O que os faz felizes?

Janeiro 2, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Getty

Texto do http://expresso.sapo.pt/ de 16 de dezembro de 2017.

Katya Delimbeuf  texto

Carlos Esteves  infografia

Eles só querem tempo com os pais. E brincar. Quer saber o que faz o seu filho feliz? Leia

Dizem-nos que ser mãe ou ser pai é a melhor coisa do mundo, mas ninguém avisa que isso implica também passar a viver acompanhados por questões constantes. “Será que fiz bem?” “Exagerei no castigo?” “Será que não disse que não com a frequência que devia?” No meio de todas as dúvidas que assaltam os pais, há uma resposta universal. Pergunte-se a qualquer um qual a coisa mais importante que quer para o seu filho e a resposta será: que seja feliz. A forma que reveste essa felicidade é todo um novo capítulo.

O que os faz as crianças felizes? Brincar? Passar tempo com os pais? Fazer atividades físicas ou artísticas? Superar desafios? E os miúdos, têm noção da sua própria felicidade? Vários estudos trazem alguma luz sobre a questão. As respostas parecem apontar um caminho, o da simplicidade. É no tempo passado em família e nos momentos de brincadeira que as crianças encontram a felicidade. Assim comprova o último estudo de uma conhecida marca de brinquedos (a Imaginarium), que entrevistou 1131 pais portugueses de crianças dos 0 aos 8 anos. Mais de metade (51,89%) acredita que a origem da felicidade dos filhos está no tempo passado com os pais e familiares, e 34,56% no tempo de brincadeira. O afeto ocupa um lugar-chave na felicidade dos mais novos: 33% defendem que é quando os filhos se sentem “ouvidos e queridos” que são mais felizes. Na mesma linha, 14% defendem que é fundamental reforçar a autoestima das crianças “elogiando-as e incentivando-as quando fazem algo bem”.

O que têm as crianças holandesas?

Em 2013, um relatório da UNICEF que mediu a felicidade e o bem-estar em 29 dos países mais ricos do mundo (incluindo Portugal) concluía que as crianças mais felizes eram as holandesas. Que especificidades têm? Primeiro, os bebés holandeses dormem mais horas; as crianças trazem poucos ou nenhuns trabalhos de casa na escola primária; a liberdade é incentivada desde cedo, podendo os miúdos ir sozinhos de bicicleta para a escola, ou brincar na rua sem supervisão; fazem refeições em família regularmente; passam mais tempo com os pais que nos outros países europeus; não têm uma cultura materialista — brincam com objetos em segunda mão; e, numa nota curiosa, comem cereais de chocolate ao pequeno-almoço.

Neste estudo, Portugal encontrava-se a meio da tabela, no 15º lugar entre 29. Alguns destes itens, como as refeições em família, são comuns à nossa cultura, que traz para a mesa a maior parte dos convívios. Contudo, o grau de liberdade e de confiança depositada na criança é menor, o que não lhe permite superar por si mesma os desafios, e assim reforçar a autoestima. A psicóloga clínica Tânia Gaspar, da Universidade Lusíada de Lisboa, considera que esta questão não é tão linear como pode parecer. “Tem de haver supervisão, mas sem excesso de controlo”, defende.

O tempo passado com os filhos é outra desvantagem dos progenitores lusitanos. No inquérito da Imaginarium, mais de metade dos portugueses inquiridos sente que “passa pouco tempo de qualidade com os filhos”, e quase 90% acreditam que “um horário laboral mais flexível lhes permitiria aumentar esse tempo de qualidade”. Estes momentos são dos que mais contribuem para o bem-estar das crianças. Mais de metade dos portugueses (52%) que respondeu ao inquérito afirmou que “aquele bocadinho antes de ir para a cama” é o mais feliz. É o momento da história, do mimo, em que pai, mãe e filho partilham instantes de cumplicidade. 19,96% elegem o tempo de brincadeira no jardim ou no parque, e 11,52% a hora do banho.

Tânia Gaspar, que em 2008 se doutorou em Qualidade de Vida em Crianças: Fatores Pessoais e Sociais Promotores da Qualidade de Vida, pela Universidade do Porto, concorda que o tempo de qualidade é central. É importante “criar momentos próprios, de conversa, de partilha”, em que pais e filhos falam sobre o dia, o que correu bem ou o que correu mal. Alerta: “A comunicação aberta tem de começar desde pequenino, para que seja normal na adolescência.” É também importante aceitar, em vez de criticar, para que o canal se mantenha.

A psicóloga coordenou ainda, em 2013, a parte portuguesa do European Kidscreen, que mede a qualidade de vida e o bem-estar das crianças europeias dos 8 aos 18 anos em 13 países europeus. A principal conclusão é muito positiva: “As nossas crianças, de um modo geral, são felizes”, afirma. “As crianças mais novas — até aos 12 anos — são mais felizes do que as mais velhas”, quando entram na pré-adolescência, mas Tânia Gaspar atribui esse facto às “alterações de desenvolvimento que caracterizam esta fase”, em que o jovem se torna mais independente da família, tenta perceber quem é e fazer as suas escolhas. Neste estudo, Portugal encontrava-se de novo a meio da tabela. As razões prendem-se essencialmente com a escola. “As crianças portuguesas são das que têm pior relação com o meio escolar, a pressão académica, o facto de acharem que são maus alunos.” Nesse sentido, a ausência de trabalhos de casa na escolaridade primária dos holandeses joga em favor da sua felicidade. Habituam-se a gostar da escola antes de a associarem à obrigação de estudar e ser avaliado.

A psicopedagoga Ana Vasconcelos acredita igualmente que “o sucesso escolar de um país é um índice de felicidade”. O ser humano é por definição um animal curioso, que gosta de aprender. E desde que a escola cumpra a sua função e forneça ferramentas, os alunos gostarão de a frequentar e terão resultados em consonância. Dá o exemplo da matemática, eterno ‘bicho papão’ em Portugal. “Uma criança que pensa bem a matemática é uma criança com segurança pessoal. Para se ter pensamento abstrato, é preciso ter concentração ao aprender. E se se estiver preocupado, não aprende”.

Não fala em felicidade, mas em qualidade de vida. “A felicidade é um conceito moral. Tem a ver com emoções e com sentimentos. Qualidade de vida é o que dá a sensação de felicidade”, diferencia. Ana Vasconcelos aconselha os pais a manterem a “ternura na ponta dos dedos”. A seu ver, educar para a felicidade é simples. É preciso conseguir algum grau de “qualidade diária”, mesmo quando a vida profissional é intensa; e é importante os pais não se sentirem culpados. “Estes têm de estar seguros das suas competências.” O que mais entristece uma criança, assegura, é sentir a tristeza dos pais, captar a sua “insegurança face à vida”, e registar “incoerência no cuidar”. As crianças refletem muito o estado dos progenitores. Portanto, pais felizes têm maior tendência para criar filhos felizes. Tânia Gaspar ressalva o seguinte: “A felicidade é uma direção, um processo, algo que se vai construindo.” Estamos no bom caminho. Para os pais eventualmente preocupados com o que irão dar aos filhos este Natal, deixamos uma ideia. Em vez de prendas, deem-lhes tempo. É tudo o que querem.

 

 

 

 

 

Por que as crianças da Dinamarca são mais felizes?

Novembro 17, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Livros | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia do http://revistacrescer.globo.com/ de 6 de novembro de 2017.

Por Juliana Malacarne

No recém-lançado Crianças Dinamarquesas, autoras mostram que a maneira como elas são criadas talvez esteja por trás dos altos índices de felicidade do país nórdico. Veja como colocar tais descobertas em prática na sua casa também.

