Quase metade das escolas no mundo sem condições para reabertura segura

Setembro 2, 2020 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 13 de agosto de 2020.

Mais de 40% das escolas no mundo não têm acesso a condições básicas de higiene, como água para lavar as mãos e sabão, aumentando os riscos de reabertura no contexto da pandemia de covid-19.

O programa de monitorização conjunto das duas agências das Nações Unidas, a UNICEF e a Organização Mundial de Saúde (OMS) revela que 43% das escolas em todo o mundo, cerca de duas em cada cinco, não têm acesso a condições de higiene básicas como água e sabão para lavar as mãos, uma medida de proteção contra a covid-19 considerada essencial para uma reabertura das escolas em segurança no contexto da pandemia.

Em comunicado conjunto das duas organizações, a diretora executiva da UNICEF, Henrietta Fore, aponta o “desafio sem precedentes” à educação e bem-estar das crianças colocado pelo encerramento das escolas em todo o mundo e defende que “é preciso dar prioridade à educação das crianças”, o que significa “garantir que as escolas têm segurança para reabrir, incluindo o acesso a condições de higiene das mãos, água potável para beber e condições sanitárias seguras”.

Estes três indicadores são particularmente frágeis em África, onde se encontra um terço das crianças sem condições básicas de higiene nas escolas — 295 milhões de crianças de acordo com os dados das duas agências da ONU.

Em termos globais são 818 milhões de crianças que se encontram nessa situação, colocando-as numa situação de risco acrescido de infeção por covid-19 e outras doenças transmissíveis.

Cerca de 355 milhões de crianças frequentam escolas onde está disponível água, mas não sabão, e 462 milhões de crianças estudam em estabelecimentos sem acesso a água para lavagem das mãos.

Nos países menos desenvolvidos sete em cada dez escolas não têm condições básicas de higiene das mãos e em metade das escolas faltam condições de saneamento e de acesso à água.

O relatório da OMS e da UNICEF destaca que os governos têm que encontrar um equilíbrio na aplicação de medidas de saúde pública e os impactos económicos e sociais de medidas de confinamento devido à pandemia, acrescentando que estão “bem-documentados” os “impactos negativos do encerramento de escolas na segurança, bem-estar e aprendizagem das crianças”.

“O acesso a água, saneamento e condições de higiene é essencial para uma prevenção eficaz da infeção em todos os locais, incluindo nas escolas”, defende Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, acrescentando que a reabertura segura das escolas deve ser “uma grande prioridade das estratégias governamentais”.

Nos países para os quais existem dados, no que diz respeito a higienização das mãos os países com condições mais deficitárias nas escolas encontram-se maioritariamente na África subsariana, no sul da Ásia e na América do Sul, entre os quais se encontram o Brasil e a Índia, ambos com uma cobertura entre os 51% e os 75% das escolas no seu território com condições de higiene básicas.

As Nações Unidas emitiram linhas orientadoras para uma reabertura segura das escolas, que incluem várias medidas relacionadas com a lavagem das mãos, utilização de equipamento de proteção pessoal, limpeza e desinfeção, assim como garantir acesso a água potável e pontos de lavagem de mãos com água e sabão e instalações sanitárias seguras.

O comunicado das duas agências da ONU recorda ainda a iniciativa conjunta “Higiene das Mãos para todos” que pretende garantir equidade no acesso a condições de higiene no mundo, focando-se nas comunidades mais vulneráveis, procurando garantir meios de proteção com a colaboração de parceiros, governos, setor público e privado e sociedade civil para assegurar produtos e serviços de custo acessível disponíveis nas áreas menos privilegiadas.

Mais informações na Press Release da WHO:

2 in 5 schools around the world lacked basic handwashing facilities prior to COVID-19 pandemic — UNICEF, WHO

Como convencer as crianças a lavar as mãos? Basta uma fatia de pão

Janeiro 3, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site Zap aeiou de 25 de dezembro de 2019.

