Uma criança que lê será um adulto que pensa

Junho 30, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site Up to Kids

Uma criança que lê será um adulto que pensa, porque não há um domínio mais amplo de conhecimento do que aquele que os livros nos oferecem.

Uma criança que lê será um adulto que pensa

Fomentar a leitura em qualquer idade é sempre sinónimo de enriquecimento, mas incentivar este hábito entre os mais jovens da sociedade é uma garantia total de um futuro melhor. Uma criança que lê será um adulto com ideias próprias e mentalidade firme. Será capaz de questionar e de compreender mais facilmente o seu lugar no mundo.

Uma criança que lê será um adulto que pensa, porque não há um domínio mais amplo de conhecimento do que aquele que os livros nos oferecem. Quando lemos estimulamos o raciocínio e desenvolvemos a imaginação. Somos mais receptivos a tudo: as crianças, por não terem preconceitos, são capazes de depositar toda a criatividade na leitura.

Uma criança que lê será livre para sempre

Ler ajuda-nos a pensar. Pensar liberta-nos. Assim, se o seu filho gosta de passar tempo a ler, é um ótimo sinal. Na verdade, essa será a forma mais eficaz que terá para explorar sozinho o desconhecido, opiniões e condutas que a vida oferece. Isto ajudará a formar a tolerância da criança, a empatia, o respeito e a solidariedade.

Muitas vezes os adultos surpreendem-se ou sentem-se incomodados quando se deparam com opiniões diferentes das suas. Estes “conflitos” advêm sobretudo, por acreditarem que somente as suas ideias são válidas. Felizmente, este tipo de pensamento deriva sobretudo da ignorância.

Ler é como viajar

Ler é como viajar, em todos os sentidos. Ajuda-nos a abrir a mente. Uma criança que lê descobrirá outras culturas, outros modos de vida, outros costumes e saberá que existem outras coisas além do que conhece no seu dia-a-dia. Ter esta consciência fará com que se torne num adulto que não fará juízos de valor gratuitos. Um adulto mais tolerante, compreensivo e bem resolvido.

O refúgio contra as misérias da vida

Por sorte ou azar, o mundo dá vida plena aos que acreditam ser loucos. Já dizia Dom Quixote: lia e lia até que encontrou a forma de viver baseado nas suas crenças e ilusões. Isto permitia-lhe ser feliz, enquanto que à sua volta continuava preso a uma realidade convencional que julgava a sua maneira de viver.

Os “loucos” que leem são capazes de encontrar refúgio das misérias da vida. Os restantes vivem-nas sem sequer terem consciência disso. É preciso deixar uma criança chorar e rir ao ler um livro. Permitir que se apaixone por uma história e apoiá-la se decidir “ir com tudo” no campo da imaginação que está ao seu alcance..

Unamuno empregou as palavras corretas ao pedir que as crianças cresçam a ler porque assim serão adultos menos vulneráveis, menos indefesos e mais humanos.

Leitura é a fábrica da imaginação

Existem diversas actividades que ajudam a desenvolver e melhorar a imaginação independentemente da idade que tenhamos. A leitura é uma fábrica inteira onde é forjada e recolhida toda criatividade dos seres humanos.

Uma criança que lê será uma criança que pensa, afirmou algum pensador genial, e não estava enganado. Ler é brincar, é entretenimento, é construir sonhos, é refletir, é um estado de ânimo, é isolamento e companhia, é prazer. Ler é brindar às lembranças do que já fizemos um dia e ao que ainda queremos fazer. Move as incertezas mais internas para depois nos aproximarmos delas.

Uma crianças que lê, é uma criança feliz.

“Ler é como pensar, como rezar, como conversar com um amigo, como apresentar ideias, como ouvir as ideias dos outros, como ouvir música, como contemplar uma paisagem, como dar um passeio no praia” -Roberto Bolaño

Publicado em La mente es maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

 

 

El impacto de leer 15 minutos al día en los niños

Março 21, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Photo by Josh Applegate on Unsplash

Texto do blog El Bosque de las Fantasías de 14 de novembro de 2018.

