Grupo de refugiados menores ruma a Lisboa à procura de um futuro

Julho 9, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da Euronews de 7 de julho de 2020.

De  Nara Madeira  & Apostolos Staikos

Um grupo de refugiados menores, não acompanhados, partiu de Atenas rumo à capital portuguesa, Lisboa. Um momento importante, de expectativa e esperança. Os sorrisos, descrevia um dos correspondentes da euronews na capital grega, estavam escondidos pelas máscaras de proteção contra o novo coronavírus.

O Ministro de Migração e Asilo da Grécia que se deslocou ao local com a embaixadora de Portugal em Atenas, Helena Paiva, colocava o ponto final no futuro e agradecia o apoio vindo de Portugal:

“Vinte e cinco crianças estão a começar uma nova vida e espero que seja uma vida melhor. Os portugueses decidiram receber 500 menores não acompanhados o que é, para nós, uma demonstração de forte apoio à Grécia”, frisou Giorgos Koumoutsakos.

O correspondente da euronews, Apostolos Staikos, explicava que “há cerca de 5000 menores não acompanhados na Grécia. Mas, até agora, poucos chegaram aos portões” do aeroporto de Atenas “e partiram para uma nova vida. As autoridades gregas estão a pedir aos Estados-membros da UE que mostrem mais do que palavras de apreço, pede, que acolham algumas dessas crianças”.

Enquanto alguns desses menores se despedem da Grécia outros tentam construir as suas vidas em Atenas. Haroun, do Afeganistão, mora num apartamento com outros três jovens. Tem 17 anos adora boxe, vai à escola e já aprendeu grego. Pretende ficar no país alguns anos mas as suas ambições são maiores:

“Quero ser político e um dia voltar ao Afeganistão. Precisamos reconstruir a nossa pátria. A guerra tem de parar, precisamos de paz e mais empregos. Quero que o meu país se torne normal, como todos os outros países”, desabafa.

Uma organização não-governamental, a Metadrasi, implementou um programa de casas semi-autónoma para menores dos 16 aos 18 anos, Haroun vive numa delas. Uma assistente social visita-os duas vezes por semana. O objetivo é torná-los mais responsáveis e ajudá-los a encontrar soluções, a serem criativos. Haroun e um dos seus colegas de casa estão a transformar velhos discos em obras de arte mas os desafios são gigantescos para a maioria dos menores não acompanhados.

Lora Pappa, fundador da Metadrasi explica que há “muitas crianças desacompanhadas. A maioria delas vive em condições miseráveis, em lugares perigosos das ilhas, algumas estão ao relento, outras em centros de detenção. Não há infraestruturas suficientes para as albergar. E 40% dessas crianças têm o direito de se reunir com um parente num país da União Europeia mas existe demasiada burocracia, os procedimentos têm de ser acelerados”, conclui.

“É muito pior do que eu pensava. Há menores desacompanhados e à mercê de todo o tipo de violência. Temos de tirá-los de lá imediatamente”

Março 18, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 9 de março de 2020.

Crise dos refugiados e migrantes: organização humanitária Mission Lifeline quer fretar um avião para levar crianças e mulheres da Grécia diretamente para Berlim. Em causa está o impasse em que milhares de pessoas refugiadas e migrantes se encontram depois de a Turquia ter aberto as suas fronteiras e a Grécia estar a lidar com o caso como uma “invasão”, termo usado pelo próprio Governo de Atenas. Por sua vez, a União Europeia responde assim: “Espero que cheguemos a um acordo para que os migrantes asilados na Turquia não acreditem que a fronteira com a UE está aberta e que não tentem transpô-la exercendo uma pressão maciça” .

“Estamos à espera da autorização do governo alemão mas queremos liderar um esforço mais rápido, menos burocrático, que possa realmente ter impacto real nas vidas das mulheres e crianças em Lesbos que mais precisam de ajuda”, diz ao Expresso Alex Steier, diretor da Mission Lifeline, uma organização não-governamental alemã que está a tentar, em parceria com a congénere austríaca, fretar um avião para trazer as pessoas mais vulneráveis de Lesbos diretamente para a Alemanha.

