Mutilação genital feminina: esta escola-abrigo protege as meninas das suas famílias

Janeiro 1, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 26 de dezembro de 2019.

Ana Marques Maia

Lasoi tinha 10 anos quando o pai a informou que se iria casar dentro de dias. Apesar de nunca ter sequer visto o futuro marido, a notícia não a surpreendeu. Afinal, tinham passado apenas 11 dias desde o corte. A excisão. O procedimento que é também conhecido por mutilação genital feminina. É de senso comum, na tribo maasai, que nenhuma mulher – neste caso, menina – se casa “intacta”. Todas passam pelo mesmo, apesar de o governo do Quénia ter proibido a prática em 2011. Por imposição familiar, Lasoi acabou mesmo por se casar. Na manhã que se seguiu à noite de núpcias, fugiu de casa do marido em direcção à casa dos pais, onde foi recebida com violência e, em seguida, devolvida. Uma semana depois, a menina repetiria a proeza; e os pais repetiriam a sova e a devolução. A insurreição de Lasoi levou a que os seus pais a renegassem, permanentemente, e a que a relação com a nova família azedasse ao ponto de ser vítima diária de agressões.

Um dia, poucas semanas após o casamento, Lasoi foi encontrada inconsciente num descampado próximo da sua nova casa. Contou à Nashipai Maasai Community Project que o marido a tinha seguido e lhe tinha batido até perder os sentidos. A organização não-governamental, que dá apoio a vítimas de mutilação genital feminina e de casamento infantil, direccionou-a para a Escola de Raparigas Naning’0i, onde é apenas uma de 320 meninas que foram vítimas dos mesmos crimes. Não é uma coincidência. Nas zonas de Kajiado e Narok, predominantemente maasai, a estrutura social é profundamente patriarcal e conservadora.

Foi em Março de 2019 que Natalia Jidovanu ficou a conhecer de perto esta realidade. “Fui lá, primeiro, como fotojornalista”, contou ao P3, via Skype. “Estava a trabalhar numa história para a Al Jazeera sobre a mutilação genital feminina e outros desafios das meninas maasai.” À medida que foi conhecendo as histórias das meninas dessa tribo, Natalia foi-se interessando pela Escola de Raparigas Naning’0i e compreendendo a importância do seu papel naquele contexto de pobreza. “Dentro da comunidade maasai existe a ideia de que só os rapazes devem ir à escola, e não as raparigas”, explica Natalia ao P3. “O papel da mulher é estar em casa, ser mãe, tratar dos filhos, da família do marido, das vacas. Convencer os pais que as meninas têm de ir à escola é difícil. Parece-lhes um desperdício de tempo. Se uma rapariga for casada, a família vai receber vacas e a menina vai ser útil à família do marido. Se estiver na escola, a seu ver não vai servir para nada.” A educação é, por isso, na opinião da luso-moldava de 33 anos, “a única forma de interromper este ciclo” de subjugação.

A história da escola, que se situa em Mosiro, tem contornos particulares. “É uma escola primária só para raparigas; tem 320 alunas e capacidade para receber mais duzentas.” Foi fundada em 1999 por uma organização não-governamental e transferida para o sector público de educação queniano em 2014, “altura em que começaram a surgir os primeiros problemas de financiamento”. “No ano passado a escola esteve quase a fechar, mal havia fundos para comida”, lamenta a fotógrafa. A instituição funciona em regime de internato. “Para funcionar em pleno, a escola tem de garantir que as crianças têm acesso a comida, uniformes, camas, materiais escolares. Gratuitamente. Durante todo o ano.” E não apenas durante o ano lectivo. “Tendo em conta o contexto em que vivem, muitas meninas acabam por permanecer na escola também durante as férias. É arriscado voltarem para casa das famílias que, a qualquer momento, as podem submeter a mutilação genital ou forçá-las a casar.”

A escola é importante para as meninas maasai e não apenas porque as protege da mutilação genital feminina e do casamento infantil. “Esta é a única escola para raparigas num raio de 500 quilómetros”, explica Natalia. “Num contexto em que existe tão pouca oferta educativa para raparigas, a excisão feminina acaba por ser um problema quase secundário, embora muito relevante, claro.”

Além de psicóloga e fotojornalista, Natalia é também fundadora da ArtKids Foundation, uma organização não-governamental sediada em Nairobi que promove o uso da arte e cultura para o desenvolvimento pessoal de crianças e jovens quenianos. Perante este cenário de dificuldades e diante da urgência de uma solução, Natalia decidiu “tentar fazer algo através da fundação” para ajudar a escola e as meninas maasai. “Acabámos de oferecer, esta semana, a primeira bolsa de estudo a uma menina que terminou o ensino primário, a Maria, para ela poder continuar os estudos numa escola secundária”, referiu. “A Maria tem 14 anos e fugiu de casa em 2017 para escapar à cerimónia de mutilação genital que o pai estava a preparar para ela.”

