Adolescentes portugueses são mais sedentários do que os europeus, gostam menos da escola mas estão felizes com a família

Maio 27, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia do Expresso de 19 de maio de 2020.

CHRISTIANA MARTINS

Um estudo em 45 países com crianças de 11, 13 e 15 anos revelou que os adolescentes portugueses continuam sedentários e felizes com as famílias que têm. Se fosse feita agora, a investigação poderia ter resultados surpreendentes e a próxima vaga deverá incluir os efeitos da pandemia, que “parece ter melhorado a dinâmica da relação dos adolescentes com as escolas”. Mas, para já, de acordo com a última edição da investigação, antes o mundo ter parado, pioraram as queixas de tristeza, dificuldade em adormecer e irritação

Uma investigação internacional que analisa os comportamentos e a saúde dos adolescentes nos seus vários espaços de experiência, com amostras representativas de alunos de 11, 13 e 15 anos, faz o retrato possível dos jovens europeus. A última edição do Health Behaviour in School-aged Children (HBSC/OMS) ouviu um total de 227 441 adolescentes, dos quais 5839 jovens portugueses, a maioria (52,5%) do género feminino, e concluiu que continuam a ser mais sedentários do que os europeus, gostam menos da escola e sentem-se excessivamente pressionados pelos trabalhos escolares.

Há más notícias que se repetem ao longo das várias edições do estudo, como a “fraca a prática da atividade física, fraca em si (poucos adolescentes cumprem o recomendado), e fraca em comparação à média europeia”. O comunicado é muito claro: “Os resultados são maus desde 1998, a pedir ação urgente na escola, na comunidade e na família.” Também é “fraco o gosto pela escola, fraco em si e fraco na comparação com os restantes países”: só 9,5% dos alunos responderam que gostam muito da instituição. Em 45 países avaliados, isso corresponde em 38.º lugar.

Para além disso, “é elevada a pressão com os trabalhos da escola, sobretudo nos mais velhos e nas raparigas, que também põe Portugal nos piores lugares, desde 1998”.

AS BOAS NOTÍCIAS

Como nem tudo é negativo, há também boas notícias, como o comportamento alimentar que continua em geral a ser melhor que a média europeia, tendo melhorado, inclusive, a nível nacional. Os investigadores aproveitam para, no comunicado, pedir que se aproveite a tendência – “Urge associar a alimentação na escola a uma alimentação com apresentação e sabor aceitáveis”. Porque, segundo os adolescentes ouvidos pelo estudo, “a qualidade está garantida, mas não a apresentação e o sabor”. A investigação revela ainda que o consumo de canábis diminuiu, sendo atualmente menor que a média europeia.

O estudo demonstra que 80,3% dos alunos sente-se “sempre ou quase sempre seguros na escola”. Os acidentes e lesões são menos frequentes que a média europeia nas raparigas mais novas, situação que se inverte nos rapazes: são mais frequentes que a média europeia nos rapazes mais novos. Quer os rapazes quer as raparigas mais velhos têm mais acidentes em Portugal do que a média da UE. Os coordenadores do estudo sublinham que “isto sugere um padrão de desenvolvimento diferente nos acidentes e lesões em rapazes e raparigas em Portugal em comparação com os outros países, a merecer atenção”. Afirmam ainda que as lesões e os acidentes têm vindo a aumentar sobretudo nas raparigas no escalão etário intermédio (13 anos) e nos rapazes mais novos.

ciberbullying é inferior em Portugal à média europeia, com tendência a subir dos 11 para os 13 anos e descer dos 13 para os 15 anos. As lutas diminuíram nos mais velhos e nas raparigas, sendo menos frequentes face à média europeia, mas aumentaram nos mais novos, sendo nesta idade mais frequentes do que na média europeia.

Regista-se um elevado uso de comunicação online, sobretudo nas raparigas mais velhas, e o consumo de álcool apresenta uma tendência de subida, mas a embriaguez está a descer. Os adolescentes portugueses referem sentir um apoio social por parte dos colegas da escola superior à média europeia, principalmente os rapazes, e um apoio social menor por parte dos professores, sobretudo as raparigas. Com os rapazes a parecerem duplamente beneficiados e em comparação com a Europa: sentem maior apoio social dos colegas e dos professores. Também dizem sentir um maior suporte da família e dos amigos, ultrapassando a média europeia.

Piorou a percepção de boa saúde nos adolescentes de 11 anos em Portugal, comportamento distinto da média dos outros países. Mas a satisfação com a vida subiu desde 2014 e mantém-se de acordo com a média europeia. Apresentar dois ou mais sintomas físicos ou psicológicos é mais frequente em 2018 do que era em 2014, mas permanece inferior à média europeia. Em 2018 de um modo geral, são mais frequentes as dificuldades em adormecer, tristeza, nervosismo, irritação e dores de costas, mas mesmo assim inferiores à média europeia.

Jovens pós-covid

E se a pesquisa tivesse ouvido os adolescentes depois do confinamento causado pela pandemia de covid-19? Segundo Tânia Gaspar, psicóloga e uma das investigadoras que participou no estudo, “embora não se possa ainda tirar conclusões, a pandemia parece ter melhorado a dinâmica da relação dos adolescentes com as escolas”. “Estão mais responsáveis e mais próximos dos professores, que tiveram de reinventar métodos de trabalho e aproximar-se de realidades que eram já familiares aos jovens, como as tecnologias”, explica.