Publicado por Jesús Falcón

Un niño de preescolar que lee solo 15 minutos al día en casa o en el colegio, escucha nada más y nada menos que una cantidad de 2 millones de palabras por año. Eso quiere decir que habrán leído un total de 900 horas cuando lleguen a sexto curso y lo más probable es que sus notas sean mejores que las de otros alumnos que no lo hayan hecho.

Pero si esto no es suficiente para motivar a tu hijo hacia el camino de la lectura, te damos otras 5 razones para conseguirlo:

Ayuda al desarrollo del lenguaje

Leer a nuestros hijos desde el momento en que nacen en voz alta, puede influir de manera muy positiva en ellos. El cerebro podrá ir haciendo conexiones entre las palabras escritas y las palabras que escucha, ampliando así su vocabulario sin que el niño/a se dé cuenta. Además, mejorará enormemente su ortografía y su manera de expresarse.

Mejora el desarrollo del cerebro

Muchos profesores y profesionales de la educación están de acuerdo en que la gente que lee es más inteligente. Un estudio realizado por la Academia Americana de Pediatría, concluye que los niños que encuentran un hueco para dedicar a la lectura, activan la parte de su cerebro encargada de comprender y relacionar conceptos para almacenarlos posteriormente en la memoria.

Ayuda a comprender un mundo fuera del nuestro

Leer ayuda a comprender a grandes pensadores de la historia, mediante reflexiones o palabras que fueron inspiradas por experiencias personales. Esto hace que los niños puedan entender el mundo de una manera distinta, ampliando su realidad y abriendo su mente para reflexionar.

Estrecha los lazos familiares y la comunicación

Todos estamos de acuerdo en que leer estrecha los lazos familiares. Podemos empezar leyendo con ellos en su habitación o en el salón, eligiendo al principio libros que tengan muchas ilustraciones ya que de esa forma les costará menos. Poco a poco podremos ir eligiendo otros materiales con menos ilustración para fomentar la imaginación de los niños.

Muchas posibilidades para elegir

No hay excusa para no leer. Siempre es recomendable hacerlo mediante libros físicos, pero podemos optar por otras opciones que están muy de moda, como los libros digitales. Además, podemos encontrar geniales apps de cuentos aptos para niños en plataformas móviles de Android o IOS. Cualquier opción es buena para empezar a fomentar el hábito de la lectura en ellos.

 

 

 

O que leem (e como leem) os adolescentes?

Fevereiro 8, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Notícias Magazine de 6 de janeiro de 2019.

 

Os peixes nas redes – Miguel Esteves Cardoso

Janeiro 18, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Miguel Esteves Cardoso publicado no Público de 4 de janeiro de 2019.

O que não há nos livros é o eu. Não estou lá de maneira nenhuma. Só há outras pessoas. O mal das redes sociais é o eu-eu-eu e o meu-meu-meu e o vício de usar os likes como um espelho de tique-tiques.

Estou numa esplanada onde não há rede. Vejo um rapaz com onze ou doze anos de braço esticado a olhar para o telemóvel. Diz sempre “no service“. Faz isto durante uma hora inteira. Não fala com os pais. Não abre um livro. Não olha para a paisagem. Não brinca. Tem sempre a mesma expressão chateada e desiludida. Sente-se que não é a primeira vez que isto acontece.

Eu estou a ler no meu Kindle. Mas parece que estou na Internet. O rapaz deve pensar que eu consegui rede. Na volta, é por causa disso que o desgraçado não desiste.

Passa uma pessoa atrás de mim e percebe que estou a ler. Comentário dela: “Grande seca!” Não compreendi. Respondi: “Não! Estou a ler o…” mas já não deu para acabar. Há décadas que ninguém me pergunta o que estou a ler. Estou habituado.

