Escola reserva campo de jogos para meninas e pai queixa-se à comissão para a igualdade de género

Janeiro 21, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Público de 8 de janeiro de 2019.

Um pai confrontou a escola, que considera que esta é uma forma de discriminação positiva.

Ana Cristina Pereira

Nuno Mário Antão estava esta terça-feira numa reunião de pais no Centro Escolar de Marinhais, em Salvaterra de Magos e, de repente, viu na parede o horário do campo de jogos: segunda-feira, 1.º ano; terça-feira, 2.º ano; quarta-feira, 3.º ano; quinta-feira, 4.º ano; sexta-feira, meninas. Este último a cor-de-rosa.

Ficou indignado. O que queria dizer aquilo? Segregação por género num campo de jogos de uma escola de primeiro ciclo do Portugal do século XXI? “Explicaram-me que o que lá jogam é futebol e que os meninos não deixam as meninas jogar com eles. Se não deixam, têm de ser ensinados a deixar!” A igualdade de género já é tema obrigatório no ensino básico e secundário.

É um membro activo da comunidade. Destacado militante do PS na terra, passou pela assembleia de freguesia, pela assembleia municipal e pela Assembleia da República. E foi presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Salvaterra de Magos.

O filho, João Mário, de sete anos, já lhe tinha falado naquela divisão. “Falei com a professora e ela disse-me que ia ver, mas isso não estava em lado algum. Hoje, fui à reunião de pais relativa às avaliações do primeiro período e vi aquilo no quadro”, conta. O documento tem data de 24 de Setembro de 2018.

“Na escola do meu filho é igual”

Não perdeu tempo. Falou com a adjunta da directora do agrupamento, Ana Arrais, que lhe garantiu que as alunas podiam jogar em qualquer dia. Fez queixa à CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, receoso de tal prática noutras escolas. Ao final do dia, acompanhou o filho a um treino de futebol e outro pai disse-lhe: “Na escola do meu filho é igual.”

“Há, ainda, um longo caminho a percorrer”, desabafou na sua página de Facebook, partilhando uma fotografia do horário, na qual sobressai a sexta-feira pintada a rosa. “As miúdas acham normal a violência no namoro, as mulheres assassinadas são cada vez mais… mas sosseguem que à sexta o campo de jogos é vosso!”, ironizou. “Que brincadeira as meninas farão no campo de jogos à sexta-feira?”, questionou uma amiga. “Fico extremamente curiosa.”

Contactada pelo PÚBLICO, Ana Arrais sustentou que se trata de uma medida de discriminação positiva. As crianças têm aulas de educação física, como em qualquer escola. Aquele horário regula apenas a utilização do campo de jogos no recreio, isto é, num tempo organizado pelas próprias crianças. Cada dia está atribuído a uma turma, o que inclui rapazes e raparigas, “mas há que ser realista”: os rapazes tendem a jogar futebol e as raparigas tendem a não jogar futebol. Para garantir que elas também têm oportunidade de usar aquele espaço, a escola reservou-lhes a sexta-feira.

O problema, diagnostica, começa na mais tenra infância, com as famílias a darem bonecas às meninas e bolas aos meninos. “As miúdas precisam de mais incentivo”. “À sexta-feira podem jogar de forma mais tranquila.” E jogam o que lhes apetecer. Elas e “aqueles miúdos que ficam de fora porque são um bocadinho mais gordinhos ou porque não gostam de jogar com a mesma violência que os outros”.

Ana Arrais convidou Nuno Mário Antão para ir à escola na próxima sexta-feira na hora do recreio verificar, com os seus próprios olhos, que “os miúdos estão tranquilos”. E ele aceitou o repto. “A questão não é a tranquilidade das actividades”, reage. “O modelo da mulher a trabalhar na cozinha e o homem a ver a bola na sala também era muito tranquilo.”

