Pais devem ser o porto de abrigo. Pediatra alerta para a dependência dos jogos electrónicos.

Maio 10, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Leiria de 26 de abril de 2018.

Pediatra alerta para a dependência dos jogos electrónicos.
Sem informação sobre o aparecimento de novas drogas na urgência, o director da Pediatra do Centro Hospitalar  de Leiria sublinha que profissionais de saúde, educadores e pais têm de estar preocupados com “a dependência cada vez maior das crianças” dos jogos electrónicos e redes sociais.
“Permanecem horas e horas ligados, chegam a interromper o sono nocturno para iniciar a sua ‘activid ade social’, mas cada vez mais isolados dos amigos e em solidão, com todas as consequências que daí podem advir.”
Diminuição do rendimento escolar, passarem mais tempo fechados no quarto, evitarem fazer as refeições com a família, menos comunicativos, pensamento menos estruturado e parecerem mais tristes e ansiosos são alguns dos sintomas a que os pais devem estar atentos, assim como o aparecimento, sem causa aparente, de olhos vermelhos.
Bilhota Xavier acrescenta que não se deve ignorar quando descobrem que o filho fuma uns ‘charros’. “Os pais devem tentar perceber quais as razões que levaram ao consumo, qual o grupo de amigos em que se integra e que podem estimular esses consumos. Os pais não podem nunca deixar de ser o porto de abrigo dos seus filhos. A adolescência é uma fase difícil, em que o adolescente é habitualmente confrontado com mais opções do que aquelas que pode tomar, numa idade em que é mais apetecível agir que reflectir.”
Nestas idades “não é fácil ser assertivo” e “o prazer imediato está logo ali, a sensação de poder melhorar a imagem perante os seus e a vontade de se sentir mais velho”. Por outro lado, há também a “dificuldade de enfrentar a pressão para ser o melhor, cada vez mais estimulada em idades mais precoces”.
A legalização do haxixe continua a ser controversa e não existem consensos. “Mas não pode deixar de
preocupar que para se conseguir ultrapassar os medos, a baixa auto-estima ou a necessidade de afirmação, se tenha de enveredar pelos consumos de produtos, que não sabemos onde nos vão levar. No curto prazo, diminui reflexos e capacidade cognitiva. O consumo continuado pode provocar, no longo prazo, o isolamento e a depressão”, adverte.
Cristina Cardoso, responsável pelo CRI de Leiria, alerta para a quantidade de jovens medicados para a
hiperactividade e défice de atenção, “quando alguns são apenas desatentos e a procurar lidar com situações emocionais”.?

João Goulão, director-geral do SICAD Canábis é a droga mais popular

Quais as drogas mais consumidas entre os jovens menores?

A droga mais consumida é a canábis. Com valores bastante inferiores, o ecstasy e as anfetaminas.

Qual a idade média em que se iniciam os consumos? E com quem o fazem habitualmente?

Segundo III Inquérito Nacional ao Consumo da Substâncias Psicoactivas na População Geral –  Portugal, os consumos iniciam-se, com maior incidência, aos 16 anos e normalmente com o grupo de pares.

O número de jovens que consome drogas tem aumentado?

Os estudos mais recentes indiciam uma ligeira diminuição da prevalência dos consumos nalgumas substâncias e estagnação noutras.

Em relação a outros países da Europa, os jovens portugueses con- somem mais, menos ou idêntico?

Idêntico.

Quais as drogas mais populares entre os jovens?

Canábis e, com prevalências muito mais baixas, ecstasy e anfetaminas.

O que leva os jovens a iniciar os consumos?

Curiosidade, escape, “sentir-se bem”, relaxar.

Têm aparecido novas drogas? Quais?

Em termos dos estudos efectuados não. Apenas existem algumas novas variantes das denominadas novas substâncias psicoactivas (NSP).

O que mais preocupa o SICAD?

Continuar a monitorizar os dados relativos aos comportamentos aditivos e dependências, nomeadamente no tocante aos factores inerentes ao uso/abuso de drogas ilícitas, do álcool e de novos fenómenos emergentes das também denominadas dependências sem substâncias (jogo, internet, e dispositivos móveis). Para além disso, criar condições para a existência e para a qualidade de respostas no âmbito da prevenção, dissuasão, redução de riscos e minimização de danos, tratamento e reinserção.

 

O telemóvel é hoje uma extensão do nosso corpo, particularmente do nosso cérebro. É absolutamente privado. Perde-se a relação de confiança quando os pais começam a espreitar o telemóvel dos filhos – Daniel Sampaio

Abril 21, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Diana Tinoco

Entrevista da Visão a Daniel Sampaio no dia 5 de abril de 2018.

Texto CLARA SOARES, Fotografia Diana Tinoco

O telemóvel é hoje uma extensão do nosso corpo, particularmente do nosso cérebro. É absolutamente privado. Perde-se a relação de confiança quando os pais começam a espreitar o telemóvel dos filhos

Daniel Sampaio recebe-nos com um sorriso aberto, em sua casa, na capital. Na sala ao lado, dois dos seus sete netos estão na companhia da avó. Maria José Ferreira foi sua colega de curso, na Faculdade de Medicina de Lisboa, e com ela viria a casar-se no ano em que concluiu a licenciatura. Aos 72 anos, e a menos de dois de celebrar as bodas de ouro, o professor jubilado mantém contacto regular com a comunidade educativa da escola secundária que tem o seu nome, na Sobreda da Caparica, em Almada, e permanece fiel ao nível de atividade que lhe conhecem colegas, alunos, pacientes e leitores. Do Telemóvel para o Mundo (Caminho, 216 págs., €15,50) é o seu novo livro, que será apresentado no próximo dia 11 de abril, ao final da tarde, na Fundação Medeiros Ferreira. O autor lança o desafio a adolescentes e pais da sociedade em rede: a internet pode separar gerações mas também aproximá-las mais do que nunca. Lembra-se do seu primeiro smartphone com teclas, no início da década, quando surgiram no mercado – “os adolescentes não gostam, que são ostelemóveis dos bisavós!” e acredita que vivemos um momento decisivo e especial, para o qual devemos estar preparados. Quanto mais cedo o fizermos, melhor.

Desde que se jubilou, como passou a ocupar o seu tempo livre?

A seguir à minha jubilação, em setembro de 2016, e da última lição em outubro desse ano, houve um vazio. Foram 40 anos de vida profissional muito ativa, e nos primeiros meses senti falta da faculdade e do hospital. O trabalho de consultório aumentou e tem sido gratificante. Pertenci a dois grupos de trabalho no Ministério da Saúde, tenho lido bastante e levei um ano a escrever este livro, que envolveu pesquisa, entrevistas a jovens e referência a casos clínicos.

Continua a manter o consultório e a trabalhar fora de casa?

Sou contra os consultórios em casa! A casa é um sítio privado e deve-se separar muito bem a vida profissional da privada. Continuo a dar consultas na sede da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar (SPTF), duas vezes por semana.

A terapia familiar funciona em Portugal?

É gratificante ter mais de mil sócios e três delegações. A SPTF está muito ativa, porque soubemos organizarnos e dar espaço para que as novas famílias aparecessem: casais separados, divórcios litigiosos, guardas parentais, famílias monoparentais, outras com crianças adotadas… O mérito da SPTF, criada em 1979, foi ter-se modernizado, estando a formar pessoas das comissões de proteção de crianças e jovens.

Como era o adolescente Daniel, em relação aos pais, aos avós…?

