Onde as crianças dormem

Novembro 20, 2017 às 10:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Romanian refugee, Rome, Italy

Texto do https://www.swissinfo.ch/eng/ de 20 de novembro de 2012.

A child’s bedroom – or sleeping place – reveals a great deal about his or her cultural and social background. In the book “Where Children Sleep”, photographer James Mollison provides a glimpse of the lives of children from around the world.

The British photographer worked for four years on this project. The book, published in 2010, was designed above all for readers aged nine to 13. But the photos, depicting often extreme differences in living standards, touch readers of all ages. (Images: James Mollison)

James Mollison

mais fotos da série “Where Children Sleep” no link:

http://jamesmollison.com/books/where-children-sleep/

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Re-Flectere: Apresentação Livro + Exposição Fotográfica – 21 novembro em Lisboa

Novembro 19, 2017 às 6:04 am | Publicado em Divulgação, Livros | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.facebook.com/events/1898460690416052/

 

 

O país onde crianças combatem por dinheiro

Novembro 8, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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©Berta Couto

Texto do http://p3.publico.pt/ de 23 de outubro de 2017.

“É difícil ficarmos imunes ao elevado número de crianças que vive nas ruas da Tailândia. (…) Face a isto não há praia de águas azul-turquesa ou ilhas de James Bond que nos tragam algum conforto emocional”, garante Berta B.B. Couto, autora do projecto fotográfico Fight For One’s Life, em declarações via email ao P3. “As crianças tailandesas são frequentemente vistas como obrigações ou fardos pelas comunidades onde vivem, motivo por que são usadas como fonte de rendimento”, explica. Os combates da arte marcial Muay Thai, protagonizados pelos menores a troco de dinheiro, são a resposta encontrada pelas famílias, pelos ginásios e pelas próprias crianças para escapar à pobreza.

A arte marcial é, actualmente, encarada como “um grande negócio”, alimentado sobretudo pelo turismo. Não há “banca de venda de tours” que não apregoe o combate de jovens lutadores como “uma das principais atracções do país”, descreve a enfermeira e fotógrafa. Uma lei promulgada pelo estado tailandês proibiu, em 1999, a prática profissional de Muay Thai por indivíduos menores de 15 anos, mas Berta sabe que muitos começam a treinar e a lutar muito antes de atingirem essa idade. Em Junho de 2017, interessada em praticar a arte marcial, a portuguesa entrou em contacto com vários ginásios da modalidade, acabando por começar a treinar num clube desportivo em Chiang Mai, no norte da Tailândia. Uma experiência que foi imersiva: “Durante um mês mantive contacto diário com três jovens lutadores, entre os 14 e 16 anos de idade. Vivi a sua rotina, reconheci as várias emoções vividas por eles ao longo de um dia de treino que começa ainda antes do sol nascer e que termina apenas quando o corpo reconhece o limiar da exaustão”.

A fotógrafa foi criando laços com os jovens e os treinadores e tornou-se também parte do grupo, como se vê nas suas fotografias. “São de facto uma família. Foi isso que me permitiu conhecer a fundo as suas histórias. Percebi que alguns destes jovens foram abandonados pelas famílias, enquanto outros procuraram apenas uma maneira de saírem das ruas onde viviam.” Foi o caso de uma das crianças que Berta conheceu, um rapaz que, com apenas 12 anos, teve o seu primeiro contacto com o mundo das drogas, depois de ter sido rejeitado pelos pais e de ter vivido na rua. “O Muay Thai”, prossegue, “pode ser visto como um desporto cruel e explorador, sobretudo quando vemos estes jovens a cair no ringue inconscientes após um knockout ou quando lhes vemos a face coberta de sangue, braços e pernas partidas, lesões que podem custar semanas de danos físicos e mentais”. Estas crianças, considera, pertencem a outro local: “Deveriam estar a brincar com outros jovens, vivendo a inocência característica destas idades.”