A conquista de uma maior autonomia é a principal consequência, segundo Tânia Gaspar. “Esta é uma oportunidade que não deve ser desperdiçada. Eu gostava que a escola se adaptasse à realidade dos jovens, que se sentiram mais responsabilizados, o que aconteceu porque lhes deram este espaço”, sublinha a psicóloga. De tal forma a experiência foi internacional e marcantes que a investigadora antecipa uma inclusão de questões relacionadas à pandemia na próxima vaga do estudo, à semelhança do que aconteceu após a crise económico-financeira de 2008.

Quanto ao medo que sondagens recentes revelaram estar a ser sentido pelos jovens portugueses, Tânia Gaspar refere que eles dizem ser um medo de perder os familiares, mais do que se exporem os próprios adolescentes à doença. “Revela uma grande valorização da família, também porque assistiram ao medo sentido pelos pais e pelos avós e às imagens que chegaram de Itália e da Espanha. Tem sido tudo muito rápido: primeiro o não se pode sair, agora o se deve sair. É preciso dar tempo à adaptação”, conclui a investigadora. Mas fica um recado: “O comportamento dos jovens tem sido fascinante e revelado grande sentido de responsabilidade. Esta é uma oportunidade para os adultos confiarem mais nos jovens, respeitando-os e dando-lhes voz.”

O ESTUDO

Realizado em colaboração com a Organização Mundial da Saúde, o estudo conta com a participação de 45 países e tem vagas de investigação a cada quatro anos, que se iniciaram em 1983, com Portugal a participar desde 1998. Coordenado pela psicóloga Margarida Gaspar de Matos, o projeto incluiu em Portugal alunos do 6.º, 8.º, 10.º e 12.º anos e, “analisando o nível médio de riqueza das famílias portuguesas” dos quase seis mil inquiridos, o país encontra-se na 22ª posição entre os 45 participantes. Ou seja, a maioria dos pais estão empregados (94,6%), embora existam 1,5% dos pais e 3,5% das mães que não têm um emprego, e 0,4% de jovens têm ambos os pais desempregados. O nível de desemprego das mães (3,5%) é superior à média dos países incluídos (2,9%), mas a frequência de pais e mães empregados (94,6%) é, mesmo assim, inferior à média europeia (95,3%).

A maioria dos jovens disse ter origem portuguesa (74,8%) e 19,5% referiram que “pelo menos um dos pais” nasceu fora de Portugal. Relativamente à estrutura familiar, 69,8% viviam com os pais na mesma casa e, dos que não residiam com ambos os pais, 17,8% faziam parte numa família monoparental e 12,4% disseram ter outro tipo de estruturas familiares.

Mais informações no link:

http://www.euro.who.int/en/media-centre/sections/press-releases/2020/who-report-on-health-behaviours-of-1115-year-olds-in-europe-reveals-more-adolescents-are-reporting-mental-health-concerns

Mais adolescentes europeus têm problemas de saúde mental

Maio 26, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

Notícia da ONU News de 19 de maio de 2020.

Novo relatório mostra que um em cada quatro adolescentes sente-se nervoso, irritado ou com dificuldades em dormir pelo menos uma vez por semana; tecnologia pode ter benefícios, mas também aumentar vulnerabilidades; consumo de álcool e tabaco continua caindo, mas permanece alto.

O bem-estar mental de adolescentes entre os 11 e os 15 anos caiu entre 2014 e 2018 em 45 países da Europa e Canadá. A conclusão é de um novo relatório publicado esta terça-feira pelo Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde, OMS.

A situação piora à medida que as crianças crescem, com as meninas em maior risco. Um em cada quatro adolescentes disse sentir-se nervoso, irritado ou com dificuldades em dormir pelo menos uma vez por semana.

Preocupação

 O diretor regional da OMS para a Europa, Hans Henri P. Kluge, afirmou que o crescimento “é uma preocupação para todos.” Segundo o especialista, a resposta dos governos “terá efeitos por várias gerações.”

Kluge diz “que investir nos jovens, garantindo que tenham acesso a serviços de saúde mental, trará ganhos de saúde, sociais e econômicos aos adolescentes de hoje, aos adultos de amanhã e às gerações futuras.”

Diferenças

Existe uma variação substancial entre países, mostrando que fatores culturais, políticos e econômicos podem ter um papel.

Em cerca de um terço dos países, aumentou o número de adolescentes que se sentem pressionados pelos trabalhos escolares. O número de jovens que gostam da escola caiu. Na maioria dos países, a experiência escolar piora com a idade. O apoio de professores e colegas também diminui à medida que a pressão escolar aumenta.

O estudo examina a relação com o aumento do uso da tecnologia. A tecnologia pode ter benefícios, mas também aumentar vulnerabilidades e ameaças, como assédio na internet, que afeta meninas de forma desproporcional. Mais de 10% dos adolescentes foram vítimas deste tipo de assédio pelo menos uma vez nos últimos dois meses.