Eu lia muito e era um pouco sombrio e muito sério. Tive alguma militância associativa na comissão próassociação dos liceus, que era uma estrutura ilegal. Acompanhei a crise académica e depois entrei na faculdade, nos anos 1960. Eu fui mais comprometido do que os adolescentes de hoje, que me parecem mais alegres.

Pergunta ao homem que lançou o Núcleo dos Estudos do Suicídio (NES): os miúdos estão bem?

A maioria está. Quando se criou o NES (em 1987), não existiam ainda os comportamentos autolesivos ou de automutilação. Nas nossas escolas falta a capacidade para dar resposta a essas situações, porque a saúde escolar está muito pobre. Embora não sendo a maioria, há jovens com problemas significativos de saúde mental e poucos pedopsiquiatras e psicólogos nos serviços públicos.

Quais as conclusões do grupo de trabalho sobre a integração dos psicólogos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), coordenado por si?

Os grupos de trabalho fazem as suas recomendações, vamos ver se são cumpridas ou não. Foi proposto um programa nacional para o tratamento da ansiedade e da depressão, e recomendada maior contratação de psicólogos para os centros de saúde, evitando encher os serviços de psiquiatria com casos de doença mental grave, particularmente a esquizofrenia e a doença bipolar. E foi ainda recomendada a criação de estágios de psicologia no SNS, com uma parte do ordenado a ser suportada pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional.

Porque admite ter “errado o alvo” quando escreveu o livro Inventem-se Novos Pais?

Nos anos 80, à luz da psiquiatria e da psicologia, não podia haver uma adolescência normal sem crise, depressão e conflito. No século XXI, verificou-se que isso era uma ideia errada. Os adolescentes normais não têm grande mal-estar. Há adolescentes problemáticos que exigem uma abordagem especializada, mas a maioria ultrapassa esta fase, com alguma turbulência, porém sem dificuldades de maior. No novo livro corrigi algumas coisas que disse antes, como a de que ser adolescente implicava sempre sofrimento.

O mal-estar de que fala será mais dos pais dos adolescentes do que dos próprios?

É uma época muito difícil para os pais. Nunca como agora os pais estiveram tão próximos dos filhos do ponto de vista do afeto, mas têm falta de autoridade: é o caso do pai-camarada, que gosta muito do filho e está sempre com ele.

Como exercer a autoridade com os nativos digitais?

Quando a internet se generalizou nos telemóveis, introduziu uma dimensão conflitual nas famílias. Isso nota-se nas consultas, nas escolas e na relação entre pais e filhos. Para que a internet seja um ponto de encontro, e não de conflito, devemos habituar as crianças desde cedo a lidar com as tecnologias. Na adolescência já é tarde, porque, como sabem mais do que os pais e avós, os filhos têm formas mais diversas e sofisticadas de escapar ao controlo deles.

No livro apresenta casos que mostram como tudo pode correr mal…

São casos reais, mas modificados, para manter a confidencialidade. Admira-me haver pedidos de consulta centrados no conflito em torno do uso da internet. Nessas famílias perdeu-se a oportunidade de encontrar um caminho de proximidade. Se a internet for um ponto de conflito, vai cavar-se um fosso intergeracional enorme, porque os mais novos não vão prescindir de usar o telemóvel.

Ou da “Galáxia internet”, como refere por diversas vezes.

É um termo do sociólogo espanhol Manuel Castells. Com este livro, quero mostrar que a internet é uma oportunidade para novas comunicações na família, que são agora em rede: dos irmãos, dos amigos, dos filhos, dos pais – apontam o dedo aos filhos, mas eles mesmos passam muitas horas no Facebook. De tão centradas no conflito à volta do uso do telemóvel, muitas famílias não se aperceberam do que já mudou na área da comunicação.

Há uma idade certa para se dar o telemóvel ou o tablet aos filhos?

Cedo, cinco ou seis anos, para interiorizarem a regra. Um adolescente deve saber que há horas em que não é suposto utilizar ecrãs. Ter a noção de que não deve estar com o telemóvel às refeições nem levá-lo para a cama, na hora de ir dormir.

Se os pais consultarem os emails de trabalho ou o Facebook à refeição, ou quando vão deitar-se, perdem a legitimidade para se fazerem respeitar nesse campo.

Exatamente. Há períodos decisivos na vida da família para comunicar em presença, sem ecrãs: acordar e ir para a escola ou para o trabalho; chegar a casa e organizar os trabalhos de casa, banhos, jantar; e hora de deitar. Esta disciplina passa por pais e filhos.

Fala em parentalidade construtiva. Pode explicar melhor o conceito?

Não se pode ter autoridade sem envolvimento afetivo com um filho adolescente. Este envolvimento é construído na infância, e sem ele surge o conflito, potenciado pela internet, quando deveria ser o contrário. Pais ou mães distantes não conseguem fazer como noutros tempos, impor- -se através da educação pelo medo, até porque a criança tem hoje a possibilidade de fazer ouvir a sua voz e não acata o autoritarismo. Os pais só não devem transigir quando estão em jogo questões de saúde ou de segurança.

Fazem sentido os livros com estratégias para os pais, na área das tecnologias ou outras?

Tudo o que seja ajudar os pais a refletir, idealmente com outros pais, é positivo, pois eles têm muitas dúvidas, mas não há serviços nem locais onde possam ser auxiliados. Os livros não devem ser muito diretivos e no meu eu criei as secções “perguntas e respostas” e “para pensar”. Há coisas que já se sabem: organizar a hora do deitar, o uso da internet, abrir a casa aos amigos dos adolescentes.

Como a questão do namorado ou da namorada, se podem ou não dormir lá em casa…

De uma forma geral, as mães estão mais próximas dos filhos. A mãe continua a ser, na sociedade portuguesa, uma figura muito importante a nível emocional. Se falarmos com os nossos jovens sem entrar na intimidade deles, percebemos que há relações ocasionais. Quando for um namoro responsável e com envolvimento, “à séria” como eles dizem, os pais devem apoiá-los.

Aí entram as questões da sexualidade e da inexistência da educação sexual nas escolas.

Sempre lutei por isso, conseguiu-se alguma coisa, mas continuo a defender a sua importância, porque cada vez mais encontro jovens com muitas dúvidas e muita ignorância sobre o tema. A internet pode ter um perigo importante, que é a pornografia no telemóvel, vista sobretudo pelos rapazes. Se aos 12 e 13 anos passarem o tempo a ver pornografia, com a exploração do corpo da mulher e as proezas atléticas sexuais, que pouco ou nada têm que ver com o que se passa na vida real, podem começar a ter dificuldades na relação sexual com os parceiros, porque idealizam uma determinada situação. A educação sexual deveria ter isto em conta, bem como o que se passa nas escolas, a difusão de imagens íntimas a seguir a uma zanga entre namorados (porn revenge). A educação para os média no campo da sexualidade também é fundamental. A internet é uma fonte de informação que é preciso contextualizar em pequenos grupos de rapazes e de raparigas, para falarem do que estão a sentir nas suas interações. Há muito a fazer.

Espreitar o telemóvel dos filhos é próprio de “sem-abrigo digitais”?

Sou completamente contra os filtros parentais. E também que os adultos vejam o telemóvel dos pais. O telemóvel é hoje uma extensão do nosso corpo, particularmente do nosso cérebro. É uma coisa absolutamente privada. Perde-se a relação de confiança quando os pais começam a espreitar o telemóvel dos filhos. Ficam prisioneiros disso e com uma angústia acerca do que devem e não devem fazer. Ter um telemóvel por volta dos dez anos implica que a criança saiba, aos oito, como vai usá-lo devidamente quando o receber, à entrada do 5.º ano de escolaridade. Ou seja, precisa de saber que, quando entra na internet, não pode divulgar o nome completo e outros dados pessoais.

