Pensar a brincar – Oficinas de filosofia para crianças, 29 outubro em Odivelas

Outubro 26, 2017 às 3:24 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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“Ohmm…” E se as crianças meditassem na escola?

Outubro 3, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://observador.pt/ de 9 de setembro de 2017.

O projeto “Mentes Sorridentes” arrancou no ano letivo 2015-2016.
Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens

Ana Cristina Marques

A meditação está a chegar às salas de aula um pouco por todo o país. Com o regresso à escola, fomos perceber como funcionam os programas de mindfulness e quais são, afinal, as suas vantagens.

No início, Zé achava aquilo tudo uma “treta”. O aluno do quinto ano gozava com os colegas quando, em aula, chegava a vez de meditar por alguns minutos. As caretas que os colegas faziam eram, para este rapaz de 11 anos, irresistíveis. Não havia como não fazer pouco do que estava a ver. Ele mesmo o admite, numa confissão gravada para fins académicos. No vídeo não se vê a cara do jovem, apenas o sorriso maroto e a linguagem corporal que ajuda a validar as respostas quando conta que, afinal, estava errado. As coisas mudaram quando Zé começou a praticar mindfulness no segundo período, exercícios de concentração que deixavamo-no cada vez mais relaxado e apto a trabalhar. Agora, custa-lhe menos fazer o sumário e já não há tanta energia para gastar.

Meditar na sala de aula

Zé é um dos alunos do Agrupamento Escolas João Villaret, em Loures, que usufrui do projeto “Mentes Sorridentes”, criado há coisa de dois anos não pelos melhores motivos. Os ataques de pânico entre os miúdos eram frequentes, tão frequentes que Dulce Gonçalves decidiu agir em nome do bem-estar dos alunos e trocar a medicação pela meditação. “Tinha de haver outra resposta que não enviar os miúdos diretamente para o hospital”, conta ao Observador a professora de Educação Especial na Escola João Villaret. O início do projeto não foi fácil. O preconceito ou, se quisermos, a descrença entre colegas era óbvia e até a direção torceu o nariz, pelo que o conceito “meditação” foi imediatamente posto de lado e substituído por “mindfulness” que, hoje, cai melhor em conversa — uma troca que consistiu numa “estratégia de marketing para diluir a resistência”.

No ano letivo 2015-2016, o Agrupamento de Escolas João Villaret passou a ter um projeto de mindfulness aplicado a um grupo piloto composto por 30 alunos com graves níveis de ansiedade, indisciplinados e com dificuldade em lidar com as próprias emoções. Durante a hora de almoço, e num espaço exterior à sala de aula, os alunos tinham sessões de 10 a 15 minutos, sendo que, primeiramente, era explicado o funcionamento básico do cérebro. O programa de oito semanas e de carácter facultativo acabou por pegar bem mais depressa do que Dulce Gonçalves alguma vez sonhou.

Dois anos depois, o formato original continua a existir e chega, inclusive, às salas de aula na forma de meditações tão diárias quanto o possível, após o intervalo da manhã e o da tarde. Só no ano passado, mais de 500 alunos, desde o jardim de infância ao nono ano, beneficiaram do projeto que é feito em parceria com a equipa de neurociência do Hospital Beatriz Ângelo. “Nós trabalhamos com alunos, docentes e funcionários. Somos uma equipa multidisciplinar que avalia cientificamente os resultados”, garante Dulce Gonçalves. Nem de propósito, o Ministério da Educação — que assegura que a implementação de projetos deste género “cabe no âmbito da autonomia de cada escola” — usa o agrupamento escolar em causa, e os seus “resultados muito animadores”, como um bom exemplo.

E que resultados são esses? Segundo os artigos científicos disponibilizados por Dulce Gonçalves, os alunos reportaram “melhoria no controlo da ansiedade de desempenho”, melhoria na concentração, diminuição da impulsividade e maior prazer nas relações e maior sentido para a vida”. Na conclusão assinalada no trabalho “Mentes Sorridentes – Uma proposta de promoção da saúde mental em meio escolar” lê-se, então, que as “técnicas de mindfulness, aplicadas num protocolo simples e curto, obtêm resultados positivos na gestão emocional que permite a disponibilidade para as aprendizagens e a melhoria da qualidade de vida dos alunos”.

