“O bullying não tem classe social: podes ser de qualquer país, podes ser alto, incrivelmente bonito, o mais inteligente ou o mais forte”

Outubro 10, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do http://expresso.sapo.pt/  a Yan England  no dia 26 de setembro de 2017.

Raquel Albuquerque

O ator e realizador canadiano Yan England veio a Portugal apresentar o filme “1:54”, a sua primeira longa-metragem, que conta a história de um rapaz de 16 anos vítima de bullying na escola – as Nações Unidas já o passaram nas suas instalações, tal a densidade da obra. Com base em histórias reais, filmado numa escola secundária durante o ano escolar, o filme passou segunda-feira no Porto para estudantes do secundário, numa sessão com a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade e a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género. “O problema do bullying é o silêncio. Quando se abre o diálogo, abre-se uma pequena fenda que serve para quebrar a situação”, defende Yan England, que em 2013 teve uma curta-metragem nomeada para um óscar.

Aos oito anos, Yan England estreou-se na televisão canadiana, apresentou programas para jovens e tornou-se comum receber emails de miúdos a falar sobre a vida deles, com dúvida e desabafos. O ator e realizador canadiano, de 37 anos, que em 2013 foi nomeado para um óscar para a curta-metragem “Henry”, agarrou em todas essas histórias e fez um filme que mostra, aos olhos de um adolescente de 16 anos, o que é ser vítima de bullying. “1:54” é um “thriller psicológico”, segundo o realizador. Estreou em 2016, tem passado nas escolas canadianas e chegou às Nações Unidas, onde foi exibido antes de um debate sobre o tema. Depois de passar no São Jorge, no festival Queer, em Lisboa, chegou ao Porto. Surpreendido pelo impacto do filme, Yan England confessa, na sua passagem por Lisboa, ter percebido que o bullying “é igual” em todos os países e o passo mais importante é conseguir que os adolescentes “quebrem o silêncio” em relação ao que vivem.

Com surgiu a ideia para este filme?

Tinha esta ideia há já muito tempo. Assim como o protagonista, o Tim, também eu corro, sempre fiz desporto e quis explorar essa ideia de ultrapassar limites, assim como o lado bom e mau da rivalidade. Este não é um filme só sobre bullying, se quisesse isso eu teria feito um documentário. “1:54” é um thriller psicológico e baseia-se em todas as histórias que fui recebendo. Adoro partir do ponto de vista de uma pessoa e foi isso que fiz nos meus outros dois filmes. Desta vez é um miúdo de 16 anos, o Tim, de quem retrato o dia a dia na escola secundária, um ambiente que quis usar no filme porque conheço bem.

Porque é que conhece bem?

Sou ator desde os oito anos e nunca parei até hoje. Fiz séries de televisão, apresentei programas para jovens e tive a oportunidade de estar próximo de várias gerações de miúdos. Isso também me permitiu que, ao longo destes anos, muitos miúdos partilhassem comigo as histórias deles, tornou-se comum receber emails deles. Um miúdo, uma vez, escreveu-me a dizer ‘hoje não tive um dia bom na escola.’ Respondi-lhe de volta a perguntar porquê e, de repente, veio a história toda. Tudo o que acontece neste filme é verdade. Não é a biografia de um miúdo só, mas sim a história de vários adolescentes. Queria que este fosse um filme extremamente autêntico e realista.

E como conseguiu?

Todas as cenas do filme foram filmadas numa escola, durante o horário escolar e todos os 1200 jovens que aparecem são alunos da escola. Só lhes pedia para continuarem a fazer o que estavam a fazer e que, se alguma coisa acontecesse, reagissem normalmente. Há uma cena no filme com uma luta à porta da escola entre o Tim e o colega que gozava com ele. Pedi à minha equipa que se escondesse e só fiz um sinal visual para que começassem a filmar. A luta começa e, de repente, a reação de todos os miúdos foi juntarem-se à volta dos dois e incentivarem a luta. Foi a reação típica.

Qual o ponto comum das histórias que lhe contaram?

Normalmente, os comentários começam como uma piada, mas torna-se uma pressão. Depois, há coisas que os miúdos não contam aos pais por acharem que eles não os entendem. Todos nós sabemos que é assim e todos já dissemos isso. Mas é um dos grandes problemas. É a lei do silêncio. Quando os miúdos pensam em falar acham que isso vai tornar a situação pior.