Como se desenvolve essa capacidade para aconselhar os filhos numa área em que nem sempre os adultos se orientam?

Basta, por exemplo, que os pais verbalizem os medos que têm sobre o uso que os filhos podem dar ao equipamento. Ou de como possam proceder face a condutas menos próprias (ciberbullying e afins).

Manifestou-se a favor do uso medicinal da canábis, embora condene o uso recreativo. Que argumentos o levam a ter essa posição?

Há já muitas evidências acerca dos derivados da canábis, que são úteis, do ponto de vista médico, em situações ligadas à quimioterapia, à dor e a certos casos de epilepsia na criança. Deve ter um uso farmacêutico controlado e não haver um autocultivo. Em relação ao uso recreativo, sou contra. São drogas muito perigosas porque impedem o progresso da adolescência normal, que envolve tarefas como modificar a relação com os pais, com os companheiros, a vida amorosa e sexual e a concentração nos estudos. É muito curioso: os jovens são muito hábeis. Em vez de usarem a palavra “erva” ou “haxixe”, dizem aos pais “eu fumo pólen”. Trata-se da mesma coisa, razão pela qual dedico uma parte do livro às drogas.

Contudo, e isso é do conhecimento de muitos adolescentes, muitos pais consumiram derivados de canábis na juventude.

O grande problema hoje é o fácil acesso e a ideia romântica de que não faz mal. Não subscrevo a teoria de que estas drogas conduzem ao consumo de outras, essa situação não se coloca nos adolescentes. Porém, sabemos hoje que o cérebro está em formação até por volta dos 23 anos e que o uso de drogas pode eventualmente comprometer as sinapses. Falta mais investigação sobre isso. Enquanto psiquiatra, tenho conhecimento de casos de esquizofrenia precipitados pelo uso recreativo em quem tem predisposição para a doença.

Sugere aos pais que relativizem certos comportamentos agressivos dos filhos, fruto da imaturidade do cérebro. É mesmo assim?

Digo isso com algumas reservas! Se der um murro num colega, temos de responsabilizá-lo! Falei disso porque se sabe que o cérebro ainda não está suficientemente formado para exercer plenamente a capacidade de abstração e de autocrítica.

Como se exerce a autoridade sem dramas nas famílias recompostas?

No regime clássico – ou seja, os filhos ficam com a mãe e veem o pai de 15 em 15 dias –, a consequência é o afastamento do pai. Tenho evoluído bastante acerca da guarda partilhada, que deve tentar-se sempre que possível, por ser a forma mais parecida com a da família nuclear. Se houver um mínimo de entendimento entre adultos, as crianças e os jovens adaptam-se. Defendo que, em cada casa, devem estar definidos papéis e regras. Se a mãe vive com o padrasto, ambos devem definir como atuar, e isso não quer dizer que em casa do pai tenha de ser igual.

Na prática, vale o princípio “em cada casa as regras são as de quem lá vive”?

A autoridade do padrasto e a da madrasta são muito difíceis de gerir, porque rapidamente os adolescentes dizem “não és o meu pai” ou “não és a minha mãe”; eles utilizam esse argumento como arma. Zangam-se com a mãe e dizem “vou viver para casa do pai”. Ou estão em casa do pai e telefonam à mãe a dizer “vem-me buscar”. Sou contra isso: permitir que a criança ou o adolescente utilize as regras da outra casa na casa onde está não resulta.

Voltamos à questão de quem tem condições para ser apresentado em casa, mas desta vez dirigida aos adultos…

A apresentação de um novo companheiro, ou de uma nova companheira, aos filhos deve ser muito prudente, e o relacionamento ser minimamente sério e ter pernas para andar, tanto quanto se consegue saber. E sem que os jovens sejam surpreendidos por alguém a dormir lá em casa.

Que gostaria de dizer aos seus leitores enquanto cidadão digital?

Estou apaixonado pelo momento atual. A internet é um ponto de encontro maravilhoso, de partilha e de comunicação. Com as devidas regras, podemos aproximar as gerações em vez de separá-las.

csoares@visao.pt

A Islândia sabe como acabar com as drogas entre adolescentes, mas o resto do mundo não escuta

Outubro 22, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do https://brasil.elpais.com/ de 8 de outubro de 2017.

 

Falta pouco para as 15h de uma ensolarada tarde de sexta-feira, e o parque de Laugardalur, perto do centro de Reykjavik, está praticamente deserto. De vez em quando, um adulto passa empurrando um carrinho de bebê. Mas, se os jardins estão rodeados de casas e edifícios residenciais, e os meninos já saíram do colégio, onde estão as crianças?

Sou acompanhada em meu passeio por Gudberg Jónsson, um psicólogo islandês, e Harvey Milkman, professor de psicologia norte-americano que leciona na Universidade de Reykjavik durante uma parte do curso. Há 20 anos, conta Gudberg, os adolescentes islandeses estavam entre os que mais bebiam na Europa. “Nas noites de sexta, você não podia andar pelas ruas do centro de Reykjavik porque não se sentia seguro”, diz Milkman. “Havia uma multidão de adolescentes se embebedando diante de todos.” Chegamos perto de um grande edifício. “E aqui temos a pista de patinagem coberta”, informa Gudberg.

Minutos atrás, passamos por duas salas onde se joga badminton e tênis de mesa. No parque também há uma pista de atletismo, uma piscina com aquecimento geotérmico e, finalmente, um grupo de crianças jogando futebol com entusiasmo sobre grama sintética.

Não há jovens passando a tarde no parque neste momento, explica Gudberg, porque eles se encontram nas instalações fazendo atividades extra-escolares ou em clubes de música, dança e arte. Talvez também tenham saído com os pais.

A Islândia ocupa hoje o primeiro lugar no ranking europeu sobre adolescentes com um estilo de vida saudável. A taxa de meninos de 15 e 16 anos que consumiram grande quantidade de álcool no último mês caiu de 42% em 1998 para 5% em 2016. Já o índice dos que haviam consumido cannabis alguma vez passou de 17% para 7%, e o de fumantes diários de cigarro despencou de 23% para apenas 3%.

O país conseguiu mudar a tendência por uma via ao mesmo tempo radical e empírica, mas se baseou, em grande medida, no que se poderia denominar de “senso comum forçado”. “É o estudo mais extraordinariamente intenso e profundo que já vi sobre o estresse na vida dos adolescentes”, elogia Milkman. “Estou muito bem impressionado com seu funcionamento.” Se fosse adotado em outros países, diz ele, o modelo islandês poderia ser benéfico para o bem-estar psicológico e físico geral de milhões de jovens. Isso sem falar dos orçamentos dos organismos de saúde e da sociedade como um todo. Um argumento que não pode ser ignorado.

“Estive no olho do furacão da revolução das drogas”, diz Milkman, enquanto tomamos um chá em seu apartamento em Reykjavik. No início dos anos setenta, quando trabalhava como residente no Hospital Psiquiátrico Bellevue de Nova York, “o LSD já estava na moda, e muita gente fumava maconha. Havia um grande interesse em saber por que as pessoas consumiam certas drogas.”

