É mais fácil ser pai na Islândia?

Julho 16, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Seathor, pai islandês ©Callie Lipkin

Texto do Público de 9 de julho de 2018.

A fotógrafa norte-americana Callie Lipkin sente-se 100% segura ao afirmar que “a Islândia é líder mundial no que concerne à qualidade da política de licença parental”. Mãe e pai têm direito a três meses de licença. Durante esse período, auferem 80% do vencimento e dispõem ainda de mais três meses de licença que podem ser distribuídos entre os progenitores, à medida das suas necessidades. “Estudos revelam que os pais que estão mais envolvidos no cuidado dos filhos desenvolvem, estatisticamente, uma parceria parental mais igualitária”, explicou ao P3, em entrevista. Callie também é mãe, motivo por que se interessou pelo tema. “Enquanto mãe, observar a forma como outras culturas abordam a educação das crianças ajuda-me a colocar a minha própria experiência em perspectiva.”

Ser pai na Islândia é mais fácil do que noutros países, diz a fotógrafa. No campo das vantagens, os pais referem o ambiente extremamente seguro que se vive na ilha. “Os índices de violência e crime são extremamente baixos, em comparação com os de outros países. Os pais afirmam que não existem más escolas no país e que podem escolher livremente a escola que os filhos frequentam, independentemente da região onde residem.” Mas também existem aspectos menos positivos. “As principais desvantagens prendem-se com o facto de a Islândia ser uma ilha isolada e pequena, onde o custo de vida é bastante elevado”, refere Callie. A localização geográfica da ilha também não é amiga dos pais islandeses, que se queixam da dificuldade em convencer os seus filhos a ir para a cama enquanto ainda há luz natural no exterior. “Apesar de tudo, as vantagens parecem suplantar os inconvenientes”, conclui.

Callie Lipkin (@clipkin, no Instagram) encontrou inspiração para o desenvolvimento do projecto Icelandic Dad Time após uma viagem à China, onde fez um trabalho fotográfico com o mesmo tema. A partir dos Estados Unidos, com recurso às redes sociais, a fotógrafa encontrou os pais islandeses que seriam retratados. Contactou-os e, com base em pequenas entrevistas, seleccionou os melhores casos. Meses mais tarde, quando Callie aterrou em Reiquejavique, já todas as sessões fotográficas estavam agendadas. O processo foi célere e eficaz.

“Este é o segundo capítulo internacional do projecto Dad Time”, explica. O primeiro foi desenvolvido na China e pode ser visto no seu site. “Adoro examinar como a cultura dos países influencia os diferentes estilos de educação que são implementados. A educação é uma construção social e não existe, nesta matéria, certo ou errado.

 

 

A história da foto viral de uma menina de 2 anos a chorar na fronteira dos EUA

Junho 18, 2018 às 4:35 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 18 de junho de 2018.

O fotografo americano John Moore acompanhava o controlo de fronteiras no Texas quando se ajoelhou para captar esta foto, de uma menina a chorar no momento em que teve de deixar o colo da mãe.

Uma mulher hondurenha e a sua filha de 2 anos viajavam há mais de um mês, vindas das Honduras via México, com o objetivo de entrarem nos Estados Unidos da América. No Sul do Texas, em Rio Grande Valley, foram apanhadas e revistadas pelos agentes do controlo de fronteiras. Foi nesse momento que o fotógrafo John Moore tirou a foto que se tornou viral e viria a emocionar o mundo.

As autoridades estavam a revistar pessoas antes de as carregarem para um autocarro que as transportaria até um “centro de processamento”, onde as crianças têm sido separadas dos pais. Quando chegou a vez de revistar a mãe desta criança, foi-lhe pedido que a pousasse no chão e a menina de dois anos começou a chorar, num momento captado por Moore, que se ajoelhou para fazer a foto. “Podia ver o medo nos rostos deles, nos olhos deles”.