O que tem hoje de diferente o bullying nas escolas?

Há 10 anos, se fosses alvo de bullying, quando o dia de escola acabava, ias para casa e voltavas no dia seguinte. Hoje, a escola segue-te dentro do bolso, no telemóvel, através das mensagens escritas e das redes sociais. Mas, no fundo, o bullying não mudou. Há é também um elemento mais privado que torna mais difícil que as pessoas à volta – sejam professores ou pais – saibam e deem conta.

O filme tem passado em várias escolas no Canadá e passa esta segunda-feira para alunos do Porto. Que reações tem recebido?

Essa é a coisa melhor que aconteceu: abrir um diálogo entre os estudantes, entre eles e os professores, e até com os pais. Uma vez tivemos uma apresentação numa escola privada e quando o filme acabou, depois do longo silêncio que fica sempre durante alguns segundo, alguns professores disseram que aquela situação não existia ali na escola. Os miúdos concordaram. Até que uma rapariga, com uns 15 anos, sentada ao lado da irmã mais velha, levantou o braço e disse que aquilo que aconteceu ao Tim no filme lhe acontecia todos os dias naquela escola. Houve um silêncio total. E a irmã mais velha começou a chorar porque não sabia. Uma das coisas que percebi é que o bullying não tem classe social. Podes ser de qualquer país, podes ser alto, incrivelmente bonito, o mais inteligente ou o mais forte. Se escorregas na escola ou algo te acontece, podes tornar-te a vítima.

E tem reações dos pais?

Sim. Estive num festival onde o filme ia passar durante três dias seguidos. Um miúdo, no final da apresentação, veio ter comigo e disse-me que voltaria no dia seguinte. Assim foi e trouxe a família toda. Um tempo depois, o pai veio falar-me e disse-me que, quando regressaram a casa, naquele dia, o filho lhe disse que vivia o mesmo há quatro anos. Nenhum deles em casa sabia.

Este filme mudou-o de alguma forma?

Sim, completamente. Quando fiz o filme, nunca esperei que fosse apresentado em tantos países, nunca pensei que viesse a Portugal, nem que passasse em Lisboa e no Porto. É incrível como o bullying se estende a todos os países, de forma igual. Para mim também foi incrível como o filme chamou a atenção das Nações Unidas ao ponto de terem decidido passá-lo na sede em Nova Iorque, perante tantos especialistas de todo o mundo. Ter miúdos de todo o lado a partilhar as suas histórias é a beleza disto. O filme mudou-me em todos os aspetos e o impacto que está a ter vai para lá do que conseguiria imaginar.

Qual foi a sua maior conquista com este filme?

O diálogo sobre o assunto. O problema do bullying é o silêncio. Quando se abre o diálogo, abre-se uma pequena fenda que serve para quebrar a situação. Não digo que o filme resolve o que quer que seja, mas estar a abrir esse diálogo já é ótimo.

 

 

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“Surpresa” é uma curta sobre ter cancro aos quatro anos

Agosto 5, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 17 de julho de 2017.

Paulo Patrício animou um diálogo entre Joana e Alice, mãe e filha que falam sobre a doença que mudou a vida familiar. “Surpresa” estreou-se no Curtas Vila do Conde e venceu o prémio do público na competição nacional

Texto de Ana Maria Henriques

Ouvimos um lápis a riscar no papel, mas não vemos quem o empunha. Só existe o som e umas manchas negras que fazem lembrar um teste de Rorschach. “E o que é que aconteceu ao teu corpo quando ficaste doente?”, pergunta a mãe Joana. A filha Alice responde: “Só tinha um rim”. São assim os primeiros 20 segundos de Surpresa, curta-metragem de Paulo Patrício que se estreou, na semana passada, no Curtas Vila do Conde e acabou por vencer o prémio do público na competição nacional deste festival que celebrou 25 anos. “Quando ouvi um pedaço da conversa entre mãe e filha percebi que estava ali uma história. Do princípio ao fim”, diz o realizador ao P3. Alice tinha cancro no rim, passava por uma das fases mais duras da doença, o cabelo estava a voltar a nascer.

