Consumo de álcool entre os jovens de 15 anos desceu para metade em 12 anos

Outubro 16, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 26 de setembro de 2018.

Será que maior controlo do consumo alcoólico decorre do maior investimento dos jovens nas redes sociais e nos jogos online? A interrogação parte da coordenadora do estudo da Organização Mundial de Saúde, no qual participaram 1500 portugueses.

Natália Faria

Em doze anos, o consumo de álcool entre os jovens com 15 anos de idade desceu para metade. A boa notícia é extensível à maioria dos países europeus, Portugal incluído: por cá, o consumo regular desceu dos 16% em 2002 para os 8% registados em 2014, segundo um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado esta quarta-feira.

No caso português, a descida nos hábitos regulares de consumo de álcool foi mais acentuada entre as raparigas: passaram de 13% para 4%, enquanto nos rapazes o consumo desceu de 19% para 11%. Na média dos 34 países analisados, o consumo regular de álcool entre rapazes e raparigas desceu de 26% para 13%.

Declarando-se “moderadamente optimista” com esta evolução (há excepções, como Israel, onde o consumo regular dos jovens aumentou para os 19,4%), Margarida Gaspar de Matos, que coordenou este estudo em Portugal, começa por lembrar que o consumo de álcool entre os adolescentes portugueses sempre foi “moderado” quando comparado com os outros países incluídos neste estudo que emana do Health Behaviour in School-aged Children – um projecto da OMS que, de quatro em quatro anos, analisa os comportamentos de mais de 200 mil adolescentes em 42 países e regiões da Europa e do Norte da América.

Neste caso, o objectivo era registar as variações no consumo de álcool aos 15 anos de idade, nos 12 anos que separam 2002 e 2014, num total de 36 países e regiões europeias. Do lado português, os cerca de 1500 jovens inquiridos apontam diminuições substanciais no consumo dos diferentes tipos de álcool. Na cerveja, a descida foi de 8% para 5%, no vinho de 3% para 1% e as chamadas espirituosas também decaíram de 11% para 4%.

“Vítimas do gole de champanhe”

Mas é na iniciação alcoólica que os jovens portugueses se saem pior. Quando se lhes perguntou se já tinham experimentado álcool, mesmo que só um gole, e com que idade, 38% responderam que foi antes dos 13 anos de idade (42%, em 2002). Nisto, os portugueses rivalizam com os países de Leste, onde o consumo de álcool está mais disseminado entre os jovens. Mas, num país onde há 50 anos ainda se achava que o vinho alimentava as crianças e as fortalecia, Margarida Gaspar de Matos não descortina aqui grandes razões para preocupação. “Os jovens portugueses ainda são vítimas do gole de champanhe nas festas ou do vinho do Porto nos anos da avó”, contextualiza, preferindo enfatizar a descida nas embriaguezes, de 22% para 17% aos 15 anos, e de 8% para 5% aos 13 anos ou menos de idade.

Esta nota positiva aos jovens portugueses no tocante ao consumo alcoólico repete a avaliação dos inquéritos mais recentes divulgados pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), o último dos quais, divulgado no ano passado mas com dados relativos a 2015, mostrava ainda assim que aos 13 anos quase um terço (31%) dos alunos das escolas públicas já tinha consumido bebidas alcoólicas.

Mas a investigadora está apenas “moderadamente optimista”. Isto porque, conhecidas as razões que levam os jovens a beber, Margarida Gaspar de Matos não viu que os esforços de restrição do consumo adoptados, fossem “sistematicamente acompanhados de medidas alternativas” capazes de ajudar os jovens a lidar com as situações que eles identificam como associadas ao consumo.

Portugal adoptou a proibição legal de venda de álcool a menores. Em 2013, a lei proibiu a venda de bebidas espirituosas a menores de 18 anos e todas as restantes bebidas alcoólicas a menores de 16. Dois anos depois, a interdição de venda a menores de 18 anos foi alargada a todas as bebidas alcoólicas. Manteve-se a proibição de venda em cantinas e postos de venda automática. E as bombas de gasolina na auto-estrada ou fora das localidades continuaram a ver interditada a venda de álcool entre a meia-noite e as oito da manhã. Ao longo dos últimos anos, os impostos sobre o álcool (logo, os preços) aumentaram e aumentou também o controlo associado à condução de veículos sob efeito do álcool. Com isso, conclui o relatório, conseguiu-se controlar o consumo e reduzir a sinistralidade.

Menos álcool, mais jogo online?

A questão é que os jovens declaram que bebem para se divertir, para explorar os seus limites e as suas potencialidades, para lidar com emoções e sentimentos negativos, para se sentirem socialmente mais competentes. Falta assim “um investimento nas políticas da juventude, nomeadamente no uso diversificado do tempo livre sem álcool”. O desporto pode ajudar, mas, como diz Margarida Gaspar de Matos, “há jovens que não se sentem competentes no desporto”. Logo, há que os ajudar (“na família, na escola, no município, no clube…”) a dispensarem o álcool como coadjuvante na regulação das emoções e a “perceberem-se como socialmente competentes sem álcool”. Em resumo: “Não basta controlar o consumo, é preciso providenciar alternativas.”

A cautela da investigadora assenta ainda no facto de os jovens despenderem cada vez mais tempo em frente a um ecrã de telemóvel ou computador. “Espero que este estado controlado do consumo de álcool não esteja apenas associado a um sobre-investimento nas redes sociais e jogos online”, cogita a coordenadora do estudo, dizendo-se convencida de que “se as políticas públicas não apostarem na consolidação de evoluções positivas como esta, há grandes riscos de as coisas regredirem e de que novas dependências apareçam”.

Este projecto, em que Portugal participa desde 1998 e que procura estudar a adolescência, avaliando hábitos, consumos, comportamentos, com impactos na saúde física e mental, em diferentes fases de crescimento, vêm-se prefigurando alguns destes potenciais novos problemas e dependências: dos jogos e pornografia online à auto-medicação psicotrópica, passando pelo uso de novas drogas.

mais informações no documento:

Adolescent alcohol-related behaviours: trends and inequalities in the WHO European Region, 2002–2014 (2018)

 

Internet: dependência dos jovens portugueses ainda é inferior à média europeia

Janeiro 3, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 27 de dezembro de 2016.