Em entrevista à NPR, John Moore contou: “Todos nós ouvimos as notícias de que a administração [Trump] tinha planos para separar famílias e estas pessoas não faziam ideia dessas notícias. Foi muito difícil tirar estas fotografias, sabendo o que se seguia.” O fotógrafo refere-se à política de “tolerância zero” para os migrantes. De acordo com Departamento de Segurança Interna, entre os dias 19 de abril e 31 de maio, mais de dois mil menores foram separados dos pais na fronteira.

Como fotojornalista, o meu papel é continuar, mesmo quando é difícil. Mas como pai – e eu próprio tenho um recém-nascido – foi muito difícil ver o que estava a acontecer à frente da minha lente e pensar como seria se separassem os meus filhos de mim.”

A fotografia viral tornou-se agora uma bandeira contra a política de “tolerância zero” da administração de Donald Trump. Várias personalidades têm erguido a sua voz contra esta política ao longo da semana: desde o ex-presidente Bill Clinton até figuras que já passaram pela Casa Branca de Donald Trump, como o ex-diretor de comunicação Anthony Scaramucci.

Mas John Moore admitiu que desconhece o destino da criança da fotografia: “Não sei o que lhes aconteceu. Gostava muito de saber. Desde que tirei aquelas fotos que penso bastante nesse momento. E emociono-me sempre”.

 

 

 

Fotógrafo transforma crianças vítimas de bullying em super-heróis

Maio 23, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Josh Rossi

Notícia da SICmulher de 1 de maio de 2018.

Josh Rossi ofereceu uma experiência única a 15 crianças.

Recentemente, chegou às salas de cinema de todo o mundo o filme de super-heróis mais aguardado de sempre, “Vingadores: Guerra do Infinito“, que reúne personagens conhecidas da Marvel Comics, como ThorCapitão AméricaHomem de Ferro, entre muitas outras.

Posto isto, o fotógrafo norte-americano Josh Rossi decidiu transformar 15 crianças, vítimas de bullying, nos super-heróis que enfrentam a temível ameaça do vilão Thanos, que pretende dizimar metade de todo o universo.

Esta não é primeira vez que, o fotógrafo torna crianças em heróis de banda desenhada. No ano passado, por altura da estreia do filme “Liga da Justiça”, que reúne o Super-HomemBatman e companhia, Josh Rossi fez um ensaio fotográfico semelhante, mas desta vez com crianças portadoras de deficiências. Antes disso, a 4 de julho, o artista assinalou o Dia da Independência norte-americana nas redes sociais com uma fotografia da filha vestida de Mulher Maravilha, a super-herói da DC Comics.

fotografias no link:

http://www.fulltimephotographer.com/single-post/2018/04/09/Photographer-Gives-Bullied-Kids-Sweet-Revenge

A vida sob a perspectiva “mágica e única” de uma criança com autismo

Abril 3, 2018 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Kate Miller-Wilson

Texto do http://p3.publico.pt/ de 14 de maio de 2017.

Eian é uma criança de dez anos e tem uma perspectiva do mundo “mágica e única”, descreveu a mãe ao Huffington Post. O filho mais velho da fotógrafa Kate Miller-Wilson tem aquilo que é denominado de “autismo altamente funcional” e as suas fotografias retratam a experiência de “amar alguém com autismo”. A norte-americana, residente no estado do Minnesota, considera este conjunto de fotografias um escape criativo e emocional do seu quotidiano na companhia de Eian. “Quando nos focalizamos apenas nos desafios desta condição, não conseguimos ver a beleza; por outro lado, quando nos centramos apenas nas dádivas, deixamos de conseguir compreender os progressos e conquistas feitas por indivíduos com autismo, pelos seus pais e cuidadores”, explicou. O seu trabalho fotográfico é de natureza emocional, “pretende estabelecer uma relação com o espectador e oferecer um vislumbre sobre todas matizes que compõem o quotidiano de alguém no espectro [autista]”. Miller-Wilson sente dificuldade em estabelecer contacto visual com o filho enquanto o fotografa. Para ultrapassar o problema, a fotógrafa cria barreiras visuais entre os dois: vidro, gelo, são alguns exemplos. “Existe um ditado dentro da comunidade autista: ‘se conheceste uma pessoa com autismo, conheceste apenas uma pessoa com autismo’.” Ser pai ou mãe de uma criança com autismo pode ser um verdadeiro desafio. “É normal estar preocupado, zangado ou frustrado ou desesperadamente cansado”, comenta. “[Os pais] não têm de ser santos. Estes sentimentos tornam a experiência [de educar estas crianças] mais real e permitem-nos apreciar os momentos de felicidade que surgem.” Eian gosta de números e sente-se feliz com a exposição que as fotografias da mãe têm obtido online. Kate, por sua vez, espera que no futuro estes retratos sejam por ele interpretados como cartas de amor.

