Crianças que vão mais tarde para a escola são menos hiperativas

Fevereiro 3, 2016 às 11:30 am | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 26 de janeiro de 2016.

Reuters hannibal Hanschke

Marta Santos Silva

Um novo estudo demonstra que atrasar um ano a entrada para a escola torna as crianças mais atentas e controladas

A idade em que as crianças devem começar o jardim-de-infância ou a escola primária tem sido assunto de debate junto da comunidade científica que estuda o desenvolvimento das crianças. Agora, uma investigação da universidade norte-americana de Stanford vem mostrar que atrasar um ano a entrada das crianças para a escola pode ajudá-las a ser menos hiperativas e desatentas, e a terem mais autocontrolo.

O estudo da universidade de Stanford, publicado em outubro na revista científica do National Bureau of Economic Research, olhou para o caso de crianças dinamarquesas. O estudo demonstrou que as crianças que começavam a escola um ano mais tarde mostravam níveis inferiores de hiperatividade e eram mais concentradas, efeitos que se mantinham não apenas durante o primeiro ano de escola mas até pelo menos os onze anos de idade”.

“Descobrimos que atrasar a entrada na escola por um ano reduzia a desatenção e a hiperatividade em 73 por cento para uma criança ‘média’, aos 11 anos”, disse o principal autor do estudo, Thomas Dee, num comunicado da universidade de Stanford. “Ficava praticamente eliminada a probabilidade de uma queria ‘média’ nessa idade tivesse um nível anormal, ou mais alto do que o normal, de comportamentos hiperativos ou desatentos”.

A investigação de Thomas Dee, feita em colaboração com o investigador dinamarquês Hans Henrik Sievertsen, demonstrou também uma ligação entre níveis mais baixos de hiperatividade e desatenção e melhores resultados escolares. As crianças com uma maior capacidade de controlar os seus impulsos e manter-se atentas tinham melhores notas.

O estudo foi realizado usando dados dos censos dinamarqueses e informação de um inquérito que é realizado a nível nacional na Dinamarca para avaliar a saúde mental das crianças com 7 e 11 anos, que mede também os níveis de hiperatividade e desatenção. Na Dinamarca, como é habitual em Portugal, a entrada na escola faz-se no ano civil em que as crianças fazem seis anos. Assim, as crianças nascidas alguns dias antes de 31 de dezembro, que entram na escola com menos de seis anos, podem ser comparadas com aquelas que nascem poucos dias depois, que terão seis anos e oito meses quando começarem a escola.

“Ficámos surpreendidos com a persistência do efeito”, disse à Quartz o investigador Hans Henrik Sievertsen. Esperar um ano para começar a escola fazia com que as crianças não tivessem quase probabilidade nenhuma de vir a ter hiperatividade acima da média.

 

 

 

“O meu filho é como um carro de Fórmula 1 sem travões”

Janeiro 7, 2016 às 9:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Este é o título de um extenso artigo de Marlene Carriço para o Observador, em 27 de Dezembro de 2015.

Crianças hiperativas ou mais mexidas do que antes? Sociedade mais atenta ou menos tolerante ao movimento? As dúvidas de medicar. A hiperatividade parece estar na moda, envolta em muita controvérsia.

Aos três meses Pedro já rebolava. E, por força disso, “teve de ser criado no chão”. Aos seis começou a gatinhar e aos 11 não andava, corria. Na horizontal e na vertical. Trepava tudo o que podia e não devia. “Nesse momento acabou o ‘sossego’”, conta a mãe, Patrícia. Seguiram-se as quedas, as nódoas negras e os dedos trilhados. Só acalmava quando estava a dormir. O problema é que dormia pouco: 30 minutos antes e depois de comer, que passaram a uma hora por dia e três por noite aos dois anos de idade. Mais do que isso só viria a dormir mais tarde, graças à medicação.

Com ano e meio Pedro foi encaminhado para a consulta de psicologia, aos quatro tomava Risperidona — um antipsicótico para lhe travar os impulsos, também usado, por exemplo, no tratamento da esquizofrenia — e era seguido uma vez por mês no pedopsiquiatra. Mas o verdadeiro diagnóstico só chegou aos sete anos: perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA).