Desafios

A pesquisa destaca comportamentos de risco, nutrição e falta de atividade física como desafios centrais
O comportamento sexual arriscado continua sendo uma preocupação, com um em cada quatro adolescentes que são ativos sexualmente não usando proteção. Aos 15 anos, 24% dos meninos e 14% das meninas dizem já ter tido relações sexuais.

Atividades como beber e fumar continuaram a cair, mas o número de usuários permanece alto, sendo o álcool a substância mais usada. Cerca de 20% dos jovens de 15 anos já se embebedaram duas vezes ou mais na vida. Além disso, 15% se embriagou nos últimos 30 dias.

Em relação à atividade física, menos de 20% dos adolescentes cumpre as recomendações da OMS. Desde 2014, os níveis caíram em cerca de um terço dos países, principalmente entre os meninos. Entre meninas e adolescentes mais velhos, a pesquisa diz que os níveis de atividade “continuam particularmente baixos.”

Alimentação e pandemia 

A alimentação também é uma preocupação, com a maioria dos jovens não cumprindo as recomendações nutricionais. Cerca de dois em cada três não comem alimentos ricos em nutrientes e um em cada seis consome bebidas açucaradas todos os dias.

Os níveis de sobrepeso e obesidade aumentaram desde 2014 e agora afetam um em cada cinco jovens. Cerca de 20% dos adolescentes se consideram muito gordos, principalmente as meninas.

Segundo o diretor do Programa de Saúde da Criança e do Adolescente da OMS Europa, Martin Weber, o relatório permitirá perceber quais as consequências da pandemia de covid-19. Weber diz que, no próximo estudo, “será possível medir até que ponto o fechamento prolongado da escola e o isolamento social afetaram as interações sociais dos jovens e o seu bem-estar físico e mental”.

O relatório compila extensos dados sobre saúde física, relações sociais e bem-estar mental de mais de 227 mil crianças em idade escolar de 11, 13 e 15 anos de 45 países.

No que se distinguem os adolescentes portugueses?

Maio 25, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Infografia do Público de 18 de maio de 2020.

Health Behaviour in School-aged Children, da Organização Mundial da Saúde, estuda a cada quatro anos os comportamentos e a saúde dos adolescentes nos seus contextos de vida. É realizado em Portugal desde 1998. O último inquérito foi feito em 2018, a 227.441 alunos de 11, 13 e 15 anos de 45 países. Em Portugal, onde são consideradas as respostas de 5839 jovens, as más notícias passam por aqui: fraca prática da actividade física, fraco gosto pela escola e relatos de uma excessiva pressão com os trabalhos escolares. Já o comportamento alimentar continua em geral melhor do que a média. Os resultados acabam de ser divulgados.

Visualizar a infografia no link:

https://www.publico.pt/2020/05/18/infografia/distinguem-adolescentes-portugueses-506?fbclid=IwAR2LXPuvEBofoIXdJbalqwuvXMUihQqyc8gyqQVgLX8KxlMa4mXtMbWVKGI

Mais informações no link:

http://www.euro.who.int/en/health-topics/Life-stages/child-and-adolescent-health/health-behaviour-in-school-aged-children-hbsc/hbsc-2020

A saúde e o bem-estar dos adolescentes: “Spotlight” da situação de Portugal

Maio 20, 2020 às 7:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

 

Texto da Hbsc Portugal

Lançamento do relatório Health Behavior in School-Children (HBSC/OMS), com as principais conclusões sobre a saúde e bem-estar dos adolescentes dos 45 países que participaram no estudo de 2018.

Acesso ao relatório de todos dos 45 países: http://www.hbsc.org/

Acesso aos dados portugueses: http://aventurasocial.com/arquivo/1589841620_HBSC%20Internacional%202020.pdf

Raparigas são as que se sentem mais gordas mas há mais rapazes com excesso de peso

Abril 22, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

thumbs.web.sapo.io

Notícia da LUSA de 9 de abril de 2019.

As raparigas são as que se sentem mais gordas, mas há mais rapazes com excesso de peso, revela um estudo, segundo qual quase 70% dos adolescentes portugueses têm peso normal.

“Terão os adolescentes portugueses uma alimentação adequada?” é o título da investigação integrada no estudo Health Behaviour in School aged Children (HBSC), um inquérito realizado de quatro em quatro anos em 48 países, em colaboração com a Organização Mundial de Saúde, sobre os comportamentos dos adolescentes.

Caracterizar os hábitos alimentares e perceções relativas ao corpo dos adolescentes foi o objetivo do estudo, que envolveu 6.997 alunos (51,7% meninas) do 6º, 8º e 10º ano.

Segundo o estudo, 54,7% dos adolescentes percecionam-se como tendo o corpo ideal. As meninas são as que mais se percecionam como estando “um pouco” gordas (28,5% versus 21,6%) e os rapazes “um pouco” magros (11,8 contra 17,3%).

Ao longo da escolaridade mais adolescentes tendem a considerar o seu corpo um pouco gordo ou muito gordo e uma menor percentagem considera ter um corpo ideal, refere o estudo divulgado a propósito do 10.º Congresso Internacional de Psicologia da Criança e do Adolescente, que decorre na quarta e quinta-feira em Lisboa.

