Higiene oral dos miúdos. “Há muitos pais que dão Panrico aos filhos e não sabem o quão mal isso faz aos seus dentes”

Julho 12, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Blaise vonlanthen unsplash

Texto do site MAGG de 5 de julho de 2018.

Os bebés também devem lavar a boca, a quantidade de pasta deve ser adequada e a alimentação é muito importante. Uma higienista oral explica.

Lavar os dentes a um bebé ou criança pode ser um verdadeiro pesadelo para os pais. É um hábito que nem sempre é fácil de incutir, mas que é essencial para a saúde oral dos miúdos. Mesmo antes de terem dentes.

“As pessoas quando pensam em dentes, pensam em problemas e tratamentos e esquecem-se da prevenção. Essa sim é a mais importante”, explica à MAGG Rita Branco, higienista oral e delegada de propaganda médica nos Laboratórios Pierre Fabre. “Prevenir é a solução para que não haja a necessidade de ter algo para tratar.  E é isto que os pediatras precisam transmitir aos pais.”

E são também os pediatras que têm o papel de informar os pais sobre quais os hábitos de higiene oral adequados a cada bebé ou criança.

Os primeiros dentes aparecem habitualmente depois dos primeiros seis meses de vida do bebé, mas a higienização da boca deve ser feita desde sempre. “A partir do momento em que há fatores externos à boca, é conveniente higienizar as gengivas, pois estas estão constantemente em contacto com o leite, leite com papa ou sopas”, explica.

Quando o bebé é ainda muito pequeno, e não tem dentes, a limpeza deve ser feita apenas com uma compressa húmida, sem recorrer a uma escova, de cada vez que o bebé come. Isto pode durar até no máximo aos dois anos, segundo Rita Branco, apesar de haver várias escovas de dentes no mercado adequadas a bebés a partir dos seis meses.

Além desta, há outras dicas que a higienista oral considera importantes para que seja feita uma correta higiene oral nos bebés e crianças.

  • A escovagem deve ser feita pelo menos duas vezes por dia, de manhã e à noite. Idealmente deveria ser feita de cada vez que a criança come, mas como nem sempre é possível, principalmente se a criança estiver na escola, essas duas vezes devem ser garantidas;
  • A pasta de dentes só deve ser introduzida quando já existem dentes, e com a quantidade de flúor adequada a cada idade. A quantidade de dentífrico usada também é muito importante. Não deve ultrapassar o tamanho da unha do dedo mindinho do bebé/criança, pois só dessa forma se controla melhor para que não haja ingestão do dentífrico;
  • A escova tem que ter um tamanho adequado ao tamanho da boca e dos dentes, ou seja, no momento da compra da escova, deve ter atenção à Indicação da idade e à “cabeça” da escova;
  • A escova de dentes deve ser trocada a cada três meses, por causa da acumulação de placa bacteriana e pela deterioração dos pelos da escova;
  • Ir ao dentista pelo menos duas vezes por ano, para criar um hábito na criança e evitar que se crie o mito de que só se vai ao dentista para tratar um problema e que “o dentista dói”;
  • Lavar os dentes em família. Se tornar este momento divertido e mostrar que também o faz, será mais fácil incutir a vontade e hábito na criança;
  • Não deixar as crianças escovarem os dentes sozinhas, pelo menos até aos seis ou sete anos de idade, pois dificilmente os dentes ficarão bem limpos. Deve haver sempre uma supervisão dos pais.

“Há muitos pais que dão Panrico aos filhos e não sabem o quão mal isso faz aos seus dentes”

A estas dicas há que juntar outro elemento importante: a alimentação. É do senso comum que o açúcar faz mal aos dentes, no entanto, muitas vezes não sabemos a quantidade de açúcar que determinados alimentos têm e damos constantemente às crianças.

“Os refrigerantes são obviamente maus para os dentes, mas não são os únicos. Há muitos pais que dão Panrico aos filhos e não sabem o quão mal isso faz aos seus dentes. E até os alimentos considerados mais saudáveis e que estão tanto na moda como os cereais, as granolas, não se devem dar sem que seja feita uma escovagem logo a seguir. São pegajosos e colam-se aos dentes”, explica a higienista oral.

