Como desenvolver o hábito da leitura nas crianças?

Janeiro 7, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Cláudia Abril de 23 de dezembro de 2019.

O conteúdo certo pode despertar o interesse e o hábito que dure a vida toda

Por Stéphanie Habrich

Ouço por aí muitos pais se perguntando o que devem fazer para incentivar os filhos a gostar de ler.

Eu costumo dizer que não existe receita de bolo para que as crianças se interessem pela leitura – e que não importa se o jovem está lendo uma receita de bolo ou um clássico da literatura. O importante é que ele leia algo que o incentive a tomar gosto pela leitura.

Quando se veem diante da tarefa de estimular os filhos a ler, muitos pais pensam automaticamente em munir a criança com livros. Embora eles sejam fundamentais para o desenvolvimento de um indivíduo, as obras literárias não precisam ser a única porta de entrada para o mundo da leitura.

No meu caso, acredito que as revistas infantojuvenis europeias foram, em grande parte, responsáveis por despertar o meu interesse para o hábito de ler. Meu pai, alemão, e minha mãe, francesa, assinavam para mim publicações infantis da França e da Alemanha – bastante comuns na Europa. As publicações traziam curiosidades, histórias e receitas, além de textos que explicavam o que estava acontecendo no mundo de uma forma que as crianças – como eu, na época – conseguiam entender. E eu adorava ficar por dentro de tudo.

Os jovens ouvem pais e outros adultos falando sobre assuntos da atualidade e querem compreender melhor os temas tratados. Ao terem contato com publicações infantojuvenis que tratam sobre essas questões, passam a ver nesses materiais a possibilidade de entenderem melhor o mundo à sua volta – e de não ficarem alheios ao que as pessoas estão falando por aí.

Além da possibilidade de obter informações novas, outra coisa que me encantava nas publicações da minha infância era a sensação de dever cumprido toda vez que eu terminava uma leitura – algo que não vinha de forma tão rápida com livros, onde, naturalmente, os textos são maiores do que as notícias curtas das publicações infantis.

Enfim, ler as publicações vindas da França e Alemanha era agradável, divertido e instrutivo. Toda vez que elas chegavam em casa, eu saía correndo para ler, de tão ansiosa que ficava. É essa mesma sensação que tento proporcionar aos leitores do Joca.

De leitora à empreendedora

Inspirada nas publicações infantis que eu lia quando criança, em 2011 lancei o Joca, o primeiro jornal para crianças e jovens do Brasil. Nele, tratamos dos mais variados assuntos – política, economia, cultura, tecnologia, esportes, entre outros – com uma abordagem específica para essa faixa etária.

Os textos que as crianças encontram no jornal são dinâmicos e objetivos, e costumam vir acompanhados de imagens, infográficos e ilustrações para facilitar a compreensão dos temas.

Além disso, fazemos questão de explicar termos e conceitos complexos e mostrar o contexto por trás de determinado acontecimento. Se vamos tratar sobre um encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un, por exemplo, além de falar sobre a reunião em si, explicamos como se deu a relação entre os dois países ao longo da história. Assim, a criança terá mais condições de entender a importância de tal acontecimento para o cenário internacional.

Hoje, oito anos após a criação, o Joca é distribuído por todo o país. Contamos com tiragem de 30.000 exemplares, que chegam a escolas para uso em sala de aula, nas casas de assinantes e em ONGs.

Dentre todas as conquistas que tivemos nos últimos anos, a que me deixa mais feliz é ver como as crianças gostam de ler o jornal. Quando uma nova edição chega, vemos a animação no rosto dos jovens, ansiosos para saber das novidades.

Esse interesse também se comprova por uma pesquisa, realizada pela Planète D’Entrepreneurs, organização francesa que avalia negócios de impacto social pelo mundo, em parceria com a HEC Paris (uma das instituições mais conceituadas no mundo para estudar negócios). Participaram cerca de 1.000 leitores do Joca. O resultado mostrou que mais de 80% dos entrevistados gostam de ler o jornal. Além disso, dois em cada três afirmaram que leem o Joca por diversão – e não apenas para fazer a lição de casa.

