Finlândia – o primeiro país do mundo a abolir as disciplinas escolares

Março 19, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 4 de março de 2017.

uptokids

O sistema de Ensino da Finlândia é considerado um dos melhores do mundo. Está sempre no top 10 no ranking internacional. No entanto, não pretendem descansar sobre os louros, e agora decidiram revolucionar por completo o sistema escolar, abolindo as disciplinas do currículo escolar. Deixará de existir matemática, história, geografia ou literatura.

O chefe do Departamento de Educação em Helsínquia, Marjo Kyllonen, explicou as alterações: “Há escolas que aplicam métodos de ensino que já foram eficazes no inicio dos anos 1900, mas neste momento, as necessidades são outras, e precisamos de um método que se adapte ao século XXI”

Em vez de disciplinas escolares individuais, os alunos irão estudar eventos e acontecimentos de uma forma interdisciplinar. Por exemplo, a 2ª Guerra mundial será abordada na perspectiva da História, da Geografia e da Matemática. Na área “Trabalhar num café” os alunos irão desenvolver conhecimentos na área da Língua Inglesa, economia e comunicação.

Este método será introduzido nos alunos mais velhos, a partir dos 16 anos. O conceito baseia-se na premissa dos alunos escolherem qual o assunto ou acontecimento que pretendem estudar, tendo em conta as suas capacidades e ambições para o futuro. Desta forma, nenhum aluno terá de frequentar um ou dois anos de Físico-química, contrariado e a questionar-se “Porque é que tenho de estudar isto?”

O formato tradicional da comunicação  professor-aluno também vai ser reformulada. Os alunos deixarão de se sentar em secretárias dispostas na sala de aula, à espera ansiosamente para responder às questões colocadas. Professores e alunos trabalharão em conjunto em pequenos grupos de discussão.

O sistema de educação da Finlândia incentiva o trabalho colectivo, e por esse motivo as alterações nunca poderiam ser apenas relativamente aos conteúdos e aos alunos. A reforma escolar irá exigir uma cooperação entre os vários professores das diferentes disciplinas. Cerca de 70% dos professores em Helsínquia, já realizaram trabalhos preparatórios direccionados com o novo sistema de apresentação dos conteúdos e, em compensação irão receber um aumento salarial.

Esta reforma deverá estar concluída em 2020.

 

 

 

 

8 coisas a aprender com a educação na Finlândia

Maio 11, 2016 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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ensino-Finlândia

A Finlândia, país conhecido por ter um dos sistemas de ensino mais elogiados do mundo, está constantemente na vanguarda das metodologias de ensino. Em 2015, foram integrados 35 professores brasileiros em turmas de ensino básico, profissional e superior, na área de ciencias e tecnologia.

A BBC Brasil conversou com quatro desses professores, para apurar de que forma poderão aplicar as ferramentas lá desenvolvidas em contexto de sala de aula, de forma a melhorar o aprendizado nas instituições públicas de ensino onde atuam.
Os professores relatam que podem agregar partes do ensino finlandês às suas rotinas, criando pequenas revoluções na aprendizagem. Ficam os 8 tópicos, que estes professores mais valorizaram na educação na Finlândia

1. Desenvolvimento de projetos em sala de aula
Os projetos elaborados por alunos e a resolução de problemas têm grande protagonismo no ensino finlandês, em detrimento das aulas tradicionais.

São as metodologias chamadas de “problem-based learning” e “project-based learning” (ensino baseado em problemas ou projetos). Aqui, problemas – fictícios ou reais da comunidade – são o ponto de partida da aprendizagem. Os alunos aprendem pela experimentação e procuram soluções.

“Os projetos são desenvolvidos sem o envolvimento tão direto do professor, em que os alunos aprendem não só o conteúdo, mas a gerir um plano e lidar com erros” – Bruno Garcês, professor de Química do Instituto Federal do Mato Grosso

“Um curso de Administração tem disciplinas tradicionais no primeiro ano. Mas, nos dois anos e meio seguintes, os alunos deixam de ter professores, passam a ter tutores, formam empresas reais e aprendem enquanto desenvolvem o negócio”,  Francisco Fechine, coordenador do Instituto Federal de Tecnologia da Paraíba.

Não é uma estrutura que sirva para qualquer tipo de curso, mas funciona nos voltados, por exemplo, a empreendedorismo: “Os alunos têm uma carga de leitura, para procurar nos livros as ferramentas que precisam para resolver os problemas.” Joelma Kremer, do Instituto Federal de Santa Catarina.

2. Produção de conteúdos
A resolução de problemas e projetos é parte dum ensino centrado na produção pelo próprio aluno. Ao professor cabe mediar a interação em sala de aula e saber quais metas que devem de ser alcançadas em cada projeto.

“O mais comum é o professor preparar a aula, dar e corrigir exercícios. O aluno faz pouco. Podemos dar mais espaço para o aluno avaliar o que vai desenvolvendo“, Giani Barwald Bohm, do Instituto Federal Sul-rio-grandense.

“No modelo tradicional de ensino, o professor é o que aprende mais. Na Finlândia, o foco é o aluno. O aluno é que pesquisa os  conteúdos, e o professor tem de saber qual o objetivo da aula. Para isso não é precisa muita preparação, mas sim de conhecimento qualificado (dos docentes)“, Joelma Kremer.

3. Repensar a avaliação
Neste contexto, a avaliação é diferente, diz Kremer: “A avaliação está presente, mas os alunos autoavaliam-se, avaliam-se uns aos outros, e o professor avalia os resultados dos projetos“.

“Ao reduzir o número de testes (formais) e avaliar mais os trabalhosde grupo e atividades realizadas, os professores têm um “filme” do desempenho do aluno, e não apenas uma foto (do momento da teste)”, diz Fechine.

“Conhecemos um professor de física finlandês que avaliava seus alunos pelos vídeos que eles gravavam dos experimentos feitos em casa e mandavam por e-mail ou Dropbox.”

4. Tecnologia como meio
A tecnologia não é o foco deste processo, mas complementa o trabalho do professor como ferramenta de trabalho.

“Em vez de proibir o uso dos telemóveis, os professores aproveitam-nos para estimular a participação dos alunos – por exemplo, utilizando aplicações específicas para dar resposta a trabalhos específicos.”, conta Kremer.

“A aula torna-se mais interessante para os alunos. E evita que o professor esteja constantemente a criar inimizades por retirar ou mandar desligar os telemóveis diversas vezes vezes por aula.”

Existem também salas de aula com mobiliário específico, projetado especialmente para ir ao encontro das necessidades de aprendizagem dos alunos e dos métodos aplicados.

“Muitas salas têm sofás, poltronas, mesas ajustáveis para trabalhos individuais ou em grupo e vários projetores. É um mobiliário pensado para essa metodologia diferente de ensino.”, diz Kremer. ”

5. Desenvolver  competências adaptadas ao século XXI
O ensino fundamental finlandês continua dividido em disciplinas tradicionais, mas cada vez mais centrado no desenvolvimento das competências dos alunos, e não apenas na assimilação de conteúdo tradicional.

“São desenvolvidas competências como comunicação, pensamento crítico e empreendedorismo”, Giani Barwald Bohm
Estimular a autonomia do aluno é uma forma de interromper o ciclo “alunos passivos, que só fazem a tarefa se o professor obrigar, e que interagem muito pouco“.

6. Aulas mais curtas com intervalos frequentes
No ensino básico, as aulas têm a duração de 45min com interrupção de 15min para intervalo – Esta prática, embora já seja utilizada em algum cursos de ensino profissional pois “Alivia a tensão de ficar tantas horas sentado“, poderia ser aplicada em vários outros países.

A ideia é, teoricamente, interessante, mas aponta para uma carga horária menos exigente. E não esquecendo que na Finlândia existe uma forte cultura de pontualidade. “As aulas começam à hora exata e aluno rapidamente entra na (rotina de) resolução de problemas.”

7. Criar ligações com empresas
Parte dos projetos dos estudantes finlandeses são elaborados em parceria com empresas, de forma a desenvolverem uma consciência real do mercado de trabalho.

“o aluno desenvolve algo diretamente para o mercado de trabalho, que vai ter relevância para o próprio estudante e é contextualizado com as empresas locais.”

8. Formação prática e valorização do professor
A formação dos professores é apontada como a principal chave do sucesso do ensino finlandês. Existe uma maior interacção entre o professor e os alunos, tal como uma relação mais direta entre os professores, os diretores pedagógicos e os diretores escolares.

“Além disso, há uma valorização cultural do professor, que é tem melhores condições de trabalho, mais tempo, e é melhor remunerado”.

Por Paula Adamo Idoeta, para  a BBC Brasil, via uptokids em 29 de abril de 2016

O país onde (ainda) há tempo para brincar

Fevereiro 28, 2016 às 7:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://lifestyle.sapo.pt/

sapo

Na Finlândia, brincar faz parte do método de ensino. Os finlandeses são conhecidos pelo seu sistema de educação, um dos melhores do mundo. Curiosamente, este é o país da Europa onde os alunos passam menos tempo nas aulas, aprendem a ler mais tarde e só têm exames no final do 12.º ano. Esta foi a conclusão de uma investigação publicada no jornal Atlantic e realizada por Tim Walker, um professor norte- americano que dá aulas em Helsínquia.

A Finlândia tem, ainda, uma das maiores taxas de alfabetização do mundo, sendo que 94 por cento da sua população sabe ler, escrever e frequenta ou frequentou a escola. E esta aposta na educação não é recente, tendo sido iniciada nos anos da década de 1970. Porquê? «Porque os finlandeses viram sempre a educação como a sua maior riqueza», explica Tim Walker.