Em sua tese de doutorado, Milkman concluiu que as pessoas escolhiam a heroína ou as anfetaminas dependendo de como queriam lidar com o estresse. Os consumidores de heroína preferiam se insensibilizar, enquanto os usuários de anfetaminas optavam por enfrentar o estresse ativamente. Quando o trabalho foi publicado, Milkman entrou para um grupo de pesquisadores recrutados pelo Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas dos EUA para que respondessem a determinadas perguntas. Entre elas, por que as pessoas começam a consumir drogas, por que continuam consumindo, quando atingem o limite do abuso, quando deixam de consumi-las e quando têm recaída. “Qualquer aluno da faculdade poderia responder à pergunta sobre por que começa: é que as drogas são fáceis de conseguir e os jovens gostam de riscos. Também é preciso levar em conta o isolamento e talvez a depressão”, afirma. “Mas, por que continuam consumindo? Por isso, passei à pergunta sobre o limite do abuso… e me iluminei. Vivi minha própria versão do ‘eureka!’. Os garotos podiam estar à beira da dependência inclusive antes de tomar a droga, pois o vício estava na maneira como enfrentavam seus problemas.”

Na Universidade Estatal Metropolitana de Denver, Milkman foi fundamental para o desenvolvimento da ideia de que a origem dos vícios estava na química cerebral. Os menores “combativos” procuravam ter “sensações intensas” e podiam consegui-las roubando calotas de carro, rádios e depois os próprios carros – ou através das drogas estimulantes. Claro que o álcool também altera a química cerebral. É um sedativo, mas primeiro seda o controle do cérebro, o que por sua vez pode suprimir as inibições e, em doses limitadas, reduzir a ansiedade.

“As pessoas podem se tornar dependentes de bebida, carro, dinheiro, sexo, calorias, cocaína… de qualquer coisa”, diz Milkman. “A ideia da dependência comportamental se transformou no traço que nos caracteriza.”

Dessa ideia nasceu outra. “Por que não organizar um movimento social baseado na embriaguez natural, em que as pessoas ‘sintam barato’ com a química de seu cérebro – porque me parece evidente que as pessoas desejam mudar seu estado de consciência – sem os efeitos prejudiciais das drogas?”

Em 1992, sua equipe de Denver obteve uma subvenção de 1,2 milhão de dólares (3,7 milhões de reais) do Governo para criar o Projeto Autodescoberta, que oferecia aos adolescentes maneiras naturais de se embriagar, alternativas aos entorpecentes e ao crime. Os cientistas pediram aos professores, assim como às enfermeiras e aos terapeutas de centros escolares, que lhes enviassem alunos. E incluíram no estudo meninos de 14 anos que não achavam que precisavam de tratamento, mas que tinham problemas com as drogas ou com crimes leves.

“Não lhes contamos que vinham para uma terapia, e sim que lhes ensinaríamos algo que quisessem aprender: música, arte, dança, hip hop ou artes marciais”, explica. A ideia era que as diferentes aulas pudessem provocar uma série de alterações em sua química cerebral e lhes proporcionassem o que necessitavam para enfrentar melhor a vida. Enquanto alguns talvez desejassem uma experiência para ajudar a reduzir a ansiedade, outros poderiam estar em busca de emoções fortes.

Ao mesmo tempo, os participantes receberam formação em capacidades para a vida, centrada em melhorar suas ideias sobre si mesmos, sua existência e sua maneira de interagir com os demais. “O princípio básico era que a educação sobre as drogas não funciona porque ninguém dá atenção a ela. Precisamos de capacidades básicas para levar essas informações à prática”, afirma Milkman. A equipe disse aos adolescentes que o programa duraria três meses. Alguns ficaram cinco anos.

Em 1991, Milkman foi convidado para falar sobre seu trabalho, suas descobertas e suas ideias na Islândia. Tornou-se assessor do primeiro centro residencial de tratamento de dependência de drogas para adolescentes do país, situado na cidade de Tindar. “A ideia [do centro] era oferecer aos meninos coisas melhores para fazer”, explica. Lá conheceu Gudberg, que na época estudava Psicologia e trabalhava como voluntário. Desde então, os dois são amigos íntimos.

No início, Milkman viajava regularmente à Islândia para dar conferências. Suas palestras e o centro de Tindar atraíram a atenção de Inga Dóra Sigfúsdóttir, uma jovem pesquisadora da Universidade da Islândia. Ela se perguntava o que aconteceria se fosse possível utilizar alternativas saudáveis às drogas e ao álcool dentro de um programa que não tivesse o objetivo de tratar jovens com problemas, mas, sobretudo, de conseguir que eles deixassem de beber e consumir drogas.

Você já experimentou álcool? Se a resposta for afirmativa, quando foi a última vez que bebeu? Ficou bêbado em alguma ocasião? Consumiu tabaco? Se sim, quanto você fuma? Quanto tempo passa com os seus pais? Tem uma relação estreita com eles? De que tipo de atividade você participa?

Em 1992, os meninos e meninas de 14, 15 e 16 anos de todos os centros de ensino da Islândia preencheram um questionário com perguntas como essas. O processo foi repetido em 1997 e 1997.

Os resultados da pesquisa foram alarmantes. Em todo o país, quase 25% dos jovens fumavam diariamente, e mais de 40% havia se embriagado no mês anterior. Mas quando a equipe se aprofundou nos dados, identificou com precisão quais centros tinham mais problemas e quais tinham menos. A análise expôs as claras diferenças entre as vidas dos garotos que bebiam, fumavam e consumiam outras drogas e as vidas daqueles que não utilizavam essas substâncias. Também revelou que havia diversos fatores com um efeito decididamente protetor: a participação, três ou quarto vezes por semana, em atividades organizadas – sobretudo esportivas; o tempo que passavam com os pais durante a semana; a sensação de que os professores do colégio se preocupavam com eles; e não sair de noite.

“Naquela época, houve inúmeras iniciativas e programas para a prevenção do consumo de drogas”, diz Inga Dóra, que foi pesquisadora ajudante nas pesquisas. “A maioria se baseava na educação.” As campanhas alertavam os meninos sobre os perigos da bebida e das drogas, mas, como Milkman observara nos EUA, os programas não davam resultado. “Queríamos propor um enfoque diferente.”

O prefeito de Reykjavik também estava interessado em testar algo novo, e muitos pais compartilhavam seu interesse, conta Jón Sigfússon, colega e irmão de Inga Dóra. As filhas de Jón eram pequenas na época, e ele entrou para o Centro Islandês de Pesquisa e Análise Social de Sigfúsdóttir em 1999, ano de sua fundação. “A situação estava ruim”, recorda. “Era evidente que precisávamos fazer alguma coisa.”

A partir dos dados da pesquisa e dos conhecimentos proporcionados por diversos estudos, entre eles o de Milkman, aos poucos foi introduzido um novo plano nacional, que recebeu o nome de Juventude na Islândia.

As leis mudaram. Penalizou-se a compra de tabaco por menores de 18 anos e a de álcool por menores de 20. Proibiu-se a publicidade das duas substâncias. Reforçaram-se os vínculos entre os pais e os centros de ensino, mediante organizações de mães e pais, que deviam ser criadas por lei em todos os centros, juntamente com conselhos escolares com representação dos pais. A estes também foi pedido que comparecessem às palestras sobre a importância de passar muito tempo com os filhos, em vez de dedicar a eles “tempo de qualidade” esporadicamente, assim como falar com eles de suas vidas, conhecer suas amizades e ressaltar a importância de ficar em casa de noite. Além disso, foi aprovada uma lei que proibia que os adolescentes de 13 a 16 anos saíssem depois das 22h no inverno e da meia-noite no verão. A norma continua vigente.

Casa e Escola, a entidade nacional que agrupa as organizações de mães e pais, estabeleceu acordos que os pais tinham de assinar. O conteúdo varia dependendo da faixa etária, e cada organização pode decidir o que deseja incluir. Para os meninos a partir de 13 anos, os responsáveis podem se comprometer a cumprir todas as recomendações e, por exemplo, a não permitir que seus filhos realizem festas sem a sua supervisão, a não comprar bebida alcoólica aos menores de idade e a estar atentos ao bem-estar dos garotos.