A conversa entre mãe e filha foi gravada em 2011, tinha a menina quatro anos, e ficou perdida no arquivo do computador de Paulo. Em limpezas digitais, resolveu pegar no registo áudio, gravado a propósito de um anterior projecto de série infantil, e fazer dele uma curta de animação. “Acredito que o desenho é democracia e a Alice está sempre a desenhar”, recorda. “É isso que a deixa feliz: estar viva, desenhar e estar com a mãe.” A ideia deste português nascido em Angola, a viver no Porto, “não foi fazer um filme sobre a Alice, mas sim sobre meninos e meninas que estão nas mesmas circunstâncias”. Daí a simplicidade do desenho que a representa: tanto pode ser um menino como uma menina. Pode acontecer a qualquer um.

Abordar o cancro na infância é algo “muito raro”, continua Paulo, de 43 anos. “Mexeu muito comigo, custou-me ouvir milhares de vezes [o diálogo].” A Alice de quatro anos tinha uma “desenvoltura a falar” pouco comum, mas não deixava de ser uma criança. Sabia que tinha perdido um rim, mas custava entender o que tinha acontecido a esse órgão: “Quando é que voltam a pôr o outro?” Não faltam porquês.

Durante o período em que se dedicou à pintura, “muito orgânica” — a animação ficou a cargo da Animais —, Paulo não se encontrou com Alice, que só viu o filme quando esteve foi finalizado. “Não queria criar uma grande relação afectiva com ela para não perder a distância”, admite. O assunto, “super delicado”, pedia alguma “objectividade”.

Ao longo de Surpresa, Alice atropela-se em questões, recorda alguns momentos dos internamentos por que passou. “É uma conversa muito honesta. Não é uma mãe e uma filha, um adulto e uma criança, são duas pessoas a falar”, descreve. Nada foi escrito ou ensaiado, garante. Na curta-metragem, com música de Yasuaki Shimizu & Saxophonettes, “acontecem coisas um bocadinho estranhas”, tal como no corpo e na vida de quem tem uma doença como a de Alice. “Queria que passasse para a animação a forma como a vida muda, de um momento para o outro. Daí que a pintura seja orgânica.” As feições mudam, o nariz “dá um giro e cresce”, os olhos e os braços ficam de tamanhos diferentes, há problemas para resolver num minuto. “Nada é perfeito”, justifica. “Nós damos muito importância ao aspecto do nosso corpo, mas só com uma doença é que percebemos, de facto, o nosso corpo e olhamos com mais atenção.”

“Chateou-te muito estares doente?”, perguntava a mãe. “Um bocadinho”, admite Alice, agora com quase dez anos. Na estreia de Surpresa, no Curtas, “algumas pessoas ficaram ligeiramente comovidas”. “O filme é positivo, mas há umas partes mais cruas”, diz Paulo. A curta, de quase oito minutos, foi também seleccionada para o festival brasileiro Anima Mundi. O realizador, designer e ilustrador já arrancou com um novo filme, chamado O teu nome é, voltado para a violência transgénero. Um “trabalho de memória sobre o caso da Gisberta”.

 

 

A Lisboa de João dos Santos – filme disponível on-line

Março 17, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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João dos Santos, Sócio n.º 1 do Instituto de Apoio à Criança, nasceu a 15 de Setembro de 1913 e faleceu a 16 de Abril de 1987.

Estreia do filme “A Lisboa de João dos Santos”: 7 de fevereiro de 2017 às 18h30 Anfiteatro I da Faculdade de Psicologia e do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa

Fevereiro 1, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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João dos Santos, Sócio n.º 1 do Instituto de Apoio à Criança, nasceu a 15 de Setembro de 1913 e faleceu a 16 de Abril de 1987.