Os estudos de género indicam que a construção social da diferença entre masculino e feminino desponta na infância e vai sendo desenvolvida nas fases posteriores da vida. Além dos familiares, amigos e colegas, a escola participa no reforço dos estereótipos de género. E isso, no entender de Nuno Mário Antão, tem de ser contrariado.

 

 

Câmara de Almeirim vai castigar clubes pelo mau comportamento dos pais

Dezembro 4, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 21 de novembro de 2018.

Iniciativa “Pais de Desportistas são Pais Responsáveis” pretende erradicar comportamentos violentos e premiar atitudes de fair play nos escalões de formação.

Miguel Dantas

A Câmara Municipal de Almeirim colocou em marcha uma iniciativa que pretende sensibilizar os pais de jovens atletas para o mau comportamento nos eventos desportivos. Intitulada “Pais de Desportistas são Pais Responsáveis”, a campanha punirá os clubes cujos adeptos tiverem comportamentos antidesportivos e dará incentivos aos emblemas que demonstrarem fair play. Inicialmente pensado para as categorias de formação, o código de conduta será aplicado a todas as modalidades praticadas no concelho.

Pedro Ribeiro, presidente da Câmara Municipal de Almeirim, revela ao PÚBLICO que o ambiente tóxico transversal a várias modalidades foi o principal catalisador para a criação do código de conduta que entrou em vigor no início de Novembro: “Temos um conjunto de pais que acompanham os filhos nas idades de formação. O problema é que algumas pessoas vêem os seus filhos como Ronaldos e não percebem que os miúdos estão a praticar desporto, em primeiro lugar porque é saudável, e depois para se divertirem”.

O presidente da autarquia do distrito de Santarém garantiu que a ideia já estava a ser pensada há vários meses e tem como principal objectivo a erradicação faseada de comportamentos que manchem a prática desportiva saudável: “Queremos banir más atitudes. Desautorizar os técnicos, insultar os adversários e os árbitros, todos os maus exemplos que acabam por contrariar aquilo que devia ser o bem da prática desportiva. No futuro quero, no limite, que se altere a má linguagem que se utiliza nos desportos”.

Efeito “tranquilizador” para os árbitros

Para além dos adversários, os árbitros são, muitas vezes, outro dos alvos preferenciais dos pais dos jovens atletas. Para Jorge Maia, presidente do Conselho de Arbitragem de Santarém, a campanha terá um efeito “tranquilizador” nos juízes que arbitrem encontros em Almeirim.

“Qualquer comportamento que seja fora do normal, atendendo ao escalão etário, o árbitro sinalizará num formulário próprio e remeterá para os serviços da autarquia, para que os clubes possam ser penalizados ou valorizados consoante o comportamento que tenham”, explica Jorge Maia.

Segundo o dirigente do Conselho de Arbitragem, ainda não foram registados quaisquer incidentes nos encontros de formação, percebendo-se que os comportamentos dos encarregados de educação já estão a ser moldados pela iniciativa: “Acima de tudo notamos da parte dos pais um receio daquilo que possa advir para os clubes”.

Carlos Neto, investigador em áreas como o jogo e o desenvolvimento da criança, elogia a iniciativa da autarquia de Almeirim, alertando, porém, para o longo caminho que ainda há para percorrer: “Todas as iniciativas relacionadas com a moderação parental nos comportamentos desportivos são sempre bem-vindas. Precisamos de fazer formação parental, dos treinadores, dos dirigentes porque ainda há muita tendência para colocarmos modelos [de competição] adultos em práticas infantis”.

Para o professor da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa, em muitos casos, os pais reflectem nos filhos as expectativas próprias que acabam por não ser concretizadas: “Há uma projecção para as crianças terem o êxito que eles não conseguiram. No fundo, é transportado para os filhos um ideal que os próprios não tiveram oportunidade de realizar”.