Esses acordos sensibilizam os pais e ajudam a reforçar sua autoridade em casa, afirma Hrefna Sigurjónsdóttir, diretora da Casa e Escola. “Desse modo, fica mais difícil para eles utilizar a velha desculpa de que os demais [garotos] têm permissão para fazer essas coisas.”

Também aumentou o financiamento estatal para clubes esportivos, musicais, artísticos, de dança e outras atividades para oferecer aos garotos maneiras alternativas de se sentirem bem fazendo parte de um grupo, sem terem que consumir álcool e drogas. Os filhos de famílias de baixa renda receberam ajuda para participar das atividades. Em Reykjavik, onde mora um terço da população do país, o chamado Cartão do Lazer dá direito a 35.000 coroas (cerca de 1.030 reais) anuais por filho para custear atividades recreativas.

Um fator decisivo é a continuidade das pesquisas. A cada ano, quase todos os garotos islandeses as preenchem. Isso significa que sempre há dados novos e confiáveis.

Entre 1997 e 2012, duplicou a proporção de adolescentes de 15 e 16 anos que declararam que “com frequência ou quase sempre” passavam tempo com os pais no fim de semana – a cifra passou de 23% para 46%. Já a dos que participavam de atividades esportivas organizadas pelo menos quatro vezes por semana subiu de 24% para 42%. Ao mesmo tempo, o consumo de cigarros, álcool e maconha nessa mesma faixa etária caiu drasticamente. “Embora não possamos apresentar esse fenômeno como uma relação causal – o que é um bom exemplo de por que às vezes é difícil vender aos cientistas os métodos de prevenção primária –, a tendência é muito clara”, observa

Kristjánsson, que trabalhou com os dados e hoje integra a Escola Universitária de Saúde Pública da Virgínia Ocidental, nos EUA. Os fatores de proteção aumentaram e os de risco diminuíram – assim como o consumo de entorpecentes. Além disso, na Islândia essas variações ocorreram de modo mais coerente que em qualquer outro país da Europa.”

O caso europeu

Jón Sigfússon pede desculpa por chegar alguns minutos atrasado. “Recebi um telefonema por uma situação de crise.” Prefere não dizer onde, mas era uma entre as várias cidades do mundo inteiro que adotaram parcialmente as ideias do programa Juventude na Islândia.

O Juventude na Europa, dirigido por Jón, nasceu em 2006 após a apresentação dos já então extraordinários dados da Islândia numa das reuniões do Cidades Europeias contra as Drogas. “As pessoas nos perguntavam como conseguíamos”, recorda Sigfússon.

A participação no Juventude na Europa não se dá por iniciativa dos Governos nacionais; corresponde às Prefeituras. Oito municípios aderiram ao plano no primeiro ano. Hoje participam 35 cidades de 17 países. Em algumas, poucas escolas estão envolvidas; em outras, como Tarragona (Espanha), há 4.200 adolescentes de 15 anos engajados. O método é sempre igual. Jón e sua equipe falam com as autoridades locais e elaboram um questionário com as mesmas perguntas fundamentais utilizadas na Islândia, além de outras adaptadas ao lugar. Algumas cidades, por exemplo, têm registrado casos de problemas graves com as apostas pela internet, e as autoridades querem saber se isso está relacionado com outros comportamentos de risco.

Dois meses após a devolução do questionário à Islândia, a equipe já manda um relatório preliminar com os resultados, além de informações comparando-os com os de outras zonas participantes. “Sempre dizemos que, assim como as verduras, as informações têm que ser frescas”, brinca Jón. “Se você entregar os resultados depois de um ano, as pessoas te dirão que passou muito tempo e que as coisas talvez tenham mudado.” Além disso, os dados têm que ser locais para que os centros de ensino, os pais e as autoridades possam saber exatamente que problemas existem em quais regiões.

A equipe analisou 99.000 questionários de lugares tão distantes entre si como as ilhas Feroé, Malta e Romênia, assim como a Coreia do Sul e, mais recentemente, Nairóbi e Guiné-Bissau. Em linhas gerais, os resultados mostram que, no que se refere ao consumo de substâncias tóxicas entre os adolescentes, os mesmos fatores de proteção e de risco identificados na Islândia são válidos em todos os lugares. Mas há algumas diferenças. Em um lugar (um país “do Báltico”), a participação em esportes organizados foi um fator de risco. Uma pesquisa mais profunda revelou que isso acontecia porque os clubes eram dirigidos por jovens ex-militares viciados em anabolizantes, assim como em bebidas e cigarro. Neste caso, portanto, tratava-se de um problema concreto, imediato e local que deveria ser resolvido.

Jón e sua equipe oferecem assessoria e informações sobre as iniciativas que deram bons resultados na Islândia, mas cada comunidade decide o que fazer com base nos resultados. Algumas vezes, não fazem nada. Um país predominantemente muçulmano, que o pesquisador prefere não mencionar, rechaçou os dados porque revelavam um desagradável nível de consumo de álcool. Em outras cidades – como a que originou o telefonema de “crise” de Jón – estão abertas aos dados e têm dinheiro, mas Sigfússon observou que pode ser muito mais difícil assegurar e manter financiamento para as estratégias de prevenção de saúde do que para os tratamentos.

Nenhum outro país fez mudanças tão amplas quanto as da Islândia. Algum deles seguiu o exemplo da legislação para impedir que os adolescentes saiam de noite? Jón sorrie: “Até a Suécia ri dessa medida, chamando-a de ‘Toque de recolher’ infantil.”

Ao longo dos últimos 20 anos, as taxas de consumo de álcool e drogas entre os adolescentes melhorou em termos gerais, embora em nenhum lugar isso tenha acontecido de forma tão radical quanto na Islândia. E as causas dos avanços nem sempre têm a ver com as estratégias de fomento ao bem-estar dos jovens. No Reino Unido, por exemplo, o fato de eles passarem mais tempo em casa relacionando-se pela Internet, em vez de cara a cara, poderia ser um dos principais motivos da redução do consumo de álcool.

Mas Kaunas, na Lituânia, é um exemplo do que se pode conseguir por meio da intervenção ativa. Desde 2006, a cidade distribuiu os questionários em cinco ocasiões. E as escolas, pais, agências de saúde, igrejas, polícia e serviços sociais reuniram esforços para tentar melhorar a qualidade de vida dos meninos e frear o consumo de substâncias tóxicas. Por exemplo, os pais recebem entre oito e nove sessões gratuitas de orientação parental por ano. Um programa novo facilita um financiamento adicional às instituições públicas e ONGs que trabalham pela melhora da saúde mental e a gestão do estresse. Em 2015, a cidade começou a oferecer atividades esportivas gratuitas nas segundas, quartas e sextas-feiras. Agora planeja implementar um serviço de transporte também grátis para as famílias de baixa renda, a fim de contribuir para que os meninos que vivem longe dos estabelecimentos possam participar.

Entre 2006 e 2014, o número de jovens de 15 e 16 anos de Kaunas que declararam ter se embriagado nos 30 dias anteriores caiu cerca de 25%, e os dos que fumavam diariamente foi reduzido em mais de 30%.

No momento, a participação no Juventude na Europa não é sistemática, e a equipe da Islândia é pequena. Jón gostaria que existisse um organismo centralizado com seus próprios fundos específicos para promover a expansão do plano. “Embora nos dediquemos a isso há 10 anos, não é nossa principal ocupação. Gostaríamos que alguém imitasse e mantivesse a iniciativa em toda a Europa”, afirma. “E por que ficar restritos à Europa?”