CONVITE para a estreia do filme “A Lisboa de João dos Santos”:
7 de fevereiro de 2017 às 18h30
João dos Santos foi uma das figuras mais prolíficas no campo da saúde mental na sociedade Portuguesa do século XX. Além de Professor de Psicopatologia Dinâmica na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa foi Médico, Psiquiatra, Psicanalista, Psicoterapeuta, Educador entre outras facetas profissionais e pessoais. Nos seus escritos, encontram-se inúmeras referências à cidade onde nasceu e viveu a maior parte da sua vida. Este lugar privilegiado que a cidade de Lisboa ocupa nas suas reflexões escritas levou a Comissão Organizadora das Comemorações do Centenário do Nascimento de João dos Santos a propor à Câmara Municipal de Lisboa a realização de um filme baseado nos textos de João dos Santos. Este filme foi realizado pela equipa do Arquivo Municipal de Lisboa, Videoteca, está pronto e vai ser estreado no próximo dia 7 de Fevereiro de 2017 pelas 18 horas e 30 minutos. O local é o Anfiteatro I da Faculdade de Psicologia e do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. A entrada é livre e são aguardados os que privaram diretamente com João dos Santos, os seus alunos e, também, os jovens que desejem transportar para o futuro as muitas mensagens positivas e relevantes que o homenageado deixou relativamente aos muitos campos a que se dedicou.
Aguardando a vossa presença, a família de João dos Santos, o Director da Faculdade de Psicologia Professor Doutor Luís Curral e o Director do Instituto de Educação Professor Doutor João Pedro da Ponte.

Sessão de cinema dinamizada pelo IAC- Fórum Construir Juntos, 6 de dezembro em Coimbra

Novembro 30, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O IAC- Fórum Construir Juntos, em Coimbra, em parceria com a Associação Fila K, vai dinamizar, no dia 6 de dezembro próximo uma sessão de cinema que terá lugar no Conservatório de Música de Coimbra, pelas 21h40.

 O Filme que vai  ser apresentado tem por título “Vão-me buscar Alecrim”.

Sinopse: Lenny (Ronald Bronstein) é um nova-iorquino divorciado e pai de dois rapazes. Durante apenas duas semanas por ano, tem a guarda dos filhos Frey, de sete anos, e Sage, de nove. Apesar de todo o amor que lhes dedica, Lenny tem uma vida desregrada, não conseguindo assumir a responsabilidade que duas crianças exigem. Dessa forma, e apesar do seu esforço genuíno, essas semanas acabam por ser uma aventura no limiar da irresponsabilidade, entre o riso e a inquietação.

 

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Chamo-me Nojood: tenho 10 anos, sou divorciada

Novembro 16, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://expresso.sapo.pt/ de 21 de outubro de 2016.

Paula Cosme Pinto

Nujood Ali tinha 9 anos quando foi entregue a um homem adulto em troca de um dote. Não passava de uma criança quando se viu na condição de casada, entregue a um leito matrimonial onde deveria cumprir os seus deveres de esposa. Foi abusada sexualmente e espancada repetidamente. Numa primeira visita à sua família, contou à mãe o que se passava dentro das quatro paredes onde agora vivia, e a resposta que obteve foi um abraço, seguido de um singelo: “Filha, ele tem direito a fazer isso tudo.”

Encurralada numa realidade de sofrimento, NuJood fugiu. E sem saber que no país que a vira nascer o casamento infantil não era penalizado, dirigiu-se a um juiz e pediu o divórcio. Foi a primeira vez que tal coisa aconteceu no Iémen e a sua história real, de luta pela dignidade e liberdade, tornou-se não só num símbolo contra o casamento infantil, mas também da revolução das mulheres daquele país quanto às tradições que continuam a subjugar a figura feminina e a reduzi-la à categoria de uma simples mercadoria que pode ser trocada e vendida, sem direito ao livre-arbítrio. Em troca de cerca de cem euros, o divórcio foi-lhe concedido e hoje a pequena é uma adolescente livre do marido. Mas ainda presa à figura paterna.

Em 2008, a incrível história de NuJood inspirou um livro, intitulado “Nojood: 10 anos, divorciada”. Nesse mesmo ano, a menina e a advogada que a defendeu ao longo do processo foram agraciadas com o prémio Glamour Women of the Year, em Nova Iorque. A história encantou o mundo e puxou a atenção para o drama do casamento infantil. O livro – que se tornou num best-seller – inspirou depois um filme com o mesmo nome, que acaba de ser indicado para candidato aos Óscares 2017, na categoria de Melhor Filme Língua Estrangeira.

