Um dia na vida de uma criança trabalhadora

Março 29, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 17 de março de 2017.

Há duas semanas, o fotógrafo Shivam Thapa regressou brevemente ao seu país de origem, o Nepal, e fotografou uma realidade que conhece desde pequeno: a do trabalho infantil. “Os anos passam e o trabalho infantil continua a ser comum, no Nepal”, explicou ao P3. O trabalho que as crianças operam nas fábricas de tijolos é extremamente exigente, do ponto de vista físico, e o número de horas que trabalham conduz muitas das crianças à exaustão e a danos físicos irreversíveis. “Muitos queixam-se que o horário que cumprem é demasiado longo e que não há qualquer tipo de segurança no trabalho; se algum acidente acontece, nada é pago. Não há dias de folga. Foi muito difícil ouvir as historias que me contaram.” Uma das que escutou foi a de um rapaz de 11 anos. “Estava lá a trabalhar apenas há um mês. Num dia de trabalho, ele ganha mil rupias nepalesas – o que corresponde a menos de nove euros.” As crianças ganham em função do número de viagens de transporte que efectuam e são necessárias 500 viagens para ganharem as mil rupias que o fotógrafo referiu. “A historia dele é muito comum. Ele vivia numa aldeia com a família que o enviou para o trabalho na fábrica. Todo o dinheiro que consegue poupar envia para os pais.” Shivam Thapa lamenta a realidade que documentou. “Estas são idades em que as crianças deveriam estar a fazer amigos, a aprender coisas novas, a estudar e a cometer erros formativos. É muito triste que o trabalho infantil ainda seja uma realidade, no Nepal. Eu considero-me um afortunado por viver na Europa, apesar de também ter começado a trabalhar muito cedo. Até agora, este foi um dos projectos mais difíceis que desenvolvi. Os patrões das fábricas confundiam-me com um jornalista e não me permitiam fotografar as crianças e os animais – que também sofrem abusos nesse contexto. Fui expulso de algumas fábricas. Alguns dos pais com quem falei estão cientes de que colocar os filhos a trabalhar é errado, mas ainda assim, eles lá estão.” Uma das fábricas que visitou era junto de uma esquadra de polícia. “A polícia não faz nada em relação a isto”, lamenta. “Existe um ditado nepalês que diz que o que quer que seja que os pais façam, os filhos lhes seguirão as pisadas. E assim é, no Nepal. Os ricos continuam a ser ricos e os pobres continuam a ter de matar-se a trabalhar para sobreviver.” O fotógrafo residiu 12 anos em Lisboa e vive, desde 2014, no Reino Unido. Publicou no P3 o projecto “Idyllic Rodeløkka“, em Dezembro de 2016.

Visualizar a fotogaleria no link:

http://p3.publico.pt/cultura/exposicoes/23154/um-dia-na-vida-de-uma-crianca-trabalhadora

Moçambique: meninos a quem a rua roubou a infância

Março 15, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 28 de fevereiro de 2017.

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Ana Marques Maia

À semelhança das crianças que fotografou para o projecto “Growing in Darkness“, Mário Macilau foi um menino de rua em Maputo. Entre 2012 e o presente ano, o fotógrafo frequentou o espaço privado destas crianças, visitou as pontes e os prédios abandonados onde vivem e dormem. “São lugares muito escuros, húmidos e perigosos”, descreve, em entrevista ao P3. “Não existe água nem electricidade, nem qualquer tipo de comodidade ou apoio doméstico. São lugares eternamente provisórios.” Em Moçambique, as dificuldades económicas conduzem as famílias ao abandono das crianças ou à sua exploração como fonte de rendimento, o que leva à multiplicação de situações de exploração laboral, abandono escolar, desalojamento e, em consequência, a uma maior incidência de crimes e consumo de droga entre a população infantil. (A UNICEF faz um retrato da situação moçambicana num relatório que divulgou em 2014 no seu sítio oficial, que pode ser lido aqui.) “As crianças de rua estão frequentemente sujeitas a abusos, negligência, exploração ou, em casos extremos, a trabalho em fábricas e em mercados formais e informais”, explicou o fotógrafo moçambicano. “São lugares muito escuros, húmidos e perigosos. Não existe água nem electricidade, nem qualquer tipo de comodidade ou apoio doméstico. São lugares eternamente provisórios.” A entrevista com o fotógrafo pode ser lida integralmente aqui.

visualizar as fotos no link:

http://p3.publico.pt/cultura/exposicoes/23021/mocambique-meninos-quem-rua-roubou-infancia

Porque é que os meninos não devem brincar com bonecas?