Até o PISA, sigla de Program International Student Assessment, o maior teste de avaliação aos sistemas educativos realizado em 64 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e que mede a qualidade do ensino, atesta essa aposta, colocando-o no topo dos países com melhor sistema educativo. A par da China, de Singapura, e de Xangai.

Um dos factos mais apreciados pelo PISA é a igualdade entre alunos e escolas, ou seja, as condições económicas das famílias e a localização das escolas não têm muita influência nos resultados. Todos têm bons resultados! O último PISA foi divulgado em 2012. No entanto, os positivos dados finlandeses são já reconhecidos desde o início do novo milénio e a média de chumbos é só de 3,8 por cento, enquanto a média da OCDE é de 12 por cento.

A brincar (também) se aprende

Mas vamos por partes. Na Finlândia, contrariamente ao que acontece na maioria dos outros países europeus, incluindo Portugal, as crianças só aprendem a ler quando entram na escola aos sete anos. Até lá, os pequenos são estimulados, sobretudo, a brincar e, mesmo no ensino primário, a brincadeira continua. As crianças são estimuladas para a instrução através de atividades lúdicas, de forma a ganharem interesse pela escola, que, segundo Tim Walker, «também pode ser divertida».

E, muito importante, sem terem medo de falhar. Os alunos finlandeses passam 703 horas por ano na escola, enquanto os portugueses ficam 827 horas. No início do lectivo 2015/2016, o sistema educativo finlandês teve mais uma novidade. Ass disciplinas foram todas integradas, pelo que, os professores de matemática, finlandês, história, ciências e todas as outras cadeiras, se juntaram para lecionar as matérias.

Tal foi feito definindo tópicos que podem ser trabalhados através de diferentes perspetivas. O objetivo não é que os professores debitem a matéria, mas sim que os estudantes discutam as temáticas abordadas pelos primeiros. Os alunos gostam dessa independência e, no ensino secundário, além de serem eles a escolher as matérias que mais lhes interessam, podem concluí-lo em três anos. A confiança é um dos pilares do sistema educativo do país.

As vantagens do ensino gratuito

Na Finlândia, todo o ensino (do pré-escolar ao universitário) é gratuito. Mesmo nas poucas escolas privadas existentes, os estudantes não pagam. E no gratuito incluem-se as refeições, os manuais escolares e os transportes, até ao final da escolaridade obrigatória, o nono ano. Apesar disto, o investimento no ensino é de apenas seis por cento do PIB do país.

Nas escolas finlandesas, há ainda uma equipa que presta assistência aos alunos, composta por um assistente social, um orientador, um enfermeiro, um psicólogo, um orientador escolar e um professor do ensino especial. Todos eles se encontram com os alunos que necessitam do apoio, pelo menos, uma vez por semana. Entre os membros da equipa há várias reuniões para discutir os possíveis problemas dos alunos em questão, numa atividade multidisciplinar.

A aprendizagem que vem dos jogos

Enquanto que, nos outros países, se está a transformar o pré-escolar quase no primeiro ano de escolaridade, como é o caso de Portugal, na Finlândia, o tempo é gasto a brincar e isso acontece até aos sete anos, altura em que as crianças entram para a escola. Mas isso não quer dizer que não estejam a aprender.

Fazem-no, segundo Tim Walker, «sem dar por isso e de uma forma muito interessada». Passam poucas horas sentados com caneta e papel nas mãos, mas, em contrapartida, têm um horário que estipula as atividades da semana. Podem ser jogos de grupo,  música, correr, visitas de estudo ou até brincar às várias profissões.

A (boa) imagem dos professores

Se, em Portugal, a imagem dos professores é pouco abonatória, na Finlândia, é precisamente o contrário. É uma profissão muito popular e prestigiada, à qual muitos jovens querem aceder, sendo que muitos não conseguem tornar-se professores. Para se ensinar, atualmente, é necessário ter um mestrado e são as escolas que os escolhem para docentes.

Não há um concurso nacional. Cada diretor do estabelecimento de ensino é que decide quem contrata. E cada professor pode definir o seu método de ensino. Ao contrário do que sucede em países como o nosso, acaba por ter muita autonomia. O salário médio de um professor na Finlândia ronda os 3.000€, sensivelmente o dobro do salário médio de um professor em Portugal.

Texto: Rita Caetano

 

 

O nosso modelo escolar é do séc. XVIII e não está adaptado à realidade

Fevereiro 10, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Entrevista do Diário de Notícias a Joaquim Azevedo no dia 25 de janeiro de 2016.

Leonardo Negrão Global Imagens

Ana Sousa Dias

Se há mais de 20 anos se concluiu, a nível internacional, que o modelo escolar está esgotado, por que não se faz uma reforma profunda em vez de mudar pormenores, instabilizando alunos, professores e famílias? O especialista cita os exemplos do ensino na Finlândia e nos jesuítas catalães.

Entrevista com Joaquim Azevedo, investigador e professor da Universidade Católica, doutorado em Ciências da Educação

Tem havido discussão à volta da questão dos anos dos exames. Essa questão é central na educação?

A questão central da educação, de facto, não é essa, não passa por aí. É ser capaz de fazer que as novas gerações adquiram o conhecimento codificado que vem do passado e ajudá-las a desenvolver-se e a tomar conta do seu destino e da comunidade. Hoje, isso é feito cada vez com mais dificuldades, não cá em Portugal mas em todo o mundo. O modelo escolar vem do século XVIII – até vem de antes, mas desenvolveu-se mais a partir de então – e tem imensas dificuldades em adaptar-se à nova realidade. O mundo mudou muito.

Porque é global e todos temos acesso a informações de todos os lados?

Exatamente. E um acesso a conhecimento muito mais organizado, por causa de todo o investimento em inteligência artificial. É um mundo onde a tecnologia permite às crianças manipularem artefactos técnicos muito evoluídos, desenvolvendo uma capacidade mental diferente da das gerações anteriores. Mas quando se chega ao 1.º ano, a escola age mais ou menos como há 30 ou 40 anos. A cabeça com que as crianças vêm está moldada segundo outros modelos, já não é a mesma coisa. As dificuldades de ensino e aprendizagem são muito mais vastas do que as do passado. Há uma inadaptação da escola ao novo. Trabalho muito com escolas e no dia-a-dia. Até recentemente, os professores atribuíam o insucesso às famílias. Ainda ocorre muito essa justificação.

E é verdade?

Isso é uma premissa. O trabalho da escola tem de ser feito a partir daí, seja lá qual for o contexto. E isso é difícil, claro. Agora as queixas são sobre a desmotivação e a indisciplina, dois aspetos que estão associados. Por outro lado, revelam que a capacidade de captação da atenção que a escola antes produzia hoje é muito difícil. Os miúdos estão profundamente dispersos, com a atenção captada por realidades fora do contexto escolar que os motivam mais. A motivação, que é uma função escolar por excelência, tornou-se um pré-requisito. E isso é revelador da dificuldade da educação escolar em lidar com os tempos novos. Se esse pré-requisito existisse, a desigualdade social ainda seria maior. Se as crianças têm de chegar motivadas à escola para poderem aprender, se isso não é um trabalho escolar…

Que tipo de decisão é necessário que o Ministério da Educação tome para combater esse problema? Não estamos a falar de decisores e professores que não têm o mesmo tipo de “cabeça” que os alunos trazem?

Sim.

O que significa que é preciso intervir, primeiro, nos professores?

Sim.

É preciso fazer uma reforma a sério em vez de alterações pontuais? Rever todo o modelo?

Como, não sei, mas que o modelo precisa de revisão profunda, isso está claro. Nos anos 1990, quando representei Portugal num organismo da OCDE que trata da inovação e educação, ano após ano dávamo-nos conta de que o caminho não pode ser este. Este modelo está esgotado. Há um bloqueio, não avança. Como nós – de 31 ou 32 países – nos dedicávamos à inovação e educação, percebíamos que no mundo iam surgindo dinâmicas de mudança. Ao fim dos cinco anos em que lá estive, uma das perguntas que mais me fazia era: se toda a gente percebe, por que é que isto não muda?

E porquê?

Vivemos ambientes democráticos e é muito difícil que um partido se disponha a propor mudar o modelo escolar. Ninguém aceitaria, seria uma ótima forma de perder as eleições dizer, por exemplo, que queria mudar as disciplinas, os horários, os grupos de turma e os professores e a forma de trabalhar dos professores. Porque o que está em causa é que todo o modelo de organização pedagógica da escola tem de ser mudado. E isso não sei se vem de cima ou se vem de baixo.

É necessário um acordo de regime?

Sim. Pelo menos um entendimento entre algumas forças sociais e políticas. Aliás, o que revela esta geringonça da avaliação, por exemplo – para usar um termo na moda – é que tem muito que ver com isso. Vamos às escolas, trabalhamos com as famílias e o que mais pedem é: “Entendam-se, por favor!” O povo quer que os dirigentes políticos se entendam e os dirigentes políticos preferem fazer da educação um campo de batalha política. Isto é dramático!

É pôr pensos rápidos nos sítios onde a pessoa tem uma doença grave?

Exatamente. Há um sintoma. Mas nunca se ataca a doença.

As experiências inovadoras, na Finlândia e na Catalunha, mudam o quê?

Mudam a forma de organizar o ensino e a aprendizagem. O modelo escolar tradicional é alterado. É muito importante o passo que está a ser dado na Finlândia.

Por ser aplicado a nível nacional?

Por isso e porque é fruto de uma decisão política nacional. É a primeira vez. Há um país que dá o primeiro passo para aquilo por que há 20 anos ansiávamos.

