“Garantir os direitos da criança e do jovem” Filme CPCJ Lisboa Oriental

Dezembro 13, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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CPCJ Lisboa Oriental

 

 

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Sexo, drogas e noitadas: sabe o que anda a fazer o seu filho adolescente?

Dezembro 8, 2017 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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O filme O Fim da Inocência mostra explicitamente como raparigas e rapazes de colégio entram numa espiral de sexo, álcool e drogas sem os pais saberem. Tudo isto logo a partir dos 15 ou 16 anos.

Texto do https://www.noticiasmagazine.pt/ de 22 de novembro de 2017.

Texto Rui Pedro Tendinha | Fotografias Gustavo Bom/Global Imagens

O Fim da Inocência conta a história, baseada em factos reais, de um grupo de adolescentes que experimenta na noite tudo o que os pais mais temem. A adaptação ao cinema do livro de Francisco Salgueiro – o último projeto de Nicolau Breyner mas que acabou por ser realizado por Joaquim Leitão – chega esta semana às salas e consegue mostrar o que muitos nem querem imaginar: uma vida paralela de sexo casual e consumo de drogas nas noitadas.

O que é que os adolescentes de boas famílias fazem na noite a partir das três, quatro da manhã? Muitos pais preferem nem imaginar. Mas, em O Fim da Inocência, de Joaquim Leitão, a adaptação do romance homónimo de Francisco Salgueiro, vemos um caso que pode fazer incidir a luz sobre o flagelo que atinge cada vez mais jovens.

O filme e o livro (talvez mais o livro) mostram explicitamente como raparigas e rapazes de colégio entram numa espiral de sexo, álcool e drogas sem os pais saberem. Tudo isto logo a partir dos 15 ou 16 anos.

E, segundo o autor, tudo é verdade: as festas, as orgias, as pastilhas, os riscos de cocaína e uma dissimulação que engana os pais mais distraídos. O livro [ed. Oficina do Livro, 2010] e, por consequência, o filme, relatam factos verdadeiros de uma adolescente que, depois de ser levada a perder a virgindade aos 15 anos, adota um estilo de vida noctívago repleto de drogas e álcool.

Espelho de uma certa geração com pressa de experimentar tudo mais cedo e com ganas de viver a vida sem pensar no amanhã. Os jovens que não pensam nas consequências e encontramos nos bares de Santos, em Lisboa, ou nas Galerias da Baixa do Porto e que, depois, acabam por ser os mais populares no liceu.

Se esta história que Salgueiro descobriu pode ser um testemunho de uma tendência cada vez mais globalizante, é também uma oportunidade para um exame de como muitos pais podiam – deviam? – ter outra perceção acerca da vida social dos filhos.

O Fim da Inocência chega aos cinemas numa altura em que o cinema de grande público em Portugal tem tido tempos duros, com fracassos atrás de fracassos. Mas o novo filme de Joaquim Leitão (que este ano já viu no final de agosto o seu Índice Médio de Felicidade ser ignorado nas bilheteiras) terá um dos maiores lançamentos do ano e uma campanha forte para chamar adolescentes e pais aos cinemas, sobretudo a pensar no fenómeno que o livro conseguiu – mais de quarenta mil exemplares.

Trata-se de um relato de um grupo de adolescentes abastados de Cascais que reflete uma vida paralela de comportamentos sexuais irresponsáveis, dependência de álcool e droga sem controlo – muito para além dos charros, neste filme circula MDMA, cocaína e ectasy.
Francisco Salgueiro, sem filhos, especialista em livros destinados a jovens, supervisionou a produção do filme.

«Este é o primeiro filme português que atinge um target que não vê filmes portugueses», diz o autor. «O Fim da Inocência é para quem não gosta mesmo de cinema português, o mesmo que aconteceu com o livro, que era para um target dos que nunca liam. Os autores e os realizadores portugueses têm a mania de ser muito mais velhos do que aquilo que são.»

O escritor de 45 anos não foi o responsável pelo argumento (Roberto Pereira, de A Mãe é que Sabe foi o escolhido), mas teve um papel ativo no casting, cuja primeira fase contou ainda com Nicolau Breyner, que esteve para realizar o filme. O Fim da Inocência foi a obra que a morte não deixou que fosse de Nico.