Ouvimos sempre que os brasileiros, sobretudo as crianças, não gostam de ler. Mas, ao ver esses números, tenho a certeza de que essas afirmações não passam de mitos. Acredito que, quando as crianças têm acesso a materiais que são atraentes, lúdicos e respeitam a sua inteligência, a vontade de ler aumenta.

Se dermos às crianças os conteúdos certos, que despertem a curiosidade já existente nelas, estou certa de que as chances de desenvolverem o hábito da leitura de maneira natural serão muito maiores.

E, assim, todos agradecem: tanto as crianças como seus pais.

Stéphanie Habrich é fundadora e diretora executiva do jornal Joca, finalista do Prêmio CLAUDIA 2019, na categoria Educação

Programa Já Sei Ler

Dezembro 26, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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O Programa Já Sei Ler, relançado em 2018 pelo Plano Nacional de Leitura: 2017-2027 (PNL2027), pretende consolidar e enriquecer práticas de leitura regular no 1.º ciclo do Ensino Básico, convidando professores e famílias a ler diariamente 10 minutos com as crianças.

Recursos educativos e mais informações no link:

http://pnl2027.gov.pt/np4/jaseiler.html

Um terço dos estudantes só lê quando é obrigado

Dezembro 12, 2019 às 9:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 4 de dezembro de 2019.

Alexandra Inácio

Quase um terço dos alunos portugueses de 15 anos (31%) admite que só lê por obrigação; 46% só leem para encontrar uma informação que precisam e, para 22%, ler é uma perda de tempo.

Os resultados são piores nos rapazes. Os resultados do PISA revelam também que Portugal é o único país da OCDE que mantém uma evolução positiva nas três áreas (Leitura, Matemática e Ciências) desde 2000.

Os dados sobre o interesse pela leitura foram ontem revelados nos relatórios PISA (Programa de Avaliação Internacional de Alunos) e do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) sobre os resultados portugueses da avaliação internacional. Por cá, o desinteresse é mais baixo da que as médias registada nos 79 países avaliados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) – onde, por exemplo, 49% só leem por obrigação -, mas piorou relativamente a 2009.

Por género, a proporção de rapazes que responde que ler é uma obrigação (41%), apenas para procurar uma informação (60,3%) ou uma perda de tempo (31,2%) chega a ser mais do dobro das raparigas (19,9%, 32,5% e 12,1% respetivamente).

Tanto a presidente da Associação de Professores de Português (APP), Filomena Viegas, como a comissária do Plano Nacional de Leitura, Teresa Calçada, alertam que os alunos de 15 anos associam a leitura ao estudo, obrigatório. “Eles leem muito nos tablets e nos telemóveis, mas não têm interesse pela literatura”, assume Filomena Viegas.

A presidente da APP considera que as listas de leitura para as disciplinas de Português devem incluir mais obras e autores. Além de maior liberdade de escolha, defende. “O leque tem de ser alargado para despertar interesse e prazer”, insiste. Teresa Calçada também considera que as bibliotecas das escolas têm de ter mais diversidade e novidades.

Literacia na média

“A mais-valia dos relatórios é que devem despertar o sentido crítico sem serem endeusados”, afirmou, sublinhando que, se as escolas não estivessem a trabalhar bem, os níveis de literacia não evoluiriam. “Não estamos descontentes mas também não estamos contentes. É preciso apostar na leitura em contextos diversos”, considera a comissária.

O PISA 2018 dedicou maior atenção à avaliação da literacia da leitura. Portugal conseguiu um resultado de 492 pontos (ligeiramente abaixo do de 2015) mas que acompanha a média da OCDE (487 pontos) e representa uma subida de dois pontos face a 2009 e 22 pontos em relação a 2000 (anos em que os relatórios também foram dedicados à Leitura). Portugal teve resultados que o colocam ao lado de países como a França, a Alemanha ou a Bélgica.