Depois percebi. A grande maioria das pessoas já não associa a leitura ao prazer. Só pode ser isso. Lêem para estudar, para aprender, porque pensam que lhes faz bem ou dá jeito. Mas não lêem pelo prazer de ler, de ser transportado para outros mundos, onde não sabemos o que vai acontecer – ou sabemos mas gostamos de lá voltar, à procura duma coisa diferente em que não tenhamos reparado.

O que não há nos livros — e é por isso que é um tão grande alívio — é o eu. Não estou lá de maneira nenhuma. Só há outras pessoas. O mal das redes sociais é o eu-eu-eu e o meu-meu-meu e o vício de usar os likes como um espelho de tique-tiques.

O prazer de ler — ficar absorto, desaparecer, ficar pendurado — é uma solidão acompanhada, uma viagem sem fim e sem esforço.

 

 

Estudo demonstra que ter uma grande biblioteca em casa tem um efeito positivo na vida adulta

Dezembro 20, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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thumbs.web.sapo.io

Notícia do Life Style Sapo de 16 de novembro de 2018.

Quem gosta de ler, gosta de colecionar livros e por isso vai ficar contente por saber que ter uma grande biblioteca em casa poderá trazer benefícios às crianças na vida adulta.

A socióloga Joanna Sikora da Universidade Nacional da Austrália publicou recentemente o estudo “Scholarly culture: How books in adolescence enhance adult literacy, numeracy and technology skills in 31 societies” (Cultura Académica: como os livros na adolescência melhoram a literária, numeraria e capacidades tecnológicas na vida adulta em 31 sociedades).

Neste estudo a Dra. Joanna Sikora analisou as respostas de 160.000 adultos de 31 países diferentes, com idades entre os 25 e os 65 anos, a perguntas sobre a sua educação, especificamente sobre a quantidade de livros que tinham em sua casa aos 16 anos.

Supondo que um metro de estante tem capacidade para uns 40 livros, a resposta média foi de 115 livros. Com estes dados, a socióloga concluiu que os adolescentes com menos de 80 livros em casa tinham níveis de alfabetização e aritmética abaixo da média, na idade adulta.

Mais surpreendente ainda foi a conclusão de que adolescentes sem um título universitário mas com uma grande biblioteca em casa normalmente têm tanto conhecimento, capacidade matemática e aptidão tecnológica na idade adulta como aqueles que efetivamente concluíram o ensino universitário mas cresceram rodeados de poucos livros.

Sikora destaca assim a importância de ter materiais de leitura em casa e a influência que a exposição a esse ambiente pode ter nos primeiros anos de vida, orientando as crianças na direção do sucesso escolar, bem como da realização profissional e construção da carreira enquanto adultos.

Precisava de uma boa desculpa para comprar mais livros? Aqui a tem. E da próxima vez que ficar aborrecido pela trabalheira que dá limpar as estantes de livros lá de casa, lembre-se deste artigo.

 

 

LER… Um verbo que devemos conjugar na prática – Eu leio, Tu lês… As crianças leem também!

Dezembro 17, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Imagem retirada daqui

Incentivar a leitura das crianças- como, porquê, para quê e quando?

Dezembro 11, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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AnnHe

Texto do site Uptokids

Hoje em dia há uma grande variedade na oferta de bens de consumo para as crianças, todos incluídos (embora às vezes até de forma errada) na categoria dos “brinquedos”. Entre jogos, bonecos, consolas, tablets e outros materiais aparentemente mais apelativos e que apresentam resultados mais imediatos, os livros foram perdendo o seu lugar de destaque entre o público infantil
e juvenil.

Daí a necessidade de voltar a aproximar crianças, jovens e famílias dos livros e das histórias e de criar nas crianças e jovens o hábito e o gosto pela leitura, ou o gosto e o hábito (nunca sei qual deve vir primeiro!) um dia de cada vez, todos os dias.