Uma equipa de investigação constituída por vários voluntários da Mission Lifeline esteve em Lesbos (Grécia) na sexta-feira e o líder dessa equipa no local, David Pichler, considera que as vias para salvar estas pessoas são, neste momento, insuficientes: “É muito pior do que eu pensava. Há menores desacompanhados, muitos à mercê de todo o tipo de violência. Temos de trazer as pessoas imediatamente, não podemos esperar pela UE porque vai demorar demasiado tempo”, diz ao Expresso, por telefone, o coordenador da Mission Lifeline na Áustria. A conversa decorreu enquanto embarcava de volta da Grécia para o seu país.

A Mission Lifeline está em contacto com organizações locais que estão neste momento a organizar uma lista com os nomes de pessoas particularmente vulneráveis – crianças, jovens e mulheres na sua maioria -, lista que depois será entregue ao Ministério do Interior. “Enviámos uma equipa que nos disse que não há nada a fazer além de tentar evacuar Lesbos aos poucos. Com essa informação pedimos então a lista das pessoas que devem ser resgatadas com urgência, enquanto ao mesmo tempo tentamos reunir os 50 mil euros de que precisamos para mandar um voo com 20 médicos e psicólogos para trazer as pessoas”, explica Alex Steier.

O problema é garantir a autorização das autoridades. “Não, não é fácil, claro, mas acreditamos no poder na sociedade civil e estamos a fazer o trabalho de entender as cidades que estão dispostas a receber pessoas. Se houver várias localidades a aceitar isto, os governos não podem dizer que não. O mesmo se pode passar em outros países europeus.” Esta pode ser uma visão demasiado otimista se confrontada com as palavras do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, que ainda esta segunda-feira voltou a tentar contrariar a ideia transmitida pela Turquia de que as fronteiras da Europa estão abertas para receber refugiados: “Espero que cheguemos a um acordo para que os migrantes asilados na Turquia não acreditem que a fronteira com a UE está aberta e que não tentem transpô-la exercendo uma pressão maciça”, declarou o Alto Representante da UE para a Política Externa, durante uma conferência de imprensa em Bruxelas.

David Pichler contrapõe. “Há mais de mil crianças em Lesbos sem local onde dormir, dormem à beira do rio, debaixo de árvores, isto não é apenas por causa da violência a que estão sujeitas estas crianças, é também para tentar ajudar aqueles que, mesmo que não tenham sofrido violência física, vivem completamente desprotegidos, sem casas de banho, sem roupa, sem aquecimento. É uma vergonha a Europa deixar-se ficar, eu senti-me envergonhado a caminhar por lá.”

A Mission Lifeline está em contacto com o governo alemão e quer redistribuir as pessoas ou por zonas que se mostrem disponíveis previamente para as receber ou através do chamado método de Königstein, que desde 1949 serve para distribuir refugiados segundo o qual as províncias com melhores indicadores económicos e mais recolha de impostos recebem proporcionalmente mais gente do que outras zonas mais pobres. Do lado de Berlin parecem ter já luz verde. O presidente da Câmara, Michael Müller, quer ajudar: “A situação humanitária nas ilhas gregas do mar Egeu e na fronteira externa da União Europeia são intoleráveis numa UE guiada pelo respeito aos Direitos Humanos. Independentemente de considerações políticas, é hora de agir. Pelo menos crianças e outros jovens refugiados desacompanhados têm de ser salvos desta situação difícil”, disse ao jornal “Berlin Spectator”. Mas o parlamento alemão pode impedir esta iniciativa. Na quarta-feira, uma moção dos Verdes alemães sobre a aceitação de 5.000 refugiados das ilhas gregas foi rejeitada pelo Bundestag de Berlim. Os grandes partidos da coligação no governo, os sociais-democratas (SPD) e os da União Democrata-Cristã (CDU), votaram contra.