Vício do telemóvel afasta as famílias dentro da própria casa

Janeiro 1, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Up to Kids

Vício do telemóvel afasta as famílias dentro da própria casa

Os telemóveis foram e são, sem dúvida, umas das melhores invenções de sempre.  Permitem-nos que possamos estar em constante contacto com pessoas que estão a milhares de quilómetros de distância. As redes sociais vieram ainda “aproximar-nos” de amigos com quem não conseguimos estar no dia-a-dia. Mas será esta aproximação real? Ou quanto mais nos aproximamos dos nossos amigos, mas nos estamos a afastar da nossa família?

Há vários fatores a ter em conta, mas como em tudo, as redes sociais têm muito de positivo, mas também um lado negativo.

Se por um lado as novas tecnologias e as redes sociais nos permitem estar a par de tudo o que se passa no Mundo em tempo real,  o facto de passarmos tanto tempo a olhar para o telemóvel, faz-nos perder muito do que se passa à nossa volta, incluindo o que se passa em nossa casa.

O fotógrafo Al Lapkovsy partilhou uma série de imagens que, apesar de serem um pouco chocantes, retratam exactamente o que se passa em casas em todo o Mundo.

Desde pais que deixam de dar atenção aos filhos por estarem a olhar para o telemóvel, a crianças que acabam por não ter com quem brincar pois todas as outras estão agarradas aos telemóveis, ou até mesmo casais que deixam de aproveitar a sua intimidade para estarem nas redes sociais.

Muitas são as famílias que, apesar de viverem na mesma casa, se afastam cada vez mais, e tudo graças a este vício silencioso.

Com isto não digo que se deva deixar de usar as novas tecnologias e as redes sociais. Mas cabe-nos a nós, adultos e pais, controlar o uso para que não se torne exagerado prejudicando o equilibrio familiar. O vicio do telemóvel não pode existir.

Nada é mais importante do que a nossa família, por isso temos de garantir que a aproveitamos ao máximo, antes que seja tarde demais!

Façamos uma reflexão sobre se estamos realmente a valorizar e priorizar a família.

Estas imagens fazem parte da coleção Desconectar Conectar do artista AL LAPKOVSKY

Era uma vez umas roupas que um dia já tinham sido uma pessoa, iluminadas pela luz azulada 

De acordo com vários estudos, algumas crianças passam em média 7,5 horas na frente das telas por dia. Isso mesmo 7,5 horas. É o tempo que a maioria dos adultos passa no trabalho diarimante. Os adolescentes passam até nove horas por dia nos meios sociais. Surpreendentemente, uma pessoa comum gasta quase duas horas (aproximadamente 116 minutos) nas redes sociais todos os dias, o que significa um total de 5 anos e 4 meses ao longo da vida. Atualmente, o tempo total gasto nas meios sociais supera o tempo gasto a comer e beber, a socializar ou organizar.

Para percebermos o tempo excessivo que uma pessoa passa realmente nos meios sociais, façamos a comparação com o número de horas (cinco anos e quatro meses) que passa ao longo da vida a sociabilizar com amigos e familiares na vida real (um ano e três meses ).

Estamos a desaparecer, deixamos de existir, perecemos.

Não podemos imaginar as nossas vidas sem os ecrãs azuis. Somos bombardeados com notícias, atualizações e status. Temos milhares de amigos e ainda estamos sozinhos. Somos semi-transparentes, perdidos na luz azul de informações inúteis e num falso sentimento de pertença.

O principal objetivo deste projeto é ilustrar como continuamos a desconectar-nos da realidade que nos rodeia a qualquer momento e nos envolvendo em algo que talvez seja real, mas não tão importante e relevante no momento. Como, apenas pela natureza do hábito, escolhemos com mais frequência olhar para o ecrã do que olhar à volta. Enviar uma mensagem para alguém em vez de conversar com uma pessoa sentada à nossa frente. Como a nossa mente se torna global no sentido de que podemos conversar com pessoas que mal conhecemos e, ao mesmo tempo, ignorar alguém muito próximo e real.

Quando estamos com os nossos filhos, estamos realmente presentes? Ou estamos no vício do telemóvel?

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2615106911858866&set=pb.100000787473822.-2207520000..&type=3&theater

É frequente os nossos filhos alhearem-se dos irmãos e dos pais?