Março 14, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Paula Cosme Pinto publicado no http://expresso.sapo.pt/ de 1 de março de 2017.

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Lembro-me de há uns tempos o marido de uma amiga ter ficado altamente incomodado quando ela deixou o filho pintar a unhas com verniz. O miúdo, com pouco mais de cinco anos, achava um piadão às unhas coloridas da mãe e deleitou-se quando viu as suas transformadas num verdadeiro arco-íris. Como podem calcular, a única coisa de que o miúdo não gostou, nem sequer percebeu, foi a zanga. Conto este episódio porque já discorremos sobre ele em conjunto e porque é apenas um entre os muitos que acontecem entre pais e filhos, quando os primeiros têm dificuldade em deixar cair ideias pré-definidas no que toca ao que é apropriado a meninas e meninos. Afinal, qual é o mal de um miúdo querer pintar as unhas?

O mal está exclusivamente na cabeça dos adultos, que carregam consigo uma série de preconceitos, enraizados na nossa sociedade há séculos e que demoram a cair, mesmo quando estamos despertos para a necessidade urgente de o fazer. Continua a existir uma vontade e necessidade de se colocar rótulos naquilo que é esperado de cada género, desde criança, seja na forma como nos comportamos em sociedade e no seio familiar, nas atividades que gostamos de fazer, nas escolhas para o futuro. Em parte, isto também explica porque teimamos em dar carrinhos, bolas e miniaturas de materiais de construção aos garotos, enquanto que às garotas a escolha habitual – e igualmente pouco refletida – vai para cozinhas em miniatura, tiaras de princesa e bonecos ao género do bebé chorão.

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Muito se tem falado sobre a importância de estimularmos as meninas a fazerem outro tipo de atividades nas suas brincadeiras para além do universo cor-de-rosa, desde o desporto às ciências. Fazemo-lo convictos de que a alteração de certos padrões associados às expectativas que recaem sobre o sexo feminino desde tenra idade venham a contribuir para que elas se possam transformar em mulheres menos submissas, menos espartilhadas nas suas escolha e com a confiança suficiente para escolherem o que bem lhes apetecer para o seu futuro, mesmo que seja um trabalho ou atividade regra geral associado ao sexo masculino. Contudo, temo-nos esquecido constantemente de fazer o exercício contrário: promover a igualdade de género também entre os meninos e rapazes, dando-lhes espaço para serem e fazerem aquilo que mais gostarem. Para além dos tais rótulos do que supostamente é para menino ou para menina.

#ABoyCanToo, o projeto que todos devemos espreitar

Há uma fotógrafa canadiana que se dedica precisamente a tentar quebrar este estereótipos de género tão comuns na educação das crianças há mais de uma ano. Baseada nas diferentes personalidades dos seus três filhos, Kirsten McGoey começou em 2016 um movimento fotográfico associado à hashtag #ABoyCanToo, que se tornou num enorme sucesso. Em 2017, a primeira foto que publicou foi precisamente a de um menino a pintar as unhas e foi por isso que me lembrei de hoje o partilhar convosco.

As fotos de McGoey são feitas em estúdio, com meninos e pré-adolescente dos 4 aos 16 anos. Um género de elogio às suas escolhas, como fonte de inspiração para outras crianças que não se sentem à vontade para fazer coisas tão simples quanto patinagem artística, sapateado, cozinhar, brincar com bonecas, usar cabelo comprido e por aí fora. O resultado é um conjunto de retratos simbólicas que para muitos podem até ser desconfortáveis, mas cuja leitura aos olhos de uma criança não deveria ser mais do que normalidade.