Alex Steier quer principalmente que quem manda sinta a pressão. “Será muito difícil à Alemanha não permitir a evacuação porque estamos a falar de legitimidade do Estado. Este tipo de luta é do conhecimento coletivo, por exemplo, entre alemães de leste que também saíram das suas terras por um vida melhor, dentro do seu próprio país.” Como exemplo, Steier fala de um resgate de 20 pessoas que o navio da Mission Lifeline fez em agosto do ano passado, no Mediterrâneo Central, e explica que só em setembro é que as conseguiu levar de Itália para a Alemanha. “Sem a pressão da sociedade, essas pessoas tinham entrado num sistema de requisição de asilo muito mais lento e é essa pressão que estamos a tentar fazer. A situação é tão tenebrosa lá que vai ser muito difícil ao Estado explicar porque é que não ajuda quando há cidades dispostas a receber as pessoas.”

“Conto só uma história pequena para terminar: há tanto plástico no rio que os miúdos, que brincam entre o lixo em Lesbos, chamam-lhe ‘o rio que não se mexe’”, completa David Pichler.

Grécia recusa cuidados de saúde a crianças refugiadas doentes em Lesbos

Janeiro 23, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 23 de janeiro de 2020.

Por Cátia Carmo*

Médicos Sem Fronteiras apelam o Governo do país para que as crianças sejam transferidas com urgência para a Grécia continental e para outros Estados-membros da União Europeia.

A Médicos Sem Fronteiras (MSF) emitiu, esta quinta-feira, um comunicado a denunciar que o Governo grego está a recusar cuidados de saúde a pelo menos 140 crianças refugiadas gravemente doentes em Moria, o maior campo de refugiados da Europa, na ilha de Lesbos. A organização internacional apela a que o Executivo grego transfira todas as crianças doentes para o continente grego ou para outros Estados-membros da União Europeia onde possam receber cuidados médicos.

“Vemos muitas crianças que sofrem de doenças como diabetes, asma e doenças cardíacas que são forçadas a viver em tendas, em condições anti-higiénicas, sem acesso aos cuidados médicos especializados e medicação de que precisam”, explicou Hilde Vochten, médico coordenador da MSF na Grécia.

Já no verão do último ano, o Governo grego revogou o acesso aos cuidados de saúde às pessoas sem documentos e requerentes de asilo que chegaram à Grécia, deixando mais de 55 mil pessoas sem assistência médica.

“A MSF está em negociações com as autoridades gregas com o objetivo de transferir as crianças para o continente, para receberem cuidados médicos urgentes. Apesar de algumas crianças já terem sido rastreadas, ainda nenhuma foi transferida”, afirmou o mesmo representante da Médicos Sem Fronteiras na Grécia.

Há centenas de crianças com doenças complexas e crónicas – problemas cardíacos, epilepsia e diabetes, por exemplo – que exigem tratamentos especializados que nem a organização não-governamental nem o hospital público local conseguem fazer, por falta de equipamentos.

“A minha filha Zahra tem autismo e vivemos num pequeno espaço quase sem eletricidade. Muitas vezes, a meio da noite, ela tem convulsões e não está lá ninguém para nos ajudar. Só quero estar num espaço onde a minha filha possa brincar com outras crianças e ser tratada por um bom médico”, acrescentou Shamseyeh, oriunda do Afeganistão e atualmente a viver no campo de refugiados de Moria.

*com Cristina Lai Men

Mais informações no comunicado dos Médecins Sans Frontières:

Greece denies healthcare to seriously ill refugee children on Lesbos

“Ouvi crianças com sete e oito anos a dizer que queriam morrer. Nunca pensei que algum dia fosse ouvir tal coisa”

Dezembro 23, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 18 de dezembro de 2019.

No campo de Moria, na ilha de Lesbos, na Grécia, a urgência da saúde mental está a começar a fazer-se notar. Uma pequena reportagem da BBC mostra o trabalho de uma psicóloga italiana dos Médicos Sem Fronteiras e os casos desesperados que ela ouve mas não pode resolver. As condições de vida naquele que é o maior campo de refugiados da Europa pioram todos os dias. Começou o inverno e com ele o frio, a chuva, e milhares de novos habitantes que fizeram a viagem antes que o tempo se torne mesmo, mesmo inclemente

A BBC gravou um vídeo na ilha de Lesbos, na Grécia, onde uma psicóloga se torna protagonista – pelas piores razões. É Angela Modarelli, dos Médicos Sem Fronteiras, que conta para as câmaras o que as crianças que ali vivem lhe contam nas consultas, e é quase impossível imaginarmos tal sofrimento nas nossas crianças, nos filhos dos nossos amigos, nos nossos sobrinhos, nos miúdos que vemos a sair dos portões das nossas escolas.