Cerca de 45% e 33% dos adolescentes reportaram comer diariamente frutas e vegetais, respetivamente, enquanto um quarto disse consumir doces e colas (refrigerantes) quase todos ou todos os dias, sendo as raparigas a referirem um consumo mais frequente.

Ao longo da escolaridade, menos adolescentes referem tomar o pequeno-almoço diariamente e mais jovens dizem nunca o fazerem.

O estudo conclui que “os adolescentes portugueses têm comportamentos alimentares desajustados ao recomendado para esta faixa etária e que o excesso de peso e a imagem corporal são um problema relevante nesta população”.

Em declarações à agência Lusa, Nuno Loureiro, um dos autores do estudo, afirmou que existem alguns alunos que “não têm claro que têm excesso de peso, e se percebem [que o têm] terão a perceção que está sob controlo”.

“Alguns destes alunos poderão ser atletas, e com a pressão por obter um corpo ‘Ronaldo'” ou “simplesmente porque a sua modalidade assim o determina, têm práticas intensas de exercício com grande predomínio de ganho muscular, algo que influencia e muito a fórmula de cálculo de IMC [Índice de Massa Corpora]”, disse o professor do Instituto Politécnico de Beja.

Estes alunos entrarão no indicador em excesso de peso, mas terão satisfação com o seu peso, explicou.

Também podem existir alunos que efetivamente estão com excesso de peso, mas gostam de si: “estão satisfeitos como estão e são mais resistentes à mudança, digamos que podem ser classificados com estando no estado pré-contemplativo”, adiantou.

“A perceção da imagem do corpo não está muitas vezes ligada ao valor da classificação do IMC, pois os jovens apresentam um valor normal e continuam a reportar estarem insatisfeitos com o seu corpo”, sublinhou.

Nuno Loureiro advertiu que o indicador excesso de peso “não pode nem deve ser visto como uma correspondência inversa para a ideia de corpos bonitos, corpos de modelos ou da procura de abdominais de ferro, porque devido a fatores genéticos e outros fazem com que esta tarefa seja muito difícil para muitos”.

Considerou ainda “preocupante” 15,8% dos adolescentes terem excesso de peso e 3,1% obesidade, defendendo “estratégias efetivas” de apoio, como gabinetes multidisciplinares na escola, onde se concilie uma abordagem estruturada para alteração destes indicadores, “mas num ambiente sem culpas ou dramas, incentivando a adoção de estilos de vida saudável”.

A coordenadora do estudo HBSC em Portugal, Margarida Gaspar de Matos, acrescentou que ter uma alimentação saudável e moderada, rica em fibras e com baixo teor de gordura sal e açúcar, a par da atividade física, é essencial para combater o excesso de peso, mas reconheceu que muitas vezes é difícil pôr em prática na escola e em casa,

“Temos já conhecimento científico (dos profissionais e dos alunos), mas é difícil pôr em prática”, porque muitas vezes existe “um ‘ambiente’ não solidário ou não amigável” da alimentação saudável.

HN // ZO

Lusa/fim

 

 

Adolescentes portugueses estão exaustos. Os que não gostam da escola triplicaram nos últimos 20 anos

Dezembro 23, 2018 às 6:43 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia do Público de 19 de dezembro de 2018.

Mais de metade dos alunos portugueses dizem-se maus alunos. O novo inquérito sobre o estilo de vida dos adolescentes mostra-os cada vez mais exaustos, tristes e medicados.

Natália Faria

A matéria nas aulas é demasiada, aborrecida, difícil. A avaliação é um stress. E o pior mesmo é a comida do refeitório. Em cada 100 adolescentes portugueses, quase 30 (29,6%) dizem que não gostam da escola. Mas o que mais surpreendeu os autores do novo grande inquérito sobre os estilos de vida dos adolescentes portugueses foram os níveis de exaustão e de tristeza: 17,9% dos adolescentes inquiridos disseram-se cansados e exaustos “quase todos os dias”, 12,7% acusaram dificuldades em adormecer e 5,9% confessaram que se sentem “tão tristes que não aguentam”.

Se recuarmos a edições anteriores deste inquérito, que vem sendo repetido de quatro em quatro anos desde 1998, houve agravamentos em todos aqueles indicadores. Quanto à má relação dos alunos com a escola, “é um problema crónico” que triplicou nos últimos 20 anos. “É uma desgraça continuada”, constata Margarida Gaspar de Matos, a investigadora que coordena a equipa que faz esta análise aos adolescentes portugueses para a Organização Mundial de Saúde (OMS) – este ano com inquéritos distribuídos a 6997 jovens de Portugal continental, do 6º, do 8º e do 10º ano de escolaridade.

Em 1998, 13,1% dos alunos diziam não gostar da escola. Vinte anos depois, essa percentagem aumentou para os referidos 29,6%. E se, no primeiro inquérito, apenas 3,8% acusavam a pressão com os trabalhos da escola, este ano foram 13,7%. Por outro lado, quando os investigadores perguntaram aos alunos do 8º e do 10º ano se pretendiam ir para a universidade, apenas 54,8%, pouco mais de metade, portanto, responderam que sim. Em 2010, as respostas positivas tinham sido 69,3%.