Abrir a janela de casa e encontrar a rua coberta de neve é uma visão comum para os dinamarqueses. Na maioria das cidades do país, que fica no norte da Europa em uma região conhecida como Escandinávia, as temperaturas ficam abaixo de zero no inverno. O clima pouco convidativo e a baixa incidência de luz solar, porém, não abatem o espírito do povo dinamarquês. Desde que a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OECD, na sigla em inglês) criou uma lista para eleger o país mais feliz do mundo, em 1973, a Dinamarca esteve em seu topo quase todos os anos. O que poderia explicar esse resultado? A terapeuta dinamarquesa Iben Sandhal e a psicóloga norte-americana Jessica Alexander apostam que a resposta está na maneira como as crianças dali são educadas.

Com base em pesquisas e observações cotidianas (Iben mora em Copenhague e Jessica é casada com um dinamarquês), as duas escreveram o livro Crianças DinamarquesasO que as Pessoas Mais Felizes do Mundo Sabem Sobre Criar Filhos Confiantes e Capazes (Ed. Fontanar, R$ 34,90). O livro descreve as atitudes de pais e mães daquele gelado país que geram resultados positivos sobre as crianças. E, o que é melhor, como aplicá-las em qualquer lugar do mundo. Em entrevista exclusiva à CRESCER, as autoras ressaltam a importância de elogiar os esforços dos pequenos, sem exagero, e sobre por que ensiná-los a ter empatia desde cedo, entre outras dicas. A seguir, destacamos alguns pontos da conversa.

Elas aprendem a ter empatia

A hora da brincadeira é uma ótima oportunidade também para transmitir lições de empatia, um dos pilares da educação dinamarquesa, de acordo com Iben e Jessica. É comum que surjam conflitos na convivência entre crianças pequenas. Mesmo assim, por aqui, quando o filho se queixa do comportamento de um dos colegas, a primeira reação dos pais é tirar satisfação, seja com a escola, seja com os pais do “briguento”, não? Outros acreditam que é “coisa de criança” e falam para o filho deixar para lá. Na Dinamarca, entretanto, as famílias preferem fazer com que as crianças entendam (ou ao menos tentem entender) as emoções do outro. Sendo assim, dizer: “Ele parece irritado, você sabe o que aconteceu?”, traz resultados melhores do que “Ele está com raiva de quê? Que ridículo!”. “Nem sempre as reações e emoções das crianças fazem sentido para os adultos, mas mostrando que as reconhece, você evita julgamentos e ensina seu filho a lidar melhor mesmo com os sentimento considerados ‘inapropriados’”, diz Jessica.

Elas recebem elogios “reais”

Isso não significa, porém, exagerar na positividade e aplaudir cada conta de adição que seu filho resolve corretamente como se estivesse em frente ao trabalho de um novo Einstein. “Se as crianças são constantemente elogiadas por serem naturalmente talentosas ou dotadas, passam a crer que sua inteligência é fixa e nada pode ser feito para modificá-la”, explica Iben.
Para evitar esse tipo de pensamento, o segredo é valorizar o esforço e não o resultado. Se você disser que um desenho que seu filho terminou rapidamente está incrível (mesmo que note que ele não tenha se concentrado nos detalhes), o elogio não trará nenhum benefício para a percepção que ele tem de seu próprio esforço. Uma saída melhor é perguntar sobre o desenho, ou seja, o que ele estava pensando ou sentindo quando decidiu fazê-lo. Diga: “Adorei como você manteve a concentração e o foco para deixar o desenho lindo”, em vez de “Uau, como você desenha bem!”.

Elas podem brincar livremente

No país onde foi criado um dos brinquedos mais populares da história, o Lego, as crianças não precisam ir à escola antes dos 6 anos, o que mostra o quanto o tempo “gasto” com atividades não estruturadas é reconhecido. Um dos principais desafios de Jessica, acostumada às agendas atribuladas das crianças norte-americanas, foi adotar essa mudança na rotina com os filhos Sophia, 7, e Sebastian, 4. “Me considerava uma mãe preguiçosa por não estar levando as crianças para 1 milhão de cursos ou atividades onde estavam ‘aprendendo’”, afirma. “Mas agora não me sinto mais assim e isso fez muita diferença no meu dia a dia. Não só meus filhos estão mais felizes com a liberdade de poder escolher as brincadeiras como também estou mais contente porque é muito menos estressante.”

Um estudo realizado com crianças em idade pré-escolar em Massachussets (EUA), citado pelas autoras no livro, mostrou que existe uma correlação positiva entre a quantidade de brincadeiras que as crianças participam e sua habilidade de resolver problemas. Por isso, a dica delas é levar os filhos para ambientes abertos, que eles possam explorar livremente, como praias e parques. Outra recomendação nesse sentido é estimular o encontro com crianças de diferentes idades para que umas possam aprender com as outras – e deixar para fazer intervenções somente quando necessário. “Outro dia, meu filho estava correndo a toda velocidade por uma rampa, fiquei me encolhendo de tensão e comecei a gritar para ele parar”, conta Jessica. “Mas meu marido pegou em meu braço e disse: ‘Crianças têm que correr. Se ele cair, caiu, mas crianças têm que correr’. No fim, Sebastian não caiu e ficou exultante consigo mesmo. Temos de confiar nas crianças para que elas aprendam a confiar em si próprias.”

Elas têm tempo de qualidade com a família

Os dinamarqueses têm uma palavra específica no dicionário para definir os momentos aconchegantes compartilhados em família: hygge (pronuncia-se ruga). Nesse período, existem regras bem interessantes, como desligar celulares e tablets, não reclamar à toa, evitar assuntos polêmicos e pensar em jogos em que todos os presentes possam participar independentemente da idade.

Segundo Iben, o hygge é uma escolha consciente que você faz para ter a sensação de estar conectado, de fato, com seus filhos. “Durante muitos anos, tive a oportunidade de pegar minhas filhas na saída da escola. Chegávamos em casa e sentávamos à mesa, comendo lanchinhos e conversando sobre o dia delas. Se fosse inverno, acendia velas e, às vezes, fazia chocolate quente ou chá. Depois disso, lia um conto, até que elas ficassem ‘cheias’ da minha atenção e fossem brincar por conta própria. Aquilo era muito ‘hyggeano!’”, conta a dinamarquesa.

A magia do hygge, uma das tradições mais importantes da cultura dinamarquesa, é que ele não precisa de espaço nem de alguma ocasião específica – e assim como as demais percepções das autoras, pode ser implementado por aqui também. Ainda que dar uma pausa na rotina acelerada para se entregar plenamente aos momentos com aqueles que mais ama não seja tão simples quanto pareça, o povo mais feliz do mundo garante: vale a pena.

Elas não são rotuladas

Um dos principais pontos positivos na maneira dinamarquesa de ver o mundo, de acordo com as autoras, é a importância que dão à linguagem. “As palavras têm poder e, por isso, adoto uma perspectiva otimista/realista sempre”, diz Iben, que é mãe de duas meninas, Ida, 16, e Julie, 14. “Não é ignorar as coisas ruins, e sim reconhecer que o mundo possui várias nuances de cinza além do preto e branco.”

Por exemplo, se depois de tirar uma nota baixa em geografia a criança diz que é péssima na matéria, lembre-a de uma tarefa específica que tenha gostado de fazer, como pintar um mapa, ou algum conteúdo em que tenha ficado interessada. Não negue que ela foi mal na prova nem diga que está tudo bem, mas ressalte que há coisas que podem ser feitas para melhorar o desempenho nas próximas avaliações, como estudar por mais tempo ou focar em exercícios práticos. Além disso, esteja sempre atento para evitar o uso de palavras limitadoras, como “meu filho odeia isso” ou “ele é assim”, pois esse tipo de postura não deixa espaço para a possibilidade de mudança.