Enquanto casal: quantas vezes já esteve em situações idênticas às retratadas?

Porque “nunca passamos tempo suficiente com os nossos avós”

Julho 26, 2019 às 10:30 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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©Sujata Setia

Texto do Público de 26 de julho de 2019.

“É uma pena”: a fotógrafa indiana Sujata Setia não guarda nenhuma fotografia dos seus avós. “Quando era pequena, não tinha noção da importância do laço que partilhava com os meus avós”, disse ao P3, em entrevista por e-mail a partir de Londres, onde reside há dez anos. “Tinha-os como garantidos. Hoje tenho uma filha e vejo-a a cometer o mesmo erro. Não é bem um erro, é uma característica da idade. Uma criança não tem preocupações relativamente ao futuro e não pensa nas relações da mesma forma que um adulto, nem mesmo aquelas que são mesmo importantes, e quando elas terminam sobra apenas uma coisa: arrependimento. Devia ter passado mais tempo com eles. Nunca passamos tempo suficiente com os nossos avós.” Sujata sente a falta deles, mas não guarda nenhum objecto que materialize a sua memória, que seja “tangível”, explica.

Esta série de retratos surge como forma de Sujata recriar os momentos que viveu com os avós. E a forma como o faz é, no mínimo, inusitada. Por vezes, a fotógrafa aborda pessoas externas ao seu ciclo de amigos e conhecidos e oferece-se para retratar, simplesmente, momentos felizes entre avós e netos. É um presente que decide dar a pessoas desconhecidas e que, tem a certeza, será apreciado no futuro. Porque nunca passamos tempo suficiente com os nossos avós.

Onde há um adolescente, há sempre um smartphone (ou dois)

Março 13, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Antonio Gibotta

Texto e foto do P3 de 2 de março de 2018.

O fotógrafo italiano Antonio Gibotta começou a fotografar para o projecto The New Addiction em 2011, momento em que, para si, se tornou evidente que existia um relacionamento de natureza pouco saudável entre os adolescentes e os seus smartphones. “O número de jovens que utilizam a Internet aumentou, ao longo dos anos”, pode ler-se no site do fotógrafo. “As redes sociais são os sítios mais visitados; alguns adolescentes afirmam utilizá-las para se manterem em contacto com amigos distantes, enquanto outros dizem usá-las para criar relacionamentos e fazer novos amigos.” Seja qual for o motivo, “de acordo com estudos recentes“, os adolescentes passaram, em 2017, “cerca de 40 horas semanais nas redes e a jogar jogos de vídeo”. Gibotta considera que a linha que separa a diversão da dependência se esbateu e que, actualmente, muitos adolescentes vêem “a sua performance escolar diminuir”, a sua vida social ruir, apresentam sintomas de ansiedade e depressão e transformam-se em vítimas ou perpetuadores de bullying, “além de apresentarem dores corporais relacionadas com a má postura que assumem quando utilizam os telemóveis”. Quanto maior a utilização, maior o risco, na opinião do fotógrafo. “Infelizmente, os adultos ainda compreendem mal os possíveis riscos associados a este novo tipo de dependência e assumem uma postura de confiança passiva perante os seus filhos.”

O projecto The New Addiction venceu o terceiro prémio no concurso Picture of The Year International, em 2015, na categoria Feature Picture Story. Dois anos mais tarde, Antonio Gibotta foi distinguido com um segundo prémio pelo concurso World Press Photo, na cateogoria People, com a cobertura fotográfica de um golpe de Estado encenado em Alicante, Espanha. É possível acompanhar o fotógrafo através da sua conta oficial no Facebook, e no Instagram.

 

 

 

Os brinquedos que dão a mão às crianças da caravana de migrantes

Janeiro 11, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Hannah Mckay

Notícia do Público de 26 de dezembro de 2018.

Na caravana de milhares de migrantes que rumam aos Estados Unidos da América, Hanna McKay, da agência Reuters, encontrou dois mundos: as preocupações dos adultos e as brincadeiras das crianças. Estas, muitas das vezes, caminham sem saber porquê, nem para onde estão a ir. Limitam-se a seguir os pais que procuram asilo e trabalho do outro lado da fronteira mexicana.

Só neste mês, morreram duas crianças imigrantes sob custódia das autoridades fronteiriças norte-americanas. Jakelin Caal, de sete anos, natural da Guatemala, faleceu a 8 de Dezembro num hospital de El Paso, no Texas. Antes da-meia noite que marcava o início do dia de Natal morria o segundo menino, também guatemalteco, Felipe Gómez Alonzo, de oito anos. Agora, o governo norte-americano ordenou check-ups médicos para todas as crianças ao cuidado das autoridades responsáveis pelas fronteiras.