Moria é o maior campo de refugiados na Europa, ocupam-no principalmente sírios. Foi construído em 2015 e tem capacidade para pouco mais de 2000 pessoas, mas neste momento tem perto de 18 mil. Os últimos três meses foram particularmente difíceis no campo porque o fluxo de migrantes voltou a crescer imenso – as pessoas querem chegar antes que se abata sobre o Mediterrâneo o inverno a sério.

A especialista em problemas psicológicos infanto-juvenis não tem equipa suficiente para a ajudar, tem voluntários e professores que acabam por também contribuir, nomeadamente através de atividades artísticas, para retirar estas crianças, nem que seja por alguns momentos, do mundo onde vivem. Mas alguns caem por entre os buracos largos desta rede de magra ajuda. “Cheguei aqui e comecei a ouvir crianças com sete e oito anos a dizer que queriam morrer. Não pensei que fosse algum dia fosse ouvir tal coisa”, diz na reportagem.

As imagens mostram várias crianças a caminhar pelo campo enlameado, com alguma comida em sacos, sandálias em vez de botas quentes. Vêem-se mulheres com os filhos ao colo e também elas estão praticamente descalças. A certo ponto, os Médicos Sem Fronteiras são chamados à Clínica Pediátrica e Modarelli conta à BBC que o caso mais sério, naquele dia, era o de um adolescente que tinha “começado a magoar-se a si próprio” e que “diz que lhe apetece repetir esse ato porque o faz sentir-se melhor”.

As regras vão apertar para os requerentes de asilo na Grécia. O Governo da Nova Democracia, o partido grego de centro-direita que venceu as eleições este ano, quer deslocar as pessoas dos campos para alojamento temporário em hotéis na parte continental da Grécia e esse processo já está em curso. Até que isso aconteça, e dependendo se mais tarde estas crianças conseguem ter acesso a cuidados de saúde mental ou não, muitos vão continuar a nutrir os seus dramas internos sem ninguém que os ajude a resolvê-los. “As crianças em idade pré-escolar batem com a cabeça na parede consecutivamente ou então arrancam os cabelos, os que têm entre 12 e 17 anos fazem mal a eles mesmos, automutilam-se, e começam a falar do seu desejo de morrer”.

O caminho, explica a psicóloga, é duro mas é o único possível: “Enquanto elas aqui estão tentamos reconstruir as suas memórias de estabilidade e segurança, tentamos fortalecer a parte da sua personalidade que ainda está lá, que ainda subsiste”.

mais informações na notícia da Human Rights Watch:

Greece: Unaccompanied Children at Risk

Número de crianças sozinhas em condições degradantes está a aumentar

Dezembro 22, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo24 de 18 de dezembro de 2019.

Centenas de crianças refugiadas vivem desacompanhadas na ilha grega de Lesbos, onde estão expostas a condições de vida desumanas e degradantes e o número está a aumentar, alertou hoje a organização humanitária Human Rights Watch.

As crianças, incapazes de garantir um lugar nos sobrelotados centros de acolhimento de refugiados da Grécia, enfrentam condições insalubres e inseguras, dormindo muitas vezes ao relento, refere a organização em comunicado hoje divulgado.

“Centenas de crianças são deixadas por sua própria conta em Lesbos, dormindo em colchões e caixas de papelão, expostas ao mau tempo que se vai sentido cada vez mais”, explica a responsável da Human Rights Watch na Grécia, Eva Cossé, na informação hoje divulgada.

“As autoridades gregas têm de garantir urgentemente que estas crianças recebem segurança e cuidados”, sublinhou.

Numa visita a Lesbos, entre 15 e 23 de outubro, a Human Rights Watch entrevistou 22 crianças desacompanhadas que moram no campo de acolhimento mais ocupado da ilha, o centro de Moria, onde, em outubro, viviam quase 14 mil pessoas.