Crianças e jovens portugueses já passam um tempo considerável a utilizar o computador Enric Vives-Rubio

Crianças e jovens portugueses já passam um tempo considerável a utilizar o computador Enric Vives-Rubio

Estudos mostram que jovens portugueses já passam demasiado tempo na Internet, mas com valores em linha ou até inferiores aos registados nos restantes países europeus.

Romana Borja-Santos

As crianças e jovens portugueses já passam um tempo considerável, tanto durante a semana como ao fim-de-semana, a utilizar o computador – seja para conversar, navegar na Internet, enviar emails ou mesmo para estudar. Os sinais de dependência das novas tecnologias já são alguns, mas mesmo assim os valores encontrados em Portugal ainda estão quase sempre abaixo da média europeia.

No estudo europeu Net Children Go Mobile, realizado 2014, foram identificados alguns casos extremos: 6% dos jovens admitiram que tinham ficado sem comer ou sem dormir por causa da Internet. No entanto, tirando estes casos limite, os adolescentes portugueses mostraram “resultados em sintonia com a média europeia” ou até mais baixos nos vários indicadores referentes ao uso excessivo: por exemplo, em média 42% dos jovens europeus admitiram passar frequentemente ou algumas vezes menos tempo com a família, com os amigos e deixar tarefas escolares de lado por causa da Internet e dos jogos. Em Portugal, o valor ficou nos 31%.

Também o estudo mundial Health Behaviour in School-Aged Children, do mesmo ano, avaliou a dependência da Internet, numa escala que varia entre 9 e 45 pontos, correspondendo o valor mais alto a uma elevada dependência. Os autores do trabalho chegaram a uma média de 18 pontos para a realidade portuguesa – um valor inferior ao da realidade europeia.

http://netchildrengomobile.eu/

http://www.hbsc.org/

 

A escola mudou pouco, os adolescentes mudaram muito

Março 18, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 15 de março de 2016.

Marco Duarte

ANDREIA SANCHES

Reacções ao estudo da OMS sobre a adolescência, divulgado nesta terça-feira. Joaquim Azevedo, investigador da Universidade Católica, avisa que “a indisciplina cresce, cresce, cresce” cada vez mais.

No seu trabalho, Joaquim Azevedo, investigador da Universidade Católica, doutorado em Ciências da Educação, acompanha escolas diariamente. Visita-as, fala com alunos e professores. E regista o seguinte: “A indisciplina cresce, cresce, cresce” cada vez mais. E, com este clima na escola, “se os adolescentes se sentissem lá muito bem, isso é que era estranho”.

Este é o primeiro comentário que faz a uma das conclusões do grande estudo internacional sobre a adolescência, divulgado nesta terça-feira pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Um estudo que mostra que os adolescentes portugueses são dos que se sentem mais apoiados pela família, têm consumos de álcool ligeiramente abaixo da média observada noutros pontos do globo e, mais dos que os outros, quando têm relações sexuais usam preservativo. Boas notícias, portanto. Mas — e esta é a primeira má notícia — a escola em Portugal é pouco amada.

Dados: cerca de um quarto dos adolescentes de 15 anos dos 42 países e regiões participantes no estudo da OMS gostam “bastante” da escola. A Arménia tem o melhor resultado, a Bélgica francófona o pior. Portugal surge na 33.ª posição: só 11% dos rapazes e 14% das raparigas de 15 anos dizem que gostam muito da escola.

O problema não são os colegas — que são, na verdade, o que os portugueses mais gostam na escola. O problema são mesmo as aulas, consideradas aborrecidas, e “a matéria”, que é descrita como excessiva, explicou Margarida Gaspar de Matos, a investigadora que em Portugal coordena este estudo da OMS desde que, em 1998, o país começou a participar.

A indisciplina, prossegue Joaquim Azevedo, é, então, uma das culpadas. E tem crescido por muitas razões, diz. Uma delas é que “a escola não cativa”. Os professores queixam-se de que “os alunos chegam desmotivados”, o que “também é esquisito”, porque a motivação também se ganha na escola. Mas o facto é que “a escola mudou pouco e os adolescentes mudaram muito”.  E se se tenta ensinar “nativos digitais” de uma forma semelhante àquela que “existia há 50 anos”, como acontece, dificilmente os “nativos digitais” gostarão muito das aulas.

Segundo a OMS, os adolescentes portugueses são também dos que maior pressão relatam ter com a vida escolar: o país está na lista dos 10 onde, aos 15 anos, a “pressão com os trabalhos escolares” é maior, acompanhado da Finlândia e da Espanha, entre outros.

Os portugueses são, igualmente, dos que menos se têm em conta como alunos. É assim desde cedo: aos 11 anos, aparecem quase no fim da tabela, com a 38.ª pior auto-avaliação do seu desempenho escolar. Aos 15 é pior. Só 35% das raparigas e 50% dos rapazes consideram que têm bom desempenho escolar, quando a média dos 42 países é 60%.

A secretaria de Estado da Juventude e do Desporto, tutelada pelo Ministério da Educação, reconhece o problema e faz saber: “Torna-se prioritário encontrar novas formas de motivar os alunos para o infinito mundo de aprendizagens que a escola lhes pode dar: o desporto escolar e a promoção de hábitos de vida saudáveis são temas a que daremos total prioridade e que, esperamos, contribuirão para combater a insatisfação dos nossos jovens face à escola. Queremos ainda dar um novo fôlego à educação para a cidadania e à valorização da educação não formal, também enquanto ferramentas de educação para a diferença, fazendo frente aos níveis elevados de bullying a que tantos adolescentes estão sujeitos, conforme releva mais uma vez este estudo.”

