Uma orquestra cheia de afetos

Dezembro 31, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da Fundação Calouste Gulbenkian de 16 de dezembro de 2019.

Um projeto PARTIS usa a música para mitigar relações conflituosas e a agressividade com que crianças dos 3 aos 6 anos convivem diariamente.

A sessão começa com a canção do Bom Dia. À volta de um círculo, cada um diz o seu nome e faz um gesto a seu gosto, que os outros imitam. Muitos ainda se apresentam em surdina, com as mãos enfiadas no meio das pernas, mas já há quem o faça alto e bom som, com braços no ar ou uma careta, prova de que simples brincadeiras são capazes de levar crianças dos três aos seis anos a vencer o desconforto da exposição. E se permitem isto, o que mais não haveriam de permitir?

Vânia Moreira, violoncelista, senta-se no meio deste grupo do Jardim de Infância Amélia Vieira Luís, em Carnaxide, para dirigir esta sessão da Orquestra de Afectos como uma verdadeira maestrina, dando espaço à expressão de cada um, mas pondo-os a todos a trabalhar na mesma direção. Distribui ovos musicais que são passados de mão em mão, orienta o ritmo, incentiva os miúdos a juntarem as suas vozes à sua, fala, ouve-os com atenção, teatraliza. E sugere ainda dinâmicas como a do condutor que ora está contente ora faz voz mais grossa, ou a da condutora mais tímida e daqueloutro mais… “Zangado!”, grita-se da roda. Vânia aproveita a deixa: “E a vocês, o que vos deixa zangados?”, pergunta ao grupo, inserido num território escolar onde a agressividade é um dado reconhecido.

“Quando queremos ver televisão e a mãe não deixa”, ouve-se. “Quando batem nas pessoas.” “O meu mano às vezes abusa.” A monitora cavalga a onda: “E o que podemos fazer para que fiquem menos zangados?” Sem respostas, Vânia engancha: “O que me ajuda a mim quando estou zangada é um abraço.” A resposta contenta o grupo, mas para a próxima, tentará abrir novos caminhos, apresentar soluções, ferramentas para as crianças saberem lidar com situações de zanga e agressividade, como lhe sugere, no fim da sessão, Daniela Leal, a psicóloga que acompanha o projeto.

Afinal, a Orquestra de Afectos candidatou-se à Iniciativa PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social, financiada pela Fundação Gulbenkian, com esse propósito: “trabalhar a comunicação afetiva no jardim de infância através da música, como forma de mitigar relações conflituosas que resultam, em muito, numa transferência dos problemas dos bairros circundantes para a escola”, refere a candidatura. A música é, como na Orquestra Geração (a “irmã mais velha” da Orquestra de Afectos), a ferramenta para promover competências pessoais (afetividade, criatividade, comunicação, pensamento divergente) e sociais (relação afetiva aberta e diversa, baseada na calma e amabilidade) que lhes servirão para as suas vidas e para as dos que os rodeiam.

Porque se os miúdos são os beneficiários mais diretos das sessões, o projeto pretende envolver e desenvolver outras relações: das educadoras e auxiliares com os alunos, dos pais com a escola… A ideia é chegar ao maior número de pessoas, para que a dinâmica se estenda à comunidade educativa e sobreviva ao projeto.

O texto vai longo. Já se teatralizou a canção do girassol e a gambiarra de luz ténue que “traz calor”, conforto, passou por todos. Lá fora decorre uma rixa entre alunos mais velhos que passa despercebida. A sessão chega ao fim e despedimo-nos melodicamente: Está na hora do adeus / Para a sala vou voltar / Ao meu amigo do lado / Um abraço vou dar.

A música, como elo de ligação

Há dias em que alunas seniores da Orquestra Geração (OG) se juntam, com os seus instrumentos, às monitoras. O projeto Orquestra de Afectos nasceu quando Helena Lima, coordenadora artística do projeto, concluiu, através de atividades da Orquestra Geração nas escolas, que alguma da “agressividade observada tem origem numa idade prévia à entrada na OG e que a sua prevenção depende de uma abordagem que começa no jardim de infância”.

A realidade onde se insere o projeto não é desconhecida das alunas da OG. A sua presença é, pois, vista como uma grande mais-valia – “há uma proximidade etária e de contexto com a população que se pretende tocar”, explica Helena Lima. Em contrapartida, as alunas retiram da experiência valências importantes para a sua vida futura. Todos ficam a ganhar.

Vídeo do Encontro do IAC “30 anos da Convenção sobre os Direitos da Criança” – 29 de outubro de 2019 na FCG

Novembro 7, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Pensar o Acolhimento Residencial de Crianças e Jovens, na Fundação Calouste Gulbenkian, 5 de dezembro, 18h30m

Dezembro 2, 2018 às 7:43 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações:

http://www.gulbenkian.org

Conferência “Serviços integrados para a infância : Juntos com as crianças e as famílias” com a participação de Matilde Sirgado do IAC, 16 novembro na FCG

Novembro 12, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Dra. Matilde Sirgado, Coordenadora do setor IAC- Projecto Rua, Tesoureira e Membro da Direção do Instituto de Apoio à Criança irá participar no painel temático “Visão de criança e família por diferentes setores”.