No retrato feito pelo PISA, os portugueses revelam-se ansiosos mas também mais felizes do que os restantes.

Especialista da UNESCO considera Plano Nacional de Leitura “exemplo para todo o mundo”

Outubro 30, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação, Livros | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo24 de 24 de outubro de 2019.

Uma responsável por programas de leitura e bibliotecas da UNESCO considerou hoje o Plano Nacional de Leitura português “exemplo para todo o mundo”, mas lembrou as regiões onde os livros continuam inacessíveis e a escola é só para alguns.

“Vamos transferir este conhecimento para outros países”, afirmou Jeimy Hernández, responsável pela área de Leitura, Escrita e Bibliotecas do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caraíbas (CERLALC), um órgão da UNESCO que acompanha a situação de 21 países, incluindo Portugal e Espanha.

Jeimy Hernández falava hoje durante a III Conferência do Plano Nacional de Leitura 2027 (PNL2027) que está a decorrer na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, sob o tema “Presente – Futuro: O Elogio da Leitura”.

“Estamos muito longe das bibliotecas escolares que vocês têm”, afirmou Jeimy Hernández, felicitando o Programa Rede de Bibliotecas Escolares (PRBE) criado há mais de 20 anos em Portugal e que permitiu a instalação de bibliotecas em todos os níveis de ensino.

Enquanto, em Portugal, uma das preocupações atuais passa por conseguir transmitir o prazer da leitura a mais pessoas, existem países onde o livro continua a estar inacessível.

As desigualdades entre regiões foi o foco da apresentação de Jeimy Hernández: “Existem muitas zonas onde não há bibliotecas locais”, onde “a maioria das famílias não tem livros em casa nem há acesso à internet”.

Nos sítios onde “o acesso à informação é nulo”, a solução poderia passar pelas escolas, mas a professora universitária lembrou que “em muitos países não existem bibliotecas escolares”.

Jeimy Hernandez gostaria de ver replicado o projeto das bibliotecas escolares, mas reconhece que existem países com problemas estruturais que podem obrigar a deixar para depois esse projeto.

“Existem 12 milhões de crianças que nunca vão entrar dentro de uma sala de aula”, lamentou, citando dados mundiais.

Jeimy Hernandez recordou que ainda existem 13 milhões de jovens sem habilitações básicas de alfabetização, dos quais mais de 60% são mulheres, e que mais de 15 milhões de crianças nunca vão receber qualquer atenção cognitiva ou sócio-emocional durante a infância.

Lembrando que a leitura e a escrita são armas importantes para combater as desigualdades, a especialista da UNESCO defendeu que o direito à leitura deve ser um assunto de política pública.

No “mapa mundial das desigualdades” destacam-se, precisamente, pela negativa vários países da América Latina, que fazem parte da CERLALC, organismo que Jeimy Hernández coordena.

A responsável pela rede Ibero-americana de políticas e planos nacionais de leitura revelou ainda que a maioria dos países da CERLALC não tem planos nacionais de leitura a funcionar.

Dos 21 países, “17 dizem ter planos nacionais de leitura, mas só 11 os têm ativos, os restantes têm documentos escritos, mas não são aplicados”, lamentou, acrescentando que “apenas três países se destacam e um deles é Portugal”.

Quem está a frente do Plano Nacional de Leitura português (PNL 2017) é Teresa Calçada, que também foi coordenadora da Rede de Bibliotecas Escolares entre 1996 e 2013 e atualmente é comissária do PNL2027.

Durante a sua intervenção, Teresa Calçada lembrou Júlio Verne que escreveu “nunca se fez nada grande sem uma esperança exagerada”.

“Temos o dever de proteger este bem”, que é a leitura, salientou a especialista, lembrando que “elogiar a leitura é um imperativo educacional”.

Na abertura da conferência, o administrador da Fundação Calouste Gulbenkian Guilherme d´Oliveira Martins não se esqueceu de saudar quem trabalha nas escolas e nas bibliotecas.