 

 

As crianças portuguesas são felizes, mas só as mais pequenas

Novembro 15, 2017 às 1:30 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia do https://www.publico.pt/ de 8 de novembro de 2017.

Inquérito a 1131 pais revela que oito em cada dez preocupa-se com a felicidade futura dos filhos.

Bárbara Wong

As crianças portuguesas são felizes mas, à medida que vão crescendo, a percentagem de infelicidade aumenta, revela um inquérito promovido pela Imaginarium sobre “A felicidade e a infância”, conhecido nesta quarta-feira, em Lisboa. Também a Ikea lançou o seu “Play Report 2017” para o qual entrevistou mais de 350 crianças e adultos na Alemanha, China e EUA para compreender o papel da brincadeira na vida das pessoas.

Segundo o inquérito levado a cabo pela Imaginarium a 1131 pais, oito em cada dez preocupam-se com a felicidade futura dos filhos. Aliás, mostram-se mesmo “muito preocupados” e a maioria acredita que os filhos são “felizes” (20,2%) ou “muito felizes” (51,6%), há mesmo um quinto que diz que o seu filho “é a criança mais feliz do mundo”, apenas 8,8% diz que é “normal, às vezes feliz e outras não” e só 0,1% confessa que o filho é “muito triste”.

Contudo, os níveis de felicidade das crianças varia conforme a idade e os dados mostram que à medida que crescem vão tornando-se mais infelizes. As faixas etárias analisadas foram dos 0 aos 2, dos 3 aos 4, dos 5 aos 6 e dos 7 aos 8 anos. São estes últimos que são mais infelizes (15,2%) – a percentagem de infelicidade vai decrescendo com a idade situando-se nos 6,4% nas crianças entre os 0 e os 2 anos.

Para Rui Lima, pedagogo e convidado pela Imaginarium para comentar o estudo, é imposta uma “crescente pressão” às crianças, quer pelos pais quer pelos professores, onde “o desempenho académico, a competição entre pares e a necessidade de alcançar a perfeição em todas as actividades realizadas são uma constante”, logo, têm um “impacto negativo na felicidade das crianças”, defende num comunicado enviado às redacções.

E o que faz os meninos portugueses infelizes? Não passar tempo suficiente com os pais (26,3%), não ter tempo suficiente para brincar (21,3%) ou ficar de castigo (16,4%), respondem os pais inquiridos. As crianças serão mais felizes se se desenvolverem num ambiente escolar e familiar em que se sintam valorizadas e queridas (45,2%), se passarem mais tempo em família (34,8%) e se os pais as deixarem “explorar o mundo através da brincadeira (17%), respondem ainda os pais.

Falta mais tempo para a família

Praticamente todos os pais (99,8%) respondem que a felicidade dos filhos passa pelo tempo de qualidade partilhado em família, mas pouco mais de metade (51%) sente que passa pouco tempo de qualidade com os filhos e seis em cada dez pais acreditam que os filhos sentem a sua falta. Aliás, a maioria (89,8%) reconhece que tem dificuldade em conciliar a vida profissional com a pessoal e acredita que um horário laboral mais flexível lhes permitiria aumentar o tempo de qualidade e brincar com os filhos.

Quando questionados sobre como contribuem para a felicidade dos filhos, os pais respondem que é ouvindo-os e fazendo-os sentir-se queridos (33,4%) e passando mais tempo com eles (28,1%). Para 14,3% a felicidade passa por elogios e incentivos para que os filhos façam as coisas bem.

Durante a semana, o tempo mais feliz que pais e filhos compartilham é o de antes de ir deitar e, ao fim-de-semana, são os passeios que fazem as delicias dos mais novos. Este inquérito, que a Imaginarium defende representar o todo nacional, conclui que as crianças portuguesas são “extremamente familiares” porque gostam de fazer planos com os pais e passar tempo com os mesmos.

A Imaginarium pergunta ainda aos pais que tipo de brinquedo faz os filhos mais felizes e as bicicletas e veiculos com rodas (38%) surgem à cabeça, seguido da música, arte e trabalhos manuais (35,2%), os jogos de construção e lógica (30,8%) e as cozinhas e profissões (30,6%). Os ecrãs, televisões, Ipad, vídeojogos e telemóveis (19,4%) surgem na oitava posição.

“Os brinquedos devem apelar ao desenvolvimento de diferentes competências, tanto ao nível físico como intelectual. Desenvolvendo essas competências, a criança será capaz de relacionar-se melhor consigo mesma, com os outros e com o mundo. Daí a importância de brinquedos que estimulem os sentidos nos primeiros anos de vida”, defende Rui Lima no comunicado.

Também a marca sueca Ikea fez o seu terceiro relatório – depois de 2010 e 2015 – sobre o brincar com o objectivo de perceber melhor o papel desta actividade no desenvolvimento das crinças e na vida em casa. Para isso, entrevistou mais de 350 pessoas na Alemanha (Berlim), China (Pequim) e Nova Jérsia (EUA), entre os 2 e os 90 anos, e propõe cinco definições para brincar: “brincar para reparar”, ou seja, para recuperar do stress do dia-a-dia e as sugestões passam por actividades que promovam o bem-estar das pessoas como o ioga ou o tai-chi, mas também a jardinagem ou um passeio.

“Brincar para conectar” é a segunda definição. Num tempo em que o trabalho interfere por vezes na vida pessoal, o brincar proporciona a possibilidade de abrandar e de as pessoas se aproximarem da família ou dos amigos. As sugestões passam por ir a um bar fazer karaoke ou fazer jogos tradicionais como os de tabuleiro ou as cartas, o que permite que as pessoas estejam ligadas sem ser pela tecnologia, propõe o relatório.

As pessoas precisam de momentos de libertar, por isso, “brincar para libertar” é a terceira conclusão da marca, que sugere uma ida ao teatro ou a um parque temático. “Brincar para explorar” é a quarta proposta, explorar mundos reais ou imaginários, viajar ou brincar ao “faz-de-conta”. Por fim, “brincar para expressar” que aposta na criatividade e nas artes, da pintura à música.

“Brincar começará a aparecer, cada vez mais, em todos os aspectos das nossas vidas. Desde o local de trabalho ao ginásio, as pessoas irão procurar brincar em espaços e momentos onde tradicionalmente não o fariam”, conclui o comunicado da Ikea.

Ikea Play Report 2017

 

Seminário “+Família…+Felizes” 26 de maio de 2017, em São Pedro do Sul

Maio 17, 2017 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de São Pedro do Sul vem, por este meio, relembrar a realização do Seminário “+Família…+Felizes” a 26 de maio de 2017, no auditório da Escola Secundária de São Pedro do Sul, pelo que a respetiva ficha de inscrição deverá ser remetida para cpcj@cm-spsul.pt, até ao próximo dia 22 de maio (segunda-feira).

 

Como educam os pais mais felizes do mundo?

Setembro 22, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , ,

texto do http://observador.pt/de 11 de setembro de 2016.

yuri-arcurs

Ana Cristina Marques

Há cerca de 40 anos que os dinamarqueses são considerados o povo mais feliz do mundo. Segundo as autoras de um novo livro, o segredo está na forma como as crianças são educadas. Curioso/a?

É de pôr um sorriso no rosto. Há mais de quatro décadas que o povo dinamarquês é considerado, praticamente todos os anos, o mais feliz do mundo. O rótulo certamente invejável leva a assinatura da OCDE (Organização para a Cooperação Económica e o Desenvolvimento) desde 1973 e até o World Happiness Report, recentemente lançado pelas Nações Unidas, diz o mesmo. O mistério de tanta felicidade já foi alvo de interesse de vários jornalistas, com direito a reportagens emitidas pelo 60 Minutes e protagonizadas pela incontornável Oprah. Os motivos podem ser vários, mas o livro Pais à Maneira Dinamarquesa reclama que a solução está na forma como estes homens e mulheres são criados.