Mais informações no link:

https://gulbenkian.pt/evento/servicos-integrados-para-a-infancia/

Apresentação do “GABC – Apoio à Disseminação e Criação de Novos Grupos” dirigido a crianças com idades entre os 0 e os 4 anos e seus cuidadores – 18 maio na FCG

Maio 4, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrição:

https://www.tfaforms.com/4670158

Informações sobre o projeto:

https://gulbenkian.pt/project/playgroups-for-inclusion/

 

 

Estes alunos melhoraram as notas por causa dos tablets

Março 13, 2018 às 12:30 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tvi24.iol.pt/ de 12 de março de 2018.

Fundação Gulbenkian distribuiu equipamentos por alunos e professores de uma escola. Durante dois anos letivos, dois investigadores acompanharam todo o processo.

Alunos de duas turmas dos 7.º e 10.º anos receberam tablets “para usar como quisessem”, no âmbito de um estudo que concluiu que a maioria ficou mais motivada e aprendeu mais.

A Fundação Gulbenkian queria perceber o que acontece numa escola em que os tablets fazem parte do dia-a-dia e para isso distribuiu equipamentos por todos os alunos e professores. Durante dois anos letivos, dois investigadores acompanharam todo o processo.

O professor universitário José Luís Ramos, um dos autores do estudo ’Tablets’ no Ensino e na Aprendizagem. A sala de aula Gulbenkian: Entender o presente, preparar o futuro, começa por sublinhar que os alunos não são todos iguais, não utilizam as tecnologias da mesma maneira nem com os mesmos fins.

Além disso, acrescenta, os resultados do estudo não podem ser extrapolados para a realidade nacional, uma vez que foram acompanhadas apenas duas turmas de uma escola de Lisboa.

No entanto, notou-se “maior motivação e uma atitude mais positiva para com a escola e a aprendizagem” entre a maioria dos alunos.

Regra geral, “os alunos que mais utilizaram os tablets”foram também “os que mais aprenderam”, diz o professor, considerando que “os tablets podem ser um recurso muito interessante para a aprendizagem dos alunos”.

Alunos e professores receberam um tablet, contou o professor, sublinhando que houve um ou outro encarregado de educação que não ficou agradado com a ideia de o seu filho estar ligado em rede 24 horas por dia e que acabou por proibi-lo de tocar nos aparelhos.

Houve alunos que usaram os tablets com muita intensidade para diversão, outros que os usaram pouco, mas de forma eficiente, segundo o estudo que será apresentado terça-feira na Fundação Calouste Gulbenkian.

Alguns alunos utilizaram a tecnologia a seu favor, mas também houve outros que baixaram as notas. “Sabemos que alguns alunos tiveram alguma dificuldade em gerir o seu tempo”, admitiu o professor.

Durante dois anos, os investigadores conseguiram acompanhar a utilização do uso dos tablets graças a um dispositivo de investigação, que passava pela observação de aulas, gravação de aulas – “tivemos mais de 500 horas de aulas gravadas” – entrevistas a alunos e a professores, explicou José Luís Ramos.

 

 

 

Apresentação do livro “Tablets no Ensino e na Aprendizagem” 13 março na Fundação Calouste Gulbenkian

Março 12, 2018 às 3:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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mais informações:

https://gulbenkian.pt/evento/tablets-no-ensino-e-na-aprendizagem/

PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social – 26-28 janeiro na Fundação Calouste Gulbenkian

Janeiro 23, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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PREÇO | Entrada Gratuita
LOCAL | Vários locais da Fundação Calouste Gulbenkian
SAIBA MAIS | http://back.ly/hCDjM

O PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social é um programa de apoio a projetos que privilegiam a arte como meio de intervenção social junto de crianças e jovens em risco, reclusos e ex-reclusos, imigrantes, pessoas isoladas ou com deficiência, entre outros. Alguns dos projetos apoiados no quadro da segunda edição deste programa apresentam o seu trabalho no “Isto é Partis”. Esta mostra tem também um espaço de reflexão na conferência “Isto é Inclusão Social.”

Inovação na escola e pela escola – Conferência Internacional de Educação, 23 outubro na FCG

Outubro 15, 2017 às 5:43 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://gulbenkian.pt/evento/inovacao-na-escola-e-pela-escola/

Arte Acessível – 22 de abril na Fundação Calouste Gulbenkian – Venham descobrir a arte em família de forma inclusiva!

Abril 7, 2017 às 11:30 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Segunda edição do dia de Arte Acessivel!
Ativiades inclusivas para todos os tipos de famílias!
Venham passar o dia connosco.
Ficamos à vossa espera
https://gulbenkian.pt/descobrir/arte-acessivel/
(Inscrições para mcrodrigues@gulbenkian.pt e mmendes@gulbenkian.pt)

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