No caso da Catalunha, não é o ensino do Estado, é particular. O Estado tem mais dificuldade, pela necessidade de um acordo entre os vários partidos?

Exatamente. Mas a Finlândia veio abrir caminho, já é possível recorrer a uma externalização para justificar. É a Finlândia, o centro do mundo neste campo, que faz a mudança, e isso faz toda a diferença.

E na Fundación Jesuitas Educación, uma rede de colégios da Catalunha?

Ainda não estão todos os colégios envolvidos, porque tiveram de fazer alterações físicas brutais. A dinâmica que está em curso na Catalunha demorou 15 anos a ser preparada. Desde a primeira reflexão, a primeira estruturação, até à questão dos recursos. Criaram um fundo entre as escolas todas para construir.

E é seguro?

É muito seguro porque já está a ser experimentado. Como o modelo é muito descentralizado e municipalizado, a cidade de Helsínquia já o tem aplicado em larga escala. Quando a decisão foi tomada já estava trabalhada e consensualizada, em termos políticos. As instâncias que refletem sobre estes temas já produziram muitos documentos. Quando, no próximo ano letivo, o modelo tiver aplicação nacional, já há muito trabalho feito e há segurança. É um passo importantíssimo. Tenho um texto sobre os casos da Catalunha e da Finlândia, que se chama Há uma brecha no dique. Essa brecha só pode alargar.

É irreversível?

Nunca mais se vai voltar para trás.

O que é diferente no novo modelo?

Na Finlândia, a mudança é ao nível da organização do trabalho escolar, que tem repercussões muito idênticas à Catalunha. O ensino passa a ser organizado por projetos… chamam-lhes fenómenos ou temas. Os professores, antes do início do ano letivo, organizam-se e estruturam uma boa parte do currículo – não é necessariamente a totalidade do currículo, porque é muito difícil fazer isso. Mas, por exemplo, 60% do currículo, é estruturado em torno de grandes temas agregadores, tendo em conta os interesses dos miúdos nas idades respetivas e a experiência que os professores têm com eles.

E que tipo de tema pode ser esse?

Por exemplo, há um problema da comunidade, uma necessidade que é preciso estudar, ou um tema que interessa aos alunos, ou um assunto em torno da natureza que mobilize conhecimentos nesses domínios. Os saberes de todos os anos letivos, organizados por pequenas unidades curriculares – de ciências, de língua materna, de matemática, de inglês – são mobilizados para os projetos. E há conteúdos que são dados em aulas tradicionais. Isto permite que os pro- fessores trabalhem interdisciplinarmente e em equipa.

Há diferenças entre os dois modelos, o finlandês e o jesuíta?

Os jesuítas da Catalunha vão mais longe porque agregam duas a três turmas. Isto obriga a deitar abaixo as paredes das escolas. As nossas escolas, incluindo as acabadas de construir pela Parque Escolar, onde se investiram centenas de milhões de euros, são para a educação escolar do século XVIII. Ninguém pensou em perguntar: “O futuro é este?” Estamos a construir hoje escolas que dentro de 5, 10, 15, 20 anos vão ter de ser alteradas, porque não é possível mais lecionar e organizar a escola em termos de grupos de 25 ou 30 alunos. Organizam-se grupos de 75, por exemplo, há dois ou três professores na sala que exploram os temas com diferentes grupos, com diferentes dinâmicas. E há uma mudança profunda na organização dos horários. Porque os alunos, numa parte importante da sua vida, vêm para a escola para continuar a pesquisa para o projeto. Até desse ponto de vista o vir à escola ganha outra…

…motivação?

Exato. E assim estamos a responder às questões de fundo: motivação, interesse, ser capaz de captar a atenção dos miúdos. Os professores queixam-se imenso, hoje, da dificuldade de ter os miúdos concentrados no que estão a fazer.

Há um grande medo da mudança. É preciso preparar um país para uma reforma destas?

Cada escola tem de ir criando condições para dar este salto. Aí temos muito a percorrer, porque pode haver também redes de escolas a fazer cooperativamente as mudanças. Em Portugal, temos uma grande experiência de trabalhar com projetos integradores, sobretudo nas escolas profissionais do ensino secundário em imensos sítios. São casos exemplares. Nós já fazemos o que a Finlândia quer fazer. Constroem mesmo um projeto integrador. Por exemplo, existe um problema para resolver na comunidade e os professores juntam-se. O ensino aí funciona por módulos. E então os professores verificam que módulos podem ser mobilizados. Desenvolvem o projeto em conjunto e aplicam–no. Na minha universidade, vamos fazer um um e-book só com exemplos destes. Trabalha-se muito bem a esse nível, em Portugal.

Portanto, é perfeitamente possível?

É possível em qualquer sítio.

Porque é que, no ensino básico, as pessoas têm medo?

Mas também têm no secundário. Isto faz-se minoritariamente. Têm medo porque este passo não é simples. Estamos a tentar fazer isso no interior norte do país, numa escola TEIP [programa Territórios Educativos de Intervenção Prioritária] com muitas dificuldades e está a ser muito difícil. Há muita resistência porque é uma nova metodologia que obriga os professores a trabalhar mais cooperativamente. Para uns é pacífico, para outros não. Implica, um modo de ensinar e uma forma de aprender que não são tradicionais. No contexto de algumas escolas profissionais, desde a raiz, isso conseguiu-se, mas é mais difícil passar à generalidade do sistema, porque nunca houve uma perspetiva integradora e flexível para trabalhar em projetos. A questão é passar de um sistema rígido a um sistema flexível. E não há nada na lei que diga que isso não pode ser feito.

Com a nossa legislação, seria possível começar?

Perfeitamente possível! É uma questão de organizar a escola. A principal dificuldade que encontramos, no caso que referi, é nos professores, na capacidade de formular a nova maneira de trabalhar. “Como vou integrar este saber com aquele?” Também há mil problemas com o facto de trabalharem em conjunto uns com os outros. Propomos esta dinâmica e muitos professores ficam motivados, porque sabem que isto vai motivar imenso os alunos. Mas depois: “Como avalio? Numa dinâmica de grupo, como traduzo isto em avaliação individual?” São estas as questões que emperram…

E como se faz a avaliação nesse novo modelo?

A avaliação pode ser mobilizada quer em termos individuais, quer em termos de equipa. Isso tem é de ser clarificado antes. Na formulação do projeto, têm de estar os objetivos a atingir, a maneira de lá chegar e as regras de avaliação: como é que cada um deles vai ser avaliado. E há imensas formas de fazer isso numa dinâmica formativa e não só. Para produzir a classificação, é mais simples. Mas é uma lógica de avaliação formativa: “aprendeste, não aprendeste”, “se não aprendeste, porquê? Como dar a volta?” Essa dinâmica, como implica o processo de avaliação formativa, mexe mais com os professores. Diz-se muito agora: “Nós não queremos exames, queremos é avaliação formativa.” Eu trabalho nas escolas, os professores classificam. Os professores sabem é classificar. O governo pode dizer que vai, sobretudo, haver avaliação formativa, mas isso não diz nada. O grande trabalho a fazer em Portugal é escola a escola, a tentar dar estes passos com consistência, com tempo. Isto demora muito a mudar. Na escola de que falei, estamos a caminhar há meses e há uma vontade enorme de fazer melhor. Os professores têm uma dedicação que, em muitos casos, é desmesuradíssima. Por vezes estão a fazer o que está provado que não resulta, mas trabalham loucamente, do ponto de vista profissional.

É preciso parar para olhar?

Pois. Refletir. Isto não pode ser assim.

As escolas superiores de educação não devem também espelhar isto tudo?

Deviam. Uma das coisas mais em causa é a formação inicial dos professores e a formação contínua, porque uma grande parte dos professores já está no sistema. Dentro de 10 ou 15 anos haverá uma grande oportunidade porque vão sair muitos milhares. Vem aí uma nova vaga que já devia chegar à esco-la com esta nova mentalidade. É também um problema político, porque está em causa o acesso à profissão. Eu tenho-me batido por isso e publicado pequenas coisas: é preciso dignificar mais a profissão docente, do ponto de vista da sociedade em geral. Tenho sugerido que a média de acesso aos cursos de formação inicial de professores tenha o mínimo de 16. E isto é uma decisão política.

Para que os melhores sejam professores?

É uma medida política! Não custa nada! É só publicar um decreto-lei, não tem interferência em coisa nenhuma a não ser nos cálculos para o acesso, que se podem colocar no computador. E pode dizer imenso. Se fizéssemos isso e revíssemos as regras de acesso à profissão docente e a formação inicial e contínua, podíamos estar a preparar os verdadeiros alicerces de uma educação diferente daqui a 20, 30 anos. Era isso que devíamos fazer. O que é que estamos a verificar? Nos últimos 20, 30 anos, acede à profissão docente um número razoável de jovens competentes mas também um número enorme de jovens que têm péssimas notas. E são professores. Entram com médias de 10, 11 ou 12… são pessoas com muitas dificuldades. A disputa que aqui se faz em torno da medicina, na Finlândia é em torno de ser professor, e o acesso à medicina fica a anos-luz do acesso à profissão docente.

Isso é estruturante?

É um trabalho que a Finlândia faz há 30 anos. Começou a investir na profissão docente, a mudar a formação inicial, a mudar as regras de funcionamento da profissão. E a pedir muito em troca. Por cada coisa que se dá, tem de se pedir muito em troca, do ponto de vista profissional e de exercício de responsabilidade: muita autonomia, mas muita responsabilidade. A realidade da Finlândia é essa. Nós temos agora essa oportunidade. Como temos um nível etário muito elevado, uma média de mais de 40 anos, dentro de 15 anos, no máximo, vamos ter a possibilidade de substituir um volume muito importante da geração dos professores.