“Hoje as bibliotecas não são depositários de livros. São realidades vidas”, sublinhou Guilherme d´Oliveira Martins, para quem a leitura e a escrita devem ser vistas como património imaterial: “Um livro é um companheiro (…) é um apelo a compreender o outro”.

Plano Nacional de leitura

Benefícios da leitura: muito além de aumento de vocabulário

Setembro 16, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site Quindim

Que a leitura desenvolve o vocabulário, todos sabem, mas poucos conhecem pesquisas empíricas que comprovem seu potencial no desenvolvimento da memória e na melhora do comportamento.

A memória precisa de exercício, e hoje está comprovado que a melhor forma de exercitá-la não são os “apps de desenvolvimento neuronal” das plataformas mobile, mas sim o velho hábito da leitura. É o que afirma o neurocientista Iván Izquierdo, pesquisador brasileiro que coordena as investigações do Centro de Memória, do Instituto do Cérebro da PUC: “A leitura é o melhor exercício para a memória. Quando o cérebro vê uma palavra, tem que formar um inventário de informações e termos que cada letra lhe traz”. Trata-se de um esforço gigantesco que muitas vezes passa despercebido:

“Se a primeira letra da palavra é R, por exemplo, podemos pensar em Raul, rato, revista… em questão de milissegundos o cérebro forma uma lista das palavras que conhecemos e que começam com essa letra – em todas as línguas que sabemos. É uma atividade intelectual poderosa. (…) Nenhum método se impôs sobre o outro no desenvolvimento da memória, só a leitura se destacou.”

Outro estudo, este realizado pela Universidade de Nova Iorque, em colaboração com o IDados e com o Instituto Alfa e Beto, demonstrou que ler para a criança regularmente aumenta em média 14% no vocabulário e 27% na memória de trabalho, além de 25% no índice de crianças sem problemas de comportamento. O resultado dessa pesquisa, realizada com 1250 responsáveis e 1250 crianças de Roraima, é bastante impressionante ao demonstrar que a leitura desenvolve não apenas aspectos cognitivos, como costumamos associá-la, mas também aspectos comportamentais.

Já dizia o grande professor Antônio Cândido que a literatura é, ou ao menos deveria ser, um direito básico do ser humano, pois a ficção atua no caráter e na formação dos sujeitos. Uma pesquisa demonstrando mudanças significativas em aspectos comportamentais através de uma metodologia empírica amplia essa constatação – tão conhecida pelos que trabalham pela leitura – para outros universos e áreas do conhecimento.

A importância da leitura compartilhada é outra constatação desses estudos. Trata-se de um momento de troca de afeto entre os responsáveis e as crianças, em que não apenas “o pequeno” se desenvolve mas também o adulto que lê para ele, que nessa troca passa a conversar mais com a criança, a conhecê-la (e a se mostrar mais para ela), discutindo questões que não seriam abordadas e refletidas se não fosse aquele livro e aquele momento. Esse hábito precioso oferece uma troca rara e importante que uma rotina diária sem ele dificilmente permitiria. E como consequência prática, aumenta o vocabulário, a memória, a empatia… e segue-se uma lista imensa. Não à toa a Sociedade Brasileira de Pediatria lançou a campanha “Receite um Livro”, com o objetivo de mobilizar os médicos pediatras a estimularem os pais a lerem para as crianças.

Não se engane, porém, ao acreditar que tal desenvolvimento aconteça com uma leitura irregular, uma vez ao mês. Para reverberar, é preciso o hábito, como a pesquisa empírica da Universidade de Nova Iorque considerou: a leitura compartilhada em pelo menos dois dias por semana.