Como?

Proporcionar espaços e tempos propícios e prazerosos para a leitura;

Ter à disposição livros em quantidade e qualidade e adequados;

Conhecer o gosto da criança ou jovem e respeitá-lo sem nunca perder a perspectiva de que é o adulto que deve ter a última palavra na escolha;

Ler histórias com e para as crianças.

Porquê?

Porque estimular a leitura é importante desde cedo. Porque ao ler podemos viajar e conhecer o mundo sem sair do lugar. Porque é divertido.

Quando?

Desde cedo. Desde que a criança consiga manusear objectos na mão deve começar a contactar a ter contacto com os livros para que não sejam “objectos estranhos”. Antes da criança aprender a ler as palavras, ela vai aprender a ler imagens e o gosto pelos livros começa aí.

Para quê?

Para estimular a criatividade; desenvolver capacidades pessoais; promover o conhecimento e cultura geral; melhorar a expressão oral e preparar a escrita; influenciar estados de espírito; ajudar a lidar com emoções e sentimentos.

Os livros antigamente serviam exclusivamente para ensinar. Tinham como objetivo serem veículos de transmissão de informação, de morais e bons costumes. Hoje em dia já não é assim, o livro ganhou outro estatuto. Foi sofrendo transformações ao longo dos anos, dando-se cada vez mais importância ao carácter estético e lúdico. Encara-se o livro como um objeto com o qual se pode
estabelecer uma relação afetiva, com muito mais potencialidades do que apenas o ensino formal de conceitos, teorias e retificação de comportamentos.

Por todas estas razões e mais algumas que não me ocorrem neste momento, leiam… ontem, hoje e sempre!

image@AnnHe

 

 

Que livros para bebés dos 6 meses aos 2 anos?

Dezembro 8, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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DAT

Texto e imagem do site DAT de 15 de junho de 2018.

É frequente encontrar pais e professores a perguntar que livros são apropriados para o seu filho/aluno de determinada idade.

By João Manuel Ribeiro

Infelizmente não existe uma fórmula mágica, para esta pergunta. Quem nos dera! Damo-nos conta amiúde de que mesmo entre crianças da mesma idade há diferenças assinaláveis em termos de interesses, capacidades e experiências de leitura que se (co)relacionam com a personalidade, os gostos, o contexto (familiar e não só) e ainda com outros fatores. Se a isto juntarmos a constatação de que existem muitos e variados livros, resta-nos concluir que à resposta inicial só podemos responder, oferecendo considerações gerais e sugestões. São as crianças e os adultos que com eles privam quem melhor pode determinar as leituras adequadas para si.

O ideal seria ter, em termos de leitura, uma alimentação equilibrada e variada. Como uma dieta de leitura, com dois ingredientes que devem evitar-se: linguagem excessivamente difícil, narrativas excessivamente longas ou demasiado complexas.

Ler, folhear os livros que vamos oferecer/ler, saber se nos agradam a nós, pode ser a “receita” certa para nos ajudar na tarefa de escolher livros.

Assim, sem nos substituirmos aos leitores e acreditando no seu sentido crítico, deixamos algumas sugestões para bebés de 6 meses a 2 anos.

1 – Nesta fase da vida do bebé, é importante que o livro se faça presente como um objeto familiar, porque, para eles, os livros funcionam como uma presença física, um brinquedo para morder, apertar, chupar, mexer, passar as páginas. Juntamente com as rimas e as cantilenas, as histórias contadas no regaço, constituem o primeiro contacto afetivo e efetivo com a literatura.

  • Livros (não tóxicos) de cartão, plástico ou pano, de encadernação resistente e arredondado nas pontas.
  • Livros que o bebé possa levar à boca, manipular e/ou até usar no banho.