Depois de nosso passeio pelo parque Laugardalur, Gudberg Jónsson nos convida a voltar para sua casa. Do lado de fora, no jardim, seus dois filhos mais velhos – Jón Konrád, de 21 anos, e Birgir Ísar, de 15 –, falam comigo sobre álcool e cigarro. Jón bebe álcool, mas Birgir diz não conhecer ninguém em seu colégio que beba ou fume. Também falamos das aulas de futebol. Birgir treina cinco ou seis vezes por semana; Jón, que cursa o primeiro ano de Administração de Empresas na Universidade da Islândia, pratica cinco vezes. Os dois começaram a jogar bola como atividade extra-escolar quando tinham seis anos. “Temos muitos instrumentos em casa”, diz o pai. “Tentamos fazer com que gostassem de música. Antes tínhamos um cavalo. Minha mulher adora montar, mas não deu certo. No final, escolheram o futebol.” Alguma vez acharam que o treino era excessivo? Foi preciso pressioná-los para que treinassem quando teriam preferido fazer outra coisa? “Não, a gente se divertia jogando futebol”, responde Birgir. Jón completa: “Começamos a jogar e nos acostumamos, então continuamos jogando.”

Embora Gudberg e a esposa não planejem de forma consciente um determinado número de horas semanais com seus três filhos, tentam levá-los regularmente cinemas, teatros, restaurantes, trilhas pelas montanhas e pesca. Em setembro, quando na Islândia as ovelhas descem das terras altas, fazem até excursões de pastoreio em família.

Pode ser que Jón e Birgir gostem mais de jogar futebol que as pessoas em geral, e que tenham mais talento (Jón recebeu oferta de uma bolsa de futebol na Universidade Metropolitana do Estado de Denver e, poucas semanas depois de nosso encontro, Birgir foi convocado para a seleção nacional sub-17). No entanto, será que um aumento significativo da porcentagem de jovens que participam de atividades esportivas pelo menos quatro vezes por semana teria outras vantagens, além de fazer os meninos crescerem mais saudáveis?

Isso pode ter relação, por exemplo, com a contundente derrota da Inglaterra para a Islândia na Eurocopa de 2016? Quando fazemos essa pergunta a Inga Dóra Sigfúsdóttir, eleita Mulher do Ano da Islândia 2016, ela responde com um sorriso: “Também podemos citar os sucessos na música, como o Of Monsters and Men [grupo independente de folk-pop de Reykjavik]. São jovens que decidiram fazer atividades organizadas. Algumas pessoas me agradeceram”, reconhece, piscando um olho.

Nos demais países, as cidades que participam do Juventude na Europa relatam outros resultados positivos. Em Bucareste, por exemplo, caíram os índices de suicídios e consumo de álcool e drogas entre os adolescentes. Em Kaunas, o número de menores que cometem crimes foi reduzido em um terço entre 2014 e 2015.

Como afirma Inga Dóra, “os estudos nos mostraram que tínhamos de criar circunstâncias nas quais os menores pudessem levar uma vida saudável, sem precisar de consumir drogas porque a vida é divertida. Os meninos têm muitas coisas para fazer e contam com o apoio de pais que passam tempo com eles.”

Em suma, as mensagens – embora não necessariamente os métodos – são simples. E quando vê os resultados, Harvey Milkman pensa nos EUA, seu país. Será que o modelo Juventude na Islândia funcionaria por lá?

E os Estados Unidos?

São 325 milhões de habitantes frente a 330.000; 33.000 bandas em vez de praticamente nenhuma; e ao redor de 1,3 milhão de jovens sem teto contra meia dúzia.

É claro que os EUA enfrentam dificuldades que não existem na Finlândia. Mas os dados de outras partes da Europa, incluindo cidades como Bucareste, com graves problemas sociais e uma pobreza relativa, mostram que o modelo islandês pode funcionar em culturas muito diferentes, afirma Milkman. E os EUA precisam com urgência de um programa assim. O consumo de álcool entre menores de idade representa 11% do total consumido no país. O abuso de álcool provoca mais de 4.300 mortes por ano entre os menores de 21 anos.

No entanto, é difícil que o país implemente um programa nacional similar ao Juventude na Islândia. Um dos principais obstáculos é que, enquanto no pequeno país europeu existe um compromisso de longo prazo com o projeto nacional, nos EUA os programas de saúde comunitários costumam ser financiados com subvenções de curta duração. Milkman aprendeu, por experiência própria, que, mesmo quando recebem reconhecimento geral, os melhores programas para jovens nem sempre são ampliados ou mesmo mantidos. “Com o Projeto Autodescoberta, parecia que tínhamos o melhor programa do mundo”, recorda. “A Casa Branca me convidou duas vezes. O projeto ganhou prêmios nacionais. Achávamos que seria reproduzido em todas as cidades, mas isso não aconteceu.”

Segundo ele, o motivo é que não se pode receitar um modelo genérico a todas as comunidades, pois nem todas têm os mesmos recursos. Qualquer iniciativa que pretenda dar aos adolescentes dos EUA as mesmas oportunidades de participar dos tipos de atividades habituais na Islândia, ajudando-os assim a se afastar do álcool e das drogas, terá que se basear no que já existe. “Você depende dos recursos da comunidade”, reconhece. Seu colega Álfgeir Kristjánsson está introduzindo as ideias islandesas na Virgínia Ocidental. Alguns colégios do estado já distribuem questionários aos alunos, e um coordenador ajudará a informar os resultados aos pais e a qualquer pessoa que possa utilizá-los para ajudar os garotos. Mesmo assim, o pesquisador admite que provavelmente será difícil obter os mesmos resultados da Islândia.

A visão de curto prazo também é um obstáculo para a eficácia das estratégias de prevenção no Reino Unido. É o que adverte Michael O’Toole, diretor-executivo da Mentor, uma organização sem fins de lucro voltada à redução do consumo de drogas e álcool entre crianças e jovens. Nesse país tampouco existe um programa de prevenção de dependências coordenado em âmbito nacional. Em geral, o assunto é deixado nas mãos das autoridades locais ou dos centros de ensino. Assim, somente são oferecidas aos meninos informações sobre os perigos das drogas e do álcool, uma estratégia que O’Toole também reconhece que não funciona.

O diretor da Mentor é um forte defensor do protagonismo que o modelo islandês confere à cooperação entre os pais, as escolas e a comunidade para ajudar a dar apoio aos adolescentes, e à implicação dos pais ou tutores na vida dos jovens. Melhorar a atenção poderia ajudar em muitos sentidos, diz ele. Inclusive quando se trata somente de álcool e cigarro, há enorme quantidade de evidências demonstrando que, quanto mais velho for o menino na hora de começar a beber ou fumar, melhor será sua saúde ao longo da vida.

No Reino Unido, contudo, nem todas as estratégias são aceitáveis. O “toque de recolher” infantil é uma delas. Outra, certamente, são as rondas de pais pela vizinhança para identificar garotos que não respeitam as normas. Além disso, um teste experimental realizado em Brighton pela Mentor, que incluía convidar os pais para participar de oficinas nas escolas, descobriu que era difícil conseguir seu comparecimento.

O receio das pessoas e a recusa a se comprometerem serão dificuldades onde o método islandês for proposto, afirma Milkman, e afetam a questão da divisão de responsabilidade entre os Estados e os cidadãos. “Quando controle você quer que o Governo tenha sobre o que acontece com os seus filhos? É excessivo que ele tenha ingerência na forma como as pessoas vivem?”