Miguel começou a dar sinal de “bichos-carpinteiros” ainda mais cedo, logo às 16 semanas de gravidez. Quando nasceu foi-lhe diagnosticada uma perturbação grave do sono que o deixava dormir apenas por períodos de meia hora, com intervalos de cinco horas. Aos nove meses já arrastava bancos e subia para cima deles, abria o frigorífico e “ratava o queijo todo que encontrasse”. E aos 14 meses tomava Atarax, um ansiolítico para dormir, que a mãe Ana lhe retirou ainda antes dos dois anos porque “não ajudou nada”. Com seis anos recebeu o diagnóstico de PHDA.

Pedro e Miguel são apenas duas dos milhares de crianças que, nos últimos anos, foram diagnosticadas com perturbação de hiperatividade e défice de atenção. Um número que não para de crescer, em Portugal e um pouco por todo o mundo, ao ponto de ser considerada uma das perturbações do neurodesenvolvimento mais frequentes nas crianças.

Não há estudos de prevalência que permitam saber, em detalhe, quantas crianças têm esta perturbação em Portugal, mas as várias estimativas apontam para percentagens entre os 3% e os 7%, em linha com os números citados a nível mundial, na ordem dos 5%. Embora haja países com uma prevalência estimada bem superior, como é o caso da Holanda, ou dos Estados Unidos onde, em 2011, segundo o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, 11% das crianças entre os 4 e os 17 anos estavam diagnosticadas com PHDA.

 

Continue a ler AQUI.

Demasiadas crianças tomam antipsicóticos. E correm o risco de ficar “como robôs”

Dezembro 14, 2015 às 12:00 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 14 de dezembro de 2015.

Diagnóstico é feito em idade escolar |  Arquivo/Global Imagens

Diagnóstico é feito em idade escolar | Arquivo/Global Imagens

Ana Bela Ferreira, Rute Coelho e Diana Mendes

Médicos alertam para excesso de medicação em casos de hiperatividade e défice de atenção, com recurso a substâncias para tratar esquizofrenia

Têm 2 anos ou menos, algumas ainda estão em idade de berço, e são diagnosticadas como crianças hiperativas, com défice de atenção, agressivas ou retraídas. E cada vez mais estão a ser tratadas com anti-psicóticos e outros remédios psiquiátricos habitualmente prescritos a adultos com doenças graves do foro mental. No ano passado, foram vendidas 276 029 embalagens de Metilfenidato (ritalina), mais 30 mil do que em 2013. O medicamento é receitado sobretudo nos hospitais públicos (37%) e em clínicas privadas (39%) a crianças e adolescentes (entre os 5 e os 19 anos) e os números têm vindo a aumentar, sobretudo desde 2010, mostra o relatório do Infarmed.

O recurso crescente a antipsicóticos – com efeitos sérios no desenvolvimento – e a probabilidade de muitos dos miúdos serem medicados sem necessidade estão a preocupar os médicos. “Estou preocupadíssima com essa tendência, que já é muito expressiva em Portugal. Qualquer dia as crianças são como robôs medicados”, diz ao DN a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos. Opinião semelhante tem o neuropediatra Nuno Lobo Antunes (ver entrevista), que admite receber muitas crianças “medicadas de forma errada para o problema errado. Especialmente no caso dos neurolépticos” – como o Risperdal, recomendado para a esquizofrenia, mas também usado no tratamento do autismo.

O problema não é um exclusivo de Portugal. Nos EUA, por exemplo, perto de 20 mil receitas para os medicamentos psiquiátricos Risperdal e Seroquel – adequados a tratar doenças crónicas como a esquizofrenia ou a doença bipolar – foram passados a bebés de 2 anos ou menos. Um aumento de 50% relativamente aos 13 mil do ano anterior, segundo a multinacional de marketing farmacêutico IMS Health, citada pelo The New York Times.

Em Portugal, esta realidade está agora a ser estudada. Álvaro Carvalho, diretor do programa nacional para a saúde mental da Direção–Geral da Saúde, adiantou ao DN que “há a presunção de que há um tratamento excessivo de crianças com medicamentos como a ritalina, neste caso do grupo das anfetaminas”. E que por essa razão houve necessidade de, há um ano, se criar “um grupo de trabalho sobre prescrição de psicofármacos em idade pediátrica, com o objetivo de termos informações que não sejam apenas dados empíricos”. A intenção é fazer normas e guidelines sobre a prescrição de medicamentos nesta área. “O que já sabemos é que há uma grande pressão devido a pedidos de prescrição aos médicos pelos pais, psicólogos ou professores para tratar a hiperatividade.” E há um excesso de diagnóstico de crianças quando “se tratam problemas de comportamento”, diz. “Apesar de ainda não haver dados, há elementos para nos preocuparmos.”