Nesse campo, crianças com apenas 14 anos descreveram ter pouco ou nenhum acesso a cuidados, proteção ou serviços especializados.

Devido à sobrelotação das secções do campo de Moria reservadas às crianças desacompanhadas, a maioria dos menores entrevistados admitiu que estava a viver nas áreas gerais do campo, misturados com a população em geral, ou num local adjacente conhecido como “Olive Grove”, uma encosta rochosa da ilha onde as pessoas montam as suas próprias tendas para se abrigarem, mas não têm qualquer apoio.

“Tudo é perigoso aqui: o frio, o lugar onde eu durmo, as lutas. Não me sinto seguro”, disse Rachid R., um menino afegão desacompanhado, de 14 anos, que chegou a Moria no final de agosto.

“Somos cerca de 50 a dormir na grande tenda. Cheira muito mal, há ratos, e, às vezes, as pessoas morrem dentro da tenda”, descreveu.

A maioria das crianças entrevistadas relatou ter problemas psicológicos, incluindo ansiedade, depressão, dores de cabeça e insónia.

Já em setembro, a organização Médicos Sem Fronteiras tinha alertado para um aumento “alarmante” do número de crianças refugiadas em Lesbos que se tentavam suicidar ou que se mutilavam.

A organização médica pediu na altura à Grécia para retirar “com urgência” as pessoas mais vulneráveis dos campos sobrelotados e encaminhá-las para o continente ou para outros Estados-membros da União Europeia.

Quando a Human Rights Watch visitou Moria, em outubro, estavam registadas no campo 1.061 crianças desacompanhadas, das quais 587 residiam numa grande tenda (Rubb Hall) projetada para acomodar temporariamente os recém-chegados até passarem pelo processo de identificação.

No início de novembro, o número de crianças na Rubb Hall tinha aumentado para 600 e dezenas de outras viviam em campo aberto, sem abrigo e a dormir no chão ou partilhavam as tendas de adultos que desconheciam.

A situação nas ilhas gregas tornou-se mais aguda devido a um aumento das chegadas de refugiados a partir de julho.

No final de novembro, os registos apontavam a existência de 1.746 crianças desacompanhadas alojadas nos centros de acolhimento das ilhas de Lesbos, Samos, Chios, Kos e Leros.

As autoridades gregas anunciaram, no mês passado, quererem realojar 20.000 refugiados no continente até ao início de 2020, transformando os centros de identificação atualmente existentes nas ilhas em centros de detenção.

O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, anunciou um plano para proteger crianças desacompanhadas, chamado “No Child Alone”, e o Governo enviou uma carta a todos os outros Estados da União Europeia a pedir para partilharem responsabilidades, recebendo voluntariamente 2.500 crianças desacompanhadas.

Até novembro, apenas um país respondeu ao apelo, segundo avançou a Grécia na comissão de Liberdades Civis do Parlamento Europeu.

mais informações na notícia da Human Rights Watch:

Greece: Unaccompanied Children at Risk

Cerca de 2.500 migrantes menores na Grécia em situação “perigosa”

Julho 24, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias de 12 de julho de 2018.

Cerca de 2.500 migrantes menores não acompanhados na Grécia, que representam dois terços do total deste grupo e registados, não possuem uma estrutura de alojamento e estão em situação “perigosa”, alertou esta quinta-feira a organização não-governamental (ONG) Metadrasi.

“De acordo com os dados do Centro de solidariedade social [Ekka] , 3.670 menores não acompanhados encontram-se atualmente no país e apenas 1.135 garantem alojamento em casas ou em famílias, com os restantes confrontados com uma situação perigosa”, indicou Evdokia Gryllaki, responsável na Metadrasi pela gestão de menores não acompanhados.

A maioria dos menores não protegidos são paquistaneses, 38,4% do total, que “não possuem o perfil habitual do refugiado que tenha a possibilidade de beneficiar de proteção, como é por exemplo o caso dos sírios”, lamentou esta responsável durante uma conferência de imprensa em Atenas sobre esta situação.

Evdokia Gryllaki sublinhou ainda que “12% dos menores sem proteção são SDF [sem domicílio fixo] , e que apenas 66% são escolarizados”.