Na Islândia, a relação entre a população e o estado permitiu que um eficaz programa nacional reduzisse as taxas de abuso de cigarro e álcool entre os adolescentes e, de quebra, unisse mais as famílias e promovesse a saúde dos jovens em todos os sentidos. Será que nenhum outro país decidirá que esses benefícios também têm seus custos?

Esta reportagem foi publicada originalmente em inglês por Mosaic Science

Autora: Emma Young

Editor: Michael Regnier

Verificação dos fatos: Lowri Daniels

Corretor: Tom Freeman

Fotografia: Dave Imms

Diretor de arte: Charlie Hall

 

 

Geração i. Eles têm menos problemas com as drogas que os pais

Abril 27, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://ionline.sapo.pt/ de 13 de abril de 2017.

Têm hábitos de consumo de drogas diferentes dos pais e dos avós. A Geração i dedica esta edição à troca de experiências inebriantes entre gerações.

Eles gostam da noite, gostam das conversas até às tantas, gostam de dançar sem parar e gostam de experimentar coisas novas, tal como os jovens de todas as outras gerações. As drogas não são novidade para a geração dos millennials, mas quem viveu os tempos mais negros do uso de substâncias ilícitas foram as geração anteriores à que teimamos chamar Geração i.

Em Portugal sabe-se que foi com a Revolução dos Cravos que as ondas de substâncias psicoativas começaram a inundar uma sociedade mal habituada no que à liberdade dizia respeito.

“O consumo de substâncias ilícitas em Portugal ganhou expressão depois do 25 de Abril e a grande diferença para com outros países europeus foi que muitos dos consumidores de então vieram a ter um uso problemático. Subitamente, as pessoas experimentavam e, quando davam por elas, estavam dependentes”, explica João Goulão, diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), que garante que o consumo de droga tem hoje um menor impacto na saúde individual e coletiva do que no passado.

No livro “LX 70”, de Joana Stichini Vilela, lê-se: “A novidade está na democratização. Se, antes do 25 de Abril, as drogas eram de acesso quase exclusivo a estrangeiros ou gente viajada, logo em 1975. o responsável da secção de narcóticos da Polícia Judiciária afirma que ‘o consumo tem aumentado assustadoramente’. Multiplicam-se os desvios das unidades de saúde e, a partir de meados de 1977, tornam-se vulgares os assaltos a farmácias.” Já na altura, os mais jovens tinham especial adoração pelas drogas sintéticas: “A juventude adora speeds, drogas legais consumidas de forma criativa.”

Orgia de sensações

“Naquele tempo vivíamos uma orgia de sensações, era impossível resistir, todos os dias chegavam novidades a Lisboa”, conta ao i Alverga, de 55 anos, agora emigrada, que experimentou do haxixe à erva, da coca à heroína, do LSD aos speeds:“Para nós era espetacular, proporcionava-se uma onda de experimentações, era o início da era dos concertos, era a camaradagem. O regime tinha acabado e nós fomos levando aquilo numa corrente de vontade de sermos iguais ao resto do mundo.”

Alverga explica que nunca houve falta de informação – não havia internet, mas sabia-se o que se estava a experimentar. A grande diferença entre gerações, na sua opinião, é que a dos pais dos jovens da sua geração não faziam ideia em que é que os filhos estavam metidos, não havendo noção de que se começavam a perder: “Estou a falar da minha visão, de alguém que sobreviveu a tudo isto e está a contar porque está viva, mas tive amigos meus que morreram de overdoses, de danos colaterais como a sida, pessoal que se meteu na prostituição, que se suicidou, que foi preso, que ficou louco. Agora, como tudo na vida, ao fazermos as experiências, há quem consiga passar pelas coisas de forma experimental, sem se deixar levar pela degradação, e a minha geração teve, penso eu, as duas partes. Era tudo perfeitamente consciente, só que os nossos pais nunca o tinham feito. Por isso, não conseguiam perceber os sintomas e o que andávamos a fazer. Os pais de hoje sabem porque muitos experimentaram; então, podem guiá-los.”

João Goulão, especialista no cenário português, confirma: “É verdade que há muito consumo hoje em dia, mas os impactos na saúde pública são muito menores do que noutras alturas. É uma geração mais aberta, o que é uma das grandes diferenças, também ocasionada pelo facto de o consumo ter deixado de ser considerado um crime. Há uma maior abertura para discutir o assunto em muitos contextos, desde o familiar ao laboral e às escolas. As pessoas falam mais abertamente e pedem ajuda com muito mais facilidade. A evolução continua a ser globalmente positiva.”

Goulão elucida que “hoje em dia há muito consumo que não conduz necessariamente à dependência. É uma geração muito informada, os problemas ocasionados por drogas são percentualmente muito inferiores aos que ocorriam há 20 anos”.

O álcool também é droga

Entre todas as gerações, “a canábis sempre foi, de longe, a substância ilícita mais consumida, a seguir ao álcool, que é lícito”, conclui. José Henrique dos Santos, psicólogo clínico e um dos autores do Plano Nacional de Prevenção de Suicídio, descreve a alteração de consumos: “A grande mudança é que, nas duas gerações mais recentes (millennials e geração Z) há um consumo muito de grandes volumes e quantidades de álcool num tempo muito reduzido, o conhecido binge drinking. Hoje em dia utiliza-se muito este padrão e é por isso que existem os shots, que são autênticos tiros na cabeça. Em relação às gerações anteriores, o padrão de consumo era diferente. Era um padrão que normalmente assentava em quantidades diárias, com um consumo mais regular, mas mais contido. Mesmo com o tabaco vê-se este padrão: não fumam, mas ao fim de semana desforram-se, comportamentos típicos das culturas do norte da Europa.”

As estatísticas comprovam

De acordo com o Instituto Nacional sobre o Abuso de Drogas (NIDA), nos Estados Unidos da América, os millennials realmente usam menos drogas e menos álcool do que os seus pais. O uso de drogas entre adolescentes diminuiu mais de 34% entre 1993 e 2013, um período de tempo crucial que abrangia a adolescência de quase todos os pertencentes à geração millennial.

Em Portugal, os dados também confirmam essa realidade e ainda apontam para que a tendência se mantenha para as próximas gerações. As conclusões constam do European School Survey Project on Alcohol and other Drugs (ESPAD), feito entre 2011 e 2015 junto de alunos que completaram 16 anos no ano da recolha de dados.

Relativamente às drogas, a percentagem de alunos que até aos 16 anos já tinham experimentado está a estabilizar: 16% em Portugal (18% média europeia), sendo a canábis a mais experimentada, e a mais consumida no último ano e no último mês.

As novas substâncias psicoativas são mais consumidas em alguns países do que “outras drogas”, sendo a média europeia de experimentação de 4% e, em Portugal, apenas 1%.

Também o consumo de álcool e tabaco entre jovens até aos 16 anos tem vindo a diminuir na Europa, com Portugal a situar-se abaixo da média europeia, mas ainda assim com consumos elevados de bebidas alcoólicas.

 

 

 

Consumo de haxixe é mais frequente nos jovens com mais escolaridade

Outubro 24, 2015 às 6:48 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do http://p3.publico.pt de 22 de outubro de 2015.

Mario Anzuoni Reuters

Estudo comparou comportamentos de risco com nível de escolaridade de um grupo de jovens. Os maiores problemas ainda se encontram em quem tem menos estudos

Texto de Romana Borja-Santos

Os chamados comportamentos de risco, como suspensões na escola, pertença a um gangue, envolvimento em lutas físicas ou condenações, são em geral mais frequentes entre os jovens com menor escolaridade e que são filhos de pais que concluíram também poucos anos de estudo. No entanto, há um caso em que os jovens com mais anos de estudo e filhos de pais com mais habilitações se destacam: no consumo de haxixe ou marijuana. Aos 21 anos, quase 49% destes jovens inquiridos para um trabalho assumiram que tinham já consumido este tipo de substâncias, quando só 29% dos com menos escolaridade o tinham feito.