Pior: mais de metade dos alunos (51,8%) consideram-se maus alunos. “Quando lhes perguntamos porquê, a resposta é chapa um: ‘Não tenho boas notas’, ‘não tenho boas notas’, ‘não tenho boas notas’. Não falam da dificuldade em aprender, eles estão é stressadíssimos com as notas. Parece que a escola toda se centrou na questão da avaliação em vez de no gosto pela aprendizagem”, acrescenta a investigadora, para quem o combate a “este cancro que é o desgosto pela escola” exige que se dê mais atenção à flexibilização curricular. Afinal, 87,2% dos alunos queixam-se que a matéria é demasiada, aborrecida (84,9%) e difícil (82%).

“Parece que o ensino está todo virado para a nota em vez de para o conhecimento académico e das pessoas. E isto é uma escola muito punitiva. É uma escola que existe para enfardar conhecimento e não para fazer com que as pessoas desabrochem do ponto de vista da cultura e do conhecimento do meio”, insiste a investigadora, reivindicando a recuperação, nas escolas, dos espaços em que os “os adultos de referência possam contactar com as crianças sem que seja numa troca à volta das matérias”. É que, como se não bastasse, 56,9% dos alunos acusaram a pressão também dos pais para que tenham boas notas.

Tristes e exaustos

Recolhidos através de um questionário online, preenchido em contexto de aula, por alunos de 387 turmas de escolas públicas, estes resultados hão-de integrar o grande retrato internacional da adolescência, chamado Health Behaviour in School-Aged Children, da OMS, que congrega dados semelhantes de 44 países e que deverá ser divulgado dentro de mais ou menos um ano.

Na altura, será possível comparar os estilos de vida dos adolescentes portugueses com os dos outros países, em áreas como o apoio familiar, a escola, saúde, bem-estar, sono, sexualidade, alimentação lazer, sedentarismo, consumo de substâncias e violência. Por enquanto, o retrato que se afigura aos investigadores portugueses é preocupante, com os indicadores reveladores de mal-estar a equipararem-se (e a agravarem-se, nalguns casos), aos de 1998, depois de vários anos de aparente melhoria.

As respostas revelam, por exemplo, que, apesar de a grande maioria (81,7%) dos jovens se considerar feliz, tem aumentado a percentagem dos que se dizem sentir tão tristes que não aguentam… quase todos os dias: eram 3,5% em 2006 e subiram para os 5,9% em 2018. Ao mesmo tempo, os que se dizem tristes quase todos os dias aumentaram de 5,3% para 9,2%, depois de em 2006 terem recuado aos 4,6%.

Já nos comportamentos autolesivos houve “uma diminuição tão ligeirinha que é quase um empate técnico”: 19,6% dos alunos do 8º e do 10º ano assumiram ter-se magoado de propósito pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores ao inquérito.

O que deixou “apavorada” a coordenadora deste estudo foi a quantidade de jovens que se declararam exaustos: 17,9% em 2018, acima dos 10,3% de 2014 e dos 9,5% de 2010. Nem 2002, que “foi o ano terrível em que tivemos alguns dos piores indicadores”, foi tão mau. Nesse ano, o valor foi de 16,8%. O estudo não permite estabelecer nexos causais. Mas Margarida Gaspar de Matos, que além de investigadora é psicóloga clínica, recorre à sua experiência profissional para arriscar algumas explicações susceptíveis de ajudarem a perceber para o cansaço e a exaustão dos jovens: “O stress por causa das notas, o abuso do ecrã e as poucas horas de sono”.

Notas de rodapé: 56,6% dos alunos do 8º e 10º ano declararam passar várias horas por dia ao telemóvel. E cerca de metade do total de inquiridos apontou problemas como dificuldades em adormecer, sono agitado, e acordar cedo demais e a meio da noite. Outros indicadores de mal-estar decorrem dos 27,6% dos que se disseram preocupados “todos os dias, mesmo várias vezes ao dia”.

 

 

Fome no momento de ir para a cama ou para a escola afecta 11%

Dezembro 19, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia do Público de 19 de dezembro de 2018.

Falta comida, nuns casos, e sobram medicamentos noutros. Muito ligados à família e à boa-mesa, os jovens portugueses tendem a desorganizar-se na chegada à universidade por terem sido demasiado protegidos na infância.

Os jovens que declararam sob anonimato ir para a escola ou para a cama com fome por não haver comida suficiente em casa perfazem 11%, na soma dos que declararam que isso acontece às vezes (7,2%) ou frequentemente e sempre (3,8%). Em 2014, as categorias “frequentemente” e “sempre” perfaziam 1,5% e, em 2010, 1,2%. Será um reflexo tardio da crise, este agravamento? “Não sabemos. É provável que seja uma continuidade do agravamento registado em 2014, em que estávamos todos com um pano negro sobre a cabeça por causa da crise. Agora, há uma retoma económica, mas as pessoas que não conseguiram resolver os seus problemas podem ter ficado naquilo a que chamamos ‘um nicho escondido com problemas agravados’”, admite Margarida Gaspar de Matos, coordenador do estudo A Saúde dos Adolescentes Portugueses, que é divulgado nesta quarta-feira.