2 – Mais tarde virão os livros para reconhecer objetos familiares; quando o bebé identifica com o seu dedito o animal que está na ilustração do livro e o chama pelo nome, está a fazer a transição do físico ao mental. Nos livros mais complexos, os objetos familiares relacionam-se uns com os outros através das páginas.

  • Livros de imagens que retratem objetos e personagens próximas ao mundo do bebé, como os livros sobre brinquedos, alimentos ou animais.

3 – Depois da etapa de identificação podem introduzir-se os livros com alguma trama: o animal é agora o protagonista de uma história simples com princípio, meio e fim.

  • Livros ilustrados que incluam as primeiras histórias de forma ágil, muito breve e simples.
  • Rimas infantis e cantilenas breves, narrativas simples para ler ao colo ou no regaço

 

 

A criança para ler – Miguel Esteves Cardoso

Dezembro 5, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Miguel Esteves Cardoso publicado no Público de 22 de novembro de 2018.

A única maneira segura de pôr uma criança a ler para o resto da vida é ver os pais constantemente a ler. Não gostam de ser interrompidos porque gostam de ler.

A única maneira segura de pôr uma criança a ler para o resto da vida é ver os pais constantemente a ler. Não gostam de ser interrompidos porque gostam de ler.

Assim a criança vê os livros como um prazer adulto. Ler como andar e falar é uma coisa que consegue fazer quase tão bem como os mais velhos. E, tal como andar e falar, a criança depressa repara que está sempre a melhorar, para mais a um ritmo agradavelmente rápido.

A criança deve descobrir a leitura sem sermões sobre o lindo que é ler ou exortações agressivas a ler ou ficar burro toda a vida.

Aquilo que se descobre nos livros é uma maneira de fugir às ordens e desejos dos nossos pais. Os pais querem impingir-nos livros bons, artísticos e poéticos, cheios de lições de vida.

Lembro-me perfeitamente do prazer de descobrir os livros do William escritos por Richmal Crompton que se tornou a minha primeira escritora preferida. William era desobediente, mentiroso, ladrão, megalómano, vaidoso e azarado. Era o meu herói.

Quando Tom Sawyer e o Huckleberry Finn abriram a minha imaginação ao mundo eu recebi-os como extensões gloriosas do William. Se tivesse começado como os meus pais queriam teria lido devagar e sem urgência porque o texto era difícil de mais para a minha idade e para o meu apetecimento.

Ao fingirem que não gostavam das minhas leituras os meus pais souberam viciar-me nos livros. Era eu que os escolhia e era através deles que eu fugia para um mundo onde não havia regras e onde as famílias eram coisas chatas que nos atravancavam as vidas.

 

Como pôr os miúdos a ler

Julho 23, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Josh Applegate

Texto do MAGG de 12 de julho de 2018.

Ana Roque

Tornar um livro atrativo pode não ser tarefa fácil, sobretudo se estivermos a falar de crianças. Fomos pedir ajuda a quem sabe.

Um livro pode muito bem ser um amigo, e não só pela companhia que nos faz – também pede tempo e muita dedicação. Mas o YouTube é mais rápido, e as séries, assim como assim, também contam uma história. Pôr os miúdos a ler pode ser díficil, e até já foi mais fácil fazê-lo com os adultos. Para nos ajudar com esta tarefa, recrutámos uma mãe, uma psicóloga e uma professora de Português.

Sónia Morais Santos, autora do blog “Cocó na Fralda” e mãe de quatro filhos, acredita que “há livros que não podem passar ao lado de certas idades”, e que ninguém vai ler “Os Cinco” aos quarenta anos. Ao perceber que, para além de terem crescido num ambiente em que os livros não são (nem nunca foram) estranhos, os filhos não pegavam num livro por iniciativa própria, tomou uma atitude – há cerca de um ano e meio, criou um “clube de leitura” em casa.