O investigador faz questão de não generalizar os progenitores, afirmando que “há pais para todos os gostos” e que a maioria tem comportamentos de fair play. Porém, nos casos em que essas atitudes salutares não se verificam, são os jovens os agentes desportivos que saem mais afectados: “A criança gosta de fazer desporto porque lhe dá prazer, não pelos prémios e medalhas. Muitas vezes, não conseguem aguentar essa pressão emocional. Há muitas crianças a sofrer enquanto fazem desporto”.

 

 

 

“Passa! Remata! Sr. Árbitro, você é cego?” Na Suécia, há clubes que querem por os pais na linha

Julho 28, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://24.sapo.pt/ de 10 de julho de 2017.

Um inquérito levado a cabo na Suécia revelou que as crianças sentem diretamente o impacto da exigência de alguns pais — que muitas vezes apenas querem o melhor para os filhos, mas que não conseguem evitar o seu espírito combativo. De acordo com o britânico The Guardian, um em cada três jovens pondera abandonar o futebol devido à pressão que sente. Assim, três clubes de Estocolmo resolveram atuar e tomar medidas

A competitividade sempre existiu, a rivalidade entre clubes, também. Mesmo entre miúdos. Mas o mundo não para de girar, a tecnologia evoluiu e o futebol com ela. Em tempos idos, os primeiros toques eram dados na rua, com amigos e à vontade do dono da bola — o rei do bairro. Mais tarde, para alguns, a transição era feita para um campo pelado. Aqui, no verão comia-se pó e apurava-se a técnica; no inverno, treinava-se a força nas possas de água e na lama. Primeiro num campo de 5×5, mais tarde para os 7×7 e, por fim, alguns anos depois, para o futebol de 11×11. Hoje, há academias, treinadores especializados, botas de todas as cores, festejos à Ronaldo e toda uma panóplia de exercícios que visam criar máquinas modernas do beautiful game. No entanto, há algo que parece inerente às eras: os pais e os treinadores de bancada que querem ensinar tudo aquilo que sabem aos mais novos. A gritar.

Zlatan Ibrahimovic, Henrik Larsson, Fredrik Ljungberg, Sven Rydell ou Anders Svensson são filhos da nação da bandeira azul e amarela. A competir em provas internacionais desde 1908, ano em que competiram nos Jogos Olímpicos de Londres, os suecos têm uma longa história crivada no desporto-rei, apesar de não serem uma seleção proliferamente associada a títulos. Contudo, no futebol, seja no norte da Europa, seja em qualquer outra parte do mundo, há algo em comum: nos jogos das camadas jovens, em muitos casos a dar os primeiros toques na bola e nos primeiros ciclos de aprendizagem, existem famílias que assistem às partidas nas bancadas que se esquecem da idade e do ambiente a seu redor.

Quem já assistiu a jogos das camadas jovens, sabe que é uma realidade. E, quanto maior a exigência, maior a dívida a cobrar aos mais novos. Há muito que deixou de ser um jogo a ser disputado por prazer, relegando a diversão própria da idade para contornos menos dignos dum jogo amado por milhões.

Ainda no passado 3 de junho, houve um treinador que foi despedido por incitar a equipa a ganhar por um resultado capaz de tirar a alegria a qualquer jovem — independentemente se esteja a vencer ou não. A equipa B de sub-11 dos Serranos, da cidade de Valência, recebeu e goleou o Benicalap C, também de Valência, por 25-0. A dilatada vantagem num jogo em que o campo era ocupado por meninos de 10 e 11 anos, caiu mal à direção da equipa vencedora que acabou mesmo por demitir o treinador.

Foi precisamente devido a estes moldes, para evitar que crianças deixem de jogar futebol devido a pressões exteriores, que três clubes clubes da capital sueca, suspeitando que estas estavam a ser afetadas, quiseram aprofundar o seu conhecimento sobre o assunto.

Os resultados foram, no mínimo, alarmantes: uma em cada três jovens atletas queria desistir devido ao comportamento daqueles que, de acordo com inquérito, eram catalogados de “pais sobreenvolvidos”. Dos 1.016 adultos que responderam ao questionário, 83% afirmou já ter assistido a pais que exigiam demais dos seus filhos ou que teciam duras criticas aos árbitros — também eles jovens — e juízes de linha, em alto e bom som.