A questão não se coloca, como dizem muitas pessoas, entre a permissividade e a disciplina?

Isso é uma conversa estafada. Essas tensões existem mas o problema não é esse. É uma mistificação, porque um sistema com exames pode ser altamente permissivo. Ficam bem os que ficam bem no exame. E os outros? Em Portugal, aumentou imenso, nos últimos anos, a retenção no 2.º ano. Porquê? Pelo efeito do exame. Mas aprende-se melhor? Temos de ir um bocadinho mais atrás, mais longe. Esse tipo de discussão cansa-me, não conduz a nada. Vivemos num mundo de faz de conta: faz de conta que escola funciona bem; faz de conta que os exames são bons para os alunos aprenderem; faz de conta que os professores ensinam bem; faz de conta que a legislação que o ministério põe cá fora é eficaz e que os professores e as escolas a seguem, faz de conta que existe avaliação formativa.

E depois trata-se o ranking das escolas como se fosse o grande objetivo?

Ou como se fosse tudo. E não é. Eu coordenei a equipa que pôs os exames em Portugal no 12.º, em 1993. Pela primeira vez, depois do 25 de Abril, criámos exames. Duvidámos e discutimos muito se se devia fazer. Porque sabemos o lado positivo e o lado negativo dos exames. Mas no caso do 12.º ano, creio que era mais ou menos inevitável. E tinha que ver também com o modelo da certificação e com a desigualdade de critérios de avaliação, porque havia escolas que davam notas inflacionadas internas. Foi preciso calibrar para ter a certificação final do percurso escolar antes do ensino superior. No 9.º ano, pode fazer sentido ter exames para avaliar o percurso de todo o ensino básico. Mas o investimento tem de ser no processo do ensino e aprendizagem. O problema está ali. Em educação, o processo é o produto, é o processo que conta. A avaliação externa e os exames são importantes, têm o seu papel. Mas isso não invalida que a questão central tenha de ser outra. Ter mais uma prova disto ou daquilo é irrelevante.

Qual é o caminho, então?

Nas escolas onde trabalho, a minha preocupação é se os professores estão a perceber os processos pedagógicos que eles próprios mobilizam. Refletem sobre isso? Sabem os que são eficazes e os que não são? Otimizam os que são eficazes? Estes é que são os núcleos. “Então sugerem-nos metodologias novas?” “Sim, com certeza. Há estas, estas, estas, vamos por este caminho, vamos por aquele”. E as escolas mudam. E as pessoas, depois, agarram-se e prendem-se. Há aqui um problema de software, claramente. Hoje o problema é de software.

 

 

 

Es el mejor colegio del mundo, es finlandés, y tiene tres cosas que los demás no tienen

Julho 23, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://www.elconfidencial.com

Andreas Meichsner

 

El distrito de Saunalahti, en la ciudad finlandesa de Espoo – la segunda más grande del país–, es un barrio de reciente creación destinado a albergar a la cada vez más numerosa población del sur de Finlandia. Pero, a diferencia de nuestros PAU, dista mucho de ser una desangelada ciudad dormitorio. El proyecto urbanístico ha sido diseñado por prestigiosos arquitectos y en él todo está pensado para hacer la vida más sencilla al ciudadano. Al contrario que en nuestros ensanches, la vida no gira en torno al hipermercado. El centro neurálgico del barrio es el colegio.

Inaugurado en septiembre de 2012, la escuela de Saunalahti es considerada la niña bonita del sistema educativo finlandés, famoso por aparecer una y otra vez en lo más alto del ranking del informe PISA, y conjuga todas sus virtudes en un espacio especialmente diseñado para potenciarlas.

Andreas meichsner2

El galardonado estudio de arquitectura VERSTAS diseñó el centro pensando en “la escuela del futuro”, el edificio perfecto para fomentar un sistema pedagógico con tres pilares principales:

1. Interacción y colaboración

Por supuesto, el colegio cuenta con aulas, pero su organización nada tiene que ver con las clases tradicionales: no hay pupitres individuales y cuentan con grandes ventanales; no sólo hacía el exterior, también hacía el resto de aulas. Todo el centro está diseñado para fomentar el trabajo en grupo, y cuenta con espacios más propios de una universidad, como los pasillos repletos de sillas y mesas donde los alumnos pueden estudiar o, sencillamente, sentarse a charlar.

Pero el colegio no sólo fomenta la colaboración entre estudiantes, también entre estos y sus profesores con el resto de la comunidad. Además de albergar nueve cursos –en Finlandia no existen centros diferenciados para primaria y secundaria–, la escuela cuenta con un centro de día para ancianos, una guardería, una casa de la juventud, una biblioteca pública –que es a su vez escolar– y un gimnasio abierto a todos los ciudadanos.

“El edificio está al máximo de su uso casi todas las horas del día”, explica en This is Finland la directora del centro, Hanna Sarakorpi. “Hay un montón de sinergias de las que todo el mundo se puede aprovechar”. Durante el día los niños disfrutan de las clases, por la tarde sus padres acuden al gimnasio o la biblioteca y los fines de semana distintas asociaciones organizan actividades para todo el vecindario.

La idea es sencilla: si la vida comunitaria gira en torno a la escuela todo el mundo se preocupará de que esta funcione como es debido.

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2. Aprendizaje fuera del aula

El colegio está diseñado para fomentar un sistema pedagógico que prima el aprendizaje informal, donde el tiempo de recreo y clase es casi indistinguible. “Algunos estudiantes no se sienten cómodos en las aulas tradicionales”, explica en This is Finland Ilkka Salminen, una de las arquitectas que diseñó el centro. “Todos los espacios interiores y exteriores son potenciales lugares de aprendizaje”.

El colegio está repleto de espacios para sentarse, trabajar, estudiar y, por qué no, divertirse. A los niños les encanta explorar el extenso patio y sentarse a leer en los alféizares de las ventanas. El edificio está pensado para que no tengan en ningún momento la sensación de ester encerrados, algo muy habitual en los colegios tradicionales, por eso cuenta con enormes ventanales, algo esencial en un país en el que se echan en falta muchas horas de luz solar

Desde el punto de vista arquitectónico está todo bien pensado: los patios de los niños más pequeños están orientados hacia el este, para recibir más luz solar, mientras que los estudiantes mayores, que pasan más horas en la escuela, reciben los rayos finales del día desde el tejado de cobre, suavemente inclinado para aprovechar hasta el último fotón.

“La amplitud de miras y el sentido de comunidad también pueden observarse en la arquitectura”, explica Salminen. “El corazón del edificio es un comedor multiusos donde se reúne todo el mundo. Se abre al patio de la escuela como si fuera un anfiteatro”.

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3. Aprender haciendo

El sistema educativo finlandés da especial importancia al arte, la educación física y el trabajo manual, materias que, según diversos estudios, hacen que el rendimiento académico mejore en el resto de áreas. En el colegio de Saunalahti el gimnasio y los talleres son espacios fundamentales, con una situación privilegiada en el edificio, y puede observarse su actividad desde el patio y el recibidor principal, lo que hace que la importancia del trabajo físico esté aún más presente en el día a día de la escuela.

mais fotografias:

http://verstasarkkitehdit.fi/projects/saunalahti-school

http://www.archdaily.com/406513/saunalahti-school-verstas-architects

 

Todos os recém-nascidos dormem em caixas de papelão, na Finlândia

Julho 16, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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E se cada bebé que chegasse a este mundo recebesse a mesma caixa para começar sua jornada na vida? Hoje em dia você vê todos esses altos preços ridículos das lojas de recém nascidos, berços que custam o olho da cara e roupinhas que servem apenas como símbolo de status. No outro extremo do espectro, vemos mães que mal podem se dar ao luxo de comprar fraldas de pano ou os itens básicos necessários para ques os pequenos venham ao mundo com um pouco de dignidade e cuidados elementares. Na Finlândia eles fazem coisas diferentes.

Não importa de que cor seja, a quantidade de dinheiro que seus pais tenham, ou onde vivem. Cada mulher grávida na Finlândia recebe uma caixa que inclui os seguintes elementos:

Colchão, capa de colchão, lençol, capa de edredom, cobertor e colcha.
A própria caixa em realidade é utilizada como um berço.
Traje para a neve, gorro, luvas isolantes, e botinas.
Vestido e macaquinhos com capuz.
Meias, luvas gorro de lã.
Camisetas, babygrows compridos e leggings em cores e padrões unissex.
Toalha de banho com capuz, uma tesoura de unhas, escova de cabelo, escova de dentes, termômetro de banho, creme troca fraldas, toalha.
Jogos de fraldas de pano e lenços de musselina.
Álbum de fotografias e brinquedos para a dentição.
Sutiãs acolchoados e camisinhas

O melhor de tudo isto? Tudo isto é totalmente grátis. As “caixas de bebê” são fornecidas pelo governo para ajudar a garantir a segurança e bem-estar de todas as crianças recém-nascidas.
Um recente relatório mostrou que as mães finlandesas são as mais felizes do mundo e a caixa de bebê certamente tem algo a ver com isso, já que possibilita que as novas mamães estejam menos estressadas, especialmente nas primeiras semanas pós-parto.

Sabendo que a “caixa de bebê” tem todo o enxoval necessário, podem concentrar toda sua atenção para dar ao recém-nascido o carinho e cuidados que ele precisa. Isso certamente causou um enorme impacto nas mães finlandesas, fazendo com que a caixa tenha se tornado uma tradição.