Mais a norte, Fernando Emídio dá a cara pelo “Mind Up”, destinado ao primeiro ciclo do Agrupamento de Escolas da Marinha Grande. São mais de 500 os alunos que beneficiam do programa que se divide em dois: se por lado há 15 sessões durante 15 semanas, cujos temas vão variando (as aulas iniciais são dedicadas às bases da neurociência), por outro há práticas de meditação em plena sala de aula. “Os exercícios são à volta do som e da respiração, e são idealmente postos em prática três vezes por dia: de manhã, depois de almoço e ao final da tarde”, explica Fernando Emídio ao Observador. Os resultados de trazer a atenção dos mais novos para o “aqui e agora” são palavras também repetidas por Dulce Gonçalves: redução significativa da impulsividade, dentro e fora da sala de aula, e menos ansiedade nos testes. “Há essa capacidade de manter a atenção sustentada durante mais tempo e menos ansiedade quando se faz isto antes dos testes.”

O projeto “O Pequeno Buda”, que o criador Tomás de Mello Breyner diz ser, por enquanto, o único 100% nacional (os outros dois derivam de conceitos existentes além-fronteiras), também começou em 2015, o que ajuda a provar que este é um “movimento”, se assim o pudermos chamar, particularmente recente. A ideia foi implementada numa primeira escola e, um ano depois, outras 19 se seguiram, a maior parte delas privadas e situadas em Lisboa, embora já existam parcerias no Porto e no Algarve. “Trabalhamos com a Associação de Escolas João de Deus, que é semi-privada, e estamos agora a trabalhar com o município de Coruche”, explica ao Observar Tomás de Mello Breyner. O homem que começou por estudar gestão de marketing viu a sua vida mudar quando foi diagnosticado com síndrome de Ménière (doença incurável que afeta os ouvidos, sendo que um dos sintomas passa pela perda de audição). O caminho para a aceitação do que era inevitável passou pelo ioga e, mais tarde e de forma espontânea, pela… meditação.

“O Pequeno Buda” funciona em três passos. O primeiro consiste na formação dos professores, para que estes estejam capacitados a fazer exercícios de meditação na sala de aula, e o segundo no facto de ser Tomás e a própria equipa a iniciar as técnicas de meditação entre os mais novos. “Depois, passado um determinado tempo, fazemos visitas. No fundo, é uma espécie de controlo de qualidade”, diz, referindo-se à última etapa. A máxima, garante o criador, é tirar um pouco o pé do acelerador e deixar que os Budas em formato mini sintam o “poder do silêncio, da respiração e da paz”.

Os benefícios e os principais desafios da meditação

Segundo alguns estudos, tal como se lê no livro “Filosofar e Meditar Com as Crianças” (editora Arena), a capacidade de concentração das crianças não vai além dos oito segundos — para muitos pais, arriscamo-nos a dizer, talvez não sejam precisas quaisquer conclusões científicas para atestar a ideia, basta vê-los correr pela casa em resposta ao “vamos fazer os TPC”. Para Rosário Carmona e Costa, que já antes falou ao Observador sobre o perigo das novas tecnologias, a meditação (ou as práticas a ela associadas) pode ser uma resposta à contínua exposição dos mais novos aos muitos estímulos existentes. “A meditação faz com que o nosso pensamento acalme e nós só aprendemos quando estamos calmos e disponíveis. Não só na escola, mas também ao nível do comportamento e no regular das emoções”, explica a psicóloga clínica.

Miúdos com défice de atenção ou que sofram de ansiedade podem, na opinião de Rosário Carmona, beneficiar deste tipo de práticas, até porque uma criança que esteja habituada a parar consegue criar mais facilmente tolerância à frustração, além de ser capaz de se autoregular melhor. “Ganhos secundários passam pela maior empatia e menor agressividade”, continua a também autora do livro “iAgora”.

Investigações feitas lá fora sugerem o mesmo. Num artigo do The New York Times, datado de maio de 2016, dão-se conta de pelo menos três estudos com conclusões semelhantes. A título de exemplo, um deles, de 2015, focou-se em alunos do quarto e quinto ano que, findo um programa de meditação de quatro meses, revelaram melhorias ao nível das funções executivas — controlo cognitivo e flexibilidade cognitiva –, além dos significativamente melhores resultados a matemática.