“Currículo pouco amigável”

José Morgado, professor do departamento de Psicologia e Educação do ISPA-Instituto Universitário, também analisou os dados. E diz que esta conjugação — não temos uma relação forte com a escola, sentimo-nos pressionados por ela e achamos que não somos grande coisa como alunos — não existe por acaso. “É a tempestade perfeita.” E, em parte, tem a ver com o facto de “o sistema se ter orientado, de uma forma absolutamente excessiva para os resultados” — ou seja, para os exames e para as notas que neles se conseguem.

O professor de Psicologia aponta ainda o dedo ao “currículo pouco amigável” que se adoptou em Portugal. “Um currículo muito extenso, muito colado ao manual escolar.” Lembra que só entre o 1.º e o 9.º ano, o Governo definiu “mais de 900 metas” curriculares, enquantro “outros países andam a trabalhar para diminuir a extensão” dos currículos e torná-los “mais integrados”.

Mas para se sentirem bem na escola, continua Joaquim Azevedo, que integra o Serviço de Apoio à Melhoria das Escolas (uma estrutura da Católica) os adolescentes não precisam que ela seja fácil. “Uma escolha acolhedora é uma escola disponível para orientar” os jovens, “muito exigente em termos de ensino” e com bons professores, sublinha.

Outros países investiram muito “na melhoria das competências dos professores”, lembra, defendendo que, desde logo, 16 valores (numa escala que vai até 20) devia ser a média mínima exigida em Portugal a quem quer tirar um curso para ser professor.

Bullying é problema

Beatriz Pereira, investigadora do Centro de Investigação em Estudos da Criança, do Instituto de Educação, na Universidade do Minho, diz que coisas tão simples como dar oportunidade aos adolescentes de escolherem mais actividades escolares — teatro, desporto, canto, por exemplo, — e de as desenvolverem “ajudaria a reforçar os laços com a escola, a vestirem a camisola”. Dentro da sala, contudo, o que faz mesmo a diferença, concede, é o professor e, por isso, também acha que se deve apostar mais e mais na formação dos docentes.

Health Behaviour in School-aged Children, divulgado nesta terça-feira, é um estudo feito de quatro em quatro anos pela OMS. Baseia-se nas respostas de mais de 220 mil adolescentes europeus e do Norte da América (6000 portugueses). A recolha foi feita em escolas com 6.º, 8.º e 10.º anos, em 2014. O objectivo é avaliar hábitos, consumos, comportamentos, com impacto na saúde física e mental dos jovens. E a escola, diz-se, tem um enorme impacto.

O estudo não inclui perguntas que permitam aferir se a indisciplina, de que fala Joaquim Azevedo, aumentou ou não. Mas há dados sobre bullying por exemplo. Aos 11 anos,  entre 11% (raparigas) e 17% (rapazes) disseram que foram alvo de bullying na escola, “duas ou três vezes por mês nos últimos dois meses”. O país tem a 16.ª taxa mais alta de alunos de 11 anos que se dizem vítimas de bullying.

Aos 15 anos (entre 9 e 12% dizem-se vítimas) estamos comparativamente pior — em 12.º lugar em 42 países.

José Morgado diz que estudos nacionais até têm apontado para percentagens mais altas. Seja como for, uma coisa é certa: “O bullying continua a ser um problema, e é tão importante trabalhar com as vítimas como com os agressores, como com os assistentes — os alunos que assistem e que podem ter um papel mais activo”, nomeadamente na denúncia do problema nas escolas.

 

 

 

 

A saúde dos adolescentes portugueses em tempos de recessão – dados nacionais 2014

Março 16, 2016 às 3:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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descarregar o relatório no link:

http://aventurasocial.com/arquivo/1437158618_RELATORIO%20HBSC%202014e.pdf

O HBSC/OMS (Health Behaviour in School-aged Children) é um estudo colaborativo da Organização Mundial de Saúde (OMS) que pretende estudar os estilos de vida dos adolescentes e os seus comportamentos nos vários cenários das suas vidas. Iniciou-se em 1982 com investigadores de três países: Finlândia, Noruega e Inglaterra, e pouco tempo depois foi adoptado pela OMS, como um estudo colaborativo. Neste momento conta com 44 países entre os quais Portugal, integrado desde 1996, e membro associado desde 1998 (Currie, Samdal, Boyce & Smith, 2001).

O estudo HBSC criou e mantém uma rede internacional dinâmica na área da saúde dos adolescentes. Esta rede permite que cada um dos países membros contribua e adquira conhecimento com a colaboração e troca de experiências com os outros países. No sentido desta rede funcionar de forma coordenada, todos os países membros do HBSC respeitam um protocolo de pesquisa internacional (Currie et al., 2001).

Portugal realizou um primeiro estudo piloto em 1994 (Matos et al., 2000), o primeiro estudo nacional foi realizado em 1998 (Matos et al., 2000), o segundo em 2002 (Matos et al., 2003), o terceiro em 2006 (Matos et al., 2006), o quarto em 2010 (Matos et al., 2012) e um mais recente em 2014, ao qual se refere este relatório (relatórios disponíveis em:

http://aventurasocial.com/publicacoes.php

 

Em Portugal, a falta de autonomia dos adolescentes “é algo assustadora”

Março 16, 2016 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Entrevista do Público a Margarida Gaspar de Matos no dia 15 de março de 2016.

Enric Vives Rubio

Margarida Gaspar de Matos: “Quando há ‘apenas’ laços fortes há, em geral, pouca dissonância e debate de ideias (vamos pouco além das discussões do dia-a-dia sobre a gestão da casa)” Enric Vives-Rubio

Andreia Sanches

Entrevista a Margarida Gaspar de Matos a propósito do novo estudo da Organização Mundial de Saúde: a família, que os portugueses tanto prezam, dá afecto e apoio, mas os “pares”, sublinha, são essenciais para aprender a negociar, a debater e a descobrir o mundo.