A cada minuto que passa há 28 meninas forçadas a casar

Avança hoje a Al-Jazeera que este é um momento histórico, uma vez que é a primeira vez que o Iémen faz uma candidatura do género à Academia. Para mim, é também altamente simbólico no que diz respeito aos pequeníssimos passos que o país tentar dar no que toca à igualdade de género, seja pela exposição do tema em causa – que continua a ser um problema grave no Iémen – como pelo facto de a realização do filme ser feita precisamente por uma mulher (algo raro no país). Ambas formas pouco diretas, mas certamente representativas, da assunção deste país quanto à necessidade de mudança de mentalidades. Incluindo a do próprio pai de Nujood, que mesmo depois de ter assistido à odisseia da filha mais velha, voltou a cometer o mesmo erro com a mais nova.

Khadija al-Salami, a realizadora, é conhecida pelo seu trabalho documental e o filme “Nojood: 10 anos, divorciada” foi a sua primeira incursão neste género de cinema. Inspirou-se não só em Nujood, mas também na sua própria história de vida que passa por um casamento forçado aos onze anos, uma tentativa de suicídio e um divórcio. Filmado antes da guerra civil que assola o país, o filme passa uma mensagem clara: a crueldade inerente ao casamento forçado de uma criança, a contínua desvalorização da figura feminina no Iémen, a tradicional subjugação da mulher ao homem, a agressão consentida e inquestionável, a violação dos direitos humanos com base no género. E, é claro, a eterna lacuna da lei no que toca a tudo isto.

É verdade que tanto meninos como meninas estão sujeitos à realidade do casamento infantil, mas o sexo feminino é de longe o mais afetado. Uma boa parte destas miúdas são casadas à força, sujeitas a abusos sexuais, violência doméstica e acabam encurraladas numa vida de dependência total que, simplesmente, não escolheram ter. Não basta prenderem os pais destas crianças para que esta realidade mude, é preciso reeducar populações inteiras, incluindo as mulheres, que têm de ter consciência de que a vida não tem de ser assim, por mais que séculos de tradições assim o ditem como verdade absoluta.

Dados da UNICEF revelam que atualmente existem mais de 700 milhões de mulheres vivas em todo o mundo que foram forçadas a casar na infância. Uma em cada três destas mulheres fizeram-no com menos de 15 anos. No que diz respeito à realidade dos dias de hoje, o resultado da pesquisa conjunta das 400 organizações que trabalham para o Girls Not Brides revela números que me tiram o fôlego sempre que penso neles: 15 milhões de meninas são casadas anualmente, ou seja, a cada minuto que passa há 28 meninas a serem forçadas a casar. Até quando isto vai continuar a acontecer?

 

Sonita – filme/documentário sobre uma adolescente afegã que luta pelos direitos das mulheres – 4 e 5 novembro no Centro Cultural Olga Cadaval

Outubro 21, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Vencedor do Grande Prémio do Júri 2016 Sundance Film Festival e Audience Award for World Cinema Documentary, Sonita é um filme/documentário sobre uma adolescente afegã determinada, que vive no Teerão e que sonha ser uma rapper famosa. No Irão, o governo não permite que as raparigas se destaquem na música (nem nas artes em geral). Segundo a tradição, o destino de uma jovem da sua idade seria tornar-se numa noiva adolescente para que a sua família recebesse o dote. Sonita munida de paixão e persistência, vai entretanto tornar-se numa activista. Investindo no seu sonho de se tornar rapper, ela vai lutar pelos direitos das mulheres tentando transformar os obstáculos em oportunidades.
Rokhsareh Ghaem Maghami, Irão, 2014, 90′
https://ff.hrw.org/film/sonita

https://www.facebook.com/events/1079183645534520/

 

Não podemos ajudar crianças sem ajudarmos os adultos que cuidam delas

Junho 1, 2016 às 10:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 29 de maio de 2016.

Agência Lusa

O documentário tem 90 minutos, é apoiado pela Unicef, e parte da ideia de que o desenvolvimento dos bebés não depende só do ADN, mas da interação com o ambiente e com aqueles que o rodeiam.

Um filme apoiado pela UNICEF apela aos líderes mundiais que invistam na primeira infância, “o melhor investimento que pode ser feito na humanidade”, e sugere que o segredo está em apoiar os adultos que cuidam delas.