 

Fotografias de Crianças Refugiadas da Agência Magnum

Fevereiro 13, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Olivia Arthur Sophia, Scottish of Irish-Pakistani heritage, Glasgow, Scotland. GB. 2017. © Olivia Arthur | Magnum Photos

visualizar todas as fotos no link:

https://www.magnumphotos.com/arts-culture/society-arts-culture/magnum-retold-children-europe-olivia-arthur/?utm_source=fb-social&utm_medium=social&utm_campaign=Editorial

Texto do site https://www.magnumphotos.com/

Magnum Retold: Olivia Arthur’s Children of Europe

How collaborating on portraits makes for a refreshing take on the experience of child refugees

In the aftermath of the Second World War, Magnum co-founder David ‘Chim’ Seymour traveled across Europe as refugees traversed its fractured lands. With a humanistic sensibility, he documented the lives of child survivors and the efforts of the charities who endeavored to help them, providing them with food, shelter, shoes and vaccinations. His journey took him to refugee camps, homes, schools hospitals and remote villages blighted by war, creating a comprehensive portrait of the human impact of the war on society’s youngest and most vulnerable members.

As part of Magnum Retold – a series where contemporary Magnum photographers find inspiration in some of the most resonating stories in the agency’s 70-year history – Olivia Arthur documented the lives of child refugees of today. As the world witnesses the largest number of displaced people since the Second World War, a natural parallel with Seymour’s is drawn.

Working with charity Positive Action in Housing, Olivia Arthur met children and their families settling in Glasgow and London. Her portraits presented an opportunity to take stock of Europe’s shift in attitude towards refugees in the decades since David Seymour’s original Children of Europe work. “What interested me most was this idea of how much things have changed since then, rather than trying to replicate or retrace what he had done but more kind of looking at how much things in Europe have changed, and may, in fact, be turning around again,” says Arthur.

“Sadly, there are more people displaced around the world than at any time since the Second World War,” says Robina Qureshi from Positive Action in Housing. “Today’s refugee tragedy is characterized by indifference. Over half the world’s refugees have been in exile for at least five years, many in closed refugee camps where they do not have the right to work or move freely.  The press doesn’t call them refugees anymore, they use the word ‘migrants’, implying that this is a story about travelers or economic migrants, not humans seeking protection.”

The refugee families photographed by Olivia Arthur left behind their loved ones and their homes. Many are still traumatized by the journeys they took and experience problems finding their way and becoming accepted in their new home cities. Positive Action in Housing helps refugees deal with the stumbling blocks to citizenship and provides support.

Olivia Arthur’s portraits look beyond the refugee status of her subjects, and aim to capture the children as individuals. “I’d like to think that the portraits I’ve taken of these children are pretty positive. The pictures were really about the children, and they would choose if they wanted to have their toy in the picture.”

“I think there’s something about this kind of portraiture where you really engage with people properly. It’s not a documentary about people stuck in a big system in these apartments that are not really like a home. They mostly don’t have a lot of belongings there, and they don’t really make them like home because they’re waiting to get their status. So it really became more about what the people wanted to show themselves.”

Arthur invited her subjects to direct how they would like to appear in photographs, asking them what they wanted to do, which resulted in children being photographed with their favorite toy or teddy bear, playing with friends and doing cartwheels. The process felt collaborative and inclusive, and shattered clichés pertaining to how refugees are ordinarily presented in the press. “I found a really positive energy there with them,” says Arthur. “One of the girls that I met said, ‘I love Glasgow, I love it here, I love the rain’ and it was just amazing positivity that I thought was really great.”