Oksana Tkash, Rodrigo Paganelli, Joana Barradas, Francisco Fernandez, Raquel Franco e Joana Aguiar são estrelas para um público juvenil depois de participações televisivas em séries e telenovelas. Ficaram famosos sobretudo nesta altura em que as redes sociais e as suas gestões criam casos de culto que passam ao lado da imprensa. Para já, têm uma habilidade tremenda: na câmara de Leitão parecem mesmo adolescentes (Raquel tem 26 anos, Joana e Francisco 19).

Juntos, estes atores mostram um entrosamento grande. A maior parte já se conhecia de trabalhos na televisão e conseguiram uma boa química durante as filmagens, em agosto. Garantem que nunca se portaram como as personagens em perdição deste caso verídico, mas são os primeiros a dizer que nada do que se passa aqui é fantasia. «Há aquele lema agora de que o pessoal quer fazer tudo num só dia, não deixar nada para amanhã», diz Francisco Fernandez, com 19 anos, o mais novo dos rapazes, mas a opinião é partilhada por todos.

Raquel Aguiar, 26 anos, comunga dessa ideia de que a geração que veio a seguir à sua quer tudo mais rápido. «As situações que vemos no filme existem e há que falar e expô-las, mesmo que não possamos generalizar. Existe e não é só no Porto e em Lisboa. Trata-se de um fenómeno generalizado.» Um fenómeno que os pais desses adolescentes nem imaginam. Ou não querem, lembra Francisco Salgueiro.

Rodrigo Paganelli, que interpreta um dos «maus rapazes» disposto a experimentar tudo, fala da pressão de uma sexualidade imposta. «O filme trata muito bem da pressão de ter de fazer muito mais do que a vontade deles. Todos falam de sexo e se não tiveres assunto aí sentes-te fora das conversas. Há uma obrigação cada vez mais cedo e não acho normal miúdos e miúdas de doze anos perderem a virgindade. Não me cabe na cabeça!»

O grande risco deste elenco estará, eventualmente, na protagonista, Oksan Tksah, uma jovem de 20 anos de origem ucraniana descoberta no mundo da moda. De todos, é quem tem menos experiência e consegue dar vida à Inês, a rapariga inocente arrastada para uma vertigem de sexo e drogas ainda antes dos 16 anos.

«Cresci no Alentejo e a dada altura tive de cuidar sozinha do meu irmão. Nunca estive perto desse mundo que o filme mostra. Não tenho mesmo nada a ver com a Inês nem nunca saí muito à noite. Quando me vi no trailer pela primeira vez apanhei um choque! Tenho receio de como as pessoas me vão julgar como atriz.»

Oksana nem sequer sabe se quer voltar a representar, agora que está a tirar Ciências Políticas na Universidade Católica. E tem também uma inquietação: «vejo o meu irmão, que agora tem dez anos, e fico espantada como as crianças têm acesso a tudo com uma velocidade enorme. Aliás, ao longo do filme percebi que sou super conservadora!»

O que Francisco Salgueiro descreve não se trata apenas de um pesadelo de uma certa camada social. Estes jovens podem ser betinhos de Cascais, mas quem sai à noite num after-hours percebe que «essa juventude perdida» inclui todas as classes.

É como se houvesse um desígnio comum de hedonismo automático, de querer pisar os limites ou querer seguir uma moda de mau comportamento. E não deixa de ser curioso o filme chegar na altura em que se discute também o problema da segurança na noite com o caso da discoteca Urban Beach.

mais fotos no link:

https://www.noticiasmagazine.pt/2017/sexo-drogas-e-noitadas-filho-adolescente/

 

 

Aluna portuguesa recebe prémio da ONU contra a discriminação

Dezembro 5, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.tsf.pt/ de 20 de novembro de 2017.

“See actions, not colors” é o título do filme que levou Joana Maria Sousa a Nova Iorque, para receber o prémio na sede das Nações Unidas.

Joana Maria Sousa, aluna portuguesa da Universidade Lusófona, ganhou um prémio num festival de cinema (PLURAL + Youth Video Festival) promovido pela Aliança das Civilizações das Nações Unidades.

Joana Maria Sousa ganhou o prémio numa iniciativa dedicada à luta contra a discriminação e foi recebê-lo à sede da ONU, em Nova Iorque.