A taxa de mortalidade de recém-nascidos costumava ser extremamente elevada na Finlândia por volta da década de 1930. De fato, morriam 65 em cada 1.000 bebês. Foi por isso que as autoridades da área de saúde decidiram fazer alterações nos programas sociais para garantir que a segurança e o bem-estar dos recém-nascidos fossem atendidos.
Após a distribuição destes geniais kits de maternidade em 1938 tudo começou a mudar. Hoje a Finlândia tem uma das taxas de mortalidade infantil mais baixas do mundo. Não é à toa que a Fundação Save The Children nomeou a Finlândia como o “O melhor lugar para ser mãe de todo o planeta”

Assim, na Finlândia, ao menos simbolicamente, todos aqueles que chegam ao mundo recebem o mesmo berço, como se desde pronto se ensinasse uma das maiores verdades da existência. A de que, embora cada um seja único, na essência, todos somos iguais. Todos somos um só.

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Fonte: Conti outra

 

O bom aluno – as razões do sucesso finlandês

Julho 7, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Expresso de 28 de junho de 2015.

Jussi helttunen

Isabel Leiria

No país onde só há exames no fim do secundário e os estudantes passam menos tempo nas aulas do que os portugueses,  os bons resultados impressionam o mundo. 
O Expresso foi conhecer as razões do sucesso finlandês .

A primeira tarefa do dia não é a mais óbvia. A ordem é para desarrumar a sala de aula, arrastar as carteiras para junto das paredes e dos armários e deixar espaço livre ao meio para que os alunos possam sentar-se ou deitar-se no chão, a escolha é deles, e escreverem em pequenas folhas de papel todas as palavras que associam ao mar. “Podia mandá-los um a um ao quadro, escrever e apontar, mas assim é mais dinâmico”, explica a professora do 3º ano. Dispostos em círculo, os 19 alunos, de meias ou apenas de crocs nos pés, vão escrevendo as palavras, para a seguir as agruparem em nomes, adjetivos, verbos.

Da sala de aula para a sala dos professores, é um curto caminho feito por um corredor silencioso. Lá dentro, está apenas o diretor, 43 anos, ténis All Star vermelhos e camisa de xadrez por fora das calças. Chegou há um ano à escola, frequentada por 200 alunos. Oferece o café possível, explicando que “café bom numa sala de professores é algo que não existe”. E fala dos planos que tem para o próximo ano letivo, quando o novo currículo nacional do ensino básico entrar em vigor e todas as escolas terão de dedicar parte do tempo, pode ser um período ou um ano inteiro, a ensinar de uma nova maneira.

Nesse tempo, não haverá uma hora para aprender Matemática, outra para a língua, outra para Ciências da Natureza. Os conhecimentos serão passados e trabalhados de forma integrada. E os estudantes trabalharão em grupo, em projetos que terão de envolver vários professores. “Caberá a eles — docentes e também alunos, determinam as orientações — decidir que fenómeno ou tópico vão trabalhar”, explica. E atira um exemplo. “Chocolate. Há um mundo inteiro dentro de uma barra de chocolate e inúmeras coisas que podem ser estudadas. A produção, os transportes, o marketing, a educação para a saúde.”

Na sala do 3º ano, há já alguns anos que o método é experimentado pela professora. Na altura de aprender o espaço e as medidas, os alunos trocaram os manuais e cadernos de exercícios por réguas e foram para fora medir o recreio. Traçaram marcas e lançaram frisbees e bolas para ver quem atirava mais longe. “É uma forma de combinar a Educação Física com a Matemática.” Às quintas-feiras cozinhavam cupcakes, aprendiam vocabulário novo e treinavam conversões, de quilos para gramas, de quartos de litro para mililitros.“É assim que se deve aprender, porque é assim na vida real”, defende a professora.

São os últimos dias de mais um ano letivo e nas escolas não se sente ansiedade, stresse ou nervosismo. Os alunos não têm de se preocupar em estudar para os exames nacionais, porque não os há, pelo menos até chegarem ao final do liceu. Os professores não estão preocupados com escalas de vigilância e assoberbados em correções de testes. Dentro de pouco tempo, começarão a gozar a primeira de 16 semanas de férias. E o ano nem sequer foi particularmente duro nem para uns nem para outros, já que, dizem as estatísticas, são dos que menos tempo passam em aulas em toda a Europa.

No final, pasme-se, os resultados acabam por ser muito positivos. Tão positivos que há anos que geram a admiração e uma ponta de inveja dos outros países, alguns bem mais ricos e poderosos.

Por estas linhas, o leitor já se deve ter apercebido que esta não é uma reportagem sobre o sistema educativo português. Mas também não é uma ficção. Está a quilómetros de ambos. Esta história passa-se num país a 3500 km de distância de Lisboa, com 5,5 milhões de habitantes, sem ouro nem petróleo, e que em três décadas conseguiu passar de uma economia essencialmente rural para um país tecnologicamente avançado e uma referência na área da Educação. A tal ponto que gerou uma espécie de turismo educativo, com delegações internacionais e jornalistas — o Expresso fê-lo agora — a visitarem o país. Por isso, seja bem-vindo à Finlândia. Escolha uma cadeira. A aula vai começar.

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Lição nº 1: ninguém é melhor do que o outro

  As perguntas no enunciado são simples. Como é que os finlandeses fazem? A que se deve o sucesso dos alunos que, ano após ano, se destacam nos resultados dos testes internacionais? As respostas também. O problema é, digamos, copiá-las. Agora que surgiram notícias sobre a próxima grande reforma que o país está a preparar — a Finlândia vai acabar com o ensino por disciplinas, chegaram a escrever alguns jornais estrangeiros —, o mundo inteiro voltou a olhar para o Norte da Europa. Já lá vamos. Porque a história do milagre finlandês começa antes, nos anos 70, quando o país decidiu que devia apostar tudo na Educação. Foi ponto assente então e continua a sê-lo desde então.

Esta é a primeira lição: a Educação não é arma de arremesso político nem objeto de guerras partidárias. Depois de dez anos em vigor, os novos currículos nacionais para o básico e o secundário foram alvo de discussão e de debate entre autoridades centrais e locais, escolas, professores e especialistas, aprovados pelo anterior Governo, para serem aplicados em 2016 já pelo novo executivo de centro-direita, que resultou das eleições do passado mês de abril.

“Nós não somos ricos, não tempos petróleo. Os finlandeses acreditam que a Educação é a única forma de subir na vida. Tem sido essa a ferramenta para terem uma vida melhor e por isso é tão valorizada”, explica Pasi Silander, responsável pelo projeto E-Campus para a cidade de Helsínquia e que prevê, além da digitalização do ensino nas secundárias da capital, o desenvolvimento da aprendizagem por fenómenos em alternativa ao modelo clássico por disciplinas individuais. O modelo está já a ser testado em todos as escolas de Helsínquia que, pelo segundo ano, tiveram de definir o ensino dado no 5º período (o último antes das férias) segundo esta orientação.

“Também ajuda o facto de a sociedade ser muito homogénea, de as pessoas serem parecidas” e de partilharem uma convicção: todas as pessoas são iguais, devem ser tratadas da mesma forma e ter direito às mesmas oportunidades, independentemente da origem étnica, riqueza ou local onde vivem.

Equidade e igualdade são pois marcas impressas no ADN do sistema educativo finlandês. E são levadas a um ponto tal que há quem critique a escola por se preocupar muito com quem está a ficar para trás e pouco com quem é capaz de ir mais além. Os testes internacionais do PISA (a maior avaliação realizada na área da educação, conduzida trianualmente pela OCDE e que catapultou a educação finlandesa para o top mundial) mostram precisamente que há pouca variação de resultados entre alunos e entre escolas. E que a Finlândia é um dos países onde os resultados dos alunos de 15 anos menos dependem das condições socioeconómicas das famílias.

Não havendo fórmulas matemáticas que o demonstrem, é possível atirar hipóteses plausíveis. Como o facto de todas as escolas públicas, e quase todas o são na Finlândia, terem equipas de assistência ao estudante. É uma espécie de força de intervenção, que atua aos primeiros sinais de alarme, composta pelo diretor, um enfermeiro, um psicólogo, um assistente social, um orientador escolar e um professor do ensino especial. Nem todos os estabelecimentos do país têm uma equipa tão completa, mas todos os alunos têm direito a encontrar-se com estes especialistas numa base semanal.

As equipas de assistência ao estudante reúnem-se para discutir e identificar possíveis problemas com os alunos, sejam eles de comportamento, dificuldades de aprendizagem, suspeitas de bullying, etc, e decidir a melhor forma de os resolver. A ideia é simples: dar todo o apoio adicional que for preciso, antes que o problema se torne maior. E diga-se que não estamos a falar de uma pequena equipa para uma imensidão de alunos. Aqui, não há mega-agrupamentos como em Portugal, já que o número médio de estudantes por estabelecimento de ensino secundário, por exemplo, é de 250. A estratégia parece resultar. Não é verdade que não há chumbos na Finlândia. Mas também não é mentira que isso só aconteceu a 3,8% dos alunos de 15 anos, de acordo com a última edição do PISA, de 2012.

Este é um dos contrastes mais evidentes quando se põe em paralelo o sistema de ensino português. À mesma pergunta — alguma vez chumbou no seu percurso escolar até ao momento? — não foram 3,8% mas 34,3% os alunos a dizerem que sim. A média na OCDE ronda os 12%.