A maioria dos imigrantes que constituem a caravana começou a juntar-se em Outubro e vem das Honduras. Fogem, com os filhos, da violência dos gangs e do Governo. Os mais pequenos trazem consigo os brinquedos que encontram pelo caminho ou que outras crianças lhes deram: como a máquina fotográfica de brincar que Xiomara, uma menina de quatro anos, apontou para a câmara a sério da jovem fotojornalista da Reuters. A menina encontrou a máquina de plástico no chão de um dos abrigos temporários onde pernoitou, em Tijuana, no México. Já em casa, nas Honduras, “ficou o brinquedo favorito”: um ursinho de peluche.

 

Dicas para melhorar a privacidade do seu filho online

Dezembro 22, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Internet Segura de 5 de dezembro de 2018.

Na semana passada, o Centro Internet Segura (CIS) lançou um artigo focado no conceito de Sharenting (poderá consultar o artigo em https://goo.gl/ApwAoS). Este conceito diz respeito à partilha pelos pais de fotografias dos seus filhos em plataformas digitais como o Facebook.

Hoje em dia, é cada vez mais fácil publicar fotografias dos seus filhos no meio digital, como tal, o Centro Internet Segura reuniu um conjunto de dicas para si, de forma a proteger melhor o seu filho nas redes sociais.

Os hábitos de publicação dos pais podem ser melhorados, com a devida informação.

Primeiramente, altere as configurações do seu perfil e seleccione o tipo de pessoas que podem visualizar a sua informação.

Quando tirar e publicar fotografias desative a função de geolocalizador do seu telemóvel, de forma que a informação sobre a sua localização não seja armazenada na sua fotografia e/ou publicação.

Evite fotografias embaraçosas dos seus filhos. Na altura que está a tirar a fotografia pode achar engraçado, mas imagine o seu filho mais adulto e no que irá sentir quando vir as suas fotografias.

Por fim, não dê informações sobre a rotina dos seus filhos. Fotografias de farda ou com colegas podem ser identificadores da rotina que possuem, expondo-os a utilizadores desconhecidos.

Não se esqueça que o direito à privacidade é a chave para uma internet mais segura.

Navegue em Segurança!

Pais e exposição nas redes sociais – Sharenting

Dezembro 11, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site internetSegura de 27 de novembro de 2018.

O risco está sempre à espreita mesmo em situações mais inocentes. Apesar de dividir opiniões, a exposição das crianças nas plataformas digitais pode representar um risco na segurança e privacidade das mesmas resultando no dilema de publicar ou não conteúdos sobre os seus filhos nas redes sociais.
A atividade de sharenting engloba dois termos: “share”, a partilha e “parenting”, a parentalidade. Nasce, portanto, da partilha de informação, seja através de fotografias ou da partilha de outros aspectos identificadores da criança como a idade, sexo e o nome, em plataformas digitais como o Facebook. Basta apenas um click para recordar mais uma memória do seu filho num momento de felicidade.
A partilha costuma ser recorrente, e uma das principais razões coloca-se pelo distanciamento de alguns familiares na vida da criança. Porém, é importante pensar antes de publicar, fazendo-o com consciência e bom senso.
Apesar da partilha parecer inofensiva é necessário sensibilizar para o conhecimento dos riscos a que podem estar envolvidos, e cuja publicação permanece para sempre online. A pegada digital a que a criança é submetida pode resultar no controlo por parte de indivíduos cujos contornos podem ser maliciosos.
Ao longo da semana iremos realizar um conjunto de dicas para a segurança do seu filho, assim como uma lista de riscos a que pode estar a colocá-los.

Navegue em Segurança!

 

Regresso às Aulas – Fotografias

Setembro 5, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Paris
“Rentrée des classes”
Photo de Presse
vers 1980

anonyme
“Rentrée des classes”
Paris 1980

“Liberté d’expression” anonyme Classe Montessori à Berlin, 1949

Imagens retiradas do Facebook Culture und Kultur 

Mais imagens aqui

É mais fácil ser pai na Islândia?

Julho 16, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Seathor, pai islandês ©Callie Lipkin

Texto do Público de 9 de julho de 2018.

A fotógrafa norte-americana Callie Lipkin sente-se 100% segura ao afirmar que “a Islândia é líder mundial no que concerne à qualidade da política de licença parental”. Mãe e pai têm direito a três meses de licença. Durante esse período, auferem 80% do vencimento e dispõem ainda de mais três meses de licença que podem ser distribuídos entre os progenitores, à medida das suas necessidades. “Estudos revelam que os pais que estão mais envolvidos no cuidado dos filhos desenvolvem, estatisticamente, uma parceria parental mais igualitária”, explicou ao P3, em entrevista. Callie também é mãe, motivo por que se interessou pelo tema. “Enquanto mãe, observar a forma como outras culturas abordam a educação das crianças ajuda-me a colocar a minha própria experiência em perspectiva.”