O spot foi criado na unidade curricular de atelier de publicidade do 3º ano licenciatura em cinema. Nesta cadeira, os alunos trabalham sobre um briefing real proposto por um “cliente externo”, neste caso o Conselho da Europa, numa colaboração da Universidade com esta instituição que já dura há cinco anos.

O briefing deste ano propunha a produção de spots contra a discriminação para exibição em TV e web.

O prémio consiste na participação no “Danúbio – Barco da Paz”, organizado pelo Education Media Centre em Belgrado. É uma iniciativa que vai acontecer no próximo verão, pelo Danúbio, e em que cada um dos participantes/ convidados vai elaborar um projeto relacionado com o tema da paz.

Joana Maria Sousa realizou o filme, com produção de Joana Vieira.

 

Ouvir entrevista de Bárbara Baldaia a Joana Maria Sousa  no link:

https://www.tsf.pt/cultura/interior/aluna-portuguesa-recebe-premio-da-onu-contra-a-discriminacao-8931169.html

“O bullying não tem classe social: podes ser de qualquer país, podes ser alto, incrivelmente bonito, o mais inteligente ou o mais forte”

Outubro 10, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do http://expresso.sapo.pt/  a Yan England  no dia 26 de setembro de 2017.

Raquel Albuquerque

O ator e realizador canadiano Yan England veio a Portugal apresentar o filme “1:54”, a sua primeira longa-metragem, que conta a história de um rapaz de 16 anos vítima de bullying na escola – as Nações Unidas já o passaram nas suas instalações, tal a densidade da obra. Com base em histórias reais, filmado numa escola secundária durante o ano escolar, o filme passou segunda-feira no Porto para estudantes do secundário, numa sessão com a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade e a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género. “O problema do bullying é o silêncio. Quando se abre o diálogo, abre-se uma pequena fenda que serve para quebrar a situação”, defende Yan England, que em 2013 teve uma curta-metragem nomeada para um óscar.

Aos oito anos, Yan England estreou-se na televisão canadiana, apresentou programas para jovens e tornou-se comum receber emails de miúdos a falar sobre a vida deles, com dúvida e desabafos. O ator e realizador canadiano, de 37 anos, que em 2013 foi nomeado para um óscar para a curta-metragem “Henry”, agarrou em todas essas histórias e fez um filme que mostra, aos olhos de um adolescente de 16 anos, o que é ser vítima de bullying. “1:54” é um “thriller psicológico”, segundo o realizador. Estreou em 2016, tem passado nas escolas canadianas e chegou às Nações Unidas, onde foi exibido antes de um debate sobre o tema. Depois de passar no São Jorge, no festival Queer, em Lisboa, chegou ao Porto. Surpreendido pelo impacto do filme, Yan England confessa, na sua passagem por Lisboa, ter percebido que o bullying “é igual” em todos os países e o passo mais importante é conseguir que os adolescentes “quebrem o silêncio” em relação ao que vivem.

Com surgiu a ideia para este filme?

Tinha esta ideia há já muito tempo. Assim como o protagonista, o Tim, também eu corro, sempre fiz desporto e quis explorar essa ideia de ultrapassar limites, assim como o lado bom e mau da rivalidade. Este não é um filme só sobre bullying, se quisesse isso eu teria feito um documentário. “1:54” é um thriller psicológico e baseia-se em todas as histórias que fui recebendo. Adoro partir do ponto de vista de uma pessoa e foi isso que fiz nos meus outros dois filmes. Desta vez é um miúdo de 16 anos, o Tim, de quem retrato o dia a dia na escola secundária, um ambiente que quis usar no filme porque conheço bem.

Porque é que conhece bem?

Sou ator desde os oito anos e nunca parei até hoje. Fiz séries de televisão, apresentei programas para jovens e tive a oportunidade de estar próximo de várias gerações de miúdos. Isso também me permitiu que, ao longo destes anos, muitos miúdos partilhassem comigo as histórias deles, tornou-se comum receber emails deles. Um miúdo, uma vez, escreveu-me a dizer ‘hoje não tive um dia bom na escola.’ Respondi-lhe de volta a perguntar porquê e, de repente, veio a história toda. Tudo o que acontece neste filme é verdade. Não é a biografia de um miúdo só, mas sim a história de vários adolescentes. Queria que este fosse um filme extremamente autêntico e realista.