Berta, que se considera uma defensora dos direitos humanos, teve dificuldade em afastar-se emocionalmente do que estava a presenciar, “Várias vezes me questionei sobre o que eu estava ali a viver”, desabafa. Até que um momento a fez ver um outro lado desta realidade: “Quando vi o sorriso de pura felicidade do Pok (um dos jovens lutadores com quem partilhei vários treinos) após uma vitória e depois vi-o a aprender a tocar a Stairway to Heaven na guitarra que comprou com o dinheiro dos combates percebi que [estas crianças] não lutam somente por um título; estão a lutar pelas suas vidas, por um futuro que vão alcançado dia-a-dia, em cada luta”. Procuram um lar, um lugar onde tenham comida, um tecto para dormir, uma família; e encontram-no nos ginásios de Muay Thai, que vêem como “uma porta aberta para um futuro que antes pensavam inalcançável”. Os treinadores lucram com as apostas associadas aos combates, os jovens ganham prémios monetários por cada luta que vencem e os turistas aplaudem um espectáculo que, certamente, reprovariam no seu país de origem.

Enfermeira de cuidados intensivos, Berta é uma apaixonada por fotografia. “Queria ser o Robert Capa feminino, mas, sabendo que dificilmente atingiria esse objectivo, acabei por enveredar por uma profissão onde pudesse ajudar as pessoas”, reflecte. Em Fevereiro de 2017, a portuguesa partiu “numa viagem sem plano e sem data de regresso”. Depois de ter passado pelo Nepal, onde documentou os danos colaterais das monções dos últimos meses, está por estes dias nos Himalaias. A travessia pode ser acompanhada na sua conta no Instagram, que actualiza regularmente.

 

A liberdade de uma filha vale uma família inteira?

Abril 24, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.tsf.pt/ de 11 de abril de 2017.

Foto Zohra Bensemra/Reuters

Cláudia Arsénio com Reuters

Zeinab tem 14 anos. O ano passado, um homem mais velho ofereceu dinheiro pelo dote. Mil dólares (cerca de 950 euros) que permitiriam à família escapar à fome e a uma morte certa no sul da Somália.

“Preferia morrer. É melhor fugir e ser comida pelos leões”, desabafou a adolescente bonita quando a mãe lhe falou da oferta. Zeinab sonha ser professora de inglês, sonha com um futuro diferente. “E nós ficaríamos aqui e morreríamos à fome e depois os animais comeriam o que restasse”, respondeu a mãe, dividida entre o amor e o pragmatismo.

Não se sabe ao certo quantas famílias na Somália enfrentam o mesmo dilema, numa altura em que a guerra e a seca levaram o país à maior crise desde a II Guerra Mundial.

Na aldeia de Zeinab e da família, os poços secaram e o gado morreu. A única esperança que lhes resta é chegar a Dollow, uma cidade junto à fronteira com a Etiópia, onde a ajuda internacional fornece água e comida a quem foge de uma morte certa. E, para tal, precisam do dinheiro do dote para a viagem.

O negócio seria realizado. Abdir Hussein, a mãe, confessa à repórter da Reuters, já em Dollow, que nunca se sentiu tão mal. “Acabei com os sonhos do meu bebé. Mas sem aquele dinheiro, teríamos morrido todos”.

Na balança estavam, de um lado, os sonhos de Zeinab e, do outro lado, a vida de 20 sobrinhos e sobrinhas, filhos e filhas das suas três irmãs mais velhas já viúvas ou divorciadas. A vida do seu irmão mais velho, da irmã mais nova e dos seus pais.

O casamento foi celebrado e a união consumada, mas ao fim de três dias… Zeinab fugiu. O marido seguiu-a até Dollow e a família enfrentou um novo dilema: estavam a salvo, mas não poderiam devolver o dinheiro do dote.