 

 

 

Raparigas partilham fotos íntimas porque são pressionadas por eles

Janeiro 8, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 8 de janeiro de 2017.

Pressão, manipulação e ameaças são as estratégias adoptadas pelos rapazes adolescentes para obter fotografias íntimas das raparigas. As jovens sabem que devem dizer não mas muitas vezes cedem, diz estudo. Especialistas avisam que a prática é cada vez mais comum entre os jovens portugueses, que muitas vezes não estão conscientes dos perigos.

Rita Marques Costa

“Por favor, ajudem-me… Eu gosto mesmo deste rapaz, mas ele usa-me. Está sempre a falar de sexo, quer fotos minhas e fica chateado quando não o faço. O que devo fazer? Estou tão confusa…” Este é um dos excertos publicados no estudo de uma investigadora norte-americana da Northwestern University, Sara Thomas, que avalia as razões que levam as raparigas adolescentes a enviar fotografias íntimas de si próprias ou a optar por não fazê-lo.

Os 462 depoimentos analisados foram deixados no site A Thin Line – uma iniciativa do canal MTV para combater o bullying digital e outros abusos entre adolescentes – entre 2010 e 2016, por raparigas que tinham, em média, 15 anos.

Quase 40% das jovens que recorreram à plataforma para partilhar a sua experiência justificaram o envio de fotos íntimas com a coerção exercida pelos rapazes. Na maior parte das vezes, na forma de pressão e ameaças.

A vontade de agradar o namorado ou conquistar um potencial parceiro e a persistência dos remetentes também figuram como motivações para estas jovens.

Em Portugal, apesar do fenómeno ainda ser pouco estudado, alguns psicólogos e investigadores que trabalham a área do ciberbullying arriscam dizer que a realidade não será muito diferente da descrita no estudo.

Quanto às motivações para a partilha, em muitos casos, “não o fazer é demonstrar fraqueza”, diz Tito de Morais, responsável pelo projecto Miúdos Seguros na Net. Luís Fernandes, psicólogo na Associação Sementes de Vida, reforça que há uma grande “vontade de agradar”.

 

Desejo também conta

O fenómeno é tão comum “que os pais nem imaginam”, nota Luís Fernandes. O psicólogo adianta que, por enquanto, esta será uma tendência “crescente”.

Porém, se é verdade que existe este lado negro da exposição e abuso, também há que ter atenção para não “diabolizar” a prática, nota Tito de Morais. O especialista detalha que esta é “uma forma dos jovens expressarem a sua sexualidade”, cada vez mais comum e na maior parte das vezes “não tem consequências”.

Para Sónia Seixas, doutorada em psicologia pediátrica pela Universidade de Coimbra, as experiências com a sexualidade e o corpo do outro, comuns na adolescência, passam a “deixar um rasto digital, quando antes eram estritamente presenciais”. Isto faz com que partilhas, neste caso de fotos íntimas, que inicialmente eram inocentes podem tornar-se abusivas com o fim de uma relação.

A psicóloga admite que quando as imagens são divulgadas publicamente, a situação é vista como “humilhante” para as raparigas. Já para os rapazes esse não é o caso. “Ainda se nota esta dinâmica”, mas “as mentalidades estão a mudar”, comenta Sónia Seixas.

Aceitam termos impostos pelos rapazes

Ainda assim, no estudo da investigadora norte-americana, só em 8% dos depoimentos analisados as raparigas disseram ter enviado as suas fotografias íntimas por desejo.

A investigadora resume no seu estudo: “quando confrontadas com este tipo de pressão, as raparigas aquiescem aos termos impostos pelos rapazes no que diz respeito ao envolvimento romântico e sexual”. Contudo, “se bem que a maioria das raparigas assume a responsabilidade de negociar e gerir todas estas pressões, também reportam alguma confusão e insuficiência de recursos para lidar com este tipo de questões”.

Quanto à intensidade dos fenómenos de coerção noutros países, Sara Thomas comenta ao PÚBLICO que “há mais países que têm de lidar com este fenómeno”. Contudo, não é algo exclusivo de uma faixa etária. “Se acontece entre adultos, também vai acontecer entre jovens.”