“O atual desafio consiste em encontrar soluções para a sua integração, sobretudo através da sua escolarização, porque a maioria [55,5%] está indicada para permanecer no país” por não estarem incluídos nas categorias de relocalização ou reagrupamento familiar, revelou.

No total, e de acordo com a Ekka, existem na Grécia 28 estruturas de alojamento de menores não acompanhados, com uma capacidade de 1.115 lugares.

A Metadrasi, vocacionada para a defesa dos migrantes e refugiados, em particular dos menores são acompanhados, forneceu apoio desde 2015 — o ano mais intenso da recente crise migratória — a 4.133 menores, incluindo 3.633 rapazes, na maioria afegãos, sírios e paquistaneses.

LUSA

 

Famílias gregas abrem portas a menores refugiados

Novembro 10, 2017 às 9:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Os processos para reunir os menores refugiados e os familiares que se encontram a viver na Europa pode demorar vários meses. Durante este período, as famílias de acolhimento fazem a diferença.

Efi e Mike têm quatro filhos, mas ao longo dos últimos dois meses é como se tivessem seis. O casal abriu, temporariamente, as portas a duas crianças sírias ao abrigo do programa Ação para a Migração e Desenvolvimento, a cargo da ONG grega Metadrasi e financiado pelo Alto comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

A família fala de uma experiência indescritível.

“O amor que recebemos destas crianças faz esquecer qualquer dificuldade. Elas apreciam e agradecem o que lhe damos. Por exemplo, são capazes de nos agradecer 25 vezes o facto de lhe termos oferecido uma simples refeição” refere Efi Michou, da família de acolhimento.

Neste momento, 10 famílias de Atenas e Salónica acolhem 13 refugiados menores. Todas as semanas, estas famílias recebem a visita de assistentes sociais. Vasia Patsi destaca as vantagens da iniciativa. “Esta ação destina-se a famílias que queiram acolher refugiados menores que viajam sozinhos. Ficam com eles até que o processo para reunir as famílias das crianças que vivem na Europa fique completo. Desta forma, não só protegemos os menores de traficantes como proporcionamos um ambiente familiar enquanto esperam” afirma.

Um processo que pode demorar vários meses. Desde fevereiro de 2016, o programa permitiu acolher 37 crianças.

 

Euronews em 30/10/2017

 

Do campo de refugiados para a sala de aulas – reportagem do Euronews

Julho 11, 2017 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do http://pt.euronews.com/ de 27 de junho de 2017.

Segundo a UNICEF, há cerca de 20 mil crianças refugiadas na Grécia. Algumas vivem com as famílias nas cidades, outras em centros de acolhimento.
Perto de 2500 destas iniciaram um percurso escolar. Os alunos vêm de 32 campos de refugiados e foram integrados em 93 escolas da Grécia continental, graças a um projeto apoiado pelo gabinete de Ajuda Humanitária da União Europeia e implementado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Estima-se que a iniciativa abranja perto de 80% das crianças que se encontram nos centros de acolhimento na parte continental do país. Mas tendo em conta a mobilidade desta população, é difícil avançar com números precisos e identificar atempadamente alguns casos problemáticos.

Alguns dos professores salientam que muitas destas crianças nunca foram à escola nos seus próprios países, não tendo adquirido conhecimentos básicos, nem normas de conduta social. A diretora da escola primária de Avlona, Efi Kremou, aponta que os alunos refugiados enfrentam os mesmos obstáculos que outros alunos estrangeiros que chegam à Grécia.

Depois das férias de verão, o Ministério da Educação grego pretende disseminar as aulas conjuntas com estudantes gregos e alunos refugiados.

 

“Preciso de sair deste inferno”, dizem crianças refugiadas detidas na Grécia

Setembro 11, 2016 às 5:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 9 de setembro de 2016.

descarregar o relatório citado na notícia no link:

Click to access greece0916_web.pdf

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Maria João Guimarães

Relatório da Human RIghts Watch alerta para os problemas da detenção de menores não-acompanhados. “Sinto-me como se tivesse assassinado alguém”, lamenta um adolescente.