Este desafio, de se criar o hábito, não é difícil de se construir. Ler à noite, antes de dormir, por exemplo, pode se tornar um ritual, um momento de relaxamento e convivência em que se constrói o afeto e todos os outros resultados práticos consequentes. Para isso, não é preciso muito: uma carteirinha de uma biblioteca e, se possível, um clube de assinatura de livros infantis, como o nosso, o Clube de Leitura Quindim, com curadoria de qualidade e livros selecionados por pessoas como Ziraldo, Walcyr Carrasco e Marisa Lajolo. Pois para se ter tantos benefícios, não basta também um livro de ficção banal. É o que diz outra pesquisa empírica, esta da Universidade de Cambridge, feita em uma parceria entre os departamentos de Neurociência, Pedagogia, Psicologia e Letras. Eles constataram o potencial que a literatura de qualidade tem de gerar empatia – a capacidade de se colocar no lugar do outro –, um potencial não encontrado em textos de ficção banais ou em textos de não ficção. Ou seja, para se desenvolver através da leitura, não basta ler: é preciso literatura de qualidade.

Renata Nakano é mestre em Literatura pela PUC-Rio e bacharel em Comunicação pela UAM. Como pesquisadora, foi premiada com bolsa da Biblioteca Internacional da Juventude, em Munique, e convidada a apresentar sua pesquisa sobre livro ilustrado em universidades como Cambridge e em eventos literários pelo Brasil. Como editora, desenvolveu catálogos de literatura infantil para diferentes casas editoriais, tendo conquistado prêmios como FNLIJ, BN e o Prêmio Jabuti.

Uma criança que lê será um adulto que pensa

Junho 30, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site Up to Kids

Uma criança que lê será um adulto que pensa, porque não há um domínio mais amplo de conhecimento do que aquele que os livros nos oferecem.

Uma criança que lê será um adulto que pensa

Fomentar a leitura em qualquer idade é sempre sinónimo de enriquecimento, mas incentivar este hábito entre os mais jovens da sociedade é uma garantia total de um futuro melhor. Uma criança que lê será um adulto com ideias próprias e mentalidade firme. Será capaz de questionar e de compreender mais facilmente o seu lugar no mundo.

Uma criança que lê será um adulto que pensa, porque não há um domínio mais amplo de conhecimento do que aquele que os livros nos oferecem. Quando lemos estimulamos o raciocínio e desenvolvemos a imaginação. Somos mais receptivos a tudo: as crianças, por não terem preconceitos, são capazes de depositar toda a criatividade na leitura.

Uma criança que lê será livre para sempre

Ler ajuda-nos a pensar. Pensar liberta-nos. Assim, se o seu filho gosta de passar tempo a ler, é um ótimo sinal. Na verdade, essa será a forma mais eficaz que terá para explorar sozinho o desconhecido, opiniões e condutas que a vida oferece. Isto ajudará a formar a tolerância da criança, a empatia, o respeito e a solidariedade.

Muitas vezes os adultos surpreendem-se ou sentem-se incomodados quando se deparam com opiniões diferentes das suas. Estes “conflitos” advêm sobretudo, por acreditarem que somente as suas ideias são válidas. Felizmente, este tipo de pensamento deriva sobretudo da ignorância.

Ler é como viajar

Ler é como viajar, em todos os sentidos. Ajuda-nos a abrir a mente. Uma criança que lê descobrirá outras culturas, outros modos de vida, outros costumes e saberá que existem outras coisas além do que conhece no seu dia-a-dia. Ter esta consciência fará com que se torne num adulto que não fará juízos de valor gratuitos. Um adulto mais tolerante, compreensivo e bem resolvido.

O refúgio contra as misérias da vida

Por sorte ou azar, o mundo dá vida plena aos que acreditam ser loucos. Já dizia Dom Quixote: lia e lia até que encontrou a forma de viver baseado nas suas crenças e ilusões. Isto permitia-lhe ser feliz, enquanto que à sua volta continuava preso a uma realidade convencional que julgava a sua maneira de viver.

Os “loucos” que leem são capazes de encontrar refúgio das misérias da vida. Os restantes vivem-nas sem sequer terem consciência disso. É preciso deixar uma criança chorar e rir ao ler um livro. Permitir que se apaixone por uma história e apoiá-la se decidir “ir com tudo” no campo da imaginação que está ao seu alcance..