Os clubes — Djurgdarden, AIK e Hammarby — ficaram atónitos com as respostas às perguntas e com os números que estas mostraram. E decidiram atuar — pondo as rivalidades, palmarés e a clubite inerentes às proximidades geográficas, de parte.

Combatendo numa frente em conjunto, partiram num uníssono em prol de uma resolução do problema em mãos. Assim, juntaram-se e elaboraram um “código futebolístico” que, esperam, venha a instar uma mudança de comportamento por parte dos pais que assistem aos jogos dos filhos ou das equipas de formação dos emblemas. O código, citado pelo The Guardian, numa tradução livre, escreve o seguinte:

“Eu, como pai, farei tudo o que estiver ao meu alcance para apoiar o meu filho, as outras crianças, os membros do clube, os árbitros e os [outros] pais nos campos de treino e durante os jogos — através de um ambiente positivo”.

Mais de 1.600 pais já assinaram. E, a cada dia que passa, mais o fazem e seguem os passos daqueles que já subscreveram o intento dos três emblemas de Estocolmo. A intenção, segundo alguns pais, passa por imprimir a mensagem em t-shirts para que o código se estenda e chegue a mais pessoas — algo que parecem ter conseguido, pois já existem outros clubes a quererem associar-se à iniciativa.

Na voz do vice-capitão do AIK, Stefan Ishizaki: “Num ambiente desportivo, para proteger a criança, a felicidade tem de ser a coisa mais importante porque é então que a vão levar para o resto das suas vidas. Os jogos, os torneios e as sessões de treino, é onde vais passar o tempo com os teus amigos e a fazer algo que gostas. Futebol é paixão. É a felicidade, tristeza e todas as emoções entre elas. Futebol é a coisa mais bonita que existe — e é assim que se deve manter.”

O inquérito, levado a cabo pela Survey Sampling Internacional, chamou a atenção dos media nacionais e já se espalhou opiniões pelo país. O The Guardian escreve que “não se trata de um problema apenas da Suécia”, mas que alastra pelo mundo inteiro. No entanto, escreve a publicação que todas as lutas têm de começar nalgum lugar, sendo que o país do “Rei Zlatan” foi o primeiro a dar exemplo. Agora é esperar que outros trilhem o mesmo caminho para que continuem a aparecer novas esperanças como Alexander Isak.

 

 

 

Clubes e crianças – Artigo de opinião de Mário Cordeiro

Novembro 16, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Mário Cordeiro de 27 de setembro de 2016 publicado no http://assinatura.ionline.pt/

mario-cordeiro

As pessoas mudam de religião, de partido político, de cônjuge, de amante e de vida. De profissão e de cidade. Até de sexo. Mas depois dos dez anos, não mudam de clube.

A propósito do início de mais uma temporada futebolística e motivado por uma conversa com os pais de um recém-nascido, surgiu a ideia de abordar este assunto: inscrição de bebés em clubes de futebol pelos pais ou pelos avós e tios, sem a anuência dos pais.

Os clubes de futebol são (sempre foram) grupos de pertença com muita força e uma irracionalidade que desafia qualquer lógica ou tentativa de explicação do fenómeno – basta ver como o jogador A, que era um dos “nossos”, fantástico e amado, passa a ser um “traidor”, ignóbil e odiado no momento em que decide vestir as cores do adversário.