Os adolescentes portugueses estão menos com os amigos, depois da escola, quando comparados com os de outros países. E saem menos à noite. Isso é bom, ou significa que estão demasiado presos às saias da mãe? Com que impacto no seu crescimento? Margarida Gaspar de Matos, psicóloga e investigadora, da Faculdade de Motricidade Humana, da Universidade de Lisboa, que coordena a parte portuguesa do estudo Health Behaviour in School-aged Children (HBSC), da Organização Mundial de Saúde (OMS), responde a algumas perguntas suscitadas pelo mais recente relatório internacional sobre a adolescência, divulgado nesta terça-feira de manhã.

Segundo o HBSC, Portugal é o país, em cerca de 40, onde os jovens de 11, 13 e 15 anos menos estão com amigos depois das oito da noite. Isto é bom ou mau? Significa o quê?

Temos uma cultura muito ligada à família e pouco ligada a “grupos de amigos”. Por outro, temos das maiores cargas de aulas e de TPC (trabalhos para casa) da Europa. E, por outro ainda, há agora a Internet que deixa os jovens mais “voluntariamente” em casa… se, por um lado, as saídas à noite estão associadas a riscos (consumos, por exemplo), por outro lado esta falta de autonomia é algo assustadora.

Que indicadores nos estudos revelam essa “falta de autonomia algo assustadora”?

Neste estudo temos dados, por exemplo, sobre a frequência com que os adolescentes jantam com a família — somos dos que mais o fazemos. Ou sobre sair à noite com os amigos — somos dos que menos o fazemos. Estudos anteriores mostravam que em Portugal os jovens não se envolviam em actividades de voluntariado, associativismo. E temos a tal imensa carga horária dos jovens portugueses na escola, que outros estudos, ainda, demonstram.

Na rede [de peritos do] HBSC falamos muito disto: há países (nórdicos) onde os jovens em geral saem de casa dos pais quando acabam o secundário, ficam entregues a si próprios, arranjam um part time para se auto-financiar, pedem um empréstimo para estudar… estas práticas não são comuns entre nós e os jovens ficam dependentes dos país até bem depois da sua maioridade.

Os estudos em geral confirmam que, salvo em casos extremos, é bom termos uma família e apreciarmos ter tempo de qualidade para a família, mas também (salvo casos extremos) é bom termos amigos, tempo livre para os amigos e irmos construindo a nossa autonomia. A família dá no início uma estrutura, mas entre amigos gera-se “a geração”. Ambos são necessários.

Sermos dos que mais jantam com a família é “bom”, se isso for indicador de coesão familiar e alimentação saudável, mas já não é tão “bom” se for indicador de que os jovens não conseguem estar sem a família. Do mesmo modo, estar com os amigos fora de aulas é “mau” se ficar associado as lutas, aos consumos e ao insucesso escolar; mas já não é tão “mau” se significar autonomia, amigos pessoais, interesses vocacionais ou de lazer partilhados… Há um sociólogo (Granovetter) que (em 1983, imagine) escreveu um trabalho chamado a importância dos laços fracos (“weak ties”). O racional é que na nossa rede de contactos sociais/o nosso capital social, temos laços fortes com um número reduzido de pessoas — pais, filhos, esposos, etc. — e laços fracos com um número mais extenso de pessoas. Os laços fortes dão-nos afecto e apoio, mas os laços fracos são importantes para nos “abrir ao mundo”, para construirmos a nossa “diferença” face à família e ao nosso grupo restrito, para nos tornarmos “tolerantes à diferença” e até curiosos sobre o mundo.

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Os laços fortes não chegam.

Quando há “apenas” laços fortes há, em geral, pouca dissonância e debate de ideias (vamos pouco além das discussões do dia-a-dia sobre a gestão da casa). São os nossos laços fracos que nos fazem questionar os nossos valores e as nossas crenças. Claro que os laços fracos podem fazer perigar a nossa “boa educação”, mas a falta de laços fracos dificulta a evolução das ideias e, em última análise, pode perpetuar, por exemplo, o preconceito, a xenofobia… Alem disso o “treino” de debate entre pares constrói-se com estes laços fracos e facilita o aparecimento de jovens com capacidades de negociação, de debate, de resolução de conflitos, que muitas vezes em relações “verticais”, como as da família, não são privilegiados….

No estudo, os adolescentes portugueses aparecem em pior posição do que os de outros países no que diz respeito aos níveis de “satisfação com a vida”, aos 13 e 15 anos. Mas, em relação a outros sintomas de saúde mental e física (como ter dores de cabeça, de estômago, dormir mal, etc), não estão tão mal como os jovens de outros países. Como se enquadra isto?

Pois, diz bem: posso adiantar apenas enquadramentos ou interpretações, estes estudos “transversais” não nos permitem identificar causas. Adianto a minha leitura. É nos mais velhos (13 e 15) que ocorre a pior posição na “satisfação com a vida” e é nos mais novos (11 e 13) que menos ocorrem os chamados sintomas múltiplos. Penso que a recessão que atolou o país desde 2010 pode estar associada à falta de satisfação com a vida. Temos outros dados em Portugal [recolhidos através de questões que nem todos os países aplicaram no inquérito, pelo que não constam dos resultados do relatório final da HBSC/OMS] que apontam para um aumento dos jovens que se auto-lesionam em Portugal, dos que dizem que “estão tão tristes que não aguentam” e dados também que mostram uma diminuição das expectativas em relação ao futuro. Estas questões, associadas à (falta de) saúde mental, formam um dos grandes problemas detectados pelo nosso estudo nacional.

Há algum tempo, numa entrevista ao PÚBLICO, a Candace Currie, a ex-coordenadora internacional do HBSC, disse que estava preocupada com a saúde mental das meninas.

Também está?

Sim, eu e a Candace e mais alguns investigadores do HBSC temos um grupo a estudar exactamente as diferenças de género. As meninas tradicionalmente “internalizam” e aparecem com mais preocupações, com menos confiança, com menos satisfação com a vida, com menor percepção de qualidade de vida, com mais sintomas,  com mais preocupações pela imagem do corpo. Como se o “glass ceiling” estivesse já na adolescência e as meninas andassem sempre stressadas a tentar “provar algo” para sua afirmação pessoal. Este stress aparece com mais força após a puberdade e, portanto, poderá estar associado a alterações hormonais (e respectiva leitura cultural claro). Já quis estudar isto a fundo mas ainda não consegui o apoio financeiro respectivo. Talvez este ano.

mais gráficos no link:

https://www.publico.pt/sociedade/noticia/em-portugal-a-falta-de-autonomia-dos-adolescentes-e-algo-assustadora-1726066

 

Os adolescentes portugueses têm um problema com a escola. E tem piorado

Março 16, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 15 de março de 2016.