Ser pai na Islândia é mais fácil do que noutros países, diz a fotógrafa. No campo das vantagens, os pais referem o ambiente extremamente seguro que se vive na ilha. “Os índices de violência e crime são extremamente baixos, em comparação com os de outros países. Os pais afirmam que não existem más escolas no país e que podem escolher livremente a escola que os filhos frequentam, independentemente da região onde residem.” Mas também existem aspectos menos positivos. “As principais desvantagens prendem-se com o facto de a Islândia ser uma ilha isolada e pequena, onde o custo de vida é bastante elevado”, refere Callie. A localização geográfica da ilha também não é amiga dos pais islandeses, que se queixam da dificuldade em convencer os seus filhos a ir para a cama enquanto ainda há luz natural no exterior. “Apesar de tudo, as vantagens parecem suplantar os inconvenientes”, conclui.

Callie Lipkin (@clipkin, no Instagram) encontrou inspiração para o desenvolvimento do projecto Icelandic Dad Time após uma viagem à China, onde fez um trabalho fotográfico com o mesmo tema. A partir dos Estados Unidos, com recurso às redes sociais, a fotógrafa encontrou os pais islandeses que seriam retratados. Contactou-os e, com base em pequenas entrevistas, seleccionou os melhores casos. Meses mais tarde, quando Callie aterrou em Reiquejavique, já todas as sessões fotográficas estavam agendadas. O processo foi célere e eficaz.

“Este é o segundo capítulo internacional do projecto Dad Time”, explica. O primeiro foi desenvolvido na China e pode ser visto no seu site. “Adoro examinar como a cultura dos países influencia os diferentes estilos de educação que são implementados. A educação é uma construção social e não existe, nesta matéria, certo ou errado.

 

 

A história da foto viral de uma menina de 2 anos a chorar na fronteira dos EUA

Junho 18, 2018 às 4:35 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 18 de junho de 2018.

O fotografo americano John Moore acompanhava o controlo de fronteiras no Texas quando se ajoelhou para captar esta foto, de uma menina a chorar no momento em que teve de deixar o colo da mãe.

Uma mulher hondurenha e a sua filha de 2 anos viajavam há mais de um mês, vindas das Honduras via México, com o objetivo de entrarem nos Estados Unidos da América. No Sul do Texas, em Rio Grande Valley, foram apanhadas e revistadas pelos agentes do controlo de fronteiras. Foi nesse momento que o fotógrafo John Moore tirou a foto que se tornou viral e viria a emocionar o mundo.

As autoridades estavam a revistar pessoas antes de as carregarem para um autocarro que as transportaria até um “centro de processamento”, onde as crianças têm sido separadas dos pais. Quando chegou a vez de revistar a mãe desta criança, foi-lhe pedido que a pousasse no chão e a menina de dois anos começou a chorar, num momento captado por Moore, que se ajoelhou para fazer a foto. “Podia ver o medo nos rostos deles, nos olhos deles”.

Em entrevista à NPR, John Moore contou: “Todos nós ouvimos as notícias de que a administração [Trump] tinha planos para separar famílias e estas pessoas não faziam ideia dessas notícias. Foi muito difícil tirar estas fotografias, sabendo o que se seguia.” O fotógrafo refere-se à política de “tolerância zero” para os migrantes. De acordo com Departamento de Segurança Interna, entre os dias 19 de abril e 31 de maio, mais de dois mil menores foram separados dos pais na fronteira.

Como fotojornalista, o meu papel é continuar, mesmo quando é difícil. Mas como pai – e eu próprio tenho um recém-nascido – foi muito difícil ver o que estava a acontecer à frente da minha lente e pensar como seria se separassem os meus filhos de mim.”

A fotografia viral tornou-se agora uma bandeira contra a política de “tolerância zero” da administração de Donald Trump. Várias personalidades têm erguido a sua voz contra esta política ao longo da semana: desde o ex-presidente Bill Clinton até figuras que já passaram pela Casa Branca de Donald Trump, como o ex-diretor de comunicação Anthony Scaramucci.

Mas John Moore admitiu que desconhece o destino da criança da fotografia: “Não sei o que lhes aconteceu. Gostava muito de saber. Desde que tirei aquelas fotos que penso bastante nesse momento. E emociono-me sempre”.

 

 

 

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