Perguntemos, então, a um português residente em Helsínquia, com quatro filhos no sistema de ensino, o que valoriza mais na Educação daquele país: “A qualidade e o facto de se preocuparem com os alunos. Há um endereço de e-mail para os pais e escolas comunicarem. Têm um psicólogo. Se um miúdo precisar de um tratamento dentário é garantido”, exemplifica André Capitão. “E também há a noção de que as crianças precisam de tempo para brincarem e que não têm de começar logo a aprender a ler e a escrever.” Na verdade, o 1º ano da escola começa na Finlândia aos sete e o chamado pré-escolar aos seis.

Se os recursos são invejáveis, os custos não o são menos. Todo o ensino, desde o pré-escolar até ao universitário, é gratuito, incluindo as refeições. Durante a escolaridade obrigatória (que é apenas de nove anos, apesar de a maioria dos jovens continuar a estudar, e não de 12 como em Portugal) os pais também não têm de pagar nem transportes nem os manuais escolares.

Por esta altura, o leitor poderá pensar que a Finlândia gastará rios de dinheiro para suportar um sistema destes. Mas o que os números mostram (relativos a 2011) é que há países a gastar bastante mais, como é o caso dos Estados Unidos ou da Suécia, e que têm apresentado piores resultados nos testes internacionais. Fazendo a comparação com Portugal, se um aluno da primária custa 8 mil dólares por ano na Finlândia, por cá o Estado despende 5800, lê-se no último relatório Education at a Glance (os valores estão já ajustados ao poder de comprar em cada país para tornar a comparação mais realista). Mas no caso do secundário, a diferença é bem menor (9800 dólares contra 8700). Na verdade, os valores não se afastam das médias da OCDE e da União Europeia, o que levanta a questão da eficácia com que o dinheiro é usado.

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Professor: uma carreira concorrida e prestigiada

  Saiamos da escola primária de Kotinummi, nos arredores de Helsínquia, e entremos numa outra sala de aula, na secundária de Kallio, agora no centro da capital. Não há toque de entrada e à hora marcada para o início da aula já se veem os alunos a trabalhar em grupos, todos virados para os computadores onde fazem os seus trabalhos. O ambiente é o mais informal que se possa imaginar. Há bonés na cabeça, telemóveis na mão e Niina Vänttä, a professora de Ciências Sociais que se apresenta sem manuais nem livros de ponto, mas apenas com um portátil debaixo de braço e que todos os estudantes tratam pelo nome próprio — o que se repete, aliás, de escola para escola.

Falta de consideração? Muito longe disso. Os alunos são os primeiros a reconhecer: “Os professores aqui são vistos como superautoridades, que todos respeitam. Se dizem para nos calarmos, nós calamo-nos. Claro que há uns melhores do que outros, mas todos estão muito bem preparados e ajudam-nos”, descreve Anna Tavaila, 19 anos.

À qualidade dos professores, Anna e as colegas de grupo somam outras razões que levaram o país a distinguir-se na Educação. “O ensino secundário não é obrigatório e todos estamos aqui porque queremos aprender. Os nossos pais e os nossos professores sempre nos disseram como a Educação é importante. Somos um país pequeno, mas que conseguiu resultados. Que tem orgulho na sua Educação e que quer mostrar isso ao mundo.”

No seu caso particular e de todos os finalistas do secundário há uma motivação adicional. Pela primeira vez vão fazer exames nacionais. Para concluir o 12º ano e que também serão tidos em conta na admissão ao ensino superior.

Se quiserem estudar para ser professores, por exemplo, sabem, que a competição é feroz. Ao contrário do que acontece por essa Europa fora, ser-se professor na Finlândia é altamente popular entre os jovens: o número de candidatos aos cursos de formação de professores tem aumentado nos últimos anos e apenas 10% dos que querem dar aulas no ensino básico conseguem entrar numa das oito universidades que têm estes cursos. Se em Portugal é difícil ser-se médico, na Finlândia, é difícil ser-se professor.

“É uma carreira prestigiada. Temos boas condições, bastantes férias e temos muita autonomia no nosso trabalho. Fazemos o nosso planeamento e definimos os nossos métodos de ensino”, explica Niina Vänttä.

Fique ainda a saber que um professor generalista do ensino básico (do 1º ao 6º ano há normalmente um docente e entre o 7º e o 9º é que estão divididos por disciplinas), ganhava em 2013 quase quatro mil euros. Um colega do secundário (10º ao 12º) recebia um pouco mais do que esse valor. Antes de pensar que gostaria de ser professor na Finlândia, não se esqueça de fazer contas ao custo de vida. Helsínquia, por exemplo, é uma das cidades mais caras do mundo. Olhando para as remunerações médias dos profissionais habilitados com um mestrado (formação mínima obrigatória para se dar aulas) no país, os professores finlandeses recebem abaixo. Comparando com os colegas europeus pode dizer-se que é uma profissão razoavelmente remunerada.

Quanto à colocação de professores, pense na forma como funciona em Portugal, com um concurso nacional que envolve dezenas de milhares de candidatos, colocados centralmente pelo Ministério da Educação através de uma lista única e concursos de escola intrincados capazes de paralisar um arranque normal de ano letivo. E agora pense num sistema bem mais simples, em que os diretores das escolas anunciam as vagas que têm e escolhem os docentes que querem. É assim na Finlândia. “Um diretor pode querer um professor muito bom em novas tecnologias ou alguém que domine uma nova pedagogia. Eles é que sabem o que precisam”, justifica Niina Vänttä.

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A escola do século XXI

  A aula continua a decorrer, mas não é Niina quem dá as ordens, apresenta a matéria ou perde tempo a mandar calar os alunos. Tal como nas outras secundárias da capital, o último período de aulas foi dedicado aos trabalhos em grupo. Em conjunto com o colega de Matemática, a professora de Ciências Sociais definiu um conjunto de exercícios que os estudantes teriam de realizar ao longo de sete semanas. “A ideia é não ser o professor a ensinar tudo. Dividi-os em grupos de cinco e são eles que têm de procurar as respostas. Uma vez por semana reunimo-nos e temos uma aula tradicional.”

Os alunos dizem que gostam, que é “mais fácil compreender assim a matéria, do que só de ouvido”, que são treinados a ser “mais independentes”, a ir “à procura de respostas”, descrevem Kerttu, Tanja, Anna, do grupo de raparigas que já concluiu todas as tarefas. Apontando para os monitores, explicam como foram respondendo a perguntas sobre a evolução dos salários e escrevendo textos a propósito da inflação, colocando-os depois no Google Drive, de forma a que professora e alunos conseguissem visualizar sempre os documentos e as correções.

É assim que estão à beira de completar mais duas das 75 cadeiras que têm de fazer no secundário, ao ritmo que entenderem (o ensino está desenhado para três anos, mas há quem se adiante e faça em pouco mais de dois e os que precisem de quatro). Mais de metade dos módulos são obrigatórios, mas os restantes são eles que escolhem. “Podemos decidir o que queremos estudar e isso é muito bom”, aponta Olli-Pekka, 18 anos.

No próximo ano, já com o novo currículo nacional em vigor, a integração irá mais longe, com os professores de Ciências Sociais, Inglês, Música e Artes a juntarem-se para dar parte das suas cadeiras, de forma integrada, através do módulo Café Musical. Cada grupo terá de criar uma ideia de negócio em torno de um café, pô-lo a funcionar, preocupando-se com todos os detalhes, desde a decoração à programação cultural. As receitas reverterão para os alunos.

“A sociedade mudou muito e os estudantes precisam de competências diferentes para quando forem trabalhar. No mundo real não existe a Matemática, a Biologia, a Química… Não existem disciplinas escolares, mas fenómenos complexos, aos quais não podemos dar resposta como se se fossem perguntas de escolha múltipla. Durante anos, essa foi uma boa forma de ensinar. Agora precisamos de algo diferente, de forma a garantir que estamos a formar estudantes com essas novas competências”, argumenta Pasi Silander, satisfeito com as experiências que têm sido feitas nas escolas de Helsínquia. “Ao princípio todos diziam: nem pensar que os professores do secundário vão conseguir articular-se e trabalhar juntos. Agora estão a fazê-lo.”

Na primária de Siltamäki, com 240 alunos e 17 professores, é visível o espírito de colaboração entre todos e o orgulho de trabalhar numa escola que está muito à frente na forma como utiliza as novas tecnologias ao serviço da educação. Por todo o lado veem-se computadores, tablets e quadros inteligentes, há uma sala stresse free, onde a música que sai dos altifalantes faz lembrar o som ambiente de um spa. E que contrasta com outra ali perto, onde miúdos do 3º ano manuseiam freneticamente o rato para movimentar e colocar blocos na versão educativa do Minecraft, um sucesso de vendas no mundo dos jogos para PC.

Parece um intervalo, mas é na verdade mais um tempo de estudo no horário normal. “Sim, também dou aulas tradicionais”, esclarece Tomi Tolonem, cabelo rapado, barba comprida e ar de motard ou vocalista de banda de heavy metal. Adepto da nova tendência conhecida como ‘gamificação’ (o termo deriva da palavra inglesa game — jogo) aplicada à Educação, Tomi acredita que é possível criar novos contextos para o ensino, muitos apelativos para os alunos, mas também com utilidade e resultados concretos.

A ideia é mudar a forma como se ensina, recorrendo à estrutura narrativa e aos mecanismos inerentes aos jogos: as aulas são transformadas em missões, os exercícios em desafios. “Primeiro contei-lhes a história da ilha em que estão presos. Depois vou lançando os desafios e para os superarem têm de trabalhar em conjunto, erguerem abrigos, por exemplo”, explica Tomi. A última ordem foi para construírem o maior número de formas geométricas que conhecessem, recorrendo aos blocos do Minecraft. A hora é de aprender Geometria.