Nem sempre é fácil convencer os mais novos do quão importante é lavar bem as mãos. Mas Dayna Robertson, professora da Discovery Elementary School, em Idaho Falls, nos Estados Unidos, acertou em cheio. E só foram precisas algumas fatias de pão.

Com a ajuda da colega de trabalho e especialista em comportamento, Jaralee Metcalf, a professora realizou uma simples atividade na sala de aula: os alunos tinham de tocar em várias fatias do mesmo pão de forma. De seguida, essas mesmas fatias foram colocadas individualmente dentro de sacos de plástico para ver o que aconteceria no mês seguinte.

“Uma fatia estava intacta. Uma foi tocada por mãos que não tinham sido lavadas. Uma por mãos lavadas com desinfetante. Uma por mãos lavadas com água e sabão. Depois, ainda decidimos passar uma fatia em todos os nossos Chromebooks”, conta Metcalf num post de Facebook que se tornou viral e que já foi partilhado quase 70 mil vezes.

Tal como se pode ver pelas fotografias, apenas duas fatias de pão passaram no teste: a que estava intacta e a que tinha sido tocada por mãos lavadas com água e sabão.

Jaralee Annice Metcalf / Facebook

“Todos os alunos acharam que era nojento. E, a partir daí, realmente mudaram o hábito de lavar as mãos. Perceberam que o desinfetante não funciona e que têm de lavar com água e sabão”, conta a professora ao site Today, citada pelo Science Alert.

“Devemos lavar as mãos antes, durante e depois de preparar a comida. E também devemos lavar as mãos antes de comer, depois de ir à casa-de-banho, de assoar o nariz, de tocar em animais e, claro, sempre que as mãos pareçam sujas”, explica a epidemiologista Terri Stillwell,

Esta é uma longa lista, sem dúvida, mas é também uma forma importante de impedir a propagação de patógenos e doenças infecciosas, tendo em conta todas as coisas sujas em que tocamos durante o nosso dia-a-dia (e isto serve para miúdos e graúdos).

ZAP //

Formação – Boas Práticas em Higiene e Segurança Alimentar em Ambiente Escolar – 23 de junho em Sacavém

Junho 12, 2017 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.academiabc.pt/site/boas-praticas-em-higiene-e-seguranca-alimentar-em-ambiente-escolar/

Quantas vezes por semana devemos dar banho aos filhos?

Março 8, 2015 às 6:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Observador de 4 de março de 2015.

Getty Images

Há cada vez mais gente a garantir que dar banho aos filhos todos os dias é uma tarefa desnecessária, que dá cabo da paciência dos pais e da pele dos miúdos. Mas será assim? Fomos perguntar a quem sabe.

João Miguel Tavares

A questão está em saber se passámos do oito para o 80: de um mundo antigo, tipo filme de cowboys, onde só se tomava banho uma vez por ano, quando se descia à cidade (e com a roupa interior vestida), para um mundo moderno onde cada bactéria é um inimigo a abater e se espera que o corpo de uma criança esteja tão limpo, na hora de ir fazer oó, como uma mesa de operações antes de uma cirurgia de coração aberto.

Como é costume nestas coisas, as opiniões dividem-se, e de forma muito efusiva – sobretudo a partir do momento em que algumas teorias oriundas dos Estados Unidos têm vindo a defender que o excesso de banhos está a tornar as peles hiper-sensíveis e a multiplicar os problemas dermatológicos, em grande parte devido ao uso exagerado de certos produtos antibacterianos.

Há dias, o Washington Post publicou mais um artigo dedicado ao tema, “Why you should stop giving your kid a bath every night”, com abundantes links em defesa da sua tese, e o BuzzFeed produziu há mês e meio um texto intitulado “How often you really need to shower (according to science)”, que depois resumiu num divertido vídeo:

Quando um pai de família vê uma coisa destas, o seu coração, como é óbvio, palpita. Ele parece ter arranjado, finalmente, um excelente argumento científico para chegar junto da sua esposa e dizer: “Querida, a ciência manda-nos parar de dar banho às crianças todos os dias. Estás a ver? É para o seu bem. Posso ir ver a bola?”