Ana Vasconcelos diz que “muitos destes remédios não estão adaptados a um cérebro em crescimento” como o das crianças. Cada vez mais as patologias dos miúdos têm que ver “com o medo e o stress dos pais”, numa sociedade que vive “com mais sofrimento do que prazer. As crianças reagem atacando-nos”.

Mais prescrições

Já neste ano, o Infarmed publicou um relatório sobre as vendas de embalagens de medicamentos indicados para a perturbação de hiperatividade com défice de atenção (PHDA), que revela que a cada ano se vende mais embalagens – com mais incidência nos distritos de Viana do Castelo e Viseu, mas também em Lisboa e no Porto – para um problema que afeta 5% a 7% da população. Por norma, são medicados para o défice de atenção e hiperatividade as crianças a partir dos 5 anos. E apenas nos casos em que terapia psicológica, educacional e social não teve resultado, sublinham as indicações do Infarmed.

Mas a tendência em crescimento de receitar psicotrópicos como antipsicóticos ou antidepressivos a crianças com 2 ou menos anos já é, segundo Ana Vasconcelos, uma realidade no nosso país. “Em Portugal começou a haver muitos pediatras e neuropediatras a tratar problemas como o défice de atenção ou a hiperatividade nas crianças com remédios como a ritalina ou o Risperdal.” A especialista prefere uma abordagem diferente, com “um diagnóstico psicopatológico, procuro chegar à causa do comportamento”.

Na opinião da pedopsiquiatra, o problema é que estas crianças “ficam inadaptadas”. “É muito grave dar medicamentos sem saber o que se está a fazer. Tem de se fazer uma abordagem neurobiológica e estudar o lado cognitivo, afetivo e emocional da criança antes de prescrever remédios que podem não ser adequados à sua realidade”, diz a especialista. Caso contrário, “estamos a robotizar crianças, mas não a tratar a situação.”

Ritalina e Risperdal mais usados

A ritalina é mais usada em Portugal para tratar o défice de atenção infantil (até 2014 era dos poucos medicamentos comparticipados) e sempre esteve envolvida em polémica. Pensa-se que terá sido criada em 1944 para aumentar a concentração no campo de batalha de soldados nazis. Nos Estados Unidos e no Brasil há registo de casos em que a ritalina é usada ilegalmente sem prescrição médica por estudantes e alguns profissionais para diminuir o cansaço e ajudar no desempenho académico e profissional.

Os dados da IMS Health para os EUA não indicam quantas crianças receberam receitas, visto que muitas delas têm várias prescrições por ano, mas estudos prévios sugerem que terão sido pelo menos dez mil, segundo o artigo do NYT. As receitas para o antidepressivo Prozac ascenderam a 83 mil no grupo etário dos 2 ou menos anos, o que representou um aumento de 23% de prescrições nesta faixa etária, indicam os dados da IMS Health.

No artigo do The New York Times conta-se a história de Andrew Rios, de 4 anos, que tomou o antipsicótico Risperdal quando tinha 18 meses para tratar crises de agressividade. Depois de começar a tomar a droga, Andrew passou a gritar durante o sono e a interagir com pessoas e objetos invisíveis. A mãe foi pesquisar o medicamento e descobriu que este não estava aprovado e nunca tinha sido estudado para crianças tão novas como o seu filho.

 

Entrar mais tarde para a escola pode ser benéfico, diz estudo

Novembro 23, 2015 às 12:00 pm | Na categoria Estudos sobre a Criança | Deixe o seu comentário
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Notícia da http://www.tvi24.iol.pt de 13 de novembro de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

The Gift of Time? School Starting Age and Mental Health

mais informações na notícia:

Delaying kindergarten until age 7 offers key benefits to kids — study

 

Cientistas da Universidade de Stanford concluíram que ficar mais um ano no jardim de infância melhora o autocontrolo das crianças

Redação / RFO

Um estudo da Universidade de Stanford, EUA, concluiu que as crianças dinamarquesas que entram um ano mais tarde para o primeiro ciclo, prolongando a frequência no jardim de infância, apresentam níveis mais elevados de autocontrolo. A investigação foi realizada em parceria com o Centro Nacional Dinamarquês de Pesquisa Social.