Embora estes fenómenos tenham flutuações, vive-se agora uma fase “em alta”, talvez porque restem poucos sinais aglutinadores de um povo – pertencer ou ser adepto de um determinado clube gera uma teia de cumplicidade e de irmandade com os do mesmo clube e, quase que diria, ódio relativamente aos rivais. Muita gente tem como objetivo prioritário para o seu clube ficar à frente do outro clube, mais do que ganhar (e muito menos assistir a um bom espetáculo de futebol), desejando que, independentemente das “nossas” vitórias, existam muitas e pesadas derrotas para “os outros”. Nos jogos que não têm a ver com qualquer campeonato comum torce-se pelos estrangeiros ou por quaisquer outros, desde que seja contra o nosso rival – assumo isso, para os leitores não pensarem que sou um santo, e isto apesar de ter filhos de clubes diferentes! Coitado do barão de Coubertin quando, tão ingenuamente, dizia que o principal era participar e não vencer. Talvez devesse ter dito que o principal era vencer mas, porventura nos dias de hoje, que “o principal é que os outros clubes percam, não que o meu clube ganhe” – o interessantíssimo (e assustador) fenómeno sociológico e antropológico que são as claques de futebol (e todas as suas liturgias, slogans, hinos, gritos de guerra e modos de atuar) é um exemplo que valeria a pena ser estudado profundamente, para lá das limitações que deveriam ser impostas aos seus frequentes atos violentos e intimidatórios.

Assim, e tendo em conta que o futebol divide amigos e famílias, afasta as pessoas, gera discussões e atiça raivas, inscrever uma criança num clube de futebol sem os pais saberem ou contra a sua vontade, muito especialmente quando não é o clube dos pais, é, quanto a mim, uma manobra absolutamente suja e indecente. É provocar uma divisão e criar conflitos graves entre pais e filhos. Para gáudio dos avós e dos tios, acredito, que são dessa equipa, mas não deixa de ser uma manobra manhosa. Os meninos, esses ficam divididos entre a fidelidade aos tios e avós (e ao peso de ser “sócio” e de já lhe terem oferecido um equipamento do clube X) e a ligação aos pais, que são do clube Y.

Defendo que as crianças possam ter um clube (mas o clube que querem, sem pressões, mesmo que não seja o nosso) e que sejam adeptos convictamente, nas derrotas e nas vitórias, nos bons e nos maus momentos, com uma dose razoável de subjetividade na apreciação dos factos e de irracionalidade na discussão, mas não perdendo nunca o respeito pelos outros e por si próprias e sabendo “engolir” a realidade quando, por exemplo, as imagens televisivas mostram à saciedade que os factos não foram exatamente aquilo que desejávamos – deturpar a verdade é, no fim de contas, alinhar em mentiras. 

É saudável ter um clube, mas não esquecer a liberdade que nos faz tolerar os outros e precisar deles, mesmo com uma gama de opções diametralmente oposta. Todavia, pressionar até ao limite antes de as crianças saberem sequer falar, quando isso é contra a vontade dos pais e joga contra aquilo em que estes acreditam (sim, para todos os efeitos, o futebol é uma religião, uma paixão, uma coisa que não se explica…), não me parece correto, nem entendo como é que os clubes aceitam inscrições de pessoas menores sem o consentimento informado de ambos os pais. As pessoas mudam de religião, de partido político, de cônjuge, de amante e de vida. Mudam de nome e de sexo. Mudam de profissão. Mas não mudam de clube, pelo menos depois dos dez anos de idade. A inscrição num clube deveria sempre sem feita por maiores de idade ou, no caso de menores, com o consentimento escrito e informado de ambos os pais ou tutores. É pena que o legislador nunca tenha pensado nisso. Mas podem estar certos de que os litígios e os conflitos provocados pelo futebol são muito maiores do que os de qualquer outra área, mesmo as filosóficas, religiosas e dogmáticas. 

Creio que valerá a pena refletir um pouco sobre este assunto, num país que tem mais de quatro décadas de democracia e ainda tantas coisas para resolver…

P.S. A propósito do artigo da semana passada sobre as vantagens de ter um animal de companhia, designadamente um cão, e os cuidados a ter antes de o arranjar, o espaço não deu para falar dos donos dos cães que são porcalhões – eles, os donos, não os canídeos.