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Hoje, o projeto alargou-se (e até aceita propostas de outros países), mas McGoey começou por fotografar os seus próprios filhos, fascinada pela diversidade de comportamentos e escolhas que cada um fazia individualmente. Tanto gostavam de jogar à bola e de brincar às lutas, como também gostavam de dançar, de usar peças cor-de-rosa e de fazer bolos (principalmente o filho do meio). O mais importante? Não era nenhuma destas coisas isso que os definia no seu todo. Não é o facto de gostarem de usar cor de rosa ou de brincarem com bonecas que os torna menos rapazes, nem tampouco menos masculinos. Não é isso que vai ditar o futuro da sua vida, incluindo as escolhas afectivas ou de orientação sexual. Escolhas que, quer queiramos quer não, serão individuais, sem direito a opinião alheia, incluindo a dos pais.

Aos olhos desta mãe tudo isto era e é cada vez mais claro: como crianças que são, devem ter espaço para explorar e descobrir os seus gostos individuais, e terem a liberdade para fazerem escolhas, sem os espartilhos criados pelos preconceitos dos adultos. Preconceitos que as crianças vão aprender rapidamente e adoptar para as suas vidas, tanto na sua autopercepção como na percepção do próximo. Se não queremos ter crianças preconceituosas, cabe-nos a nós dar-lhes o bom exemplo desde cedo e estarmos abertos para as clarificar quando as dúvidas surgirem. Mesmo que tal não aconteça em casa, acreditem, mais cedo ou mais tarde alguém lhes vai dizer que não é normal um menino brincar com bonecas ou pintar as unhas. Haja alguém que lhes explique que fazer esse comentário é que não é normal.

Espreitar este magnífico trabalho em conjunto pode ser um bom ponto de partida para mostrarem às crianças que vos rodeiam que o preconceito individual de cada uma nós depende… só de nós mesmos.

 

 

 

Como era ser criança no século passado. E se brincava na rua e na lama

Março 7, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 6 de março de 2017.

… enquanto outras testam as leis da gravidade numas escadas numa corridas de caixotes.

Marta Ferreira Leite

Não havia consolas a prender miúdos em casa, ninguém tinha medo da lama nem de partir um braço nos baloiços sem proteção. Do pião aos carrinhos de rolamentos, assim era brincar na rua há umas décadas.

Não havia computadores, consolas ou telemóveis que prendessem os miúdos ao ecrã na sala. Nem mesmo a rádio ou, mais recentemente, a televisão tinham o poder de combater um bom jogo de futebol com duas pedras a fazer de baliza e uma bola de trapos. Brincava-se no meio da lama sem medo de rasgar as calças nos joelhos (para quem não andava de calções e descalço), testava-se o limite da elasticidade com acrobacias no parque e as invenções mais engenhosas nos carrinhos de rolamentos. No século passado, ser criança era brincar na rua sem grandes receios do que acontecia lá fora.

A imaginação era a líder de todas as brincadeiras. Com os grupos de amigos da vizinhança, no intervalo na escola ou com os cães como melhores amigos, estivesse o calor mais abrasador ou a chuva miudinha, a diversão só acabava quando o Sol começava a por-se e as mães iam à janela chamar para jantar. E os miúdos chegavam a casa com a roupa numa desgraça e a cara cheia de terra como testemunhos de um dia bem passado na rua.

O Observador encontrou imagens de como era a infância, em Portugal e no estrangeiro, durante o século passado. Nenhuma tem data nem localização, mas permite fazer uma viagem para o recordar aquelas corridas em carrinhos de rolamentos, dos jogos de berlindes e dos baloiços improvisados. Veja 31 imagens desse tempo na fotogaleria.

fotogaleria:

http://observador.pt/2017/03/06/como-era-ser-crianca-no-seculo-passado-e-se-brincava-na-rua-e-na-lama/

 

 

 

Fotos dos filhos no Facebook. Sim ou não?

Fevereiro 16, 2017 às 5:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Hugo Daniel Sousa publicado no https://www.publico.pt/ de 5 de fevereiro de 2017.