Apesar dos benefícios apontados — que, em última análise, consistem na redução dos níveis de stress — é difícil implementar hábitos de meditação entre a família. Não é só uma questão de logística do dia-a-dia, com os pais a não saberem como e quando começar a meditar, mas em causa está também a falta de informação. “Muitas vezes está associada a uma coisa mais esotérica. Há a ideia de que a meditação precisa de tempo e de espaço”, acrescenta Rosário Carmona. João Paula, professor de mindfulness, concorda. “Há muita ignorância”, atira. “Há quem ache que vamos levitar.” O objetivo de quem dá aulas de mindfulness não passa por criar o hábito da meditação diária, explica. A ideia é simplesmente dotar os alunos de uma ferramenta para a vida.

Um dos principais argumentos a favor da meditação é o facto de miúdos e graúdos viverem num mundo cada vez mais digital, onde há um excesso de informação de tal ordem que as crianças perdem a capacidade de desfrutar do presente. Se, de facto, existem estudos que sugerem que uma criança tem uns escassos oito segundos de concentração, há outros que defendem que, por dia e em média, existem 80.000 pensamentos a entrar e a sair da nossa cabeça como se esta fosse uma autoestrada concorrida. A meditação surge, neste contexto, como um kit de primeiros socorros, mas é preciso assegurar que, segundo o livro “O Pequeno Buda”, algumas regras sejam cumpridas:

  • quanto mais longa for a meditação, mais calma ficará a nossa mente;
  • apenas um praticante pode ensinar uma criança a meditar;
  • uma prática de meditação para uma criança de 5 anos não é a mesma para uma de 12;
  • é preciso distinguir o objetivo da meditação: o “relaxamento”, que está relacionado com a capacidade de induzirmos na criança um aumento dos níveis de tranquilidade e bem-estar, destina-se a praticantes mais novos, enquanto o “aumento da capacidade de foco”, que assenta na concentração e atenção, destina-se aos mais velhos.

Depois da meditação, a filosofia?

Frédéric Lenoir já deu workshops filosóficos a centenas de crianças em todo o mundo francófono, de Paris a Montreal, no Canadá, passando por Genebra, na Suíça, e Guadalupe, nas Caraíbas. A aventura levou-o a escrever o livro “Filosofar e Meditar com as crianças”, recentemente publicado em português pela editora Arena. Nele escreve que as crianças têm “a extraordinária capacidade de questionar o mundo, de se interrogarem, de se maravilharem, de confrontarem os seus raciocínios, em suma, de se entregarem à filosofia”. É com base nos workshops que lecionou em diferentes escolas, e seus resultados, que Lenoir defende que a aprendizagem da filosofia deveria começar logo na escola primária, ao invés de arrancar no ensino secundário.

Considerando as crianças do ensino pré-escolar, é preciso ter em conta que estas não deverão ser capazes de desenvolver verdadeiras argumentações logo nas primeiras sessões, mas a evolução tende a ser progressiva com o tempo. A filosofia, e os métodos que dela derivam, têm como principal objetivo permitir que a criança desenvolva o seu pensamento pessoal e aprenda a discutir com terceiros.

“A outra vantagem dos ateliers de filosofia no ensino pré-escolar é permitir que as crianças aprendam a escutar-se e a trocar pontos de vista do mundo construtivo. Quando animei um primeiro atelier de filosofia em Genebra, a escola La Découverte, reparei que as crianças do ensino pré-escolar que já praticavam este tipo de discussão com a sua educadora tinham as regras bem interiorizadas: cada uma dá a sua opinião livremente, escuta as outras e exprime o seu acordo ou o seu desacordo”, escreve Frédéric Lenoir.

De referir que os ateliers do autor começavam sempre com uma pequena sessão de exercícios associados à meditação: “Ao fim de duas ou três sessões na aula, a maioria dos alunos continuou espontaneamente a praticar meditação em casa, muitas vezes para se acalmarem quando se sentiam dominados por uma emoção, como a cólera, por exemplo”. A ideia de escrever o livro veio, então, da necessidade de partilhar com pais e professores as “virtudes da meditação e dos debates filosóficos para as crianças”.