Estratégias para os pais e adolescentes

Apesar das estratégias de “sexting seguro” que alguns sugerem, como não captar o rosto ao tirar este tipo de fotografias ou utilizar plataformas onde o período de vida das imagens é limitado, ainda é possível ver o remetente das imagens ou fazer uma captura de ecrã. Tito de Morais diz que compreende esta prática, mas não a recomenda “nem a jovens nem a adultos”.

A educação ocupa um papel importante na prevenção deste tipo de comportamentos.  Especialmente no sentido da “assertividade” para que os jovens percebam que não devem fazer aquilo que não querem ou não acham correcto.

Mas quando o mal está feito e as vítimas são os jovens, há várias coisas que podem ser feitas. Para já, “a comunicação é essencial”. Os jovens devem saber com quem contar e quando já há um canal de comunicação “é mais fácil”, diz Luís Fernandes.

Os pais também devem estar atentos aos comportamentos dos jovens. “Quando os miúdos começam a evitar as tecnologias, mostram-se nervosos e manifestam alterações de comportamento” há motivos para desconfiar. O facto dos pais serem pouco conhecedores do mundo digital não ajuda.

 

 

Onde as crianças dormem

Novembro 20, 2017 às 10:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Romanian refugee, Rome, Italy

Texto do https://www.swissinfo.ch/eng/ de 20 de novembro de 2012.

A child’s bedroom – or sleeping place – reveals a great deal about his or her cultural and social background. In the book “Where Children Sleep”, photographer James Mollison provides a glimpse of the lives of children from around the world.

The British photographer worked for four years on this project. The book, published in 2010, was designed above all for readers aged nine to 13. But the photos, depicting often extreme differences in living standards, touch readers of all ages. (Images: James Mollison)

James Mollison

mais fotos da série “Where Children Sleep” no link:

http://jamesmollison.com/books/where-children-sleep/

O país onde crianças combatem por dinheiro

Novembro 8, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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©Berta Couto

Texto do http://p3.publico.pt/ de 23 de outubro de 2017.

“É difícil ficarmos imunes ao elevado número de crianças que vive nas ruas da Tailândia. (…) Face a isto não há praia de águas azul-turquesa ou ilhas de James Bond que nos tragam algum conforto emocional”, garante Berta B.B. Couto, autora do projecto fotográfico Fight For One’s Life, em declarações via email ao P3. “As crianças tailandesas são frequentemente vistas como obrigações ou fardos pelas comunidades onde vivem, motivo por que são usadas como fonte de rendimento”, explica. Os combates da arte marcial Muay Thai, protagonizados pelos menores a troco de dinheiro, são a resposta encontrada pelas famílias, pelos ginásios e pelas próprias crianças para escapar à pobreza.

A arte marcial é, actualmente, encarada como “um grande negócio”, alimentado sobretudo pelo turismo. Não há “banca de venda de tours” que não apregoe o combate de jovens lutadores como “uma das principais atracções do país”, descreve a enfermeira e fotógrafa. Uma lei promulgada pelo estado tailandês proibiu, em 1999, a prática profissional de Muay Thai por indivíduos menores de 15 anos, mas Berta sabe que muitos começam a treinar e a lutar muito antes de atingirem essa idade. Em Junho de 2017, interessada em praticar a arte marcial, a portuguesa entrou em contacto com vários ginásios da modalidade, acabando por começar a treinar num clube desportivo em Chiang Mai, no norte da Tailândia. Uma experiência que foi imersiva: “Durante um mês mantive contacto diário com três jovens lutadores, entre os 14 e 16 anos de idade. Vivi a sua rotina, reconheci as várias emoções vividas por eles ao longo de um dia de treino que começa ainda antes do sol nascer e que termina apenas quando o corpo reconhece o limiar da exaustão”.