Com tanta experimentação e margem de manobra das autoridades locais e escolas (a educação está completamente municipalizada), sem exames e sem inspeções às escolas, surge a dúvida: quem controla a qualidade do sistema e que os alunos estão de facto a aprender? “Confiamos nos nossos professores, porque sabemos que estão altamente preparados. Não acreditamos que temos de fazer como os Estados Unidos em que estão sempre a medir os resultados”, responde Pasi.

De resto, e apesar de todas as adaptações locais sobre a forma de lá chegar, há uma espécie de ‘bíblia’ onde está escrito tudo aquilo que os alunos têm de saber no final dos diferentes níveis do ensino e que são os currículos nacionais do básico e do secundário, sublinha o responsável do ECampus de Helsínquia. E os professores têm de o seguir à risca.

Neste momento, os leitores mais familiarizados com a gíria educativa estarão a pensar que, afinal, na Finlândia também existem as metas curriculares, aprovadas pelo atual ministro da Educação, Nuno Crato, e que tanta polémica estão a gerar, por serem, aparentemente, demasiado prescritivas e pormenorizadas.

Só que um olhar mais atento para os documentos revela as especificidades de cada sistema. Não sabemos se a capacidade de síntese dos finlandeses é uma das suas qualidades ou se o excesso de palavreado é um dos nossos defeitos. Os factos são estes: enquanto na Finlândia se conseguiu escrever em 10 páginas tudo o que os alunos precisam de saber fazer a Matemática do 1º ao 9º ano, por cá foi preciso um documento com mais de 80, a que se juntam 30 do programa. A proporção repete-se nas outras disciplinas.

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Uma nova Nokia? 

Durante anos, a Nokia e a Educação foram os dois grandes motivos de orgulho nacional deste pequeno país. O declínio da primeira, entretanto parcialmente comprada pelo Microsoft, abandonando a produção de telemóveis, depois de ter sido durante anos nº 1 mundial, foi mais do que uma profunda machada na economia da Finlândia.

Abalada a confiança, restou a Educação, com o país a ocupar desde 2000 os primeiros lugares nos testes PISA, realizados por meio milhão de alunos de 15 anos, de 64 países/regiões da OCDE e parceiros que testam a sua literacia a Matemática, Ciências e Leitura. Acontece que em 2014 soou o alarme. Os resultados dos testes feitos dois anos antes mostravam ao mundo que a Finlândia tinha sido ultrapassada no topo do ranking por vários países asiáticos e mesmo alguns europeus, particularmente na competência Matemática.

Jouni Välijärvi, diretor do Instituto Nacional para a Investigação na Educação, admite a deceção: “Sim, é preocupante. O declínio começou em 2009 e continuou em 2012. Ainda assim continuamos com bons resultados e estamos no top da Europa. Penso que uma das razões tem a ver com uma diminuição do empenho dos alunos, particularmente em relação à leitura. As escolas competem cada vez mais com a internet e outros serviços digitais de cada vez maior qualidade e diversidade. Isto também ajuda a explicar por que razão os rapazes estão cada vez mais atrás das raparigas, incluindo a Matemática.”

Nem tudo são diferenças entre Portugal e Finlândia e, tal como cá, a crise parece falar mais alto. Não há finlandês que não esteja preocupado com os cortes que se avizinham no próximo Orçamento do Estado, ainda mais quando a Economia teima em não arrancar. E a Educação ressente-se. Também lá como cá fecham-se escolas e cortam-se meios. “As escolas e os professores têm cada vez menos recursos para o desenvolvimento pedagógico a nível local. O investimento na formação profissional está a diminuir. Isto é uma ameaça para o desenvolvimento e inovação num sistema educativo de qualidade”, alerta Jouni Välijärvi.

A aula já vai longa e acaba por aqui. Para grande parte dos alunos portugueses, o tempo agora é de estudar para os exames.

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CONTRASTES

Horas de aulas 

A Finlândia é um dos países onde os alunos têm menos horas de aulas ao longo da 
escolaridade obrigatória. 
São em média 703 por ano, enquanto em Portugal esse valor é de 827

Habilitações  É no campo das qualificações que existe um dos maiores contrastes entre os dois países. 85% da população adulta finlandesa (18-64) têm pelo menos o ensino secundário, contra 38% em Portugal. Entre os diplomados na 
população adulta, a diferença 
é de 40% para 19%

Felicidade  Poucos países batem os níveis de bem-estar manifestados pelos alunos portugueses de 15 anos. 86,4% disseram concordar com a afirmação “sinto-me feliz na minha escola”, contra 66,9% dos finlandeses

Salários As diferenças começam por ser muito grandes em início de carreira, com um professor do 3º ciclo do básico a ganhar por ano cerca de 29 mil dólares cá e perto de 35 mil lá (valores já convertidos para garantir a paridade do poder de compra). Ao fim de 15 anos continua a ganhar menos. 
Mas no topo da carreira, 
a situação inverte-se

Temperatura  A temperatura média em fevereiro, normalmente o mês mais frio do ano, em Helsínquia é de – 5,7˚ centígrados. Em Lisboa, é de 12,7˚ centígrados

Custos Em Helsínquia, um café 
custa 3 euros, tanto quanto um bilhete de metro ou autocarro. Jantar num restaurante 
dificilmente ficará a menos 
de 20 euros se beber vinho 
ou mesmo cerveja ultrapassará os 30 euros. Despesa que fazem com que o custo 
de vida na capital finlandesa seja 58% mais caro do que 
na capital portuguesa

Texto publicado na revista E de 30 de maio de 2015

 

 

 

O que a Finlândia vai mudar no ensino é em tudo contrário ao que Portugal fez

Abril 9, 2015 às 8:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 6 de abril de 2015.

ENRIC VIVES-RUBIO

Clara Viana

Estudantes vão participar na elaboração dos currículos e na escolha dos temas a abordar nos novos módulos multidisciplinares.

O país que é habitualmente apontado como exemplo no campo da educação, a Finlândia, prepara-se para mudar, a partir de 2016, o seu sistema de ensino de modo a adaptar a escola a um “mundo que está a mudar a grande velocidade”, indicou ao PÚBLICO a directora do Conselho Nacional de Educação finlandês, o organismo que está a elaborar o novo currículo nacional para a escolaridade obrigatória.

Não é a “revolução” anunciada, em Março, pelo jornal inglês The Independent, numa notícia que, apesar de prontamente desmentida pelo Governo finlandês, acabou por ser replicada por vários outros jornais e blogues. Ao contrário do que aí se escreveu, as disciplinas tradicionais não vão ser abolidas e substituídas por um ensino baseado em tópicos transversais, embora este também vá por diante. O que se propõe é, assim, um modelo de coabitação e não de exclusão numa reforma que vai também pôr os estudantes a participar na definição dos currículos e meios de avaliação.

Na prática, tudo que o “país maravilha” da educação se propõe fazer para mudar a escola é radicalmente diferente e de sinal contrário à reforma empreendida recentemente em Portugal pelo ministro Nuno Crato, comenta José Morgado, professor do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA).

Na Finlândia aponta-se para “uma ‘modernização’ do pensamento educativo” que, destaca Morgado, se traduz na intenção de desenvolver “formas de trabalho em sala de aula que transcendam a lógica do trabalho interior a cada disciplina, definindo um conjunto de tópicos que exigem saberes oriundos de diferentes disciplinas e que serão trabalhados de forma transversal”.

Já Portugal, pelo contrário, apostou numa maior compartimentação, com uma nova estrutura curricular assente “em programas demasiados extensos e excessivamente prescritivos e na definição de metas curriculares, que fazem correr o sério risco de que o ensino se transforme na gestão de uma espécie de check list”, resume este docente do Departamento de Psicologia da Educação do ISPA, que tem larga experiência na formação de professores.

José Morgado lembra, a propósito, que as metas aprovadas para Português e Matemática do 1.º ciclo “definem um total de 177 objectivos e 703 descritores de aprendizagem, sendo exigido aos professores que promovam o ensino formal de cada um deles e aos alunos que atinjam, por exemplo, uma velocidade de leitura de, no mínimo, 90 palavras por minuto”.

Também Assunção Flores, presidente da Associação Internacional de Estudo dos Professores e do Ensino, fala de dois modelos distintos. A visão “mais integrada e flexível de currículo” assumida pela Finlândia “afasta-se de uma perspectiva mais redutora que se centra nos conteúdos a aprender e nos objectivos a atingir no âmbito das disciplinas, prevalecendo, muitas vezes, uma lógica caracterizada pela rigidez e obesidade curriculares, associadas, entre outros aspectos, à extensão e cumprimento escrupuloso dos programas”, aponta a também investigadora da Universidade do Minho.

Alunos no centro das escolhas

Em respostas por escrito ao PÚBLICO, a directora do Centro Nacional de Educação finlandês, Irmeli Halinen, refere que o novo currículo nacional, com base num diploma de 2012 onde se estabeleceram as metas globais e os tempos lectivos para a escolaridade obrigatória, entre os sete e os 16 anos, “clarifica os objectivos de todas as disciplinas escolares, dá ênfase a práticas de cooperação em sala de aula e implementa conhecimentos e competências multidisciplinares, através do estudo de fenómenos e tópicos que será feito com a colaboração entre vários professores em sala de aula”.

Esta aprendizagem vai permitir, por exemplo, que a propósito do aquecimento global sejam mobilizados em simultâneo vários conhecimentos (matemática, física, história, etc.), mas com aplicações práticas. Com esse fim, prossegue Halinen, “todas as escolas terão de criar pelo menos um módulo por ano lectivo, com uma duração de uma a quatro semanas, centrado no estudo de tópicos que sejam de especial interesse para os estudantes”.