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A Maria acabadinha de nascer. O João a dormir como um anjinho. A Sofia com aquele olhar sedutor. O Miguel com um sorriso maroto de quem só tem dois dentes. Os primeiros passos do Pedro. Ou a acrobacia da Mariana no parque. Há poucas coisas mais ternurentas do que uma foto de uma criança. Especialmente se forem as nossas. Por esta razão, e mais algumas, os pais adoram mostrar as fotos dos filhos aos amigos e familiares. E os feeds do Facebook e do Instagram ou a timeline dos blogues enchem-se de fotos de crianças,

A grande questão — que até já chegou aos tribunais — é se os pais têm o direito de publicar fotos dos filhos nas redes sociais, em particular, e na Internet, em geral?

Para não ficar apenas com a minha opinião (e a minha prática), fiz uma rápida sondagem por alguns amigos. “Publicas fotos dos teus filhos no Facebook?” A primeira resposta foi curta e grossa. “Não”. Porquê? “É um assunto da vida privada”. Outra mãe, outra resposta: “Publico algumas, sempre irreconhecível e demos instruções ao resto da família para fazerem o mesmo”. “Porquê? Achas que não tens o direito de publicar ou é só por segurança?”, perguntei. “Ambas”, foi a resposta.

Voltei a fazer a pergunta, desta vez a alguém que está fora do país. “Sim, publico. Porque vivo longe e é uma maneira fácil de os meus amigos e família poderem acompanhar o crescimento deles, já que raramente os vêem”, respondeu-me um dos pais, deixando um par de ressalvas: “Tenho a preocupação de não os mostrar em situações que impliquem desconforto/embaraço (para futuro registo digital) e nunca, mas nunca, os localizo geograficamente.” E juntou uma adenda. “Num futuro próximo, poderei deixar de publicar fotos deles e até as poderei apagar todas, se for esse o desejo deles.”

A última resposta que recebi é muito parecida com a anterior. Os pais só publicam fotos dos filhos às vezes, mas com o cuidado de as limitar aos amigos e não deixar que sejam vistas por conhecidos deles. A razão para publicar fotos é fácil de adivinhar. “Porque sou uma mãe estupidamente babada. E para ir dando noticias nossas à família e amigos espalhados pelos quatro cantos do mundo.”

Esta discussão já começou há alguns anos e promete continuar. Até na justiça. Num caso de um casal divorciado, o tribunal definiu as condições da regulação do poder parental e, entre elas, incluiu o dever de os pais não divulgarem “fotografias ou informações que permitam identificar a filha nas redes sociais”. A mãe recorreu para o Tribunal da Relação de Évora, que foi bem claro na resposta. “Na verdade, os filhos não são coisas ou objectos pertencentes aos pais e de que estes podem dispor a seu belo prazer. São pessoas e consequentemente titulares de direitos”, escreveram os juízes Bernardo Domingos, Silva Rato e Assunção Raimundo num acórdão de Julho de 2015.

Argumentando que há um “perigo sério e real” de a divulgação de fotos de crianças nas redes sociais as deixar mais susceptíveis a predadores sexuais, os juízes concluem que a proibição de publicar fotos que permitam identificar a criança é “adequada e proporcional à salvaguarda do direito à reserva da intimidade da vida privada e da protecção dos dados pessoais e sobretudo da segurança da menor no ciberespaço”.

Confesso que mais do que ser um legalista ou proibicionista, sou fã da lei do bom-senso. E, por isso, o que realmente me choca são os pais que publicam fotos dos filhos sem qualquer pudor ou contenção (e, como viram, não é o caso dos amigos acima citados). Mas há muitos que não respeitam as dicas básicas de segurança, como enumerava um artigo da Notícias Magazine, de Junho de 2014: nunca publicar fotos de crianças no banho ou de fraldas, nem com uniformes escolares; evitar pôr fotos em alta resolução; não fazer post de imagens em que crianças aparecem com objectos de valor ou imagens em que seja fácil identificar o local (a escola, a casa, etc). Também fundamental é ter o cuidado de restringir ao máximo o número de pessoas que podem ter acesso à imagem no Facebook, limitando, por exemplo, a acesso a amigos mais próximos — e, mesmo assim, as definições de privacidade no Facebook são um mundo em constante mutação, sendo fácil cometer erros.