O livro em causa é feito, na sua maioria, com relatos de crianças e estas são algumas das suas conclusões sobre a prática da meditação:

  • Violette (9 anos): “Serve para acalmar a minha raiva quando vou ralhar com a minha irmã mais nova”;
  • Castille (9 anos): “Faz-me esquecer todas as coisas que me enervam, que me stressam”;
  • Clarrise (10 anos): “A mim, ajuda-me quando estou furiosa. Faço isso, e ajuda-me a já não fazer movimentos bruscos”;
  • Édouard (9 anos): “A mim, ajuda-me a adormecer, porque, na verdade, adormeço a fazer meditação”;
  • Hector (9 anos): “Às vezes, quando estou a fazer revisões e penso noutra coisa ao mesmo tempo, bem, isto ajuda-me a acalmar-me e a concentrar-me”.

mais imagens no link:

http://observador.pt/especiais/ohmm-e-se-as-criancas-meditassem-na-escola/

1º Prémio Nacional do Conto Filosófico para Crianças

Março 20, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Os contos devem ser enviados até ao dia 17 de abril

mais informações:

http://escolasmoimenta.pt/blog/1o-premio-nacional-do-conto-filosofico-para-criancas/

E se pudesses viajar no tempo? | oficinas de filosofia, para crianças e jovens – 27 de novembro em Lisboa

Novembro 23, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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viajar

mais informações:

http://joanarssousa.blogs.sapo.pt/e-se-pudesses-viajar-no-tempo-oficinas-474139

https://www.facebook.com/events/1103939543013465/

Workshop “Filosofia para Crianças” 14 novembro em Lisboa

Novembro 10, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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par

Para se inscrever deverá preencher o formulário online (https://pt.surveymonkey.com/r/TW2NSVQ) e enviar-nos o comprovativo de pagamento para geral@a-par.pt. IBAN: PT50 0035 0464 0000 7706 5302 5

Workshop A PAR | Filosofia para Crianças

Ação de formação – Ferramentas para pensar: filosofia para crianças e jovens

Abril 7, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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filo

mais informações:

https://docs.google.com/a/esddinis.pt/forms/d/1bixAc8LWl7MfIM610YeZ8v2NWcEie6ib8h-c42Cutns/viewform

http://www.cfantoniosergio.edu.pt/

Filosofia para crianças conquista escolas algarvias

Fevereiro 2, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do http://barlavento.pt de 15 de janeiro de 2016.

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por Sara Alves

É uma disciplina que educa para aprender a ouvir, pensar, questionar e argumentar. O «barlavento» acompanhou duas aulas de Filosofia para crianças, lecionadas pela professora Laurinda Silva, uma no ensino público e outra no privado. Apesar das diferenças entre instituições, o resultado é, em ambas, surpreendente: alunos mais participativos, comunicativos e críticos.

A qualidade da formação que os alunos mais pequenos recebem nos estabelecimentos escolares é uma das maiores preocupações para os pais e encarregados de educação. Em Portugal, ainda são poucas as escolas que oferecem Filosofia para crianças nos seus currículos. No entanto, essa realidade já está presente no Algarve.

Visitámos duas escolas que, à primeira vista, aparentam ter muito pouco em comum. O Colégio Internacional de Vilamoura (CIV) situa-se numa zona considerada de luxo. A escola da Abelheira fica entre dois bairros sociais, em Quarteira.

No caso pioneiro do CIV, a disciplina de Filosofia para crianças há muito que faz parte do currículo de estudos (há 19 anos). Na Abelheira, é uma novidade. Está disponível enquanto Atividade Extra Curricular (AEC) há três anos letivos. Há ainda que ter em conta o facto desta escola de Quarteira ser considerada TEIP (Território de Intervenção Prioritária) por estar inserida num ambiente socioeconómico desfavorecido. Dois cenários muito diferentes, portanto, mas com resultados idênticos.

«Estimulamos a capacidade de fazer perguntas. Não castramos a curiosidade das crianças, nem a sua capacidade de expansão. É um treino de competências e de busca de significados», explica a professora Laurinda Silva, 35 anos, natural de Oliveira de Azeméis.

Silva formou-se nesta vertente pedagógica no Instituto de Prática Filosófica em Paris e em Montclair, nos Estados Unidos da América, país pioneiro. Desde 2007 que dinamiza Filosofia prática para crianças e é atualmente responsável por 180 alunos, em ambas as referidas escolas, no concelho de Loulé.