As autoras do livro que chega a 21 de setembro às livrarias portuguesas — a cronista norte-americana Jessica Joelle Alexander e a psicoterapeuta e terapeuta familiar dinamarquesa Iben Dissing Sandahl — defendem que a busca pela felicidade começa na infância e entregam aos pais a chave do sucesso que passa por deixar as crianças brincar, pela comunicação autêntica e pelo estímulo da empatia. A teoria em causa, essa, resulta de “mais de 13 anos de experiência, pesquisa, estudos de base e factos acerca da cultura e vida diária dinamarquesa”.

pais

Mas como são, então, os pais dinamarqueses?

Os pais dinamarqueses apostam na brincadeira livre

As autoras começam por contrariar a tendência (bem intencionada) de alguns pais, que enchem as agendas dos filhos com atividades extracurriculares, incluindo vários desportos. A ideia defendida é a de que os mais novos devem pura e simplesmente brincar — isto é, serem deixados sozinhos ou na companhia de amigos para brincar exatamente como lhes apetecer. Aqui, brincar não é o mesmo que praticar um desporto ou participar numa atividade organizada por um adulto, e o ato não deve ser encarado como um desperdício de tempo:

Com frequência, sentimos que estamos a ser melhores pais quando lhes ensinamos alguma coisa ou os envolvemos num desporto, ou oferecemos aos seus pequenos cérebros algum ‘input’. Brincar parece ser um desperdício de tempo de aprendizagem valioso. Mas será mesmo?” (Pais à Maneira Dinamarquesa, p. 31)

Acontece que a brincadeira livre ensina as crianças a serem menos ansiosas, mais resilientes e a lidar melhor com o stress. Para explicarem o quão importante a brincadeira é para a sociedade dinamarquesa, Jessica e Iben relatam que durante muitos anos as crianças a viver no país não começavam a escola antes dos sete anos (em Portugal o ensino obrigatório começa aos seis anos de idade; pode iniciar-se aos cinco salvo algumas exceções), e que atualmente as crianças com menos de 10 anos terminam as aulas às duas da tarde.

Brincar é tão central na visão dinamarquesa da infância que muitas escolas têm programas que promovem a aprendizagem através do desporto, da brincadeira e do exercício para todos os alunos.” (Pais à Maneira Dinamarquesa, p. 43)

Têm cuidado com os elogios

Os filmes dinamarqueses têm muitas vezes finais sombrios e tristes, muito aquém do tradicional happy ending de uma longa-metragem de domingo à tarde. Aliás, e a título de curiosidade, no conto “A Pequena Sereia”, do também dinamarquês Hans Christian Andersen, a jovem não fica com o príncipe ao contrário do que a Disney nos leva a crer. Escrevem as autoras, baseando-se num estudo da Universidade de Ohio, que “ao contrário da crença popular, ver filmes trágicos ou tristes torna, na verdade, as pessoas mais felizes, chamando a sua atenção para alguns aspetos mais positivos das suas próprias vidas“.

Nesta lógica de pensamento, as autoras defendem que as crianças precisam de “honestidade emocional” e que agir com autenticidade é o primeiro passo para ensinar os mais novos a serem verdadeiros consigo mesmos e com os outros. Porque reconhecer e aceitar as emoções boas e más é muito importante e o oposto do autoengano, que pode levar a decisões tomadas com base em influências externas. A isso acrescenta-se a importância de elogiar a tarefa desempenhada em detrimento da criança em si, o que “ajuda a direcionar a atenção para o trabalho envolvido, mas também ensina humildade”.

O elogio está intimamente ligado à forma como as crianças vêm a sua inteligência. Se ouvem louvores constantes por serem naturalmente espertas, talentosas ou dotadas, desenvolvem aquilo a que se chama uma mentalidade ‘fixa’ (a sua inteligência é fixa e eles possuem-na). Por contraste, as crianças a quem é dito que a sua inteligência pode evoluir com o trabalho e educação desenvolvem uma mentalidade de crescimento (podem fazer evoluir as suas capacidades porque trabalham arduamente por isso). (Pais à Maneira Dinamarquesa, p. 57)

São otimistas e, ao mesmo tempo, realistas

Aqui entra a noção do “otimismo realista”, isto é, a capacidade de reenquadrar uma situação tensa, uma coisa que, afirmam as autoras, os dinamarqueses fazem há bastante tempo. “Eles ensinam aos seus filhos esta valiosa competência, e aprender a reenquadrar desde cedo ajuda-os a crescer para se tornarem naturalmente melhores a fazê-lo em adultos”, escrevem Jessica e Iben. A ideia não passa por ser-se extremamente otimista, antes prático, no sentido em que se dá destaque a um lado alternativo de uma mesma história — é uma questão de perspetiva. Referindo um conjunto de estudos, as autoras argumentam que o reenquadramento ajuda na forma como o medo, a dor e a ansiedade são interpretados, afirmando que esta capacidade está diretamente relacionada com a linguagem que é usada.

A nossa linguagem é uma escolha, e é fundamental porque forma o enquadramento através do qual vemos o mundo.” (Pais à Maneira Dinamarquesa, p. 76)

Levam a empatia muito a sério

Por empatia entende-se a capacidade de reconhecer e compreender os sentimentos dos outros, uma ferramenta que parece estar cada vez mais em desuso entre os mais novos. Exemplo disso é um estudo da Universidade do Michigan, nos EUA, que mostrou que atualmente o estudantes universitários têm menos 40% de empatia que os estudantes da década de 1980 e 1990. Em contrapartida, dizem as autoras da obra em questão, o narcisismo aumentou significativamente. Mas porque é que é a empatia é tão importante? Eis a resposta:

A empatia facilita a nossa ligação com outros. Desenvolve-se na infância através da relação com a figura de afeto. Uma criança aprende, em primeiro lugar, a sintonizar-se com as emoções e estados de espírito da sua mãe e, mais tarde, com as de outras pessoas. É por isso que o contacto visual, as expressões faciais, o tom de voz e outras atitudes, são tão importantes no início de vida”. (Pais à Maneira Dinamarquesa, p. 103)

Os dinamarqueses levam a empatia tão a sério que esta é considerada uma espécie de disciplina, com direito a ocupar uma hora por semana do calendário escolar, tendo em conta crianças dos seis aos 16 anos.

Fazem do “Hygge” uma forma de vida

Hygge, que se pronuncia “huga”, significa aconchego e para os dinamarqueses é uma forma de estar na vida. É, na sua essência, um conceito que promove a proximidade entre amigos e familiares, que envolve uma atmosfera acolhedora, a entreajuda de todos e o deixar o drama e os desejos individuais de parte em nome da união de grupo, sem telefones ou tablets por perto.

Aprendendo o hygge podemos melhorar as reuniões familiares para as tornar experiências mais agradáveis e memoráveis para os nossos filhos. Deixando o ‘eu’ à porta e concentrando-nos no ‘nós’, podemos eliminar muito do drama e negativismo desnecessários por vezes associados às reuniões familiares. Famílias felizes e um forte apoio social geral crianças mais felizes. (Pais à Maneira Dinamarquesa, p. 168)

E como é em Portugal?