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Andreia Sanches

Grande estudo da OMS sobre a adolescência. Portugal é dos países onde há menos jovens a dizer que gostam muito da escola. E os seus níveis de satisfação com a vida já conheceram melhores dias. Mas em muitos aspectos são mais saudáveis.

Os adolescentes portugueses sentem-se mais apoiados pela família. Queixam-se menos de dores de cabeça, de estômago, de dificuldades em dormir. São dos que mais tomam o pequeno-almoço todos os dias, o que, é sabido, é bastante saudável. Têm consumos de álcool ligeiramente abaixo da média observada noutros países. E fumar vai sendo menos frequente. O novo grande estudo internacional sobre a adolescência, da Organização Mundial de Saúde (OMS), faria respirar de alívio milhares de pais em Portugal se ficássemos por aqui. Mas não é o caso. Primeira má notícia: os adolescentes portugueses são dos que gostam menos da escola, em 42 países e regiões analisados. E piorou bastante nos últimos anos.

“Quando em Portugal perguntamos do que é que gostam na escola, as aulas aparecem em último lugar. Pior que as aulas, só mesmo a comida da cantina. E isto tem sido recorrente, somos sempre dos piores no gosto pela escola e na percepção de sucesso escolar. Não há nenhuma razão demográfica ou geográfica que eu conheça que explique tal, e o atraso provocado pelo obscurantismo de antes do 25 Abril (sendo uma incontestável verdade) já devia, por esta altura, estar ultrapassado.” Quem o diz é Margarida Gaspar de Matos, a investigadora que em Portugal coordena este estudo da OMS desde que, em 1998, o país começou a participar.

Chama-se Health Behaviour in School-aged Children, é feito de quatro em quatro anos. Os resultados da edição de 2014/2015 são apresentados nesta terça-feira de manhã, em Bruxelas. Baseiam-se nas respostas de mais de 220 mil adolescentes europeus e do Norte da América.

A recolha foi feita em escolas com 6.º, 8.º e 10.º anos. O objectivo é avaliar hábitos, consumos, comportamentos, com impacto na saúde física e mental, em diferentes fases de crescimento: aos 11, aos 13 e aos 15 anos.

Em Portugal participaram 6000 adolescentes — em Dezembro de 2014 o PÚBLICO divulgou as primeiras conclusões do inquérito nacional, aplicado nesse ano, que mostravam um número crescente de jovens a queixar-se de sintomas que revelavam mal-estar psicológico, tristeza, stress, insatisfação. Agora, com este relatório internacional, esses dados são vistos à luz do que se passa noutros pontos do globo.

A escola vai mal

Gostas muito da escola? Cerca de um quarto dos adolescentes de 15 anos dos 42 países e regiões participantes dizem que sim. A Arménia tem o melhor resultado, a Bélgica francófona o pior, Portugal surge com a 33.ª pior posição: só 11% dos rapazes e 14% das raparigas dizem que gostam bastante da escola.

Os adolescentes portugueses são também dos que maior pressão sentem com a vida escolar e dos que menos se têm em conta como alunos. É assim desde cedo: aos 11 anos, aparecem quase no fim da tabela, com a 38.ª pior auto-avaliação do seu desempenho escolar. Aos 15 é pior. Só 35% das raparigas e 50% dos rapazes consideram que têm bom desempenho escolar, quando a média dos 42 países é 60%.

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Os macedónios, os albaneses, os búlgaros, os israelitas e os ingleses são os que mais acham que na escola até se saem bem; os portugueses e os húngaros estão no extremo oposto.

“Isto é um forte alerta aos responsáveis pela educação neste país”, diz Margarida Matos, em resposta ao PÚBLICO. “É preciso avaliar a situação, identificar determinantes, estudar casos de sucesso noutros países, aprender com o que funciona bem. A minha percepção, neste e noutros casos, é que temos uma tendência nacional para nos esmerarmos na legislação, mas esta raras vezes é antecedida de uma avaliação dos pontos fortes e fracos das situações e ainda mais raras vezes é seguida por um estudo das consequências e dos riscos. Do ponto de vista da populações (e neste caso das famílias) parece que os governantes andam a saltar de medida em medida ‘apenas’ para fazer diferente, sem grande racional por trás.”

Nem sempre estivemos tão mal: em 1997/1998, ano de estreia dos portugueses no estudo da OMS, o país era o 2.º no gosto pela escola, em 28 participantes. Melhor do que a Noruega, Israel ou os Estados Unidos, por exemplo. Mais de um terço dos jovens portugueses de 15 anos diziam então que gostavam muito da escola.

Em 2001/02 descíamos para 8.º no ranking. Quatro anos depois já aparecíamos em 22.º. E se em 2009/10 se registou uma ligeira melhoria (o país ficou 21.º), em 2014/15 estamos pior do que nunca, com o tal 33.º lugar.

O problema não são os colegas — que são, na verdade, o que os portugueses mais gostam na escola, seguindo-se os “intervalos” entre aulas. O problema são mesmo as aulas, consideradas aborrecidas, e “a matéria”, que é descrita como excessiva, prossegue a investigadora da Faculdade de Motricidade Humana, da Universidade de Lisboa.

As diferenças de género são evidentes: as raparigas têm quase sempre pior percepção da sua competência escolar. Aos 15 anos gostam menos da escola do que eles. E são também elas que mais se mostram mais stressadas com os trabalhos para casa. De resto, em Portugal, como no resto do mundo, as meninas estão a suscitar preocupações crescentes aos peritos da OMS. “São mais propensas a relatar saúde irregular, múltiplas queixas, menor satisfação com a vida”, lê-se nas conclusões do relatório internacional.