A fotógrafa foi criando laços com os jovens e os treinadores e tornou-se também parte do grupo, como se vê nas suas fotografias. “São de facto uma família. Foi isso que me permitiu conhecer a fundo as suas histórias. Percebi que alguns destes jovens foram abandonados pelas famílias, enquanto outros procuraram apenas uma maneira de saírem das ruas onde viviam.” Foi o caso de uma das crianças que Berta conheceu, um rapaz que, com apenas 12 anos, teve o seu primeiro contacto com o mundo das drogas, depois de ter sido rejeitado pelos pais e de ter vivido na rua. “O Muay Thai”, prossegue, “pode ser visto como um desporto cruel e explorador, sobretudo quando vemos estes jovens a cair no ringue inconscientes após um knockout ou quando lhes vemos a face coberta de sangue, braços e pernas partidas, lesões que podem custar semanas de danos físicos e mentais”. Estas crianças, considera, pertencem a outro local: “Deveriam estar a brincar com outros jovens, vivendo a inocência característica destas idades.”

Berta, que se considera uma defensora dos direitos humanos, teve dificuldade em afastar-se emocionalmente do que estava a presenciar, “Várias vezes me questionei sobre o que eu estava ali a viver”, desabafa. Até que um momento a fez ver um outro lado desta realidade: “Quando vi o sorriso de pura felicidade do Pok (um dos jovens lutadores com quem partilhei vários treinos) após uma vitória e depois vi-o a aprender a tocar a Stairway to Heaven na guitarra que comprou com o dinheiro dos combates percebi que [estas crianças] não lutam somente por um título; estão a lutar pelas suas vidas, por um futuro que vão alcançado dia-a-dia, em cada luta”. Procuram um lar, um lugar onde tenham comida, um tecto para dormir, uma família; e encontram-no nos ginásios de Muay Thai, que vêem como “uma porta aberta para um futuro que antes pensavam inalcançável”. Os treinadores lucram com as apostas associadas aos combates, os jovens ganham prémios monetários por cada luta que vencem e os turistas aplaudem um espectáculo que, certamente, reprovariam no seu país de origem.

Enfermeira de cuidados intensivos, Berta é uma apaixonada por fotografia. “Queria ser o Robert Capa feminino, mas, sabendo que dificilmente atingiria esse objectivo, acabei por enveredar por uma profissão onde pudesse ajudar as pessoas”, reflecte. Em Fevereiro de 2017, a portuguesa partiu “numa viagem sem plano e sem data de regresso”. Depois de ter passado pelo Nepal, onde documentou os danos colaterais das monções dos últimos meses, está por estes dias nos Himalaias. A travessia pode ser acompanhada na sua conta no Instagram, que actualiza regularmente.

 

A liberdade de uma filha vale uma família inteira?

Abril 24, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.tsf.pt/ de 11 de abril de 2017.

Foto Zohra Bensemra/Reuters

Cláudia Arsénio com Reuters

Zeinab tem 14 anos. O ano passado, um homem mais velho ofereceu dinheiro pelo dote. Mil dólares (cerca de 950 euros) que permitiriam à família escapar à fome e a uma morte certa no sul da Somália.

“Preferia morrer. É melhor fugir e ser comida pelos leões”, desabafou a adolescente bonita quando a mãe lhe falou da oferta. Zeinab sonha ser professora de inglês, sonha com um futuro diferente. “E nós ficaríamos aqui e morreríamos à fome e depois os animais comeriam o que restasse”, respondeu a mãe, dividida entre o amor e o pragmatismo.

Não se sabe ao certo quantas famílias na Somália enfrentam o mesmo dilema, numa altura em que a guerra e a seca levaram o país à maior crise desde a II Guerra Mundial.

Na aldeia de Zeinab e da família, os poços secaram e o gado morreu. A única esperança que lhes resta é chegar a Dollow, uma cidade junto à fronteira com a Etiópia, onde a ajuda internacional fornece água e comida a quem foge de uma morte certa. E, para tal, precisam do dinheiro do dote para a viagem.

O negócio seria realizado. Abdir Hussein, a mãe, confessa à repórter da Reuters, já em Dollow, que nunca se sentiu tão mal. “Acabei com os sonhos do meu bebé. Mas sem aquele dinheiro, teríamos morrido todos”.