A investigadora lembra que “as pessoas deixaram entretanto de beneficiar dos incentivos alimentares que as escolas davam [nos piores anos da crise] a todos os miúdos, para integrar discretamente os que tinham fome e que o escondiam, até que desmaiavam nas aulas de educação física, por exemplo”. A coordenadora do estudo ressalva, porém, que os dados obtidos não permitem certezas: “É verdade que há mais rapazes do que raparigas a dizerem-se com fome e pode ser a ‘fome de crescimento’ que os levou a responder sim à pergunta”.

Quando lhes perguntam se tomaram medicamentos no mês anterior ao inquérito, a percentagem de respostas positivas entre os alunos do 8º e do 10º ano de escolaridade deixou perplexa Margarida Gaspar de Matos. “Mais de metade [52,6%] tomou remédios para a dor de cabeça, um quarto [25,2%] para as dores de estômago, 16,5% para as dores de costas, 11,2% para o nervosismo, 9% para as dificuldades em adormecer!”, espanta-se a psicóloga clínica. Acrescem os 7,6% que tomaram medicamentos para aumentar a memória e a concentração e os 6,5% que tomaram remédios para a tristeza.

E o pior é que “mais de um quarto destes miúdos tomaram estes medicamentos sem prescrição médica”, acrescenta, para lembrar que “não é possível saber qual vai ser o efeito destes remédios a longo prazo em crianças que ainda estão a desenvolver-se”. Logo, importaria que houvesse mais psicólogos no Serviço Nacional de Saúde, também porque “não há grande treino dos pediatras e dos médicos de família nas questões de saúde mental infantil, o que faz com que a resposta tenda a ser medicamentosa”.

Chegam à universidade sem saber gerir dinheiro

Nem tudo é mau no estilo de vida dos adolescentes portugueses. Na comparação com os restantes países, são dos que se alimentam melhor, nomeadamente no tocante ao hábito de tomar o pequeno-almoço e à ingestão de fruta. E, neste último inquérito, mostram-se “muito integradores da diferença, quer em relação às pessoas que vêm de outros países quer a pessoas com menos poder económico”.

Porém, apenas 9,2% admitem ler um jornal diariamente ou quase todos os dias para ficar informado. E sentem-se pouco ou nada motivados para o activismo social. “Há um afastamento que resulta da percepção de que não vale a pena”, interpreta a investigadora, para apontar outra idiossincrasia aos adolescentes portugueses: “A ligação com a família é muito forte, mas têm dificuldades em tornar-se autónomos e responsáveis”. Porque “há menos miúdos e a tendência é para serem tratados como artigos de luxo”, muitos crescem à força quando chegam à universidade. “Não estão habituados a gerir dinheiro, a comprar comida, a lavar a roupa: desorganizam-se completamente”, acrescenta, para apontar duas prioridades: criar “estruturas de autonomização e de responsabilização” dos jovens e dar-lhes “oportunidades de participação social desde pequenos”.

 

 

 

Quando a depressão e a ansiedade tramam vida aos adolescentes

Novembro 16, 2018 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

D.R.

 

Artigo de Clara Soares para a Visão, publicado em 29 de Outubro de 2018.

 

O artigo da VISÃO “Os Miúdos não estão bem” foi distinguido na categoria de Jornalistas, na 9ª edição do “AUA! – Angelini University Award”, este ano com o tema “viver com doença mental grave”. Recorde a versão digital do artigo e conheça os motivos da ansiedade e depressão nos adolescentes, os relatos na primeira pessoa, pareceres clínicos, um guia dirigido aos pais e pistas para enfrentar o mal-estar na primeira geração a crescer no mundo digital.

 

“Quando comecei a ter enjoos e vómitos, antes de ir para as aulas, percebi que tinha um problema. Ficava melhor quando comia menos, só que perdi peso e sentia-me mal e triste.” Beatriz tinha então 14 anos, frequentava um colégio privado e até tinha boas notas. O problema era a pressão dos testes e o ambiente competitivo entre colegas. “Foi um grande alívio entrar para o liceu público, mas durou pouco porque eu exigia muito de mim. E tudo piorou”, lembra agora. “Em situações novas ou que não podia controlar, tinha medo de falhar, de não estar à altura do que achava que esperavam de mim”, acrescenta.

Beatriz não está sozinha. O estudo National Health Behaviour in School HBSC/OMS, de 2014 (com uma amostra de 6 026 adolescentes do 6º ao 10º anos) mostra que nem tudo vai bem com os jovens portugueses. Gina Tomé, psicóloga e investigadora da Aventura Social (grupo de investigação sobre o comportamento juvenil), nota que, entre 2010 e 2014, “houve menos 3,4% de alunos a gostarem da escola e aumentarem os sinais de mal-estar, desesperança e dificuldade em lidar com conflitos”. Tais resultados traduziram-se no plano psicológico: “Os que responderam que se sentem nervosos diariamente passaram dos 6,2% para os 8,4%; os que se dizem irritados quase todos os dias eram 3,7% e agora são 5,9%; e os que estão tristes ao ponto de parecer que não vão aguentar situavam-se nos 3,8%, uma percentagem que subiu para os 5,5%.” O projeto ES’COOL – Promoção da Saúde Mental nas Escolas, que envolveu 200 professores, permitiu apurar algumas causas: “Pressão ligada aos resultados escolares, problemas no ambiente familiar e nas relações interpessoais.”

