Estudo inglês afirma que a tecnologia está a fazer com que as crianças não consigam pegar em lápis

Março 17, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 25 de fevereiro de 2018.

A crescente utilização de tablets e smartphones por parte dos mais pequenos está a fazer com que não ganhem força nos músculos dos dedos.

As crianças estão a a ter cada vez mais dificuldades no simples acto de segurar num lápis ou numa caneta. A culpa? Um estudo da britânica Heart of England NHS Foundation Trust diz que a culpa é da tecnologia.

Segundo os médicos deste conglomerado privado que são citados pelo The Guardian, a utilização excessiva dos touchscreens de smartphones ou tablets está a impedir que os músculos dos dedos das crianças se desenvolvam corretamente.

“As crianças estão a chegar à escola sem terem a força de mãos e destreza que tinham há 10 anos”, afirma Sally Payne, pediatra chefe do gabinete de terapia ocupacional da Heart of England.

“Hoje, os miúdos chegam à escola e quando lhes passamos um lápis para a mão, por exemplo, percebe-se que não têm as capacidades de movimento fundamentais”, diz Payne ao Guardian.”

“Para conseguirem agarrar num objeto deste género e movimentarem-no precisam de ter um grande controlo dos músculos mais sensíveis dos dedos “, acrescentou. “Eles precisam de ter muitas oportunidades para desenvolver essas aptidões.”

Para Payne, a natureza das brincadeiras de criança mudaram, isto porque “é mais fácil dar um Ipad a um miúdo do que encorajá-lo a brincar com coisas que o ajudem a desenvolver-se melhor, como Legos, cortes e colagens ou coisas feitas em corda, que eles possam puxar e esticar.”

O Patrick, de seis anos, tem vindo a participar todas as semanas (ao longo dos últimos seis meses) numa aula de terapia ocupacional que tem como objetivo ajudá-lo a desenvolver a força no seu dedo indicador — para que consiga pegar num lápis. A sua mãe, Laura, culpa-se da desvantagem do filho: “Em retrospectiva vejo que dei coisas tecnológicas ao Patrick para que ele brincasse, tendo com isto excluído quase todos os os outros brinquedos mais tradicionais. Quando ele entrou na escola fui contactado pelas professoras dele que que estavam preocupadas: ele estava a segurar no seu lápis como um homem das cavernas. Ele simplesmente não lhe conseguia pegar de outra forma qualquer. Por causa disso estava a ter dificuldades a aprender a escrever.”

A mãe de Patrick afirma ainda que apesar desta dura realidade, a terapia esta a funcionar bem e que agora tem uma “posição muito mais firme” em relação ao acesso à tecnologia. “Acho que a escola detectou o problema mesmo a tempo de ser corrigido, antes que surgissem danos irreparáveis.”

Mellissa Prunty, pediatra especializada na vertente da terapia ocupacional que se foca mais nos problemas de escrita, também está preocupada com o facto de cada vez haverem mais crianças a aprenderem a escrever muito tarde, por causa da tecnologia.

“Um dos problemas principais é o facto da caligrafia ser algo muito próprio de cada pessoa e isso desenvolve-se durante a infância”, explica a médica que também é a vice-presidente da National Handwriting Association (“Associação Nacional da Caligrafia”, em português) e diretora da clínica de investigação da Brunel University London.

Existem várias formas de “ensinar a escrever” nas escolas inglesas, sendo que muitas deles já usam tablets como auxiliares dos tradicionais lápis. Para a mesma Prunty, esta realidade é um problema grave, já  que muitas crianças também usa tablets fora da escola.

Karin Bishop, a directora adjunta da Royal College of Occupational Therapists, afirmou que: “É inegável a importância da tecnologia e a forma como ela já mudou o mundo onde os nossos filhos estão a crescer. Apesar de existirem vários aspectos positivos desta realidade, há cada vez mais indícios do seu impacto no crescente sedentarismo do nosso estilo de vida e das nossas interações sociais. À medida que as nossas crianças vão passando cada vez mais tempo dentro de casa e “online”, passam menos tempo a participar em actividades mais físicas.”

 

 


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