Infelizmente, quando passeamos pelas ruas das nossas cidades e vilas, somos confrontados com constantes armadilhas que são os cocós de cães espalhados pelo passeio. Se em termos de sujidade e ecológicos não há sequer questão, em termos de saúde, como é? 

Um estudo feito no Reino Unido estimou em cerca de 250 mil toneladas o cocó que os cães fazem por ano. Em Portugal temos seis vezes menos habitantes mas, como temos proporcionalmente mais cães, se calhar poderemos admitir um valor de um terço. Fiquem, portanto, com os números redondos: 80 mil toneladas de cocó de cão em cada ano que passa, ou seja, nove por hora ou 150 kg por minuto. O cocó de cão não só é nojento e malcheiroso – isso só já bastaria para os donos dos cães (eles, sim, são os verdadeiros “porcalhões”) terem mais cuidado – como pode também contaminar–nos com diversos parasitas que, nos infantários, escolas e lares, passam de pessoa para pessoa, dos sapatos e pés para as mãos, daí para a boca e para as fezes das pessoas, num ciclo muito difícil de interromper. Em certas cidades há casas de banho na rua para cães. Mas mesmo sem estes requintes, não custava nada aos donos dos cães levarem uns sacos de plástico para apanhar o cocó dos seus animais. Compram-se nas lojas “baratas” por um euro e meio, com um dispositivo preso à trela. Há papeleiras e caixotes por todo o lado.

Para quando uma maior censura social, pelo menos quando a lei (que existe) não é ainda aplicada? Não são os cães que são porcalhões – são os donos!

 

 

Duas estrelas internacionais de futebol apoiam a causa dos refugiados

Junho 30, 2016 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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“On the occasion of World Refugee Day, international football stars Marouane Fellaini and Anja Mittag have joined forces with the EU to show that they care about refugees worldwide”.

Para evitar lesões, entidade americana proíbe cabeceios no futebol infantil

Novembro 24, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site http://mulher.uol.com.br de 12 de novembro de 2015.

Declaração da USSF citada na notícia é a seguinte:

JOINT STATEMENT REGARDING CONCUSSION LAWSUIT RESOLUTION

getty images

Para prevenir contusões e lesões na cabeça de crianças, a USSF (Federação de Futebol dos Estados Unidos, tradução da sigla em inglês) proibiu que praticantes do esporte menores de dez anos façam cabeceamentos. A entidade também limitou esse tipo de jogada aos treinos, no caso de adolescentes de 11 a 13 anos.

A mudança é consequência de uma ação judicial, movida por um grupo de pais em 2014, que acusou várias organizações ligadas ao futebol de negligência no tratamento de lesões e contusões ocasionadas por choques da bola na cabeça de estudantes que praticam o esporte.

Na ação, os autores afirmam que quase 50 mil jogadores de futebol em categorias estudantis teriam sofrido contusões em 2010. Eles pleitearam também uma mudança no regulamento universal da modalidade, mas conseguiram apenas que houvesse alterações nos Estados Unidos, referentes às categorias de menor faixa etária.

Para o médico Robert Cantu, autor do livro “Concussions and Our Kids” (contusões e nossos filhos, em tradução livre do inglês), por terem cabeças mais maleáveis e não completamente desenvolvidas, os mais jovens correm o risco de ter o cérebro agitado ao cabecear a bola, o que pode gerar sequelas no futuro.

Risco intrínseco

De acordo com o pediatra Getúlio Bernardo Morato Filho, especialista em medicina do esporte, apesar de protetora, a medida é um tanto exagerada. “Todo esporte tem um risco intrínseco de lesões, e cabecear faz parte do futebol. Além disso, para fazer esse movimento, a criança aprende uma técnica que minimiza os riscos. Mais grave seria começar a cabecear na adolescência sem ter aprendido direito como fazer”, afirma.