“Descobrimos que atrasar o jardim de infância por um ano reduziu a desatenção e hiperatividade em 73% para uma criança com 11 anos,” afirmou Thomas Dee, um dos co-autores e professor da universidade.”

Na Finlândia e na Alemanha, as crianças já começam a escola um pouco mais tarde e isso não representa tempo perdido. Em termos estatísticos, a Finlândia tem conseguido bons resultados em testes internacionais para jovens de 15 anos. A desatenção e hiperatividade são duas perturbações que fazem parte do transtorno com deficit de atenção com hiperatividade e que enfraquecem a capacidade de uma criança ter controlo sobre si própria. Estudos anteriores, como o teste de “Marshmallow”, já tinham demonstrado que bons níveis de autocontrolo na infância levam à obtenção de sucesso com mais facilidade na idade adulta.

IVªs Jornadas Estimulopraxis ‘Novas Perspectivas no Neurodesenvolvimento – O que se sabe… O que se faz!’

Novembro 10, 2015 às 8:00 pm | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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estim

mais informações:

http://www.estimulopraxis.com/projectos.html#jorna

 

Conferência – Visão Médica da Perturbação de Défice de Atenção e Hiperactividade

Outubro 16, 2015 às 8:00 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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cadin

Conferência – Visão médica da PHDA
20 Outubro | 18h30 – 20h00 | CADIn Cascais

Três médicos de diferentes especialidades à conversa sobre a Perturbação de Défice de Atenção e Hiperatividade:

– Bernardo Barahona Corrêa, Psiquiatra, diretor científico do CADIn, responsável pela unidade de internamento de Psiquiatria do Hospital Egas Moniz, professor auxiliar convidado na Nova Medical School – Faculdade de Ciências Médicas e consultor da Fundação Champalimaud na área das neurociências
– Paula Vilariça, pedopsiquiatra no CADIn e responsável pela consulta de adolescência do Centro Hospitalar Lisboa Central
– Pedro Cabral, Neurologista Pediátrico, diretor clínico do CADIn e diretor do departamento de Neurociências do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental

Destinatários | Pais, professores, profissionais de saúde
Local | edifício CADIn – estrada da Malveira – Cascais
Data | 20 de outubro de 2015 – das 18:00 – 20:00
Preço | gratuito (inscrição prévia e limitada à capacidade da sala)
Inscrições | congressos@cadin.net
Nº limite de inscrições | 35

https://www.facebook.com/CADINIPSS?fref=photo

 

RASTREIO GRATUITO PHDA – Dia 26 outubro em Cascais e Setúbal

Outubro 14, 2015 às 10:50 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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rastreio

– O seu filho/a:
• Está sempre no “mundo da lua”!!
• Não anda…corre!!
• Parece que o tempo não chega para tudo!!
• Nas aulas, fala constantemente!!
• Já está a responder e ainda nem terminei a pergunta…!

Estas situações podem indicar que o seu filho/a tem dificuldades ao nível do controlo da atenção, agitação motora e impulsividade. Para ajudar a despistar estas dificuldades, a equipa do CADIn irá promover um rastreio gratuito.

– Porquê fazer:
A PHDA – Perturbação de Défice de Atenção e Hiperatividade é uma perturbação do desenvolvimento neurológico, que se traduz em três sintomas principais – desatenção, agitação motora e impulsividade. A identificação precoce de sinais de alerta permite realizar uma avaliação formal e, caso necessário, delinear estratégias de intervenção.

– Para que serve:
Este rastreio é um despiste inicial para identificar se os sinais de alerta justificam o encaminhamento para uma avaliação formal ou consulta médica. Não é um diagnóstico de PHDA, mas sim um primeiro passo para encaminhar para uma resposta mais completa e elaborada junto do médico ou outros técnicos de saúde.

– A quem se destina:
Destina-se a crianças/jovens a partir dos 5 anos.

– Quando:
26 de outubro, 2ªfeira, das 10h às 19h, por marcação prévia.

– Onde:
CADIn – Cascais e Setúbal

– Duração:
30 minutos, aproximadamente.