Fugindo de bombas, ataques diários ou perseguições, atravessando país após país sem saber falar a língua em nenhum lado, longe da família que pode estar para trás ou ter morrido na viagem perigosa, muitos menores acabam por chegar finalmente à Europa e… ser presos. Não durante uma noite mas, muitas vezes, por mais de um mês, diz a Human Rights Watch.

Muitos não percebem por que estão ali, em celas sem colchões, com ratos ou pulgas, sem comida suficiente ou, pior, com celas em que estão também adultos. “Sinto-me como se tivesse assassinado alguém”, disse Mukhtar G., um adolescente de 17 anos detido num centro na Grécia, citado pela organização de defesa dos direitos humanos no seu relatório Porque não me deixam sair daqui?: crianças não acompanhadas detidas na Grécia, apresentado esta sexta-feira.

A Human Rights Watch detalha as condições das crianças na Grécia, um dos principais pontos de chegada de refugiados que atravessam o Mar Egeu vindos da Turquia em viagens perigosas às mãos de traficantes, pouco depois de a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) ter alertado para o grande aumento de crianças refugiadas em todo o mundo: há quase 50 milhões de crianças deslocadas, das quais mais de metade, 28 milhões, foram levadas a sair por causa de conflitos.

Entre 2005 e 2015, o número de crianças refugiadas a cargo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) passou de quatro milhões para mais de oito milhões, um aumento para o qual contribuíram sobretudo os últimos cinco anos, diz a Unicef no seu relatório Desenraizadas: A crescente crise de crianças refugiadas e migrantes. Quase metade, 45%, da população de crianças refugiadas vem de apenas dois países: Afeganistão e Síria.

Nos últimos dois anos, o ponto de entrada na Europa de muitas destas crianças foi a Grécia. O país, que enfrentou em 2015 uma chegada de refugiados sem precedentes que se juntou à já difícil crise económica, não tem centros suficientes para acolher estes menores que estão sozinhos. Assim, acaba por os deter.

Enquanto a medida é apresentada como servindo o próprio interesse das crianças e menores e sendo curta e muito ocasional, a autora do relatório da HRW, Rebecca Riddell, sublinha que o tempo médio de detenção são 40 dias e que estar fechado numa cela apinhada e suja é a última coisa de que um menor em fuga da guerra necessita.

Sobretudo, porque não faz ideia do que lhe está a acontecer. Alguns dos menores que foram entrevistados pela HRW já tinham sido presos noutros locais ao longo da viagem, mas para muitos a chegada à Europa marca a primeira detenção.

E em nenhum caso ouvido pela organização houve possibilidade de falar com a polícia através de um intérprete. Com sorte, algum dos menores falava um pouco de inglês e algum polícia também, mas é raro acontecer, e mesmo isso não permite uma comunicação livre de mal entendidos, nota Ridell ao PÚBLICO, por telefone. “A falta de informação é muito perturbadora para as crianças”, diz. “Elas não percebem aspectos básicos da sua detenção: porque estão presas, para onde vão ser levadas, quando poderão esperar sair.” Muitas vezes estão detidas junto com adultos. “Não me consigo sentir seguro, porque outras pessoas estão a drogar-se”, contou Nawaz, 17 anos. “Há lutas, e nessas alturas não consigo dormir.”

“Juro por Deus, durmo ao lado de ratos”, contou um rapaz argelino de 15 anos. “Sinto-me sozinho aqui, longe da minha família, dos meus amigos… Preciso de sair deste inferno”, disse um afegão de 16 anos.

“Já não conto os dias”, desabafou um curdo de 16 anos que fugiu de uma área controlada por radicais islâmicos e foi levado de um centro de detenção da guarda costeira para um da polícia. Outro problema é que a muitos menores são retirados os telefones, a sua ligação à família que está noutro país. O isolamento aumenta. “A minha família nem sabia onde eu estava”, disse outro entrevistado.

Os próprios polícias não gostam desta situação. “Além de polícias somos pais”, disse um responsável policial em Igoumenitsa, Sul da Grécia. “Claro que concordamos que não devíamos ser nós a lidar com as crianças, mas para já é a melhor opção”, defendeu.

