de medicar. A hiperatividade parece estar na moda, envolta em muita controvérsia.

Aos três meses Pedro já rebolava. E, por força disso, “teve de ser criado no chão”. Aos seis começou a gatinhar e aos 11 não andava, corria. Na horizontal e na vertical. Trepava tudo o que podia e não devia. “Nesse momento acabou o ‘sossego’”, conta a mãe, Patrícia. Seguiram-se as quedas, as nódoas negras e os dedos trilhados. Só acalmava quando estava a dormir. O problema é que dormia pouco: 30 minutos antes e depois de comer, que passaram a uma hora por dia e três por noite aos dois anos de idade. Mais do que isso só viria a dormir mais tarde, graças à medicação.

Com ano e meio Pedro foi encaminhado para a consulta de psicologia, aos quatro tomava Risperidona — um antipsicótico para lhe travar os impulsos, também usado, por exemplo, no tratamento da esquizofrenia — e era seguido uma vez por mês no pedopsiquiatra. Mas o verdadeiro diagnóstico só chegou aos sete anos: perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA).

Miguel começou a dar sinal de “bichos-carpinteiros” ainda mais cedo, logo às 16 semanas de gravidez. Quando nasceu foi-lhe diagnosticada uma perturbação grave do sono que o deixava dormir apenas por períodos de meia hora, com intervalos de cinco horas. Aos nove meses já arrastava bancos e subia para cima deles, abria o frigorífico e “ratava o queijo todo que encontrasse”. E aos 14 meses tomava Atarax, um ansiolítico para dormir, que a mãe Ana lhe retirou ainda antes dos dois anos porque “não ajudou nada”. Com seis anos recebeu o diagnóstico de PHDA.

Pedro e Miguel são apenas duas dos milhares de crianças que, nos últimos anos, foram diagnosticadas com perturbação de hiperatividade e défice de atenção. Um número que não para de crescer, em Portugal e um pouco por todo o mundo, ao ponto de ser considerada uma das perturbações do neurodesenvolvimento mais frequentes nas crianças.

Não há estudos de prevalência que permitam saber, em detalhe, quantas crianças têm esta perturbação em Portugal, mas as várias estimativas apontam para percentagens entre os 3% e os 7%, em linha com os números citados a nível mundial, na ordem dos 5%. Embora haja países com uma prevalência estimada bem superior, como é o caso da Holanda, ou dos Estados Unidos onde, em 2011, segundo o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, 11% das crianças entre os 4 e os 17 anos estavam diagnosticadas com PHDA.

 

Continue a ler AQUI.

Demasiadas crianças tomam antipsicóticos. E correm o risco de ficar “como robôs”

Dezembro 14, 2015 às 12:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia do Diário de Notícias de 14 de dezembro de 2015.

Diagnóstico é feito em idade escolar |  Arquivo/Global Imagens

Diagnóstico é feito em idade escolar | Arquivo/Global Imagens

Ana Bela Ferreira, Rute Coelho e Diana Mendes

Médicos alertam para excesso de medicação em casos de hiperatividade e défice de atenção, com recurso a substâncias para tratar esquizofrenia

Têm 2 anos ou menos, algumas ainda estão em idade de berço, e são diagnosticadas como crianças hiperativas, com défice de atenção, agressivas ou retraídas. E cada vez mais estão a ser tratadas com anti-psicóticos e outros remédios psiquiátricos habitualmente prescritos a adultos com doenças graves do foro mental. No ano passado, foram vendidas 276 029 embalagens de Metilfenidato (ritalina), mais 30 mil do que em 2013. O medicamento é receitado sobretudo nos hospitais públicos (37%) e em clínicas privadas (39%) a crianças e adolescentes (entre os 5 e os 19 anos) e os números têm vindo a aumentar, sobretudo desde 2010, mostra o relatório do Infarmed.

O recurso crescente a antipsicóticos – com efeitos sérios no desenvolvimento – e a probabilidade de muitos dos miúdos serem medicados sem necessidade estão a preocupar os médicos. “Estou preocupadíssima com essa tendência, que já é muito expressiva em Portugal. Qualquer dia as crianças são como robôs medicados”, diz ao DN a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos. Opinião semelhante tem o neuropediatra Nuno Lobo Antunes (ver entrevista), que admite receber muitas crianças “medicadas de forma errada para o problema errado. Especialmente no caso dos neurolépticos” – como o Risperdal, recomendado para a esquizofrenia, mas também usado no tratamento do autismo.