E como conseguiu?

Todas as cenas do filme foram filmadas numa escola, durante o horário escolar e todos os 1200 jovens que aparecem são alunos da escola. Só lhes pedia para continuarem a fazer o que estavam a fazer e que, se alguma coisa acontecesse, reagissem normalmente. Há uma cena no filme com uma luta à porta da escola entre o Tim e o colega que gozava com ele. Pedi à minha equipa que se escondesse e só fiz um sinal visual para que começassem a filmar. A luta começa e, de repente, a reação de todos os miúdos foi juntarem-se à volta dos dois e incentivarem a luta. Foi a reação típica.

Qual o ponto comum das histórias que lhe contaram?

Normalmente, os comentários começam como uma piada, mas torna-se uma pressão. Depois, há coisas que os miúdos não contam aos pais por acharem que eles não os entendem. Todos nós sabemos que é assim e todos já dissemos isso. Mas é um dos grandes problemas. É a lei do silêncio. Quando os miúdos pensam em falar acham que isso vai tornar a situação pior.

O que tem hoje de diferente o bullying nas escolas?

Há 10 anos, se fosses alvo de bullying, quando o dia de escola acabava, ias para casa e voltavas no dia seguinte. Hoje, a escola segue-te dentro do bolso, no telemóvel, através das mensagens escritas e das redes sociais. Mas, no fundo, o bullying não mudou. Há é também um elemento mais privado que torna mais difícil que as pessoas à volta – sejam professores ou pais – saibam e deem conta.

O filme tem passado em várias escolas no Canadá e passa esta segunda-feira para alunos do Porto. Que reações tem recebido?

Essa é a coisa melhor que aconteceu: abrir um diálogo entre os estudantes, entre eles e os professores, e até com os pais. Uma vez tivemos uma apresentação numa escola privada e quando o filme acabou, depois do longo silêncio que fica sempre durante alguns segundo, alguns professores disseram que aquela situação não existia ali na escola. Os miúdos concordaram. Até que uma rapariga, com uns 15 anos, sentada ao lado da irmã mais velha, levantou o braço e disse que aquilo que aconteceu ao Tim no filme lhe acontecia todos os dias naquela escola. Houve um silêncio total. E a irmã mais velha começou a chorar porque não sabia. Uma das coisas que percebi é que o bullying não tem classe social. Podes ser de qualquer país, podes ser alto, incrivelmente bonito, o mais inteligente ou o mais forte. Se escorregas na escola ou algo te acontece, podes tornar-te a vítima.

E tem reações dos pais?

Sim. Estive num festival onde o filme ia passar durante três dias seguidos. Um miúdo, no final da apresentação, veio ter comigo e disse-me que voltaria no dia seguinte. Assim foi e trouxe a família toda. Um tempo depois, o pai veio falar-me e disse-me que, quando regressaram a casa, naquele dia, o filho lhe disse que vivia o mesmo há quatro anos. Nenhum deles em casa sabia.

Este filme mudou-o de alguma forma?

Sim, completamente. Quando fiz o filme, nunca esperei que fosse apresentado em tantos países, nunca pensei que viesse a Portugal, nem que passasse em Lisboa e no Porto. É incrível como o bullying se estende a todos os países, de forma igual. Para mim também foi incrível como o filme chamou a atenção das Nações Unidas ao ponto de terem decidido passá-lo na sede em Nova Iorque, perante tantos especialistas de todo o mundo. Ter miúdos de todo o lado a partilhar as suas histórias é a beleza disto. O filme mudou-me em todos os aspetos e o impacto que está a ter vai para lá do que conseguiria imaginar.

Qual foi a sua maior conquista com este filme?

O diálogo sobre o assunto. O problema do bullying é o silêncio. Quando se abre o diálogo, abre-se uma pequena fenda que serve para quebrar a situação. Não digo que o filme resolve o que quer que seja, mas estar a abrir esse diálogo já é ótimo.

 

 

“Surpresa” é uma curta sobre ter cancro aos quatro anos

Agosto 5, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 17 de julho de 2017.