E a vida em geral?

“A experiência que se tem com a escola pode ser crucial no desenvolvimento da auto-estima e de comportamentos saudáveis. Os adolescentes que sentem que a escola os apoia estão mais propensos a ter comportamentos positivos e a serem mais saudáveis”, prosseguem os peritos da OMS, “têm níveis de satisfação com a vida mais elevados, menos queixas relacionadas de saúde e apresentam menor prevalência de consumo de tabaco”. Em suma: as escolas têm um papel essencial no bem-estar.

Em Portugal, contudo, como já se viu, a escola não parece ser grande fonte de felicidade. E os temas “satisfação com a vida” e “bem-estar” foram mesmo dos mais surpreendentes no inquérito português quando ele foi divulgado no fim de 2014. Quase um em cada três adolescentes disse que se sentia deprimido mais do que uma vez por semana. Eram 13% em 2010. E um em cada cinco alunos do 8.º e 10.º anos magoara-se a si próprio nos 12 meses anteriores ao inquérito, sobretudo cortando-se nos braços, nas pernas, na barriga.

As perguntas relacionadas com auto-lesões não foram incluídas no estudo internacional agora tornado público, uma vez que nem todos os países as colocaram nos inquéritos. Não eram obrigatórias. Mas atente-se, por exemplo, à pergunta sobre “satisfação com a vida”: os adolescentes portugueses estão comparativamente em pior posição, aos 13 e 15 anos, do que os de outros países. Números: em Portugal, 74% das raparigas e 83% dos rapazes de 15 anos deram uma nota de 6 ou mais à sua felicidade (numa escala de 0 a 10); a média do HBSC é de 79% e 87%, respectivamente, o que significa que sobretudo as raparigas portuguesas estão aquém da média. Globalmente, o país aparece neste indicador em 36.º lugar, em 42. Há quatro anos, estávamos melhor, em 28.º.

Os luxemburgueses, os galeses, os ingleses, os polacos e os macedónios são os menos satisfeitos de todos, aos 15 anos de idade. E é na Arménia, na Moldávia, na Albânia, na Holanda e na Suíça que se encontram as maiores percentagens de satisfação com a vida.

“O que aconteceu em Portugal foi que os jovens com elevada satisfação melhoraram, os com muito baixa satisfação continuaram assim, mas os que tinham uma satisfação mediana desceram”, explica Margarida Gaspar de Matos. A recessão económica, diz, “além de ter feito descer a satisfação com a vida, foi fonte de iniquidade, uma vez que não afectou os mais satisfeitos, havendo uma associação da satisfação com a vida com a condição económica — quanto melhor condição económica mais satisfação com a vida”.

Sexo com preservativo

Boa notícia é o facto de quando se fala dos chamados “sintomas múltiplos” — dores de estômago, de cabeça, dificuldades em dormir — o país aparecer muitíssimo melhor do que outros, com percentagens bem abaixo de média de jovens a declarar tais sofrimentos. “Ainda temos um bom Sistema Nacional de Saúde, certo? A precariedade afecta primeiro a satisfação e o bem-estar e só depois a saúde física”, continua a investigadora.

E como se saem os portugueses em matéria de consumos? Há “bons resultados, comparados com as médias HBSC”, prossegue. Comece-se pelo tabaco: 10% das raparigas e 12% dos rapazes de 15 anos fumam pelo menos uma vez por semana, a média dos países do HBSC é 11% e 12%. No que diz respeito ao uso de cannabis passa-se o mesmo (entre 10 e 13% já usaram, a média é 13% e 17%, o país onde há mais gente a consumir é a França, entre 14 e 16%).

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No que diz respeito ao uso de preservativo, apesar diminuição registada em Portugal, desde 2010, “estamos, ainda assim, nos sete primeiros lugares”, nota Margarida Matos: 75% das raparigas de 15 anos e 73% dos rapazes da mesma idade que já tiveram relação sexuais disseram que usaram preservativo na última relação. Suíça, Grécia e Ucrânia têm as taxas de utilização mais altas; Polónia, Malta e Suécia os piores.

A propósito, mais um dado: aos 15 anos, 13% das raparigas e 26% dos rapazes portugueses disseram já ter ido relações sexuais, contra uma média internacional de 17% e 24%, respectivamente.

As más notícias regressam quando se chega ao capítulo do peso/obesidade. Em Portugal, há mais adolescentes com excesso de peso ou até mesmo obesos do que a média. No grupo dos miúdos de 15 anos, o país está no 12.º lugar (entre 16% e 21%, respectivamente raparigas ou rapazes, apresentam peso a mais ou obesidade, o que significa um ligeiro aumento em relação há quatro anos).

Pesados e parados

As meninas portuguesas de 13 anos são mesmo das que têm mais excesso de peso nos 42 países analisados: 24% têm peso a mais ou estão já obesas, sendo que uma prevalência igual é observada no Canadá e maior só em Malta.

Portugal tem ainda um ponto a seu desfavor: aos 11, 13 ou 15 anos os adolescentes portugueses são dos que menos exercício físico fazem diariamente — o indicador é “60 minutos por dia de actividade física moderada a vigorosa”, que é o recomendado, como lembra a OMS.

“Temos agora uma regulação cuidada sobre a alimentação nas escolas”, nota Margarida Matos. “Mas por qualquer motivo os alunos continuam a queixar-se que comem mal.” Ou seja, “tanto na área da alimentação na escola como na área da prática da actividade física, o que quer que ande a ser feito não está a dar resultado”. Serão necessárias novas abordagens.

Alguma intervenção centrada na “educação para a diferença, para a tolerância e para a expressão convivial de pontos de vista diferentes” é também sugerida pela investigadora, para atacar a questão do bullying.

Aos 11 anos, por exemplo, entre 11% (raparigas) e 17% (rapazes) disseram que foram alvo de bullying na escola, “duas ou três vezes por mês nos últimos dois meses”. A média é 13%. O país tem, assim, a 16.ª taxa mais alta de alunos de 11 anos que se dizem vítimas de bullying.