“A janela mais eficiente que temos de criar uma sociedade criativa, igualitária, democrática e livre é na primeira infância”, disse à Lusa Estela Renner, a realizadora do filme “O Começo da Vida”, que será divulgado na quarta-feira, para assinalar o Dia da Criança.

Filmado na Argentina, Brasil, Canadá, China, França, Itália, Quénia e Estados Unidos, o documentário, de 90 minutos, parte da ideia de que os bebés se desenvolvem, não apenas a partir do seu ADN, mas da combinação entre a carga genética e as interações com aqueles que os rodeiam: a mãe, o pai, os avós, os irmãos, mas também a natureza ou as brincadeiras.

Com base em entrevistas a especialistas e famílias de diferentes estratos sociais em todos os países abrangidos, o filme da brasileira Estela Renner lembra que “um cérebro forte acontece a partir das ligações entre os neurónios e essas ligações só solidificam, só ficam permanentes se tiverem acontecido dentro de uma experiencia de qualidade, afetuosa e significativa”.

Como diz no filme o economista Flávio Cunha, da Universidade Rice, em Houston, EUA, “o afeto é a fita isolante das ligações entre os neurónios”.

Logo, defende a realizadora, o investimento deve ser feito “na qualidade das interações nos primeiros anos de vida”, nomeadamente através de apoios à parentalidade e na qualidade da formação dos cuidadores em creches e instituições.

“Se o pai ou a mãe está quatro horas no transporte público, o que acontece em muitos países em desenvolvimento, ele não tem mais energia para dar para o seu filho”, exemplifica.

E acrescenta: “Muitas famílias que eu entrevistei sabiam muito bem o que os seus filhos precisavam, mas eles não tinham o que comer. Eles sabem que brincar é importante, que ouvir os seus filhos é importante, mas como ter uma mente tranquila para poderem interagir com os filhos?”.

No filme, o Nobel da Economia James Heckman diz que “cuidar dos bebés é o melhor investimento que pode ser feito na humanidade” e cita um estudo que realizou nos EUA e que concluiu que cada dólar investido nos primeiros anos de vida resulta num retorno de sete a dez dólares para o Estado ao longo da vida, nomeadamente em poupanças em centros de detenção e recuperação.

“O que descobrimos é que há um retorno de sete a 10% por ano, o que é um retorno muito grande, muito mais elevado do que a bolsa nos EUA”, diz o economista.

Também entrevistada no documentário, Leah Ambwaya, ativista pelo direito das crianças e presidente da fundação queniana Terry Children, defende que “um Governo que leve a sério o desenvolvimento das crianças ou o futuro das suas crianças é um Governo que investe na parentalidade, criando oportunidades para os pais que lhes permitam ter qualidade de vida com os filhos”.

O problema, diz Jack Shonkoff, diretor do Centro para a Criança em Desenvolvimento, da Universidade de Harvard, é que muitas vezes os políticos querem ajudar as crianças, mas não querem apoiar os adultos.

“Mas a ciência diz-nos que não podemos ajudar crianças sem ajudarmos os adultos que cuidam delas”, alerta.

Estela Renner vai mais longe: “Quando a gente diz que é preciso uma vila para cuidar de uma criança, precisamos de uma vila para cuidar do adulto que está a cuidar dessa criança”.

Para a realizadora, de 42 anos, essa responsabilidade não é só dos políticos e das instituições. É de todos.

“Dizer: eu faço um bom trabalho com os meus filhos, está suficiente. Não está. Tem de fazer um bom trabalho para todos os filhos. Somos todos responsáveis”, defende.

 mais informações:

http://www.unicef.pt/18/site_pr_unicef_lancamento_filme_o_comeco_da_vida_2016_05_25.pdf

 

 

Tráfico humano: uma menina, a realidade de milhões

Abril 4, 2016 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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texto do Expresso de 29 de março de 2016.

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Paula Cosme Pinto

Lakshmi tinha 13 anos quando foi levada da sua aldeia nos Himalaias, com a promessa de um bom trabalho na casa de uma família indiana. Ao chegar a Calcutá, o cenário que encontrou era tudo menos o que lhe foi prometido a si e à sua família: viu-se confinada às quatro paredes de um quarto da Hapinness House, um bordel onde foi brutalizada durante anos a fio sem escapatória possível. A história de Lakshmi não é real, mas representa em muito as histórias dos milhões de meninas que todos os anos são raptadas para tráfico sexual. “Sold” é o filme que lhes dá voz e que promete pôr o mundo a pensar sobre o drama do tráfico humano.