De acordo com o médico, boladas, cotoveladas inesperadas na cabeça e quedas são mais graves do que cabeceios propositais. “O problema não é o choque em si, mas a aceleração e a desaceleração do cérebro dentro da caixa craniana. Se isso acontece repetidamente, o risco de surgir uma lesão no futuro é maior.”

Segundo o especialista, tem havido muitos debates sobre concussões nos Estados Unidos por conta dos depoimentos de ex-lutadores de boxe e ex-jogadores de futebol americano que tiveram demência em virtude de pancadas levadas na prática esportiva. “Quanto mais cedo as concussões acontecem, mais precocemente podem aparecer problemas”, diz Morato Filho.

O médico considera que a decisão da entidade americana é uma precaução para evitar processos futuros, caso alguma criança se machuque jogando. “Já houve no passado uma tentativa de adotar capacetes na liga infantil, mas não funcionou. Talvez fosse melhor usar bolas mais leves e criar regras específicas para diminuir o choque, uma vez que a criança não tem tanto cuidado quanto o adulto ao jogar.”

 

 

Liga MEO Escolas

Abril 11, 2011 às 11:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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“A Liga MEO Escolas contará com a participação de milhares de jovens, entre os 10 e os 15 anos, realizando-se os jogos das Fases Locais em 24 escolas anfitriãs que convidam 6 escolas de cada um dos agrupamentos dos seus Concelhos, num total de 168 escolas, 384 equipas e respectivos Professores de Educação Física.

A Liga MEO Escolas é um projecto ambicioso onde o objectivo é levar milhares de jovens a praticar Futebol dentro da sua Escola, constituída por e fases; Local, Regional e Final Nacional.

Os escalões etários definidos, em acordo com o Desporto Escolar são, Infantis (1998/1999/2000 e 2001) e Iniciados (1996/1997).

Esta iniciativa conta com o apoio do Ministério da Educação, da Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, através do Desporto Escolar.

No campo desportivo recebeu o apoio institucional da FPF – Federação Portuguesa de Futebol.

Por parte dos encarregados de educação, é com muito orgulho que contamos com o apoio e incentivo da CONFAP – Confederação Nacional das Associações de Pais.”

Mais informações:

http://www.ligameoescolas.com
http://twitter.com/#!/LigaMEO_Escolas
http://www.youtube.com/user/LigaMEOescolas
http://www.facebook.com/ligameoescolas

InfoCEDI n.º 27 sobre a Criança e o Futebol

Julho 30, 2010 às 6:00 am | Publicado em CEDI, Divulgação, Publicações IAC-CEDI | Deixe um comentário
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Já está disponível para consulta e download o nosso InfoCEDI n.º 27. Esta é uma compilação abrangente e actualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre A Criança e o Futebol.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line e pode aceder a eles directamente do InfoCEDI, Aqui

1GOAL : Educação para Todos

Julho 7, 2010 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Campanhas em Defesa dos Direitos da Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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“Actualmente, 72 milhões de crianças em todo o mundo não têm a hipótese de ir à escola. Estas crianças poderiam vir a tornar-se os líderes, desportistas, médicos e professores da próxima geração. Mas enfrentam uma vida de luta contra a pobreza. Não tem de ser assim. Desde 2000, mais 40 milhões de crianças entraram para a escola. A Educação vence a pobreza – e dá às pessoas as ferramentas necessárias para se ajudarem a si próprias. A 1GOAL é uma campanha que aproveita o poder do futebol para assegurar que a educação para todos é o duradouro legado do Mundial de Futebol da FIFA 2010. Ao levantar as nossas vozes por todo o mundo acreditamos que, juntos, podemos fazer da educação uma realidade para milhares de meninos e meninas que continuam fora da escola.”  Mais informações Aqui

Livros a Pontapé

Julho 5, 2010 às 6:00 am | Publicado em Apresentação de slides | Deixe um comentário
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Artigo da Pública de 27 de Junho de 2010 sobre livros relacionados com futebol para crianças em formato SlideShare.

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