O cenário piora quando se avalia a percentagem de adolescentes que foram vítimas “pelo menos uma vez nos últimos dois meses” — ou seja, quando se procura aferir um bullying menos frequente, 34% dos alunos de 15 anos dizem ter sido vítimas. Bem acima da média HBSC de 23%.

A coordenadora do HBSC sublinha que “diminuíram muito as situações de vitimização desde 2002” e que “agora estamos ‘apenas’ um pouco acima da média”. Subsiste, contudo, “algo de chamemos-lhe ‘cultural’” — relações interpessoais algo “belicosas” entre pares, mesmo quando se diz que se gosta dos colegas: é “o empurrão”, é o “não deixar falar”, é o “chamar parvo”, é o “insulto ocasional”.

Margarida Matos remata: “Talvez esteja na hora de incluir, nos programas das escolas, um aspecto convivialidade positiva entre pares, nomeadamente nas questões entre idades, entre géneros e entre culturas.”

EntrevistaEm Portugal, a falta de autonomia dos adolescentes “é algo assustadora”

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mais gráficos no link:

https://www.publico.pt/sociedade/noticia/os-adolescentes-portugueses-tem-um-problema-com-a-escola-e-tem-piorado-1726154

 

 

 

Adolescentes europeus estão a fumar e a beber menos. E a iniciar-se sexualmente mais tarde

Março 15, 2016 às 9:42 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 15 de março de 2016.

Consultar o relatório citado na notícia em baixo:

Growing up unequal: gender and socioeconomic differences in young people’s health and well-being. Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) study: international report from the 2013/2014 survey

Hugo Amaral

Os adolescentes europeus estão a fumar e a beber menos e a começar mais tarde a sua vida sexual, mas o uso do preservativo está a diminuir, conclui um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Realizado entre 2013 e 2014 junto de 220 mil adolescentes de 11, 13 e 15 anos em 42 países da Europa e América do Norte, o inquérito “Health Behaviour in School-aged Children” (HBSC) conclui que os comportamentos de risco estão a diminuir nos adolescentes.

Relativamente ao último estudo do género, realizado em 2009/10, a proporção de jovens de 15 anos que fumaram o seu primeiro cigarro antes dos 13 anos desceu de 24 para 17 por cento, enquanto a percentagem de adolescentes que dizem fumar pelo menos uma vez por semana diminuiu de 18 para 12 por cento.

Também no consumo de álcool, o relatório detetou “declínios consideráveis” face ao último relatório, com a percentagem de jovens de 15 anos que dizem consumir álcool semanalmente a cair de 21 para 13 por cento e a proporção de adolescentes que diz ter ficado bêbedo pelo menos duas vezes a cair de 32 para 22 por cento.

“Este relatório tem uma série de muito boas notícias. A redução do álcool e do tabaco significa que as políticas que os países têm estado a implementar estão a tocar nos riscos do tabaco e do álcool nos jovens. Mas os países precisam de se manter vigilantes com as raparigas, mais do que com os rapazes”, disse à Lusa Gauden Galea, diretor da divisão de doenças não comunicáveis e promoção da Saúde do escritório da OMS para a Europa.

Com efeito, segundo o relatório, os rapazes têm maiores probabilidades de fumarem e de beberem, mas a diferença tende a esbater-se nos últimos anos.

“Temo que, embora haja um declínio em ambos, que o declínio nas raparigas não seja tão grande como nos rapazes”, disse Galea.

No que diz respeito ao comportamento sexual, questão que só foi colocada aos jovens de 15 anos, o relatório conclui que a percentagem de adolescentes que diz já ter tido relações sexuais baixou de 29 para 24 por cento no caso dos rapazes e de 23 para 17 por cento no caso das raparigas.

No entanto, diminuiu a percentagem de jovens que usam preservativo, de 78 para 65 por cento.

“É uma área que estamos a tentar abordar com os países na Europa e (…) pediremos aos 53 estados membros que considerem formas de melhorar o acesso aos contracetivos, mesmo entre adolescentes”, disse Gauden Galea, numa entrevista telefónica à Lusa.

Para o responsável, “é importante que os jovens tenham um entendimento dos riscos, tanto em termos do impacto da gravidez nas suas vidas futuras (…) como num aumento do VIH e de outras doenças sexualmente transmitidas”.

Galea defendeu que “é preciso fazer mais” e explicou que a abordagem passa por “educação sexual positiva e proativa”, mas também por permitir que os jovens tenham acesso aos “instrumentos que lhes permitam proteger-se e às competências para exigi-lo aos seus companheiros”.

Os investigadores detetaram ainda uma pequena redução na proporção de adolescentes que dizem ter-se envolvido em lutas pelo menos três vezes nos últimos 12 meses. As lutas são mais frequentes nos rapazes e diminuem com a idade.

O bullying é outra questão analisada no relatório da OMS e, embora não haja grandes mudanças na probabilidade de se sofrer de bullying na adolescência, há uma ligeira redução na percentagem de jovens que admite ter feito bulliyng sobre outros aos 13 e 15 anos.

O relatório HBSC é realizado de quatro em quatro anos desde há 33 anos e tem influenciado as políticas e a legislação em vários países europeus, diz a OMS.

Texto de Agência Lusa.

 

 

A virgindade já não é tabu e os jovens falam abertamente sobre sexo

Agosto 19, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Life & Style do Público de 13 de agosto de 2014.

Os estudo citados na notícia são os seguintes:

Evidence of Change in Men’s Versus Women’s Emotional Reactions to First Sexual Intercourse: A 23-year Study in a Human Sexuality Course at a Midwestern University

Sexualidade dos Jovens Portugueses Relatório do estudo online sobre sexualidade nos jovens

 

daniel rocha

Por Inês Garcia

Um estudo concluiu que, nos EUA, perder a virgindade nos dias de hoje é muito diferente de há duas décadas. O Life&Style falou com o sociólogo Pedro Vasconcelos que explicou que a maior alteração é a abertura com que os jovens falam sobre as suas experiências sexuais.