Estes conselhos são todos úteis para quem não resistir à tentação. Eu, porém, prefiro seguir neste caso a regra do menos é mais: zero fotos é igual a zero riscos. E as imagens hão-de chegar, por outros meios (menos fáceis mas mais seguros), aos avós, tios e amigos que vivem longe. É que — como alguém escreveu num texto erradamente atribuído na Internet a José Saramago — um “filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar os nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem”. Na feliz (e assustadora) expressão desse autor desconhecido, os filhos “são apenas um empréstimo”. E, por isso, prefiro que um dia não me cobrem essa dívida: “Pai, como foste capaz de publicar esta foto minha no Facebook?”.

 

Fotógrafa capta retratos poderosos das ‘crianças invisíveis’ que crescem como refugiadas

Novembro 7, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.hypeness.com.br/

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A fotógrafa libanesa Rania Matar trabalhava em um projeto envolvendo mães e filhas no ano de 2014 quando, ao visitar sua terra natal, percebeu um outro assunto, forte, contundente e então pouco explorado e que, apesar de estar debaixo de seu nariz, Matar ainda não havia reparado: as crianças sírias e palestinas vivendo como refugiadas no Líbano. O assunto cresceu de tal forma que rapidamente se transformou em um trabalho autônomo e central em sua carreira.

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A questão [dos refugiados] começou pelo Líbano, e era incrível ver essas crianças pelas ruas. O primeiro garoto que conversei se parecia com meu filho, e tinha a mesma idade, e isso me comoveu profundamente”, ela afirma.

O nome do projeto não poderia ser mais terrivelmente apropriado: Invisible Children, ou Crianças Invisíveis. A ideia é oferecer um rosto humano à crise, indo além do que diz a mídia, as estatísticas, a guerra e as ideias sobre terrorismo e invasão.

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Pelos últimos dois anos Rania continuo voltando ao Líbano para retomar ou conquistar essas relações. Através de uma aproximação franca e afetuosa, ela consegue criar uma conexão humana, através da qual a artista tenta registrar a personalidade das pessoas fotografadas.

No fim, são crianças que querem ser escutadas, que prestem atenção a elas. Estamos largando-as nas ruas ao invés de oferecermos educação, isso é que é terrível. Já é o segundo ano que essas crianças estão nas ruas, e não nas escolas”, afirma Rania.

Todas as fotos © Rania Matar

Recentemente o Hypeness mostrou os refugiados que estão oferecendo cursos de idioma e cultura em São Paulo. Relembre.

mais fotos no link:

http://www.hypeness.com.br/2016/10/fotografa-capta-retratos-poderosos-das-criancas-invisiveis-que-crescem-como-refugiadas/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+com%2FtQbo+%28Hypeness%29

 

 

 

 

Autismo: o João é escritor, mas deseja ser médico

Novembro 1, 2016 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 21 de outubro de 2016.

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O João é autista. Nunca falou, em 19 anos de vida, mas escreve. E bem, segundo a Porto Editora, que editou o seu livro “O Menino de Deus”, que valeu um prefácio de Valter Hugo Mãe. “O João não fala. O João não anda na escola. O João não lê. O João não vê televisão e nunca usou um computador, tablet ou telefone. Mas desde pequeno que começou a escrever em português e noutras línguas. Escreve sobre tudo o que acontece na actualidade, fazendo dissertações sobre o futuro da humanidade, educação, política, relações afectivas e espiritualidade. Ele escreve como se tivesse acesso à informação de uma forma que desconhecemos.” É assim que a autora do projecto “Dá-me a Minha Voz”, Sara Correia, descreve o João, cujo autismo foi diagnosticado quando tinha apenas dois anos. Actualmente, o sonho de João é libertar-se das suas limitações físicas e tornar-se médico holístico. O autismo é um disturbio neurológico que afecta um número crescente de pessoas em todo o mundo. “Compreender o autismo é um desafio que nos obriga a evoluir como seres humanos. Acredito que estas crianças têm dentro delas uma inteligência universal, demasiado grande para caber neste mundo, mas que se impõe para que se renove a esperança num futuro melhor. É preciso entender que a transformação que os autistas estão a provocar nos outros leva a uma evolução que precisa de acontecer nas pessoas, no mundo. O João e todos os outros autistas com quem tenho tido o privilégio de me cruzar, ensinaram-me isto.” A exposição do projecto de Sara Correia inaugurou a 19 de Outubro, no Maus Hábitos – Espaço de Intervenção Cultural, no Porto.