Unamuno empregou as palavras corretas ao pedir que as crianças cresçam a ler porque assim serão adultos menos vulneráveis, menos indefesos e mais humanos.

Leitura é a fábrica da imaginação

Existem diversas actividades que ajudam a desenvolver e melhorar a imaginação independentemente da idade que tenhamos. A leitura é uma fábrica inteira onde é forjada e recolhida toda criatividade dos seres humanos.

Uma criança que lê será uma criança que pensa, afirmou algum pensador genial, e não estava enganado. Ler é brincar, é entretenimento, é construir sonhos, é refletir, é um estado de ânimo, é isolamento e companhia, é prazer. Ler é brindar às lembranças do que já fizemos um dia e ao que ainda queremos fazer. Move as incertezas mais internas para depois nos aproximarmos delas.

Uma crianças que lê, é uma criança feliz.

“Ler é como pensar, como rezar, como conversar com um amigo, como apresentar ideias, como ouvir as ideias dos outros, como ouvir música, como contemplar uma paisagem, como dar um passeio no praia” -Roberto Bolaño

Publicado em La mente es maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

 

 

El impacto de leer 15 minutos al día en los niños

Março 21, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Photo by Josh Applegate on Unsplash

Texto do blog El Bosque de las Fantasías de 14 de novembro de 2018.

Publicado por Jesús Falcón

Un niño de preescolar que lee solo 15 minutos al día en casa o en el colegio, escucha nada más y nada menos que una cantidad de 2 millones de palabras por año. Eso quiere decir que habrán leído un total de 900 horas cuando lleguen a sexto curso y lo más probable es que sus notas sean mejores que las de otros alumnos que no lo hayan hecho.

Pero si esto no es suficiente para motivar a tu hijo hacia el camino de la lectura, te damos otras 5 razones para conseguirlo:

Ayuda al desarrollo del lenguaje

Leer a nuestros hijos desde el momento en que nacen en voz alta, puede influir de manera muy positiva en ellos. El cerebro podrá ir haciendo conexiones entre las palabras escritas y las palabras que escucha, ampliando así su vocabulario sin que el niño/a se dé cuenta. Además, mejorará enormemente su ortografía y su manera de expresarse.

Mejora el desarrollo del cerebro

Muchos profesores y profesionales de la educación están de acuerdo en que la gente que lee es más inteligente. Un estudio realizado por la Academia Americana de Pediatría, concluye que los niños que encuentran un hueco para dedicar a la lectura, activan la parte de su cerebro encargada de comprender y relacionar conceptos para almacenarlos posteriormente en la memoria.

Ayuda a comprender un mundo fuera del nuestro

Leer ayuda a comprender a grandes pensadores de la historia, mediante reflexiones o palabras que fueron inspiradas por experiencias personales. Esto hace que los niños puedan entender el mundo de una manera distinta, ampliando su realidad y abriendo su mente para reflexionar.

Estrecha los lazos familiares y la comunicación

Todos estamos de acuerdo en que leer estrecha los lazos familiares. Podemos empezar leyendo con ellos en su habitación o en el salón, eligiendo al principio libros que tengan muchas ilustraciones ya que de esa forma les costará menos. Poco a poco podremos ir eligiendo otros materiales con menos ilustración para fomentar la imaginación de los niños.

Muchas posibilidades para elegir

No hay excusa para no leer. Siempre es recomendable hacerlo mediante libros físicos, pero podemos optar por otras opciones que están muy de moda, como los libros digitales. Además, podemos encontrar geniales apps de cuentos aptos para niños en plataformas móviles de Android o IOS. Cualquier opción es buena para empezar a fomentar el hábito de la lectura en ellos.

 

 

 

O que leem (e como leem) os adolescentes?

Fevereiro 8, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Notícias Magazine de 6 de janeiro de 2019.

 

Os peixes nas redes – Miguel Esteves Cardoso

Janeiro 18, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Miguel Esteves Cardoso publicado no Público de 4 de janeiro de 2019.