A HRW discorda e embora reconheça esforços das autoridades gregas, Rebecca Riddell sublinha que “a detenção não justificada de crianças é um problema crónico na Grécia – mesmo tendo em conta a escala das novas chegadas e a falta de acção da União Europeia que dificultou muito o problema, ele já existia”. Por isso, “apesar destes desafios e das dificuldades, a Grécia tem obrigação de cuidar destes menores”, defende.

Só nos primeiros sete meses de 2016, o país registou mais de 3300 crianças não acompanhadas, e nos primeiros seis deteve 161, nota a HRW.

No quadro global, as crianças representam cerca de metade do contingente global de refugiados, apesar de constituírem apenas um terço da população mundial, nota a Unicef. “O mundo ouve histórias de crianças refugiadas, uma de cada vez, e o mundo consegue dar apoio a essa criança, mas quando falamos de milhões isso causa um horror incrível e acentua a necessidade em lidar com este crescente problema”, afirmou a autora do relatório da agência para a infância da ONU, Emily Garin.

As crianças enfrentam perigos especiais. Em 2014 e 2015 a Europol alertava para o desaparecimento de dez mil crianças não acompanhadas na Europa, provavelmente às mãos de redes de exploração sexual ou de trabalho forçado.

Na Alemanha, a Associação Federal para Menores Refugiados Não-Acompanhados estima que tenham desaparecido entre 15 a 25% dos entre 35 mil e 40 mil menores sozinhos que chegaram ao país em 2015. No país, o caso de um menor desaparecido causou comoção: Mohammed, um menino bósnio de quatro anos, que estava com a família num centro de registo de Berlim, foi levado por um estranho que acabaria por matá-lo. O caso só terminou um mês depois com a prisão e confissão do homicida, condenado a prisão perpétua.

mais notícias sobre o assunto da Human Rights Watch nos links:

https://www.hrw.org/the-day-in-human-rights/2016/09/09

https://www.hrw.org/news/2016/09/08/greece-migrant-children-held-deplorable-conditions

As crianças de Idomeni

Abril 19, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Público de 6 de abril de 2016.

MARKO DJURICA

MARKO DJURICA

O campo de Idomeni, na fronteira entre a Grécia e a Macedónia, era um pequeno local de passagem para cerca de 500 pessoas antes de a Macedónia ter fechado as portas, no início de Março. Transformou-se rapidamente numa pequena cidade com mais de 11.000 habitantes com tendas enterradas em lama e expostas à chuva, ao vento e ao frio. De acordo com os Médicos Sem Fronteiras (MSF), 40% desta população são crianças. Algumas nasceram já no campo, em condições desumanas. “Há muitos bebés no campo e estão especialmente vulneráveis a infecções respiratórias”, afirmou no início de Março o coordenador dos MSF em Idomeni, Christian Reynders. “À noite, as pessoas acendem fogueiras para se aquecerem. Queimam tudo, madeira, sacos de plástico, roupas velhas. O fumo é tóxico e receamos que as infecções respiratórias possam causas problemas graves no sistema respiratório destas crianças”, acrescentou. “Idomeni não foi planeado para ser um campo com todas as condições”, disse um porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Babar Baloch, ao Financial Times. No Twitter, Baloch descreveu o campo de Idomeni como “uma demonstração da miséria humana”.

Ainda assim, para muitas crianças, Idomeni é a agora a sua casa e ali também se brinca. Muitas organizações não governamentais direccionam as suas actividades para os mais novos. A situação degrada-se a cada dia, numa altura em que  as operações de deportação de migrantes e requerentes de asilo da Grécia para a Turquia parecem não impedir a chegada de mais refugiados à Grécia. Sarala, 20 anos, está em Idomeni com a filha, que tinha 15 dias de vida quando fugiram de Idlib, na Síria. À Reuters, Sarala contou que o seu objectivo é chegar à Alemanha. “Vou ficar no campo até abrirem as fronteiras. Fui das primeiras a chegar. Não quero perer a oportunidade de passar”.

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http://www.publico.pt/multimedia/fotogaleria/as-criancas-de-idomeni-359885#/0

 

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