Outra situação comum ligada ainda ao açúcar, e à importância de lavar os dentes pelo menos de manhã e à noite, é quando os pais têm que dar um xarope aos filhos, que é habitualmente altamente açucarado. Regra geral fazem-no antes de se deitarem ou a meio da noite, e depois não lhes lavam os dentes.

“A criança dorme com a boca fechada, há menos produção de saliva e as bactérias estão mais ativas. O açúcar fica a trabalhar nos dentes a noite toda, o que é bastante prejudicial. Quando isto acontece, é ainda mais importante lavar os dentes logo de manhã.”

A sociedade atual em que vivemos tem em parte alguma culpa da falta de higiene oral das crianças, pois segundo Rita Branco, os pais não têm tempo, nem paciência para estar atentos e dedicarem uma parte do seu dia a isto.

 

 

 

 

 

Atenção: crianças não devem beber leite à noite

Agosto 19, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da TVI24 a Olívio Dias no dia 14 de agosto de 2015.

ver o vídeo da entrevista no link:

http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/higiene-oral/saiba-por-que-as-criancas-nao-devem-beber-leite-a-noite

Médico dentista Olívio Dias, em entrevista à TVI24, explica que o leite está cheio de açúcar e é fatal para o aparecimento de cáries

Por: Redação / AR

As crianças não devem beber leite antes de dormir por causa das cáries dentárias. O leite é inofensivo durante o dia, mas à noite o corpo não é capaz de produzir saliva suficiente para atenuar um açúcar presente na lactose. Em entrevista à TVI24, o médico dentista Olívio Dias explica que, além do leite, também os sumos de fruta, as barras de muesli, as peças de fruta e os iogurtes que são consumidos ao longo do dia estão repletos de açúcar e são também fatais para o aparecimento de cáries.

“O leite, como sabemos, tem alguma concentração de açúcar. (…) Se realmente não se lavrar os dentes após a ingestão do leite, o leite vai ficar de certa forma agarrado à placa bacteriana que já pode existir no início da vida e daí, através da presença dos micróbios e de lactobacilos, desenvolve-se imediatamente a cárie”, afirma o médico.

Nesta matéria, a prevenção é a palavra de ordem. Olívio Dias defende que a mãe, logo que o bebé nasça, tem de ter cuidados extremos com a higiene oral da criança.

“A mãe tem que começar aa higienizar as gengivas com uma luvinha, nunca dar beijinhos na boca do bebé, porque o micróbio é transmissível e isso pode começar a ser um princípio de que o micróbio se possa alojar logo nos primeiros dentes, e, a partir daí, temos o problema das cáries e, às vezes, incontroláveis”, avisa.

O dentista alerta ainda para os riscos de se colocar um bocadinho de açúcar no biberão para aliciar o bebé. Esse açúcar, concentrado ao nível das gengivas e dos dentes de leite, tende a provocar cárie. Para o médico, o essencial é ensinar, logo de princípio, as crianças a escovar os dentes.

“O importante, importante, é a higiene e deve-se começar ainda antes dos dentes nascerem com uma pequena massagem nas gengivas, que tem dois benefícios. Um: facilita a erupção dos dentes e é menos sofrimento para o bebé. Dois: começa a criar-lhe o hábito de ter de fazer higiene e o próprio bebé depois vai ter maior apetência e, inclusive, pedir à mãe para lavar os dentes”, remata.

 

 

Mais de metade das crianças com seis e 12 anos nunca tiveram cáries

Março 23, 2015 às 7:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 20 de março de 2015.

Adriano Miranda

Alexandra Campos

Número de crianças e jovens com cáries dentárias diminuiu substancialmente. Actualmente, aos 12 anos, dois em cada três dentes cariados já estão tratados.

Na saúde oral dos mais jovens, Portugal está no bom caminho, apesar de ainda haver muito trabalho a fazer. Os números são expressivos: se no início deste século apenas 33% das crianças com seis anos estavam livres de cáries, em 2013 mais de metade (54%) já se encontravam nesta situação. Uma evolução semelhante à observada nas crianças de 12 anos: nesse ano, 53% nunca tinham tido cárie dentária. À medida que a idade avança, a situação não é tão positiva – aos 18 anos, só um terço (32,4%) dos jovens nunca tinham tido lesões de cáries – mas esta agravamento é expectável à medida que a idade avança.