– Marcação:
Cascais: carolina.viana@cadin.net
Setúbal: carolina.carneiro@cadin.net

https://www.facebook.com/CADINIPSS

http://www.cadin.net/

 

Mês Internacional para a Consciencialização da PHDA – palestras em São João da Madeira, Fiães, Ponte de Lima e Paços de Brandão

Outubro 8, 2015 às 8:00 am | Na categoria Divulgação | Deixe o seu comentário
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phda

Durante o mês de outubro (mês internacional de consciencialização para a PHDA) o Núcleo de Apoio a Pais da Criança Hiperativa de São João da Madeira, vai promover diversos eventos com vista ao tratamento transversal do tema da Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção – são temas de grande relevância tanto para pais, como para educadores, docentes, técnicos e todos os que podem contribuir para uma plena inclusão do portador de PHDA! Fica o convite para participar e divulgar esta iniciativa que conta com o apoio de associação de pais, escolas e outra entidades – para mais informações contatar apch-norte@sapo.pt ou tlm 918 691 972. Fiquem atentos à publicação (em breve) de todos os eventos agendados Obrigada!

 

Programa ensina pais a lidar com crianças com paralisia

Julho 12, 2015 às 3:12 pm | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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Notícia do site http://lifestyle.sapo.pt

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Nuno Noronha // Notícias // Lusa

Um programa de educação parental desenvolvido para crianças com hiperatividade e défice de atenção está a ser dirigido em Coimbra a crianças com paralisia cerebral, promovendo, junto dos pais, a chamada “parentalidade positiva”.

Numa relação onde a paralisia ocupa um papel central, os pais podem demitir-se da “imposição de regras e limites” por sentirem que a vida “já castigou demasiado o seu filho”, explica Joana Lobo, psicóloga da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC), instituição que, em parceria com a Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra, decidiu implementar o programa de educação parental “Anos Incríveis”, que desenvolve estratégias para reduzir distúrbios em crianças com hiperatividade, défice de atenção ou agressividade.

“Porque é que estes pais precisam do programa? Porque são pais. A paralisia é uma coisa na vida, mas não é a vida”, sublinha uma das coordenadoras do programa em Portugal, Filomena Gaspar, referindo que as estratégias utilizadas pretendem fazer com que o foco dos pais “não seja no que a criança não faz bem, mas no que faz bem”.

Segundo a também docente da Faculdade de Psicologia, os pais precisam de “se focar no essencial e não gastar tempo no que não interessa”, dando atenção positiva ao mesmo tempo que impõem limites e consequências para desobediências e birras.

Acabar com a frustração e insegurança dos pais

Numa sala da sede da APCC, pais de 13 crianças com paralisia cerebral, dos três aos oito anos, começaram em abril a receber formação deste programa, em que se procura “acabar com a frustração e insegurança” que os progenitores possam sentir, diz à Lusa Joana Lobo.

Durante as formações, que ocorrem uma vez por semana e que são dinamizadas por investigadores da Faculdade de Psicologia, os pais põem-se no lugar dos filhos, aprendem a impor limites e a brincar, numa sala onde reina o pensamento positivo, que segue depois para casa, como conta Susana Pires, mãe da Carolina, de sete anos.

“Foco-me mais nos aspetos positivos, aproveito melhor o tempo que tenho com a Carolina, mas também percebi que estava a fazer algumas coisas bem”, diz a mãe, de 25 anos, da Guarda, que nota sinais de melhoria na sua filha que diz ser “um bocadinho manipulativa”.

O pouco tempo que tem com a filha, devido ao trabalho, aproveita agora “da melhor forma”, refere.

“Não aproveitávamos tanto para brincar. Agora, chego a estar duas horas só a brincar”, salienta Sofia Gouveia, de 39 anos, referindo que está “mais feliz”.

Maria Filomena Gaspar acrescenta: “Custa menos que uma caixa de antidepressivos”.

Miguel Monteiro, pai do David, de seis anos, afirma que a paralisia “é como uma tragédia que se abate” no seio da família.

“Vivemos centrados nesse problema e esquecemo-nos de que são crianças normais. O meu filho é muito acompanhado, está rodeado de técnicos, mas só tem uns pais. Não podemos esquecer a afetividade, temos de lhe dar carinho”, salienta.

“É uma espécie de vacina”, explica a coordenadora do programa.

A formação termina na quinta-feira e a APCC e a Faculdade de Psicologia vão realizar uma segunda fase do projeto, com outras 13 famílias da região Centro, a qual irá arrancar em outubro.

http://www.apc-coimbra.org.pt/

 

Os mitos associados à PHDA

Julho 8, 2015 às 6:00 am | Na categoria A criança na comunicação social | Deixe o seu comentário
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texto do http://lifestyle.publico.pt/  de 26 de junho de 2015.