A solução seria Abdiweli Mohammed Hersi, a professora de inglês de Zeinab. Com a ajuda do grupo humanitário italiano Cooperazione Internazionale, conseguiu reunir o dinheiro necessário. Agora o grupo vai mediar um encontro entre os homens das duas famílias e propor a devolução do valor do dote se o marido aceitar divorciar-se perante testemunhas,

Ao ouvir estas palavras, os olhos negros da bela Zeinab deixaram de fixar o chão. “Serei livre?”, perguntou.

Fotografias de Zohra Bensemra, da agência Reuters.

mais fotografias n link:

http://www.tsf.pt/internacional/interior/a-liberdade-de-uma-filha-vale-uma-familia-inteira-6214381.html?utm_campaign=Echobox&utm_content=TSF&utm_medium=Social&utm_source=Facebook#link_time=1491911394

 

 

Inauguração da exposição fotográfica RE-FLECTERE// 26 de Abril, 17h, Centro de Documentação do Edifício Central do Município, no Campo Grande, 25.

Abril 24, 2017 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inauguração da exposição fotográfica RE-FLECTERE// 26 de Abril, 17h, Centro de Documentação do Edifício Central do Município, no Campo Grande, 25.

Caso queira estar presente na sessão de inauguração, manifeste o seu interesse enviando um email para 

observatoriopobreza@eapn.pt

Porque os problemas sociais são resultado das nossas escolhas, dos modelos de sociedade que construímos, e porque, por isso mesmo, cabe a todos nós a responsabilidade de os conhecer e procurar resolver, o Observatório de luta contra a Pobreza na cidade de Lisboa, no âmbito do seu 10.º aniversário, promove em parceria com o fotodocumentarista Marcelo Londoño e com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, o projecto RE-FLECTERE.
Com esta narrativa fotográfica procuramos retratar as vulnerabilidades sociais na cidade de Lisboa e os diferentes mecanismos utilizados para as enfrentar e superar, privilegiando a imagem como forma de colocar este tema na ordem do dia, tornando-o mais visível pela promoção do debate e da reflexão com a comunidade em geral, incentivando os cidadãos a desempenhar um papel mais activo na mudança.

https://www.instagram.com/re_flectere/

https://www.facebook.com/Reflectere

 

Um dia na vida de uma criança trabalhadora

Março 29, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 17 de março de 2017.

Há duas semanas, o fotógrafo Shivam Thapa regressou brevemente ao seu país de origem, o Nepal, e fotografou uma realidade que conhece desde pequeno: a do trabalho infantil. “Os anos passam e o trabalho infantil continua a ser comum, no Nepal”, explicou ao P3. O trabalho que as crianças operam nas fábricas de tijolos é extremamente exigente, do ponto de vista físico, e o número de horas que trabalham conduz muitas das crianças à exaustão e a danos físicos irreversíveis. “Muitos queixam-se que o horário que cumprem é demasiado longo e que não há qualquer tipo de segurança no trabalho; se algum acidente acontece, nada é pago. Não há dias de folga. Foi muito difícil ouvir as historias que me contaram.” Uma das que escutou foi a de um rapaz de 11 anos. “Estava lá a trabalhar apenas há um mês. Num dia de trabalho, ele ganha mil rupias nepalesas – o que corresponde a menos de nove euros.” As crianças ganham em função do número de viagens de transporte que efectuam e são necessárias 500 viagens para ganharem as mil rupias que o fotógrafo referiu. “A historia dele é muito comum. Ele vivia numa aldeia com a família que o enviou para o trabalho na fábrica. Todo o dinheiro que consegue poupar envia para os pais.” Shivam Thapa lamenta a realidade que documentou. “Estas são idades em que as crianças deveriam estar a fazer amigos, a aprender coisas novas, a estudar e a cometer erros formativos. É muito triste que o trabalho infantil ainda seja uma realidade, no Nepal. Eu considero-me um afortunado por viver na Europa, apesar de também ter começado a trabalhar muito cedo. Até agora, este foi um dos projectos mais difíceis que desenvolvi. Os patrões das fábricas confundiam-me com um jornalista e não me permitiam fotografar as crianças e os animais – que também sofrem abusos nesse contexto. Fui expulso de algumas fábricas. Alguns dos pais com quem falei estão cientes de que colocar os filhos a trabalhar é errado, mas ainda assim, eles lá estão.” Uma das fábricas que visitou era junto de uma esquadra de polícia. “A polícia não faz nada em relação a isto”, lamenta. “Existe um ditado nepalês que diz que o que quer que seja que os pais façam, os filhos lhes seguirão as pisadas. E assim é, no Nepal. Os ricos continuam a ser ricos e os pobres continuam a ter de matar-se a trabalhar para sobreviver.” O fotógrafo residiu 12 anos em Lisboa e vive, desde 2014, no Reino Unido. Publicou no P3 o projecto “Idyllic Rodeløkka“, em Dezembro de 2016.