O problema não é um exclusivo de Portugal. Nos EUA, por exemplo, perto de 20 mil receitas para os medicamentos psiquiátricos Risperdal e Seroquel – adequados a tratar doenças crónicas como a esquizofrenia ou a doença bipolar – foram passados a bebés de 2 anos ou menos. Um aumento de 50% relativamente aos 13 mil do ano anterior, segundo a multinacional de marketing farmacêutico IMS Health, citada pelo The New York Times.

Em Portugal, esta realidade está agora a ser estudada. Álvaro Carvalho, diretor do programa nacional para a saúde mental da Direção–Geral da Saúde, adiantou ao DN que “há a presunção de que há um tratamento excessivo de crianças com medicamentos como a ritalina, neste caso do grupo das anfetaminas”. E que por essa razão houve necessidade de, há um ano, se criar “um grupo de trabalho sobre prescrição de psicofármacos em idade pediátrica, com o objetivo de termos informações que não sejam apenas dados empíricos”. A intenção é fazer normas e guidelines sobre a prescrição de medicamentos nesta área. “O que já sabemos é que há uma grande pressão devido a pedidos de prescrição aos médicos pelos pais, psicólogos ou professores para tratar a hiperatividade.” E há um excesso de diagnóstico de crianças quando “se tratam problemas de comportamento”, diz. “Apesar de ainda não haver dados, há elementos para nos preocuparmos.”

Ana Vasconcelos diz que “muitos destes remédios não estão adaptados a um cérebro em crescimento” como o das crianças. Cada vez mais as patologias dos miúdos têm que ver “com o medo e o stress dos pais”, numa sociedade que vive “com mais sofrimento do que prazer. As crianças reagem atacando-nos”.

Mais prescrições

Já neste ano, o Infarmed publicou um relatório sobre as vendas de embalagens de medicamentos indicados para a perturbação de hiperatividade com défice de atenção (PHDA), que revela que a cada ano se vende mais embalagens – com mais incidência nos distritos de Viana do Castelo e Viseu, mas também em Lisboa e no Porto – para um problema que afeta 5% a 7% da população. Por norma, são medicados para o défice de atenção e hiperatividade as crianças a partir dos 5 anos. E apenas nos casos em que terapia psicológica, educacional e social não teve resultado, sublinham as indicações do Infarmed.

Mas a tendência em crescimento de receitar psicotrópicos como antipsicóticos ou antidepressivos a crianças com 2 ou menos anos já é, segundo Ana Vasconcelos, uma realidade no nosso país. “Em Portugal começou a haver muitos pediatras e neuropediatras a tratar problemas como o défice de atenção ou a hiperatividade nas crianças com remédios como a ritalina ou o Risperdal.” A especialista prefere uma abordagem diferente, com “um diagnóstico psicopatológico, procuro chegar à causa do comportamento”.

Na opinião da pedopsiquiatra, o problema é que estas crianças “ficam inadaptadas”. “É muito grave dar medicamentos sem saber o que se está a fazer. Tem de se fazer uma abordagem neurobiológica e estudar o lado cognitivo, afetivo e emocional da criança antes de prescrever remédios que podem não ser adequados à sua realidade”, diz a especialista. Caso contrário, “estamos a robotizar crianças, mas não a tratar a situação.”

Ritalina e Risperdal mais usados

A ritalina é mais usada em Portugal para tratar o défice de atenção infantil (até 2014 era dos poucos medicamentos comparticipados) e sempre esteve envolvida em polémica. Pensa-se que terá sido criada em 1944 para aumentar a concentração no campo de batalha de soldados nazis. Nos Estados Unidos e no Brasil há registo de casos em que a ritalina é usada ilegalmente sem prescrição médica por estudantes e alguns profissionais para diminuir o cansaço e ajudar no desempenho académico e profissional.

Os dados da IMS Health para os EUA não indicam quantas crianças receberam receitas, visto que muitas delas têm várias prescrições por ano, mas estudos prévios sugerem que terão sido pelo menos dez mil, segundo o artigo do NYT. As receitas para o antidepressivo Prozac ascenderam a 83 mil no grupo etário dos 2 ou menos anos, o que representou um aumento de 23% de prescrições nesta faixa etária, indicam os dados da IMS Health.

No artigo do The New York Times conta-se a história de Andrew Rios, de 4 anos, que tomou o antipsicótico Risperdal quando tinha 18 meses para tratar crises de agressividade. Depois de começar a tomar a droga, Andrew passou a gritar durante o sono e a interagir com pessoas e objetos invisíveis. A mãe foi pesquisar o medicamento e descobriu que este não estava aprovado e nunca tinha sido estudado para crianças tão novas como o seu filho.

 

Página seguinte »

Blog em WordPress.com. | O tema Pool.
Entries e comentários feeds.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 1.111 outros seguidores