O que não há nos livros é o eu. Não estou lá de maneira nenhuma. Só há outras pessoas. O mal das redes sociais é o eu-eu-eu e o meu-meu-meu e o vício de usar os likes como um espelho de tique-tiques.

Estou numa esplanada onde não há rede. Vejo um rapaz com onze ou doze anos de braço esticado a olhar para o telemóvel. Diz sempre “no service“. Faz isto durante uma hora inteira. Não fala com os pais. Não abre um livro. Não olha para a paisagem. Não brinca. Tem sempre a mesma expressão chateada e desiludida. Sente-se que não é a primeira vez que isto acontece.

Eu estou a ler no meu Kindle. Mas parece que estou na Internet. O rapaz deve pensar que eu consegui rede. Na volta, é por causa disso que o desgraçado não desiste.

Passa uma pessoa atrás de mim e percebe que estou a ler. Comentário dela: “Grande seca!” Não compreendi. Respondi: “Não! Estou a ler o…” mas já não deu para acabar. Há décadas que ninguém me pergunta o que estou a ler. Estou habituado.

Depois percebi. A grande maioria das pessoas já não associa a leitura ao prazer. Só pode ser isso. Lêem para estudar, para aprender, porque pensam que lhes faz bem ou dá jeito. Mas não lêem pelo prazer de ler, de ser transportado para outros mundos, onde não sabemos o que vai acontecer – ou sabemos mas gostamos de lá voltar, à procura duma coisa diferente em que não tenhamos reparado.

O que não há nos livros — e é por isso que é um tão grande alívio — é o eu. Não estou lá de maneira nenhuma. Só há outras pessoas. O mal das redes sociais é o eu-eu-eu e o meu-meu-meu e o vício de usar os likes como um espelho de tique-tiques.

O prazer de ler — ficar absorto, desaparecer, ficar pendurado — é uma solidão acompanhada, uma viagem sem fim e sem esforço.

 

 

Estudo demonstra que ter uma grande biblioteca em casa tem um efeito positivo na vida adulta

Dezembro 20, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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thumbs.web.sapo.io

Notícia do Life Style Sapo de 16 de novembro de 2018.

Quem gosta de ler, gosta de colecionar livros e por isso vai ficar contente por saber que ter uma grande biblioteca em casa poderá trazer benefícios às crianças na vida adulta.

A socióloga Joanna Sikora da Universidade Nacional da Austrália publicou recentemente o estudo “Scholarly culture: How books in adolescence enhance adult literacy, numeracy and technology skills in 31 societies” (Cultura Académica: como os livros na adolescência melhoram a literária, numeraria e capacidades tecnológicas na vida adulta em 31 sociedades).

Neste estudo a Dra. Joanna Sikora analisou as respostas de 160.000 adultos de 31 países diferentes, com idades entre os 25 e os 65 anos, a perguntas sobre a sua educação, especificamente sobre a quantidade de livros que tinham em sua casa aos 16 anos.

Supondo que um metro de estante tem capacidade para uns 40 livros, a resposta média foi de 115 livros. Com estes dados, a socióloga concluiu que os adolescentes com menos de 80 livros em casa tinham níveis de alfabetização e aritmética abaixo da média, na idade adulta.

Mais surpreendente ainda foi a conclusão de que adolescentes sem um título universitário mas com uma grande biblioteca em casa normalmente têm tanto conhecimento, capacidade matemática e aptidão tecnológica na idade adulta como aqueles que efetivamente concluíram o ensino universitário mas cresceram rodeados de poucos livros.

Sikora destaca assim a importância de ter materiais de leitura em casa e a influência que a exposição a esse ambiente pode ter nos primeiros anos de vida, orientando as crianças na direção do sucesso escolar, bem como da realização profissional e construção da carreira enquanto adultos.

Precisava de uma boa desculpa para comprar mais livros? Aqui a tem. E da próxima vez que ficar aborrecido pela trabalheira que dá limpar as estantes de livros lá de casa, lembre-se deste artigo.

 

 

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