 

 

A infância debaixo da linha de fogo na Síria

Agosto 24, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 18 de agosto de 2016.

Khalil Ashawi

© Khalil Ashawi / Reuters

Na Síria, não são apenas os adultos afetados pela guerra civil. Milhares de crianças sírias sofrem todos os dias com os bombardeamentos e com os ataques militares. Também as crianças são apanhadas na linha de fogo e mortas por uma guerra que muitas delas não têm idade suficiente para saber o motivo. Crianças que cresceram no meio da guerra, crianças que tiveram de aprender o que é a guerra. Veja aqui uma galeria com imagens das crianças sírias, envoltas numa guerra que não parece ter fim.

visualizar todas as fotografias no link:

http://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2016-08-18-A-infancia-debaixo-da-linha-de-fogo-na-Siria

 

 

Omran Daqneesh: o rapaz da ambulância que é o espelho da guerra civil na Síria

Agosto 23, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tsf.pt/de 18 de agosto de 2016.

Aleppo

Coberto de lama e sangue, sentando na parte de trás de uma ambulância, Omran é apenas mais uma vítima da guerra pelo controlo de Alepo, na Síria.

A fotografia de Omran Daqneesh, um jovem de cinco anos que ficou ferido nos mais recentes ataques aéreos em Alepo, na Síria, está a correr o mundo. Desorientando, coberto de lama e sangue, Omran foi filmado e fotografado na parte de trás da ambulância, onde aparece sentado.

A imagem de Omran faz parte de um vídeo colocado em circulação pelo Aleppo Media Centre, um grupo de ativistas anti-governo, que alega que Omran é mais uma vítima dos bombardeamentos realizados pela Rússia, aliada do presidente sírio Bashar al-Assad.

Omran acabou por sobreviver, bem como a sua família, onde se contam três irmãos, com um, seis e 11 anos e ainda os pais. Um fotógrafo da Reuters captou um momento a seguir ao vídeo, onde Omran aparece ao lado de uma irmã.

mahmoud rslan

De acordo com a ONU, há um mês que não entra qualquer ajuda humanitária na cidade, a segunda maior da Síria, centro dos combates entre as forças do regime e os grupos rebeldes e jihadistas.

 

 

Irão: crianças que crescem no corredor da morte

Junho 28, 2016 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Capturar

 

Shaqayeq tem 15 anos e aguarda nos “corredores da morte” pelos seus 18 anos, momento em que será executada pelo crime de furto de viatura. De acordo com o último relatório elaborado pela Amnistia Internacional, no Irão, entre 2005 e 2015, foram levadas a cabo 73 execuções de menores de 18 anos. “É provável que os números reais sejam bastante mais elevados, uma vez que existem casos de pena de morte que não são reportados”, pode ler-se no referido documento. A ONU estima que 160 menores aguardem actualmente o cumprimento de pena capital. O sistema judicial do país detém as crianças nos centros de correcção de delinquentes juvenis até ao cumprimento da pena. A maior parte das execuções resultam de crimes de homicídio, violação, ofensas relacionadas com venda ou consumo de estupefacientes ou com a ameaça à segurança nacional. Segundo a lei iraniana, raparigas com mais de nove anos e rapazes com idade superior a quinze são imputáveis, podem ser julgados e condenados como se de adultos se tratasse. O projecto “Waiting Girls”, do fotógrafo iraniano Sadegh Souri, tem como principal objectivo alertar a comunidade internacional para a contínua violação da “Convenção sobre os Direitos da Criança”, ratificada pelo Governo iraniano há duas décadas. Em muitos casos, o sistema aguarda até que a criança prefaça os dezoito anos de idade para cumprir a execução, mas a Amnistia Internacional refere casos em que a pena foi aplicada a menores. Esta série, “Waiting Girls”, é finalista do prémio anual Leica Oskar Barnack Award de 2016.

Ana Marques Maia para o Público, em 13 de junho de 2016

Veja mais fotos AQUI.

 

 

 

 

 

 

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