Qualquer comparação é injusta, convenhamos, mas importa tentar perceber porque é que, à partida, os pais dinamarqueses podem ser diferentes dos portugueses. Certo que um recente estudo internacional sobre mobilidade infantil colocou Portugal no fim da lista e classificou os pais portugueses como sendo dos mais protetores no mundo. Mas até dados resultantes de uma pesquisa global devem ser contextualizados, assegura Maria Filomena Gaspar, docente na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade de Coimbra.

“A parentalidade em português é a parentalidade em Portugal. Não é apenas o resultado das relações pai e filho, mas também o resultado das expetativas sociais que os pais têm de enfrentar”, diz a também terapeuta e mediadora familiar, que assegura que a sociedade portuguesa tem um discurso dúbio — por um lado responsabiliza os pais, por outro carece na oferta de condições para uma “parentalidade positiva”. Maria Filomena Gaspar fala nos horários de trabalho reduzido dos dinamarqueses, quando há crianças pequenas à mistura, e também na licença de maternidade que naquele país pode chegar às 52 semanas (sim, um ano).

Fala ainda da conjuntura económica e também das questões culturais, lembrando que até 1974 a maioria dos portugueses não tinha acesso à escolaridade. Mais, segundo a própria, “as escolas discriminam as famílias, pagamos aos professores [tendo em conta as explicações] quando os nossos filhos têm insucesso escolar, enquanto na Dinamarca a função da escola é conseguir que todos os alunos consigam atingir aquilo que é o seu nível de competência”.

E quanto aos pais protetores, a docente comenta que até 1970 muitos portugueses viviam na aldeia, onde todos se conheciam e o perigo seria diminuto, realidade que se veio a alterar drasticamente. “Começámos a trazer pessoas para a urbe e começámos a assistir a novos tipos de famílias. Isso criou a necessidade de proteger os filhos de perigos com os quais os pais não sabiam lidar.”

As sociedades devem estruturar-se para dar autonomia às crianças, assegura Maria Filomena Gaspar. “Tem de ser uma missão da sociedade, não só da família.”

 

 

Crianças felizes? Há várias dicas na Internet

Junho 27, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

38049

 

À distância de um clique, há conselhos, sugestões, bibliografia, autores, comentários, sobre a felicidade das crianças. Páginas e páginas com caminhos a seguir pelos adultos, avós, pais e professores que partilham os dias com os mais pequenos. Cada cabeça, sua sentença.

Se há uma autoestrada da comunicação, sem portagens, que leva a todo o lado e que permite pesquisar sobre tudo e mais alguma coisa, então tudo o que diz respeito às crianças acaba por ser assunto obrigatório para quem é mãe e pai e para quem passa os dias na escola a ensinar novos mundos aos mais pequenos. Para quem se preocupa com o bem-estar dos mais novos. Há de tudo um pouco: conselhos de especialistas que também são pais, experiências de quem vive rodeado de crianças, dicas para ultrapassar caminhos mais espinhosos, comentários de quem gosta de falar sobre infância, felicidade e liderança. A seleção fica à consideração de cada um. Tal como seguir ou não os conselhos que se acumulam na Internet. Cada cabeça, sua sentença. A felicidade não é um presente que se possa mandar embrulhar para oferecer no aniversário. O psiquiatra infantil norte-americano Edward Hallowell, pai de três filhos, defende que a felicidade é parte essencial da vida e que deve ser estimulada por pais e professores encarregues de formar os adultos de amanhã. E todos entendem porque assim é. As dicas de Hallowell surgem de imediato quando a pesquisa é mesmo isso, como ter crianças felizes. O especialista avisa que a felicidade dos adultos tem raízes na infância. É exatamente neste período da vida que há aspetos que convém não esquecer. A autoestima é fundamental para que o mundo tenha mais crianças felizes. Felicidade é amor e amor incondicional sabe bem ser sentido todos os dias. Se há um lugar seguro, esse lugar é a família. É aqui que os braços estão sempre abertos, nunca se cruzam ou fecham. Os laços emocionais e o sentimento de pertença são ingredientes imprescindíveis para crianças felizes. Brincar é preciso e os tempos livres devem ser mesmo isso, tempos livres sem relógios no pulso ou trabalhos de casa para fazer. A brincar os mais pequenos expressam e desenvolvem a sua criatividade, vestem vários papéis, imaginam personagens, descobrem gostos e aprendem a resolver problemas. Hallowell lembra que ao brincar, as crianças identificam os seus limites, aprendem a viver em sociedade e a gerir as suas frustrações, definem e afinam o seu comportamento. Há muito para aprender quando se brinca. Conselho que parece desnecessário, mas que muitas vezes é esquecido num mundo tão regulado pelo tempo.

Felicidade também é descobrir o que se gosta de fazer. Por isso, Hallowell fala em experimentar coisas novas, conhecer grupos diferentes, contactar com a diversidade. E o saber fazer também significa rostos alegres. A realização é importante nesta caminhada. Tal como o reconhecimento do que se faz, que sabe sempre bem. Ser feliz é uma missão de todos os dias. E, aqui, pais, familiares e professores têm uma palavra importante a dizer.

E para crianças felizes também é preciso que os pais saibam coisas que podem fazer a diferença. Na Internet, navega um texto publicado nos anos 90 no The Message Internacional. Um texto que mostra caminhos e sentimentos. Uma espécie de carta escrita por uma criança que lembra que os pais não devem exagerar nos mimos e que devem ser firmes na hora de decidir se é para a esquerda ou para a direita. Os mais pequenos não gostam de ser corrigidos à frente de outras pessoas e criar uma capa para proteger das consequências não é assim tão boa ideia. As pequeninas queixas, por vezes, podem ser apenas uma maneira de chamar a atenção. E é preciso não esquecer que as perguntas dos mais novos não devem ser ignoradas, que experimentar coisas novas estimula os neurónios, e que crescer não é um processo feito a passo de caracol.

Há também quem dê conselhos sobre comportamentos dos pais para que não travem sinais de liderança. Tim Elmore fala sobre esse assunto e sobre atitudes a evitar. Como, por exemplo, não deixar os mais pequenos experimentarem o risco. Dessa forma, evita-se que se apercebam que há perigos à espreita. Joelhos esfolados, pernas com pensos, roupa suja e ragada, brincadeiras fora de casa, não devem ter sentidos proibidos. Contornar dificuldades para resolver problemas também não é maneira de ajudar os mais pequenos que, dessa forma, não desenvolvem certas habilidades na vida que lhes permitam resolver contrariedades por conta própria.

Dizer não é uma forma de abrir o apetite por lutar por o que realmente se valoriza. Dar tudo o que pedem não é boa estratégia. E as recompensas materiais em troca de bons comportamentos podem ter maus resultados a médio prazo. Partilhar os erros do passado com as crianças pode ser um passo importante para saber como enfrentar águas mais agitadas pela vida. Erros, entenda-se, que tenham agregado lições positivas. Uma espécie de final feliz. E, em todo este percurso, nunca esquecer que o ditado “faz o que eu digo e não o que eu faço” tem toda a razão de existir.

Paciência e flexibilidade. Os pais, educadores, professores têm de conhecer o significado destas duas palavras que surgem nas pesquisas dos cibernautas. Saber interpretar os sinais, saber quando se está feliz ou triste. Saber construir felicidades. Há muito mais para pesquisar na Internet sobre a felicidade dos mais pequenos. Mas também é preciso refletir e ponderar cada conselho, cada dica, cada rumo apontado. Educar não é fácil, mas é, sem grande margem para dúvidas, um dos desafios mais estimulantes da vida. Porque um sorriso, uma gargalhada, um mimo, um abraço apertadinho, não têm preço.

Sara R. Oliveira, em 13 de junho de 2016, para educare.pt

 

Como educar uma criança feliz, segundo a ciência

Junho 17, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

texto da Visão de 1 de junho de 2016.