Paulo Patrício animou um diálogo entre Joana e Alice, mãe e filha que falam sobre a doença que mudou a vida familiar. “Surpresa” estreou-se no Curtas Vila do Conde e venceu o prémio do público na competição nacional

Texto de Ana Maria Henriques

Ouvimos um lápis a riscar no papel, mas não vemos quem o empunha. Só existe o som e umas manchas negras que fazem lembrar um teste de Rorschach. “E o que é que aconteceu ao teu corpo quando ficaste doente?”, pergunta a mãe Joana. A filha Alice responde: “Só tinha um rim”. São assim os primeiros 20 segundos de Surpresa, curta-metragem de Paulo Patrício que se estreou, na semana passada, no Curtas Vila do Conde e acabou por vencer o prémio do público na competição nacional deste festival que celebrou 25 anos. “Quando ouvi um pedaço da conversa entre mãe e filha percebi que estava ali uma história. Do princípio ao fim”, diz o realizador ao P3. Alice tinha cancro no rim, passava por uma das fases mais duras da doença, o cabelo estava a voltar a nascer.

A conversa entre mãe e filha foi gravada em 2011, tinha a menina quatro anos, e ficou perdida no arquivo do computador de Paulo. Em limpezas digitais, resolveu pegar no registo áudio, gravado a propósito de um anterior projecto de série infantil, e fazer dele uma curta de animação. “Acredito que o desenho é democracia e a Alice está sempre a desenhar”, recorda. “É isso que a deixa feliz: estar viva, desenhar e estar com a mãe.” A ideia deste português nascido em Angola, a viver no Porto, “não foi fazer um filme sobre a Alice, mas sim sobre meninos e meninas que estão nas mesmas circunstâncias”. Daí a simplicidade do desenho que a representa: tanto pode ser um menino como uma menina. Pode acontecer a qualquer um.

Abordar o cancro na infância é algo “muito raro”, continua Paulo, de 43 anos. “Mexeu muito comigo, custou-me ouvir milhares de vezes [o diálogo].” A Alice de quatro anos tinha uma “desenvoltura a falar” pouco comum, mas não deixava de ser uma criança. Sabia que tinha perdido um rim, mas custava entender o que tinha acontecido a esse órgão: “Quando é que voltam a pôr o outro?” Não faltam porquês.

Durante o período em que se dedicou à pintura, “muito orgânica” — a animação ficou a cargo da Animais —, Paulo não se encontrou com Alice, que só viu o filme quando esteve foi finalizado. “Não queria criar uma grande relação afectiva com ela para não perder a distância”, admite. O assunto, “super delicado”, pedia alguma “objectividade”.

Ao longo de Surpresa, Alice atropela-se em questões, recorda alguns momentos dos internamentos por que passou. “É uma conversa muito honesta. Não é uma mãe e uma filha, um adulto e uma criança, são duas pessoas a falar”, descreve. Nada foi escrito ou ensaiado, garante. Na curta-metragem, com música de Yasuaki Shimizu & Saxophonettes, “acontecem coisas um bocadinho estranhas”, tal como no corpo e na vida de quem tem uma doença como a de Alice. “Queria que passasse para a animação a forma como a vida muda, de um momento para o outro. Daí que a pintura seja orgânica.” As feições mudam, o nariz “dá um giro e cresce”, os olhos e os braços ficam de tamanhos diferentes, há problemas para resolver num minuto. “Nada é perfeito”, justifica. “Nós damos muito importância ao aspecto do nosso corpo, mas só com uma doença é que percebemos, de facto, o nosso corpo e olhamos com mais atenção.”

“Chateou-te muito estares doente?”, perguntava a mãe. “Um bocadinho”, admite Alice, agora com quase dez anos. Na estreia de Surpresa, no Curtas, “algumas pessoas ficaram ligeiramente comovidas”. “O filme é positivo, mas há umas partes mais cruas”, diz Paulo. A curta, de quase oito minutos, foi também seleccionada para o festival brasileiro Anima Mundi. O realizador, designer e ilustrador já arrancou com um novo filme, chamado O teu nome é, voltado para a violência transgénero. Um “trabalho de memória sobre o caso da Gisberta”.

 

 

A Lisboa de João dos Santos – filme disponível on-line

Março 17, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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João dos Santos, Sócio n.º 1 do Instituto de Apoio à Criança, nasceu a 15 de Setembro de 1913 e faleceu a 16 de Abril de 1987.