Competirá às “escolas definir quais os assuntos a abordar nestes módulos, a sua duração e como serão implementados”, mas com um pressuposto de base: “Os estudantes devem participar no planeamento destes módulos. Antes do início das aulas, em conjunto com os professores, estudarão quais as melhores formas de atingir as metas estabelecidas no currículo, quais os objectivos e tópicos dos módulos e como serão estes organizados”.

“Temos mesmo como objectivo que os estudantes tenham um papel mais activo nas escolas”, frisa. Por isso, já no início das aulas, professores e alunos “devem estabelecer em conjunto que caminhos seguir para o sucesso e como garantir que os estudantes saibam se fizeram ou não um bom trabalho”. Deste modo, comenta, “os alunos também aprenderão a avaliar o seu próprio trabalho”.

Os estudantes também “participam na elaboração dos currículos locais” ou seja, na oferta específica proposta pelas diferentes escolas, em conjunto com os municípios, de modo a dar respostas às diferentes características e necessidades locais.

“Alegria de aprender”

Para além desta oferta local, o novo currículo “mantém um conjunto de disciplinas que é igual para todos os estudantes da escolaridade obrigatória”. Entre as disciplinas obrigatórias contam-se as de língua materna, literatura, matemática, estudos ambientais, biologia, geografia, física e química, educação para a saúde, religião e ética, história, estudos sociais, música, artes visuais e economia doméstica.

José Morgado chama a atenção para alguns dos “objectivos chave identificados na reforma finlandesa”. Coisas como estas:  o “entendimento das escolas como comunidades de aprendizagem”, a importância da “alegria de aprender” ou a “promoção da autonomia do aluno na avaliação do seu próprio trajecto de aprendizagem, retomando a ideia conhecida de aprender a aprender”. “É minha convicção de que o ministro Nuno Crato considerará tais objectivos como um típico discurso ‘eduquês’ (seja lá isso o que for) e, como tal, identificados como uma fonte do mal”, contrapõe.

Defendendo que  “o currículo é muito mais do que o programa das disciplinas”, Assunção Flores sublinha que na reforma proposta na Finlândia assume-se  “a importância da avaliação formativa” e que “as competências para aprender devem ser desenvolvidas, de modo sistemático, uma vez que são consideradas fundamentais na vida escolar e profissional”.

Apesar de continuar a figurar entre os países com melhores resultados nos testes internacionais de avaliação dos alunos de 15 anos (PISA na sigla em inglês), promovidos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, a Finlândia teve o seu pior desempenho de sempre na última edição deste programa, em 2012.

Este facto não figura, contudo, entre as razões apontadas por Imre Halinen quando questionada sobre as razões que levam um país, que continua a ser apontado internacionalmente como modelo educativo, a optar por uma reforma tão substancial do seu sistema de ensino. “O mundo à volta da escola está a mudar a grande velocidade e isso cria novos desafios para a educação”, responde. Na prática, isto significa, acrescenta, que “temos que saber o que vale mais a pena aprender hoje na escola de modo a fomentar um modo de vida sustentável, como reagir ao modo como este mundo em mudança está a influenciar a vida das crianças e o trabalho das escolas, como melhorar a cultura escolar para aumentar a motivação e alegria de aprender dos nossos alunos e de que modo seremos capazes de manter o elevado nível de desempenho dos nossos alunos”.

 

 

 

 

Las diez claves de la educación en Finlandia [Infografía]

Março 31, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://www.aulaplaneta.com  de 22 de janeiro de 2015.

Aula Planeta

 

El sistema educativo finlandés está considerado uno de los mejores del mundo, especialmente por sus buenos resultados en los Informes Pisa, la evaluación que realiza la OCDE cada tres años. ¿A qué se debe? Te explicamos algunas características esenciales de la educación en el país nórdico que pueden contribuir a explicar su éxito y servirnos para reflexionar sobre nuestro propio sistema de enseñanza.

DIEZ PILARES DEL SISTEMA EDUCATIVO FINLANDÉS

  1. Los docentes son profesionales valorados. La educación es una profesión con prestigio y los profesores tienen gran autoridad en la escuela y en la sociedad. El equivalente a Magisterio en Finlandia es una titulación complicada, exigente y larga, que además incluye entrevistas personales, por lo que los maestros son profesionales muy bien preparados y vocacionales.
  2. La educación es gratuita y, por lo tanto, accesible a todos. El sistema educativo público establece que la educación es obligatoria y gratuita entre los 7 y los 16 años y debe ser impartida por centros públicos. Tampoco se paga por los libros ni por el material escolar, y todos los niños reciben una comida caliente al día en el colegio, también gratuita. En el caso de que el niño viva a más de 5 kilómetros del centro escolar, el municipio debe organizar y pagar el transporte.
  3. El reparto del dinero público se hace de forma equitativa. Los fondos estatales se reparten de forma justa entre los centros. Hay una base de subvención común para todos pero la cifra final varía atendiendo a las necesidades de cada uno, de manera que se compense a aquellos con más carencias para equipararlos al resto. La igualdad de oportunidades es un valor esencial.
  4. El currículo es común pero los centros se organizan. Cada escuela y sus profesores diseñan y organizan el currículo (aunque tiene unas líneas generales y un marco común para todos) y se planifican para conseguir los logros establecidos como mejor consideren.
  5. La educación se personaliza. Desde los primeros cursos se interviene para apoyar a los alumnos con necesidades especiales, con lo que se evita que sus dificultades aumenten con los años y se minimizan los porcentajes de fracaso escolar. Se respeta el ritmo de aprendizaje de cada niño y se huye de las pruebas y actividades estandarizadas. Además, los profesores suelen ocuparse del mismo grupo desde 1.º (7 años) hasta 6.º (12 años), lo que ayuda a que los conozcan mucho mejor.
  6. Los alumnos tienen tiempo para todo. La educación se toma en serio pero también se da importancia al juego y al descanso. Los niños no comienzan el colegio hasta los 7 años, momento en el que se les considera maduros para aprender. Además, las jornadas lectivas son más cortas. Los estudiantes de Primaria tienen solo 3 o 4 clases al día, con descansos de 15 minutos entre cada una de ellas a los que se suma el descanso para comer. Apenas hay deberes, el trabajo se hace en clase, no en casa.
  7. Preparar la clase es parte de la jornada laboral. Los profesores no imparten tantas horas de clase como en otros países, sino que el tiempo que pasan en el aula es más reducido y destinan las horas restantes a preparar sus lecciones, investigar, organizarse o trabajar de forma colaborativa con otros docentes.
  8. Se evita la competencia y las cifras. Los estudiantes no hacen exámenes ni reciben calificaciones hasta 5.º curso (11 años) y los informes que el profesor elabora para los padres son descriptivos, no numéricos.
  9. Se premia la curiosidad y la participación. La imaginación y la capacidad de emprendimiento son muy apreciadas en la sociedad finlandesa, abundan los profesionales de campos artísticos y creativos y también los de tecnología e ingeniería. Esto también se fomenta en la educación, donde se valora la creatividad, la experimentación y la colaboración por encima de la memorización y las lecciones magistrales.
  10. Los padres se implican. La sociedad y las familias consideran que la educación es fundamental y la complementan con actividades culturales. A esto contribuyen las ayudas que reciben los padres para la conciliación de la vida laboral y familiar, para que dispongan de más tiempo con sus hijos.

 

 

4 razones por las que la educación de Finlandia es tan buena

Março 24, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://www.psyciencia.com  de 6 de março de 2015.

4 razones por las que la educación de Finlandia es tan buena

Por David Aparicio

El sistema educativo Finlandés es la envidia del mundo, durante los últimos años sus estudiantes han sobresalido entre los países de primer mundo en la evaluación Pisa (Programa Internacional de Evaluación de Estudiantes) que evalúa a través de tests estandarizados a niños de 15 años en 65 países. Con tan altos puntajes uno pensaría que los estudiantes finlandeses son los que más horas de clases y tareas tienen. Pero en realidad, utilizan un método que muchos considerarían como poco efectivo: sus alumnos empiezan la escuela recién a los 7 años, son los que menos horas de clases tienen y menos deberes dejan a sus alumnos.

Recientemente el diario La vanguardia realizó una entrevista al decano de la facultad de educación de Finlandia, Jari Lavonen (Lee la entrevista completa aquí) y de ella extrajimos 4 razones por las que la educación en Finlandia es tan buena:

Las cualidades de un buen maestro: Debe tener mucha motivación, deben saber escuchar, trabajar duro y estudiar mucho, porque la carrera de maestro es difícil. Un maestro debe tener un comportamiento ético porque es un ejemplo social.

Creen en la equidad: una cultura de educación, escoger a los mejores maestros, un sistema que confía en ellos, que los valora, que les da autonomía (dato curioso: en Finlandia no existe la inspección educativa). Creen en la equidad. No existen escuelas privadas, todas las escuelas son públicas, los libros durante la primaria son gratis y el gobierno invierte en buenas bibliotecas. Se preocupa por los alumnos con necesidades especiales y hay pocos alumnos por aula.

La educación empieza a los siete años: Consideran que los niños menores de 7 años deben disfrutar de su tiempo, deben jugar y no ingresar tan temprano a un sistema reglado y pesado como la escuela. Y para ayudar a los padres que trabajan, el gobierno ofrece guarderías municipales, pero con un enfoque lúdico y también hay madres que se encargan de varios niños y el gobierno de cada municipio les paga por ello.

Tienen una visión holística de la educación: El gobierno entiende que una buena educación no solo se correlaciona con el progreso económico sino también con una vida más plena, más recursos vitales y mejor cuidado de la salud.

Imagen: K12educationsystem

 

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