São dados do “III Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais 6, 12 e 18 anos” a que o PÚBLICO teve acesso e que esta sexta-feira vai ser divulgado numa cerimónia para assinalar o Dia Mundial da Saúde Oral.  Elaborado pela Direcção-Geral da Saúde em parceria com a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), o estudo permite perceber que, além de estar a diminuir o número de crianças e jovens com cáries, os hábitos básicos de higiene oral nas crianças e jovens estão a melhora: enquanto aos seis anos 79% das crianças diz escovar os dentes todos os dias, aos 12 são quase 90% os que garantem fazê-lo e, aos 18, a percentagem sobe para 96%.

“Todos os indicadores melhoraram. Passamos para uma situação em que o nível de cárie dentária já é muito razoável em relação à média europeia”, comenta Paulo Melo, um dos autores do estudo e secretário-geral da OMD. A evolução foi, de facto, significativa, a crer nos dados deste estudo: nas crianças de seis anos, entre 2000 e 2013 o número de cáries dentárias diminuiu 21%. Mas a redução das cáries não é a única boa notícia que emerge deste trabalho. Também é favorável a evolução da situação dos dentes tratados e da quantidade de dentes perdidos  e esta melhoria da  é transversal a todas as regiões do país.

Ao longo do período referido, aos 12 anos a média de dentes cariados por pessoa baixou 50%, enquanto  a média de dentes tratados aumentou cerca de 15%, o que significa que dois em cada três dentes cariados estão tratados, sublinha ainda a OMD. Os níveis de doença são medidos através de um índice médio por pessoa que contabiliza o número de dentes cariados, obturados e extraídos (perdidos), o indicador que é utilizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Destaque merece o facto de que os resultados deste índice aos 12 anos já terem ultrapassado as metas preconizadas pela OMS para 2020. “Além de haver menos pessoas com cárie, há menos indivíduos com lesões graves de cárie”, sintetiza Paulo Melo.

A melhoria observada na dentição permanente nas crianças e jovens com menos de 18 anos justifica-se em grande parte devido ao Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral (os chamados cheques-dentista) que foi lançado em 2009 para estas faixas etárias. Este programa permite que as crianças, mesmo as mais carenciadas, acedam a consultas de medicina dentária onde, além do tratamento de eventuais lesões, colocam selantes de fissuras nos dentes para prevenirem o aparecimento da doença e ainda aprendem hábitos de higiene oral (escovar os dentes pelo menos duas vezes por dia) e de alimentação saudável.

Paulo Melo está optimista, porque acredita que a aposta na prevenção e no tratamento precoce se vai traduzir “em enormes ganhos no futuro”. “Seguramente que não vamos ter, daqui a 30 ou 40 anos, um número de idosos desdentados tão elevado como temos agora”, antecipa. De acordo com os resultados do barómetro apresentado em 2014,  cerca de 7% dos portugueses não têm um único dente.

O secretário-geral da OMD lembra também que ainda há um caminho a percorrer para se atingirem as metas traçadas pela OMS para 2020, em especial na primeira infância, na dentição temporária (os chamados dentes de leite). “É preciso reduzir a percentagem das crianças que chegam aos seis anos sem cáries. Aqui, ainda há algum trabalho a fazer, mas tem que ser feito pelos pais e pelas famílias”, acentua.

As crianças e jovens são os principais utilizadores do programa cheque-dentista, que abrange também os idosos com o complemento solidário, as grávidas e os portadores de VIH. No ano passado, a taxa de utilização dos cheques-dentista subiu para 74%, tendo sido utilizados no total 406.689. Sessenta por cento foram usados em procedimentos preventivos, na aplicação de selantes de fissuras. No total, foram tratadas 4.334.877 de cáries contra apenas 207.239 extracções de dentes, refere a OMD. Desde o início deste programa, já foram utilizados 2.378.363 de cheques.

 

 


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