 

 

Aos 19 anos, Beatriz pode dizer, por experiência própria, que pedir ajuda faz toda a diferença e que o facto de ser compreendida a levou a reorientar-se e a seguir em frente. Aprendeu a controlar a respiração e, com o apoio de um psicólogo, a conhecer e a respeitar os seus limites, no mundo virtual e no real. Convidada a dar dois exemplos, avança estes: “À noite, e em certas alturas do dia, passei a desligar as notificações do telemóvel e já não vejo as pressões dos outros como minhas.” 
E se a ansiedade lhe bater à porta sem pré-aviso? “Dou conselhos a mim própria como se fosse uma pessoa de quem goste muito!” Palavra de adolescente.

Continue a ler AQUI.

 

Consumo de álcool entre os jovens de 15 anos desceu para metade em 12 anos

Outubro 16, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Notícia do Público de 26 de setembro de 2018.

Será que maior controlo do consumo alcoólico decorre do maior investimento dos jovens nas redes sociais e nos jogos online? A interrogação parte da coordenadora do estudo da Organização Mundial de Saúde, no qual participaram 1500 portugueses.

Natália Faria

Em doze anos, o consumo de álcool entre os jovens com 15 anos de idade desceu para metade. A boa notícia é extensível à maioria dos países europeus, Portugal incluído: por cá, o consumo regular desceu dos 16% em 2002 para os 8% registados em 2014, segundo um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado esta quarta-feira.

No caso português, a descida nos hábitos regulares de consumo de álcool foi mais acentuada entre as raparigas: passaram de 13% para 4%, enquanto nos rapazes o consumo desceu de 19% para 11%. Na média dos 34 países analisados, o consumo regular de álcool entre rapazes e raparigas desceu de 26% para 13%.

Declarando-se “moderadamente optimista” com esta evolução (há excepções, como Israel, onde o consumo regular dos jovens aumentou para os 19,4%), Margarida Gaspar de Matos, que coordenou este estudo em Portugal, começa por lembrar que o consumo de álcool entre os adolescentes portugueses sempre foi “moderado” quando comparado com os outros países incluídos neste estudo que emana do Health Behaviour in School-aged Children – um projecto da OMS que, de quatro em quatro anos, analisa os comportamentos de mais de 200 mil adolescentes em 42 países e regiões da Europa e do Norte da América.

Neste caso, o objectivo era registar as variações no consumo de álcool aos 15 anos de idade, nos 12 anos que separam 2002 e 2014, num total de 36 países e regiões europeias. Do lado português, os cerca de 1500 jovens inquiridos apontam diminuições substanciais no consumo dos diferentes tipos de álcool. Na cerveja, a descida foi de 8% para 5%, no vinho de 3% para 1% e as chamadas espirituosas também decaíram de 11% para 4%.

“Vítimas do gole de champanhe”

Mas é na iniciação alcoólica que os jovens portugueses se saem pior. Quando se lhes perguntou se já tinham experimentado álcool, mesmo que só um gole, e com que idade, 38% responderam que foi antes dos 13 anos de idade (42%, em 2002). Nisto, os portugueses rivalizam com os países de Leste, onde o consumo de álcool está mais disseminado entre os jovens. Mas, num país onde há 50 anos ainda se achava que o vinho alimentava as crianças e as fortalecia, Margarida Gaspar de Matos não descortina aqui grandes razões para preocupação. “Os jovens portugueses ainda são vítimas do gole de champanhe nas festas ou do vinho do Porto nos anos da avó”, contextualiza, preferindo enfatizar a descida nas embriaguezes, de 22% para 17% aos 15 anos, e de 8% para 5% aos 13 anos ou menos de idade.

Esta nota positiva aos jovens portugueses no tocante ao consumo alcoólico repete a avaliação dos inquéritos mais recentes divulgados pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), o último dos quais, divulgado no ano passado mas com dados relativos a 2015, mostrava ainda assim que aos 13 anos quase um terço (31%) dos alunos das escolas públicas já tinha consumido bebidas alcoólicas.

Mas a investigadora está apenas “moderadamente optimista”. Isto porque, conhecidas as razões que levam os jovens a beber, Margarida Gaspar de Matos não viu que os esforços de restrição do consumo adoptados, fossem “sistematicamente acompanhados de medidas alternativas” capazes de ajudar os jovens a lidar com as situações que eles identificam como associadas ao consumo.

Portugal adoptou a proibição legal de venda de álcool a menores. Em 2013, a lei proibiu a venda de bebidas espirituosas a menores de 18 anos e todas as restantes bebidas alcoólicas a menores de 16. Dois anos depois, a interdição de venda a menores de 18 anos foi alargada a todas as bebidas alcoólicas. Manteve-se a proibição de venda em cantinas e postos de venda automática. E as bombas de gasolina na auto-estrada ou fora das localidades continuaram a ver interditada a venda de álcool entre a meia-noite e as oito da manhã. Ao longo dos últimos anos, os impostos sobre o álcool (logo, os preços) aumentaram e aumentou também o controlo associado à condução de veículos sob efeito do álcool. Com isso, conclui o relatório, conseguiu-se controlar o consumo e reduzir a sinistralidade.