Já há uns meses escrevi aqui sobre a hedionda realidade das “Escravas do Poder”, revelada em livro pela escritora, ativista e investigadora mexicana, Lydia Cacho. As ligações tentaculares do tráfico humano parecem estender-se a um sem fim de indústrias, desde o turismo à pornografia, contrabando, venda de órgãos e terrorismo. Um tipo de crime que atravessa o mundo inteiro, totalmente impune, invisível aos cidadãos e ignorado por políticos que fingem não ver. Ou que dependem desta grande rede para manter a sua vida de ostentação. “Sold” conta tudo isso.

Falar deste tema é essencial. Ao contrário do que muitos pensam, a escravatura continua a ser um problema dos nossos tempos. Os números não mentem: mais de vinte milhões de pessoas sofrem atualmente nas malhas do tráfico de seres humanos, sendo que o trabalho forçado e a escravidão sexual são dois dos maiores destinos de quem é raptado. No segundo caso, mais de 2 milhões de crianças fazem parte do rol de vítimas. E em mais de 98% das situações de tráfico sexual, as meninas e as mulheres são os alvos escolhidos.

Cerca de 500 dólares por criança

Há quase um ano, aquando do terramoto que assolou o Nepal, as autoridades competentes lançaram um alerta global para a necessidade de ação célere para evitar raptos massivos de crianças no país. Estima-se que todos os anos cerca de 15 mil meninas e adolescentes sejam levadas, com destino aos bordéis indianos. No Nepal, por cada criança estima-se que um traficante receba cerca de quinhentos dólares. Um crime abominável transformado em negócio para muitos dos que vivem em países subdesenvolvidos.

Lakshmi não é uma menina real, mas a sua personagem e todas as suas vivências ao longo do filme foram criadas com a ajuda de ONG’s que se dedicam precisamente a esta área de trabalho. Os relatos das inúmeras vítimas resgatadas da teia do tráfico humano serviram de inspiração para o enredo, que conta ainda com a inclusão da história real de Lisa Kristine (interpretada por Gillian Anderson), uma famosa fotógrafa que tem dedicado a sua carreira a abordar temas fraturantes como a escravidão dos tempos modernos

Baseado no livro de Patricia McCormick com o mesmo nome, o filme é realizado por Jeffrey D. Brown e conta com nomes como Emma Thompson – eterna voz ativa na luta pelos direitos das mulheres – na produção. Parte das receitas vão ser direcionadas para organizações que se dedicam a resgatar, reabilitar e devolver à vida vítimas de tráfico humano na Índia e no Nepal.

Já com alguns grandes prémios na bagagem, “Sold” chega às salas de cinema em abril e é um daqueles filmes que todos nós deveríamos ver. Não pela bizarria da história, mas sim pelo alerta que ela transmite focando a realidade vivida por tantas crianças mundo fora. A forma como uma vida pode não ter valor algum e a simplicidade com que se ludibria alguém que vive na pobreza. Factor que – como diria Lydia Cacho – “é não só um campo fértil, como o motor de sementeira de escravas e escravos no mundo.”

 

 

 

Filme Photomaton – Retratos de João dos Santos, disponível no site joaodossantos.net

Fevereiro 29, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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visualizar o filme no link:

https://joaodossantos.files.wordpress.com/2016/02/photomaton-mp41.mp4

Photomaton – Retratos de João dos Santos, filme de Tiago Pereira e Sofia Ponte, sobre o Drº João dos Santos, Sócio n.º 1 do Instituto de Apoio à Criança.

“O filme documenta aspectos da vida de João dos Santos (1913-1987) que contribuem para uma reflexão sobre a contemporaneidade do seu pensamento. Médico, psiquiatra de formação, foi pioneiro na organização da saúde mental infantil em Portugal. A sua vasta cultura e activa intervenção cívica polarizaram à sua volta um vasto conjunto de discípulos e intelectuais de várias formações.”

 

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