Estreia do filme “A Lisboa de João dos Santos”: 7 de fevereiro de 2017 às 18h30 Anfiteatro I da Faculdade de Psicologia e do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa

Fevereiro 1, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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João dos Santos, Sócio n.º 1 do Instituto de Apoio à Criança, nasceu a 15 de Setembro de 1913 e faleceu a 16 de Abril de 1987.

CONVITE para a estreia do filme “A Lisboa de João dos Santos”:
7 de fevereiro de 2017 às 18h30
João dos Santos foi uma das figuras mais prolíficas no campo da saúde mental na sociedade Portuguesa do século XX. Além de Professor de Psicopatologia Dinâmica na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa foi Médico, Psiquiatra, Psicanalista, Psicoterapeuta, Educador entre outras facetas profissionais e pessoais. Nos seus escritos, encontram-se inúmeras referências à cidade onde nasceu e viveu a maior parte da sua vida. Este lugar privilegiado que a cidade de Lisboa ocupa nas suas reflexões escritas levou a Comissão Organizadora das Comemorações do Centenário do Nascimento de João dos Santos a propor à Câmara Municipal de Lisboa a realização de um filme baseado nos textos de João dos Santos. Este filme foi realizado pela equipa do Arquivo Municipal de Lisboa, Videoteca, está pronto e vai ser estreado no próximo dia 7 de Fevereiro de 2017 pelas 18 horas e 30 minutos. O local é o Anfiteatro I da Faculdade de Psicologia e do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. A entrada é livre e são aguardados os que privaram diretamente com João dos Santos, os seus alunos e, também, os jovens que desejem transportar para o futuro as muitas mensagens positivas e relevantes que o homenageado deixou relativamente aos muitos campos a que se dedicou.
Aguardando a vossa presença, a família de João dos Santos, o Director da Faculdade de Psicologia Professor Doutor Luís Curral e o Director do Instituto de Educação Professor Doutor João Pedro da Ponte.

Sessão de cinema dinamizada pelo IAC- Fórum Construir Juntos, 6 de dezembro em Coimbra

Novembro 30, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O IAC- Fórum Construir Juntos, em Coimbra, em parceria com a Associação Fila K, vai dinamizar, no dia 6 de dezembro próximo uma sessão de cinema que terá lugar no Conservatório de Música de Coimbra, pelas 21h40.

 O Filme que vai  ser apresentado tem por título “Vão-me buscar Alecrim”.

Sinopse: Lenny (Ronald Bronstein) é um nova-iorquino divorciado e pai de dois rapazes. Durante apenas duas semanas por ano, tem a guarda dos filhos Frey, de sete anos, e Sage, de nove. Apesar de todo o amor que lhes dedica, Lenny tem uma vida desregrada, não conseguindo assumir a responsabilidade que duas crianças exigem. Dessa forma, e apesar do seu esforço genuíno, essas semanas acabam por ser uma aventura no limiar da irresponsabilidade, entre o riso e a inquietação.

 

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Chamo-me Nojood: tenho 10 anos, sou divorciada

Novembro 16, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do http://expresso.sapo.pt/ de 21 de outubro de 2016.

Paula Cosme Pinto

Nujood Ali tinha 9 anos quando foi entregue a um homem adulto em troca de um dote. Não passava de uma criança quando se viu na condição de casada, entregue a um leito matrimonial onde deveria cumprir os seus deveres de esposa. Foi abusada sexualmente e espancada repetidamente. Numa primeira visita à sua família, contou à mãe o que se passava dentro das quatro paredes onde agora vivia, e a resposta que obteve foi um abraço, seguido de um singelo: “Filha, ele tem direito a fazer isso tudo.”

Encurralada numa realidade de sofrimento, NuJood fugiu. E sem saber que no país que a vira nascer o casamento infantil não era penalizado, dirigiu-se a um juiz e pediu o divórcio. Foi a primeira vez que tal coisa aconteceu no Iémen e a sua história real, de luta pela dignidade e liberdade, tornou-se não só num símbolo contra o casamento infantil, mas também da revolução das mulheres daquele país quanto às tradições que continuam a subjugar a figura feminina e a reduzi-la à categoria de uma simples mercadoria que pode ser trocada e vendida, sem direito ao livre-arbítrio. Em troca de cerca de cem euros, o divórcio foi-lhe concedido e hoje a pequena é uma adolescente livre do marido. Mas ainda presa à figura paterna.