Visualizar a fotogaleria no link:

http://p3.publico.pt/cultura/exposicoes/23154/um-dia-na-vida-de-uma-crianca-trabalhadora

Moçambique: meninos a quem a rua roubou a infância

Março 15, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 28 de fevereiro de 2017.

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Ana Marques Maia

À semelhança das crianças que fotografou para o projecto “Growing in Darkness“, Mário Macilau foi um menino de rua em Maputo. Entre 2012 e o presente ano, o fotógrafo frequentou o espaço privado destas crianças, visitou as pontes e os prédios abandonados onde vivem e dormem. “São lugares muito escuros, húmidos e perigosos”, descreve, em entrevista ao P3. “Não existe água nem electricidade, nem qualquer tipo de comodidade ou apoio doméstico. São lugares eternamente provisórios.” Em Moçambique, as dificuldades económicas conduzem as famílias ao abandono das crianças ou à sua exploração como fonte de rendimento, o que leva à multiplicação de situações de exploração laboral, abandono escolar, desalojamento e, em consequência, a uma maior incidência de crimes e consumo de droga entre a população infantil. (A UNICEF faz um retrato da situação moçambicana num relatório que divulgou em 2014 no seu sítio oficial, que pode ser lido aqui.) “As crianças de rua estão frequentemente sujeitas a abusos, negligência, exploração ou, em casos extremos, a trabalho em fábricas e em mercados formais e informais”, explicou o fotógrafo moçambicano. “São lugares muito escuros, húmidos e perigosos. Não existe água nem electricidade, nem qualquer tipo de comodidade ou apoio doméstico. São lugares eternamente provisórios.” A entrevista com o fotógrafo pode ser lida integralmente aqui.

visualizar as fotos no link:

http://p3.publico.pt/cultura/exposicoes/23021/mocambique-meninos-quem-rua-roubou-infancia

Porque é que os meninos não devem brincar com bonecas?

Março 14, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Paula Cosme Pinto publicado no http://expresso.sapo.pt/ de 1 de março de 2017.

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Lembro-me de há uns tempos o marido de uma amiga ter ficado altamente incomodado quando ela deixou o filho pintar a unhas com verniz. O miúdo, com pouco mais de cinco anos, achava um piadão às unhas coloridas da mãe e deleitou-se quando viu as suas transformadas num verdadeiro arco-íris. Como podem calcular, a única coisa de que o miúdo não gostou, nem sequer percebeu, foi a zanga. Conto este episódio porque já discorremos sobre ele em conjunto e porque é apenas um entre os muitos que acontecem entre pais e filhos, quando os primeiros têm dificuldade em deixar cair ideias pré-definidas no que toca ao que é apropriado a meninas e meninos. Afinal, qual é o mal de um miúdo querer pintar as unhas?