Mohammed Abbed

Para celebrar o Dia Mundial da Criança, reunimos 11 sugestões recomendadas por cientistas e psicólogos

Márcia G. Rodrigues

Hoje as crianças são o centro das atenções um pouco por todo o mundo, mais precisamente nos 49 países que celebram hoje o Dia Mundial da Criança. Mas como o dia das crianças devia ser todos os dias, reunimos 11 ideias para o ajudar a educar uma criança feliz. Confira:

Deixe-os falhar

Ninguém gosta de ver uma criança falhar, fazemos sempre de tudo quando as vemos com problemas a conseguir algo. Mas estudos provam que falhar ajuda as crianças a tornarem-se mais produtivas e a desenvolver a capacidade de resolver problemas com facilidade.

O Dr. Jim Taylor escreveu na revista online Psychology Today que a palavra “perfeição” não deve existir num ambiente familiar. Substitua esta palavra por “excelência” e eduque os seus filhos a serem excelentes em vez de perfeitos. A excelência tem todos os bons aspectos da perfeição mas sem as expectativas irrealistas e o medo constante de falhar.

Ensine-os a partilhar

Ensine o seu filho que é melhor dar que receber. Um estudo mostra que as crianças que partilham são mais felizes do que as crianças que não partilham. Comece desde cedo a pedir ao seu filho para partilhar as coisas dele consigo e vice-versa, e mostre-se grato quando ele o faz por iniciativa própria.

Deixe-os tomar decisões (incluindo escolher o seu castigo)

Um estudo da Universidade da California mostra os benefícios de deixar as crianças planearem os seus próprios horários e definirem os seus objetivos. Estas crianças têm mais hipóteses de se tornarem disciplinadas e de tomarem decisões mais sensatas no futuro. O mesmo estudo também prova que é melhor para os pais deixarem os seus filhos decidirem o seu próprio castigo. As crianças que o fazem não quebram as regras tantas vezes. Ao longo do crescimento dos seus filhos, dê-lhes a liberdade de tomarem mais decisões. Eles tornar-se-ão mais felizes e mais bem-sucedidos.

Peça-lhes conselhos

Pedir conselhos aos seus filhos faz com que eles saibam que opiniões deles importam para si. “Pedir conselhos a crianças permite-lhes saber que se importa e respeita a perspectiva delas, o que lhes diz que a voz delas importa. Também lhes permite saber que são responsáveis pelas suas opiniões, o que tem um impacto no mundo real, não só nas suas mentes” , diz Rabbi Roger E. Herst, autor do livro A Simple Formula for Raising Happy Children.

Deixe-os brincar

Crie “horas de brincar” não estruturadas. Segundo estudos, poder brincar livremente encoraja as crianças a ter pensamentos imaginativos e conseguir arranjar soluções alternativas para situações difíceis ou complexas.

Faça-os rir

Não tenha medo de dizer aquelas piadas secas, o seu filho irá agradecer-lhe mais tarde. De acordo com um estudo apresentado na Economic and Social Research Council’s Festival of Social Science 2011, quando os pais brincam e contam piadas, ajudam os filhos a pensar criativamente, a fazer amigos e a controlar o stress.

Reduza o tempo que passam a ver televisão

Um estudo feito em mais de 4 mil adolescentes provou que os que passam mais tempo a ver televisão têm mais hipóteses de se tornarem depressivos. Dê o exemplo aos seus filhos, limitando também o tempo que passa em frente ao ecrã.

Promova uma imagem de corpo saudável

De acordo com um estudo realizado pelo Institute of Child Health, um terço das raparigas com 13 anos não estão satisfeitas com o seu peso. A Dove realizou também um estudo onde concluiu que 69% das mães fazem comentários negativos ao seu corpo em frente aos filhos, afetando também a imagem que eles têm sobre o seu próprio corpo. Foque-se nos benefícios do exercício na saúde, e exercite em família. Fale com os seus filhos de como a comunicação social distorce os padrões de beleza, não comente que se sente culpado por comer certos tipos de comida, e não julgue a aparência de outras pessoas.

Crie tradições de família

Segundo uma pesquisa elaborada pelo Dr. Dawn Eaker e pela Dra. Lynda Walter, tradições de família aumentam a ligação entre a mesma e permitem que as crianças sejam sociais. Crie tradições simples como um lanche em família todos os sábados, noite de cinema às sextas-feiras, preparar o jantar em família, ou passeios a pé aos domingos.

Priorize o seu casamento

Um bom ambiente familiar ajuda uma criança a ser mais feliz. “Famílias que se centram apenas nos filhos criam ansiedade, pais exaustos e filhos exigentes. Nós, os pais de hoje, sacrificamos a nossa vida e o nosso casamento pelos nossos filhos demasiado rápido. O maior presente que pode dar aos seus filhos é ter um bom casamento.”, diz o terapeuta familiar David Code.

Seja feliz

Problemas emocionais nos pais estão diretamente ligados a problemas emocionais nas crianças. Seja feliz para poder ser um pai mais eficiente.

Num estudo, perguntaram a várias crianças “Se tivesses um desejo para os teus pais, qual seria?”, e a maioria das crianças respondeu que gostaria de ter pais menos stressados e menos cansados. Os psicólogos Carolyn e Philip Cowan também provaram que pais felizes têm mais hipóteses de terem filhos felizes.

 

 

Alunos felizes têm melhores notas

Junho 17, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Texto do site Educare de 3 de junho de 2016.

educare

Relação entre alunos e professores, nível de satisfação com o ambiente escolar, indisciplina na sala de aula. Os temas estiveram em debate no auditório do Conselho Nacional de Educação. “Bons ambientes, bons alunos?” é a pergunta que se faz.

Sara R. Oliveira

Os alunos mais felizes têm melhores notas nas pautas. Os mais infelizes, na sua maioria, estão em escolas inseridas em contextos mais desfavorecidos e com piores resultados. Quem aprende garante que a indisciplina na sala de aula diminuiu, quem gere as escolas não tem a mesma perceção. Portugal e Finlândia são os países onde os alunos garantem ter maior apoio por parte dos professores e os diretores das escolas concordam. Os temas estiveram em debate no 6.º Fórum aQueduto com o mote-pergunta “Bons ambientes, bons alunos?”, no auditório do Conselho Nacional de Educação (CNE).

O impacto que o ambiente escolar tem nos resultados da avaliação internacional dos testes PISA, o comportamento dos alunos, a relação com os professores e o nível de satisfação relativamente à escola, são alguns dos assuntos que foram debatidos neste fórum do Projeto aQeduto, que resulta de uma parceria entre o CNE e a Fundação Francisco Manuel dos Santos centrada em temas relacionados com a educação. As mais recentes conclusões do aQeduto foram analisadas à lupa.

Mais ou menos indisciplina nas salas de aula? As perceções divergem. Os alunos, em respostas recolhidas entre 2003 e 2012, referem que a indisciplina diminuiu. Os diretores das escolas não têm a mesma opinião: falam num aumento de 35% e 54% desses responsáveis sublinham que a indisciplina é prejudicial à aprendizagem. Neste ponto, a Polónia aproxima-se de Portugal. Na Finlândia, França, Holanda e Suécia acontece o contrário, ou seja, uma tendência para o agravamento dos problemas associados à indisciplina. Na República Checa, Polónia e Espanha, em 2012, houve uma maior convergência entre a visão dos alunos e a dos diretores.