Em 2008, a incrível história de NuJood inspirou um livro, intitulado “Nojood: 10 anos, divorciada”. Nesse mesmo ano, a menina e a advogada que a defendeu ao longo do processo foram agraciadas com o prémio Glamour Women of the Year, em Nova Iorque. A história encantou o mundo e puxou a atenção para o drama do casamento infantil. O livro – que se tornou num best-seller – inspirou depois um filme com o mesmo nome, que acaba de ser indicado para candidato aos Óscares 2017, na categoria de Melhor Filme Língua Estrangeira.

A cada minuto que passa há 28 meninas forçadas a casar

Avança hoje a Al-Jazeera que este é um momento histórico, uma vez que é a primeira vez que o Iémen faz uma candidatura do género à Academia. Para mim, é também altamente simbólico no que diz respeito aos pequeníssimos passos que o país tentar dar no que toca à igualdade de género, seja pela exposição do tema em causa – que continua a ser um problema grave no Iémen – como pelo facto de a realização do filme ser feita precisamente por uma mulher (algo raro no país). Ambas formas pouco diretas, mas certamente representativas, da assunção deste país quanto à necessidade de mudança de mentalidades. Incluindo a do próprio pai de Nujood, que mesmo depois de ter assistido à odisseia da filha mais velha, voltou a cometer o mesmo erro com a mais nova.

Khadija al-Salami, a realizadora, é conhecida pelo seu trabalho documental e o filme “Nojood: 10 anos, divorciada” foi a sua primeira incursão neste género de cinema. Inspirou-se não só em Nujood, mas também na sua própria história de vida que passa por um casamento forçado aos onze anos, uma tentativa de suicídio e um divórcio. Filmado antes da guerra civil que assola o país, o filme passa uma mensagem clara: a crueldade inerente ao casamento forçado de uma criança, a contínua desvalorização da figura feminina no Iémen, a tradicional subjugação da mulher ao homem, a agressão consentida e inquestionável, a violação dos direitos humanos com base no género. E, é claro, a eterna lacuna da lei no que toca a tudo isto.

É verdade que tanto meninos como meninas estão sujeitos à realidade do casamento infantil, mas o sexo feminino é de longe o mais afetado. Uma boa parte destas miúdas são casadas à força, sujeitas a abusos sexuais, violência doméstica e acabam encurraladas numa vida de dependência total que, simplesmente, não escolheram ter. Não basta prenderem os pais destas crianças para que esta realidade mude, é preciso reeducar populações inteiras, incluindo as mulheres, que têm de ter consciência de que a vida não tem de ser assim, por mais que séculos de tradições assim o ditem como verdade absoluta.

Dados da UNICEF revelam que atualmente existem mais de 700 milhões de mulheres vivas em todo o mundo que foram forçadas a casar na infância. Uma em cada três destas mulheres fizeram-no com menos de 15 anos. No que diz respeito à realidade dos dias de hoje, o resultado da pesquisa conjunta das 400 organizações que trabalham para o Girls Not Brides revela números que me tiram o fôlego sempre que penso neles: 15 milhões de meninas são casadas anualmente, ou seja, a cada minuto que passa há 28 meninas a serem forçadas a casar. Até quando isto vai continuar a acontecer?

 

Sonita – filme/documentário sobre uma adolescente afegã que luta pelos direitos das mulheres – 4 e 5 novembro no Centro Cultural Olga Cadaval

Outubro 21, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Vencedor do Grande Prémio do Júri 2016 Sundance Film Festival e Audience Award for World Cinema Documentary, Sonita é um filme/documentário sobre uma adolescente afegã determinada, que vive no Teerão e que sonha ser uma rapper famosa. No Irão, o governo não permite que as raparigas se destaquem na música (nem nas artes em geral). Segundo a tradição, o destino de uma jovem da sua idade seria tornar-se numa noiva adolescente para que a sua família recebesse o dote. Sonita munida de paixão e persistência, vai entretanto tornar-se numa activista. Investindo no seu sonho de se tornar rapper, ela vai lutar pelos direitos das mulheres tentando transformar os obstáculos em oportunidades.
Rokhsareh Ghaem Maghami, Irão, 2014, 90′
https://ff.hrw.org/film/sonita

https://www.facebook.com/events/1079183645534520/

 

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