O mal está exclusivamente na cabeça dos adultos, que carregam consigo uma série de preconceitos, enraizados na nossa sociedade há séculos e que demoram a cair, mesmo quando estamos despertos para a necessidade urgente de o fazer. Continua a existir uma vontade e necessidade de se colocar rótulos naquilo que é esperado de cada género, desde criança, seja na forma como nos comportamos em sociedade e no seio familiar, nas atividades que gostamos de fazer, nas escolhas para o futuro. Em parte, isto também explica porque teimamos em dar carrinhos, bolas e miniaturas de materiais de construção aos garotos, enquanto que às garotas a escolha habitual – e igualmente pouco refletida – vai para cozinhas em miniatura, tiaras de princesa e bonecos ao género do bebé chorão.

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Muito se tem falado sobre a importância de estimularmos as meninas a fazerem outro tipo de atividades nas suas brincadeiras para além do universo cor-de-rosa, desde o desporto às ciências. Fazemo-lo convictos de que a alteração de certos padrões associados às expectativas que recaem sobre o sexo feminino desde tenra idade venham a contribuir para que elas se possam transformar em mulheres menos submissas, menos espartilhadas nas suas escolha e com a confiança suficiente para escolherem o que bem lhes apetecer para o seu futuro, mesmo que seja um trabalho ou atividade regra geral associado ao sexo masculino. Contudo, temo-nos esquecido constantemente de fazer o exercício contrário: promover a igualdade de género também entre os meninos e rapazes, dando-lhes espaço para serem e fazerem aquilo que mais gostarem. Para além dos tais rótulos do que supostamente é para menino ou para menina.

#ABoyCanToo, o projeto que todos devemos espreitar

Há uma fotógrafa canadiana que se dedica precisamente a tentar quebrar este estereótipos de género tão comuns na educação das crianças há mais de uma ano. Baseada nas diferentes personalidades dos seus três filhos, Kirsten McGoey começou em 2016 um movimento fotográfico associado à hashtag #ABoyCanToo, que se tornou num enorme sucesso. Em 2017, a primeira foto que publicou foi precisamente a de um menino a pintar as unhas e foi por isso que me lembrei de hoje o partilhar convosco.

As fotos de McGoey são feitas em estúdio, com meninos e pré-adolescente dos 4 aos 16 anos. Um género de elogio às suas escolhas, como fonte de inspiração para outras crianças que não se sentem à vontade para fazer coisas tão simples quanto patinagem artística, sapateado, cozinhar, brincar com bonecas, usar cabelo comprido e por aí fora. O resultado é um conjunto de retratos simbólicas que para muitos podem até ser desconfortáveis, mas cuja leitura aos olhos de uma criança não deveria ser mais do que normalidade.

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Hoje, o projeto alargou-se (e até aceita propostas de outros países), mas McGoey começou por fotografar os seus próprios filhos, fascinada pela diversidade de comportamentos e escolhas que cada um fazia individualmente. Tanto gostavam de jogar à bola e de brincar às lutas, como também gostavam de dançar, de usar peças cor-de-rosa e de fazer bolos (principalmente o filho do meio). O mais importante? Não era nenhuma destas coisas isso que os definia no seu todo. Não é o facto de gostarem de usar cor de rosa ou de brincarem com bonecas que os torna menos rapazes, nem tampouco menos masculinos. Não é isso que vai ditar o futuro da sua vida, incluindo as escolhas afectivas ou de orientação sexual. Escolhas que, quer queiramos quer não, serão individuais, sem direito a opinião alheia, incluindo a dos pais.

Aos olhos desta mãe tudo isto era e é cada vez mais claro: como crianças que são, devem ter espaço para explorar e descobrir os seus gostos individuais, e terem a liberdade para fazerem escolhas, sem os espartilhos criados pelos preconceitos dos adultos. Preconceitos que as crianças vão aprender rapidamente e adoptar para as suas vidas, tanto na sua autopercepção como na percepção do próximo. Se não queremos ter crianças preconceituosas, cabe-nos a nós dar-lhes o bom exemplo desde cedo e estarmos abertos para as clarificar quando as dúvidas surgirem. Mesmo que tal não aconteça em casa, acreditem, mais cedo ou mais tarde alguém lhes vai dizer que não é normal um menino brincar com bonecas ou pintar as unhas. Haja alguém que lhes explique que fazer esse comentário é que não é normal.