Portugal e Finlândia são os países onde os alunos afirmam ter maior apoio por parte dos professores. E os diretores concordam. Em termos de percentagem, entre 2003 e 2012, 85% dos alunos portugueses estão satisfeitos com a ajuda prestada pelo corpo docente. “A nível agregado, verifica-se também uma correlação entre existir um bom relacionamento com os professores e os alunos sentirem-se felizes na escola”, lê-se no estudo. Em 2012, os estudantes portugueses eram os mais satisfeitos com o bom relacionamento com os professores e 25% sentiam-se felizes na escola. Mas são os alunos espanhóis os que se consideram mais felizes na escola, cerca de 35%.

Espanha, França, Luxemburgo são os países onde há menos alunos a sentirem o apoio por parte de quem ensina. “É curioso verificar que, na Finlândia, embora os alunos considerem ter apoio dos professores (85%), poucos são os que dizem estar felizes na escola (10%) ou que dizem ter um bom relacionamento com os docentes (43%).”

Mais felicidade, melhores notas? Os dados recolhidos apontam para uma resposta afirmativa. Em 2012, os alunos mais felizes são os que têm, em média, os melhores resultados nos testes de Matemática do PISA. No nosso país, a diferença de resultados entre alunos felizes e infelizes é na ordem dos 30 pontos, uma das maiores entre os países analisados. Ao todo, 14% dos alunos dizem sentir-se infelizes na escola. A percentagem aumenta para mais de 30% de alunos infelizes na Polónia, Finlândia e República Checa, apesar de os resultados médios a Matemática serem elevados nestes países.

Os alunos mais infelizes estão em escolas de meios mais desfavorecidos e com piores resultados. “Há uma maior prevalência de alunos infelizes em escolas onde tanto o Estatuto Socioeconómico e Cultural como os scores PISA Matemática são baixos.” Na análise feita, conclui-se que em 50% das escolas inseridas em meios desfavorecidos e com piores resultados, há mais de 15% de alunos infelizes. Nas escolas com melhores resultados, mas com estatuto socioeconómico e cultural baixo, apenas 35% têm mais de 15% de alunos infelizes. “Este padrão observa-se em apenas 25% das escolas cujo meio é mais favorável e os resultados são melhores.” Nessas escolas, os diretores estão preocupados com o ambiente, com a indisciplina. Ao todo, 14% dos diretores referem que o consumo de drogas é um assunto preocupante, 10% reconhecem que o relacionamento com os alunos não é fácil. E 25% dos alunos referem que as suas necessidades não são satisfeitas.

As escolas com melhor ambiente têm melhores resultados. Escolas inseridas em contextos mais favorecidos têm desempenhos mais elevados. Em apenas 26% das 543 escolas dos vários países, se aponta a indisciplina a níveis moderados e 7% referem alguma falta de respeito. As escolas inseridas em meios desfavoráveis, mas com bons resultados escolares, indicam a indisciplina moderada como o maior problema. “O consumo de drogas (5%) e a agressividade entre alunos (3%) aparentam estar controlados nestas escolas.”

 

Crianças precisam ser felizes, não de serem as melhores

Maio 15, 2016 às 9:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

texto do http://www.portalraizes.com

portalraizes

Por Portal Raízes

Vivemos em uma sociedade altamente competitiva em que parece que nada é suficiente. Temos a sensação de que se não colocarmos bateria nos filhos eles terminarão atrás, sendo barrados pelos melhores do que ele.

Por isso, não é estranho que nas últimas décadas muitos pais assumiram um modelo de educação sustentado na hiperpaternidade (pais helicópteros que não se cansam de voar sobre seus filhos, incessantemente). Trata-se de pais que desejam que seus filhos estejam preparados para a vida, mas não é no sentido da sorte do destino de cada um. É mais restrito: querem que seus filhos tenham o conhecimento e as habilidades necessárias para se realizar em uma boa profissão, conquistar um bom trabalho e ganhar o suficiente.

Estes pais traçam uma meta: querem que seus filhos sejam os melhores. Para conseguir, não duvidam em apontar-lhes diversas atividades extraescolares, preparar o caminho até aos limites inacreditáveis e, por hipótese, conquistar o êxito a qualquer peço. E o pior de tudo é que creem que o fazem “por seu bem”.

O principal problema deste modelo de educação dos filhos é a pressão desnecessária sobre os pequenos, uma pressão que termina tirando-lhes sua infância e esta atitude cria adultos emocionalmente fracos.

Os perigos de empurrar os filhos ao êxito

A maioria dos filhos são obedientes e podem alcançar os resultados que seus pais lhes pedem. Se as deixaram agir sozinhos serão capazes de conduzir seu pensamento autônomo e as habilidades naturais podem conduzi-los ao êxito verdadeiro. Se não lhes damos  espaço e liberdade no seu próprio caminho quando lhes enchemos de expectativas, o filho não poderá tomar suas próprias decisões, experimentar e desenvolver sua personalidade.

Pretender que os filhos sejam sempre melhores traz grandes perigos

Gera uma pressão desnecessária que lhes retira a infância. A infância é um período de aprendizagem, mas também de alegria e diversão. Os filhos devem aprender de maneira divertida, devem errar, perder o tempo, deixar voar a sua imaginação e passar seu tempo com outras crianças. Esperar que as crianças sejam “os melhores” em determinada área – colocando sobre eles expectativas muito elevadas – somente fará que suas frágeis rótulas se dobrem ante o peso de uma pressão que não necessitam. Esta forma de educar termina arrebatando-lhes a sua infância.

Provoca a perda da motivação essencial e o prazer

Quando os pais se concentram mais nos resultados que no esforço, a criança perderá a motivação essencial porque compreenderá que conta mais o resultado que o caminho que está seguindo. Portanto, aumentam as possibilidades de que cometa fraude no colégio. Por exemplo, verá que não é tão importante que aprenda se a nota for boa.  Da mesma maneira, vai concentrar-se nos resultados, e vai perder o interesse pelo caminho, e deixa de aproveitá-lo.

A semente do medo e do fracasso

O medo ao fracasso é uma das sensações mais limitadoras que podemos experimentar. E esta sensação está intimamente vinculada com a concepção que temos sobre o êxito. Portanto, empurrar as crianças desde cedo ao êxito desde pequenininho só serve para plantas neles a semente do medo ao fracasso. Como consequência, é provável que estes pequenos não se tornem adultos independentes e empreendedores, como querem seus pais. Serão pessoas que preferem a mediocridade somente porque têm medo de fracassar.

A perda da autoestima

Muitas das pessoas mais exitosas, profissionalmente falando, não são seguras de si. De fato, muitas supermodelos, por exemplo, dizem que estão feias e gordas, quando na realidade são ícones de beleza. Isto acontece porque o nível de perfeccionismo a que sempre são submetidas.  Elas acreditam que nunca estarão em forma e que um pequeno erro na dieta será motivo para que as outras as vejam diferentes. As crianças que crescem com esta ideia se convertem em adultos inseguros, com uma baixa autoestima, e acreditam que não são suficientemente boas para serem amadas. Como resultado, vivem dependentes das opiniões dos outros.

O que realmente deve saber uma criança?

As crianças não necessitam de ser as melhores, somente necessitam ser felizes. Por isso, deve assegurar-se de que seu filho perceba:

– Que é amado de forma incondicional e em todos os momentos; sem importar os erros que cometa.

– Que está a salvo, que lhe protegerá, e a apoiará sempre que precisar.

– Que pode fazer tolices, perder o tempo fantasiando e brincando com seus amigos.

-Que pode fazer o que mais gosta e dedicar-se a essa paixão, sem importar de que se trata. Que pode passar o seu tempo livre pintando flores coloridas ou pintando gatos com seis patas se é o que lhe dá alegria, em vez de praticar a fonética e o cálculo.

-Que é uma pessoa especial e maravilhosa, igual a muitas outras pessoas no mundo.

-Que merece respeito e que deve respeitar os direitos dos demais.