Todos têm de ler um livro por mês (os pais também), e todos os meses há uma tertúlia em que cada um faz uma apresentação do livro que leu – e não, não pode ser um resumo encontrado no Google. Quanto aos livros, num mês escolhem os pais, noutro escolhem os filhos. Tudo para evitar “escolhas duvidosas”.

Quem não ler o livro do mês, fica sem acesso a tablets, computadores e telefones, no mês seguinte. A questão da obrigatoriedade da leitura não preocupa a blogger, que acredita que este tipo de leituras “pode começar como uma obrigação, mas acabar por derivar num prazer”. Deu, como exemplo, o filho mais velho, que já toma a iniciativa de procurar livros, e cada vez mais complexos.

Para Rita Castanheira Alves, a história não é bem assim. A psicóloga clínica infanto-juvenil e de aconselhamento parental disse à MAGG que “ler por obrigação pode resultar, mas só até uma certa idade”, e que os hábitos de leitura deverão ser incutidos de forma gradual, sem exigências nem imposições, uma vez que obrigar as crianças a ler pode impedir o desenvolvimento do gosto pela leitura.

“A leitura deve produzir prazer, e não stress. As respostas químicas cerebrais são diferentes para os dois casos. Se a leitura produzir prazer, há mais probabilidade de ser um escolha repetida pela criança, pela vida fora”

Mas há uma distinção a fazer: uma leitura que resulte, não de uma imposição, mas de uma negociação com os pais, pode derivar num gosto real pela leitura. É importante que ela esteja associada a memórias e momentos bons, e por isso mesmo, um castigo terá sempre menos sucesso, se o objetivo for o de fazer dela um hábito.

Os livros devem entrar na vida das crianças mesmo antes de elas saberem ler

A “Psicóloga dos Miúdos” sugere que se coloquem livros adequados a cada faixa etária (desde sempre) perto das crianças, começando com os indicados para os mais novos, com poucas palavras e muitas ilustrações – é importante que os livros não sejam um objeto estranho. Mais tarde, o momento da história para adormecer também é crucial, mas tem de haver um envolvimento da criança com a leitura – uma leitura interativa, em que se dá atenção não só ao que está escrito, mas também às imagens, e em que se fazem perguntas sobre a história.

Para os mais crescidos que não tenham adquirido hábitos de leitura, também há soluções: ler revistas, artigos de jornal, visitar bibliotecas e livrarias ou falar sobre livros.  Os pais têm um papel preponderante – podem ajudar na escolha dos livros, tentando sempre ir ao encontro dos interesses dos filhos, e dando-lhes a conhecer livros que eles próprios tenham gostado naquela idade.

Salomé Carvalho, professora de Português do primeiro ciclo do ensino básico (num colégio), disse à MAGG que, no que toca a incentivar as leituras, o professor da língua materna tem um papel determinante, mas “não há nenhuma fórmula. Era bom que houvesse”.

“As crianças leem pouquíssimo. Cabe aos professores e aos familiares facilitar o acesso à leitura, e incentivá-la.”

Antes de começar a ler um livro, será uma boa estratégia explorá-lo enquanto objeto. Tal como Rita Castanheira Alves, a professora acha importante que o livro não seja algo estranho. Por isso, deve perder-se tempo a explorar a capa, as ilustrações, o título e nome dos capítulos. Fazer de tudo para que haja interesse pelo livro, mesmo antes de se iniciar a leitura.

Depois, também a família pode ser um excelente facilitador de leitura. É boa ideia que haja leituras em conjunto, feitas em voz alta, e a terminarem precisamente naquele momento em que toda a gente quer saber o que vem a seguir. Tal como nas séries, é também isso que nos mantém presos: a curiosidade.

No que toca à escolha dos livros, Salomé Carvalho avançou que “quando queremos pôr alguém a ler, é importante escolher o livro certo. Se estivermos a falar de crianças, devemos ter sempre em mente que elas continuam a ser crianças, e a adorar clichês.

 

 

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