Espreitar este magnífico trabalho em conjunto pode ser um bom ponto de partida para mostrarem às crianças que vos rodeiam que o preconceito individual de cada uma nós depende… só de nós mesmos.

 

 

 

Como era ser criança no século passado. E se brincava na rua e na lama

Março 7, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 6 de março de 2017.

… enquanto outras testam as leis da gravidade numas escadas numa corridas de caixotes.

Marta Ferreira Leite

Não havia consolas a prender miúdos em casa, ninguém tinha medo da lama nem de partir um braço nos baloiços sem proteção. Do pião aos carrinhos de rolamentos, assim era brincar na rua há umas décadas.

Não havia computadores, consolas ou telemóveis que prendessem os miúdos ao ecrã na sala. Nem mesmo a rádio ou, mais recentemente, a televisão tinham o poder de combater um bom jogo de futebol com duas pedras a fazer de baliza e uma bola de trapos. Brincava-se no meio da lama sem medo de rasgar as calças nos joelhos (para quem não andava de calções e descalço), testava-se o limite da elasticidade com acrobacias no parque e as invenções mais engenhosas nos carrinhos de rolamentos. No século passado, ser criança era brincar na rua sem grandes receios do que acontecia lá fora.

A imaginação era a líder de todas as brincadeiras. Com os grupos de amigos da vizinhança, no intervalo na escola ou com os cães como melhores amigos, estivesse o calor mais abrasador ou a chuva miudinha, a diversão só acabava quando o Sol começava a por-se e as mães iam à janela chamar para jantar. E os miúdos chegavam a casa com a roupa numa desgraça e a cara cheia de terra como testemunhos de um dia bem passado na rua.

O Observador encontrou imagens de como era a infância, em Portugal e no estrangeiro, durante o século passado. Nenhuma tem data nem localização, mas permite fazer uma viagem para o recordar aquelas corridas em carrinhos de rolamentos, dos jogos de berlindes e dos baloiços improvisados. Veja 31 imagens desse tempo na fotogaleria.

fotogaleria:

http://observador.pt/2017/03/06/como-era-ser-crianca-no-seculo-passado-e-se-brincava-na-rua-e-na-lama/

 

 

 

Fotos dos filhos no Facebook. Sim ou não?

Fevereiro 16, 2017 às 5:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Hugo Daniel Sousa publicado no https://www.publico.pt/ de 5 de fevereiro de 2017.

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A Maria acabadinha de nascer. O João a dormir como um anjinho. A Sofia com aquele olhar sedutor. O Miguel com um sorriso maroto de quem só tem dois dentes. Os primeiros passos do Pedro. Ou a acrobacia da Mariana no parque. Há poucas coisas mais ternurentas do que uma foto de uma criança. Especialmente se forem as nossas. Por esta razão, e mais algumas, os pais adoram mostrar as fotos dos filhos aos amigos e familiares. E os feeds do Facebook e do Instagram ou a timeline dos blogues enchem-se de fotos de crianças,

A grande questão — que até já chegou aos tribunais — é se os pais têm o direito de publicar fotos dos filhos nas redes sociais, em particular, e na Internet, em geral?

Para não ficar apenas com a minha opinião (e a minha prática), fiz uma rápida sondagem por alguns amigos. “Publicas fotos dos teus filhos no Facebook?” A primeira resposta foi curta e grossa. “Não”. Porquê? “É um assunto da vida privada”. Outra mãe, outra resposta: “Publico algumas, sempre irreconhecível e demos instruções ao resto da família para fazerem o mesmo”. “Porquê? Achas que não tens o direito de publicar ou é só por segurança?”, perguntei. “Ambas”, foi a resposta.