As suas aulas são um «laboratório de ideias». «Queremos espicaçar o raciocínio, o questionar, argumentar e o saber escutar. Em Portugal, ainda temos uma escola que treina para a resposta, e não para a pergunta. Isso é um perigo, pois fomenta a apatia pelos assuntos ao não serem refletidos, ou então permanecerem sem significado para as crianças», explica.

«Coisas aparentemente simples como aprender a esperar pela sua vez de falar, exprimir uma ideia perante a turma, escutar a ideia do outro, corrigir-se a si próprio depois de ouvir argumentos diferentes, transformam as crianças. A longo prazo, admitem a diferença, dão espaço a outros argumentos. São capazes de discussões ordeiras e entendem crítica, dúvida, erro como algo positivo e que permite melhorá-las. Passam a ter a possibilidade, mais consciente, de usar a palavra como meio para resolver conflitos e ganham a noção de intervenção – cidadania e democracia em exercício – pela investigação em comunidade. Nota-se uma grande diferença na produção de perguntas entre quem está, ou não, treinado para fazer perguntas», evidencia esta professora.

A turma da Abelheira, em Quarteira, conta com uma dezena de alunos do quarto ano. A média de idades ronda os nove anos. A disposição das mesas em formato de «U» convida ao diálogo e partilha de ideias, um sistema que é frequentemente usado em contexto de formação de adultos, mas não no ensino básico tradicional.

A aula inicia-se a partir do poema «O aviador interior», de Manuel António Pina. Fala-se do ar, corpo, e da cabeça. Tudo o que a professora faz é lançar perguntas que incendeiam o pensamento da turma. Surgem novas e surpreendentes interpretações, hipóteses e explicações. Não há matéria debitada, nem um treino para «a resposta certa». Há liberdade para expor diferentes pontos de vista, estruturar ideias e aprender a construir uma argumentação.

«Agora vamos pensar diretamente para a caneta», pede a professora. «Quero que cada um de vocês escreva uma pergunta relacionada com o poema». Surgem questões como: «temos um campo de aviação dentro da cabeça ou não?» ou «o texto é sobre o ar?». Os alunos são estimulados a fazer perguntas e todos as querem partilhar.

Cerca de 50 minutos depois e sem se aperceber, a turma discute temas como a mente, o corpo e o cérebro: «a nossa mente somos nós?», «somos apenas o nosso corpo?», «de onde vêm as ideias?», «cérebro e cabeça são a mesma coisa?». A campainha toca, as interrogações coletivas continuam a fluir. Questionados sobre o que mais gostam nesta aula, um aluno responde: «de tudo porque posso dizer o que acho».

Laurinda Silva explica que as temáticas exploradas com mais frequência e que mais interesse despertam estão diretamente relacionadas com a origem do universo, a morte e «o que acontece depois», Deus, e a questão do infinito. Discute-se «corpo-alma», «bom-mau», «certo-errado», «amor», «felicidade», paradoxos e dilemas.

Mas os temas em análise podem ser ajustados à atualidade. Foi o caso do atentado no jornal «Charlie Ebdo». «Entendi por bem explorá-lo com todos os grupos que tinha na altura. De facto, desde o 3º ao 9º ano, ninguém falava noutra coisa. O professor pode esclarecer questões de facto – o que aconteceu, o relato, as informações de base – mas, sobretudo, importa definir com os alunos termos como «terrorista» e «islâmico», para que não se tornem pré-conceitos. É preciso encontrar pontos de vista, esclarecer o que é liberdade de imprensa, entre outras coisas» que normalmente estão fora dos programas.

Troquemos então a escola pública pelo ensino privado. No Colégio Internacional de Vilamoura encontramos fardas azuis e brancas, meninos de calções e meninas de saia. Aqui a disciplina de Filosofia para crianças faz parte dos currículos desde o jardim-de-infância ao 9.º ano.

Na multicultural turma do 6º ano, com 29 alunos, cuja média etária ronda os 11 anos de idade, a aula inicia-se com a visualização da curta-metragem de animação «Alma» do espanhol Rodrigo Blass. O filme não tem diálogos. No final, a professora pergunta: «quem é capaz de o explicar?».

Primeiro, relatos. Depois, a interpretação. Todos querem participar. Laurinda Silva anota o brainstorming no quadro. Os alunos falam ordeiramente. Explicam entusiasticamente os seus pontos de vista.