Se isto é a parte boa da notícia, agora vem a parte má.

Infelizmente, aquilo que muitos americanos nos querem impingir não é, de todo, partilhado pelos dermatologistas e pediatras portugueses que o Observador se deu ao trabalho de ir ouvir.

A fação pró-banho diário sai vitoriosa – e por esmagadora maioria.

Pondo números às coisas, o Observador escutou dois pediatras e dois dermatologistas sobre o tema, e o triste resultado para os pais que trocavam alegremente a remoção de sujidade capilar pelo visionamento de uma assistência de Nani, Nico Gaitán ou Jackson Martínez, é este:

Mário Cordeiro, pediatra – dar banho todos os dias.

Maria João Paiva Lopes, dermatologista – dar banho todos os dias.

José Campos Lopes, dermatologista – dar banho todos os dias “não se desaconselha”.

Hugo Rodrigues, pediatra – em bebés, dar banhos em dias alternados, mas se ele gostar “pode dar mais vezes”.

Ou seja, segundo esta pequena amostra de pediatras e dermatologistas nacionais, não há qualquer razão de monta para que se prescinda do banho diário. Desde logo, por razões que superam a questão higiénica propriamente dita. Palavra a Mário Cordeiro:

“As crianças, desde bebés, devem tomar banho todos os dias (esta deve ser a regra, salvaguardando as raras excepções e as ainda mais raras transgressões). Razões: as crianças sujam-se. Brincam, suam, vivem em ambientes poluídos, estão em salas fechadas de infantários ou escolas em que, muitas vezes, predomina o “cheiro a raposinho”… e em bebés babam-se e bolçam, derramam comida sobre si, fazem xixi e cocó na fralda. O chamado “cheiro a bebé” é uma ideia mítica. Um bebé só cheira “a bebé” nos primeiros cinco minutos depois do banho. Para lá disso, o banho é um momento de retorno ao meio aquático (mesmo o chuveiro!), de relax, com água quente, o secar do cabelo um momento agradável associado ao pentear e mexer no couro cabeludo.”

Tudo coisas boas.

E há mais. Mário Cordeiro entende ainda que o banho é também um “bom momento para desenvolver progressivamente a autonomia e verificar se a criança é organizada e metódica, e se respeita o ecossistema casa de banho, não fazendo dela uma piscina ou deixando tudo num caos”. E que, “sem cair em vaidosices”, o gosto de se arranjar ou de terminar o dia com um banho e um pijama limpo “é importante para a auto-estima” e para entrar naquilo a que chama “modo endorfínico” (a endorfina é uma substância produzida pelo cérebro que reduz o stress e aumenta o nosso bem-estar), após um dia de trabalho muito intenso.

E quanto à história de os banhos diários estragarem a pele, secarem-na muito, e de o excesso de água remover óleos importantes? Mário Cordeiro não se deixa convencer. “Há águas muito calcárias, isso é verdade, mas a pele das crianças habitua-se a elas, tal como o intestino se habitua: as pessoas não têm mais obstipação se viverem na Lourinhã (muito calcário) do que em Coimbra (pouco).”

E deixa a sua posição resumida numa frase que não oferece quaisquer dúvidas: “Viva o banho diário, e abaixo quem não o apoiar!”

Os dermatologistas também querem banho

Frase por frase, Maria João Paiva Lopes, responsável de dermatologia pediátrica no Hospital dos Capuchos e consultora do Hospital Dona Estefânia, também tem uma bastante forte, e vai no mesmo sentido:

“Banho todos os dias, desde que cai o cordão umbilical e até ao fim da vida.”