Voltei a fazer a pergunta, desta vez a alguém que está fora do país. “Sim, publico. Porque vivo longe e é uma maneira fácil de os meus amigos e família poderem acompanhar o crescimento deles, já que raramente os vêem”, respondeu-me um dos pais, deixando um par de ressalvas: “Tenho a preocupação de não os mostrar em situações que impliquem desconforto/embaraço (para futuro registo digital) e nunca, mas nunca, os localizo geograficamente.” E juntou uma adenda. “Num futuro próximo, poderei deixar de publicar fotos deles e até as poderei apagar todas, se for esse o desejo deles.”

A última resposta que recebi é muito parecida com a anterior. Os pais só publicam fotos dos filhos às vezes, mas com o cuidado de as limitar aos amigos e não deixar que sejam vistas por conhecidos deles. A razão para publicar fotos é fácil de adivinhar. “Porque sou uma mãe estupidamente babada. E para ir dando noticias nossas à família e amigos espalhados pelos quatro cantos do mundo.”

Esta discussão já começou há alguns anos e promete continuar. Até na justiça. Num caso de um casal divorciado, o tribunal definiu as condições da regulação do poder parental e, entre elas, incluiu o dever de os pais não divulgarem “fotografias ou informações que permitam identificar a filha nas redes sociais”. A mãe recorreu para o Tribunal da Relação de Évora, que foi bem claro na resposta. “Na verdade, os filhos não são coisas ou objectos pertencentes aos pais e de que estes podem dispor a seu belo prazer. São pessoas e consequentemente titulares de direitos”, escreveram os juízes Bernardo Domingos, Silva Rato e Assunção Raimundo num acórdão de Julho de 2015.

Argumentando que há um “perigo sério e real” de a divulgação de fotos de crianças nas redes sociais as deixar mais susceptíveis a predadores sexuais, os juízes concluem que a proibição de publicar fotos que permitam identificar a criança é “adequada e proporcional à salvaguarda do direito à reserva da intimidade da vida privada e da protecção dos dados pessoais e sobretudo da segurança da menor no ciberespaço”.

Confesso que mais do que ser um legalista ou proibicionista, sou fã da lei do bom-senso. E, por isso, o que realmente me choca são os pais que publicam fotos dos filhos sem qualquer pudor ou contenção (e, como viram, não é o caso dos amigos acima citados). Mas há muitos que não respeitam as dicas básicas de segurança, como enumerava um artigo da Notícias Magazine, de Junho de 2014: nunca publicar fotos de crianças no banho ou de fraldas, nem com uniformes escolares; evitar pôr fotos em alta resolução; não fazer post de imagens em que crianças aparecem com objectos de valor ou imagens em que seja fácil identificar o local (a escola, a casa, etc). Também fundamental é ter o cuidado de restringir ao máximo o número de pessoas que podem ter acesso à imagem no Facebook, limitando, por exemplo, a acesso a amigos mais próximos — e, mesmo assim, as definições de privacidade no Facebook são um mundo em constante mutação, sendo fácil cometer erros.

Estes conselhos são todos úteis para quem não resistir à tentação. Eu, porém, prefiro seguir neste caso a regra do menos é mais: zero fotos é igual a zero riscos. E as imagens hão-de chegar, por outros meios (menos fáceis mas mais seguros), aos avós, tios e amigos que vivem longe. É que — como alguém escreveu num texto erradamente atribuído na Internet a José Saramago — um “filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar os nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem”. Na feliz (e assustadora) expressão desse autor desconhecido, os filhos “são apenas um empréstimo”. E, por isso, prefiro que um dia não me cobrem essa dívida: “Pai, como foste capaz de publicar esta foto minha no Facebook?”.

 

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