No meio da discussão, alguns mudam de ideias, fruto da partilha intensa de novas opiniões e interpretações. Os dedos estão constantemente no ar. É difícil manter a ordem, quando todos estão tão interessados em participar.

A professora lança perguntas e media a discussão de forma neutra. Gustavo queixa-se: «há meia hora que tenho o dedo no ar professora!». Já passaram 45 minutos e o debate continua: «estamos presos no nosso corpo?»; «a alma precisa de um corpo?». Não há certos nem errados. Há pontos de vista e argumentos que os suportam.

Questionados sobre «porque é que esta disciplina é diferente das outras», respondem: «porque nas outras o professor é que fala e aqui nós é que explicamos, como se fossemos professores e a professora uma aluna». E querem continuar a estudar Filosofia no futuro? A resposta é um alto e unanime «sim!».

Cidália Bicho, 39 anos, diretora do CIV, faz um balanço da importância, impacto e sucesso sobre o ensino pioneiro desta disciplina em Portugal: «em 19 anos vimos as crianças tornarem-se mais autónomas no pensamento, mais respeitosas perante pensamentos diferentes do seu. É visível a percepção ética aguçada, a capacidade de autoavaliação e a capacidade de argumentação. Procuramos que a inquietação que conduz ao questionamento seja uma prática transversal ao currículo e acreditamos que um dos grandes desafios da educação do século XXI é formar crianças e jovens com competências cognitivas e socioafetivas necessárias para transformar a informação em conhecimento e o conhecimento em ações».

A origem da Filosofia para Crianças

O professor norte-americano Matthew Lipman foi o filósofo e educador responsável pelo programa de filosofia para crianças no final da década de 1960, embora ainda seja um conceito que só agora esteja a chegar às escolas portuguesas. Lipmann foi pioneiro ao pensar a contribuição da filosofia para a formação das crianças, enfatizando a necessidade de aprender a pensar e a questionar ao invés de apenas memorizar conteúdos. Lipman lançou o que alguns consideram já um autêntico movimento educacional, com a publicação de uma novela filosófica para crianças, Harry Stottlemeier’s Discovery, adoptado num grupo de escolas públicas de Jersey nos EUA, desde o início dos anos 1970. A principal tarefa do professor é criar condições para que a crianças aprendam conceitos de forma reflexiva e não mecânica. Criar uma prática de pensar que questiona conceitos e problemáticas comuns que possam ser investigadas e discutidas pelas crianças em vez de respondidas enquanto verdades absolutas ditadas pelos adultos.

Segundo Vera Varjota Rodrigues, investigadora algarvia e especialista de Filosofia Medieval na Universidade do Porto, «a Filosofia com Crianças foi recomendada pela UNESCO a partir do pré-escolar (5 anos de idade), com base nos benefícios, comprovados, no que diz respeito ao desenvolvimento de aspectos quer intelectuais e cognitivos, quer humanos e cívicos (desenvolvimento do pensamento crítico, capacidade de análise, argumentação, sentido de alteridade e respeito do outro, entre outros)».

«Dentro da Filosofia com crianças (FcC), hoje, há já inúmeras correntes. Uma delas distinguindo-se justamente pela própria denominação: Filosofia com Crianças versus Filosofia para Crianças. A primeira pretende distinguir-se explicitamente da filosofia tal como é tradicional e institucionalmente cultivada, quer em termos de conteúdos, quer em termos de métodos», compara Vera Varjota, pós-graduada em Filosofia com crianças (FcC) pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

«No que diz respeito aos conteúdos, estes não existem, propriamente falando: não há transmissão, há reflexão e discussão de ideias, conceitos, problemas; assim também no que respeita ao método: rigorosamente dialéctico, na Filosofia com Crianças, podendo partir dos mais variados objectos, acontecimentos, termos (notícia da actualidade, poemas, imagens, experiência pessoal, entre muitas outras possibilidades). Assim, também, o professor não é um ‘professor’, é um ‘moderador’ ou um ‘facilitador’. Trata-se, no fundo, de uma concepção eminentemente socrática da experiência filosófica», acrescenta Vera Varjota.