E o que deve fazer os pais?

Também é fundamental que os pais percebam:

– Que cada criança aprende no seu próprio ritmo, e não devem confundir o estímulo que desenvolve com a pressão que sufoca.

Texto da psicologa Jennifer Delgado (Tradução livre)

 

 

 

 

Manual de instruções para uma criança feliz

Março 11, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

texto da Pais & Filhos de 1 de março de 2016.

Escrito por Eduardo Sá, psicólogo

Os bons pais erram! Esganiçam-se, têm “ataques de nervos” e “passam-se”! Tirando os pais que fazem de Dupont e Dupond, e aqueles que nunca se enganam e raramente têm dúvidas, todos os outros são bons pais!

Os pais tão depressa reconhecem que a sua infância terá sido mais livre, mais amiga do brincar, menos atolada em compromissos e mais feliz como, ao mesmo tempo que não fazem tanto como deviam para replicarem essa “fórmula de sucesso”, repetem (de forma exaustiva) que quase tudo seria diferente na relação com os seus filhos se eles nascessem equipados com manuais de instruções. Não serão estes pais escolarizados tentadoramente tecnocráticos? E se ainda hoje guardam a infância como um período feliz, isso deve-se ao bom manual de instruções que os seus pais seguiram a preceito ou ao modo como tiveram tempo para ser crianças, com a ajuda preciosa que isso representa para cicatrizar trapalhadas e engendrar paixão pela vida e engenho para crescer? Seja como for, se a desculpa passa por não haver um “manual de instruções”, vamos lá imaginar um, mais ou menos clandestino, para que não haja mais desculpas…

1. Nunca estamos preparados para ser pais. As crianças dão imenso trabalho. Só crescemos com elas quando somos obrigados a crescer. E nada é fácil para os pais.

2. Nunca se educa só por instinto (materno ou paterno). Mas quando se educa “by de book” todas as crianças se estragam.

3. As crianças precisam de tempo para crescer. E precisam de (muitas) oportunidades para aprenderem a ser crianças!
4. Todas as crianças são inteligentes. E se, hoje, elas parecem mais espertas, é porque os pais, quando os filhos são pequeninos, as estragaram muito menos.

5. Todas as crianças saudáveis são de ideias fixas e são teimosas. A teimosia depende, de forma direta, do modo como elas sentem que o pai ou a mãe ora se zangam, como deviam, ora hesitam e se encolhem, quando se trata de lhes dizer: “Não!”. São, portanto, precisos ritmos, regras e rotinas coerentes e constantes para crescer.

6. Todas as crianças sabem o que querem. Se o não manifestam, e são certinhas, é porque têm medo de contrariar os pais. Já aquelas que parecem ter uma “personalidade forte” estão a transformar-se, contra a vontade de todos, em chefes da família. E isso só lhes faz mal!

7. Todas as crianças precisam de brincar duas horas, todos os dias, depois do jardim de infância ou da escola. Brincar é tempo livre! Tempo gerido por elas, sob o olhar atento de um dos pais ou dos avós.

8. Os brinquedos não têm sexo. Não é a forma como os rapazes brincam com bonecas ou as raparigas com carrinhos que estraga as crianças na sua relação com a identidade. Mas o modo como o pai e a mãe se dão como modelos, com equívocos (levando a que nem sempre apeteça, quando se cresce, ser como eles), ajuda a isso.

9. Todas as crianças precisam de correr, de falar alto, de se mexer e de imaginar. Transformar vídeos, telefones, tablets ou computadores em babysitters, todos os dias e a todas as horas, faz mal à saúde das crianças.

10. Para serem felizes, as crianças precisam de estar tristes. Crianças que podem estar tristes são crianças mais seguras.

11. Sempre que uma criança está triste, os pais estão proibidos de perguntar porque é que ela está assim. Mas se lhe derem um bocadinho de corpo de mãe ou de pai (sem palavras!) a tristeza delas leva a que cresçam melhor.

12. As crianças não crescem felizes à margem da autoridade dos pais. Os pais saudáveis dão com uma mão e exigem com a outra. Não explicam todas as regras nem as justificam, mas exigem em função dos exemplos que dão. Sem nunca falarem demais!

13. As crianças felizes têm nas birras o “último grito” duma “prova de vida”. Significa que têm pais atentos mas que não são nem ameaçadores nem tirânicos. Por mais que uma birra não possa ter muito mais de 10 minutos!

14. Crianças felizes não se transformam em metas curriculares para os seus pais.

15. A família ensina mais que a escola e brincar é tão indispensável como aprender. Logo, crianças que, para além da escola, se desdobram em atividades extra-curriculares e trabalham das oito às oito, crescem infelizes e com pouca amizade pelo conhecimento.

16. Crianças felizes ligam orgulho, esperança e humildade. São valorizadas por aquilo que fazem bem, são corrigidas sempre que se enganam e repreendidas logo que não tentam.

17. As crianças não são o melhor do mundo, para os pais, se as relações amorosas adultas, que eles tiverem, viverem, unicamente, à sombra delas.

18. As crianças precisam de mãe e de pai para crescer. Pais que convivam, mesmo que não coabitem. E ganham se os sentirem, diariamente, atentos e participativos.

19. O pai e a mãe não estão sempre de acordo. E isso torna as crianças mais saudáveis! O desacordo dos pais está para o seu crescimento como o contraditório para o exercício da justiça.

20. As madrastas ou os padrastos, quando os há, nunca são tios! São segundos pais! Devem, portanto, dar colo, exercer a autoridade e promover a autonomia como só os bons pais sabem fazer!

21. Os avós devem “estragar” as crianças com mimos. Quanto mais os avós interpelam os pais, mais as crianças crescem saudáveis.

22. Os bons pais estão autorizados a não se zangarem um com o outro à frente das crianças! Por mais que isso não adiante quase nada. Na medida em que, por maiores que sejam os seus cuidados, as crianças nunca deixem de sentir se eles estarão ligados um ao outro, amuados ou, até, birrentos.

23. Os bons pais não se desautorizam um ao outro, diante das crianças. Se bem que elas reconheçam que, sempre que a mãe e o pai discordam, a propósito delas e seja acerca do que for, é impossível que alguém fique indiferente.

24. Os bons pais erram! Esganiçam-se, têm “ataques de nervos” e “passam-se”! Tirando os pais que fazem de Dupont e Dupond, e aqueles que nunca se enganam e raramente têm dúvidas, todos os os outros são bons pais! Sobretudo, quando assumem, com lealdade, que aprendem sempre que se reconhecem num erro.

25. Os bons pais adoram os filhos e adoram estar sem eles! Mas os bons pais não podem viver os seus tempos sequestrados pelos tempos dos filhos. Pais que namoram todos os dias são melhores pais! Pais que confiam os filhos à guarda dos avós ou dos tios, uma vez por mês, ao fim de semana, amam-nos mais!

26. Os bons pais reconhecem que, todos os dias, há 200 minutos, que separam as crianças da felicidade: 30 minutos de filho único de mãe ou de pai, depois da escola; 120 minutos para brincar, todos os dias; 30 minutos para jantar, sem televisão; 20 minutos para namorar com a vida e para contar uma história, antes de adormecer.

27. Crianças felizes gerem cabeça, coração, corpo e alma; pais, irmãos, avós, tios e amigos; escola e brincar. Têm dores, têm medos, têm sonhos e projetos. E tudo isso ao mesmo tempo! Mas não são felizes se precisarem de ser “as melhores do mundo”. Para serem felizes, basta que sejam um bocadinho do melhor que há no mundo para quem só lhes quer bem.

 

 

 

 

« Página anteriorPágina seguinte »


Entries e comentários feeds.