Menos álcool, mais jogo online?

A questão é que os jovens declaram que bebem para se divertir, para explorar os seus limites e as suas potencialidades, para lidar com emoções e sentimentos negativos, para se sentirem socialmente mais competentes. Falta assim “um investimento nas políticas da juventude, nomeadamente no uso diversificado do tempo livre sem álcool”. O desporto pode ajudar, mas, como diz Margarida Gaspar de Matos, “há jovens que não se sentem competentes no desporto”. Logo, há que os ajudar (“na família, na escola, no município, no clube…”) a dispensarem o álcool como coadjuvante na regulação das emoções e a “perceberem-se como socialmente competentes sem álcool”. Em resumo: “Não basta controlar o consumo, é preciso providenciar alternativas.”

A cautela da investigadora assenta ainda no facto de os jovens despenderem cada vez mais tempo em frente a um ecrã de telemóvel ou computador. “Espero que este estado controlado do consumo de álcool não esteja apenas associado a um sobre-investimento nas redes sociais e jogos online”, cogita a coordenadora do estudo, dizendo-se convencida de que “se as políticas públicas não apostarem na consolidação de evoluções positivas como esta, há grandes riscos de as coisas regredirem e de que novas dependências apareçam”.

Este projecto, em que Portugal participa desde 1998 e que procura estudar a adolescência, avaliando hábitos, consumos, comportamentos, com impactos na saúde física e mental, em diferentes fases de crescimento, vêm-se prefigurando alguns destes potenciais novos problemas e dependências: dos jogos e pornografia online à auto-medicação psicotrópica, passando pelo uso de novas drogas.

mais informações no documento:

Adolescent alcohol-related behaviours: trends and inequalities in the WHO European Region, 2002–2014 (2018)

 

Raparigas portuguesas são das que praticam menos desporto na Europa

Maio 17, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

Notícia do https://www.publico.pt/ de 17 de maio de 2017.

Relatório da OMS destaca pouca actividade física entre adolescentes portuguesas.

Romana Borja-Santos

A prática regular de exercício físico está longe de ser um hábito entre as adolescentes portuguesas, que estão entre as mais inactivas da Europa. Aos 13 anos, não há nenhum outro país europeu onde as raparigas pratiquem tão pouco exercício. Nesta idade, só 6% das portuguesas dedicam uma hora por dia a uma actividade física moderada a intensa, indicam os dados de um relatório da Organização Mundial de Saúde, que será apresentado nesta quarta-feira no Congresso Europeu de Obesidade, no Porto.

De acordo com o documento Adolescent obesity and related behaviours: trends and inequalities in the WHO European Region, 2002-2014, aos 15 anos o valor desce para 5%, mas nessa altura as italianas conseguem praticar ainda menos desporto do que as portuguesas. Na idade mais baixa avaliada, os 11 anos, os dados não são animadores, mas mesmo assim são mais positivos: 16% das raparigas dedicam uma hora diária ao exercício, ficando à frente de dez países, como Itália, Dinamarca, Suécia ou Holanda.

Para a investigadora Margarida Gaspar de Matos, que coordena a parte portuguesa do trabalho da OMS, estes resultados são preocupantes e mostram que é preciso procurar outras formas de incentivar a prática de exercício – até porque os valores nas raparigas estão praticamente estáveis desde 2002 e nos rapazes as subidas são ligeiras. “Para incentivar a prática é preciso começar cedo e na cultura familiar e com a família. Na escola é preciso que os jovens encontrem a ‘sua actividade’ e não se tenham de reduzir a ‘ofertas standard’”, exemplifica a psicóloga da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa.

Os dados dos rapazes não são tão negativos, mas também estão longe de serem animadores. Aos 11 anos, 26% dos adolescentes praticam pelo menos uma hora diária de uma actividade física moderada a vigorosa. Aos 13 anos o valor desce ligeiramente para 25% e aos 15 anos cai para 18%. Margarida Gaspar de Matos defende que é preciso incentivar o exercício de outras formas, começando por acabar com alguns estereótipos como “retirar dos praticantes de actividade física a ‘etiqueta’ de que são pouco ‘intelectuais’”.

A investigadora vai mais longe nas razões que explicam este afastamento do desporto. A começar pelas poucas condições que existem nas escolas para que os adolescentes possam tomar banho após a actividade desportiva. Depois, sublinha que a associação entre o desporto e práticas competitivas ou até alguns comportamentos mais violentos afasta muitas vezes os jovens que apenas procuram um momento de lazer. “A promoção da actividade física não passa por convencer os adeptos da prática, mas por encontrar contextos e motivação para os que não são adeptos e entender o que os afasta”, conclui.

descarregar o documento citado na notícia em baixo:

Adolescent obesity and related behaviours: trends and inequalities in the WHO European Region, 2002–2014

 

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.