O estudo da norte-americana Susan Sprecher concluiu que, actualmente, os jovens sabem lidar melhor com os sentimentos de culpa e ansiedade e têm mais prazer. A investigadora quis aprofundar um estudo já realizado sobre reacções emocionais à primeira experiência sexual. “Porque a primeira relação sexual é uma importante transição de vida, o seu significado emocional, seja uma experiência positiva ou negativa, pode ter efeitos duradouros sobre futuras relações sexuais”, explicou.

Mas Pedro Vasconcelos, sociólogo de família do ISCTE, diz que embora “interessante” devido ao “carácter longitudinal que acompanha muitas gerações”, este estudo “não reflecte a sociedade americana”. Isto porque uma das maiores limitações do estudo, referida também por Susan Sprecher, é a amostra: uma única turma de uma única universidade americana, a Illinois State University, durante 23 anos. Embora tenham sido analisados mais de cinco mil questionários preenchidos entre 1990 e 2012, os resultados não são representativos.

“É um estudo que diz alcançar, de certa forma, o significado emocional da primeira experiência sexual. Mas não. A única coisa que alcança são as narrativas que as pessoas estão dispostas a produzir em contexto de interrogação”, explica Pedro Vasconcelos, que considera que é precisamente aqui que reside a importância do estudo: os jovens alteraram as suas narrativas e estão dispostos a falar sobre a sua experiência sexual abertamente. “Mesmo não sendo representativo, é um bom princípio para falar das narrativas culturais e normativas que existem hoje em dia”.

O objectivo de Sprecher foi examinar as diferenças de reacção por género na experiência de perder a virgindade. Os resultados, à primeira vista pouco surpreendentes, mostraram que os homens experienciam “mais prazer e mais ansiedade do que as mulheres, enquanto as mulheres têm mais sentimentos de culpa do que os homens”, concluindo-se que “a maior diferença entre os dois géneros prende-se no prazer”.

Embora a distinção emocional entre os dois sexos seja grande, o estudo revela que é uma diferença que está a diminuir. “A ansiedade, nos homens, diminuiu durante as três décadas analisadas; para as mulheres o prazer aumentou e a culpa diminuiu”. Pedro Vasconcelos explica que “há, realmente, uma tendência para a forma como homens e mulheres falam da experiência sexual, ser mais semelhante”.

“A maneira de falar sobre isto perdeu alguma carga negativa. Houve uma diminuição dos esquemas tradicionais de repressão que associavam a sexualidade à imoralidade. Há, aliás, uma exaltação da sociedade. Há uma espécie de discurso cultural que circula por todo o lado: televisão, revistas, cinema, redes sociais…” continua o sociólogo.

No estudo, Sprecher esclarece que “a primeira experiência sexual passou a estar associada a uma relação, o que pressupõe um aumento gradual de intimidade entre o casal”, sendo esta a explicação para o aumento do prazer feminino e a diminuição da culpa.

Um grupo de investigadores portugueses explorou esta questão no estudo “Sexualidade dos jovens portugueses”, publicado em 2013. De uma amostra de 396 jovens (entre os 13 e os 21 anos), 189 disseram já ter tido relações sexuais. Desses, a maioria confirmou ter tido como parceiro para a primeira relação sexual o companheiro da altura (75,5% dos rapazes teve como parceiro a namorada, enquanto 83,9% das raparigas teve o namorado). Já relativamente às pressões sentidas, apenas 12,2% da amostra total de inquiridos disse ter-se sentido pressionado. Apesar disso, Pedro Vasconcelos considera que hoje há “uma pressão gigantesca para ser um sujeito sexual” porque “as narrativas que existem acentuam que a sexualidade é sempre boa e se a coisa não corre bem e não foi bom, a culpa é da pessoa”.

No entanto, “a sexualidade hoje faz parte de um esquema que tem a ver com a expressão individual das pessoas” e, por isso, a virgindade já não é um assunto tabu. “Um tabu é uma coisa da qual se está sempre a falar mesmo quando não se fala. Hoje, na sociedade portuguesa e na maioria das sociedades ocidentais, há uma aceitação da sexualidade juvenil que tem efeitos médicos importantes, como a prática do sexo seguro”, diz o sociólogo, concluindo que esta aceitação crescente “faz com que toda a questão à volta da virgindade seja irrelevante”.

 

 

 

Inquérito sobre Sexualidade Juvenil – Participa no Novo Estudo da Equipa Aventura Social

Maio 12, 2011 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Habilita-te a ganhar bilhetes para os concertos de Verão e carregamentos para telemóvel!!

Tens entre 13 e 21? Este questionário é para ti.

Dirige-te a uma das lojas participantes do IPJ – todas as situadas nas capitais de distrito, incluindo também a Loja da sede do IPJ, em Lisboa, Av. da Liberdade, 194 – até 30 de Junho, participa no estudo e habilita-te a ganhar:

  • um carregamento de telemóvel e bilhetes para festivais de verão.
  • 10 dos bilhetes são para os Coldplay (6 de Julho, Optimus Alive).

Regulamento do concurso

Este questionário é uma extensão do estudo Health Behaviour in School-Aged Children/OMS (www.hbsc.org) e procura estudar, mais aprofundadamente, os conhecimentos, as atitudes e os comportamentos relativos à sexualidade nos adolescentes portugueses.

Preencher este questionário vai ajudar a compreender melhor os interesses e necessidades dos jovens entre os 13 e os 21.

Este questionário é feito exclusivamente online e está disponível em todas as Lojas Ponto JA acima referidas do Instituto Português da Juventude, até 30 de Junho.

Caso pretendas algum esclarecimento adicional, por favor, contacta o Projecto Aventura Social, Faculdade de Motricidade Humana, Universidade Técnica de Lisboa (Dra Lúcia Ramiro:lramiro@fmh.utl.pt).

Obrigado por teres colaborado connosco!

A Saúde dos Adolescentes Portugueses – Relatório Preliminar do Estudo HBSC 2010

Abril 21, 2011 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Descarregar o relatório Aqui

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