Então e os óleos? E a agressão à pele, coitadinha, de tão ensaboada que anda? Maria João Paiva Lopes explica:

“A ideia de que os banhos são muito agressivos para a pele vem do tempo em que os produtos de limpeza eram sabões alcalinos que, de facto, tinham uma ação deslipidante e perturbavam a função barreira da pele, deixando-a seca, irritada, com prurido e com diminuição das defesas em relação a potenciais agressões do meio externo. Atualmente, há vários produtos de higiene que limpam com eficácia mas sem agredir a camada córnea e o filme hidrolipídico que a protege, conservando assim a função barreira. São exemplos os syndets, os óleos dispersíveis e os produtos com aveia que limpam por adsorção. Utilizando estes produtos e seguindo a recomendação de tomar banho rápido e com água morna, o banho diário é a melhor forma de remover os resíduos da pele e limitar a colonização microbiana. Saliento que, mesmo usando produtos de higiene de boa qualidade, continua a ser recomendável aplicar creme hidratante após o banho.”

Além disso, Maria João Paiva Lopes sublinha, tal como Mário Cordeiro, as “vantagens sociais” do banho diário em todas as idades, mas sobretudo nas crianças: “O banho é um momento importante de interação com os progenitores e os irmãos.”

As recomendações do também dermatologista José Campos Lopes são idênticas – “mesmo considerando que a pele duma criança, antes da puberdade, é seca ou muito seca, o banho diário não se desaconselha” –, salientando igualmente as vantagens da utilização no banho de “produtos pouco agressivos, como os syndets, com duração e temperatura de água adequadas”. No final, “cremes e/ou loções hidratantes devem ser utilizados para preservar o manto lipídico a manter a função barreira da pele”.

Já agora, para os menos cultivados na arte da limpeza da pele, os syndets (junção das palavras “synthetic” e “detergent”) são sabonetes sem sabão, ou seja, sem uma base alcalina forte, que pode sempre deixar resíduos prejudiciais ao pH da pele. Por serem mais sensíveis, menos agressivos para a pele e permitirem aditivos (cores e fragrâncias que não estão ao alcance dos tradicionais sabonetes), a sua popularidade tem vindo a crescer de forma significativa.

Liberdade para os pais

De todos os especialistas escutados, aquele que se mostra mais compreensivo para com os pais que querem escapar ao banho diário é Hugo Rodrigues, autor do blogue (entretanto transformado em livro) “Pediatria para Todos”. Eis o seu comentário:

“O que diz a teoria é que é mais inócuo dar banho em dias alternados, pois a pele dos bebés é mais sensível e pode ficar mais fragilizada se estiver exposta de forma contínua aos produtos de limpeza. Como os bebés não se sujam muito, esta pode ser uma boa opção. No entanto, aquilo que se vê na prática é que mesmo que se dê banho todos os dias, a maior parte dos bebés não têm problemas de pele, pelo que acaba por ficar um pouco ao critério dos pais. Claro que se o bebé tiver uma pele atópica, devemos claramente evitar as “agressões” do banho, mas se a pele for normal (saudável), a questão acaba por ser um pouco menos relevante.”

Daí que Hugo Rodrigues entenda que quem deve, em parte, mandar nos banhos é o próprio bebé: “Acho importante ter em conta o comportamento do bebé no banho. Se ele gostar, pode dar-se banho mais vezes. Se não gostar, deve dar-se menos. Não me parece que seja necessário haver grandes teorias sobre o assunto e muito menos radicalismos que só criam stress e ansiedade aos pais.”

Em resumo: utilizar o bem-estar do bebé para fugir ao banho diário não é grande caminho. A ciência, afinal, parece não estar do lado dos pais que querem, por motivos altamente compreensíveis, menos água e menos gel nas suas vidas. Já se um progenitor invocar a sua própria fragilidade emocional e os seus altos níveis de stress, pode ser que se safe.

Ou seja, a argumentação não pode ser: “Querida, dar tantos banhos está a fazer mal ao bebé!”

Terá antes de ser: “Querida, dar tantos banhos ao bebé está a fazer-me mal!”

Claro está que a sinceridade do argumento aumenta na mesma proporção que a sua eficácia diminui. Mas não se pode ter tudo.

 

A Saúde dos Adolescentes Portugueses – Relatório Preliminar do Estudo HBSC 2010

Abril 21, 2011 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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