«Pela minha parte, julgo importante sublinhar o imenso potencial da Filosofia com crianças – a partir do ensino básico – no combate às desigualdades de origem com que uma parte importante das crianças chega já à escola. É muito mais importante, a meu ver, e terá um papel muito mais decisivo nas crianças da Abelheira do que nas do Colégio Internacional de Vilamoura. Isto, a começar pela mais básica de todas as formas e ferramentas do pensamento – a linguagem, suas significações e utilizações (pragmática), encadeamentos e ordenação (argumentação e coerência) – e a terminar noutro alicerce entre os mais fundamentais da existência e da relação com o mundo e com os outros: a auto-estima», conclui.

 

mais fotografias da reportagem no link:

http://barlavento.pt/destaque/filosofia-para-criancas-conquista-escolas-algarvias

Filosofia para a família : À descoberta de mim com outros – 23 de janeiro na Ludobiblioteca da EB Areias

Janeiro 21, 2016 às 10:04 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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areiastel. 966022053

ludobibloteca.areias@gmail.com

La philosophie: un bienfait pour les enfants

Dezembro 25, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.philomag.com de 23 de julho de 2015.

Une étude britannique parue le 8 juillet 2015 évalue les bienfaits de la philosophie pour les enfants. Elle en démontre les effets positifs sur la réussite scolaire globale des élèves et plus particulièrement un lien avec des progrès significatifs en mathématique et en lecture.

« Que nul, étant jeune, ne tarde à philosopher » selon l’enseignement d’Épicure. L’idée semble admise aujourd’hui : la philosophie serait un bienfait pour les enfants. En témoignent le succès des ateliers et des goûters philo, des albums jeunesse et des petites conférences.

Lire aussi le dossier « Comment pensent les enfants »

Mais en réalité que sait-on de cette prétendue posture philosophique innée des plus jeunes et des bienfaits d’un tel enseignement ? Le documentaire Ce n’est qu’un début est allé voir de plus près, en 2010, tirant un bilan empirique de ces tentatives d’exercice précoce de la philosophie, auprès des classes de maternelles.

Une étude britannique, dont les résultats ont été publiés le 8 juillet 2015, s’est attelée, entre janvier et décembre 2013, à une démonstration scientifique, en imaginant un protocole pour évaluer les effets de la philosophie auprès des enfants d’école primaire.

Ce n’est pas une première. Près d’une dizaine d’études ont déjà été menées depuis les années 1990 en Grande Bretagne, montrant les apports de la philosophie pour enfants relativement aux capacités de raisonnement logique, d’esprit critique et de lecture. Cependant, chacune de ces études ont porté sur un échantillon réduit d’élèves et selon un protocole non systématique. C’est à cette limite qu’entend répondre l’étude initiée par l’Education Endowment Foundation, une association caritative indépendante pour la promotion de l’éducation auprès des jeunes déshérités, en lien avec l’université de Durham (Royaume-Uni). Menée auprès d’une cinquantaine d’écoles et de près de 3000 enfants.

Les conclusions majeures de cette expérience rapportent notamment que :

  • Les effets bénéfiques de la « philosophie pour enfants » en classe de primaire, sont manifestes. Les enfants ayant bénéficié de cet enseignement ont fait des progrès significatifs en mathématique et en lecture (présentant une avance de l’ordre de deux mois par rapport aux classes-témoin).
  • Les effets positifs les plus sensibles se font sentir auprès des enfants les plus défavorisés.
  • Selon les enseignants, le succès du programme tient à la régularité des séances.
  • Selon les enseignants et les élèves, enfin, les séances de philosophie ont eu un effet positif plus large, concernant la prise de parole, en terme de confiance en soi, de capacité d’écoute et d’estime de soi.

Philosophie pour enfants, de quoi parle-t-on? La philosophie pour enfants a pour objectif d’aider les plus jeunes à poser plus facilement des questions, à raisonner, à construire des arguments et à collaborer avec les autres. Cette méthode a été développée notamment par le philosophe et pédagogue Matthew Lipman dans le New Jersey à partir des années 1970. Fondée sur la libre discussion à partir de la lecture de courts textes, la méthode a essaimé au Canada francophone, puis en Europe, jusqu’en France et au Royaume-Uni, où elle porte aujourd’hui ses fruits.

Philosophie pour enfants: la méthode

A Filosofia é trabalhos do Pensar! Ação de formação ” Filosofia para crianças e jovens”

Outubro 29, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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filo

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