Daniel Rocha

Por Carolina Viana,

Muito se fala sobre Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA). Embora seja tão comentada, ainda existem muitos mitos associados.

Os indivíduos com PHDA enfrentam desafios diariamente e com frequência sofrem o estigma do aluno “mal-educado”, desobediente, obstinado, etc. Quando, na verdade, tudo é feito com esforço acrescido. Por outro lado, também há crianças a ser apelidadas de hiperactivas quando não deverá ser essa a denominação.

E aquelas que por serem apenas desatentas mas não agitadas passam despercebidas e só se detectam as dificuldades mais à frente no percurso académico? E os pais, serão todos eles maus disciplinadores? Procuro, neste breve texto, desmistificar algumas destas questões.

“Ele não tem PHDA, é preguiçoso e mal-educado!”

Não! A PHDA é uma perturbação real que afecta cerca de 4% da população e que traz consequências ao nível do desempenho escolar, familiar e social. Ao contrário do que se pensa, as crianças com PHDA não conseguem controlar o seu comportamento. Não fazem as coisas porque não saibam mas sim porque não conseguem!

São crianças que têm muita dificuldade em envolver-se em tarefas que exijam esforço mental prolongado e por isso são muitas vezes apelidadas de preguiçosas. A verdade é que muitas vezes se esforçam mais do que os outros.

“Todos os hiperactivos têm PHDA!”

Não! Todas as crianças precisam de se mexer para conhecer e explorar o mundo. A agitação motora faz parte do desenvolvimento. Existem crianças que são mais mexidas do que outras mas isso não implica a presença duma perturbação. Para que tenham uma PHDA as dificuldades devem afectar o seu desenvolvimento pessoal, escolar e social e deve ter impacto significativo nos diferentes contextos de vida.

“Tem PHDA porque os pais não sabem educar!”

Não! Quando uma criança com PHDA não cumpre o que lhe é pedido ou faz birras, não é porque os pais não imponham regras e limites. Isto acontece porque uma criança com PHDA não consegue antecipar as consequências do seu comportamento. O problema advém de dificuldades na autorregulação do comportamento e não da falta de disciplina em casa.

“Só aparece em rapazes”

Não! As raparigas têm tanta probabilidade de ter uma PHDA quanto os rapazes. A diferença está na manifestação dos sintomas. Normalmente os rapazes são mais agitados que as raparigas e como tal, os sintomas de agitação motora, aquando duma PHDA, são mais marcados e evidentes. Por seu turno, as raparigas apresentam mais sintomas de desatenção, sintomas que passam mais facilmente despercebidos porque “não perturbam a aula”.

“Isto passa com a idade!”

Não! A PHDA é uma perturbação crónica que evolui ao longo da vida. Cerca de 30% a 50% dos casos permanece até à idade adulta e quando não dignosticado atempadamente pode evoluir para outro tipo de dificuldades. Há uma tendência para os sintomas de agitação motora diminuirem mas as dificuldades de autorregulação, controlo da atenção e impulsividade persistirem ou intensificarem-se.

“Fica horas a jogar playstation, não tem PHDA?”

Não! Muitas crianças e jovens com PHDA ficam muito tempo a jogar consola ou computador porque é mais fácil estar atento a actividades em que o estímulo está em constante mudança e em que há constante reforço das nossas acções (vidas, pontos…). Crianças com PHDA têm mais dificuldade, como qualquer outro inidvíduo, em manter a atenção em tarefas monótonas e menos motivantes.

“Consegue ouvir, perceber tudo o que se passa à sua volta, não tem PHDA”

Não! Crianças com PHDA estão atentos a tudo mas não se concentram em nada! “Até a mosca vêem passar”, mas não conseguem seleccionar o estímulo mais importante (focar a atenção) para conseguir realizar a tarefa que têm em mãos.

“Ao darmos apoio na escola a crianças com PHDA ou estamos a ser injustos com os restantes alunos”

Não! Quem tem uma PHDA tem um défice ao nível das competências para estar atento, ou seja, não tem a estrutura necessária para conseguir estar concentrado nas tarefas. Ao fazermos adaptações em sala de aula estamos a dar ferramentas para ultrapassar estas dificuldades. Não estamos a retirar os obstáculos do percurso mas sim a dar estratégias para os ultrapassar. Mais ainda, estas estratégias podem facilmente ser implementadas com todos os alunos e assim estimular a aprendizagem de todos.

Psicóloga Clínica, CADIn (phda@cadin.net)

 

 

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