As conclusões fazem parte do estudo “Reproduzir ou Contrariar o Destino Social?”, que será apresentado nesta sexta-feira, 23 de Outubro, na Fundação Champalimaud, em Lisboa, e que faz parte do projecto Epiteen24 (“Epidemiological Health Investigation of Teenagers in Porto”). A investigação conta com uma amostra de 2942 pessoas nascidas na década de 1990 e que em 2003/2004 frequentavam as escolas públicas e privadas do Porto. O grupo tem sido acompanhado e inquirido aos 13 anos, 17, 21 e 24 anos, com os investigadores a publicarem vários trabalhos ao longo dos anos.

“Estamos habituados a associar os níveis educacionais baixos a comportamentos de risco nos nossos estereótipos, mas isso nem sempre acontece assim”, adiantou ao PÚBLICO a socióloga Anália Torres, coordenadora do projecto e professora do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. De acordo com a investigadora, os dados recolhidos permitem perceber que também “a experimentação do álcool aos 13 anos acontece mais nas classes médias e altas, por causa das redes de interconhecimento”, como estes jovens, em geral, “frequentaram mais festas e terem mais dinheiro”. “Nota-se que são os grupos mais escolarizados que tendem a ter mais prática de consumos”, reitera.

No caso do haxixe, 49% dos jovens com mais escolaridade já experimentaram esta substância. O valor mais baixo, de 29%, é encontrado nos participantes com menos estudos. Ainda assim, a maior percentagem (56%) encontra-se nos filhos de pessoas com mais escolaridade mas que acabaram por conseguir completar menos anos do que os pais. No entanto, Anália Torres ressalva que a esmagadora maioria dos comportamentos de risco ainda estão, de facto, associados a níveis de escolaridade mais baixos, tanto nos jovens que os praticam como nos seus pais.

Já nos casos de níveis educacionais mais altos, o estudo sublinha que a “a incidência de comportamentos de risco” está associada a “estilos de vida que podem ser apelidados de ‘recreativos’, como o consumo de haxixe ou marijuana aos 21 anos (ou, mais precocemente, aos 13 anos, na experimentação do consumo de álcool)”. O trabalho destaca, ainda, que os jovens que atingem uma menor escolaridade que os pais também “apresentam ao longo da adolescência uma incidência comparativamente maior de comportamentos de risco, pelo que parece relevante uma análise mais focalizada no enquadramento familiar ou em variáveis individuais de saúde – como a saúde mental”.

 

 

 

 

Crece el consumo de alcohol entre los adolescentes españoles

Março 14, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do El Mundo de 5 de Março de 2014.

mais informações na nota de imprensa do Ministerio de Sanidad, Servicios Sociales e Igualdad

El consumo de alcohol aumenta entre los escolares, sobre todo entre los de 14 y 15 años

bottelón

Se inician ligeramente más tarde en el consumo, pero crece la proporción de bebedores

A los 14 años, uno de cada cuatro ya ha hecho botellón

El consumo de alcohol entre los escolares españoles de entre 14 y 18 años ha aumentado en los últimos dos años. Pese a este aumento, sube ligeramente la edad de inicio en el consumo de bebidas alcohólicas, que se sitúa en los 13,9 años. También se confirma la tendencia descendente en el consumo de cannabis, que se ha reducido en un 36% desde 2005 entre los escolares.

Los datos los recoge la Encuesta Escolar sobre Uso de Drogas en Estudiantes de Enseñanzas Secundarias (ESTUDES) 2012-2013, que ha dado a conocer en rueda de prensa el delegado del Gobierno para el Plan Nacional sobre Drogas Francisco Babín.

Babín ha alertado del arraigo del fenómeno del botellón entre los menores y de la elevada frecuencia de las borracheras y de los atracones de bebidas alcohólicas, cuyo uso se está generalizando (casi el 84% chicos de 14 a 18 años ha probado el alcohol alguna vez y el 74% lo ha hecho en el último mes).

La encuesta incluye una muestra de 27.500 estudiantes de entre 14 a 18 años, de 750 institutos o centros de formación profesional públicos y privados de toda España. La Delegación del Gobierno para el Plan Nacional sobre Drogas realiza cada dos años este estudio desde 1994, que revela las tendencias del consumo de drogas entre los escolares españoles.

Según esta encuesta, el alcohol y el tabaco, seguidos del cannabis siguen siendo las drogas más consumidas por los estudiantes españoles. Le siguen, por este orden, hipnosedantes (con y sin receta), cocaína, éxtasis, alucinógenos, anfetaminas, inhalables volátiles y heroína, que se sitúa en último lugar.

El 81,9% de los estudiantes dice haber consumido alcohol en el último año, “una cifra muy alta que refleja la magnitud del problema al que nos enfrentamos”, en opinión del delegado del Gobierno para el Plan Nacional sobre Drogas (seis de cada 10 se ha emborrachado alguna vez). Asimismo, el 35,3% ha consumido tabaco en el último año, el 26,6% cannabis, el 11,6% hipnosedantes, el 2,5% cocaína, el 2% alucinógenos, el 1,7% anfetaminas y el 0,7 % heroína.

Con respecto al género, los datos de esta encuesta demuestran que el consumo de tabaco, alcohol e hipnosedantes está más extendido entre las chicas. Pese a ello, los hombres que consumen alcohol o tabaco lo hacen con mayor intensidad que las mujeres. En cambio, el consumo del resto de sustancias (cannabis, cocaína, alucinógenos, anfetaminas o heroína) está más extendido entre los varones.

Por tramos de edad, se observa un salto considerable entre los 14 y 16 años en el consumo de las tres drogas de mayor prevalencia (alcohol, tabaco y cannabis). En el caso del alcohol, a los 14 años el 63% de los estudiantes lo ha consumido alguna vez en el último año. A los 16 años, el 84% ya lo ha consumido, lo que supone un aumento de 21 puntos porcentuales. Lo mismo sucede con los psicoestimulantes como cocaína, éxtasis o anfetaminas: la mayor extensión del consumo se produce entre los 16 y los 18 años.

La edad media de inicio permanece estable en todas las drogas y oscila entre los 13 y los 16 años, según las sustancias. Sube ligeramente la edad de inicio del alcohol, que se sitúa en los 13,9 años de media (frente a los 13,7 de la anterior encuesta). Pese a ello, continúa siendo una edad de inicio muy temprana.

El policonsumo es cada vez más frecuente entre los jóvenes, tanto en España como en Europa. En nuestro país, de cada 10 estudiantes, cuatro consumen dos o más sustancias. Sobre su percepción, los estudiantes perciben el alcohol como la sustancia menos peligrosa y consideran que el tabaco es más peligroso que el cannabis.

El supermercado (61,8%), seguido de bares o pubs (57,7%) son los lugares donde con más frecuencia los escolares consiguen el alcohol, pese a que la venta a menores está prohibida. En cuanto al lugar donde lo consumen, 6 de cada 10 menores lo hacen en bares y pubs y 5 de cada 10, en discotecas, y el 57%, en espacios abiertos. Durante el fin de semana las bebidas que más se consumen son los combinados, la cerveza y el vino y, entre semana, la cerveza.

 

Dez crianças e jovens pedem por dia apoio contra vícios

Dezembro 27, 2013 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 17 de Dezembro de 2013.

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