Na balança estavam, de um lado, os sonhos de Zeinab e, do outro lado, a vida de 20 sobrinhos e sobrinhas, filhos e filhas das suas três irmãs mais velhas já viúvas ou divorciadas. A vida do seu irmão mais velho, da irmã mais nova e dos seus pais.

O casamento foi celebrado e a união consumada, mas ao fim de três dias… Zeinab fugiu. O marido seguiu-a até Dollow e a família enfrentou um novo dilema: estavam a salvo, mas não poderiam devolver o dinheiro do dote.

A solução seria Abdiweli Mohammed Hersi, a professora de inglês de Zeinab. Com a ajuda do grupo humanitário italiano Cooperazione Internazionale, conseguiu reunir o dinheiro necessário. Agora o grupo vai mediar um encontro entre os homens das duas famílias e propor a devolução do valor do dote se o marido aceitar divorciar-se perante testemunhas,

Ao ouvir estas palavras, os olhos negros da bela Zeinab deixaram de fixar o chão. “Serei livre?”, perguntou.

Fotografias de Zohra Bensemra, da agência Reuters.

mais fotografias n link:

http://www.tsf.pt/internacional/interior/a-liberdade-de-uma-filha-vale-uma-familia-inteira-6214381.html?utm_campaign=Echobox&utm_content=TSF&utm_medium=Social&utm_source=Facebook#link_time=1491911394

 

 

Um dia na vida de uma criança trabalhadora

Março 29, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 17 de março de 2017.

Há duas semanas, o fotógrafo Shivam Thapa regressou brevemente ao seu país de origem, o Nepal, e fotografou uma realidade que conhece desde pequeno: a do trabalho infantil. “Os anos passam e o trabalho infantil continua a ser comum, no Nepal”, explicou ao P3. O trabalho que as crianças operam nas fábricas de tijolos é extremamente exigente, do ponto de vista físico, e o número de horas que trabalham conduz muitas das crianças à exaustão e a danos físicos irreversíveis. “Muitos queixam-se que o horário que cumprem é demasiado longo e que não há qualquer tipo de segurança no trabalho; se algum acidente acontece, nada é pago. Não há dias de folga. Foi muito difícil ouvir as historias que me contaram.” Uma das que escutou foi a de um rapaz de 11 anos. “Estava lá a trabalhar apenas há um mês. Num dia de trabalho, ele ganha mil rupias nepalesas – o que corresponde a menos de nove euros.” As crianças ganham em função do número de viagens de transporte que efectuam e são necessárias 500 viagens para ganharem as mil rupias que o fotógrafo referiu. “A historia dele é muito comum. Ele vivia numa aldeia com a família que o enviou para o trabalho na fábrica. Todo o dinheiro que consegue poupar envia para os pais.” Shivam Thapa lamenta a realidade que documentou. “Estas são idades em que as crianças deveriam estar a fazer amigos, a aprender coisas novas, a estudar e a cometer erros formativos. É muito triste que o trabalho infantil ainda seja uma realidade, no Nepal. Eu considero-me um afortunado por viver na Europa, apesar de também ter começado a trabalhar muito cedo. Até agora, este foi um dos projectos mais difíceis que desenvolvi. Os patrões das fábricas confundiam-me com um jornalista e não me permitiam fotografar as crianças e os animais – que também sofrem abusos nesse contexto. Fui expulso de algumas fábricas. Alguns dos pais com quem falei estão cientes de que colocar os filhos a trabalhar é errado, mas ainda assim, eles lá estão.” Uma das fábricas que visitou era junto de uma esquadra de polícia. “A polícia não faz nada em relação a isto”, lamenta. “Existe um ditado nepalês que diz que o que quer que seja que os pais façam, os filhos lhes seguirão as pisadas. E assim é, no Nepal. Os ricos continuam a ser ricos e os pobres continuam a ter de matar-se a trabalhar para sobreviver.” O fotógrafo residiu 12 anos em Lisboa e vive, desde 2014, no Reino Unido. Publicou no P3 o projecto “Idyllic Rodeløkka“, em Dezembro de 2016.

Visualizar a fotogaleria no link:

http://p3.publico.pt/cultura/exposicoes/23154/um-dia-na-vida-de-uma-crianca-trabalhadora

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